Docsity
Docsity

Prepare-se para as provas
Prepare-se para as provas

Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity


Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos para baixar

Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium


Guias e Dicas
Guias e Dicas


Geografia do Brasil , Notas de estudo de Bioquímica

Geografia do Brasil

Tipologia: Notas de estudo

2011

Compartilhado em 19/03/2011

danilo-dalla-vecchia-rocha-4
danilo-dalla-vecchia-rocha-4 🇧🇷

4.7

(48)

3 documentos

1 / 50

Toggle sidebar

Esta página não é visível na pré-visualização

Não perca as partes importantes!

bg1
GEOGRAFIA DO BRASIL
DIVISÃO POLÍTICA E REGIONAL DO BRASIL
1. Região Norte
É formada por 7 Estados, ocupando 45,25% da área do Brasil e possuindo 11.159.000 habitantes (1995 =
7,2% do Brasil). No período de 1980 a 91, a Região registrou a maior taxa de crescimento populacional (3,9%) do
Brasil, sendo Roraima o Estado que teve a taxa mais alta de crescimento populacional, aumentando de 79.159 para
262.200 habitantes.
2. Região Nordeste
É formada por 9 Estados (Fernando de Noronha foi anexado a PE), abrangendo 18,28% da área do Brasil.
Nessa região vivem 28,8% dos brasileiros. Constitui uma área de intenso êxodo populacional, fornecendo migrantes
para as demais regiões. A região apresenta enormes disparidades econômicas e naturais entre suas diversas áreas.
Distinguem-se as seguinte regiões geoeconômicas: Zona da Mata, Agreste, Sertão e Meio-Norte.
O maior problema do NE não é a seca, mas sim a desigualdade social apoiada no desequilíbrio da estrutura
fundiária.
3. Região Centro-Oeste
É formada pelos Estados de MT, MS, GO e pelo DF. Abrange 18,86% da área do Brasil e é a região menos
populosa, com 10.272.700 habitantes, isto é, 6,59% da população nacional.
Caracteriza-se pelo domínio do clima tropical semi-úmido, de extensos chapadões e da vegetação do cerrado.
Possui grande crescimento populacional e rápida e elevada urbanização. É a nova fronteira agrícola do país, onde
uma agricultura mecanizada, com insumos modernos, e o método da calagem estão transformando antigas áreas
pecuaristas em exportadoras de soja.
4. Região Sudeste
É formada por 4 estados. É a mais populosa, mais povoada e urbanizada região brasileira. Com 66.288.100
habitantes, ou seja, 42,5% da população brasileira, apresenta 71,3 habitantes por km2 e 90,0% de urbanização.
Destaca-se pelo dinamismo econômico, representado por elevada industrialização, grande produção agropecuária,
concentração financeira e intensa atividade comercial.
5. Região Sul
Formada por 3 Estados, abrange apenas 6,76% da área brasileira, sendo a menor região do país. Possui
14,84% da população nacional, tendo registrado o menor crescimento populacional do Brasil nas duas últimas
décadas. É uma região com traços marcantes e homogêneos como o domínio do clima subtropical, fortes marcas da
ocupação européia, elevada produção agrária e destacável crescimento industrial.
1
pf3
pf4
pf5
pf8
pf9
pfa
pfd
pfe
pff
pf12
pf13
pf14
pf15
pf16
pf17
pf18
pf19
pf1a
pf1b
pf1c
pf1d
pf1e
pf1f
pf20
pf21
pf22
pf23
pf24
pf25
pf26
pf27
pf28
pf29
pf2a
pf2b
pf2c
pf2d
pf2e
pf2f
pf30
pf31
pf32

Pré-visualização parcial do texto

Baixe Geografia do Brasil e outras Notas de estudo em PDF para Bioquímica, somente na Docsity!

GEOGRAFIA DO BRASIL

DIVISÃO POLÍTICA E REGIONAL DO BRASIL

1. Região Norte

É formada por 7 Estados, ocupando 45,25% da área do Brasil e possuindo 11.159.000 habitantes (1995 = 7,2% do Brasil). No período de 1980 a 91, a Região registrou a maior taxa de crescimento populacional (3,9%) do Brasil, sendo Roraima o Estado que teve a taxa mais alta de crescimento populacional, aumentando de 79.159 para 262.200 habitantes.

2. Região Nordeste

É formada por 9 Estados (Fernando de Noronha foi anexado a PE), abrangendo 18,28% da área do Brasil. Nessa região vivem 28,8% dos brasileiros. Constitui uma área de intenso êxodo populacional, fornecendo migrantes para as demais regiões. A região apresenta enormes disparidades econômicas e naturais entre suas diversas áreas. Distinguem-se as seguinte regiões geoeconômicas: Zona da Mata, Agreste, Sertão e Meio-Norte.

O maior problema do NE não é a seca, mas sim a desigualdade social apoiada no desequilíbrio da estrutura fundiária.

3. Região Centro-Oeste

É formada pelos Estados de MT, MS, GO e pelo DF. Abrange 18,86% da área do Brasil e é a região menos populosa, com 10.272.700 habitantes, isto é, 6,59% da população nacional.

Caracteriza-se pelo domínio do clima tropical semi-úmido, de extensos chapadões e da vegetação do cerrado. Possui grande crescimento populacional e rápida e elevada urbanização. É a nova fronteira agrícola do país, onde uma agricultura mecanizada, com insumos modernos, e o método da calagem estão transformando antigas áreas pecuaristas em exportadoras de soja.

4. Região Sudeste

É formada por 4 estados. É a mais populosa, mais povoada e urbanizada região brasileira. Com 66.288. habitantes, ou seja, 42,5% da população brasileira, apresenta 71,3 habitantes por km^2 e 90,0% de urbanização. Destaca-se pelo dinamismo econômico, representado por elevada industrialização, grande produção agropecuária, concentração financeira e intensa atividade comercial.

