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Forma Canônica de Jordan, Notas de aula de Matemática

Estudo da forma canônica de Jordan

Tipologia: Notas de aula

2020

Compartilhado em 21/01/2020

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bg1
A forma canˆonica de Jordan
1 Matrizes e espa¸cos vetoriais
Defini¸ao: Sejam AeBmatrizes quadradas de orden nsobre um corpo arbitr´ario X. Dizemos que
A´e semelhante a Bem X(AB) se existe uma matriz invert´ıvel P, em X, tal que A=P BP 1.
Proposi¸ao 1: ´e uma rela¸ao de equivalˆencia.
Demonstra¸ao:
Sejam A,BeCmatrizes quadradas de ordem n.
(i) AA. Pois A=IAI , onde I ´e a matriz identidade de ordem n.
(ii) ABBA. De fato, ABA=P B P 1, para alguma matriz invert´ıvel
PB=P1AP = (P1)A(P1)1BA.
(iii) ABeAC, ent˜ao AC. Por hip´otese, existem matrizes invert´ıveis PeQtais que
A=P BP 1,B=QCQ1A=P(QCQ1)P1= (P Q)C(P Q)1.
cqd.
Defini¸ao: Uma matriz quadrada A´e diagonaliz´avel se A´e semelhante a uma matriz diagonal.
Proposi¸ao 2: Seja kum corpo e seja AMn(k).Ent˜ao, A´e diagonaliz´avel se e somente se
knpossui uma base formada por auto-vetores de A.
Demonstra¸ao:
Suponha que B={v1, v2, ..., vn}´e uma base de knformada por auto-vetores de A, isto ´e:
Avi=λivi, i = 1,2, ..., n, para certos escalares λiem k.
Seja P, a matriz cuja i-´esima coluna ´e o vetor coluna vi,i= 1,2, ..., n. Como {v1, v2, ..., vn}´e l.i. ,
temos que det(P)6= 0 P´e invert´ıvel. Ent˜ao:
P1AP =P1[Av1Av2... Avn] = P1[λ1v1λ2v2... λnvn] = P1[v1v2... vn]
| {z }
P
Λ , onde
Λ =
λ10. . . 0
0λ2. . . 0
.
.
..
.
.....
.
.
0 0 . . . λn
. Logo, P1AP = Λ A´e diagonaliz´avel.
Por outro lado, se A´e diagonaliz´avel e λ1, λ2, ..., λnao os auto-valores de A, ent˜ao P1AP = Λ,
para alguma matriz invert´ıvel P, onde Λ ´e a matriz descrita acima. Portanto, AP =PΛ.
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A forma canˆonica de Jordan

1 Matrizes e espa¸cos vetoriais

Defini¸c˜ao: Sejam A e B matrizes quadradas de orden n sobre um corpo arbitr´ario X. Dizemos que

A ´e semelhante a B em X (A ∼ B) se existe uma matriz invert´ıvel P , em X, tal que A = P BP

− 1 .

Proposi¸c˜ao 1: ∼ ´e uma rela¸c˜ao de equivalˆencia.

Demonstra¸c˜ao:

Sejam A, B e C matrizes quadradas de ordem n.

(i) A ∼ A. Pois A = IAI , onde I ´e a matriz identidade de ordem n.

(ii) A ∼ B ⇒ B ∼ A. De fato, A ∼ B ⇒ A = P BP

− 1 , para alguma matriz invert´ıvel

P ⇒ B = P

− 1 AP = (P

− 1 )A(P

− 1 )

− 1 ⇒ B ∼ A.

(iii) A ∼ B e A ∼ C, ent˜ao A ∼ C. Por hip´otese, existem matrizes invert´ıveis P e Q tais que

A = P BP

− 1 , B = QCQ

− 1 ⇒ A = P (QCQ

− 1 )P

− 1 = (P Q)C(P Q)

− 1 .

cqd.

Defini¸c˜ao: Uma matriz quadrada A ´e diagonaliz´avel se A ´e semelhante a uma matriz diagonal.

Proposi¸c˜ao 2: Seja k um corpo e seja A ∈ Mn(k). Ent˜ao, A ´e diagonaliz´avel se e somente se

k

n possui uma base formada por auto-vetores de A.

