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FÍSICO-QUÍMICA III - eletroquímica
Tipologia: Notas de estudo
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1.1 - Corrente elétrica:
Um condutor é um sistema no interior do qual se encontram cargas elétricas livres. Aplicada uma diferença de potencial entre dois pontos do condutor, estas cargas deslocam-se constituindo uma corrente elétrica.
Distinguem-se duas classes de condutores: eletrônico e iônicos. Nos primeiros, as cargas livres são elétrons, tais como se encontram nos metais. Nos condutores iônicos, as cargas livres são íons positivos e negativos cuja massa é milhares de vezes maior do que a massa do elétron.
A intensidade de uma corrente elétrica é a carga que flui, por unidade de tempo, através de uma seção do condutor. Assim temos,
dt
dq I = ou dq = Idt (1)
onde: dq → carga que passa durante o intervalo de tempo – coulombs.
dt → tempo – segundos. I → intensidade - ampéres
No caso de uma corrente de intensidade constante, tem-se
Q = It ou I = t
A resistência de um condutor é definida como a razão entre a diferença de potencial nele aplicado e a intensidade da corrente produzida,
R = I
ε (^) (3)
onde: R = ohms
ε = volts I = ampéres
Quando R é independente de voltagem aplicada, a corrente I é proporcional a tensão ε, dizendo- se que o condutor obedece a lei de Ohm.
I = R
ε → ε = IR (4)
A resistência de um condutor homogêneo e de seção constante é diretamente proporcional ao seu comprimento e inversamente proporcional a seção, a corrente propagando-se paralelamente ao seu eixo principal:
R = ρ A
l ohms (5)
A constante de proporcionalidade, ρ, depende da natureza do condutor e se chama resistividade. No sistema de unidades CGS, a resistividade é a resistência de uma amostra do condutor que
possui as dimensões de 1cm de comprimento e 1cm^2 de seção. Da eq. (5), obtém-se para a resistividade:
ρ = R l
ohms cm (6)
No caso de um condutor eletrolítico a resistividade deve ser entendida como a resistência de 1cm^3 da solução contida entre elétrodos afastados de 1cm.
A resistividade dos metais aumenta quando sobe a temperatura, enquanto a dos condutores eletrolíticos diminui.
1.2. Célula eletrolítica e Célula galvânica
Eletrolise é uma reação de decomposição de certas substâncias por efeito de uma corrente elétrica. Tal reação se processa a temperatura e pressão constante, num reator chamado célula eletrolítica, e o sistema a considerar é constituído do eletrólito (dissolvido ou fundido) e dos eletrodos nele imersos.
A eletrólise é uma reação não espontânea, pois só se realiza mediante o consumo de trabalho elétrico (trabalho útil). Ela é acompanhada de aumento de energia livre, de Gibbs, igual ao trabalho útil recebido.
Neste caso, os produtos da eletrolise possuem energia livre superior à do eletrólito que lhes deu origem e podem recombinar-se espontaneamente, devolvendo a energia livre recebida. Reações deste tipo, que ocorrem espontaneamente, podem alimentar um reator chamado pilha ou célula galvânica , em que há produção de um trabalho elétrico igual ao consumido pela célula eletrolítica, se ambos os processos forem conduzidos reversivelmente.
Assim, resumindo temos que. a eletroquímica trata de conversão de energia elétrica em energia química nas células eletroquímicas, onde ∆G > 0, e conversão de energia química em energia elétrica nas células galvânicas, onde ∆G < 0. fig (1).
Em qualquer dos reatores, dá-se o nome de cátodo ao eletrodo que recebe elétrons ao circuito externo, enquanto o ânodo é o eletrodo que entrega elétrons ao circuito externo.
Em qualquer dos reatores, a reação que se processa no catodo consume elétrons (redução catódica), em quanto a que se processa no anodo liberta elétrons (oxidação anódica)
Fig. II.1 – Célula Eletrolítica e Célula Galvânica
1.4. As leis da eletrólise
Estudando o fenômeno do eletrólise M. Faraday (1833) descobriu certas relações entre a quantidade de eletricidade que passa através de um eletrólito e a quantidade de produto formado durante a eletrólise. Essas observações foram generalizadas em duas leis conhecidas como Leis de Faraday.
