Docsity
Docsity

Prepare-se para as provas
Prepare-se para as provas

Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity


Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos para baixar

Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium


Guias e Dicas
Guias e Dicas


hematologia linfomas, Resumos de Ciências da Saúde

Resumo os tipos de linfomas (hodgkin e não hodgkin)

Tipologia: Resumos

2018

Compartilhado em 26/03/2026

jelyane-leocadia
jelyane-leocadia 🇧🇷

1 documento

1 / 11

Toggle sidebar

Esta página não é visível na pré-visualização

Não perca as partes importantes!

bg1
LINFOMAS
1. Linfoma de Hodgkin (LH)
O linfoma de Hodgkin é uma neoplasia maligna do sistema linfático originada de
linfócitos B, caracterizada pela presença de células neoplásicas chamadas células de
Reed-Sternberg (RS) em meio a um infiltrado inflamatório rico em células reativas como
linfócitos, eosinófilos, macrófagos e plasmócitos.
Diferente de muitas neoplasias hematológicas, no linfoma de Hodgkin a maioria das
células presentes no tumor não é maligna. As células de Reed-Sternberg representam uma
pequena fração da massa tumoral, mas secretam diversas citocinas e quimiocinas que
recrutam células inflamatórias, formando o microambiente tumoral característico.
As células de Reed-Sternberg derivam de linfócitos B do centro germinativo, que
sofreram mutações genéticas que impediram sua apoptose. Essas células normalmente
deveriam morrer durante o processo de seleção imunológica no centro germinativo, mas
alterações em vias de sinalização celular permitem sua sobrevivência e proliferação.
Morfologicamente, as células RS são grandes, multinucleadas ou bilobadas, com
nucléolos proeminentes, formando a aparência clássica chamada “olhos de coruja”.
2. Etiologia e Fatores de Risco
A etiologia do linfoma de Hodgkin é multifatorial, envolvendo interação entre fatores
infecciosos, imunológicos e genéticos.
Um dos fatores mais importantes é a infecção pelo vírus Epstein-Barr (EBV). Esse
vírus infecta linfócitos B e pode integrar seu material genético ao genoma da célula
hospedeira. A expressão de proteínas virais, como LMP-1, ativa vias de sinalização
intracelular como NF-κB, que promovem proliferação celular e inibem apoptose. Isso
favorece a transformação maligna. Por que isso importa: cria o ambiente ideal para
surgimento das células de Reed-Sternberg e início do linfoma.
Outro fator relevante é a imunossupressão. Pacientes com HIV, transplantados ou
que utilizam imunossupressores apresentam risco aumentado porque a vigilância
imunológica contra células tumorais fica prejudicada. O sistema imune normalmente
detecta e elimina células B com mutações; sem essa vigilância, células alteradas podem
proliferar e formar tumor.
Doenças autoimunes, como síndrome de Sjögren ou doença celíaca, também
aumentam o risco devido à estimulação crônica do sistema imunológico, com ativação
repetida de linfócitos. A ativação contínua aumenta o risco de acúmulo de mutações nos
linfócitos, favorecendo a transformação maligna.
Alterações genéticas também podem contribuir para o desenvolvimento do linfoma,
especialmente mutações em genes envolvidos em: controle do ciclo celular, apoptose,
sinalização imunológica - essas alterações permitem que linfócitos B proliferem de forma
descontrolada, evitem a morte celular programada e escapem da vigilância imunológica,
desencadeando o linfoma.
3. Fisiopatologia
O linfoma de Hodgkin se desenvolve quando linfócitos B do centro germinativo
sofrem mutações que impedem sua morte programada. Normalmente, durante a
maturação nos centros germinativos dos linfonodos, os linfócitos B passam por
hipermutação somática, um processo que modifica os genes de imunoglobulina para gerar
anticorpos mais eficazes. Linfócitos que produzem anticorpos defeituosos deveriam ser
eliminados por apoptose. Entretanto, mutações em genes reguladores da apoptose
permitem que essas células sobrevivam, dando origem às células malignas
características, conhecidas como células de Reed-Sternberg.
pf3
pf4
pf5
pf8
pf9
pfa

Pré-visualização parcial do texto

Baixe hematologia linfomas e outras Resumos em PDF para Ciências da Saúde, somente na Docsity!

