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Informações sobre o programa de saúde em agricultura familiar (prosaf), que busca promover uma agricultura familiar mais eficiente, inovadora e solidária. Além disso, o texto aborda a relação entre formigas-cortadeiras e vegetais, as preferências dessas formigas pelas plantas e as consequências da interação entre elas. O documento também discute as características dos ninhos de formigas-cortadeiras e as técnicas de controle dessas espécies.
Tipologia: Notas de aula
Compartilhado em 07/11/2022
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PESQUISADORES CIENTÍFICOS - INSTITUTO BIOLÓGICO
COORDENAÇÃO:
PESQUISADORA CIENTÍFICA - INSTITUTO BIOLÓGICO
PESQUISADORES CIENTÍFICOS - INSTITUTO BIOLÓGICO
FORMIGAS‐CORTADEIRAS
Ana Eugênia de Carvalho Campos Francisco José Zorzenon
Unidade Laboratorial de Referência em Pragas Urbanas Instituto Biológico
As formigas‐cortadeiras cortam e transportam vegetais diversos para dentro de seus ninhos, sendo as saúvas (gênero Atta ) e quenquéns (gênero Acromyrmex ) as representantes deste grupo de insetos com hábitos tão particulares. Os fragmentos dos vegetais são utilizados para a produção de fungos da Ordem Agaricales, tribo Leucocoprini, como a espécie Leucoagaricus gongylophorus , que serve de alimento para as formas jovens e adultas (Fig. 1).
Estão distribuídas por todo o país e podem ocorrer tanto na área rural quanto no meio urbano. Nas cidades elas cortam plantas de jardins, pomares, praças e parques. Na área rural, causam danos em diferentes culturas, podendo ser um empecilho para o início de uma nova plantação, uma vez que muitas plantas morrem após o corte, especialmente quando são atacadas enquanto mudas.
As formigas‐cortadeiras são seletivas, de modo que algumas espécies de vegetais não são cortadas. Elas dão preferência pelo corte de plantas exóticas e existem algumas hipóteses para explicar a preferência ou rejeição de algumas plantas pelas formigas‐cortadeiras (DELLA L UCIA & OLIVEIRA, 1993). São elas:
a) presença ou ausência de compostos secundários que são substâncias químicas presentes na planta que servem para protegê‐la da herbivoria. Estas substâncias são tóxicas às formigas e/ou ao seu fungo simbiôntico;
b) presença dos compostos secundários que reduzem a digestibilidade do material vegetal pelas formigas e/ou pelo fungo (F EENY , 1970);
c) presença de nutrientes nas folhas, tais como proteínas, carboidratos, lipídios e esteróides que suprem as necessidades nutricionais do fungo e das formigas (H OWARD, 1987);
d) propriedades mecânicas ou físicas das plantas, como espessura das folhas, densidade dos pelos (tricomas), seiva grossa como o látex e dureza, que interferem, sobretudo, no corte das folhas novas em relação às velhas (H OWARD, 1988);
e) o teor de umidade, ou seja, a quantidade de água nos vegetais. No Brasil ocorrem nove espécies de saúvas e 21 espécies de quenquéns, sendo que a distribuição de algumas delas restringe‐se apenas a alguns Estados. Distinguem‐ se facilmente as formigas saúvas das quenquéns pela sua morfologia e pelo aspecto dos ninhos (Tabela 1, Figs. 2 ‐5).
Tabela 1 – Diferenças entre saúvas (gênero Atta ) e quenquéns (gênero Acromyrmex )
Saúvas ( Atta ) Quenquéns ( Acromyrmex ) Formigueiros grandes ‐ monte de terra solta
Operárias apresentam três pares de espinhos dorsais
Operárias com 12 ‐ 15 mm de comprimento
Formigueiros pequenos Operárias apresentam quatro a cinco pares de espinhos dorsais Operárias com 8 ‐ 10 mm de comprimento
O sauveiro, isto é, o formigueiro da saúva, é constituído por dezenas a centenas de câmaras subterrâneas que são ligadas entre si e com a superfície do solo por meio de galerias. Uma característica para a identificação de um sauveiro é um monte de terra solta (Fig. 4) localizado na superfície do solo, que é formado pelo acúmulo de terra que as formigas retiram das câmaras, que também são chamadas de panelas. Sobre e fora do monte de terra solta, são encontrados orifícios onde podem ou não ser observadas as saúvas em atividade. Estes orifícios são denominados olheiros (Fig. 6). O número e o formato dos montes de terra solta, bem como o formato dos olheiros, que podem se abrir diretamente na superfície do solo ou aparentar um funil, facilitam a identificação
As operárias de quenquéns também apresentam variados tamanhos (D ELLA L UCIA et al ., 1993), porém este aspecto não é tão perceptível como nas saúvas. Elas também cuidam da prole, do fungo e das atividades de coleta e transporte do material vegetal. Seus ninhos são pequenos, geralmente apresentando uma só panela, cuja terra solta aparece ou não na superfície do solo. Algumas espécies fazem o ninho superficialmente coberto de fragmentos e outros resíduos vegetais (Fig. 5), enquanto outras o constroem subterrâneo (M ARICONI , 1970; J USTI JUNIOR et al ., 1996). A profundidade dos ninhos de quenquéns é pequena quando comparada aos sauveiros. Entretanto, ninhos grandes de quenquéns podem ser encontrados, como os de Acromyrmex subterraneus subterraneus (caiapó) que pode chegar a 20m 2 de terra solta com câmaras maiores (M OREIRA, 1992; DELLA LUCIA & MOREIRA, 1993).
