Docsity
Docsity

Prepare-se para as provas
Prepare-se para as provas

Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity


Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos para baixar

Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium


Guias e Dicas
Guias e Dicas


exercicios de interpretação de texto, Exercícios de Língua Portuguesa

xercicios de interpretação de texto

Tipologia: Exercícios

2021

Compartilhado em 09/11/2021

rodrigo-lemes-3
rodrigo-lemes-3 🇧🇷

1 documento

1 / 417

Toggle sidebar

Esta página não é visível na pré-visualização

Não perca as partes importantes!

bg1
INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS
CAPÍTULO 1EXPLICAÇÕES PRELIMINARES
I) Para interpretar bem
Todos têm dificuldades com interpretação de textos. Encare isso como algo normal, inevitável.
Importante é enfrentar o problema e, com segurança, progredir. Aliás, progredir muito. Leia
com atenção os itens abaixo.
1) Desenvolva o gosto pela leitura. Leia de tudo: jornais, revistas, livros, textos publicitários,
listas telefônicas, bulas de remédios etc. Enfim, tudo o que estiver ao seu alcance. Mas leia
com atenção, tentando, pacientemente, apreender o sentido. O mal é “ler por ler”, para se
livrar.
2) Aumente o seu vocabulário. Os dicionários são amigos que precisamos consultar. Faça
exercícios de sinônimos e antônimos. (Consulte o nosso Redação para Concursos, que tem
uma seção dedicada a isso.)
3) Não se deixe levar pela primeira impressão. Há textos que metem medo. Na realidade, eles
nos oferecem um mundo de informações que nos fornecerão grande prazer interior. Abra sua
mente e seu coração para o que o texto lhe transmite, na qualidade de um amigo silencioso.
4) Ao fazer uma prova qualquer, leia o texto duas ou três vezes, atentamente, antes de tentar
responder a qualquer pergunta. Primeiro, é preciso captar sua mensagem, entendê-lo como um
todo, e isso não pode ser alcançado com uma simples leitura. Dessa forma, leia-o algumas
vezes. A cada leitura, novas idéias serão assimiladas. Tenha a paciência necessária para agir
assim. Só depois tente resolver as questões propostas.
5) As questões de interpretação podem ser localizadas (por exemplo, voltadas só para um
determinado trecho) ou referir-se ao conjunto, às idéias gerais do texto. No primeiro caso, leia
não apenas o trecho (às vezes uma linha) referido, mas todo o parágrafo em que ele se situa.
Lembre-se: quanto mais você ler, mais entenderá o texto. Tudo é uma questão de costume, e
você vai acostumar-se a agir dessa forma. Então - acredite nisso - alcançará seu objetivo.
6) Há questões que pedem conhecimento fora do texto. Por exemplo, ele pode aludir a uma
determinada personalidade da história ou da atualidade, e ser cobrado do aluno ou candidato o
nome dessa pessoa ou algo que ela tenha feito. Por isso, é importante desenvolver o hábito da
leitura, como já foi dito. Procure estar atualizado, lendo jornais e revistas especializadas.
II) Paráfrase
Chama-se paráfrase a reescritura de um texto sem alteração de sentido. Questões de
interpretação com freqüência se baseiam nesse conhecimento, nessa técnica. Vários recursos
podem ser utilizados para parafrasear um texto.
1) Emprego de sinônimos.
Ex.: Embora voltasse cedo, deixava os pais preocupados.
Conquanto retornasse cedo, deixava os genitores preocupados.
2) Emprego de antônimos, com apoio de uma palavra negativa.
Ex.: Ele era fraco.
pf3
pf4
pf5
pf8
pf9
pfa
pfd
pfe
pff
pf12
pf13
pf14
pf15
pf16
pf17
pf18
pf19
pf1a
pf1b
pf1c
pf1d
pf1e
pf1f
pf20
pf21
pf22
pf23
pf24
pf25
pf26
pf27
pf28
pf29
pf2a
pf2b
pf2c
pf2d
pf2e
pf2f
pf30
pf31
pf32
pf33
pf34
pf35
pf36
pf37
pf38
pf39
pf3a
pf3b
pf3c
pf3d
pf3e
pf3f
pf40
pf41
pf42
pf43
pf44
pf45
pf46
pf47
pf48
pf49
pf4a
pf4b
pf4c
pf4d
pf4e
pf4f
pf50
pf51
pf52
pf53
pf54
pf55
pf56
pf57
pf58
pf59
pf5a
pf5b
pf5c
pf5d
pf5e
pf5f
pf60
pf61
pf62
pf63
pf64

Pré-visualização parcial do texto

Baixe exercicios de interpretação de texto e outras Exercícios em PDF para Língua Portuguesa, somente na Docsity!

INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS

CAPÍTULO 1EXPLICAÇÕES PRELIMINARES

I) Para interpretar bem Todos têm dificuldades com interpretação de textos. Encare isso como algo normal, inevitável. Importante é enfrentar o problema e, com segurança, progredir. Aliás, progredir muito. Leia com atenção os itens abaixo.

  1. Desenvolva o gosto pela leitura. Leia de tudo: jornais, revistas, livros, textos publicitários, listas telefônicas, bulas de remédios etc. Enfim, tudo o que estiver ao seu alcance. Mas leia com atenção, tentando, pacientemente, apreender o sentido. O mal é “ler por ler”, para se livrar.
  2. Aumente o seu vocabulário. Os dicionários são amigos que precisamos consultar. Faça exercícios de sinônimos e antônimos. (Consulte o nosso Redação para Concursos, que tem uma seção dedicada a isso.)
  3. Não se deixe levar pela primeira impressão. Há textos que metem medo. Na realidade, eles nos oferecem um mundo de informações que nos fornecerão grande prazer interior. Abra sua mente e seu coração para o que o texto lhe transmite, na qualidade de um amigo silencioso.
  4. Ao fazer uma prova qualquer, leia o texto duas ou três vezes, atentamente, antes de tentar responder a qualquer pergunta. Primeiro, é preciso captar sua mensagem, entendê-lo como um todo, e isso não pode ser alcançado com uma simples leitura. Dessa forma, leia-o algumas vezes. A cada leitura, novas idéias serão assimiladas. Tenha a paciência necessária para agir assim. Só depois tente resolver as questões propostas.
  5. As questões de interpretação podem ser localizadas (por exemplo, voltadas só para um determinado trecho) ou referir-se ao conjunto, às idéias gerais do texto. No primeiro caso, leia não apenas o trecho (às vezes uma linha) referido, mas todo o parágrafo em que ele se situa. Lembre-se: quanto mais você ler, mais entenderá o texto. Tudo é uma questão de costume, e você vai acostumar-se a agir dessa forma. Então - acredite nisso - alcançará seu objetivo.
  6. Há questões que pedem conhecimento fora do texto. Por exemplo, ele pode aludir a uma determinada personalidade da história ou da atualidade, e ser cobrado do aluno ou candidato o nome dessa pessoa ou algo que ela tenha feito. Por isso, é importante desenvolver o hábito da leitura, como já foi dito. Procure estar atualizado, lendo jornais e revistas especializadas. II) Paráfrase Chama-se paráfrase a reescritura de um texto sem alteração de sentido. Questões de interpretação com freqüência se baseiam nesse conhecimento, nessa técnica. Vários recursos podem ser utilizados para parafrasear um texto.
  7. Emprego de sinônimos. Ex.: Embora voltasse cedo, deixava os pais preocupados. Conquanto retornasse cedo, deixava os genitores preocupados.
  8. Emprego de antônimos, com apoio de uma palavra negativa. Ex.: Ele era fraco.

Ele não era forte.

  1. Utilização de termos anafóricos, isto é, que remetem a outros já citados no texto. Ex.: Paulo e Antônio já saíram. Paulo foi ao colégio; Antônio, ao cinema. Paulo e Antônio já saíram. Aquele foi ao colégio; este, ao cinema. Aquele = Paulo este = Antônio
  2. Troca de termo verbal por nominal, e vice-versa. Ex.: É necessário que todos colaborem. É necessária a colaboração de todos. Quero o respeito do grupo. Quero que o grupo me respeite.
  3. Omissão de termos facilmente subentendidos. Ex.: Nós desejávamos uma missão mais delicada, mais importante. Desejávamos missão mais delicada e importante.
  4. Mudança de ordem dos termos no período. Ex.: Lendo o jornal, cheguei à conclusão de que tudo aquilo seria esquecido após três ou quatro meses de investigação. Cheguei à conclusão, lendo o jornal, de que tudo aquilo, após três ou quatro meses de pesquisa, seria esquecido.
  5. Mudança de voz verbal Ex.: A mulher plantou uma roseira em seu jardim. (voz ativa) Uma roseira foi plantada pela mulher em seu jardim. (voz passiva analítica) Obs.: Se o sujeito for indeterminado (verbo na 3ª pessoa do plural sem o sujeito expresso na frase), haverá duas mudanças possíveis. Ex.: Plantaram uma roseira. (voz ativa) Uma roseira foi plantada. (voz passiva analítica) Plantou-se uma roseira. (voz passiva sintética)
  6. Troca de discurso Ex.: Naquela tarde, Pedro dirigiu-se ao pai dizendo: - Cortarei a grama sozinho. (discurso direto)