Demonstra¸c˜ao:

Suponha que B = {v 1 , v 2 , ..., vn} ´e uma base de k

n formada por auto-vetores de A, isto ´e:

Avi = λivi, i = 1, 2 , ..., n, para certos escalares λi em k.

Seja P , a matriz cuja i-´esima coluna ´e o vetor coluna vi, i = 1, 2 , ..., n. Como {v 1 , v 2 , ..., vn} ´e l.i. ,

temos que det(P ) 6 = 0 ⇒ P ´e invert´ıvel. Ent˜ao:

P

− 1 AP = P

− 1 [Av 1 Av 2 ... Avn] = P

− 1 [λ 1 v 1 λ 2 v 2 ... λnvn] = P

− 1 [v 1 v 2 ... vn] ︸ ︷︷ ︸ P

Λ , onde

λ 1 0... 0

0 λ 2... 0

. . .

0 0... λn

. Logo, P

− 1 AP = Λ ⇒ A ´e diagonaliz´avel.

Por outro lado, se A ´e diagonaliz´avel e λ 1 , λ 2 , ..., λn s˜ao os auto-valores de A, ent˜ao P

− 1 AP = Λ,

para alguma matriz invert´ıvel P , onde Λ ´e a matriz descrita acima. Portanto, AP = P Λ.

Suponha que P = [v 1 v 2 ... vn] , onde vi ´e a i-´esima coluna de P (i = 1, 2 , ..., n).

Temos que vi ´e um vetor coluna de k

n ∀ i ∈ { 1 , 2 , ..., n} e, como P ´e invert´ıvel, segue que

B = {v 1 , v 2 , ..., vn} ´e l.i. ⇒ B ´e uma base de k

n .

Ent˜ao,

AP = A[v 1 v 2 ... vn] = [v 1 v 2 ... vn] Λ = [λ 1 v 1 λ 2 v 2 ... λnvn] ⇒ Avi = λivi ∀ i ∈ { 1 , 2 , ..., n} ⇒ B ´e

formada por auto-vetores de A.

cqd.

Proposi¸c˜ao 3: Seja A ∈ Mn(k). Se A possui n auto-valores, todos distintos, ent˜ao A ´e diago-

naliz´avel.

Demonstra¸c˜ao:

Suponha que λ 1 , λ 2 , ... λn s˜ao os auto-valores de A, com λi 6 = λj , para i 6 = j. Para cada

i ∈ { 1 , 2 , ..., n}, seja vi um auto-vetor associado ao auto-valor λi, isto ´e: Avi = λivi, i = 1, 2 , ..., n.

Pela Proposi¸c˜ao 2, basta mostrar que B = {v 1 , v 2 , ..., vn} ´e uma base de k

n , ou seja, que B ´e

um conjunto l.i.

Suponha, por absurdo, que B ´e l.d.

Ent˜ao, existem escalares α 1 , α 2 , ...αn, em k, n˜ao todos nulos, tais que α 1 v 1 + α 2 v 2 + ... + αnvn = 0.

Reindexando os vetores vi, podemos supor que

∑s

i=

αivi = 0, onde 1 ≤ s ≤ n e αi 6 = 0 ∀ i ∈

{ 1 , 2 , ..., s}. Seja w o menor inteiro com essa propriedade, ou seja,

∑w

i=

αivi = 0, com αi 6 = 0 e, se

j < w, ent˜ao

∑j

i=

αivi 6 = 0.

Temos que A

∑w

i=

αivi =

∑w

i=

A(αivi) =

∑w

i=

αi(Avi) =

∑w

i=

αiλivi = 0.

Al´em disso,

∑w

i=

αivi = 0 ⇒ λw(

∑w

i=

αivi) = 0 ⇒

∑w

i=

λwαivi = 0.

Portanto,

∑w

i=

αiλivi −

∑w

i=

λwαivi = 0 =⇒

w∑− 1

i=

αi (λi − λw)vi = 0, o que contradiz a

minimalidade de w, pois αi (λi − λw) 6 = 0 ∀ i = 1, 2 , ..., n. Logo, B ´e l.i. ⇒ A ´e diagonaliz´avel.

cqd.

Exerc´ıcio: Mostre que: se A ∈ Mn(k) ´e diagonaliz´avel e PA(x) = det(xI − A) ent˜ao PA(A) = 0.

Resolu¸c˜ao:

A ´e diagonaliz´avel ⇒ existe uma matriz Λ =

λ 1 0... 0

0 λ 2... 0

. . .