5. Região Sul

Formada por 3 Estados, abrange apenas 6,76% da área brasileira, sendo a menor região do país. Possui 14,84% da população nacional, tendo registrado o menor crescimento populacional do Brasil nas duas últimas décadas. É uma região com traços marcantes e homogêneos como o domínio do clima subtropical, fortes marcas da ocupação européia, elevada produção agrária e destacável crescimento industrial.

O BRASIL NA AMÉRICA LATINA

1. Apresentação

O Brasil destacou-se na América Latina, contando com um terço da população e do produto interno bruto de toda a região, e a melhor performance no PIB per capita. No âmbito da política externa o Brasil exerceu a capacidade de negociação inicialmente com a América Latina e depois em nível das relações externas, mas a direção dos fluxos comerciais colocam-no ainda entre os países periféricos, que comercializam mais com os países desenvolvidos do que com os seus vizinhos.

Os maiores clientes e fornecedores são ainda os EUA e a Europa (à exceção do fornecimento de petróleo pelo Oriente Médio). Dados recentes da ALADI (Associação Latino-Americana de Desenvolvimento e Integração) indicam que as importações latino-americanas de produtos originários dos EUA têm aumentado em países como o Brasil e a Argentina a taxas, em certos casos, cinco vezes superiores às do incremento de suas exportações.

2. As Organizações Políticas e Econômicas da América Latina

OEA – Associação dos Estados Americanos Reunidos na cidade de Bogotá, capital da Colômbia, em 1948, 21 países americanos decidiram pela criação da Organização dos Estados Americanos (OEA) com sede em Washington. Seus princípios são:

ò Os Estados americanos condenam a guerra de agressão.

ò A agressão a um estado americano constitui uma agressão a todos os demais estados americanos.

ò Controvérsias de caráter internacional entre dois ou mais estados americanos devem ser resolvidas por meios pacíficos.

ò A cooperação econômica é essencial para o bem-estar e a prosperidade comum dos povos do continente.

ò Quando, em 1962, Cuba, um país-membro dessa organização, foi expulsa, por catorze votos (por ter optado pelo Socialismo), o Brasil não tomou partido se abstendo de votar, deixando que os Estados Unidos pressionassem a OEA, e a tornassem inoperante e submissa aos seus interesses.

ALADI – Associação Latino-Americana de Desenvolvimento e Integração

ò Em 1960, pelo Tratado de Montevidéu, surgiu a ALALC (Associação Latino-Americana de Livre Comércio) com a finalidade de desenvolver o comércio entre os países-membros. No entanto, problemas locais e externos limitaram sua atuação (Ex.: diferenças de grau de desenvolvimento).

ò Diante dos resultados, em 1980 surge a ALADI, em substituição à ALALC, compreendendo os seguintes países- membros: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. Mercosul - Mercado Comum do Sul

ò Em março de 1991, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai assinaram o tratado de constituição do Mercado Comum do Sul - o Mercosul, começando suas atividades a partir de 1995.

ò A integração comercial implica três aspectos operacionais: "a livre circulação de bens, serviços e fatores produtivos"; "coordenaçâo de políticas macroeconômicas e setoriais"; "compromisso dos Estados-partes de harmonizar suas legislações para o fortalecimento do processo de integração".

ò O Mercosul segue a tendência mundial, que é a organização dos países em blocos econômicos.

3. Posição do Brasil no Mercosul

A recessão generalizada e a conseqüente carência de capitais representavam entraves para os investimentos infraregionais. O surgimento do Mercosul foi resultado da modificação desse panorama. Brasil e Argentina, através de acordos prévios de integração bilateral firmados entre os dois países, visavam ao desenvolvimento tecnológico complementado por uma integração comercial, por meio de acordos nas áreas nuclear, financeira, industrial, aeronáutica e biotecnológica.

O Tratado de Assunção, que definiu os contornos do Mercosul, enfatiza o projeto de integração comercial. No entanto, temos uma realidade de grandes diversidades geográficas, demográficas e econômicas que impõe políticas decorrentes das peculiaridades de cada país; portanto, não é aceitável uma estrutura rígida para o Mercosul. Esta impediria não só suas políticas nacionais, como também o prosseguimento de sua afirmação como países capazes de desenvolver-se tecnologicamente e alcançar condições que lhes permitiam atingir a importância internacional que

De acordo com a tabela apresentada, notamos que o crescimento da população brasileira foi muito grande no período 1872/1990, passando de 10 milhões para 146 milhões de habitantes, o que significa um acréscimo de 136 milhões de pessoas, em pouco mais de um século. Quais os fatores responsáveis por este grande e rápido crescimento populacional ocorrido no Brasil? Os fatores são basicamente dois: o crescimento vegetativo ou natural (fator principal) e a imigração (fator secundário).

De acordo com o censo realizado em 1991, houve uma diminuição na taxa de crescimento populacional brasileiro, provocada principalmente, segundo o IBGE, pela queda acentuada da taxa de natalidade e pelo aumento das migrações internas, resultantes das dificuldades provocadas pelo atual quadro socioeconômico do País.

O crescimento vegetativo ou crescimento natural da população é a diferença entre as taxas de natalidade e de mortalidade, ou seja:

CV = Nat – Mort

Observa-se uma redução da natalidade, a partir de 1872. Essa reduçâo, embora lenta, foi provocada por diversos fatores, como urbanização, elevação do padrão socioeconômico da população, casamentos mais tardios e maior adoção de métodos anticoncepcionais.

Regionalmente, observam-se diferenças significativas no tocante à natalidade, sendo que as taxas mais elevadas são encontradas nas regiões Nordeste e Norte, enquanto as mais baixas estão nas regiões Sudeste e Sul.

A taxa de mortalidade, embora tenha sido bastante elevada até a década de 30, sofreu forte redução a partir de 1940 (2o^ Guerra Mundial). A redução acentuada da mortalidade, após 1940, deve-se a fatores como o progresso da Medicina e da Bioquímica (antibióticos, vacinas), melhoria da assistência médico-hospitalar, das condições higiênico- sanitárias e urbanização da população. Quanto às variações das taxas de mortalidade, verificamos que as mais elevadas são encontradas nas regiões Nordeste e Norte, e as menores, nas regiões Sudeste e Sul; são mais elevadas nas zonas rurais que nas urbanas, e a mortalidade masculina é maior que a feminina.

