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Tipologia: Exercícios
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Ficha T´ecnica
T´ıtulo: Fun¸c˜oes de vari´avel complexa Autores: Jo˜ao Carlos Beir˜ao e Bhangy Cassy Editor: Imprensa Universit´aria Composi¸c˜ao: Jos´e Ant´onio Nhavoto Capa: S´ergio Tique Impress˜ao: Imprensa Universit´aria No. de registo: —–/RLINLD/ Tiragem: 1000 Exemplares Data de publica¸c˜ao: 2006
´Indice
8.3 S´erie de Taylor....................... 141 8.4 S´erie de Mac-Laurin.................... 143 8.5 Exerc´ıcios.......................... 145
9 S´erie de Laurent. Res´ıduos 147 9.1 S´erie de Laurent...................... 147 9.2 Parte anal´ıtica e parte principal.............. 152 9.3 Singularidades isoladas duma fun¸c˜ao anal´ıtica.... 153 9.3.1 Singularidade no infinito.............. 156 9.4 Res´ıduos.......................... 157 9.4.1 C´alculo do res´ıduo................. 159 9.4.2 Res´ıduo no infinito................. 161 9.5 Teorema dos res´ıduos.................... 161 9.6 Res´ıduo logar´ıtmico.................... 166 9.7 Aplica¸c˜ao do m´etodo dos res´ıduos ao c´alculo de integrais reais............................. 169
9.7.1 Integrais do tipo
∫^2 π 0
F (sen θ, cos θ)dθ em que F ´e uma fun¸c˜ao racional................ 170
9.7.2 Integrais do tipo
−∞
P (x) Q(x) em que^ Q(x) n˜ao tem zeros reais e tem grau superior em pelo menos duas unidades ao do numerador P (x).......... 171 9.8 Exerc´ıcios.......................... 177
10 Representa¸c˜ao conforme 179 10.1 Aplica¸c˜oes conforme.................... 179 vi
Considere-se o conjunto R^2 dos pares ordenados de n´umeros reais dotado dos seguintes axiomas:
Axioma 1.1. Igualdade. (a, b) = (c, d) sse a = c, b = d.
Axioma 1.2. Adi¸c˜ao. (a, b) + (c, d) = (a + c, b + d).
Axioma 1.3. Multiplica¸c˜ao. (a, b) × (c, d) = (ac − bd, ad + bc).
Como se pode verificar sem dificuldade, a opera¸c˜ao de adi¸c˜ao definida atrav´es do axioma 1.2 confere a R^2 estrutura de grupo comutativo, visto que ´e associativa, comutativa, admite como elemento neutro o par (0, 0) e todo o elemento (a, b) admite um sim´etrico que ´e o par (−a, −b). A multiplica¸c˜ao definida no axioma 1.3, por seu turno, confere tamb´em a R^2 − {(0, 0)} estrutura de grupo comutativo, pois que ´e associativa, comutativa, tem como elemento neutro o par (1, 0) e todo o elemento
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1.2. Isomorfismo entre R e o subconjunto C∗^ dos n´umeros complexos da forma (a, 0)
(a, b) 6 = (0, 0) admite um inverso
( (^) a a^2 + b^2 ,^
−b a^2 + b^2
. Al´em disso, a mul- tiplica¸c˜ao ´e distributiva em rela¸c˜ao `a adi¸c˜ao.
Tal como foram definidas, as opera¸c˜oes de adi¸c˜ao e de multiplica¸c˜ao conferem, portanto, a R^2 estrutura de corpo comutativo.
Chama-se corpo dos n´umeros complexos , e representa-se por C, ao conjunto R^2 munido dos axiomas A1, A2 e A3.
Sendo C um corpo, tanto a adi¸c˜ao como a multiplica¸c˜ao admitem opera¸c˜ao inversa que se denominam, respectivamente, subtrac¸c˜ao e divis˜ao e se ex- primem atrav´es das f´ormulas
(a, b) − (c, d) = (a − c, b − d)
(a, b) ÷ (c, d) =
(ac + bd c^2 + d^2 ,
bc − ad c^2 + d^2
sendo, no caso da divis˜ao, (c, d) 6 = (0, 0).