0 0... λn

tal que A ∼ Λ, ou seja:

existe P ∈ Mn(k), uma matriz invert´ıvel, tal que A = P ΛP

− 1 .

Afirma¸c˜ao 1: PA(A) = 0 ⇔ PA(Λ) = 0.

Prova: Suponha que P (x) = a 0 + a 1 x + ... + anx

n

. temos que:

PA(A) = 0 ⇔ a 0 I + a 1 A + ... + anA

n = 0.

a) V = ker(ϕ − λ 1 I)

n 1 ⊕ ker(ϕ − λ 2 I)

n 2 ⊕ · · · ⊕ ker(ϕ − λsI)

ns .

b) Vi = ker(ϕ − λiI)

ni ´e invariante sobre ϕ, ou seja: ϕ(Vi) ⊆ Vi ∀ i = 1, 2 , ..., s.

Demonstra¸c˜ao:

Afirma¸c˜ao: ∃ i ∈ { 1 , 2 , ..., s} tal que ker(ϕ − λiI)

ni (^6) = { 0 }.

Prova: Suponha, por absurdo, que ker(ϕ − λj I)

nj = { 0 } ∀ j ∈ { 1 , 2 , ..., s}.

Ent˜ao, (ϕ − λj I)

nj : V → V ´e invert´ıvel ∀ j ∈ { 1 , 2 , ..., s}. Portanto,

P (ϕ) = (ϕ − λ 1 I)

n 1 ◦ (ϕ − λ 2 I)

n 2 ◦ ... ◦ (ϕ − λsI)

ns ´e uma composi¸c˜ao de operadores invert´ıveis

⇒ P (ϕ) ´e invert´ıvel (o que ´e um absurdo, pois P (ϕ) = 0).

Portanto, ∃ i ∈ { 1 , 2 , ..., s} tal que ker(ϕ − λiI)

ni (^6) = { 0 }.

Suponha, sem perda de generalidade, que ker(ϕ − λ 1 I)

n 1 (^6) = { 0 }.

Sejam f (x) = (x − λ 1 )

n 1 , g(x) = (x − λ 2 )

n 2 ...(x − λs)

ns ∈ k[x].

Temos que mdc(f (x), g(x)) = 1. Logo, pelo teorema de B´ezout, Existem A(x) , B(x) ∈ k[x]

tais que A(x)f (x) + b(x)g(x) = 1 ⇒ A(ϕ)f (ϕ) + B(ϕ)g(ϕ) = I. Portanto, v = I(v) =

A(ϕ)(f (ϕ)(v)) + b(ϕ)(g(ϕ)(v)) ∀ v ∈ V.

Se v ∈ ker f (ϕ) ⇒ A(ϕ)(f (ϕ)(v)) = A(ϕ)(0) = 0 ⇒ v = b(ϕ)(g(ϕ)(v)) = g(ϕ)(b(ϕ)(v)) ⇒

v ∈ Im g(ϕ). Por outro lado, se v ∈ Im g(ϕ) ⇒ ∃ w ∈ V tal que v = g(ϕ)(w) ⇒ f (ϕ)(v) =

f (ϕ)(g(ϕ)(w)) = P (ϕ)(w) = 0 ⇒ v ∈ ker P (ϕ).

Logo, Im g(ϕ) = ker f (ϕ) e, analogamente, Im f (ϕ) = ker g(ϕ).

Se dim V = 1, temos que ker (ϕ − λ 1 I)

n 1 (^6) = { 0 } ⇒ ∃ v ∈ V, v 6 = 0, tal que (ϕ − λiI) ni (v) = 0.

Mas {v} ´e uma base de V (pois dim V = 1) ⇒ (ϕ − λ 1 I)

n 1 ≡ 0 ⇒ V = ker(ϕ − λ 1 I)

n 1

ker f (ϕ) = Im g(ϕ).

⇒ g(ϕ) = (ϕ − λ 2 )

n 2 ◦ (ϕ − λ 3 )

n 3 ◦ ... ◦ (ϕ − λs)

ns ´e invert´ıvel ⇒ (ϕ − λi)

ni ´e invert´ıvel

∀ i ∈ { 2 , 3 , ..., s}. Logo, ker(ϕ − λiI)

ni = { 0 } ∀ i ∈ { 2 , 3 , ..., s} e, portanto, temos que V =

ker(ϕ − λ 1 I)

n 1 ⊕ ker(ϕ − λ 2 I)

n 2 ⊕ ... ⊕ ker(ϕ − λsI)

ns

. Al´em disso,

ϕ(V 1 ) = ϕ(ker(ϕ − λ 1 I)

n 1 ) = ϕ(V ) ⊆ V = V 1 e, portanto, o teorema est´a provado.