Portanto, a persistência de elevadas taxas de natalidade, aliada a uma redução acentuada da mortalidade, explica o elevado crescimento da população brasileira até 1980, sendo, no caso, o crescimento vegetativo o fator principal, e a imigração, o fator secundário. A partir de 1970, a queda da taxa de natalidade foi mais acentuada que a

queda na taxa de mortalidade. Portanto, a tendência atual é a de se reduzir o crescimento vegetativo.

A mortalidade infantil continua sendo bastante elevada no Brasil. situando-se em torno de 50 por mil em 1990.

Estrutura etária e formação da população

1. Estrutura etária do população

O Brasil sempre foi considerado um país jovem. No entanto, de acordo com o último censo, realizado em 1991, o perfil etário da população tem apresentado mudanças. A taxa de natalidade está se reduzindo de maneira significativa nos últimos anos e isto apresenta reflexo imediato na construção da pirâmide etária.

Pirâmide etária é a representação gráfica da composição de uma população segundo o sexo e a idade. Na construçâo da pirâmide, representam-se: homens do lado esquerdo e mulheres do lado direito da linha vertical. A escala vertical representa os grupos etários. Nas abscissas temos os totais absolutos ou relativos da população. A base da pirâmide representa a população jovem, a parte intermediária, os adultos, e o ápice, os idosos.

O Brasil é considerado um país subdesenvolvido e, como tal, sempre apresentou a pirâmide com base larga e ápice estreito. Mas, de acordo com o censo de 91, houve uma mudança deste quadro, pois a população adulta passou a predominar em relação àjovem. Caracteriza, assim, uma transição demográfica.

Este fenômeno ocorreu porque o Brasil passou a ser um país urbano-industrial e nestas condições as taxas de natalidade são naturalmente mais baixas.

Nota-se que as regiões de maior dinamismo econômico são justamente as que apresentam maiores proporções de adultos, indicando fatores como menores taxas de natalidade ou mesmo forte migração interna.

2. Estrutura por sexos

O Brasil, bem como a maioria dos países ocidentais, apresenta um ligeiro predomínio de mulheres. Nos estados nordestinos, onde a saída da população masculina é bem mais acentuada, encontramos predomínio feminino, enquanto nos estados de migrações recentes da região centro-oeste e norte há o predomínio de homens.

3. Formação étnica da populaçõo brasileira

Três grupos deram origem à população brasileira: o índígena, de provável origem páleoasiática, por isso também classificado como amarelo; o branco, principalmente o atlantomediterrâneo (portugueses, espanhóis e italianos), além dos germanos (alemães, suíços, holandeses), eslavos (poloneses, russos e ucranianos) e asiáticos (árabes e judeus) e negros, principalmente bantos e sudaneses. No século atual, mais um grupo veio integrar a população brasileira: o amarelo, de origem asiática recente, principalmente os japoneses e, em menor quantidade, os chineses e coreanos.

A miscigenação da população ocorreu de forma intensa, desde o início do processo colonial, no século XVI, quando os colonos portugueses se relacionavam com escravas negras e indígenas, muitas vezes à força, dando origem aos mestiços (mulatos e caboclos ou mamelucos), assim como o relacionamento entre negros e indígenas deu origem ao cafuzo. As estimativas sobre o número de indígenas presentes no Brasil no início da colonização e o número de escravos africanos ingressos durante a escravatura são muito elásticas e imprecisas, variando entre 2 milhões a 10 milhôes para os indígenas, e cerca de 6 milhões de escravos africanos. Por outro lado, os portugueses ingressos ainda no período colonial alcançaram uma cifra de aproximadamente 500 mil, e após a independência, cerca de 5 milhões, dos quais aproximadamente 2,5 milhões retornaram a Portugal. Já dos imigrantes ingressos no País após 1850, cerca de 4,2 milhões permaneceram no Brasil. Assim, podemos deduzir que, em termos étnicos, a maioria da população brasileira é mestiça. No entanto, as pesquisas levantadas pelos últimos recenseamentos procuram enfatizar apenas a cor da pele da população, com base na informação geralmente não muito precisa do entrevistado. A população indígena encontra-se reduzida a aproximadamente 0,6% da população brasileira, refletindo o etnocídio a que foi submetida, com a extinção de inúmeras nações indígenas, quer seja pelo seu extermínio físico, quer seja pelo desaparecimento de sua cultura, em função da "integração" com a sociedade global. Os negros foram reduzidos a cerca de 5% da população total, enquanto os brancos representam cerca de 54,3%, e os mestiços, genericamente denominados de pardos nos atuais recenseamentos, atingiram o índice de cerca de 40,1 %. Obviamente que esses índices não representam especificamente a formação étnica da população brasileira, porém, apenas uma classificação quanto à cor da pele. Contudo, o que mais se evidencia nos dados coletados é o constante crescimento da miscigenação, representada pelo crescimento da população mestiça e redução percentual dos 3 grupos básicos.

Rio Grande do Sul Distrito Federal São Paulo Santa Catarina Rio de Janeiro

74,6 70,1 68, 70,8 68,

89,9% 90,8% 89,8% 90,1% 90,3%

5.168 5,263 5.243 5.

0,871 0, 0,850 0, 0,

Piores Estados - - - -

Paraíba Alagoas Piauí Ceará Maranhão

53,7 55,7 65, 56,8 62,

58,3% 54,7% 58,3% 62,6% 58,6%

1.915 2.413 1.339 2.

