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Estudo sobre muçulmanos
Tipologia: Notas de estudo
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Em Nome de Deus Clemente Misericordioso Que a paz esteja convosco
As Cinco Orações do Dia e seus Horários
1- A oração da manhã (Salát Assobh) Inicia-se desde a alvorada até o nascer do Sol. É composta de duas genuflexões.
2- A oração do meio-dia (Salát Addohr) Inicia-se desde o meio-dia até o pôr do Sol. É composta de quatro genuflexões.
3- A oração da tarde (Salát Al-Açr) Inicia-se desde o meio-dia até o pôr do Sol. É composta de quatro genuflexões. É obrigatório rezarmos primeiro a oração do meio-dia e posteriormente a oração da tarde.
4- A oração do crepúsculo (Salát Al-Maghreb) Inicia-se desde o pôr do Sol até a entrada da noite. É composta de três genuflexões. Pode ser rezada até a meia-noite.
5- A oração do anoitecer (Salát Al-Ichá) Inicia-se desde o pôr do Sol até a entrada da noite. É composta de quatro genuflexões. É obrigatório rezarmos primeiro a oração do crepúsculo e posteriormente a oração do anoitecer. Pode ser rezada até a meia-noite.
Observação: É recomendável, após cada oração, fazer a glorificação que Fátima ( Azzahrá, Aleiha Salam ), filha do Profeta Mohammad fazia, ensinada por seu próprio pai e que é a seguinte: 34 vezes ( Alláhu Akbar ) - (Deus é o Excelso) 33 vezes ( Al-Hamdu Lelláh ) - (Louvado seja Deus) 33 vezes ( Sobhán Alláh ) - (Deus Glorificado).
Itens Necessários que devem Ser Observados Antes das Orações:
1- Ablução Como nas ilustrações representadas. 2- Pureza do corpo, das roupas e do lugar onde se reza. O(a) devoto(a) deve estar purificado(a) das relações sexuais, e a mulher purificada da menstruação, pós parto e resguardo. 3- Verificar a direção da Caaba, que fica em Meca, a Cidade Sagrada. Podemos nos orientar através da bússula, dos crentes muçulmanos ou das mesquitas. 4- A mulher, ao rezar, deve estar totalmente coberta, exceto o rosto e as mão. Ao homem, é necessário que tenha as partes genitais decentemente cobertas, podendo rezar com suas roupas normais. 5- É importante começar a rezar somente dentro do tempo em que entrou o horário da oração, caso contrário, a reza tornar-se-á inválida.
Recomendações:
É importante que a ablução seja feita nesta sequência: a) É recomendável antes da ablução dizer: ( Bessmelláh Irrahmán Irrahim ) - (Em nome de Deus Clemente Misericordioso). b) Lavar as mãos - Três vezes de preferência. c) Fazer bochecho. d) Lavar as narinas. Itens Necessários Para Fazer a Ablução: 1º. Que a água da ablução seja pura e limpa. 2º. Que seja água corrente. 3º. Que a água nao seja usurpada. 4º. Todas as partes do corpo, onde é feita a ablução, têm que estarem puras e não ter vestígios na pele, tais como maquiagem, tinta, esmalte, cola, etc.. 5º Que a água não prejudique.
Tudo o Que Invalida a Ablução:
Ablução
Não há necessidade de ditarmos sobre a intenção ( Níyeh ) na ablução, porém, devemos estar cientes de que estamos realizando-a com fé e sinceridade.
Como se abluir: Lavar o rosto de cima para baixo com a mão direita. Começar pelo alto da testa desde a raíz do cabelo até o queixo. Se a água não for suficiente para lavarmos todo o rosto, poderemos pegar novamente mais água, até que molhe por completo. Entre o polegar e o meio dedo. Vide as ilustrações 1 e 2.
Ítens que invalidam as oraçõ es
Iyyáka naabudú ua Iyáka nastaín. Ihdena çiráta'l mustaqím. çirátal'lazína anaamta alaihem ghair'el maghdúbe alaihemm ualád'dállin.
Tradução: Em Nome de Deus Clemente Misericordioso. Louvado seja Deus, Senhor do Universo. O Clemente Misericordioso. Soberano do Dia do Juizo Final. A Ti adoramos e a Tua ajuda buscamos. Guia-nos à senda reta. A senda daqueles que os agraciaste, não a dos abominados nem a dos extraviados.
