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tudo sobre variável complexaaaa
Tipologia: Resumos
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Na construÁ„o do conjunto dos n˙meros reais, nos deparamos com algumas imperfeiÁıes de alguns conjuntos numÈricos, que serviram de ponto de partida para tal construÁ„o. Por exemplo, o conjunto N dos n˙meros naturais n„o contÈm os simÈtricos (inversos aditivos) de seus elementos; j· o conjunto Z, dos n˙meros inteiros, n„o contÈm os inversos multiplicativos de seus membros. O conjunto Q, constituÌdo das fraÁıes p=q, p; q 2 Z; q 6 = 0, n„o contÈm, por exemplo, o n˙mero real p 2 : A necessidade de se estudar n˙meros complexos ocorre no momento que desejamos resolver a equaÁ„o polinomial:
x^2 + 1 = 0;
que n„o possui soluÁ„o real. No sÈculo XVI, equaÁ„o desse tipo, despertou os estudiosos, pois todos sabiam que n„o existiam n˙meros como p 1 , cujo quadrado È negativo. Estes n˙meros existiam apenas na imaginaÁ„o das pessoas. O conceito de n˙mero ao longo dos sÈculos, evoluiu de maneira progressiva: o conjunto dos n˙meros deixou de conter apenas os inteiros positivos e incluiu os n˙meros negativos, racionais, e irracionais. J· no sÈculo XVIII, o conceito de n˙mero deu um passo maior quando o matem·tico alem„o Carl Friedrich Gauss estendeu o conjunto de n˙meros reais, dando a denominaÁ„o dos elementos de n˙meros imagin·rios ou n˙meros complexos. Introduziremos um estudo b·sico sobre os n˙meros complexos e as funÁıes complexas. A deÖniÁ„o de n˙meros complexos pode ser apresentada de maneira geomÈtrica, atravÈs de pontos no plano, ou diretamente de forma algÈbrica.
O conjunto dos pares ordenados (x; y) de n˙meros reais, equipado das operaÁıes: Igualdade: (x; y) = (x^0 ; y^0 ) se, e somente se, x = x^0 e y = y^0 ; AdiÁ„o: (x; y) + (x^0 ; y^0 ) = (x + x^0 ; y + y^0 ) ; Produto: (x; y) (x^0 ; y^0 ) = (xx^0 yy^0 ; xy^0 + x^0 y) :
ser· indicado por C: Do ponto de vista algÈbrico, o conjunto C se identiÖca com o plano cartesiano R^2 e as seguintes relaÁıes b·sicas s„o facilmente estabelecidas:
2 C¡LCULO EM UMA VARI¡VEL COMPLEXA M. P. MATOS & S. M. S. e SOUZA
(a) (x; y) = (x; 0) + (0; y) : (b) (0; y) = (0; 1) (y; 0) : (c) (x; y) = (x; 0) + (0; 1) (y; 0) : O par z = (x; y) ; do conjunto C; recebe o nome de n˙mero complexo e o n˙mero complexo (0; y) denomina-se imagin·rio puro. Com o propÛsito de mergulhar o conjunto R dos n˙meros reais no conjunto C dos n˙meros complexos, identiÖcamos, de forma biunÌvoca, o n˙mero real x com o n˙mero complexo (x; 0) e, neste contexto, temos R C: Consequentemente,
y (0; 1) = (y; 0) (0; 1) = (0; y)
e, se representarmos o imagin·rio puro (0; 1) por i, teremos:
i^2 = (0; 1) (0; 1) = ( 1 ; 0) = 1 ;
onde identiÖcamos o n˙mero complexo ( 1 ; 0) com o n˙mero real 1. AlÈm disso,
(x; y) = (x; 0) + (0; y) = (x; 0) + (0; 1) (y; 0)
e o n˙mero complexo z = (x; y) anotar-se-· z = x + iy, onde identiÖcamos os n˙meros reais x e y com os n˙meros complexos (x; 0) e (y; 0), respectivamente. Com esta notaÁ„o, as operaÁıes em C tornam-se:
Igualdade: x + iy = x^0 + iy^0 se, e somente se, x = x^0 e y = y^0 ; AdiÁ„o: (x + iy) + (x^0 + iy^0 ) = x + x^0 + i(y + y^0 ) Produto: (x + iy) (x^0 + y^0 ) = xx^0 yy^0 + i(xy^0 + x^0 y):
As operaÁıes algÈbricas deÖnidas em C gozam das seguintes propriedades: z + w = w + z: (comutativa) z + 0 = z e z 1 = z: (elemento neutro) z + (w + u) = (z + w) + u e z (wu) = (zw) u: (associativa) z (w + u) = z w + z u: (distributiva) z + ( z) = 0: (existÍncia do simÈtrico) se z 6 = 0; existe w 6 = 0 tal que z w = 1: (existÍncia do inverso multiplicativo)
4 C¡LCULO EM UMA VARI¡VEL COMPLEXA M. P. MATOS & S. M. S. e SOUZA
torna o conjunto C um corpo algÈbrico, o que n„o ocorre com o espaÁo euclideano R^2 : AÌ est· uma boa raz„o para se estudar n˙meros complexos. Associados ao n˙mero complexo z = x + iy; destacamos: jzj = p x^2 + y^2 : (mÛdulo de z) Re(z) = x: (parte real de z) Im(z) = y: (parte imagin·ria de z) z = x iy: (conjugado de z) As seguintes relaÁıes s„o consequÍncias diretas das deÖniÁıes e o leitor pode comprov·-las, como parte do processo de treinamento.
