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Apostila de Empreendedorismo e Sustentabilidade.
Tipologia: Notas de estudo
Compartilhado em 19/01/2026
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Não perca as partes importantes!










Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Identificar o conceito de empreendedorismo. Explicar o processo de ação empreendedora Definir os estágios de uma ação empreendedora.
As mudanças políticas, sociais, econômicas e tecnológicas que o mundo vem sofrendo ao longo dos últimos anos geram na sociedade grande insegurança e preocupação em relação a que caminho seguir. Apesar desse cenário repleto de incerteza, o empreendedorismo vem crescendo no Brasil. Em uma recente pesquisa, verificou que cerca de 50 milhões de brasileiros com idade entre 18 a 64 anos eram donos de seu próprio negócio, ou estavam envolvidos na criação de um, ou seja, envolvidos em uma ação empreendedora, o que demonstra o grande potencial do país para criar um ambiente favorável para fomentar negócios. Neste capítulo, você vai vivenciar o conceito de empreendedorismo, assim como ocorrem o processo e os estágios da ação empreendedora.
Apesar de não possuir uma defi nição única, o empreendedorismo é considerado como um processo de criação de algo novo ou diferente, que agrega valor, que exige dedicação e esforço, e que incorre em riscos financeiros, psicológicos e sociais, cujo retorno, na maioria das vezes, é a satisfação econômica e pessoal. É um termo então, relacionado à inovação, ao risco, à criatividade, à organização e à riqueza (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014).
que podem facilitar a vida dos empreendedores, pois, quanto menor o tempo perdido com processos burocráticos e, maior o crédito concedido, mais tempo e recursos o empreendedor terá para se dedicar ao negócio, gerando benefícios à sociedade (GLOBAL ENTREPRENEURSHIP MONITOR, [2016?]; 2017). É importante destacar que a qualidade do empreendedorismo no Bra- sil teve um salto significativo nos últimos anos. Isso se deve, dentre outros motivos, à ampliação do acesso à informação sobre negócios, à atuação das organizações que apoiam a capacitação dos empreendedores e às políticas públicas implementadas e aperfeiçoadas, como o Simples e a criação do Microempreendedor Individual (MEI). Dentre as principais vantagens do empreendedorismo podemos destacar (BRITO, 2013):
Geração de emprego e renda. Aumento do crescimento econômico. Estímulo à competição saudável, gerando produtos e serviços de maior qualidade. Estímulo ao desenvolvimento de novos mercados. Estímulo ao uso da tecnologia em pequena escala. Estímulo às pesquisas e ao desenvolvimento de máquinas e equipa- mentos modernos para uso doméstico. Estímulo ao surgimento de novos empreendedores, ao desenvolvimento de qualidades e atitudes empreendedoras. Redução da economia informal e menor dependência do emprego formal. Possibilidade de grande retorno financeiro, caso o empreendedor esteja preparado e consciente de suas limitações e potencial.
Dentre as principais desvantagens ou dificuldades relacionadas ao empre- endedorismo podemos destacar a necessidade de maior dedicação e esforço mental, emocional e, algumas vezes, físico, bem como muitas horas de tra- balho. Também deve ser mencionada a preocupação e a tensão em dirigir e fazer dar certo um negócio próprio e, por isso, uma maior responsabilidade com os processos de trabalho, além da constante ameaça da concorrência, da possibilidade de insucesso e a convivência contínua com os riscos inerentes a qualquer negócio (BRITO, 2013). Apesar de todas as dificuldades que você acabou de conhecer e que se im- põem à abertura de novos negócios no país, a taxa total de empreendedorismo no Brasil, em 2017, foi de 36,4%, o que significa que entre 100 brasileiros, 36 estavam ou criando e aprimorando um negócio novo, ou trabalhando na manutenção de um negócio já existente. Você sabe o que isso significa? Quase
50 milhões de brasileiros já possuíam seu negócio ou estavam trabalhando na criação de um novo negócio em um futuro próximo (GLOBAL ENTREPRE- NEURSHIP MONITOR, [2018?]). Veja, na Figura 1, as etapas do processo empreendedor, que tem início com a intenção das pessoas em iniciar um negócio e passam pelas etapas de criação, fases iniciais de desenvolvimento (nascentes e novos) até o estabelecimento do empreendimento (GLOBAL ENTREPRENEURSHIP MONITOR, [2016?]).
Figura 1. Processo empreendedor. Fonte: Adaptada de GEM ([2016?], p. 22).
