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Para formação de educadores ambientais. Volume II
Tipologia: Notas de estudo
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Não perca as partes importantes!





























































































Ministério do Meio Ambiente
Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental
Departamento de Educação Ambiental
Brasília
Catalogação na Fonte Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
E56 ENCONTROS e caminhos: formação de educadoras(es) ambientais e coletivos educadores. Organização por Luiz Antonio Ferraro Júnior. Brasília: MMA, Departamento de Educação Ambiental, 2007. Volume 2.; 352p.; 15x21cm. Inclui Bibliografia ISBN 85-7738-044-
1. Educação. 2. Educação Ambiental. 3. Cidadania. I. Ferraro Júnior, Luiz Antonio. II. Ministério do Meio Ambiente. III. Departamento de Educação Ambiental. IV.Título. CDU (1 ed.)37:
Copyright © 2007 - Ministério do Meio Ambiente
Equipe Técnica de Revisão Ana Luiza Castelo Branco Figueiredo Gustavo Nogueira Lemos Iara Carneiro Jacqueline Martins Gomes Joana de Barros Amaral Maria Rita Avanzi Mariana Dourado Mariana Stefanelli Mascarenhas Maura Machado Silva Maurício Marcon Rebelo da Silva Philippe Pomier Layrargues Priscila Maia Nomiyama (Coordenadora) Raquel Ferreira da Silva Renata Rozendo Maranhão Renata F. Dalla Bernardina Ricardo Burg Mlynarz Thaís Ferraresi Pereira
Organização Luiz Antonio Ferraro Júnior
Capa, Gravuras Internas Arthur Armando da Costa Ferreira
Diagramação e Editoração Ricardo Veronezi Ferrão
Normalização bibliográfica Helionidia C. Oliveira
Impresso no Brasil Printed in Brazil
“Ali”, na sala-templo sagrada onde a orquestra de seres vivos reais executa “ao vivo” a sua música, a Sinfonia Pastoral chega a você e a mim carregada de aura. Executada muitas milhares de vezes em todo o mundo ela é, ali, única, irrepetível, absoluta. O Noite Estrelada original “vale milhões de dólares”. E é uma lástima que a lógica do mercado cada vez mais se apodera da arte, como também da vida, como uma outra mercadoria. Mas por noventa centavos você pode comprar uma bela folha de papel de presente com várias reproduções dela em um metro quadrado.
De maneira diferente do que pode ser multiplicado, deslocado de sua essência original, desalojado de sua existência primordial e única, algo está em sua aura quando convive com sua absoluta singularidade. Quando é em si-mesmo, até quando é uma flor entre outras de uma árvore entre milhares, em uma floresta, se dá a-si-mesmo. Você, por exemplo, quem quer que seja, é um ser-em-sua-aura, porque é uma pes- soa irrepetível, única. O que não acontece com uma foto sua que com um toque de dedos você pode enviar a centenas de pessoas reais-virtuais, em alguns segundos.
Por isso mesmo, Você, o Noite Estrelada e a Sinfonia Pastoral, assim como uma flor, um beija-flor, uma árvore em flor em uma floresta florida, são seres carregados de aura quando tomados e vividos em si- mesmos. Quando, mesmo sendo frágeis e efêmeros, são, aqui e agora, um momento de eternidade.
Pois é com esta pequena palavra, aura, que começo este pequeno prefácio a um livro que sonha dizer às pessoas que “a Vida é bela”, e que elas precisam aprender a saber e sentir, para ensinar que vale a pena viver não apenas “nela”, mas “por ela”. Viver em seu nome, e empenhar- se em sua salvaguarda. Ela, a Vida, nunca como agora, multiplicável, clonável, reprodutível, e frágil e ameaçada por nós, seus filhos, seus herdeiros, seus pensadores e predadores.
E começo com esta pequena palavra porque acredito que tal como acontece com você e comigo, com a arte, com o saber, assim também acontece com a Vida, com a Natureza ou, se quisermos, com o meio ambiente. Vivemos estranhos tempos em que todas as coisas e mesmo as pessoas humanas existem cada vez mais e mais ameaçados no que possuem de mais “seu”, porque os seres humanos, os seres com quem compartimos a Vida na Terra e tudo que nela existe como substância e energia da possibilidade da própria Vida, perdem sob diferentes formas de poder e uso a sua aura. Por isso podem perder o ser da Vida ou, no planeta Terra, os cenários naturais da condição da presença da Vida.