Em seguida, rezar outra surata corânica ou recitar Surat Attauhíd :
Attauhíd Bessmel'Láh Arrahmán Arrahím Qol hual'Láhu ahad. Alláhu çâmad. Lam yalêd ua lam yúlad. Ua lam yakon lahú kufuan ahad.
Tradução: Em Nome de Deus Clemente Misericordioso. Dize: Ele é Deus Uno! Deus, o Eterno, absoluto! Jamais gerou e nem foi gerado! E não há quem se Lhe compare!
Depois, inclinar o corpo, colocando as mãos com firmeza nos joelhos.
vide ilustração 10.
E orar uma vez: ( Subhána Rabbi'l Azím ua be-hamdeh ) (Glorificado é meu Magnificente Senhor e em Seu Louvor!)
Ou, três vezes: ( Subhánal'Láh! ) (Glorificado seja Deus!)
E orar: ( Sameal'Láh leman hamedah! ) (Deus ouve àquele que O glorifica!)
A seguir, deixar tocar com firmeza o chão, a testa, a palma das mãos, os joelhos e a ponta dos polegares dos pés, como a Ilustração 12.
E pronunciar: ( Subhána Rabbi'l Aalá ua be-hamdeh ) (Glorificado é meu Supremo Senhor e em Seu louvor)
Ou então, três vezes: ( Subhánal'Láh! ) (Glorificado seja Deus!)
Observação: A testa pode ser colocada em cima de madeira, papel ou de preferência, sobre a terra, pois o Profeta Mohammad disse: " Deus tornou a terra abençoada e purificada ". Não deve colocar a testa sobre algo comestível, indumentária ou metal.
E falar: ( Allahu Akbar! )(Deus é o Excelso!)
Novamente pôr a testa - Ilustração 12 - e repetir: ( Subhána Rabbi'l Aalá ua behamdeh ) (Glorificado é meu Supremo Senhor e em Seu louvor)
Sentar-se de novo e repetir: ( Allahu Akbar! ) Com isso, termina-se a 1ª Genuflexão (Rucaat).
Depois, fazer a 2ª Genuflexão , levantando-se e, com as mãos a altura das orelhas, falar: ( Allahu Akbar ) Abaixar os braços e recitar Al-Fátiha e Attauhid ( Rabbaná átina fid dunya hâssanat, ua fil Ákherate hâssanat, ua qena azában'Nár! ) (Ó Senhor nosso, conceda-nos neste mundo a graça, e na Eternidade a graça, e preserva-nos do tormento do fogo!)
Surat Al-Baqara
Depois, ficar inclinado (Rucú) e recitar: ( Subhána Rabbi'l Azím ua be-hamdeh! ) (Glorificado é meu Magnificante Senhor e em Seu louvor!)
ou três vezes: ( Subhánal'Láh! ) (Glorificado seja Deus!)
Finalmente, pronuncia-se o último testemunho e o cumprimento:
( Ach-hadú ân lá iláha illal'Láh uahdahu, lá charíka lah. Ua ach-hadu ânna Mohammadan abduhú ua Rassúloh. Alláhumma Salle alá Mohammad ua Ále Mohammad! )
(Eu testemunho de que não há divindade além de Deus Único, sem que haja quem se Lhe associe, e eu testemunho de que Mohammad é Seu servo e Apóstolo! Ó Deus nosso! Abençoe Mohammad e a linhagem de Mohammad!) ( Assalám alaica ayyuhan'Nabiy, ua rahmatul'Láh ua barakátoh. Assalám alaina ua ala ibádil'Láh assálihín. Assalám alaikom ua rahmatul'Láh ua barakátoh )
(Que a paz, a misericórdia e as bênções de Deus estejam contigo ó Profeta! Que a paz esteja conosco e com os bons devotos a Deus! Que a paz, a misericórdia e as bênções de Deus estejam convosco!)
E com isso, encerra-se a Oração do Crepúsculo ( Salát Al-Maghreb )
Como cumprir Salát Addohr (Meio-Dia) - Al-Açr (Tarde) - Al-Ichá (Anoitecer)
As três Orações Addohr (Meio-Dia), Al-Açr (Da Tarde) e Al-Ichá (do Anoitecer) têm o mesmo ritual, compostos por 4 genuflexões.