LINFOMAS

1. Linfoma de Hodgkin (LH) O linfoma de Hodgkin é uma neoplasia maligna do sistema linfático originada de linfócitos B, caracterizada pela presença de células neoplásicas chamadas células de Reed-Sternberg (RS) em meio a um infiltrado inflamatório rico em células reativas como linfócitos, eosinófilos, macrófagos e plasmócitos. Diferente de muitas neoplasias hematológicas, no linfoma de Hodgkin a maioria das células presentes no tumor não é maligna. As células de Reed-Sternberg representam uma pequena fração da massa tumoral, mas secretam diversas citocinas e quimiocinas que recrutam células inflamatórias, formando o microambiente tumoral característico. As células de Reed-Sternberg derivam de linfócitos B do centro germinativo, que sofreram mutações genéticas que impediram sua apoptose. Essas células normalmente deveriam morrer durante o processo de seleção imunológica no centro germinativo, mas alterações em vias de sinalização celular permitem sua sobrevivência e proliferação. Morfologicamente, as células RS são grandes, multinucleadas ou bilobadas, com nucléolos proeminentes, formando a aparência clássica chamada “olhos de coruja”. 2. Etiologia e Fatores de Risco A etiologia do linfoma de Hodgkin é multifatorial, envolvendo interação entre fatores infecciosos, imunológicos e genéticos. Um dos fatores mais importantes é a infecção pelo vírus Epstein-Barr (EBV). Esse vírus infecta linfócitos B e pode integrar seu material genético ao genoma da célula hospedeira. A expressão de proteínas virais, como LMP-1, ativa vias de sinalização intracelular como NF-κB, que promovem proliferação celular e inibem apoptose. Isso favorece a transformação maligna. → Por que isso importa: cria o ambiente ideal para surgimento das células de Reed-Sternberg e início do linfoma. Outro fator relevante é a imunossupressão. Pacientes com HIV, transplantados ou que utilizam imunossupressores apresentam risco aumentado porque a vigilância imunológica contra células tumorais fica prejudicada. O sistema imune normalmente detecta e elimina células B com mutações; sem essa vigilância, células alteradas podem proliferar e formar tumor. Doenças autoimunes, como síndrome de Sjögren ou doença celíaca, também aumentam o risco devido à estimulação crônica do sistema imunológico, com ativação repetida de linfócitos. A ativação contínua aumenta o risco de acúmulo de mutações nos linfócitos, favorecendo a transformação maligna. Alterações genéticas também podem contribuir para o desenvolvimento do linfoma, especialmente mutações em genes envolvidos em: controle do ciclo celular, apoptose, sinalização imunológica - essas alterações permitem que linfócitos B proliferem de forma descontrolada, evitem a morte celular programada e escapem da vigilância imunológica, desencadeando o linfoma. 3. Fisiopatologia O linfoma de Hodgkin se desenvolve quando linfócitos B do centro germinativo sofrem mutações que impedem sua morte programada. Normalmente, durante a maturação nos centros germinativos dos linfonodos, os linfócitos B passam por hipermutação somática, um processo que modifica os genes de imunoglobulina para gerar anticorpos mais eficazes. Linfócitos que produzem anticorpos defeituosos deveriam ser eliminados por apoptose. Entretanto, mutações em genes reguladores da apoptose permitem que essas células sobrevivam, dando origem às células malignas características, conhecidas como células de Reed-Sternberg.