Em uma era em que tudo o que há e se transforma pode transmutar- se em diferentes formas de coisas e de produtos, a cada dia mais incor- poradas à lógica, à ética, à estética, à técnica e à economia de mercado, nós e o que há ao redor (próximo ou distante) de nossas vidas, perdemos aos poucos sempre um pouco mais da nossa própria aura.
Perdemos um sentido ancestral do valor de sujeitos, seres, cenários, coisas e gestos que valem ou deveriam valer por si mesmos, em-si mes- mos. Substâncias originais do existir na Terra que existem não “para nós”, mas entre nós e apesar de nós, os humanos. Seres e cenários que apenas pelo que são merecem “estar aí” em sua única, irrepetível e in- tegrativa integridade.
Creio que o que ameaça a Natureza, os seus ambientes e a Vida, não é apenas a ganância com que o sistema mundo de agora converte tudo e todos em mercadorias, e se apossa de tudo o que pode converter em lucro, em nome de um capital sem rosto e nome, disfarçado, no entanto, aqui e ali, de “progresso” ou “desenvolvimento”. Sabemos que foi e não é obra de um único modelo político e nem mesmo de uma única ideologia transformada em poder o que nos ameaçava e segue colocando cada vez mais na beira do abismo tudo o que há e move a Vida aqui na Terra. Nações socialistas arrasaram a Natureza tanto quanto os capitalistas, e no ano que vem a China poderá estar destruindo a Camada de Ozônio mais do que o Império Americano. Se há um mal em tudo o que nos ameaça, ele está dentro, entre e para além de ideologias e de políticas nacionais. Ele é um resquício humano de barbárie por meio do qual, a Oriente e a Ocidente de onde você está, todos estamos perdendo aos poucos, mas de maneira universal e crescente, alguns sentidos essenciais, alguns senti- mentos ancestrais e alguns significados a respeito do valor original de nós mesmos, seres humanos e a respeito do valor Vida. Isto na mesma medida em que ampliamos tanto os nossos saberes de ciência.
Assistimos como por toda a parte pessoas, animais, plantas e flo- restas tornando-se algo que “vale” o valor dado pelo lugar que ocupam na escala de algum sistema de medida-critério cujos indicadores são regidos por interesses, de lucros e de concentração de poderes. Não é por acaso que hoje em dia a frase: “agregar valor” rege um investimento de capital, um projeto de educação, uma política pública, uma exposição de quadros de Van Gogh, ou mesmo um casamento. Vemos ao redor de nossas vidas do dia-a-dia algo que a mídia disfarça como um bem. E é, na verdade, um bem original tornado um simulacro de algo cujo sentido de origem se perde quando se atribui a uma flor e ao amor não mais o seu valor em-si (ser o quê ou quem se é) ou o seu valor de dom (valer para mim por ser quem é) mas um qualquer contravalor de compra-venda. Um
ao nosso redor, quando desaprendemos (se é que soubemos algum dia) o ir em busca da Vida e da Natureza movidos pelo desejo primordial de trocar, de partilhar ou de conviver afinal, e começamos a buscar “ali” apenas a fruição de emoções fáceis ou, pior ainda, de algum proveito utilitário, entre o prazer, o ganho e o lucro.
Sob o risco de tornar-se a cada dia mais e mais o depósito de produtos materiais de onde tudo se pode “extrair”, e o cenário do simulacro, quando a Natureza se deprava em “espetáculo natural”, o Meio Ambiente de nossas vidas e de todas as outras vidas precisa ser urgentemente re-descoberto. Precisa ser re-sensibilizado, re-significado e, em síntese, re-vivido em suas verdadeiras origens e raízes. Isto sem falsos saudosismos de algum romantismo fora do seu tempo, e sem fundamentalismos sacralizantes que acabam sendo apenas uma outra máscara, um outro simulacro.
Digo isto porque não acredito que o educador ambiental - este ser de difusa e difícil identidade e vocação - seja um especialista em ensinar a crianças e jovens sobre “como lidar com o meio-ambiente” ou “como cuidar da natureza”. Digo isto porque creio que ele é – somos
Devemos aprender a saber que a Educação Ambiental não é uma outra matéria a mais nas nossas escolas. Não é um dado conteúdo ped- agógico “extra” destinado a aumentar a carga de conteúdos de nossos currículos escolares. Não é uma espécie de saber-de-recreio, quando as crianças de uma escola ou os jovens e os adultos de um “projeto” brincam de “conviver com o ambiente”. Não uma “nova ideologia” ou uma “nova pedagogia” atrelada aos novos paradigmas, pois dentro de suas inúmeras vocações e vertentes cabem diferentes filosofias de vida, diversas ideologias (como projetos sociais de presente e futuro) e dife- rentes pedagogias. A Educação Ambiental é, ao lado de tudo o que a fundamenta e acompanha, um outro ponto de partida. É um outro aprender a saber olhar, sentir, viver e interagir entre nós, os seres humanos. Pois somente aprenderemos a preservar ou a tornar sustentável e biodiverso o Meio Ambiente quando aprendermos a criarmos entre e para nós, um mundo igualitário, diferenciado, solidário e livre. E é o estender deste outro saber a todo o campo de relações entre Nós e a Vida.