Primeiramente, devemos pronunciar a intenção ( Níyeh ): ( Nauaitu ân uçalli - Ffardad'Dohr ou Fardal'Açr ou Fardal'Ichá -, uájeb qôrbatan ilal'Láh Taála ) (Tenciono rezar a Oração - Do Meio-Dia ou Da Tarde ou Do Anoitecer - sendo ela uma obrigação diante de Deus).
1ª Genuflexão Após pronunciar a intenção, levantar os braços até a altura das orelhas e falar: ( Allahu akbar! ), depois, recitar Al-Fátiha e uma surata corânica , podendo ser Attauhid
Em seguida, dobrar o corpo em genuflexão e dizer: ( Subhána Rabbi'l Azím ua be-hamdeh! ) (Glorificado é meu Magnificente Senhor e em Seu louvor!)
Ficar ereto e dizer: ( Sameal'Láh leman hamedah! ) (Deus ouve àquele que O glorifica!)
E depois fazer a prostração dizendo: ( Subhána Rabbi'l Aalá ua be-hamdeh ) (Glorificado é meu Supremo Senhor e em seu louvor)
Levantar a cabeça, sentando-se ajoelhado e fazer a prostração repetindo : ( Subhána Rabbi'l Aalá ua be-hamdeh ) (Glorificado é meu Supremo Senhor e em seu louvor)
Continuar sentado, com a cabeça levantada e dizer: ( Alláhu Akbar! ), preparando-se para a 2ª Genuflexão.
2ª Genuflexão De pé, repetir Al- Fátiha e Attauhíd , depois fazer a súplica com as mãos levantadas à altura da face.
Em seguidas, ficar inclinado e orar: ( Subhána Rabbi'l Azím ua be-hamdeh! )
Logo em seguida, prostrar-se e dizer:
( Subhána Rabbi'l Alá ua be-hamdeh )
Sentar-se e prostrar-se novamente, pronunciando: ( Subhána Rabbi'l Aalá ua beham-dehe )
Tornar a sentar e pronunciar o testemunho:
( Ach-hadú ân lá iláha illal'Láh uahdahu, lá charíka lah. Ua ach-hadu ânna Mohammadan abduhú ua Rassúloh. Alláhumma Salle alá Mohammad ua Ále Mohammad! )
(Eu testemunho de que não há divindade além de Deus único, sem que haja quem se Lhe associe, e eu testemunho de que Mohammad é Seu servo e Apóstolo! Ô Deus nosso! Abençoe Mohammad e a linhagem de Mohammad!) Levantar-se e preparar para a 3ª Genuflexão.
3ª Genuflexão De pé, pronunciar em voz baixa: ( Subhánal'Láh ual hamdu lel'Láh, ualá iláh illal'Láh ual'Láhu Akbar! ) (Glorificado seja Deus e o louvor é a Deus, e não há divindade além de Deus e Deus é o Excelso!)
Repetir esta glorificação por três vezes. Depois, genuflexar-se e pronunciar: ( Subhána Rabbi'l Aalá ua behamdeh )
Levantar e ficar ereto e depois prostrar-se e pronunciar: ( Subhána Rabbi'l Aalá ua behamdeh )
Sentar-se e genuflexar-se novamente orando: ( Subhána Rabbi'l Aalá ua behamdeh )
Depois, preparar-se para a 4ª e última Genuflexão.
4ª Genuflexão De pé, glorificar a Deus, por três vezes: ( Subhánal'Láh ual hamdu lel'Láh, ualá iláh illal'Láh, ual'Láhu Akbar! )
Genuflexar e orar: ( Subhána Rabbi'l Azím ua be-hamdeh )
Levantar e ficar de pé, prostrar-se em segida, pronunciando: ( Subhána Rabbi'l Aalá ua behamdeh )
Sentar-se e repetir a mesma glorificação. Em seguida, fazer o testemunho e o cumprimento:
( Ach-hadú ân lá iláha illal'Láh uahdahu, lá charíka lah. Ua ach-hadu ânna Mohammadan abduhú ua Rassúloh. Alláhumma Salle alá Mohammad ua Ále Mohammad! )
(Eu testemunho de que não há divindade além de Deus Único, sem que haja quem se Lhe associe, e eu testemunho de que Mohammad é Seu servo e Apóstolo! Ó Deus nosso! Abençoe Mohammad e a linhagem de Mohammad!)