0,466 0, 0,502 0, 0,

Fonte: IPEA – 1996

DISTRIBUIÇÃO DA RENDA NO BRASIL

Participação nos rendimentos %

Os 50% mais pobres Os 40% intermediários Os 10% mais ricos

TOTAL 100,0 100,0 100,0 100,

MOVIMENTOS MIGRATÓRIOS INTERNOS

1. Introdução

Entre outras explicações que se podem aventar para o fraco interesse que os homens

públicos de nosso país têm demonstrado para o problema da migração nos últimos anos, destaca-

se a importância assumida pelas correntes de migração interna. Correntes orientadas de uma

região para outra no interior do país ou entre Estados de uma mesma região, ou dos campos para

as cidades (êxodo rural), têm permitido, pela sua intensidade, substituir a presença do elemento

estrangeiro. Os principais movimentos migratórios ocorridos no Brasil foram:

a) Migração de nordestinos da Zona da Mata para o sertão, séculos XVI e XVII (gado);

b) Migrações de nordestinos e paulistas para Minas Gerais, século XVIII (ouro);

c) Migração de mineiros para São Paulo, século XIX (café);

d) Migração de nordestinos para a Amazônia, século XIX (borracha);

e) Migração de nordestinos para Goiás, década de 50 (construção de Brasília); e

f) Migrações de sulistas para Rondônia e Mato Grosso (década de 70).

As áreas de repulsão populacional são aquelas que perdem população por diversos fatores,

como por exemplo, a falta de mercado de trabalho, ou a dificuldade das atividades econômicas em

absorver ou manter as populações locais.

As áreas de atração populacional são aquelas que exercem atração sobre as populações

de outras áreas, pois oferecem melhores condições de vida.

2. Mlgração de campo-cidade ou êxodo rural

Consiste no deslocamento de grande parcela da população da zona rural para a zona

urbana, transferindo-se das atividades econômicas primárias para as secundárias ou terciárias.

Esse é na atualidade o mais importante movimento de população e ocorre praticamente no mundo

todo.

Nos países subdesenvolvidos, ou em vias de desenvolvimento, a migração do campo para

a cidade é tão grande que constitui um verdadeiro êxodo rural. Ela intensificou-se a partir do surto

industrial do Sudeste, iniciado na década de 40.

Entre as causas do êxodo rural, destaca-se, de um lado, o baixo nível de vida do homem do

campo, ocasionado pelos baixos salários recebidos pelo trabalhador rural, pela falta de escolas,

de assistência médica; de outro, a atração exercida pela cidade, onde parece haver oportunidade

de alcançar melhor padrão de vida.

Na prática, não aconteceu por dois motivos:

a) o mercado de trabalho não cresce no mesmo ritmo da oferta de mão-de-obra;

b) o baixo grau de qualificação dessa mão-de-obra, sem nenhum preparo para atender às

necessidades dos setores secundário e terciário.

As pessoas vindas do campo acabam por engrossar as fileiras do subemprego ou mesmo

do desemprego, sofrendo sérios problemas socioeconômicos. Um dos reflexos desse fato é a

ampliação desordenada e incontrolável das favelas, que cobrem grandes áreas, principalmente

nas regiões menos valorizadas das cidades.

Na zona rural, a maior conseqüência da migração para as cidades é o despovoamento,

que, sem ser compensado pela mecanização e alado a outros problemas, ocasiona queda da

produção e elevação do custo de vida.

O Estatuto do Trabalhador Rural, em 1964, foi criado com a intenção de beneficiar o

homem do campo, obrigando os proprietários de terras a encargos trabalhistas, como salário

mínimo, décimo terceiro salário, férias, etc. No entanto, não podendo ou não querendo assumir

tais encargos, muitos proprietários preferiram dispensar boa parte de seus empregados, o que

acabou por intensificar o êxodo rural. Nas cidades do interior, os trabalhadores dispensados

transformam-se em bóias-frias, os diaristas, que trabalham apenas em curtos períodos, sem

nenhuma garantia.

Em síntese, as principais causas e conseqüências do êxodo rural são:

Causas repulsivas:

a) excedentes populacionais que acarretam um desequilíbrio entre mão-de-obra disponível e a

oferta de emprego; b) mecanização de agricultura; c) secas, inundações, geadas; d) erosão e

esgotamento do solo; e) falta de assistência médica e de escolas;f) baixa remuneração no

trabalho; g) concentração das terras, em mãos de poucos; h) Estatuto do Trabalhador Rural.

Causas atrativas:

Melhores condições e oportunidades de vida que as cidades oferecem: a) empregos; b)

escolas;c) moradia;

d) profissionalização;

ò áreas madeireiras e mineradoras da Amazônia; ò áreas de colonização baseada em médias e pequenas propriedades no Pará; e

ò áreas de expansão da pecuária de corte em manchas de cerrados no Centro-Oeste.

Áreas de Evasão Populacional:

ò áreas onde a cultura do café vem sendo substituída pela pecuária de corte: Colatina e Alto São Mateus, no ES; Mantena e Manhuaçu, em MG.

ò áreas onde a cafeicultura vem sendo substituída por outras culturas comerciais ou pela pecuária, como a região da Borborema, na Paraíba;

ò áreas de economia estagnada pela pecuária extensiva: Baixo Balsas no MA e Alto Parnaíba no PI.

5. Migrações diárias

Podemos citar outros fluxos migratórios internos pela sua temporariedade, apresentando ritmos, dimensões e objetivos variados e que são chamados migrações pendulares.

Os principais são:

ò Deslocamentos dos Bóias-Frias

Morando na cidade, dirigem-se diariamente às fazendas para trabalhos agrícolas, conforme as necessidades dos fazendeiros. Trata-se de um movimento urbano-rural.

ò Deslocamentos dos Habitantes de Cidades-Dormitórios

Movimentos pendulares diários inconstantes dos núcleos residenciais periféricos em direção aos centros industriais. Relacionado às imigrações de trabalho próprias das áreas metropolitanas, tais como: SP, RJ e Belo Horizonte. Nas grandes metrópoles, a especulação imobiliária, aliada aos baixos salários, empurra o trabalhador para longe do seu trabalho, obrigando-o a se utilizar de, transporte coletivo, na maior parte precário ou insuficiente para atender ao enorme fluxo populacional.