Distante de ser apenas “uma nova matéria”, devemos pensá-la como uma renovada e renovadora energia capaz de fertilizar e reverde- cer a secura de nossos próprios desertos interiores. Algo que antes de nos devolver cifras atemorizantes sobre o que andamos fazendo com a casca e os ares do planeta, nos devolva a nossa aura e a de tudo o que nos acompanha aqui na Terra. Quem trabalha com a Educação Ambiental realiza uma experiência tão revolucionária quanto aquelas que, em outros tempos, transformaram profundamente as idéias e práticas da educação em outros tempos.
Podemos por um momento remontar à origem de nós mesmos. Podemos recuar muitos anos, muitos milênios, para lembrarmos alguns fatos conhecidos. Nossos ancestrais desceram um dia das árvores. Puseram-se de pé, andaram sobre dois pés, livraram as patas dianteiras que se tornaram mãos com sábios polegares opostos. Desenvolveram uma inédita postura corporal que tanto lhes permitia verem as formi- gas no chão quanto as estrelas nos céus. Desenvolveram uma estranha visão binocular com olhos situados na frente do rosto. Mas, mais do que tudo, ao longo do tempo multiplicaram as circunvoluções de um cérebro que aos poucos associou aprendeu a ser uma fonte reflexiva de saberes e de significados. Um estranho e único cenário onde a Vida fez interagirem sentimentos e sentido, memórias e projetos para o futuro, temores, reflexões, imaginações e tudo o que fizemos derivar da difícil conexão de tudo isto.
Mas “tudo isso” e tudo o mais aconteceu muito devagar, durante muito tempo. Calculam os estudiosos de nossos primeiros ancestrais que teremos levado algo próximo a um milhão de anos para aprender a lascar pedras. E levamos um outro tanto para passar delas a alguma forma de instrumento manual mais eficiente. Só que daí em diante aprendemos a agir como quem tem muita pressa. E, assim, começamos a lidar com a Natureza e a Vida na Terra com poderes primeiro aritmética e, depois, geometricamente melhores e maiores.
O que a nossa espécie fez em cinco milhões de anos (se a remontar- mos aos primeiros hominídeos), fez depois em cinco mil (mais ou menos dos tempos de Abraão aos de Lula, ou os dos de Homero aos de Milton Nascimento). E o que ela fez em cinco mil, fez depois em quinhentos, isto é, de Leonardo Da Vinci a Fritjof Capra. E o que estivemos fazendo em quinhentos anos, fizemos depois em cinqüenta. O tempo que vai mais ou menos da bomba atômica que destruiu duas cidades ao arsenal atômico apontado para todos os quadrantes da Terra e que pode destruí-la várias vezes. Essas são histórias e cifras bem conhecidas.
últimos relatórios divulgados pela ONU a respeito da fragilidade da biosfera são mais do que eloqüentes.
Primeiro pensamos que a Terra seria eterna em seus recursos e nos daria, a cada avanço das nossas tecnologias, mais e melhores recursos. Deixamos o Apocalipse para os crentes cristãos. Depois começamos a acreditar que talvez eles tenham mais razões em crerem naquela terrível e confortadora metáfora, do que nós imaginamos fundados em nossas ciências. Mas, de qualquer maneira, o “final dos tempos” ficaria para temor e o terror de muitas gerações do futuro. Parece estranho, mas justamente agora, quando alguns praticantes de religiões anunciam a possibilidade de que um dia este lugar do Universo onde vivemos brilhe de luz e de a harmonia em tal escala que Deus mesmo virá viver conosco no Paraíso que teremos construído - nós, os artesãos do oitavo dia – são agora os cientistas que se arvoram de “crentes” e gritam que “o dilúvio de fogo vem por aí”.
Ainda há tempo? Sim e não! Sim, porque temos e teremos se bem quisermos, tudo o de que necessitamos em nossas mentes, nossos corações, nossas mãos e nossos artefatos, para criarmos juntos e irmanados, neste errante planeta azul, um lugar de causar inveja aos anjos dos céus.