2 vezes seguidas.
6. ( Hayya alá khair'el-Amal ) (Vamos à melhor das práticas) 2 vezes seguidas. 7. ( Qad qámat Assalát ) (Já iniciou-se a Oração) 2 vezes seguidas. 8. ( Alláhu Akbar ) (Deus é o Excelso) 2 vezes seguidas. 9. ( Lá iláha illal'Láh ) (Não há divindade além de Deus) 1 vez só.
Em Nome de Deus Clemente Misericordioso Que a paz, a misericórdia e as bênções de Deus estejam convosco
Sunismo
Xiismo
Kharijitas
Movimentos recentes
O Islã é uma das religiões que mais crescem no mundo, e é a fé principal em grandes partes do Terceiro Mundo. Existem atualmente mais de 970 milhões de muçulmanos concentrados principalmente no Oriente Médio, África do Norte e Sul e Sudeste da Ásia (World Almanac 1994, 727). Desses, oitenta e três por cento são sunitas e dezesseis por cento xiitas. Os xiitas constituem a maioria da população no Irã, Iraque e Bahrein e são o maior grupo populacional muçulmano no Líbano.
Em acréscimo a essa vitalidade religiosa, o Islã é uma força política cada vez mais importante na cena mundial. Nos últimos vinte anos, tem ocorrido uma onda nas atividades de movimentos políticos que se definem como islâmicos. Um evento divisor de águas foi a revolução islâmica no Irã engenhada pelo agora falecido Aiatolá Khomeini, que depôs o Xá em 1979. O governo clerical iniciou mudanças radicais em diferentes aspectos da vida no Irã, e as relações internacionais do Oriente Médio.
A guerra entre o Irã e o Iraque aconteceu pouco depois e durou de 1980 a 1988 destacando algumas das diferenças entre muçulmanos sunitas e xiitas. O Irã é um país xiita persa, enquanto a liderança do Iraque é predominantemente muçulmana sunita e árabe 1. A maioria dos governos sunitas apoiaram o Iraque durante a guerra.
Em muitos países do Oriente Médio os movimentos islâmicos são a maior força opositora, e tem havido uma crescente atividade por grupos revolucionários islâmicos. No Líbano, militantes xiitas apoiados pelo Irã tomam parte ativa na guerra civil do país, e se engajam em espetaculares atos de violência, incluindo a tomada de um número de cidadãos ocidentais como reféns. Movimentos radicais sunitas em países como o Egito e a Argélia também se engajam em violência contra o governo e alvos ocidentais.
Depois da escolha de Abu Bakr como primeiro Califa, os xiitas cresceram em número e se tornaram um grupo político apoiando Ali como sucessor do Profeta. Eles veementemente rejeitaram o Califado, e ao contrário advogaram o conceito de Imamato 3 uma ideologia religiosa e política baseada na orientação pelos Imames. Etimologicamente a palavra “imame” significa “aquele que se levanta”, um guia e um líder. É usada para descrever homens da religião hoje, da mesma forma como se refere aos Doze Imames que seguiram Muhammad. O conceito de Imamato reflete a crença de que a humanidade está em todos os momentos necessitando de um líder divinamente designado, um professor autoritativo em assuntos religiosos, que é dotado com total imunidade ao pecado e ao erro. O ramo predominante no Xiismo é o descrito como os “Duodécimos” 4 que é centrado no Irã e é a principal forma de Xiismo no Iraque, Líbano e Bahrein. O Xiismo mantém que Muhammad foi sucedido por doze imames divinamente designados descendendo diretamente de Ali e sua esposa Fátima e a rejeição e desobediência a qualquer dos doze imames constitui infidelidade equivalente à rejeição do Profeta Muhammad (Donaldson 1933, 344). Os xiitas consideram Ali e seus descendentes os sucessores de direito do Profeta, intitulados a liderar os muçulmanos por inspiração divina e infalível. A questão não é, claro, simplesmente um assunto genealógico, porque levanta a questão vital de saber quem é a autoridade de quem se obtém orientação de acordo com a vontade de Allah, e seu exercício na terra.