1 - A massa de um produto formado na eletrólise é proporcional à quantidade de eletricidade que passo através da solução;
M = kIt (7)
Onde a constante de proporcionalidade, K, depende da natureza do produto formado.
2 As massas de diferentes substâncias produzidas pela mesma quantidade de eletricidade são proporcionais aos respectivos equivalentes químico. M 1 : M 2 : M 3 : ... = (Eq) 1 : (Eq) 2 : (Eq) 3 : ...
Considerem-se três células eletrolíticas, ligadas em série, contendo respectivamente soluções de H 2 SO 4 , CuSO 4 , e Fecl 4 com eletrodos de platina.
A mesma corrente percorre as três células e, num dado tempo, a mesma quantidade de eletricidade passa por elas. Nestas condições, as massas de hidrogênio, cobre e ferro formados no cátodo das células guardam entre se a seguinte proporção:
MH : Meu : MFe = 1,008:31,77:18,
PMH = 1,008 ÷ 1 = 1,
PMCu = 63,54 ÷ 2 = 31,
PMH = 55,847 ÷ 3 = 18,
De igual forma as massas de oxigênio e cloro liberadas no ânodo são:
Mo : Mo : Mcl = 8,000 : 8,000 : 35,
1.5 – O faraday
Portanto as leis de Faraday mostram que a eletrólise deve ser considerada como uma reação química entre os íons e a eletricidade fornecida pelo gerador.
Dessa forma, haverá uma determinada quantidade de eletricidade que se convencionou denominar de faraday (F), que reage na eletrólise com um equivalente-grama de qualquer íon.
O faraday é uma constante universal, dada pelo produto de duas outras constantes universais:
F = Ne (8)
ou seja, o faraday é um mol de cargas elementares.
O valor do faraday é F = 96.487 coulombs / eq
Onde N = 6,02x10^23
e = 1,6x10-19^ coulombs
As duas leis de faraday podem ser inclusas numa só expressão, considerando-se o seguinte ponto: como um equivalente-grama de qualquer íon transporta um faraday, tem-se para k,
g/ coulombs coulombs/eq
g/eq F
Eq k = = = (9)
Introduzindo o valor de k na eq. (7) tem-se:
It F
Eq M = (10)
de onde It M
Eq F = (11)
que dá o valor do faraday, caso seja determinada a massa, M, de um elemento de massa atômica e valência conhecidas, depositada por uma corrente constante, I, durante t segundos.
A condutância de um condutor é o inverso da sua resistência, isto é,:
C = ohms-1^ (12)
em virtude da eq. (4), C = I/ε, ou ainda, C = I quando ε = 1volt. Portanto, a condutância é numericamente igual à corrente que atravessa o condutor, quando a tensão aplicada é de um volt. Da equação (5) tem-se para a condutância:
l
ohms ou C l
C 1 =κ ρ
A constante de proporcionalidade κ é o inverso da resistividade e se chama condutividade:
(^1) ohms− (^1) cm− 1 ρ
κ = (14)
A condutividade pode ser expressa em função da resistência do condutor, pois da equação (14), tem-se
ohms^1 cm^1 A
l R
κ = (15)
Esta equação dá a condutividade de uma solução eletrolítica se for medida a sua resistência, R, e se for conhecida a geometria A/l da célula de condutância.
Ao se determinar a condutividade de um eletrólito, o que se procura medir é o efeito de seus íons, excluindo o efeito produzido pelos íons do solvente. Por isso, os eletrólitos devem ser dissolvidos em solventes tão livres de impurezas quanto possíveis. Se o solvente for água, a esta água, chama-se água de condutância. A água destilada ordinária, em equilíbrio com o dióxido de carbono do ar, apresenta uma condutividade de cerca de 0,8x10-6^ ohms-1^ cm-1.