O dano que as formigas‐cortadeiras promove pode ser notado de um dia para o outro. Em uma noite elas podem desfolhar uma árvore inteira ou boa parte desta (Fig. 7). É possível observar trilhas perfeitas que as formigas fazem desde o ninho até a planta alvo (Fig. 8).
O território de forrageamento das formigas‐cortadeiras é variável. O forrageamento a várias distâncias deve‐se à expansão territorial das colônias e ao aumento de sua população, além da busca de alimento de alta qualidade para o desenvolvimento do fungo (D ELLA L UCIA & OLIVEIRA, 1993).
Algumas providências podem ser tomadas para proteger as plantas do ataque de formigas‐cortadeiras, como por exemplo, o uso de um cone invertido, de qualquer material resistente (borracha, plástico ou lata) preso ao tronco da planta. Na impossibilidade da utilização do cone invertido, usa‐se como substituto, tiras plásticas de 10 a 15 cm de largura amarradas ao tronco. Passa‐se graxa ou vaselina sólida na parte interna do cone ou na tira plástica impedindo assim a subida das formigas no vegetal, tomando‐se o cuidado em evitar o contato direto com o tronco. (Fig. 9). A
crença de passar cal no tronco das árvores nas cidades para impedir a subida de formigas e outros insetos é infundada, além de deixar o ambiente visualmente poluído. Deve‐se ainda, realizar o plantio de plantas sabidamente não atraentes para as formigas‐cortadeiras, principalmente nas regiões onde estas espécies são muito abundantes. Uma pesquisa com os moradores do local é bastante proveitosa. A utilização de plantas adequadas à região também é importante.
Na área rural, é importante realizar o controle antes do plantio, preferencialmente 60 a 70 dias antes e no período seco do ano.
O controle por meio da utilização de substâncias naturais, apesar de já estar sendo estudado no Brasil há mais de duas décadas, ainda possui poucos resultados práticos com utilização comercial. O gergelim é uma das plantas estudadas cujos resultados inicialmente demonstraram acentuada redução no volume da esponja fúngica, culminando com a completa extinção de sauveiros pequenos tratados com folhas desta planta (H EBLING‐B ERALDO et al ., 1985; H EBLING‐B ERALDO et al. 1991). Atualmente, o mercado conta com produto registrado para agricultura orgânica à base das plantas Tephrosia candida (Tefrósia, Anil‐branco) e Psychotria marcgravii (Erva‐de‐ rato).
O controle pode ser realizado de duas formas:
A isca age predominantemente nas jardineiras, que ao limpar e fragmentar os grânulos para a disposição junto ao fungo, intoxicam‐se e morrem, levando a colônia ao colapso pela falta de alimento.
As espécies de formigas‐cortadeiras podem cortar apenas monocotiledôneas, apenas dicotiledôneas ou ambas. Algumas espécies como A. sexdens podem cortar também gimnospermas. Devido a particularidades morfológicas e ecológicas, principalmente quanto aos comportamentos de corte e processamento do substrato vegetal, as formigas que cortam somente monocotiledôneas não aceitam bem as iscas
dependência do produto, de acordo com o ingrediente ativo presente, formulação e aplicação. Deve‐se lembrar que as vias mais comuns de penetração desses agentes nos seres humanos são a pele, olhos e mucosas, além das vias respiratórias. Assim sendo, consultar sempre as recomendações nos rótulos de produtos relativos às necessidades do uso de EPI. Como exemplo de equipamentos de proteção citam‐se: capacete de plástico, boné ou chapéu de material impermeável; óculos protetores; máscara semifacial recobrindo nariz e boca com filtro de carvão ativado, oferecendo barreira para a penetração de gases, partículas de baixa suspensão e de resíduos sólidos, vestimentas exclusivas para a aplicação dos produtos, como macacão, calça e camisa ou avental, luvas de nitrila e botas.
Fig. 1 Fungo Leucoagaricus gongylophorus em ninho de saúva
Fig. 2 Soldado de Atta sexdens (saúva limão)
Fig. 3 Acromyrmex sp. (quenquém)
Fig. 4 Ninho de saúva limão (terra solta).
Fig. 5 Ninho de Acromyrmex (Quenquém)
Fig. 9 Dispositivo anti‐formigas‐cortadeiras (cone invertido)
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