Em suporte à sua crença, os xiitas se referem a certos ditos de Muhammad debatidos pelos sunitas, tais como: “Eu sou a cidade do conhecimento e Ali é o meu portal” (Bayat 1982, 4).
A distinção dos Duodécimos repousa na sua crença de que o Décimo Segundo Imame, Muhammad al- Mahdi, desapareceu e irá reaparecer um dia para inaugurar um reino de justiça que pressagiará o Juízo Final.
Aqueles xiitas que não são Duodécimos também acreditam que Ali era o Imame de direito na sucessão de Muhammad, mas diferem sobre a importância de alguns dos imames que o sucederam. Os Ismaelitas aceitam os primeiros seis dos doze imames, mas mantém que o filho do sexto imame, Ismael, cujos descendentes continuam até o dia presente, eram os imames sucessores de direito. O atual Aga Khan é o Imame da sub-seção mais conhecido dos Ismaelitas. Os Zaiditas acreditam que os Imames receberam orientação divina, mas não acreditam em sua infalibilidade ou compartilham do comprometimento a todos os doze imames, e rejeitam a doutrina sobre o imame oculto.
Diferenças Doutrinárias entre Sunitas e Xiitas
1. O Conceito de Imamato Na visão xiita, os doze imames herdaram suas posições como líderes exclusivos dos muçulmanos através da autoridade do Profeta Muhammad e de ordem divina. Eles são considerados como sendo não apenas sucessores temporais de Muhammad, mas também seus herdeiros das prerrogativas na proximidade a Allah e intérpretes do Qur’an. De acordo com o Xiismo, o Imame tem três funções: Governar a comunidade islâmica, explicar as ciências religiosas e a lei, e ser líder espiritual para levar os seres humanos ao entendimento do significado interior das coisas. Por causa dessas funções, ele não pode ser eleito por uma assembléia pública. Como guia espiritual ele recebe sua autoridade apenas do “alto”. Portanto, cada Imame é apontado através da designação do Imame que o antecedeu por Comando Divino. O Imame deve se ocupar com assuntos diários assim como com o mundo espiritual e não-manifesto. Suas funções são ao mesmo tempo humanas e cósmicas (Nasr 1978, 278). Os “Doze Imames” são os mediadores pela humanidade (Donaldson 1933, 343).
Muçulmanos Sunitas As crenças acima dos “Duodécimos”, que dão legitimidade aos comentários escritos e verbais dos “Doze Imames”, são categoricamente rejeitadas pelos sunitas, que não consideram a instituição do “Imamato” hereditário como parte da fé islâmica. Todos os profetas de Allah reconhecidos pelo Islã, tais como Adão, Noé, Abraão, Moisés, Jesus e Muhammad, são vistos como tendo sido divinamente ordenados a guiar os seres humanos a adorar Allah e buscar Sua Misericórdia. Entretanto, mesmo a descendência dos profetas são
consideradas como tendo negado o privilégio da proximidade e bênçãos de Allah se falharem em praticar seus comandos. Uma expressão típica dessa crença é a passagem corânica, E lembre que Abraão foi tentado por seu Senhor com certos comandos que ele cumpriu. Allah disse: Farei de ti Imame para as Nações. Abraão pediu: “E também Imames de minha descendência!” Allah disse, “Mas minha promessa não alcançará os malfeitores (Qur’an 2: 124).
Os muçulmanos sunitas não colocam nenhum ser humano, incluindo os Doze Imames xiitas, num nível igual ou mesmo próximo aos profetas. A visão sunita é que em nenhum lugar no Qur’an é mencionado que os doze imames xiitas são divinamente ordenados a liderar os muçulmanos após a morte de Muhammad. Os muçulmanos devem ser orientados pelas palavras como aquelas do último sermão de Muhammad, conhecido como o Sermão do Monte, no qual ele endereçou toda a humanidade: …Eu estou deixando duas coisas; enquanto se agarrarem a eles, vocês não se desviarão. Uma é o “Livro de Allah”, e a outra é a minha “tradição” (Zaheer 1985, 10). 2_. Intercessão Entre Allah e os Seres Humanos_ Muçulmanos Sunitas Os muçulmanos sunitas acreditam que ninguém pode interceder entre Allah e os seres humanos. Diz: A Allah pertence exclusivamente (o direito de garantir) intercessão. A Ele pertence o domínio dos céus e da terra. No Fim, é para Ele que todos serão retornados (Qur’an 39: 44). Muçulmanos Xiitas
De acordo com o Xiismo, os Doze Imames podem interceder entre a humanidade e Allah.