Essas células tumorais produzem várias citocinas, como IL-5, IL-13, TGF-β e TNF-α, que recrutam células inflamatórias para o local do tumor. Isso explica por que o linfonodo acometido apresenta um infiltrado inflamatório exuberante composto por linfócitos reativos, eosinófilos, macrófagos e outras células. Esse microambiente inflamatório sustenta a sobrevivência das células tumorais, favorece o crescimento do tumor e contribui para os sintomas sistêmicos, como febre, sudorese noturna e perda de peso. À medida que a doença progride, ocorre aumento dos linfonodos e disseminação para cadeias linfonodais adjacentes. Uma característica importante do linfoma de Hodgkin é que essa disseminação geralmente ocorre de forma contígua, passando de um linfonodo para outro adjacente, diferentemente dos linfomas não Hodgkin, que tendem a se espalhar de maneira mais irregular e com envolvimento extranodal precoce. Se quiser, posso agora fazer um resumo enxuto desse texto para mapa mental, mantendo só os pontos principais com o “porquê” em 1 linha por item. Quer que eu faça?

4. Quadro Clínico O achado clínico mais comum no linfoma de Hodgkin é a linfadenomegalia indolor, geralmente inicial nas regiões cervicais ou supraclaviculares. Esses linfonodos apresentam consistência firme ou elástica (“borrachosa”), crescimento progressivo e ausência de dor na maioria dos casos. Em alguns pacientes, a palpação dos linfonodos pode causar dor após ingestão de álcool, um achado raro, mas relativamente específico do linfoma de Hodgkin. Acredita-se que isso ocorra devido à vasodilatação induzida pelo álcool, que aumenta a pressão dentro do linfonodo infiltrado por células tumorais e pelo microambiente inflamatório. Outro achado frequente é a massa mediastinal, especialmente em adultos jovens. Essa massa pode comprimir estruturas torácicas, levando a tosse seca, dispneia, dor torácica, rouquidão e, em casos mais graves, síndrome da veia cava superior devido à obstrução do fluxo venoso. Além disso, podem ocorrer os chamados sintomas B — febre acima de 38°C, sudorese noturna intensa e perda de peso >10% em seis meses. Esses sintomas refletem atividade inflamatória sistêmica causada pelo microambiente rico em citocinas produzido pelas células de Reed-Sternberg. Eles têm grande valor prognóstico, pois geralmente indicam doença mais ativa e estágio avançado. Em estágios avançados, também pode surgir anemia de doença crônica, resultante da inflamação persistente, que interfere na produção de hemácias e na disponibilidade de ferro para a eritropoese. 5. Diagnóstico O diagnóstico definitivo do linfoma de Hodgkin é feito por biópsia excisional do linfonodo acometido, que permite a remoção completa do linfonodo e preserva sua arquitetura. Isso é essencial para a avaliação histopatológica, pois possibilita identificar a presença das células de Reed-Sternberg, o infiltrado inflamatório heterogêneo e alterações na arquitetura linfonodal, características típicas da doença. Após a confirmação do diagnóstico, são realizados exames de imagem para avaliar a extensão da doença e envolvimento de órgãos. Os principais exames incluem: PET-CT → detecta linfonodos e tecidos metabolically ativos, permitindo identificar áreas de tumor ativas e orientar estadiamento e resposta ao tratamento. Tomografia de tórax → avalia linfonodos mediastinais e possíveis massas que possam comprimir estruturas torácicas.