Ex.: Encontrei determinadas pessoas naquela cidade. Encontrei pessoas determinadas naquela cidade. Na primeira frase, determinadas é um pronome indefinido, equivalente a certas, umas, algumas; na segunda, é um adjetivo e significa decididas. b) Cuidado também com a pontuação, que costuma passar despercebida. Ex.: A criança agitada corria pelo quintal. A criança, agitada, corria pelo quintal. Na primeira frase, o adjetivo agitada indica uma característica da criança, algo inerente a ela, isto é, trata-se de uma pessoa sempre agitada. Na segunda, as vírgulas indicam que a criança está agitada naquele momento, sem que necessariamente ela o seja no seu dia-a-dia. CAPÍTULO 2DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO. FIGURAS I) Denotação Consultando o dicionário Houaiss, encontramos para a palavra jóia as seguintes definições: 1 objeto de metal precioso finamente trabalhado, em que muitas vezes se engastam pedras preciosas, pérolas etc. ou a que é aplicado esmalte, us. como acessório de vestuário, adorno de cabeça, pescoço, orelhas, braços, dedos etc. 2 Pedra preciosa de grande valor. 3 p. ext. qualquer objeto caro e trabalhado com arte (estatueta, relógio, cofre, vaso etc). As definições são claras, precisas. Todas giram em torno de um objeto de valor. A partir dessas definições, podemos criar frases com muita segurança. Ex.: Essa jóia em seu pescoço está há várias gerações em nossa família. O rubi é uma jóia que encanta meus olhos. Aquele vaso, provavelmente chinês, é uma jóia de raro acabamento. A palavra jóia, presente nas três frases citadas, foi empregada em seus sentidos reais, primitivos. A isso se dá o nome de denotação. II) Conotação Voltando ao dicionário citado, encontramos na seqüência da leitura o seguinte: 4 fig. pessoa ou coisa muito boa e querida (sua sobrinha é uma jóia. O próprio dicionarista nos dá um exemplo. Vejamos outras frases abaixo. Ela é uma jóia de menina. Que jóia esse cachorrinho!

Minha irmã se tornou uma jóia muito especial. Observe que, em todas as frases, a palavra jóia extrapolou o sentido original de objeto caro. Ela está se referindo a pessoas e animais, que, na realidade, não podem ser jóias, se levarmos em conta o sentido denotativo do termo. Há uma comparação implícita em cada frase: bonito ou bonita como uma jóia. Dizemos então que se trata de conotação. Vamos comparar as duas frases abaixo: Comi uma fruta deliciosa. Ela escreveu uma frase deliciosa. Na primeira, o adjetivo deliciosa está empregado denotativamente, pois indica o gosto agradável da fruta; trata-se do sentido real do termo. Na segunda, o adjetivo não pode ser entendido “ao pé da letra”, uma vez que frase não tem gosto, não tem sabor. É um emprego especial, estilístico da palavra deliciosa. Assim, ela está usada conotativamente. Muitas vezes, as perguntas de interpretação se voltam para o emprego denotativo ou conotativo dos vocábulos. E mais: o entendimento global do texto pode depender disso. Leia-o, pois, com atenção. A leitura atenta é tudo. III) Figuras de linguagem As figuras constituem um recurso especial de construção, valorizando e embelezando o texto. Há questões de provas, inclusive em concursos públicos, que cobram, direta ou indiretamente, o emprego adequado da linguagem figurada. Vejamos as mais importantes, que você não pode desconhecer. Elas não serão, aqui, agrupadas de acordo com sua natureza: de palavras, de pensamento e de sintaxe. Não há importância nessa distinção, para interpretarmos um texto. 1) Comparação ou simile Consiste, como o próprio nome indica, em comparar dois seres, fazendo uso de conectivos apropriados. Ex.: Esse liqüido é azedo como limão. A jovem estava branca qual uma vela. 2) Metáfora Tipo de comparação em que não aparecem o conectivo nem o elemento comum aos seres comparados. Ex.: “Minha vida era um palco iluminado...” (Minha vida era alegre, bonita etc. como um palco iluminado.) Tuas mãos são de veludo. (Entenda-se: mãos macias como o veludo)A vida, manso lago azul...” (Júlio Salusse) (Neste exemplo, nem o verbo aparece, mas é clara a idéia da comparação: a vida é suave, calma como um manso lago azul.) 3) Metonímia