O Apóstolo de Allah disse a Ali: " ...Você e seus descendentes são mediadores pela humanidade uma vez que eles (seres humanos) não serão capazes de conhecer Deus exceto através de sua introdução” (Donaldson 1933, 343).
" ... os muçulmanos xiitas devem conhecer seu imame de modo a serem salvos, e os imames, assim como os profetas, claro, podem e intercedem pelos crentes perante deus na hora do julgamento...” (Nasr 1987, 261).
“Ijma” 5 (consenso) garante a autoridade do Qur’an e das tradições como registros da revelação divina.
Consenso e analogia podem ser aplicados por aqueles sábios que tem um profundo conhecimento do Qur’an, das tradições do profeta, e da Lei Islâmica, e praticam a fé em todos os aspectos de suas vidas.
3. Assuntos não Tratados pelo Qur’an Muçulmanos Sunitas As quatro escolas sunitas de jurisprudência aceitam com diferentes níveis de ênfase o uso do consenso da comunidade muçulmana e analogia (a aplicação de princípios do Qur’an e Hadith) como fontes para decisões legais onde o Qur’an e as Tradições (“Hadith”) do Profeta não fornecem orientação direta. Muçulmanos Xiitas As fontes da lei islâmica no Xiismo são de certa forma similares às do Islã sunita, nomeadamente o Qur’an, as práticas de Muhammad, consenso e analogia. Entretanto, a determinação do consenso é relacionada à opinião dos Imames e é dada mais liberdade à analogia do que no Islã sunita (Nasr 1978, 278). 4. Paraíso e Inferno no Dia do Juízo Muçulmanos Sunitas Os muçulmanos sunitas acreditam piamente que a redenção dos seres humanos depende na fé em Allah, Seus profetas, aceitação de Muhammad como profeta final e crença nas boas ações como explicado no Qur’an. A misericórdia de Allah determinará a redenção de todos os seres humanos. Até mesmo o profeta Muhammad depende da misericórdia de Allah.
de alocar grandes doações religiosas através de ministérios governamentais criados para esse propósito. Isso torna o clero sunita de alto nível mais dependente do governo do que seus equivalentes xiitas. Os sunitas também são mais abertos que os xiitas à idéia de que a liderança da oração e a pregação podem ser feitas por pessoas laicas, sem treino clerical formal.
Em vista do poder do clero xiita, não surpreende que eles desempenhem um importante papel político. Liderados pelo Aiatolá Khomeini, o clero organizou a revolução que depôs o Xá do Irã em 1978-79 e transformou o país em uma República Islâmica. O clero xiita também tem sido proeminente em movimentos de oposição no Iraque e Líbano.
Movimentos Políticos Islâmicos Tanto os movimentos políticos islâmicos xiitas e sunitas tem como objetivo principal o estabelecimento da lei islâmica como base do governo. Eles rejeitam o secularismo como uma idéia ocidental importada, e se opõem a diversas formas de mudanças sociais que usam o ocidente como um modelo, tal como a condição das mulheres.
Os movimentos políticos com uma mensagem religiosa tem apelo popular em muitos países de maioria muçulmana. Isso acontece parcialmente por causa da perspectiva religiosa dos povos. Mas é também porque os líderes desses movimentos estão tratando dos assuntos políticos do dia.
Uma das razões para a queda do Xá do Irã foi que suas políticas secularistas alienaram as instituições religiosas. Em contraste, os monarcas dos países sunitas ricos em óleo tem feito grande esforço para manter suas políticas em linha com sensibilidades religiosas.