Suponha, agora, que dim V = n > 1 e que o teorema ´e v´alido para espa¸cos de dimens˜ao menor

do que n.

Vimos que A(ϕ)f (ϕ) + b(ϕ)g(ϕ) = I ⇒ V = I(V ) = f (ϕ)(A(ϕ)(V )) + g(ϕ)(B(ϕ)(V )) ⇒ V =

Im f (ϕ) + Im g(ϕ).

Como Im f (ϕ) = ker g(ϕ), segue que V = ker g(ϕ)) + Im g(ϕ) e, como dim V = dim ker g(ϕ) +

dim Im g(ϕ), segue que V = ker g(ϕ) ⊕ Im g(ϕ) ⇒ V = ker f (ϕ) ⊕ ker g(ϕ).

Temos que ϕ(V ) ⊆ V ⇒ f (ϕ)(ϕ(V )) ⊆ f (ϕ)(V ) ⇒ ϕ(f (ϕ)(V )) ⊆ f (ϕ)(V ) ⇒

ϕ(Im f (ϕ)) ⊆ Im f (ϕ) ⇒ ϕ(ker(g(ϕ))) ⊆ ker(g(ϕ)). Analogamente, conclui-se que ϕ(ker f (ϕ)) ⊆

ker f (ϕ).

Temos, ainda, que dim ker g(ϕ) < n, pois dim ker f (ϕ) 6 = 0. Logo, se considerarmos a restri¸c˜ao

ϕ

′ = ϕ| : ker g(ϕ) → ker g(ϕ), temos que g(ϕ

′ ) = 0. Portanto, pela hip´otese de indu¸c˜ao, segue que

ker g(ϕ) = ker(ϕ − λ 2 I)

n 2 ⊕ ... ⊕ ker(ϕ − λsI)

ns e ϕ(ker(ϕ − λi)

ni ) ⊆ ker(ϕ − λi)

ni ∀ i ∈ { 2 , ..., s}.

Logo, V = V 1 ⊕ V 2 ⊕ ... ⊕ Vs e ϕ(Vi) ⊆ Vi ∀ i = 1, 2 , ..., s, onde Vi = ker(ϕ − λiI)

ni (o que conclui a

demonstra¸c˜ao do teorema). cqd.

Observa¸c˜ao: Se ker (ϕ − λiI)

ni (^6) = { 0 }, ent˜ao existe v ∈ V tal que (ϕ − λiI) ni (v) = 0. Podemos

tomar p, o expoente m´ınimo para o qual (ϕ − λiI)

p (v) = 0.

E claro que^ ´ p ≥ 1. Portanto, podemos considerar v′^ = (ϕ − λ iI)

p− 1 (v) 6 = 0.

Note que (ϕ − λiI)(v

′ ) = ϕ(v

′ ) − λiv

′ = 0 ⇒ ϕ(v

′ ) = λiv

′ ⇒ λi ´e auto-valor de ϕ.

Portanto, os poss´ıveis polinˆomios P (x) tais que P (ϕ) = 0 s˜ao da forma

P (x) = (x−λ 1 )

n 1 (x−λ 2 )

n 2 ...(x−λt)

nt g(x), onde g(x) ∈ k[x] e λ 1 , λ 2 ,... , λt s˜ao os auto-valores de ϕ.

2 Formas de Jordan

Sejam k, um corpo algebricamente fechado, e V , um espa¸co vetorial de dimens˜ao n sobre k.

Defini¸c˜ao: Um bloco de Jordan Js(λ) ´e uma matriz em Ms(k) dada por:

Js(λ) =

λ 1 0... 0

0 λ 1... 0

. . .

0 0 0... λ

, ou seja: (Js(λ))ij =

λ, se i = j.

1 , se j = i + 1.

0 , caso contr´ario.