6. Movimentos migratórios externos

Migrações constituem formas de mobilidade espacial com mudança de residência. Podem ocorrer de modo diverso em nível interno e externo. As causas dos movimentos migratórios podem ser agrupadas em:

ordem natural‚ clima

ordem material‚ econômica

ordem espiritual ‚ religiosa, étnica, política

De modo geral, as causas mais comuns são as de ordem econômica e referentes à busca de melhores condições de existência material e que têm levado os indivíduos a deixarem sua terra natal e se deslocarem para outros lugares.

As migrações podem ser espontâneas ou livres (sem o controle de um órgão disciplinador). Foi o que houve no Brasil até 1934, quando medidas constitucionais limitaram o movimento dos imigrantes das mais diferentes nacionalidades que haviam ingressado no país nos cinqüenta anos anteriores.

As migrações forçadas constituem uma forma de violação da liberdade humana, pois as pessoas são deslocadas por interesse de outros grupos.

Como exemplo, pode-se citar a escravidão africana ou as deportações de judeus, europeus e outros povos durante a Segunda Guerra. Considerar o imigrante apenas como um dado quantitativo é errado. Outros aspectos devem ser levados em consideração, tais como:

Suas características sociais

  1. cultura e etnia 2) instituições dos países de origem 3) formação profissional 4) processo de educação 5) religião 6) formação ideológica

Seus aspectos econômicos

  1. ampliação da força de trabalho 2) introdução de mão-de-obra qualificada 3) custo de criação já pago 4) ampliação e diversificação do mercado consumidor 5) estímulo à elevação da produtividade 6) ampliação do quadro demográfico

As migrações internas refletem no deslocamento as mudanças econômicas que estão ocorrendo nas diferentes regiões do país, modificando o processo de ocupação territorial.

Quanto aos países, o interesse em emigrar está relacionado à busca de melhores condições de vida, que nem sempre tiveram uma boa repercussão, implicando a mudança das áreas de recepção.

Desde a colonização, o Brasil foi um país receptor de migrantes, no entanto, as mudanças socio-políticas e econômicas verificadas ao longo dessa evolução levaram muitos brasileiros a emigrar, na tentativa de melhorar sua condição de vida

Imigração no Brasil

Teoricamente, podemos dizer que a imigração começou no Brasil em 1808, embora os primeiros imigrantes tenham chegado no ano de 1818, durante a regência de D. João VI, por ocasião da publicação de um decreto em 25 de novembro do mesmo ano, o qual permitia ao governo conceder terras aos estrangeiros.

A partir desta data, até os dias atuais, entraram no Brasil aproximadamente 5,5 milhões de estrangeiros, tendo, alguns regressado para o país de origem.

Em 1752, 1.500 famílias se instalaram no Rio Grande do Sul, fundando o Porto dos Casais, atual cidade de Porto Alegre.

Entre 1808 e 1850, verificamos as seguintes experiências de colonização:

ò Em 1819, cheguu ao Brasil a primeira leva de imigrantes não-portugueses. Eram cerca de 1.700 suíços de língua alemã, provenientes do Cantão de Friburgo, que o governo instalou no Rio de Janeiro, onde fundaram, em 1820, a atual cidade de Nova Friburgo.

ò Em 1824, teve início a colonização alemã em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, e, em 1827, outra colônia alemã foi instalada em Rio Negro, no Paraná. ò Em 1829, foi fundada uma colônia alemã em Santo Amaro (SP) e outra em São Pedro de Alcântara (SC). ò Em 1830, foi criada uma colônia alemã no Espírito Santo. Nos últimos cem anos, é possível distinguir quatro períodos sucessivos: ò período alemão (1850-1871);

ò período ítalo-eslavo (1872-1886); òperíodo italiano (1887-1914) -foi o período de maior entrada, chegando a atingir 100.000 imigrantes anuais;

ò período japonês (1920-1934).

A imigração no Brasil foi, na maior parte das vezes, provocada, e raramente espontânea. Por esse motivo, as maiores entradas coincidiram com períodos em que houve escassez de mão-de-obra na nossa lavoura, intensificando-se, por isso, a propaganda brasileira no exterior.

Etnia: conjunto de indivíduos que apresentam idênticos caracteres físicos e culturais. Força de trabalho: conjunto de faculdades físicas e mentais que habilitam um homem a realizar qualquer atividade produtora de riqueza. Custo de criação: ou de formação do indivíduo correspondente à quantidade gasta à criação e formação de uma criança até que ela se torne um produtor. Aculturação: termo sociológico que se refere ao conjunto dos fenômenos determinados

pelo contato de grupos de indivíduos de culturas diferentes. Assimilação: interpretação e fusão de culturas. Enquistamento: relativo à formação de "quistos raciais" e culturais, dificuldade em

assimilar culturas. Latifúndio: propriedade rural de grande dimensão geralmente inexplorada ou indevidamente explorada. Minifúndio: propriedade rural de pequenas proporções, geralmente explorada através da agricultura de subsistência. Policultura: sistema agrícola que se baseia no cultivo de vários produtos

simultaneamente, em diferentes espaços. Expropriar: retirar alguma coisa de alguém, roubar.

Leopoldo, Novo Hamburgo, Gramado e Canela, e em Santa Catarina (Vale do Itajaí), onde fundaram Blumenau, Brusque, Itajaí e, no litoral de Santa Catarina, Joinville. Fixaram-se, também, nas proximidades de São Paulo (Santo Amaro), Rio de Janeiro e Espírito Santo (Colatina).

Em São Paulo, na região de Limeira, em 1852, um plantador de café, o senador Vergueiro, transferiu 80 famílias de camponeses alemães para a sua Fazenda Ibicaha. Depois, outros fazendeiros fizeram o mesmo.

Por meio do sistema de colônias de povoamento e utilizando o sistema de trabalho familiar, os alemães difundiram, no Sul do país, a policultura em pequenas propriedades e a "indústria doméstica".

A influência dos alemães é principalmente notada em Santa Catarina, onde encontramos construções, hábitos alimentares e outros aspectos típicos da cultura germânica.

Em 1970, o total de imigrantes alemães era de aproximadamente 260 mil, sendo 38% em São Paulo, 17% no Rio rrande do Sul e 12% em Santa Catarina.