Uma outra razão muito importante para a queda do Xá foi o descontentamento generalizado com o desenvolvimento de suas políticas favorecendo grupos ricos e ocidentalizados. O Xá gastou uma grande parte da riqueza petrolífera do país em projetos civis e militares considerados por muitos como sendo pobremente concebidos. O Irã era um país mais populoso que os outros países ricos em petróleo do Oriente Médio, e portanto sua riqueza petrolífera se distribuía menos amplamente entre o povo. O efeito do desenvolvimento das políticas ocidentalizantes do Xá produziu uma nova classe burguesa que foi alvo do ódio e ressentimento das pessoas pobres. Além disso, assim como os partidos nacionalistas e de esquerda iranianos, o clero atacou veementemente os laços do Xá com o Ocidente.
Apesar de sua orientação religiosa, muitos dos assuntos endereçados pelos movimentos islâmicos são os mesmos assuntos políticos ou sociais que preocupam os políticos seculares. Os movimentos atacam a corrupção governamental e o golfo entre ricos e pobres. No Iraque e Líbano, onde comunidades xiitas são mais pobres que as comunidades sunitas e cristãs, o ressentimento à uma discriminação percebida também permitiu aos movimentos xiitas mobilizar apoio nas bases. Os problemas de corrupção e pobreza também são invocados pelos movimentos sunitas em países como o Egito e Argélia, embora esses movimentos não tenham sido capazes de obter apoio de líderes religiosos de uma estatura comparável a do Aiatolá Khomeini antes da revolução iraniana.
A oposição ao Ocidente é derivada do ressentimento histórico em muitas partes do mundo islâmico ao colonialismo ocidental no início desse século. Em acréscimo aos problemas surgidos daquele período, um número de políticas ocidentais e americanas mais recentes são frequentemente citadas pelos movimentos islâmicos: tentativas ocidentais de incorporar os países islâmicos em alianças contra a União Soviética durante a Guerra Fria; intervenções políticas tais como o golpe de estado da CIA de 1953 para restaurar o Xá depois de um governo nacionalista liderado por Mohammed Mossadegh ter tomado o poder no Irã; apoio político e militar ocidental para Israel contra o mundo árabe; e apoio político e militar ocidental para governos não-representativos.
Alguns dos mais dramáticos atos anti-ocidentais tem sido executados por grupos políticos xiitas no Líbano, onde o governo central entrou em colapso seguindo a guerra civil em 1975. A luta levou à intervenção pela Síria, Israel e forças americanas. Movimentos radicais xiitas como o Hezbollah (“Partido de Deus”) floresceram no período seguinte à dramática intervenção militar ocidental no Líbano em 1982, quando tropas israelenses expeliram a OLP de Beirute, e forças de paz americanas foram enviadas para o Líbano (para se retirarem em 1984). Militantes xiitas tirando vantagem da falta de autoridade central no país atacaram alvos ocidentais e israelenses e tomaram reféns, alguns dos quais foram mortos. Os movimentos de oposição
sunitas no Egito e Argélia recentemente também tem sido crescentemente violentos em suas táticas anti- governamentais e anti-ocidentais.
Essas táticas tem causado um grande debate no mundo islâmico. Não existe justificativa nas escrituras e jurisprudência islâmicas para matanças indiscriminadas ou assassinatos de cidadãos locais ou estrangeiros tanto por muçulmanos sunitas quanto xiitas. Muitos intelectuais, entretanto, citam as falhas dos governos como uma razão para esses atos. “Esses lançadores de bombas e selvagens”, escreve o conhecido jornalista egípcio Muhammad Hassanein Haykal, “são o resultado de governos quase inimaginavelmente corruptos e medíocres” ( New York Times Magazine, November 21, 1993, 65).
Atos violentos contra civis não são islâmicos em origem. De fato, violência radical parece ser um fenômeno mundial. Grupos radicais, religiosos ou não, frequentemente florescem em ambientes não-democráticos onde injustiça, repressão, e influência estrangeira inadequada são amplamente consideradas como as características dominantes da ordem existente.
Notas do Autor:
Seus nomes são
a. Ali bin Abi Talib
b. Al-Hassan bin Ali
c. Al-Hassan bin Ali
d. Ali bin al-Hussain
e. Muhammad al-Bakir
f. Jafar-al-Sadik
g. Musa al-Kazim
h. Ali al-Riza
i. Muhammad Jawad al-Taki
j. Ali al-Naki
k. Al-Hassan al-Askari
l. Muhammad al-Mahdi