Observe que o termo O jovem pode ser retirado do texto. Ele não se encaixa sintaticamente no período. Caso disséssemos Com o jovem, teríamos um pleonasmo: com o jovem = com ele. 9) Antítese Emprego de palavras ou expressões de sentido oposto. Ex.: Era cedo para alguns e tarde para outros.Não és bom, nem és mau: és triste e humano.” (Olavo Bilac) 10) Sinestesia Consiste numa fusão de sentidos. Ex.: Despertou-me um som colorido. (audição e visão) Era uma beleza fria. (visão e tato) 11) Catacrese É a extensão de sentido que sofrem determinadas palavras na falta ou desconhecimento do termo apropriado. Essa extensão ocorre com base na analogia. Por isso, ela é uma variação da metáfora. Ex.: Leito do rio. Dente de alho. Barriga da perna. Céu da boca. Curiosas são as catacreses constituídas por verbos: embarcar num trem, enterrar uma agulha no dedo etc. Embarcar é entrar no barco, não no trem; enterrar é entrar na terra, não no dedo. 12) Hipálage Adjetivação de um termo em vez de outro. Ex.: O nado branco dos cisnes o fascinou, (brancos são os cisnes) Acompanhava o vôo negro dos urubus, (negros são os urubus) 13) Quiasmo Ao mesmo tempo repetição e inversão de termos, podendo haver algumas alterações. Ex.: “No meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho “(C. D. Andrade)Vinhas fatigada e triste, e triste e fatigado eu vinha.” (Olavo Bilac) 14) Silepse Concordância anormal feita com a idéia que se faz do termo e não com o próprio termo. Pode ser: a) de gênero Ex.: V Sa é bondoso.

A concordância normal seria bondosa, já que V. Sa é do gênero feminino. Fez-se a concordância com a idéia que se possui, ou seja, trata-se de um homem. b) de número Ex.: O grupo chegou apressado e conversavam em voz alta. O segundo verbo do período deveria concordar com grupo. Mas a idéia de plural contida no coletivo leva o falante a botar o verbo no plural: conversavam. Tal concordância anormal não deve ser feita com o primeiro verbo. c) de pessoa. Ex.: Os brasileiros somos otimistas. Em princípio, dir-se-ia são, pois o sujeito é de terceira pessoa do plural. Mas, por estar incluído entre os brasileiros, é possível colocar o verbo na primeira pessoa: somos. 15) Perífrase Emprego de várias palavras no lugar de poucas ou de uma só. Ex.: “Se lá no assento etéreo onde subiste...” (Camões) assento etéreo = céu. Morei na Veneza brasileira. Veneza brasileira = Recife Não provoque o rei dos animais. rei dos animais = leão. Obs.: Questões que envolvem perífrase pedem, freqüentemente, conhecimento independente do texto. 16) Assíndeto Ausência de conectivo. É um tipo especial de elipse, que é a omissão de qualquer termo. Ex.: Entrei, peguei o livro, fui para a rede. Ligando as duas últimas orações, deveria aparecer a conjunção e. 17) Polissíndeto Repetição da conjunção, geralmente e. Ex.: “Trejeita, e canta, e ri nervosamente.” (Padre Antônio Tomás)E treme, e cresce, e brilha, e afia o ouvido, e escuta.” (Olavo Bilac) 18) Zeugma