2.1 – Condutância equivalente
É fundamental para a teoria dos eletrólitos, verificar-se a variação da condutância de uma certa massa de eletrólito, quando varia a diluição, isto é, o volume de solução em que esta massa está dissolvida.
A fim de reduzir as condutividades a uma base comum de concentração, uma função chamada condutância equivalente fio definida por:
ohms^1 cm^2 N
Λ =κ^ − (16)
Tabela II.1 – Condutâncias equivalentes, Λ 0 ., em ohms-1^ cm^2 (25°C)
Pares de eletrólitos
Λ 0. Diferença^ Pares de eletrólitos
Λ 0. Diferença
KCl NaCl
23,41 KCl KNO 3
NaNO 3
23,41 NaCl NaNO 3
NaI
23,41 ½ BaCl 2 ½ Ba(NO 3 ) 2
O mesmo comportamento pode ser observado em relação aos ânions Cl-^ e NO 3 -^ na segunda coluna da tabela.
Estes dados empíricos levaram Kohlrausch a enunciar a chamada Lei da Condutância Independente ou da Migração Independente dos Íons: “Em diluição infinita, a condutância equivalente dos eletrólitos é uma propriedade aditiva, sendo dada pela soma das contribuições fixas e características dos íons constituintes, chamadas condutâncias iônicas equivalentes em diluição infinita.”
Λ 0 =λ^0 + +λ^0 − (18)
Esta lei permite o cálculo de Λ 0 para eletrólitos fracos, como os ácidos orgânicos, a partir dos valores de seus sais, que são eletrólitos fortes. Exemplo, a 25°,
Λ 0 (HAc)= Λ 0 (NaAc) + Λ 0 (HCl) - Λ 0 (NaCl) = 91,0 + 425,0 - 128,1 = 387,9 Ohms-1^ cm^2
2.3 – Teoria da dissociação eletrolítica ou teoria da ionização de Arrhenius
Correlacionando fatos científicos observados na época, Arrhenius (1887) propôs uma teoria chamada teoria da dissociação eletrolítica, que intentava explicar o comportamento de soluções aquosas de eletrólitos, no que se referia a condutância elétrica e as anomalias nas pressões osmóticas, frente as obtidas para soluções de não eletrólitos.
Os principais pontos da teoria de Arrhenius são os que seguem:
A dissociação eletrolítica pode ser representada pela equação: MA ←→ M+^ + A-
A constante deste equilíbrio, chamada constante de dissociação, será expressa por:
Para 1 litro de solução, tem-se que a concentração que sofre dissociação será Mα e a concentração que não sofre dissociação será M(1-α). No caso de cada molécula de eletrólito dissociada produzir um cátion e um ânion, a concentração de cada esécie iônica será dada por Mα. Assim, a constante de equilíbrio, K, pode ser escrita sob a forma:
−α
1
2 (20)
Como K é constante numa dada temperatura, esta expressão indica que o grau de dissociação aumenta à medida que a concentração diminui ou à medida que a diluição aumenta. Este resultado é conhecido como lei de diluição de Ostwald (1888).
Este postulado da teoria de Arrhenius indica, portanto que o número de íons que se pode obter de uma certa massa de eletrólito aumenta com a diluição e que à diluição infinita, o eletrólito estará completamente dissociado.
Assim, seguindo Arrhenius, o aumento da condutância equivalente, Λ, com a diluição é devida exclusivamente ao aumento de grau de dissociação do eletrólito, isto é, ao acréscimo do número de íons disponíveis para o transporte da corrente. Portanto:
=α Λ=Λ α α
Λ
0 0 0
ou (21)
pois α 0 = 1.
2.4 – Insuficiência da teoria de Arrhenius
A teoria de Arrhenius descreve satisfatoriamente as propriedades dos eletrólitos fracos. No entanto, tratando-se de eletrólitos fortes, a teoria conduz a resultados bastante divergentes da realidade.
CRÍTICAS À TEORIA