(a) jzj = jzj (b) jzj^2 = z z (c) z + w = z + w (d) z w = z w (e) z = z (f ) Re(z) = 12 (z + z) (g) Im(z) = (^21) i (z z) (h) (^1) z = (^) jzzj 2 ; z 6 = 0
e, usando o processo de InduÁ„o Finita, obtemos as seguintes relaÁıes mais gerais:
(i) z 1 + z 2 + zn = z 1 + z 2 + z 3 + + zn (j) z 1 z 2 z 3 : : : zn = z 1 z 2 z 3 : : : zn:
Na Figura 1.2 ilustramos um n˙mero complexo z; o conjugado z; o simÈtrico z; o inverso 1 =z e o complexo iz:
Figura 1.2: Vis„o geomÈtrica de z; z; iz; 1 =z e z:
No conjunto dos n˙meros complexos n„o podemos deÖnir uma relaÁ„o de ordem, porÈm, como
jzj ; z 2 C; È um n˙mero real, podemos comparar o mÛdulo de dois n˙meros complexos. A desigualdade triangular, que È uma generalizaÁ„o da mesma desigualdade conhecida no conjunto dos n˙meros reais, È bastante utilizada na an·lise de funÁıes complexas. LEMA 1.1.1 (Desigualdade Triangular) Dados dois n˙meros complexos z e w, ent„o:
jz + wj jzj + jwj :
PROVA Da relaÁ„o jzj^2 = [Re(z)]^2 + [Im(z)]^2 ; segue que Re(z) jRe(z)j jzj e, portanto:
jz + wj^2 = (z + w) (z + w) = jzj^2 + jwj^2 + z w + z w = jzj^2 + jwj^2 + z w + z w = jzj^2 + jwj^2 + 2 Re(z w) jzj^2 + jwj^2 + 2 jzj jwj = (jzj + jwj)^2 ;
de onde resulta que jz + wj jzj + jwj : (1.2)
A seguinte generalizaÁ„o da Desigualdade Triangular pode ser demonstrada pelo MÈtodo de InduÁ„o Finita: dados z 1 ; z 2 ; : : : ; zn 2 C, ent„o
jz 1 + z 2 + z 3 + + znj X^ n k=
jzkj : (1.3)
LEMA 1.1.2 (Produtos Not·veis) Se z e w s„o n˙meros complexos, ent„o:
(z w)^2 = z^2 2 z w + w^2 e jz wj^2 = jzj^2 2 Re (z w) + jwj^2 : (1.4)
PROVA Usando as operaÁıes de soma e produto de n˙meros complexos, temos
(z w)^2 = (z w) (z w) = z z z w w z + w^2 = z^2 2 z w + w^2 :
Para a segunda parte, recordemos que jzj^2 = z z e 2 Re (z) = z + z e, sendo assim,
jz wj^2 = (z w) (z w) = jzj^2 z w z w + jwj^2 = jzj^2 z w z w + jwj^2 = jzj^2 2 Re (z w) + jwj^2 :
jzj^2 = Re(z)^2 + Im (z)^2 ) jzj =
q Re(z)^2 + Im (z)^2 jRe(z)j + jIm (z)j : (1.7)
Por outro lado, usando a desigualdade 2 ab a^2 + b^2 , com a = jRe (z)j e b = jIm (z)j, encontramos
(jRe (z)j + jIm (z)j)^2 = jRe (z)j^2 + 2 jRe (z)j jIm (z)j + jIm (z)j^2 2
jRe (z)j^2 + jIm (z)j^2
= 2 jzj^2 :
e daÌ resulta jRe (z)j + jIm (z)j p 2 jzj : (1.8) Combinando (1.7) e (1.8), chegamos ‡s desigualdades:
jzj jRe(z)j + jIm (z)j p 2 jzj : (1.9)
jjzj jwjj jz wj : (1.10)
De fato, da Desigualdade Triangular, segue que
jzj = jz w + wj jz wj + jwj ) jzj jwj jz wj jwj = jw z + zj jz wj + jzj ) jwj jzj jz wj
e combinando essas desigualdades, encontramos