Ex.: O ribombar dos canhões nos assustava. Não agüentava mais aquele tique-taque insistente.Não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano.” (Machado de Assis) 24) Aliteração Repetição de fonemas consonantais. Ex.: Nem toda tarefa é tão tranqüila.Ruem por terra as emperradas portas.” (Bocage)Os teus grilhões estrídulos estalam.” (Raimundo Correia) Obs.: Nos dois últimos exemplos, as aliterações procuram reproduzir, sons naturais, constituindo-se também em onomatopéias. 25) Enálage Troca de tempos verbais. Ex.: Se você viesse, ganhava minha vida mais entusiasmo, Agora que murcharam teus loureiros Fora doce em teu seio amar de novo.” (Álvares de Azevedo) Obs.: Na primeira frase, ganhava está no lugar de ganharia; na segunda, fora substitui seria. CAPÍTULO 3COESÃO E COERÊNCIA. CONECTORES I) Coesão e coerência O texto é um conjunto harmônico de elementos, associados entre si por processos de coordenação ou subordinação. Os fonemas (sons da fala), representados graficamente pelas letras, se unem constituindo as palavras. Estas, por sua vez, ligam-se para formar as orações, que passam a se agrupar constituindo os períodos. A reunião de períodos dá origem aos parágrafos. Estes também se unem, e temos então o conjunto final, que é o texto. No meio de tudo isso, há certos elementos que permitem que o texto seja inteligível, com suas partes devidamente relacionadas. Se a ligação entre as partes do texto não for bem feita, o sentido lógico será prejudicado. Observe atentamente o trecho seguinte. Levantamos muito cedo. Fazia frio e a água havia congelado nas torneiras. Até os animais, acostumados com baixas temperaturas, permaneciam, preguiçosamente, em suas tocas. Apesar disso, deixamos de fazer nossa caminhada matinal com as crianças. O trecho é composto por vários períodos, agrupados em dois segmentos distintos. No primeiro, fala-se do frio intenso e suas conseqüências; no segundo, a decisão de não fazer a caminhada matinal. O que aparece para fazer a ligação entre esses dois segmentos? A locução apesar disso. Ora, esse termo tem valor concessivo, liga duas coisas contraditórias, opostas; mas o que segue a ele é uma conseqüência do frio que fazia naquela manhã. Dessa forma, no lugar de apesar disso, deveríamos usar por isso, por causa disso, em virtude disso etc.

Conclui-se o seguinte: as partes do texto não estavam devidamente ligadas. Diz-se então que faltou coesão textual. Conseqüentemente, o trecho ficou sem coerência, isto é, sem sentido lógico. Resumindo, podemos dizer que a coesão é a ligação, a união entre partes de um texto; coerência é o sentido lógico, o nexo. II) Elementos conectores É extremamente importante, para que se penetre no texto, uma noção segura dos recursos de que a língua dispõe para estabelecer a coesão textual. Aliás, esse termo é ainda mais amplo: qualquer vínculo estabelecido entre as palavras, as orações, os períodos ou os parágrafos podemos chamar de coesão. Toda palavra ou expressão que se refere a coisas passadas no texto, ou mesmo às que ainda virão, são elementos conectores. Os termos a que eles se referem podem ser chamados de referentes. Muita atenção, pois, com os conectores. Eis os mais importantes: 1) Pronomes pessoais, retos ou oblíquos Ex.: Meu filho está na escola. Ele tem uma prova hoje. Ele = meu filho (referente) Carlos trouxe o memorando e o entregou ao chefe. O = memorando (referente) 2) Pronomes possessivos Ex.: Pedro, chegou a sua maior oportunidade. Sua = Pedro (de Pedro) 3) Pronomes demonstrativos Os demonstrativos estão entre os mais importantes conectores da língua portuguesa. Freqüentemente se criam questões de interpretação ou compreensão com base em seu emprego. Veja os casos seguintes. a) O filho está demorando, e isso preocupa a mãe. Isso = O filho está demorando. b) Isto preocupa a mãe: o filho está demorando. Isto = o filho está demorando. Parecidos, não é mesmo? A diferença é que isso (esse, esses, essa, essas) é usado para fazer referência a coisas ou fatos passados no texto. Isto (este, estes, esta, estas) refere-se a coisas ou fatos que ainda aparecerão. Embora se faça uma certa confusão hoje em dia, o seu emprego adequado é exatamente o que acabamos de expor. c) O homem e a mulher estavam sorrindo. Aquele porque foi promovido; esta por ter recebido um presente.

significado. Diz-se que tem apenas valor relacional. Na segunda, em que introduz um adjunto adverbial, ela possui valor semântico ou nocional, uma vez que a expressão que ela inicia tem um valor de causa. Veja, a seguir, os principais valores semânticos das preposições.

