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Este documento discute sobre a importância da qualidade na produção de silagem de milho, enfatizando o papel do uso de grãos, densidade de plantio, participação de colmo e maturidade da planta. Além disso, são abordados os efeitos de adubação e colheita precoce ou atrasada. O texto também apresenta recomendações práticas para a produção de silagem de boa qualidade.
Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas
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A melhor época de plantio de milho para silagem deve ser a mesma recomendada para produção de grãos. Produtores acabam plantando milho para silagem tardiamente para evitar ensilar na época das chuvas, porém diversos estudos revelaram perdas de 24 a 30 Kg de grãos/ ha/dia de atraso após a época ideal de plantio.
Plantios tardios acarretam em menor porcentagem de grãos na massa ensilada, as plantas tendem a se estiolarem, maior presença de plantas daninhas, pragas e doenças devido principalmente à alta temperatura e umidade. Todos estes fatores afetam diretamente a produtividade e a qualidade da silagem.
Outro aspecto importante na produção de silagem de milho é a densidade de plantio. De maneira generalizada, a causa dos baixos rendimentos de milho, tanto para grãos quanto para forragem, é função do baixo número de plantas por área. Além disso, a densidade de plantio pode também afetar a qualidade da silagem, uma vez que afeta a proporção entre as partes da planta (espiga, colmos e folhas).
Resultados de pesquisa mostram que os percentuais de colmo crescem quando ocorre aumento na população de plantas/ ha. Considerando que a maior concentração de fibra (Fibra em Detergente Neutro - FDN) está presente no colmo e que, o excesso de população de plantas propicia maior participação de colmos na planta, o excesso de plantas na área resultará em menor digestibilidade da silagem produzida.
Normalmente, a recomendação da densidade de plantas para produzir grãos ou forragem são as mesmas, uma vez que a densidade que proporcionar maior rendimento de grãos por hectare fornecerá também maior rendimento de forragem ou silagem de boa qualidade nutritiva.
A participação de colmo na matéria seca da silagem gira em torno de 25% com a pior fração de digestibilidade (51,7%). Isto significa que, com aumento da população de plantas, a porcentagem de colmo pode passar de 30%, aumentando também o valor total das fibras e comprometendo o consumo e a digestibilidade da silagem.
Além disso, a chance de ocorrer o acamamento e quebra das plantas aumenta.
Em situação onde a população de plantas é maior, a demanda hídrica também sobe. Por isso a recomendação da densidade de semeadura deve levar em consideração o balanço hídrico histórico do local. Neste mesmo conceito, estudos mostram que mesmo utilizando boa adubação não se deve aumentar mais do que 10% a população de plantas por hectare para não comprometer a qualidade final da silagem. Também como ocorre em lavouras para a produção de grãos o plantio com o espaçamento reduzido tem promovido o aumento da produtividade e na qualidade da forrageira.
Aplicar o nitrogênio em cobertura de acordo com a meta de produtividade e o histórico de uso da área, utilizando doses maiores para solos de textura arenosa, com preparo convencional, início de sistema planto direto e grande quantidade de resíduos de gramíneas (alta resposta), e menores doses para solos argilosos, sistema planto direto consolidado e sucessão com leguminosas com grande quantidade de palha (baixa resposta). Para metas de produção de massa verde (35% de massa seca) igual a 38-44, 44-53, 53-59, 59-65 e > t ha-1 e solos de alta (a), média (b) e baixa (c) resposta, aplicar 50-80-110-140-170 (a), 30-50-80-110-150 (b) e zero-30-60-80-100 (c) kg ha-1 de N, respectivamente. Doses iguais ou inferiores a 80 ou 110 kg ha-1 em solos arenosos e argilosos, respectivamente, podem ser aplicadas em uma única vez no estádio de 4/5 folhas, e doses superiores devem ser parcelas em duas vezes, sendo a última até o estádio de 8/9 folhas. O potássio deve ser aplicado junto com a primeira cobertura de N, para complementar dose aplicada na pré-semeadura ou no sulco de semeadura.
