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Eletroquímica
o estudo da relação
entre energia elétrica
e transformação
química
Hervé M. Laborde
1. Células Galvânicas (pilhas)
**1. Reações espontâneas e célula galvânicas
- Diagramas de célula
- Tensão de célula e espontaneidade**
2. Células Eletrolíticas
**1. Reações não-espontâneas e células eletrolíticas
- Eletrólise
- Leis de Faraday**
Células Galvânicas (pilhas)
- (^) Uma célula eletroquímica é um dispositivo que
utilize reações de óxido-redução para produzir a
interconversão de energia química e elétrica.
- (^) Existem 2 tipos de células eletroquímicas:
- (^) as células galvânicas , nas quais energia química é convertida em energia elétrica,
- (^) e as células eletrolíticas , nas quais energia elétrica é convertida em energia química.
- (^) Primeiro consideraremos a operação das
células galvânicas.
Reações espontâneas e célula galvânicas
- (^) Consideremos a reação de óxido-redução simples: Zn( s ) + Cu2+( aq ) Zn2+( aq ) + Cu( s )
- (^) que ocorre espontaneamente quando mergulhamos uma barra de zinco metálico em uma solução aquosa de sulfato de cobre(II).
- (^) Imediatamente após a imersão notamos um depósito escuro sobre a superfície do zinco. - (^) Este depósito consiste em partículas finamente divididas de Cu metálico e cresce formando uma camada grossa e esponjosa; ao mesmo tempo a cor azul característica da solução de CuSO 4 descora gradualmente, indicando que os íons de cobre(II) hidratados, Cu(H 2 O) 4 2+, são consumidos na reação.
- (^) Além disso, o Zn metálico corrói lentamente, provocando o destacamento do depósito de Cu metálico que acaba se depositando no fundo do recipiente.
- (^) Para esta reação, G ° é igual a –212 kJ/mol.
- (^) Este grande valor negativo indica uma forte tendência dos e - em se transferirem do Zn metálico para os íons de Cu 2+ .
- (^) Pelo menos quando reagentes e produtos se encontram em seus estados padrões (metais puros e concentrações iônicos 1 mol/L).
- (^) É importante verificar que essa tendência
mostrada pela reação depende apenas da
natureza, dos estados e concentrações dos
reagentes e produtos, e não de como ocorre a
reação.
- (^) A barra de Zn é imersa numa solução de sulfato de zinco, a barra de Cu encontra-se imersa em uma solução de sulfato cúprico e as 2 encontram-se interligadas eletricamente mediante um fio.
- (^) Este dispositivo forma uma célula galvânica , também conhecida como célula voltáica. As 2 metades da célula são chamadas compartimentos e são separadas por um material poroso, p.ex., uma peça de argila não-vitrificada ou de porcelana.
- (^) As barras de Zn e de Cu são denominadas eletrodos e fornecem a superfície na qual ocorrem as reações de oxidação e redução.
- (^) Cada eletrodo e o meio onde está imerso forma uma semipilha.
- (^) O circuito elétrico que conecta os 2 eletrodos fora da célula é denominado circuito externo.
- (^) Se os eletrodos de Zn e de Cu forem ligados entre si por meio de um circuito externo, haverá um escoamento de e–^ através deste circuito, do eletrodo de Zn para o eletrodo de Cu em cuja superfície serão recebidos pelos íons de Cu2+.
- (^) Estes íons são reduzidos e os át. de Cu resultantes se depositam sobre a superfície do eletrodo de Cu, em um processo denominado eletrodeposição.
- (^) O eletrodo de Cu é denominado cátodo , ou seja, é o eletrodo onde ocorre a redução. A semi-reação no cátodo é: 2e–^ + Cu2+( aq ) Cu( s ) (semi-reação catódica)
- (^) Os át. da superfície do Zn perdem e–^ (são
oxidados) e se tornam íons.
- (^) À medida que os e–^ deixam o metal saindo pelo
circuito externo, os íons se dissolvem na
solução aquosa.
- (^) O eletrodo de Zn é denominado ânodo , o
eletrodo onde ocorre a oxidação.
Zn( s ) Zn2+( aq ) + 2e–^ (semi-reação anódica)
Diagramas de célula
- (^) As células galvânicas são comumente representadas mediante uma notação simplificada chamada diagrama de célula. Zn( s ) Zn2+( aq ) Cu2+( aq ) Cu( s )
- (^) onde cada símbolo e fórmula representa a fase em que a substância ou espécie se encontra e as linhas verticais representam interfaces ou junções.
- (^) A convenção apresenta o ânodo na esquerda do diagrama. - Isto significa que os e–^ deixam a célula para entrar no circuito externo, partindo do eletrodo que está escrito à esquerda.
- (^) Um diagrama de célula é muitas vezes escrito
para mostrar a fórmula completa do soluto em
cada compartimento da célula.
- (^) Para a pilha de Daniell podemos escrever então:
Zn( s ) ZnSO4 ( aq ) CuSO4 ( aq ) Cu( s )
- (^) A reação da célula de Daniell, Zn( s ) + Cu2+( aq ) Zn2+( aq ) + Cu( s )
- (^) ocorre espontaneamente e, se as concentrações de Cu2+ e de Zn2+^ forem ambas iguais a 1 mol/L e a T for 25°C, a tensão medida é +1,10 V.
- (^) Lembra-se: a tendência que uma reação tem de ocorrer depende apenas da natureza, estados e concentrações de seus reagentes e produtos e não de “como” ocorre. - (^) Não depende, p.ex., das quantidades de reagentes sólidos que possam estar presentes nem das quantidades de soluções ou do tamanho e forma dos béqueres, tubos U, eletrodos etc. - (^) Além disso, não depende se a reação produz ou não uma quantidade útil de energia elétrica.
- (^) Assim, a “reação de célula de Daniell” é espontânea.
- (^) Uma tensão positiva é associada a uma
reação espontânea , e uma tensão
negativa , a uma reação não-espontânea.
- (^) Assim, a tensão no caso de
Cu( s ) + Zn2+( aq ) Cu2+( aq ) + Zn( s )
a célula de Daniell invertida , é –1,10 V (às
concentrações iônicas 1 mol/L e 25°C).
- (^) Isto significa que o metal Cu não é oxidado
pelos íons zinco.
Reações não-espontâneas e células eletrolíticas
- (^) Consideremos a seguinte célula galvânica
operando a 25°C:
Sn( s ) | Sn2+( aq ) || Cu2+( aq ) | Cu( s )
- (^) O ânodo consiste em uma barra de estanho
imersa numa solução contendo estanho(II), ou
íon estanoso.
- (^) O cátodo é o mesmo da pilha de Daniell, imerso
em uma solução contendo íons cobre(II).
- (^) As reações do eletrodo e da célula são:
Sn( s ) Sn2+( aq ) + 2e–^ (ânodo de estanho)
2e–^ + Cu2+( aq ) Cu( s ) (cátodo de cobre)
___________________________________
Sn( s ) + Cu2+( aq ) Sn2+( aq ) + Cu( s ) (Célula)