A integração cultural dos alemães foi bastante difícil principalmente pela grande diferença entre ambas as culturas. Após a Segunda Guerra Mundial, o governo brasileiro tomou medidas no sentido de integrá-los definitivamente ao nosso padrão cultural, evitando a formação de novos "quistos raciais" em que viviam até há pouco tempo.

3. Eslavos

Começaram a chegar a partir de 1875, sendo oriundos da Polônia, Rússia Branca e Ucrânia. Fixaram-se notadamente, no Paraná, onde também criaram uma paisagem cultural própria (Curitiba, Ponta Grossa e Castro), mas também estão localizados no Rio Grande do Sul.

O principal núcleo polonês é o de Ivaí, no Paraná. Embora em menor número, os eslavos apresentaram certas dificuldades à integraçâo cultural (língua, costumes etc.); dedicaram-se ao extrativismo da madeira, serrarias e agricultura.

4. Turcos e árabes

Popularmente conhecidos turcos, compreendem os sírios, libaneses, árabes palestinos. Estes povos apresentam vários traços culturais em comum: lingua, religião etc.

A sua grande imigração para o Brasil ocorreu entre 1860 e 1870, prolongando-se até 1890. Neste período, foram para a Amazônia, atraídos pela economia da borracha em ascensão; outros dirigiram-se para as diversas cidades brasileiras. Já nessa época, dedicavam-se ao comércio, sendo bastante conhecida a figura do "turco- mascate".

Após 1890, a entrada desses imigrantes continuou em número menor, tendo havido, nos últimos anos, um recrudescimento.

Localizaram-se mais nas cidades grandes, dedicando-se ao comércio e a outras atividades culturais e industriais. Como a Síria e o Líbano estiveram sob o domínio da Turquia, esses imigrantes eram registrados no Brasil como turcos.

5. Japoneses

São imigrantes cuja presença no país é das mais recentes: o primeiro grupo chegou em 1908. 0 período de maior entrada foi entre os anos de 1924 e 1934. São provenientes de áreas rurais do Japão. Localizaram-se em duas zonas, no Sul e no Norte do país.

Para o Sul, desde o início, vieram os contingentes mais numerosos; localizaram-se no Vale do Ribeira de Iguape, Vale do Paraíba, Alta Paulista, Alta Sorocabana, Noroeste e Norte do Paraná. Localizaram-se também no Mato Grosso do Sul.

Trabalhando como assalariados nas fazendas de café ou de algodão, como pequenos proprietários ou organizados em cooperativas, encontramos os imigrantes japoneses dedicando-se com afinco ao cultivo dos mais diferentes vegetais.

Em São Paulo, são encontrados:

ò na região de Marília, Bastos e Tupã, dedicando-se ao cultivo do algodão, à sericultura e a outras culturas;

ò no Vale do Ribeira de Iguape, destacando-se a cidade de Registro, onde introduziram o cultivo do chá;

ò no Vale dó Paraíba do Sul, onde desenvolveram, nas áreas alagadiças, a rizicultura;

ò nos arredores de São Paulo, onde se estabeleceram em pequenas propriedades, formando o chamado "cinturão verde".

No norte do país, localizam-se nas proximidades da extinta ferrovia Belém-Bragança e no Vale Médio do Rio Amazonas; dedicaram-se à cultura da pimenta-do-reino e da juta, realizando cultura de várzea. Chegaram a essa zona a partir de 1924, mas só após 1951 o seu número se tomou importante.

Embora de forma geral dediquem-se a atividades agrícolas, atualmente são encontrados em cidades nas áreas urbanas, exercendo as mais diversas atividades.

A integração cultural destes imigrantes foi bastante difícil, pela grande diferença entre as culturas. Porém, nos últimos anos, tem-se tornado mais efetiva esta integração, devido aos esforços dispensados por parte do governo brasileiro, evitando a formação dos "quistos raciais".

Em 1970, haviam entrado 240 mil japoneses, sendo que aproximadamente 85% encontram-se no Estado de São Paulo, 12% no Paraná e 3% no Pará.

6. Italianos

Dentre os imigrantes aportados no Brasil, os italianos ocupam o 2° lugar, vindo após os portugueses.

O período áureo da imigração italiana foi de 1887 a 1914, embora tivessem vindo desde o início do processo migratório brasileiro.

São provenientes de quase toda a Itália, destacando-se, porém, algumas regiões: Lombardia, Veneza, Gênova. Calábria, Piemonte.

Estes imigrantes localizaram-se na parte centro-norte do Rio Grande do Sul. Fundaram cidades como Caxias do Sul, Garibaldi, Bento Gonçalves, Flores da Cunha e Farroupilha. Nestas áreas deram início à vinicultura, notadamente instalando-se em pequenas propriedades.

Em Santa Catarina, também a sua atividade principal foi a agricultura, ao lado de indústrias domésticas. Localizaram-se, principalmente, no Vale do Tubarão. Neste Estado, o seu número é pequeno, porém fundaram Nova Veneza, Urussanga, Nova Trento. Em São Paulo, os italianos chegaram a partir de 1873. É neste Estado que vamos encontrar o maior número destes imigrantes.

Enquanto no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina instalaram-se como pequenos proprietários, para São Paulo vieram atraídos pela cultura cafeeira, que necessitava de mão-deobra. De assalariados, meeiros e colonos que eram a princípio, muitos imigrantes italianos posteriormente passaram a ser próprietários.

Também a atividade industrial, neste Estado, difere das anteriores. Enquanto nos dois Estados citados a indústria era doméstica, em São Paulo fundaram estabelecimentos de caráter capitalista.

Na cidade de São Paulo, concentram-se em dois bairros, principalmente: Brás e Bela Vista (Bexiga).

Talvez a maior contribuição deste imigrante, no campo econômico, tenha sido, como no caso alemão, a sua reação contra a monocultura, difundindo largamente a policultura.

Devido ao seu elevado número no Sul do país (além de São Paulo), são marcantes os traços culturais de influência italiana na população sulista do Brasil.