Contexto empreendedor
Estabelecidos Novos Nascentes Intenções
Potencial empreendedor
Características do indivíduo
Postura da sociedade
Ambiente institucional
empreendimentoFases do Descontinuidade
Processos de ação empreendedora
Você já sabe que o empreendedorismo possui papel importante na economia e contribui para o desenvolvimento, crescimento e sustentabilidade de uma nação, por meio da criação de novas empresas no mercado e da inovação apresentada por elas. O empreendedorismo é o motor da economia e o desenvolvimento da economia depende de empreendedores, de crédito e de novas combinações de produtos (SCHUMPETER, 1982; ENDEAVOR, 2014). Você sabia que ser dono do próprio negócio é o quarto principal sonho dos brasileiros? Isso mesmo, esse sonho perde apenas para o desejo de possuir a casa própria, de viajar pelo Brasil e de comprar um automóvel (GLOBAL ENTREPRENEURSHIP MONITOR, [2016?]). Mas, qual é o momento de empreender? Na verdade, não há um momento certo para isso. São muitos os motivos que disparam essa iniciativa, como o momento econômico favorável
A seguir, você conhecerá os principais elementos que constituem o processo da ação empreendedora, momento em que se problematizará a importância de articular as características do indivíduo empreendedor, com o ambiente social e institucional para o desenvolvimento do empreendedorismo
uma sociedade; uma sucessão familiar; a disponibilidade de recursos para aplicação, proveniente de demissão, aposentadoria, loteria ou herança; a vontade de oferecer soluções para os problemas das pessoas ou para seus próprios problemas, criando um produto ou serviço inovador; a vontade de alcançar independência financeira, autonomia e realização profissional; entre outros (DORNELAS, 2013). Assim, independente da motivação, pode-se dizer que o empreendedo- rismo exige uma ação empreendedora. O fato é que a ação empreendedora tem início com o surgimento de uma oportunidade, e sem oportunidade não existe empreendedorismo.
A ação empreendedora ocorre por meio da criação de novos produtos e processos e/ou da entrada em novos mercados por empresas recém-criadas ou por empresas já estabelecidas (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014).
Dessa forma, o processo da ação empreendedora é composto pelo reco- nhecimento ou criação de uma oportunidade, seguido por avaliação, seleção e exploração de uma oportunidade, por meio do desenvolvimento de um produto ou serviço, ou ainda da combinação dos dois, que pode acontecer em uma empresa já existente ou com a criação de uma. A ação empreendedora passa então pela geração da ideia; pela criação de valor, isto é, pelo desenvolvimento de um produto ou serviço; pela criação de uma empresa; pela captura de valor com a comercialização da inovação e pelo compartilhamento do valor capturado com fornecedores e/ou outros atores (SALERNO; GOMES, 2018).
Oportunidades empreendedoras são aquelas pelas quais produtos, serviços, recursos materiais e métodos organizacionais podem ser inseridos no mercado e gerar valor financeiro para o empreendedor (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014).
Estágios da ação empreendedora
Você viu anteriormente que sem oportunidade não existe empreendedorismo, Mas o que é uma oportunidade? Na verdade, não existe uma definição única sobre o que seja uma oportunidade. Veja, no Quadro 1, algumas definições de oportunidade identificadas por Hansen, Shrader e Monllor (2011).
Fonte: Adaptado de Hansen, Shrader e Monllor (2011).
Visão 1: uma oportunidade é a possibilidade de introduzir um novo produto no mercado, com o intuito de obter lucro. Visão 2: uma oportunidade é uma situação na qual os empreendedores visualizam ou criam novos frameworks do tipo meios–fins. Visão 3: uma oportunidade é uma ideia que deve ser desenvolvida na forma de um negócio. Visão 4: uma oportunidade é a percepção de um empreendedor de meios viáveis para obter e atingir benefícios. Visão 5: uma oportunidade é a habilidade de um empreendedor em criar uma solução para um problema. Visão 6: uma oportunidade é a possibilidade de servir os consumidores diferentemente e melhor.