1.2 Isomorfismo entre R e o subconjunto C∗
dos n´umeros complexos da forma (a, 0)
Sejam C∗^ o subconjunto de C constitu´ıdo pelos n´umeros complexos da forma (a, 0) e f a aplica¸c˜ao de R em C∗^ definida pela forma
f : a ∈ R → f (a) = (a, 0) ∈ C∗. 2
1.4. Complexos conjugados
alg´ebrica. Com efeito, como
(a, b) = (a, 0) + (0, b) = (a, 0) + (b, 0) × (0, 1)
utilizando a conven¸c˜ao sobre a representa¸c˜ao dos n´umeros complexos da forma (a, 0) e a unidade imagin´aria, a express˜ao anterior toma a forma
(a, b) = a + bi
cujo segundo membro se chama a forma alg´ebrica do n´umero complexo (a, b).
A representa¸c˜ao na forma alg´ebrica tem a vantagem de permitir efectuar as opera¸c˜oes entre complexos considerando as suas express˜oes alg´ebricas como bin´omios ordin´arios em i, desde que se substitua i^2 por −1 sempre que for caso disso. De facto
(a, b) + (c, d) = (a + bi) + (c + di) = (a + c) + (b + d)i = (a + c, b + d) (a, b) × (c, d) = (a + bi) × (c + di) = (ac − bd) + (ad + bc)i = = (ac − bd, ad + bc).
No complexo z = a + bi, o n´umero real a denomina-se a parte real de z e representa-se por Re(z); o n´umero real b denomina-se parte imagin´aria de z e representa-se por Im(z). De acordo com a natureza das suas partes real e imagin´aria um complexo z = a + bi diz-se:
1.4 Complexos conjugados
Defini¸c˜ao 1.2.
4
Cap´ıtulo 1. O corpo dos n´umeros complexos
Dois n´umeros complexos dizem-se conjugados quando tˆem as partes reais iguais e as partes imagin´arias sim´etricas.
Assim, o conjugado do complexo z = x + yi, que se representa por z, ´e o complexo z = x − yi.
Como se pode verificar sem dificuldade, o conjugado goza das seguintes propriedades:
Propriedade 1.1. O conjugado do conjugado de z ´e o pr´oprio z, isto ´e: z = z.
Propriedade 1.2. O conjugado da soma ´e igual `a soma dos conjugados das parcelas: z + w = z + w.
Propriedade 1.3. O conjugado do produto ´e igual ao produto dos con- jugados dos factores: z · w = z · w.
Propriedade 1.4. O conjugado do quociente ´e igual ao quociente dos conjugados: (^) ( (^) z
w
= (^) w z.
Propriedade 1.5. Re(z) = z^ + 2 z e Im(z) = z^ − 2 i^ z.
1.5 M´odulo de um complexo
Defini¸c˜ao 1.3.
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Cap´ıtulo 1. O corpo dos n´umeros complexos
Demonstra¸c˜ao. Seja
|z + w|^2 = (z + w) · (z + w) = = zz + zw + zw + ww = = |z|^2 + |w|^2 + zw + zw = = |z|^2 + |w|^2 + 2Re(zw).
Como Re(zw) ≤ |zw| tem-se
|z + w|^2 ≤ |z|^2 + |w|^2 + 2|zw| = |z|^2 + |w|^2 + 2|z||w| = (|z| + |w|)^2
de onde resulta |z + w| ≤ |z| + |w|. ¥
Proposi¸c˜ao 1.3. O m´odulo da diferen¸ca de dois n´umeros complexos ´e maior ou igual `a diferen¸ca dos seus m´odulos, isto ´e: |z − w| ≥ |z| − |w|.
Demonstra¸c˜ao. De acordo com a proposi¸c˜ao 1.2 anterior ´e
|z| = |(z − w) + w| ≤ |z − w| + |w|
e portanto |z − w| ≥ |z| − |w|. ¥
Proposi¸c˜ao 1.4. O m´odulo do quociente de dois n´umeros complexos z e w ´e igual ao quociente dos seus m´odulos: ∣∣ ∣ (^) wz
∣ =^ ||wz||.
