






Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
Prepare-se para as provas
Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Prepare-se para as provas com trabalhos de outros alunos como você, aqui na Docsity
Encontra documentos específicos para os exames da tua universidade
Prepare-se com as videoaulas e exercícios resolvidos criados a partir da grade da sua Universidade
Responda perguntas de provas passadas e avalie sua preparação.
Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
O presente trabalho tem o objectivo de descrever e analisar as causas e consequências do envelhecimento saudável e envelhecimento patológico na perspectiva do idoso.
Tipologia: Notas de estudo
1 / 10
Esta página não é visível na pré-visualização
Não perca as partes importantes!







Em oferta
1. Introdução O presente trabalho tem o objectivo de descrever e analisar as causas e consequências do envelhecimento saudável e envelhecimento patológico na perspectiva do idoso. Nos capítulos subsequentes, destacam-se ideias de diferentes autores que abordam sobre o tema, uma vez que o envelhecimento populacional leva à reflexão sobre o modo com que as pessoas idosas vivem essa fase e o que pode ser feito para que não haja simplesmente maior longevidade, mas para que esses anos sejam vividos com qualidade e dignidade. Na primeira parte trata estudos no campo das psicologias do desenvolvimento do envelhecimento; o processo de envelhecimento A segunda parte fala dos padrões de envelhecimento, Rowe e Kahn (1998) propõem três trajectórias do envelhecimento humano: normal, patológica e saudável, porem aqui é destacado envelhecimento saudável e envelhecimento patológico; suas causas e consequências. A revisão bibliográfica contempla entre artigos e livros. Consultaram-se as bases de dados da biblioteca virtual (internet) em saúde – e de Psicologia.
perdas no envelhecimento podem ser compensadas por meio dos níveis de reservas e da capacidade de resiliência, e os ganhos podem ser obtidos com a selecção e optimização das competências geradas pelo envelhecimento”. Uma outra teoria que traz sua contribuição para os estudos referentes ao envelhecimento, é a teoria da transcendência do ego, cuja concepção está vinculada a ideia de que, “ o envelhecimento está inserido no aspecto dialéctico da finitude e da permanência, onde o indivíduo seria conduzido a sua essência tornando-se livre do determinismo culturais e ambientais” (LEVENSON, ALDWIN & CUPERTINO, 2001). Aldwin (1994) alega que “ os idosos, frente aos eventos de perda, lidam muito bem com o estresse, ou seja, os idosos geralmente são mais eficientes do que os adultos mais jovens em suas respostas de enfrentamento ao estresse”. De acordo com a autora estes dados em função de eventos considerados importantes vividos ao longo de toda a vida estendendo a possibilidade de que, no envelhecimento, os idosos possuam tanto um maior repertório de estratégias de enfrentamento quanto o fato de que estes tornam-se mais eficazes com o passar dos anos. A sabedoria é outro importante aspecto abordado quando o tema é envelhecimento saudável, Baltes e Smith (1995) a definem como uma função pertinente ao crescimento ao longo da vida, uma especialização cognitiva rara e difícil de ser atingida. Assim, a sabedoria seria o resultado do processo de revisão de vida e seria alcançada, principalmente, na velhice, sendo considerada um dos maiores ganhos dessa fase da vida, uma vez que permite ao indivíduo ir além das perdas vividas no processo de envelhecimento (MAUAD, 1999). Actualmente, os pesquisadores buscam definir o envelhecimento saudável, ou bem- sucedido, entretanto, observa-se que poucos investigaram como os próprios idosos definem o envelhecimento ideal e como consideram a possibilidade de se alcançar esse envelhecimento. 2.1. O processo do envelhecimento Na visão de Leal (2007): O envelhecimento é um processo contínuo, individual e irreversível. Assim como a infância, a adolescência e a maturidade, é marcado por
mudanças biopsicossociais específicas, associadas à passagem do tempo, que se manifestam em graus e momentos diversos, o que lhe dá uma característica heterogénea, dinâmica e de grande variabilidade tanto inter como intraindividual. Contudo, o envelhecimento não deve ser entendido como sinónimo de perdas, já que algumas funções ou capacidades podem melhorar. (LEAL, 2007). À medida que envelhecem, as pessoas tendem a distinguir-se ainda mais umas das outras, em decorrência do estilo de vida ao longo dos ciclos vitais, dos cuidados com a saúde e de factores biológicos (genéticos e hereditários), entre outros aspectos. Também os sistemas orgânicos, em uma mesma pessoa, envelhecem em ritmos diversos, e o envelhecimento percebido em determinado órgão ou sistema não implica, necessariamente, modificação nos demais.