Adubação de
cobertura:
A adubação do milho silagem é praticamente a mesma do milho para grãos, exceto para os nutrientes potássio e enxofre. Adubar com 30 a 40 kg ha-1 de nitrogênio na semeadura. Utilizar os resultados da análise do solo na camada 0-20 cm e a meta de produtividade para recomendação de fósforo, potássio e micronutrientes. Para metas de produção de massa verde (35% de massa seca) iguais a 38-44, 44-53, 53-59, 59-65 e >65 t ha-1, considerando-se os teores baixo (a), médio (b) e alto (c) de P e K no solo, recomenda-se 60-80- 90-110-120 (a), 40-50-70-90-100 (b) e 30-40-60-70-80 (c) kg ha-1 de P205, respectivamente, e 100-140-160-180- 200 (a), 80-100-120-140-170 (b) e 60-70-90-110-130 (c) kg ha-1 de K20, respectivamente. Aplicar parte do potássio a lanço imediatamente antes da implantação da cultura ou no sulco de semeadura, até dose máxima 50 kg ha- de K20, e o excedente em cobertura junto com o N. Independentemente da fertilidade do solo, recomenda- se aplicar 30 kg ha-1 de enxofre na semeadura ou na primeira cobertura de N, e em solos deficientes, 2 a 5 kg ha-1 de zinco e 0,5 a 1,0 kg ha-1 de boro, na semeadura.
Adubação de
planto:
As médias de produção de grãos e de massa, da planta contendo 35% de massa seca são as seguintes: 6-8 (44-53), 8-10 (53-59), 10-12 (59-65), 12-14 (> 65) em toneladas por hectare de grãos e massa verde, entre parênteses, respectivamente.
A produção de uma silagem de milho de boa qualidade passa por três fases importantes:
Plantio e condução agronômica; Colheita e ensilagem; Desensilagem e fornecimento.
Estas três fases são complementares, ou seja, falhas em qualquer uma serão cumulativas na qualidade final do produto. Após a condução da produção de milho de forma a obter alta produtividade, se deve observar posteriormente a forma de se ensilar, a fim de se ter a melhor conservação do material, como será descrito a seguir.
Produtvidade:
A colheita para ensilagem deve ocorrer quando o teor de matéria seca da planta toda estiver entre 30% e 35%, o que equivale aos grãos no estádio pastoso (linha de leite entre 1/2 a 2/3 do comprimento do grão), o que ocorre depois de 35 a 47 dias após o florescimento (pendoamento) ou 95 a 112 após a semeadura, dependendo da cultivar e da disponibilidade de calor durante o desenvolvimento da cultura. A planta de milho ensilada com menos de 30% de matéria seca possui muita umidade e apresenta maiores perdas de nutrientes através da liberação de efluente, além de favorecer a degradação da massa ensilada, por fermentação indesejável por clostrídios. Ao contrário, plantas com teor de matéria seca acima de 38% dificultam a picagem e a compactação, sendo que o excesso de ar retido no interior da massa favorece o desenvolvimento de fungos e leveduras aeróbicas que aquecem a massa, degradam os nutrientes e empobrecem a silagem final, podendo ser rejeitada pelo animal.
Colheita:
Portanto, com 2/3 da linha do leite é alcançado o máximo de amido na silagem. Por outro lado, o teor de fibra na planta reduz até 2/3 da linha do leite.
Esses dois fatores são explicados devido ao aumento da proporção de grãos na planta, que ocorrem até 2/3 da linha do leite. Então, com 2/3 da linha do leite há o maior acúmulo de amido e o menor teor de fibra na silagem de milho.
O estádio ideal de colheita do milho tem duração aproximada de dez dias. Após esse período, o teor elevado de MS da planta aumenta as perdas na colheita e dificulta a compactação. Assim, atrasos na colheita por falhas no planejamento, chuvas, quebra de maquinário, entre outros fatores, podem prejudicar sensivelmente a qualidade da silagem produzida, o que certamente será traduzido em menor desempenho dos animais. Quando se corta a planta de milho com o grão ainda leitoso, colhe-se somente o equivalente a 50% do potencial produtivo de grãos e 75% da forragem. Já no ponto ideal de colheita, quando a linha do leite está na metade do grão e a planta apresenta teor de matéria seca próxima a 35%, colhe-se 95% dos grãos e 100% da forragem.