Não, porque quanto mais recursos para tanto nós criamos e co- locamos à desigual disposição de alguns, tanto mais nós e “eles” os usamos para seguir destruindo a frágil camada de Vida que nos acolhe e abriga. Finalmente agora nós nos tornamos os “senhores do mundo”! Justamente agora quando nos avisam que pode estar chegando a hora em que nós mesmos, ou os que nos seguirão aqui na Terra, poderão passar de senhores a coveiros e de vilões a vítimas do que nós estamos fazendo, e do que eles seguirão fazendo... se nós agora e eles, mais adiante, não aprenderem a lidar entre Nós e como a Vida e a Terra de uma outra maneira.
Eis para o que serve a Educação Ambiental. Ao lado de outras idéias e ações sociais, ela serve para tornar o “ainda há tempo” uma realidade viável e realizável, aqui e agora.
Que nos venha falar um geógrafo, do alto de seu quase século de vida.
Educação Ambiental é uma coisa mais séria do que geral- mente tem sido apresentada, em nosso meio. É um apelo à seriedade do conhecimento. E, uma busca de propostas corretas de aplicação das ciências. Uma “coisa” que se
identifica com um processo. Um processo que envolve um vigoroso esforço de recuperação de realidades nada simples. Uma ação, entre missionária e utópica, destinada a reformular comportamentos humanos e recriar valores perdidos e ou jamais alcançados. Um esforço permanente na reflexão sobre o destino do homem – de todos os homens
- face à harmonia das condições naturais e o futuro do pla- neta “vivente”, por excelência. Um processo de Educação que garante um compromisso com o futuro. Envolvendo uma nova filosofia de vida. E, um novo ideário comportamental, tanto em âmbito individual, quanto na escala coletiva .
Pode ser que algumas pessoas dedicadas ao Ambientalismo e à Educação Ambiental a partir de uma opção mais apegada às ciências, tenham alguma dificuldade com as palavras “missionária” e “utópica” da citação acima. De qualquer modo, convenhamos em aceitar que uma das energias maiores da Educação Ambiental provém de sua maior fragilidade. Ela continua sendo apenas aos poucos e em equilibradas medidas, algo unificável como teoria e pedagogizável como prática. Continua sendo um campo polissêmico de idéias, de projetos, de pro- postas e ações sociais através da cultura e da educação. Um campo de conhecimentos e de práticas que conecta e faz interagirem diferentes saberes provenientes das mais diversas experiências da criação humana. Continua sendo tão pluridiversa quanto a natureza biodiversa que almeja ver re-florescer à sua volta.
Nada mais importante neste momento e de agora em diante, do que trazer pessoas para este amplo e aberto campo da Educação Ambiental. Nada mais urgente do que estabelecer múltiplos programas de formação destas pessoas. Pois apenas a partir de educadores conscientes e criti- camente competentes, conseguiremos coloca-la em seu devido lugar entre tantas outras práticas sociais propostas de sua realização através do ensinar-e-aprender.
E eis aqui uma das maiores virtudes deste Encontros e Caminhos. Este livro prossegue um anterior, Encontros e Caminhos, volume I, lan- çado em dezembro de 2005 e, de algum modo, vai até além dele. Aqui uma fecunda coletânea de escritos a muitas mãos e através de pessoas, de experiências e de vocações acadêmicas e ambientais bem diversifi- cadas. Estamos diante de um livro que ao tomar como eixo a questão
Transcrevo esta notável passagem de Aziz Nacib Ab.Saber, de um par precário de folhas em xerox, com o título Reconceituando Educação Ambiental. A citação está logo no primeiro parágrafo da página . Ignoro se este texto foi algum dia publicado.
Ao contrário. Que algumas idéias ousadas escritas acima retornem aqui.
A Educação Ambiental deveria vir a ser um caminho de encontros por meio do qual toda a educação que praticamos possa vir a ser não apenas reformulada (chega de LDBs) mas verdadeiramente transformada. Que este seja um convite e um caminho deste livro.
Carlos Rodrigues Brandão Outono de 2007 – Lua Nova
Aloísio Ruscheinsky
Moema L. Viezzer
Pedro Jacobi e Fernando Monteiro
severiano joseh santos jr. e alba maria nunes
Marco A. S. Malagodi
Martha Tristão & Roberta Cordeiro Fassarella
Gey Espinheira
Dimas Floriani
Rita Mendonça
José Silva Quintas
Pablo Meira & Jose Antonio Caride
Carlos Frederico b. Loureiro
Marcelo Pelizzoli
Roberto Guimarães