Defini¸c˜ao: Uma matriz J ∈ Mn(k) ´e uma matriz de Jordan se J ´e formada por blocos de Jordan

Jn 1 (λ 1 ), Jn 2 (λ 2 ), ..., Jns (λs), colocados sob forma diagonal da seguinte forma:

J =

Jn 1 (λ 1 ) 0... 0

0 Jn 2 (λ 2 )... 0

. . .

0 0... Jns (λs)

J tamb´em ´e denotada por Jn 1 (λ 1 ) ⊕ Jn 2 (λ 2 ) ⊕ ... ⊕ Jns (λs) =

⊕s

i=

Jni.

Teorema 3: Seja ϕ : V → V , um operador linear nilpotente ( isto ´e: existe p ∈ N tal que

ϕ

p ≡ 0). Ent˜ao, existe uma base B, de V , tal que a matriz de ϕ, com rela¸c˜ao `a base B, ´e dada por:

[ϕ]B = Jn 1 (0) ⊕ Jn 2 (0) ⊕ ... ⊕ Jns (0), para certos naturais ni.

Demonstra¸c˜ao:

Suponha que o ´ındice de nilpotˆencia de ϕ seja s + 1, ou seja: ϕ

s+ = 0 e ϕ

s 6 = 0. Temos que

ϕ(V ) ⊇ ϕ

2 (V ) ⊇ ... ⊇ ϕ

s (V ).

Seja V 0 = ker ϕ e, para 1 ≤ i ≤ s, seja Vi = ker ϕ ∩ ϕ

i (V ). Observe que Vi ´e subespa¸co de

V ∀ i ∈ { 0 , 1 , ..., s} e Vo ⊇ V 1 ⊇ ... ⊇ Vs.

Seja Bs = {es, 1 , es, 2 , ..., es,ns } uma base de Vs e, para 0 < q ≤ s, seja

Bq− 1 = Bq ∪ {eq− 1 , 1 , eq− 1 , 2 , ..., eq− 1 ,nq− 1 } uma base de Vq− 1.

Ent˜ao, B 0 = {ei,m : 0 ≤ i ≤ s, 1 ≤ m ≤ ni} ´e base de V 0.

Para cada par (i, m), temos que ei,m ∈ Vi ⇒ ei,m ∈ ϕ

i (V ) ⇒ ∃ fi,m ∈ V tal que ϕ

i (fi,m) = ei,m.

Ent˜ao, X = Z + W ∈ 〈B

∗ i+1〉^ ⇒^ ker^ ϕ

i+ ´e gerado por B

∗ i+1.

Para concluirmos a demonstra¸c˜ao do Lema, resta mostrar que B

∗ i+1 ´e l.i.

Suponha que

∑s

j=

nj ∑

m=

∑^ j

t=u

μj,m,t ϕ

t (fj,m) = 0, onde u = m´ax{ 0 , j − i + 1}.

Considere a seguinte identifica¸c˜ao: Para cada j, m, t ,

ϕ

t (fj,m) ≡ vj,m,q

μj,m,t ≡ αj,m,q

onde q = j − t =⇒ 0 ≤ q ≤ s

Ent˜ao, pela identifica¸c˜ao acima, podemos escrever:

∑s

q=

∑^ s

j=

nj ∑

m=

αj,m,t vj,m,q = 0.

Para cada w = 1, 2 , ..., s, temos:

∑w

q=

∑^ s

j=

nj ∑

m=

αj,m,q vj,m,q = 0 ⇒ ϕ

w (

∑w

q=

∑^ s

j=

nj ∑

m=

αj,m,t vj,m,q) = 0.

∑w

q=

∑^ s

j=

∑^ nj

m=

αj,m,q ϕ

w (vj,m,q) = 0. Por´em, ϕ

w (vj,m,q) 6 = 0 ⇒ ϕ

w (ϕ

j−q (fj,m)) 6 = 0

⇒ j ≥ j − q + w ⇒ q ≥ w ⇒ q = w. Logo,

∑s

j=

nj ∑

m=

αj,m,w ϕ

w (vj,m,w) ︸ ︷︷ ︸ ej,m

⇒ αj,m,w = 0 ∀ j, m, pois {ej,m : 0 ≤ j ≤ s , 1 ≤ m ≤ nj } ´e l.i.