O aumento na altura de corte pode ser uma estratégia para aumentar a concentração energética e diminuir o teor da Fibra em Detergente Neutro (FDN) na silagem. O teor de FDN está correlacionado à degradabilidade da matéria seca, que determina a quantidade de fibra da planta, correspondente às frações de celulose, hemicelulose e lignina.
Os teores de lignina e FDN são inversamente proporcionais à degradabilidade in vitro da matéria seca. Ao aumentar a altura de corte no momento da ensilagem, há redução na relação colmo/espiga, o que faz com
que haja melhorias nas características nutricionais do alimento.
Portanto, o produtor deve priorizar suas necessidades de obtenção de máxima produção de forragem versus alta qualidade da silagem, para determinar qual altura de corte será adotada, sendo que isso pode variar em diferentes anos em função do potencial produtivo e qualidade da cultura. As perdas na produção de matéria seca deverão ser compensadas pela melhoria na qualidade nutricional da silagem. Para isso é necessário realizar uma análise econômica, e avaliar os custos de produção, para que assim possa haver maior segurança na tomada de decisão.
Em uma silagem de boa qualidade, o que se procura é picar o material em tamanhos de partícula de 6 a 15 mm, mantendo um tamanho médio de 8 mm.
Quando o corte da planta é inadequado, as partículas grandes dificultam a compactação, e a menor quebra dos grãos levará a um menor aproveitamento dos mesmos, fazendo com que apareçam inteiros nas fezes dos animais. Silagens com tamanhos de partículas grandes reduzem a ingestão das vacas e, consequentemente, podem reduzir a produção de leite. A solução não está na troca do híbrido ou na antecipação do corte, mas em procedimentos simples como afiar as facas de corte da ensiladeira duas vezes ao dia e aproximá-las das contra-facas. Estas medidas, que não têm custo algum, resolvem facilmente esses problemas.
A redução no tamanho de partícula é favorável ao processo de fermentação da massa vegetal no silo pela compactação facilitada, pelo incremento na área de superfície da forragem, permitindo maior interação entre substrato e
microorganismo, além de reduzir os custos de estocagem.
O processo de enchimento e compactação deve ser feito de forma a distribuir por todo silo camadas uniformes de espessura média ao redor de 20 a 30 cm. Essas camadas devem ser espalhadas de forma a ficarem inclinadas em direção à entrada do silo ou porta.
Portanto, os processos de colheita da forragem, transporte, compactação e vedação devem ser rápidos visando diminuir as perdas durante a fermentação e a queda do valor nutricional do material ensilado.
A densidade e a matéria seca (MS) do material ensilado determinam a porosidade da silagem, afetando a taxa com o que o ar penetra na massa ensilada durante a descarga do silo, deteriorando a silagem. Além disso, quanto maior a densidade, maior a capacidade de estocagem do silo. Portanto, maiores densidades do material ensilado diminuem os custos anuais de estocagem por aumentar a quantidade de silagem estocada e por diminuir as
perdas do material ensilado no silo.
A contribuição mais expressiva da etapa de vedação do silo está em evitar a penetração de ar do ambiente externo para o interior. A vedação consiste em não permitir a entrada de ar e é feita através da cobertura do silo por uma lona e, sobre ela, uma camada de terra.
As lonas pretas comumente usadas nas fazendas têm trazido problemas como rasgos, furos, entre outros. Por isso, lonas de dupla face têm dado um melhor resultado. Além disso, tem a vantagem de refletir o calor, o que ajuda a não esquentar o material ensilado. As lonas a serem utilizadas devem ter 150 micras ou mais, para que possam durar mais tempo.
Outro ponto importante é cobrir a lona com terra, restos de capins e pneus, pois ajudam a protegê-la contra os raios solares, que podem danificá-la.
Outra operação relevante é cercar os silos com cerca de arame e tela para proteger a lona de possíveis animais que possam furá-la, como tatu, galinha, cães e o próprio rebanho, que pode se soltar e subir sobre os silos.
O principal objetivo no processo de ensilagem é maximizar a preservação dos nutrientes originais de uma determinada cultura, para que seja possível utilizá-la posteriormente na alimentação animal. Entretanto, incontestavelmente, o processo de fermentação no silo acarreta perdas progressivas de nutrientes. Assim, espera-se que o uso de aditivos permita reduzir tais perdas durante o processo de fermentação, aumentando o valor nutritivo ou melhorando a estabilidade aeróbia da silagem.