A combinação de drogas que atuam em diferentes fases do ciclo celular aumenta a eficácia do tratamento, diminuindo a chance de resistência tumoral. Estágios iniciais (I–II, sem sintomas B e sem bulky disease) → geralmente 2 a 4 ciclos de quimioterapia seguidos de radioterapia localizada, para consolidar a resposta e reduzir risco de recidiva. Estágios avançados (III–IV ou presença de sintomas B) → normalmente 6 ciclos de quimioterapia ABVD, podendo associar radioterapia em áreas volumosas residuais. A resposta ao tratamento é avaliada por PET-CT após alguns ciclos, permitindo ajustar o número de ciclos ou a necessidade de radioterapia, garantindo tratamento personalizado e evitando toxicidade desnecessária. Tratamento do Linfoma de Hodgkin — mapa mental Quimioterapia combinada (ABVD) → drogas agem em diferentes fases do ciclo celular → aumentam eficácia e reduzem resistência Doxorrubicina → bloqueia síntese de DNA → impede proliferação celular Bleomicina → induz quebras de DNA → favorece apoptose de células tumorais Vinblastina → inibe mitose → interrompe divisão celular Dacarbazina → agente alquilante → induz apoptose Estágios iniciais → 2–4 ciclos + radioterapia → consolida resposta, menor toxicidade Estágios avançados → 6 ciclos ± radioterapia → trata doença extensa e sintomas B Avaliação da resposta (PET-CT) → ajusta ciclos e radioterapia → tratamento personalizado e seguro Fatores Prognósticos no Linfoma de Hodgkin O linfoma de Hodgkin é altamente curável, mesmo em estágios avançados, mas certos fatores influenciam a resposta e o prognóstico:  Estágios iniciais (I–II) → taxa de cura > 90% → doença localizada e menos agressiva  Estágios avançados (III–IV) → taxa de cura 70–80% → maior extensão de doença, mais difícil de tratar Fatores prognósticos desfavoráveis:  Presença de sintomas B (febre, sudorese noturna, perda de peso) → indica doença ativa e inflamação sistêmica  Estágio III ou IV → disseminação extensa → tratamento mais intensivo e risco maior de recidiva  VHS elevado → marcador de atividade inflamatória → doença mais agressiva  Albumina sérica < 4 g/dL ou anemia → refletindo inflamação crônica ou envolvimento medular  Doença avançada com fatores clínicos adicionais → homem, >45 anos, hemoglobina <10,5 g/dL, leucócitos >15.000/μL, linfócitos <600/μL ou <8% → combinação de idade, extensão e alterações hematológicas indica pior prognóstico Esses fatores ajudam a estratificar risco, planejar tratamento individualizado e prever resposta terapêutica. Linfoma Não Hodgkin (LNH) Os linfomas não Hodgkin correspondem a um grupo heterogêneo de neoplasias malignas originadas de linfócitos B, T ou células NK, que podem surgir em diferentes estágios da maturação dessas células. Diferente do linfoma de Hodgkin, os LNH apresentam grande diversidade biológica, clínica e prognóstica, podendo variar desde

tumores indolentes de crescimento lento até neoplasias extremamente agressivas. Esses linfomas são mais comuns em adultos mais idosos e frequentemente apresentam disseminação extranodal.

9. Fisiopatologia dos LNH A fisiopatologia dos Linfomas Não Hodgkin pode ser compreendida como um processo que se inicia durante a maturação normal dos linfócitos, principalmente dos linfócitos B. Essas células fazem parte do sistema imune adaptativo e possuem a função de produzir anticorpos capazes de reconhecer uma grande variedade de antígenos. Para alcançar essa diversidade de reconhecimento, os linfócitos passam por mecanismos fisiológicos que modificam o próprio material genético da célula. Esses mecanismos ocorrem principalmente na medula óssea e nos centros germinativos dos linfonodos e incluem três processos fundamentais: recombinação dos genes de imunoglobulina, hipermutação somática e troca de classe de anticorpos. Embora sejam processos normais e essenciais para a resposta imune, todos eles envolvem quebras e rearranjos do DNA, o que cria um ambiente propício para o surgimento de erros genéticos. A recombinação dos genes de imunoglobulina ocorre nas fases iniciais do desenvolvimento do linfócito B e permite que segmentos gênicos chamados V, D e J sejam reorganizados para formar diferentes combinações que codificam os anticorpos. Esse mecanismo é responsável por gerar uma enorme diversidade de anticorpos capazes de reconhecer diferentes microrganismos. Entretanto, durante esse processo ocorrem cortes e religação do DNA. Se o reparo dessas quebras não ocorrer de forma precisa, podem surgir rearranjos anormais ou translocações cromossômicas. Posteriormente, quando o linfócito B entra em contato com um antígeno nos centros germinativos dos linfonodos, ocorre a hipermutação somática. Esse processo introduz pequenas mutações nas regiões do gene que codificam o anticorpo, aumentando a afinidade desse anticorpo pelo antígeno. De forma semelhante, a troca de classe de anticorpos permite que o linfócito B altere o tipo de imunoglobulina produzida, como passar de IgM para IgG ou IgA, sem modificar a especificidade antigênica. Tanto a hipermutação somática quanto a troca de classe também dependem de quebras no DNA e de mecanismos de recombinação genética, o que novamente aumenta o risco de erros durante o reparo do material genético. Quando ocorrem falhas nesses processos, podem surgir alterações genéticas importantes, especialmente translocações cromossômicas. Nessas translocações, fragmentos de diferentes cromossomos trocam de posição, fazendo com que determinados genes passem a ser controlados por regiões do DNA altamente ativas, como os promotores das imunoglobulinas. Como os genes de imunoglobulina são muito expressos nos linfócitos B, qualquer gene que seja colocado sob seu controle pode passar a ser superexpresso. Isso é particularmente relevante quando os genes envolvidos são responsáveis pelo controle do ciclo celular, da proliferação ou da morte celular programada. Um exemplo clássico desse mecanismo ocorre no Linfoma Folicular, no qual acontece a translocação t(14;18). Nessa alteração, o gene BCL2, localizado no cromossomo 18, é deslocado para próximo do gene da cadeia pesada da imunoglobulina no cromossomo 14. Como consequência, ocorre superexpressão da proteína BCL2. Essa proteína tem a função de impedir a apoptose, que é o mecanismo fisiológico de morte celular programada responsável por eliminar células danificadas ou desnecessárias. Quando a BCL2 está aumentada, os linfócitos que normalmente deveriam morrer passam