Ent˜ao, temos que

w∑− 1

q=

∑^ s

j=

nj ∑

m=

αj,m,qvj,m,q = 0. Aplicando esse procedimento para

w = s , s − 1 , ..., 1 , 0, nessa ordem, obtemos αj,m,q = 0 ∀ j, m, q ⇒ μj,m,t = 0 ∀ j, m, t

⇒ B

∗ i+1 ´e l.i.^ , o que conclui o^ Lema.

Em particular, para i = s, temos que ker ϕ

i+ = V =⇒ B

∗ s+1 ´e base de^ V^. Temos que

B

∗ s+1 =^ {ϕ

t (fj,m) : 0 ≤ j ≤ s , 1 ≤ m ≤ nj e m´ax{ 0 , j − s} ≤ t ≤ j }, ou seja:

B

∗ s+1 =^ {ϕ

t (fj,m) : 0 ≤ j ≤ s , 1 ≤ m ≤ nj e 0 ≤ t ≤ j }.

Considere B, o conjunto B

∗ i+1, ordenado da seguinte forma:

Sejam ϕ

t 1 (fj 1 ,m 1 ), ϕ

t 2 (fj 2 ,m 2 ) ∈ B

∗ i+1 e sejam^ P^ (j^1 , m^1 , t^1 )^ , P^ (j^2 , m^2 , t^2 ) as posi¸c˜oes ocupadas por

ϕ

t 1 (fj 1 ,m 1 ), ϕ

t 2 (fj 2 ,m 2 ) em B respectivamente.

  • Se j 1 > j 2 , ent˜ao P (j 1 , m 1 , t 1 ) > P (j 2 , m 2 , t 2 )
  • Se j 1 = j 2 e m 1 > m 2 , ent˜ao P (j 1 , m 1 , t 1 ) > P (j 2 , m 2 , t 2 )
  • Se j 1 = j 2 e m 1 = m 2 e t 1 > t 2 , ent˜ao P (j 1 , m 1 , t 1 ) < P (j 2 , m 2 , t 2 )

Dessa forma, obtemos a seguinte seq¨uˆencia de vetores:

f 0 , 1 , f 0 , 2 ,... , f 0 ,n 0 , ϕ(f 1 , 1 ) , f 1 , 1 , ϕ(f 1 , 2 ) , f 1 , 2 ,... , ϕ(f 1 ,n 1 ) , f 1 ,n 1 , ϕ

2 (f 2 , 1 ) , ϕ(f 2 , 1 ) , f 2 , 1 ,

ϕ

2 (f 2 , 2 ) , ϕ(f 2 , 2 ) , f 2 , 2 ,... , ϕ

2 (f 2 ,n 2 ) , ϕ(f 2 ,n 2 ) , f 2 ,n 2 ,...

, ϕ

s (fs, 1 ) , ϕ

s− 1 (fs, 1 ) ,... , ϕ(fs, 1 ) , fs, 1 , ϕ

s (fs, 2 ) , ϕ

s− 1 (fs, 2 ) ,... , ϕ(fs, 2 ) , fs, 2...

, ϕ

s (fs,ns ) , ϕ

s− 1 (fs,ns ) ,... , ϕ(fs,ns ) , fs,ns

Afirma¸c˜ao: [ϕ]B =

⊕s

i=

⊕ni

m=

Ji(0)). Basta notar que, para cada par j, m a seq¨uˆencia

ϕ

j (fj,m) , ϕ

j− 1 (fj,m) ,... , , ϕ(fj,m) , fj,m determina um bloco de Jordan Jj (0) na matriz [ϕ]B.

Um outro fato que podemos concluir ´e que o n´umero de blocos de Jordan da matriz [ϕ]B ´e dado

por n 0 + n 1 + · · · + ns = dim ker ϕ.

Com isso, conclu´ımos a demonstra¸c˜ao do teorema.

cqd.

Teorema 4(Forma de Jordan): Seja V um espa¸co vetorial de dimens˜ao finita n e seja ϕ : V → V ,

um operador linear. Ent˜ao existe uma base B de V tal que [ϕ]B ´e uma matriz de Jordan.

Demonstra¸c˜ao:

Pela observa¸c˜ao do Teorema 2 , existe um polinˆomio P (x) = (x − λ 1 )

n 1 (x − λ 2 )

n 2 ...(x − λs)

ns

tal que P (ϕ) = 0, onde λ 1 , λ 2 ,... , λs s˜ao os auto-valores de ϕ.