Quadro 1. Entendimentos sobre oportunidades
Veja que as visões apresentadas, apesar de diferentes, possuem em comum a oportunidade como um problema de mercado ou uma necessidade dos consumidores e como a necessidade de mobilizar e combinar recursos para o desenvolvimento de um produto ou serviço. É importante destacar que, diante das potenciais oportunidades, os em- preendedores devem ter discernimento para decidir se essas valem a pena ou não. Cabe destacar que a dúvida pode interferir na ação empreendedora. Dessa forma, avaliar o nível de incerteza de uma oportunidade é fundamental para o sucesso da ação empreendedora, bem como conhecer a disposição do empreendedor em enfrentá-la. Nesse sentido, o conhecimento prévio do empreendedor também pode reduzir o nível de incerteza em sua decisão e sua motivação representa sua disposição para enfrentá-la (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014).
com altos níveis de risco e pressão. É normal que, em ambientes com essas características, nossas decisões em relação a problemas sejam diferentes daquelas que normalmente tomaríamos em uma situação normal, na qual se tem tempo e conhecimento para solucioná-los. Dependendo do ambiente de tomada de decisões em que o empreendedor se encontra ele pode (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014):
Pensar estruturalmente: a ação do empreendedor parte de seu conhe- cimento prévio sobre mercados existentes para a inserção de produtos/ serviços com nova tecnologia, capazes de satisfazer as necessidades desse mercado ou do conhecimento sobre uma tecnologia em um novo mercado que se beneficiaria de sua introdução. A conexão entre um novo produto ou serviço e seu mercado alvo pode ser apoiada pelas chamadas semelhanças superficiais e estruturais entre a fonte (mercado) e o destino (tecnologia). O conhecimento sobre um mercado ou uma tecnologia pode facilitar a capacidade de reconhecer as oportunidades empreendedoras.
Semelhanças superficiais: acontecem quando os elementos básicos (fáceis de observar) da tecnologia se assemelham aos elementos básicos do mercado. Semelhanças estruturais: acontecem quando os mecanismos fundamentais da tecno- logia se assemelham ou correspondem aos mecanismos fundamentais do mercado (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014).
Adotar a bricolagem: refere-se a combinar recursos disponíveis para aplicar a novos problemas e oportunidades. Em outras palavras: experi- mentar, remendar, reembalar e/ou reenquadrar os recursos disponíveis para que possam ser utilizados de um modo para o qual não foram projetados ou concebidos inicialmente. Isso quer dizer que os empre- endedores conseguem improvisar para criar oportunidades. Efetuar: significa utilizar todas as informações que possui para imaginar diversos cenários para a empresa e, então, decidir, sem necessaria- mente precisar optar pela ideia inicial de negócio. A efetuação ajuda os empreendedores a raciocinarem em um ambiente altamente incerto,
algo comum nos dias atuais, uma vez que as organizações atuam em ambientes complexos e dinâmicos, cada vez mais caracterizados por mudanças rápidas, substanciais e descontínuas, o que exige dos empre- endedores uma mentalidade empreendedora para que consigam adaptar suas empresas a esse contexto.
Mentalidade empreendedora: capacidade que o empreendedor possui para detectar e agir rapidamente, principalmente em condições incertas (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014).
Adaptar-se de modo cognitivo: significa refletir, entender e controlar o pensamento e a aprendizagem sobre as atividades, situações e seus ambientes, para poder decidir sobre as oportunidades. Os empreende- dores precisam ser dinâmicos, flexíveis, autorreguladores e engajados em seu processo de decisão, identificando e processando as mudanças em seus ambientes, que irão guiá-lo depois de sua ocorrência. Quanto maior a adaptabilidade cognitiva, maior a possibilidade de adaptação a novas situações, e maior a criatividade e o raciocínio.
Pensamento empreendedor: processo mental que ajuda o empreendedor a superar sua ignorância para decidir sobre uma oportunidade para alguém e/ou para reduzir suas dúvidas quanto a essa oportunidade (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014).
É importante destacar também que toda ação empreendedora é intencional. Empreendedores buscam determinadas oportunidades e entrar em novos mercados, além de oferecer novos produtos e serviços, de forma intencional. Quanto mais forte for a intenção de se empenhar em um comportamento, maior será a probabilidade colocá-lo em prática.
ENDEAVOR BRASIL. Financie seu sonho: guia Endeavor de acesso a capital para empre- endedores. 2014. Disponível em: <https://rdstation-static.s3.amazonaws.com/cms% 2Ffiles%2F6588%2F1425318000financie_seu_sonho_acesso+a+capital.pdf>. Acesso em: 5 nov. 2018.
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GLOBAL ENTREPRENEURSHIP MONITOR (GEM). Empreendedorismo no Brasil: 2017. Curi- tiba: IBQP, [2018?]. Disponível em: <https://m.sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/ Anexos/Relat%C3%B3rio%20Executivo%22BRASIL_web.pdf>. Acesso em: 5 nov. 2018.
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