Os linfócitos possuem capacidade fisiológica de migrar para diversos tecidos do organismo em busca de antígenos. Quando se tornam malignos, mantêm essa capacidade de migração, podendo infiltrar tecidos fora do sistema linfático, como órgãos e mucosas.

  1. Infiltração de órgãos Trato gastrointestinal: ocorre infiltração do tecido linfóide da mucosa intestinal, podendo formar massas tumorais que causam dor abdominal, sangramento ou obstrução. Sistema nervoso central: células tumorais podem infiltrar meninges ou parênquima cerebral, causando cefaleia, alterações neurológicas ou déficit focal. Pele: infiltração de linfócitos malignos no tecido cutâneo leva ao aparecimento de placas, nódulos ou lesões cutâneas. Fígado e baço: ocorre infiltração do sistema reticuloendotelial, levando a hepatomegalia e esplenomegalia.
  2. Infiltração da medula óssea Quando as células tumorais ocupam a medula óssea, ocorre substituição da hematopoese normal, reduzindo a produção das células sanguíneas. Consequências hematológicas: Anemia: redução da produção de hemácias → fadiga, palidez e dispneia. Trombocitopenia: diminuição da produção de plaquetas → sangramentos, petéquias e equimoses. Leucopenia: diminuição de leucócitos normais → maior risco de infecções.
  3. Sintomas B: febre, sudorese noturnae perda de peso – Esses sintomas ocorrem devido à liberação de citocinas inflamatórias pelas células tumorais e pelo sistema imune, que alteram o centro regulador de temperatura no hipotálamo e aumentam o metabolismo corporal. 11. Diagnóstico Biópsia excisional do linfonodo acometido → método padrão para diagnóstico, porque permite remover o linfonodo inteiro, preservando a arquitetura tecidual. Isso é essencial para avaliar tanto a morfologia das células quanto o padrão de infiltração, o que não seria possível em uma punção aspirativa. Avaliação histológica e imunofenotípica → análise microscópica das células permite diferenciar linfócitos normais de malignos. → Imunofenotipagem identifica marcadores de superfície (CD20, CD3, CD10, BCL2, BCL6, etc.), ajudando a definir o subtipo de linfoma e orientar tratamento. Padrões de infiltração morfológica Padrão folicular → células tumorais organizadas em folículos, semelhante aos centros germinativos normais, típico de linfoma folicular. Padrão de zona de manto → expansão da camada externa do folículo linfóide, característica do linfoma de células do manto. Padrão marginal → aumento da camada marginal ao redor do folículo, comum em linfomas da zona marginal. Infiltração sinusal → células malignas presentes nos seios linfáticos do linfonodo, observado em alguns linfomas difusos. Exames laboratoriais complementares Anemia, neutropenia e trombocitopenia (em fases avançadas com medula óssea acometida) → a infiltração da medula óssea por células malignas substitui a hematopoese normal, reduzindo a produção de hemácias, leucócitos e plaquetas, resultando em anemia, risco de infecções e sangramentos.