Demonstra¸c˜ao. Pondo
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z = (^) wz · w e aplicando a Proposi¸c˜ao 1.1 vem |z| =
∣ (^) wz
∣ · |w|, ou seja, (^) ∣ ∣∣ z w
∣ =^ ||wz||.^ ¥
1.6 Representa¸c˜ao geom´etrica. Plano com- plexo
A defini¸c˜ao dos n´umeros complexos como pares ordenados de n´umeros reais sugere a possibilidade de os representarmos geometricamente atrav´es dos pontos do plano cartesiano R^2.
x (^) X
Y y O
P (x, y)
Fig. 1.1: z no plano
De facto, a todo o complexo z = (x, y) corresponde um ponto P do plano carte- siano R^2 , de abcissa x e ordenada y, que se chama imagem de z; reciprocamente, todo o ponto P do plano (Figura 1.1), de coordenadas x e y, ´e imagem dum com- plexo z = (x, y) que se chama o afixo de P. A correspondˆencia biun´ıvoca que assim se pode estabelecer entre os n´umeros com- plexos e os pontos do plano cartesiano R^2 permite, pois, interpretar geometricamente o complexo z = (x, y) = x+yi como sendo o ponto P do plano R^2 de coordenadas x, y. Nestas condi¸c˜oes, o plano cartesiano R^2 no qual est˜ao representados os n´umeros complexos chama-se o plano complexo. Os n´umeros complexos reais tˆem as suas imagens sobre o eixo das abcis- 8
O complexo nulo n˜ao tem argumento (ou tem-no indeterminado).
1.7 Forma trigonom´etrica ou polar dos com- plexos
x (^) X
Y
y O (^) Q
|Z| θ
P (x, y)
Fig. 1.2:
Seja P a imagem do plano do n´umero com- plexo z = (x, y) = x + yi de argumento positivo m´ınimo θ. Como |z| se inter- preta geometricamente como sendo o com- primento do vector 0P , do triˆangulo OP Q, (Figura 1.2), obt´em-se x = |z| cos θ, y = |z|sen θ. Destas express˜oes resulta que o complexo dado se pode escrever sob a forma z = |z| · (cos θ + isen θ) que se denomina a forma trigonom´etrica do complexo. Como num sistema de coordenadas polares |z| e θ s˜ao as coordenadas polares da imagem P do complexo z = x + yi de coordenadas cartesianas (x, y), a express˜ao anterior ´e tamb´em denominada forma polar do com- plexo. Pondo |z| = r e escrevendo abreviadamente cos θ + isen θ = cis θ, a forma polar do complexo pode escrever-se abreviadamente z = rcisθ. 10
Cap´ıtulo 1. O corpo dos n´umeros complexos
Como ´e evidente, dois complexos s˜ao iguais se e s´o se tˆem o mesmo m´odulo e argumentos cˆongruos m´odulo 2π.
Proposi¸c˜ao 1.5. O produto de dois n´umeros complexos ´e um complexo cujo m´odulo ´e igual ao produto dos m´odulos e cujo argumento ´e igual `a soma dos argumentos dos factores.
Demonstra¸c˜ao. De facto, se
z = rcis θ e w = Rcis ϕ,
efectuando o produto tem-se
zw = rRcis(θ + ϕ)
o que prova que de facto
|zw| = |z| · |w| e arg(zw) = arg(z) + arg(w). ¥
Por aplica¸c˜ao repetida da proposi¸c˜ao anterior deduz-se a f´ormula para o c´alculo de potˆencia do expoente natural de um n´umero complexo z, conhecida por f´ormula de Moivre
zn^ = rn(cos nθ + isen nθ), n = 1, 2 ,....
Exemplo 1.1. Sendo z = 1 + i√3, calcular z^3.
Resolu¸c˜ao. Como |z| = 2 e arg(z) = π 3 a express˜ao do complexo na forma trigonom´etrica ´e
z = 2
cisπ 3