  • De causa Ex.: Perdemos tudo com a seca.
  • De matéria Ex.: Trouxe copos de papel.
  • De assunto Ex.: Falavam de política.
  • De fim ou finalidade Ex.: Vivia para o estudo.
  • De meio Ex.: Falaram por telefone.
  • De instrumento Ex.: Feriu-se com a tesoura.
  • De condição Ex.: Ele não vive sem feijão.
  • De posse Ex.: Achei o livro de André.
  • De modo Ex.: Agiu com tranqüilidade.
  • De tempo Ex.: Retornaram de manhã.
  • De companhia Ex.: Passeou com a irmã.
  • De afirmação Ex.: Irei com certeza.
  • De lugar Ex.: Ele veio de casa.

10) Conjunções e locuções conjuntivas Conjunção é a palavra que liga duas orações ou, em poucos casos, dois elementos de mesma natureza. Pode-se entender também como a palavra que introduz uma oração, que pode ser coordenada ou subordinada. Não vai nos interessar aqui essa distinção. Se desejar, consulte o nosso livro Português para Concursos. É sumamente importante para a interpretação e a compreensão de textos o conhecimento das conjunções e locuções correspondentes. Chamaremos a todas, simplesmente, conjunções. Da mesma forma que as preposições, as conjunções não têm referentes propriamente ditos. Cumpre reconhecer o valor de cada uma, para que se entenda o sentido das orações em português e, conseqüentemente, do texto em que elas aparecem. Conjunções coordenativas São as que iniciam orações coordenadas. Podem ser: 1) Aditivas: estabelecem uma adição, somam coisas ou orações de mesmo valor. Principais conjunções: e, nem, mas também, como também, senão também, como, bem como, quanto. Ex.: Fechou a porta e foi tomar café. Não trabalha nem estuda. Tanto lê como escreve. Não só pintava, mas também fazia versos. Não somente lavou, como também _escovou os cães.

  1. Adversativas:_ estabelecem idéias opostas, contrastantes. Principais conjunções: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstante, senão, que. Ex.: Correu muito, mas não se cansou. As árvores cresceram, porém não estão bonitas. Falou alto, todavia ninguém escutou. Chegamos com os alimentos, no entanto não estavam com fome. Não o culpo, senão a você. Peça isso a outra pessoa, que não a mim. Observações

São as que iniciam as orações subordinadas. Podem ser: 1) Causais: iniciam orações que indicam a causa do que está expresso na oração principal. Principais conjunções: porque, pois, que, porquanto, já que, uma vez que, como, visto que, visto como. Ex.: O gato miou porque pisei seu rabo. Estava feliz pois encontrou a bola. Triste que estava, não quis passear. Já que me pediram, vou continuar. Visto que vai chover, sairemos agora mesmo. Como _fazia frio, pegou o agasalho.

  1. Condicionais:_ introduzem orações que estabelecem uma condição para que ocorra o que está expresso na oração principal. Principais conjunções: se, caso, desde que, a menos que, salvo se, sem que, contanto que, dado que, uma vez que. Ex.: Explicarei a situação, se isso for importante para todos. Caso me solicitem, escreverei uma nova carta. Você será aprovado, desde que se esforce mais. Sem que digas a verdade, não poderemos prosseguir. Contanto que todos participem da reunião, os projetos serão apresentados. Uma vez que _ele tente, poderá alcançar o objetivo.
  2. Concessivas:_ começam orações com valor de concessão, isto é, idéia contrária à da oração principal. Cuidado especial com essas conjunções! Elas são bastante cobradas em questões de provas. Principais conjunções: embora, ainda que, mesmo que, conquanto, posto que, se bem que, por mais que, por menos que, suposto que, apesar de que, sem que, que, nem que. Ex.: Embora gritasse, não foi atendido. Perderia a condução mesmo que acordasse cedo. Conquanto estivesse com dores, esperou pacientemente. Posto que me tenham convidado com insistência, não quis participar. Por mais que tentem explicar, o caso continua confuso. Sem que tenha grandes virtudes, é adorado por todos.

Doente que estivesse, participaria da maratona. Fale, nem que _seja por um minuto apenas.