Pelo Teorema 2, temos que V = V 1 ⊕ V 2 ⊕ · · · ⊕ Vs , onde Vi = ker(ϕ − λiI)

ni e

ϕ(Vi) ⊆ Vi ∀ i = 1, 2 , ..., s. Portanto, se Bi ´e base de Vi, temos que B =

⋃s

i=

Bi ´e base de V.

Como ϕ(Vi) ⊆ Vi ∀ i = 1, 2 , ..., s, a matriz de [ϕ]B ´e da forma A 1 ⊕ A 2 ⊕ · · · ⊕ As, onde

Ai = [ϕi]Bi ´e a matriz de ϕi = ϕ|Vi : Vi → Vi , na base Bi. Al´em disso, para cada i = 1, 2 , ..., s,

o operador ϕ − λiI ´e nilpotente (Pois (ϕ − λ 1 I)

n 1 = 0). Portanto, pelo teorema 3, podemos escolher,

para cada i, uma base B

′ i, de^ Vi, tal que^ [ϕi^ −^ λiI]B′ i =^ Ji,^1 (0)^ ⊕^ Ji,^2 (0)^ ⊕^ ...^ ⊕^ Ji,ni (0)^ =⇒

[ϕi]B′ i

= Ji, 1 (λi) ⊕ Ji, 2 (λi) ⊕ ... ⊕ Ji,ni (λi).

Portanto, tomando B

⋃s

i=

B

′ i, teremos^ [ϕ]B′^ =^

⊕s

i=

⊕ni

m=

Ji,m(λi)).

cqd.

Exerc´ıcio: Encontre uma matriz de Jordan para a matriz complexa

A =

Por ”uma matriz de Jordan para a matriz A”entenda-se:

uma matriz de Jordan semelhante `a A.

[(ϕ − 2 I)

3 ]can =

(ϕ − 2 I)

3 (V 1 ) possui uma base

cujo ´unico elemento ´e:

g

3 (w 3 ) = (0, 0 , 0 , 0 , − 9 / 10 , − 3 /10)

Portanto, uma base para D 3 ´e B

′ 3 =^ {(0,^0 ,^0 ,^0 ,^ −^9 /^10 ,^ −^3 /10)}^ =^ {g

3 (w 3 )}.

[(ϕ − 2 I)

2 ]can =

(ϕ − 2 I)

2 (V 1 ) possui uma

base cujos elementos s~ao:

g

2 (w 1 ) = (0, 0 , 0 , − 6 / 10 , 1 , 4 /10)

g

2 (w 2 ) = (0, 0 , 0 , − 9 / 10 , 0 , 1 /10)

Portanto, uma base para D 2 ´e B

′ 2 =^ {(0,^0 ,^0 ,^0 ,^ −^9 /^10 ,^ −^3 /10)}^ =⇒^ D^2 =^ D^3.

[ϕ − 2 I]can =

(ϕ − 2 I)(V 1 ) possui uma base cujos

elementos s~ao:

g(w 1 ) = (0, − 6 / 10 , 6 / 10 , 1 , 4 / 10 , 0)

g(w 3 ) = (0, − 9 / 10 , 9 / 10 , 0 , 1 / 10 , 0)

g(w 4 ) = (0, 27 / 10 , − 27 / 10 , 0 , 27 / 10 , 1)

Logo, uma base para D 1 ´e B

′ 1 =^ {(0,^0 ,^0 ,^0 ,^ −^9 /^10 ,^ −^3 /10)}^ =^ {g

3 (w 3 )}.

Portanto, {(0, 0 , 1 , − 1 , 0 , 0) , g

3 (w 3 )} ´e base de D 0.

Pelo Teorema 3, temos que B = {(0, 0 , 1 , − 1 , 0 , 0), g

3 (w 3 ), g

2 (w 3 ), g(w 3 ), w 3 )} ´e base de V 1 e

[ϕ − 2 I]B ´e uma matriz de Jordan.

Segue que [ϕ|V 1 ]B =

Para o espa¸co V 2 , temos que [ϕ|V 2 ]B 2 = [−1]

Portanto, tomando B

∗ = B ∪ B 2 , obtemos [ϕ]B∗ =

Defini¸c˜ao: Seja A ∈ Mn(k). O espectro de A ´e o conjunto cujos elementos s˜ao os auto-valores de

A e ´e denotado por Spec A.