A taxa e extensão da fermentação são dependentes das condições dentro da massa de silagem (temperatura, conteúdo de água, pH, etc), da quantidade de substrato disponível, e da quantidade e tipo de bactérias presentes. Os aditivos para silagens devem influenciar uma dessas variáveis para afetar a fermentação da silagem e são classificados como estimulantes de fermentação, inibidores de fermentação, e modificadores nutricionais.
Os estimulantes devem aumentar a taxa de extensão da fermentação, e talvez modificar o tipo de fermentação e os mais comumente utilizados são inoculantes de bactérias do ácido lático homofermentativas, aumentando seu número presente na massa de forragem. A adição dessas bactérias não afeta a extensão da fase aeróbica, mas pode aumentar a taxa de declínio do pH, encurtando a fase de transição. O estágio homofermentativo também pode ser diminuído porque o pH final pode ser atingido mais rapidamente. Enzimas que digerem fibra e amido podem agir indiretamente como estimulantes. Esses produtos quebram os polímeros de carboidratos (por ex. celulose), o que pode aumentar a quantidade de carboidratos fermentáveis disponíveis para as bactérias homofermentativas do ácido lático. A adição direta de açúcares fermentáveis (açúcares simples, melaço) pode aumentar a taxa e extensão da fermentação.
O principal objetivo no processo de ensilagem é maximizar a preservação dos nutrientes originais de uma determinada cultura, para que seja possível utilizá-la posteriormente na alimentação animal. Entretanto, incontestavelmente, o processo de fermentação no silo acarreta perdas progressivas de nutrientes. Assim, espera-se que o uso de aditivos permita reduzir tais perdas durante o processo de fermentação, aumentando o valor nutritivo ou melhorando Figura 01 Fonte: https://www.fundacaoroge.org.br/blog/tipos-diferentes-de-silo-vanta-gens-e-desvantagens
A proteína presente na planta é degradada em peptídeos e aminoácidos livres através da ação de proteases produzidos pela própria planta enquanto os aa livres são degradados a amônia e outros compostos nitrogenados, principalmente, pela ação de clostridias e enterobacterias na massa ensilada.
Infelizmente, a maioria de produtos finais da fermentação de silagens não são componentes normais da análise de alimentos. Por causa disto, o produtor tem pouco conhecimento do que é qualidade de uma silagem a não ser conteúdo de proteína e de fibra. Uma forma de se avaliar a qualidade da silagem, empiricamente, é a avaliação visual e de odor da silagem aberta. Silagens de boa qualidade parecem normais – coloração verde ou verde amarronzada e cheiro de acido lático. Silagens que possuem odor pútrido e coloração de marrom a verde-amarelada, pode estar com fermentação por clostrídeos. Como resultado, a ingestão pode diminuir e o conteúdo de proteína pode ter sido afetado.
Em silagens de milho em particular, um forte odor de álcool é um indicador de atividade metabólica de leveduras, que causam perdas. Tais silagens geralmente tem aquecimento no silo e no cocho. Embora não adequadamente documentado, a silagem com deterioração aeróbia provavelmente leva a uma depressão no consumo de MS.
Silagens escuras, negras e com odor de açúcar queimado ou tabaco sofreu muito aquecimento. Se a silagem já possui danos pelo calor, o conteúdo energético é reduzido e as frações nitrogenadas prejudicadas.
O uso de aditivos em silagens pode ser considerado uma importante ferramenta para melhoria da qualidade da forragem ensilada e conseqüentemente um incremento no desempenho animal, entretanto esta técnica não substitui uma boa prática de manejo, devido ao seu potencial benéfico, independente do tipo de aditivo escolhido, que podem incluir reduções nas perdas fermentativas (antes e/ou após abertura) e possível melhora no valor nutritivo final.
Além disso, deve ser levado em conta o custo-beneficio de sua utilização, devendo ser o retorno obtido superior ao investimento (custo do aditivo, mão-de-obra e equipamentos utilizados durante a aplicação). Logo o retorno é dependente do tipo de aditivo e doses utilizados, do manejo e do tipo de forragem adotado na propriedade.
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