  1. Comparativas:_ introduzem orações com valor de comparação. Principais conjunções: como, (do) que, qual, quanto, feito, que nem. Ex.: Ele sempre foi ágil como o pai. Maria estuda mais que a irmã. (ou do que) Nada o entristecia tanto quanto o sofrimento de seu povo. Estava parado feito uma estátua. Rastejávamos que nem serpentes. Ele agiu tal qual eu lhe pedira. Observações a) Geralmente o verbo da oração comparativa é o mesmo da principal e fica subentendido. É o que ocorre nos cinco primeiros exemplos. b) As conjunções feito e que nem são de emprego coloquial. 5) Conformativas: principiam orações com valor de acordo em relação à principal. Principais conjunções: conforme, segundo, consoante, como. Ex.: Fiz tudo conforme me solicitaram. Segundo nos contaram, o jogo foi anulado. Pedro tomou uma decisão consoante determinava a sua consciência. Carlos é inteligente como _os pais sempre afirmaram.
  2. Consecutivas:_ iniciam orações com valor de conseqüência. Principais conjunções: que (depois de tão, tal, tanto, tamanho, claros ou ocultos), de sorte que, de maneira que, de modo que, de forma que. Ex.: Falou tão alto que acordou o vizinho. Gritava que era uma barbaridade. (Gritava tanto...) Eu lhe expliquei tudo, de modo que _não há motivos para discussão.
  3. Proporcionais:_ começam orações que estabelecem uma proporção. Principais conjunções: à proporção que, à medida que, ao passo que, quanto (em correlações do tipo quanto mais...mais, quanto menos...menos, quanto mais...menos, quanto menos...mais, quanto maior...maior, quanto menor...menor).

Observações finais a) Apesar de e em que pese a são locuções prepositivas com valor de concessão. Ligam palavras dentro de uma mesma oração ou introduzem orações reduzidas de infinitivo. Ex.: Apesar do aviso de perigo, ele resolveu escalar a montanha. Apesar de ventar muito, fomos para a pracinha. Em que pese a vários pedidos do gerente, o caixa não fez serão. Em que pese a ter treinado bem, foi colocado na reserva. b) Algumas conjunções coordenativas às vezes ligam palavras dentro de uma mesma oração. Ex. Carlos e Rodrigo são irmãos. Não encontrei Sérgio nem Regina. Comprarei uma casa ou um apartamento. Casos especiais Você deve ter percebido que algumas conjunções têm valores semânticos diversos. Vamos destacar algumas abaixo. A classificação de suas orações depende disso, porém o mais importante é o sentido da frase. Mas a) Coordenativa adversativa Ex.: Pediu, mas ninguém atendeu. b) Coordenativa aditiva (seguida de também; eqüivale a como) Ex.: Não só dá aulas, mas também escreve. (= Dá aulas e escreve) a) Coordenativa aditiva Ex.: Voltou e brincou com o cachorro. b) Coordenativa adversativa Ex.: Leu o livro, e não entendeu nada. (= mas) Pois a) Coordenativa conclusiva Ex.: Trabalhou a tarde inteira; estava, pois, esgotado. (= portanto) b) Coordenativa explicativa Ex.: Traga o jornal, pois eu quero ler.

c) Subordinativa causal Ex.: A planta secou pois não foi regada. Como a) Coordenativa aditiva Ex.: Tanto ria como chorava. (= Ria e chorava) b) Subordinativa causal Ex.: Como passou mal, desistiu do passeio. (= Porque) c) Subordinativa comparativa Ex.: Era alto como um poste. (= que nem) d) Subordinativa conformativa Ex.: Alterei a programação, como o chefe determinara. (= conforme) Porque a) Coordenativa explicativa Ex.: Não faça perguntas, porque ele ficará zangado. b) Subordinativa causal Ex.: As frutas caíram porque estavam maduras. c) Subordinativa final Ex.: Porque meu filho fosse feliz, fui para outra cidade. (= para que) Uma vez que a) Subordinativa causal Ex.: Fiz aquela declaração uma vez que estava sendo pressionado. (= porque) b) Subordinativa condicional Ex.: Uma vez que mude de hábitos, poderá ser aceito no grupo. (= Se mudar de hábitos) Se a) Subordinativa condicional Ex.: Se forem discretos, agradarão a todos. (= Caso sejam discretos) b) Subordinativa integrante Ex.: Diga-me se está na hora.