Células linfomatosas no sangue periférico → quando a doença é extensa ou agressiva, linfócitos malignos podem sair do linfonodo ou medula e circular na corrente sanguínea, indicando alta carga tumoral. Biópsia é valiosa para diagnóstico → permite análise morfológica e imunofenotípica, confirmando o tipo de linfoma e diferenciando de outras causas de linfonodomegalia ou alterações hematológicas. Aumento do LDH → o LDH é liberado por células em rápida proliferação ou em apoptose; níveis elevados indicam alta atividade tumoral, doença extensa ou agressiva. Pesquisa de anticorpos anti-HIV → pacientes imunossuprimidos têm maior risco de desenvolver LNH, principalmente formas agressivas, porque a imunidade comprometida facilita a expansão de células linfóides malignas.

12. Tratamento O tratamento dos linfomas não Hodgkin depende de vários fatores: → Subtipo histológico: linfomas agressivos e indolentes respondem de forma diferente à quimioterapia. → Agressividade da doença: linfomas de crescimento rápido exigem tratamento imediato para evitar complicações como síndrome de lise tumoral. → Estágio: doença localizada pode ser tratada com menos ciclos ou radioterapia; doença avançada requer esquemas mais intensivos. → Idade e estado funcional do paciente: pacientes frágeis ou idosos podem necessitar de doses ajustadas ou esquemas menos tóxicos. LNH agressivo (ex: DLBCL) Esquema R-CHOP: combinação de quimioterapia + imunoterapia: Rituximabe → anticorpo monoclonal anti-CD20, reconhece células B malignas e ativa destruição via citotoxicidade mediada por células NK e complemento. Ciclofosfamida → agente alquilante → danifica DNA das células malignas, levando à morte celular. Doxorrubicina → inibidor de topoisomerase II → impede replicação do DNA e induz apoptose. Vincristina → inibe polimerização de microtúbulos → bloqueia mitose das células tumorais. Prednisona → corticosteroide → efeito citotóxico em linfócitos B e redução de inflamação/tumor associado. Objetivo: destruir células malignas rapidamente, induzir remissão completa e prevenir recidiva. Já nos linfomas indolentes, como o linfoma folicular, pacientes assintomáticos podem inicialmente ser apenas observados, estratégia conhecida como watch and wait. LNH indolente (ex: linfoma folicular) Watch and wait (observação) → pacientes assintomáticos não recebem tratamento imediato, porque a doença cresce lentamente e quimioterapia precoce não aumenta sobrevida. Quando tratar: → quimioterapia combinada com imunoterapia (ex: Rituximabe + bendamustina ou R- CHOP).

Linfonodos supraclaviculares ou mediastinais aumentados são particularmente sugestivos de doença neoplásica. Passo 2Investigar sintomas sistêmicos - Em seguida investigamos os chamados sintomas B, que sugerem linfoma ativo:  febre inexplicada >38°C  sudorese noturna intensa  perda de peso >10% em 6 meses Esses sintomas ocorrem devido à liberação de citocinas inflamatórias pelas células tumorais, como IL-1, IL-6 e TNF-α. Passo 3 — Avaliar compressão ou infiltração de órgãos Dependendo da localização do linfoma podem surgir sintomas por efeito de massa. Por exemplo: tosse e dispneia → massa mediastinal dor abdominal → linfonodos retroperitoneais déficit neurológico → infiltração do sistema nervoso central  Essa avaliação ajuda a identificar doença disseminada ou extranodal. Passo 4 — Solicitar exames laboratoriais iniciais Os exames iniciais geralmente incluem: hemograma completo, LDH, VHS, função hepática e renal O hemograma pode mostrar: anemia, leucopenia ou leucocitose, trombocitopenia