3. Padrões de envelhecimento Analisando a variabilidade no desenvolvimento humano, apontam três trajectórias do envelhecimento humano: normal, patológica e saudável. O envelhecimento normal ou primário que não implica a ocorrência de doença e envelhecimento patológico ou secundário (BIRREN & CUNNINGHAM, 1985 e LACHMAN & BALTES, 1994, apud FONSECA, 2006, apud FARINHA, 2015), isto é aquele que é acompanhado da existência de doenças que de alguma forma acabam por alterar o ritmo e a natureza desse desenvolvimento. Em primeiro lugar esta distinção é há muito tempo reconhecida no ocidente pois já ARISTÓTELES afirmava “o envelhecimento não é uma doença porque não é contrário à natureza”. Ainda CÍCERO, um filósofo, orador, escritor, advogado e político romano, em resposta à observação de que algumas pessoas idosas são inválidas, afirmou “Mas, uma incapacidade deste grau não é característica da idade avançada, é mais a habitual concomitante da fraca saúde.” É verdade que a probabilidade de se adoecer aumenta com a idade, e a referência a problemas de saúde é uma constante nos idosos o que faz com que seja muitas vezes difícil distinguir os efeitos do envelhecimento e das doenças A definição de envelhecimento saudável proposta por Rowe e Kahn (1998) prioriza baixo risco de doenças e de incapacidades funcionais relacionadas às doenças; funcionamento mental e físico excelentes; e envolvimento activo com a vida.
participação, a fim de que a qualidade de vida das pessoas idosas melhore com o passar dos anos. Nesse contexto, “activo” não se refere apenas à capacidade física dos indivíduos idosos e sua força de trabalho, mas à sua participação contínua dentro da sociedade, inclusive em questões políticas e outras relacionadas à vida em comunidade. Concorda-se com outros autores quando afirmam que os indivíduos mais adequados para definir o que é envelhecimento saudável são as próprias pessoas idosas, porque vivenciam diariamente o processo de envelhecimento. Causas do envelhecimento saudável : com base em estudos feitos com pessoas idosas foram elaboradas varias categorias englobando múltiplas dimensões do envelhecimento saudável (saúde física; saúde social; saúde emocional; saúde cognitiva; alimentação e exercícios; evitar factores de risco; actividades gerais; aceitação dessa fase; espiritualidade; actividade operacional; estrutura familiar; viver plenamente; ter espírito jovem; ter novas habilidades; não guardar mágoas; aprender; integridade; manter o controle; actividades específicas para a terceira idade; envelhecimento patológico) Consequências do envelhecimento saudável : o aperfeiçoamento nos paradigmas sobre o desenvolvimento e o envelhecimento, trazem para discussão a possibilidade do envelhecimento poder ser vivido com satisfação, saúde e bem-estar, instigando a busca de variáveis que interferem no alcance de um envelhecimento bem-sucedido. 3.2. Envelhecimento patológico do idoso: causas e consequências O envelhecimento patológico (senilidade) está relacionado a alterações originadas por enfermidades associadas ao envelhecimento em si, que, portanto, não se confundem com as mudanças normais desse processo. O avanço das doenças crónicas e degenerativas, de acordo com Leal (2007), expõe a fragilidade do idoso, que tem de enfrentar os limites impostos pela nova condição de vulnerabilidade e dependência. A doença ameaça a integridade da pessoa também pela dor ou sofrimento, além de desorganizar o cotidiano e instalar o medo e a insegurança. A consequência é a mudança radical na vida dos familiares que cuidam do idoso, com um custo pessoal muito alto diante do envelhecimento senil. As pessoas idosas frequentemente ficam apreensivas com a possibilidade de perder a memória, a lucidez ou a capacidade mental.
Nesse caso, o encaminhamento psicológico costuma se apoiar em duas grandes suspeitas: queixas de falta de memória e sinais de depressão.
4. Conclusão Estudos confirmam os pressupostos de heterogeneidade e multidimensionalidade defendidos pela abordagem do curso da vida, pois observou-se variabilidade nas definições de autores, sendo várias as dimensões enfatizadas para a obtenção de um processo saudável de envelhecimento, tais como as dimensões física; social; emocional; económica; cognitiva dentre outras. Porem a possibilidade do envelhecimento poder ser vivido com satisfação, saúde e bem-estar, instigando a busca de variáveis que interferem no alcance de um envelhecimento bem-sucedido. Sendo que o envelhecimento patológico é aquele que é acompanhado da existência de doenças que de alguma forma acabam por alterar o ritmo e a natureza desse desenvolvimento tem como consequência é a mudança radical na vida dos familiares que cuidam do idoso, bem como a o medo frequente e apreensivo com a possibilidade de perder a memória, a lucidez ou a capacidade mental. Sugere-se que futuros estudos busquem desenvolver e validar escalas psicométricas que possibilitem a avaliação da opinião do idoso sobre o seu próprio envelhecimento e sobre as várias dimensões relacionadas ao processo de envelhecimento de forma a ampliar o conhecimento teórico das variáveis determinantes de um processo saudável de envelhecimento e contribuindo para melhorar a qualidade e eficácia do atendimento às necessidades da população idosa. Conclui-se que o presente trabalho contribui para a compreensão da definição do envelhecimento. Entretanto, futuros trabalhos de corte sequencial são necessários em prol da avaliação sistemática se a relação entre as categorias na definição de envelhecimento saudável e envelhecimento patológico, género e idade podem ser realmente explicadas isoladamente ou seriam melhores justificadas pelo contexto sócio histórico da amostra.
WEBBER, F., & CELICH, K. L. S. As contribuições da universidade aberta para a terceira idade no envelhecimento saudável. Estudos Interdisciplinares sobre Envelhecimento, 2007.