Teorema 5: Seja A ∈ Mn(k) e seja J uma matriz de Jordan de A. Ent˜ao J ´e ´unica, a menos de

permuta¸c˜oes de seus blocos.

Demonstra¸c˜ao:

Seja v(λ, s) o n´umero de blocos Js(λ) que aparecem em J e, para cada t ∈ N , seja r(λ, t) o

posto da matriz (A − λI)

t , com λ ∈ Spec A.

Temos que J =

λ ∈ Spec A

s

v(λ, s)Js(λ)) , para determinados valores de s.

Vamos calcular r(λ, t) , t ∈ N.

Seja pt (M ), o posto da matriz M ∈ Mn(k). Como o posto de matrizes semelhantes ´e o mesmo,

para calcular r(λ, t), basta calcular pt ((J − λI)

t ).

Temos que pt ((J − λI)

t ) =

μ ∈ Spec A

s

v(μ, s) pt (Js(μ − λ)

t ).

Para cada s, temos que:

  • Se μ 6 = λ, como Js(μ − λ) ´e uma matriz triangular, ent˜ao det Js(μ − λ) = (μ − λ)

s 6 = 0.

Como det B 1 ∗ B 2 = det B 1 ∗ det B 2 ∀ B 1 , B 2 ∈ Mn(k), segue que det Js(μ − λ)

t 6 = 0 ⇒

Js(μ − λ)

t ´e invert´ıvel ⇒ pt (Js(μ − λ)

t ) = s.

  • Se μ = λ e t < s ⇒ pt (Js(μ − λ)

t ) = s − t.

  • Se μ = λ e t ≥ s ⇒ pt (Js(μ − λ)

t ) = 0.

Resumindo:

pt (Js(μ − λ)

t ) =

s, se μ 6 = λ.

s − t, se μ = λ e s > t.

0 , se μ = λ e s ≤ t.

Obs: A proposi¸c˜ao acima tamb´em ´e v´alida para t = 0.

Para t ≥ 1, temos, portanto, que:

pt (Js(μ − λ)

t− 1 ) − pt (Js(μ − λ)

t ) =

0 , se μ 6 = λ.

1 , se μ = λ e s ≥ t

0 , se μ = λ e s < t

Portanto, r(λ, t − 1) − r(λ, t) =

μ∈ Spec A

s

v(μ, s) [pt (Js(μ − λ))

t− 1 − pt (Js(μ − λ))

t ] =

(A − 3 I)

2

⇒ r(3, 2) = 2

Temos que r(3, 0) = 4.

Portanto, v(3, 1) = 2 − 2 ∗ 2 + 4 = 2

Logo, a forma de Jordan de A ´e J =

Teorema 6(Cayley-Hamilton): Seja A ∈ Mn(k) e seja PA(x), o seu polinˆomio caracter´ıstico.

Ent˜ao, PA(A) = 0.

Demonstra¸c˜ao:

Seja J a Forma de Jordan de A e seja T tal que T AT

− 1 = J.

Temos que PA(A) = PA(T JT

− 1 ) = T (PA(J))T

− 1 .

Logo, PA(A) = 0 ⇔ PA(J) = 0. Como PA(x) = PJ (x), basta mostrar que PJ (J) = 0.

Suponha que Jn(λ) ´e um dos blocos de J. Devido `as considera¸c˜oes feitas na demonstra¸c˜ao do

Teorema 5, podemos supor que J = Jn(λ) ⊕ M , onde M tamb´em ´e uma matriz de jordan.

Note que PJ (J) = PJ (Jn(λ)) ⊕ PJ (M ) e que PJ (x) = PJn(λ)(x)×PM (x).

Logo, PJ (Jn(λ)) = PJn(λ)(Jn(λ))×PM (Jn(λ)). Por´em,

PJn(λ)(x) = (x − λ)

n ⇒ PJn(λ)(Jn(λ)) = (Jn(λ) − λI)

n = 0 =⇒ PJ (Jn(λ)) = 0.

Portanto, PJ (Jn(λ)) = 0, para todo bloco Jn(λ), de J =⇒ PJ (J) = 0, o que conclui o teorema.

cqd.

Bibliografia:

PE NA, Jos´˜ e Antonio de. Algebra lineal avanzada´. M´exico, DF : Universidad Nacional Aut´onoma

de M´exico : Fondo de Cultura Econ´omica, 1996.