  • principalmente quando há infiltração da medula óssea. O LDH elevado é importante porque indica alto turnover celular e intensa proliferação tumoral, sendo comum em linfomas agressivos. Passo 5 — Avaliar por exames de imagem Após suspeita clínica são realizados exames de imagem para avaliar a extensão da doença. Os principais exames são: tomografia de tórax, tomografia de abdome e pelve, PET-CT: O PET-CT é particularmente útil porque detecta áreas com aumento do metabolismo glicolítico, típico de células tumorais. Passo 6 — Confirmar diagnóstico com biópsia O diagnóstico definitivo do linfoma nunca é feito apenas por imagem ou exames laboratoriais. Ele deve ser confirmado por biópsia excisional do linfonodo. A análise histopatológica permite: identificar a arquitetura linfonodal, reconhecer células tumorais e realizar imunofenotipagem
  • No Linfoma de Hodgkin, o achado característico são as células de Reed-Sternberg.
  • Nos Linfoma Não Hodgkin, a biópsia identifica o subtipo específico de linfoma. Passo 7 — Estadiamento Depois de confirmado o diagnóstico é realizado o estadiamento, que define: extensão da doença, prognóstico estratégia terapêutica Isso inclui: PET-CT, tomografia e biópsia de medula óssea (em alguns casos) Exemplo de fala clínica resumida “Paciente apresenta linfonodomegalia indolor de crescimento progressivo associada a perda ponderal e sudorese noturna. Esses achados levantam suspeita de linfoma. Inicialmente solicito hemograma e LDH, além de exames de imagem para avaliar extensão da doença. O diagnóstico definitivo deve ser confirmado por biópsia excisional do

linfonodo para análise histopatológica e imunofenotipagem, permitindo diferenciar linfoma de Hodgkin de linfomas não Hodgkin.”

2. Casos clínicos clássicos de prova Caso 1 — Linfoma de Hodgkin clássico Paciente de 22 anos, previamente saudável, procura atendimento por aumento progressivo de linfonodo cervical há 3 meses. Refere: febre baixa intermitente, sudorese noturna, perda de 6 kg nos últimos meses Ao exame físico: linfonodo cervical indolor, consistência borrachosa, cerca de 3 cm

  • Radiografia de tórax mostra massa mediastinal. Hemograma: anemia leve, leucócitos normais, plaquetas normais, LDH discretamente elevado.
  • Biópsia do linfonodo mostra células multinucleadas com nucléolos proeminentes em “olhos de coruja”. Diagnóstico: Linfoma de Hodgkin Ponto chave da prova: adulto jovem, linfonodomegalia cervical, massa mediastinal e células de Reed-Sternberg. Caso 2 — Linfoma difuso de grandes células B Paciente de 65 anos apresenta aumento rápido de linfonodos cervicais e axilares há 2 meses. Refere: perda de peso, febre, fadiga intensa. Exames mostram: LDH muito elevado, anemia moderada
  • Tomografia revela múltiplos linfonodos aumentados. Biópsia mostra proliferação difusa de linfócitos B grandes e atípicos. Diagnóstico: Linfoma Difuso de Grandes Células B Ponto clássico de prova: linfoma agressivo, crescimento rápido e LDH elevado. Caso 3 — Linfoma de Burkitt Criança de 8 anos apresenta: aumento rápido de volume abdominal, dor abdominal e náuseas.
  • Tomografia mostra grande massa abdominal. Laboratório: LDH extremamente elevado, ácido úrico elevado, Biópsia mostra padrão “céu estrelado”. Diagnóstico: Linfoma de Burkitt Característica chave: tumor de crescimento extremamente rápido. Caso 4 — Linfoma folicular Paciente de 60 anos, assintomático, apresenta linfonodos aumentados em várias regiões detectados em exame de rotina. Características: crescimento lento ausência de sintomas B
  • Biópsia mostra padrão folicular com superexpressão de BCL2. Diagnóstico: Linfoma Folicular Ponto clássico: linfoma indolente.