O total de italianos entrados no país, até 1970, era de aproximadamente 1.630.000, sendo 73% em São Paulo.

A sua integração cultural foi bastante rápida, pela semelhança com a cultura brasileira, também de origem atlanto-mediterrânea.

Além das áreas citadas, os italianos aparecem também no Espírito Santo, próximo à cidade de Colatina, juntamente com os alemães.

7. Espanhóis

Estes imigrantes são bastante antigos, tendo entrado no período de 1580 a 1640 um contingente relativamente grande. Porém, a sua entrada no país, até o período colonial, foi em número reduzido, talvez pela existência da América Espanhola.

ò a estabilidade social e ocupacional;

ò o modo de viver de ambos os grupos é diferente.

Atualmente, no entanto, nenhuma sociedade é inteiramente rural ou completamente urbana, cidade e campo; hoje, não estão inteiramente em oposição como local de residência, ocupação ou modo de vida, pois cada vez mais se relacionam, sendo difícil separar o rural do urbano, uma vez que a sociedade vem se tornando menos rural e mais urbana à medida que passa de fazendas isoladas para estágios representados pelas aldeias, vilas (hábitat urbano), cidades comerciais, grandes cidades e, finalmente, metrópoles.

Assim, as definições de rural e urbano variam muito entre os países, tornando difíceis as comparações internacionais. O tamanho do povoado é o tipo de distinção mais respeitado entre o urbano e o rural e é o critério entre as Nações Unidas em suas publicações. Isto, no entanto, não resolve o problema da linha divisória, uma vez que a contagem da população urbana é subestimada e a rural exagerada, pois os citadinos que vivem fora dos limites da cidade vêm se tornando muito numerosos.

2. Hábitat rural

Pode ser organizado, no Brasil, da seguinte forma:

Disperso

Próprios das zonas rurais, onde as habitações se espalham em grandes espaços.

Ordenado

Quando um elemento orienta a dispersão, como um rio, ferrovia, rodovia, litoral. É o mais freqüente na paisagem rural brasileira.

Desordenado

Quando não há um elemento que orienta a dispersão.

Aglomerado

Quando as moradias no meio rural estão próximas umas das outras, ocorrendo relação de vizinhança entre as habitações que, por sua vez, estão relativamente próximas às áreas de cultivo ou de pastagens.

O hábitat aglomerado apresenta três modalidades:

Núcleo

Em áreas ocupadas por grandes fazendas, nas quais os trabalhadores habitam junto à sede, formando o hábitat aglomerado. Exs.: cana-de-açúcar no Nordeste, cacau no sul da Bahia (Ilhéus e Itabuna) e café em São Paulo.

Povoados

Em quase todo o país, predominando nas áreas de pequenas propriedades rurais. Têm origens e funções bem diversas.

Coloniais

Geralmente estabelecidas pelos grupos imigrantes, freqüentes nos Estados sulinos, com destaque para a região do Rio Grande do Sul.

3. Hábitat urbano

Cidade é um "organismo material fechado que se define no espaço pelo alto grau de relações entre seus habitantes, pelas suas relações com um espaço maior e pela independência de suas atividades em relação ao solo onde está localizada".

As definições de cidade são diferentes, mas a maioria delas concorda num ponto: trata-se de um aglomerado humano, variando em número e na sua relação com o espaço (sua área). No Brasil, a partir de uma lei em 1938, utiliza-se o critério político-administrativo para se definir a cidade, sendo assim considerada toda sede de Município, não importando sua população nem expressão econômica.

Município é uma sociedade capaz de autogoverno e autoadministração dos serviços que Ihe são peculiares. Ao Município, em colaboração com o Estado, compete zelar pela saúde, higiene e segurança da população.

Classificação das Cidades Quanto à Origem Cidades espontâneas ou naturais Aquelas que surgiram naturalmente, a partir da expansão de antigos hábitats rurais

aglomerados nas diversas fases do desenvolvimento da economia brasileira: a) Feitorias (escalas de expedições marítimas para defender e explorar as terras coloniais) - Cabo Frio (RJ); Santa Cruz de Cabrália (BA). b) Defesa (fortificações) - Fortaleza (CE); Manaus (AM); Natal (RN). c) Missões religiosas - São Paulo; Guarapari (ES). d) Mineração - Ouro Preto (MG); Cuiabá (MT). e) Entroncamento Ferroviário – Bauru, Mairinque (SP). f) Núcleo de Colonização - Londrina, Maringá (PR), Blumenau, Joinville (SC); Caxias do Sul,

Bento Gonçalves (RS). g) Arraiais do Bandeirismo Minerador - (as chamadas corrutelas das áreas diamantíferas) -Poxoréo (MT); Aragarças (GO).

Cidades planejadas ou artificiais

Criadas a partir de um plano previamente estabelecido. No Brasil, temos:

Teresina (PI) 1851 Aracaju (SE) 1858 Belo Horizonte (MG) 1898

Goiânia (GO) 1937

Brasília (DF) 1960

Quanto à evolução urbana, convém observar que possuímos cidades-mortas , felizmente

sendo raros os exemplos de morte absoluta, de desaparecimento total, porque estamos livres de

erupções vulcânicas ou terremotos e nunca sofremos os flagelos das guerras de extermínio ou de

invasões arrasadoras; apenas a construção de barragens e o represamento de águas fluviais para

produção de energia hidrelétrica têm sido responsáveis por tais mortes, como aconteceu com a

mineração do ouro e das pedras preciosas.

Classificação das Cidades quanto ao Sítio Urbano

O sítio urbano é a área em que o aglomerado está assentado. É o "assoalho" da cidade.

Assim, temos:

a) Acrópole ou Colina (geralmente com objetivos defensivos) - Salvador (BA), São Paulo (SP) e

Rio de Janeiro (RJ).

b) Planície - Manaus (AM), Belém (PA) e Santarém (PA);

c) Planalto - Brasília (DF) e Cuiabá (MT);

d) Montanhas - Ouro Petro (MG), Campos do lordão (SP) e Belo Horizonte (MG); e) Insular - São

Luís (MA), Vitória (ES), Florianópolis (SC) e Guarujá (SP).

Observação

As cidades de São Luís, Vitória, Santos e São Francisco não podem ser consideradas cidades

insulares típicas, já que apresentam íntimo contato com o continente e mal se percebe a

passagem deste para a ilha. Já no caso de Florianópolis, por exemplo, a insularidade é marcante.

Estação de saúde ò Campos do Jordão (SP)ò Araxá (MG)ò Serra Negra (SP)ò Águas de Lindóia (SP)

Turística (balneária) ò Guarujá (SP) ò Camboriú (SC) ò Guarapari (ES) ò Torres (RS) ò Cabo Frio (RJ) Militar estratégica ò Resende (RJ)ò Vila dos Remédios (FN)

Turística (histórica) ò Ouro Preto (MG)ò Parati (RJ)ò Congonhas do Campo (MG)

Portuária ò Santos (SP) ò Paranaguá (PR) ò Rio Grande (RS) ò Vitória (ES)

Administrativa ò Brasília (DF) ò Florianópolis (SC)

Classificação das Cidades quanto à Hierarquia Urbana

É expressa pela rede urbana que a cidade apresenta e sua posição de polarização sobre as demais.

Metrópole nacional

Aquela cuja área de influência abrange todo o território nacional. Ex.: São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ).

Metrópole regional

Aquela cuja área de influência abrange uma região do País, polarizando esta área através de infra-estrutura e equipamentos urbanos.

Capital regional

O espaço regional polarizado é menor e representa uma posição hierárquica intermediária entre o centro regional e a metrópole regional. Ex.: Campinas (SP), Sorocaba (SP), Goiânia (GO), Santos (SP) e São José dos Campos (SP).

Centro regional

Diretamente influenciado pela capital regional e que polariza um subespaço dentro da área de influência da capital regional. Ex.: Americana (SP), Itapetinga (SP), Anápolis (GO), Cubatão (SP) e Jacareí (SP).

4. Urbanização

É um processo de criação ou de desenvolvimento de organismos urbanos. Certos períodos foram especialmente favoráveis ao desenvolvimento da vida urbana. No Brasil, o desenvolvimento da urbanização teve um incremento a partir de 1930, quando o desenvolvimento industrial se intensificou, acarretando o crescimento rápido das cidades, principalmente do Sudeste, por receberem a população do campo atraída pela indústria.

Recentemente, o processo abrange quase todas as partes do país, não só pela indústria, mas por outras atividades econômicas ou expansão de serviços.

Em 1970, o Brasil atingiu um total de 3.951 cidades. Dentre estas, nove transformaram-se em grandes aglomerados urbanos, denominados metrópoles, constituídos pela cidade principal e por núcleos urbanos de maior importância, situados à sua volta em sua função.

Causas da urbanização:

ò processo de industrialização a partir de 1930;

ò êxodo rural: precárias condições no campo e atração das cidades;

ò concentraçâo rápida no Sudoeste;

ò crescimento rápido e caótico das cidades.

5. Megalópoles

Correspondem à conurbação de várias metrópoles, com fusão de sítios urbanos, gerando gigantescos aglomerados que ocupam extensas áreas. Exemplo: a região que se estende de Boston até Washington, tendo como centro Nova Iorque.

6. A Grande São Paulo

A região da Grande São Paulo é definida e regulamentada pelos Decretos n° 48.163, de 3 de julho de 1967 e n° 50.096, de 30 de julho de 1968, do Governo do Estado de São Paulo. Essa definição está vinculada ao processo de institucionalização de áreas e entidades metropolitanas no Brasil.

A região possui 15.992.170 habitantes (1993), numa superfície de 7.951 km^2 , com 39 municípios. Tal população é equivalente à da Venezuela (912.050 km^2 ), Arábia Saudita (2.240.000 km^2 ), Holanda (33.936 km^2 ) ou, ainda, de Moçambique (799.380 km^2 ). A ela correspondia, em 1980, 68% do valor da produção industrial do Estado de São Paulo e 39% do Brasil. Em 1967, foi criado o GEGRAM Grupo Executivo da Grande São Paulo - órgão técnico da Secretaria de Economia e Planejamento desse estado, para enfrentar os grandes problemas ainda existentes.

Esta região assume importância nacional, não apenas por sua grande população (15,9 milhões de habitantes - 1993), mas por se constituir em um pólo de desenvolvimento para o crescimento do Brasil. Contudo, essa área apresenta grandes problemas a serem resolvidos, como os de habitação, transportes, assistência médico-hospitalar, educação, abastecimento de água, rede de esgotos, etc.

7. Conceitos Importantes

Região Polarizada

Constituição da região planejada em torno de metrópoles. O regionalismo leva à formação de diversas grandes cidades que podem atingir vários milhões de habitantes e onde cada uma delas pode alcançar caráter metropolitano internacional e, como pólos, organizar regiões em torno de si, onde a população gradativamente adquire consciência regional. O estudo das regiôes polarizadas nos leva à divisão de estados em regiões administrativas e, estas, em sub-regiões.

Malha Urbana

Diz-se da forte concentração de cidades em uma determinada área do país, como, por exemplo, a região Sudeste, em determinadas partes. Na região Sul, a malha urbana caracteriza-se por maiores concentrações em alguns pontos, por exemplo, as áreas próximas a Porto Alegre, Curitiba e leste catarinense.

Rede Urbana

Sistema de cidades distribuídas numa região, encaradas como um complexo sistema circulatório entre núcleos e funções diferentes, mantendo relações entre si e dependentes de um centro principal que comande a vida regional. Existem redes urbanas mais e menos organizadas, estando em permanente processo de transformação.

Áreas metropolitanas

Conjunto de municípios contíguos e integrados com serviços públicos de infra-estrutura comuns. Grandes espaços urbanizados que se apresentam integrados, seja quanto aos aspectos físicos ou funcionais de uma metrópole que exerce o papel dirigente.

Conurbação