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Hierarquia do candomble, Manuais, Projetos, Pesquisas de Religião

Como é a hierarquia no candomblé

Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas

Antes de 2010

Compartilhado em 07/06/2022

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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE BRASÍLIA UNICEUB
FACULDADE DE CIÊNCIAS APLICADAS FASA
CURSO: ADMINISTRAÇÃO
DISCIPLINA: MONOGRAFIA ACADÊMICA
HIERARQUIA NUMA INSTITUIÇÃO DE CANDOMBLÉ
KETÚ
Eduardo Ângelo de Melo Kappaun
Matrícula nº 2050023-5
PROFESSOR ORIENTADOR: Rogério Lopez Sinotti
Brasília, outubro de 2007.
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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE BRASÍLIA – UNICEUB

FACULDADE DE CIÊNCIAS APLICADAS – FASA

CURSO: ADMINISTRAÇÃO

DISCIPLINA: MONOGRAFIA ACADÊMICA

HIERARQUIA NUMA INSTITUIÇÃO DE CANDOMBLÉ

KETÚ

Eduardo Ângelo de Melo Kappaun Matrícula nº 2050023-

PROFESSOR ORIENTADOR: Rogério Lopez Sinotti

Brasília, outubro de 2007.

EDUARDO ÂNGELO DE MELO KAPPAUN

HIERARQUIA NUMA INSTITUIÇÃO DE CANDOMBLÉ KETÚ

Trabalho apresentado à Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas como requisito parcial para a obtenção do grau de Bacharel em Administração do UniCEUB – Centro Universitário de Brasília. Prof. Orientador: Rogério Lopez Sinotti

Brasília, outubro de 2007.

Agradecimentos

Agradeço imensamente a oportunidade dada pelo Ilê Asé Ode Fún Mi Layó, um terreiro de Candomblé Ketú, localizado no Setor de Mansões de Sobradinho II, que permitiu a realização de profunda e detalhada pesquisa. Agradeço aos professores do curso de Administração do UniCEUB, pelo suporte acadêmico e relevantes observações feitas a este trabalho. Dirijo agradecimento especial ao Professor Rogério Lopes Sinotti, orientador do presente projeto, por sua paciência e compreensão diante das minhas dificuldades e limitações, tornando assim possível a realização deste.

“As religiões são caminhos diferentes convergindo para o mesmo ponto. Que importância faz se seguimos por caminhos diferentes, desde que alcancemos o mesmo objetivo?” Mahatma Gandhi

  • 1 INTRODUÇÃO SUMÁRIO
  • 2.1 Conceito de Hierarquia 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
  • 2.2 O Candomblé Ketú
  • 2.3 A “Nação” Ketú
  • 2.3.1 Os Mitos do Candomblé Ketú
  • 2.3.2 Uma Casa de Candomblé Ketú
  • 3.1 Empresa versus Instituição Candomblé Ketú 3 APROFUNDAMENTO DO TEMA
  • 3.2 O Papel dos Gerentes versus O Papel dos Pais-de-santo
  • 3.2.1 A Aposentadoria dos Pais-de-santo
  • 3.3 Cargos
  • 3.4 Os Níveis Hierárquicos
  • 3.5 Estrutura Organizacional
  • 4 MÉTODO..........................................................................................................
  • 5 RESULTADOS
  • 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
  • REFERÊNCIAS
  • ANEXOS..............................................................................................................

1 INTRODUÇÃO

Uma empresa terá maior chance de ser bem-sucedida quando houver a participação, a comunicação, o bom relacionamento e o respeito entre os chefes e seus subordinados em todos os níveis hierárquicos. Essa relação não é apenas um novo estilo de vida ou comportamento, mas também uma realidade mais satisfatória do ponto de vista da auto-realização de ambos os lados (chefe/subordinado).

Uma organização de sucesso apresenta uma estrutura hierárquica definida. Este trabalho tem como objetivo geral relacionar e identificar como a hierarquia organizacional pode ser encontrada, até mesmo, numa instituição de Candomblé Ketú.

O tema reveste-se da maior importância considerando a falta de informação da sociedade perante o fundamento do Candomblé Ketú, sua origem e suas características organizacionais. O Candomblé Ketú é um culto que busca a auto- realização individual e coletiva, e não somente visa se destacar na competição entre os inúmeros terreiros existentes no mundo. Sua organização, que não se baseia em uma hierarquia funcional, estabelece-se a partir de um conceito peculiar de hierarquia tradicionalista.

Fazendo uma análise comparativa com a ciência da Administração, quem está “acima” não tem, necessariamente, poder sobre quem está “abaixo”. Sendo assim, os adeptos do Candomblé Ketú vão adquirindo, com o tempo e a prática sistemática do culto, mais conhecimento e, por conseguinte, mais respeito perante os demais praticantes. Assim é adquirido o direito de interagir e até atuar individualmente e não mais como simples coadjuvante ou figurante nas rodas de dança e demais rituais pertinentes ao culto. Desta forma é que se dá a ascensão ao topo da pirâmide.

Os objetivos específicos deste trabalho são: identificar até que ponto a hierarquia organizacional pode ser encontrada numa instituição de Candomblé Ketú, analisar a estrutura hierárquica do Candomblé Ketú do ponto de vista da administração e expor os mitos e realidades sobre essa religião.

A ascensão hierárquica se faz pela associação de tempo e conhecimento. Em síntese, a hierarquia no Candomblé Ketú, ou em uma determinada empresa, se

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 Conceito de Hierarquia

Para Cury (2005, p. 170), a questão do que determina a hierarquia organizacional é o número de níveis de autoridade e a extensão do controle em cada nível influi na efetividade das tomadas de decisão e no sistema de comunicação da empresa.

Segundo Campos (1999, p. 165), a hierarquia é a posição que cada grupo ocupa dentro do desenho que a organização adota. Essa atende a característica de delegação de autoridade e é alocada em posições da organização e não em pessoas.

De acordo com Drucker (2001, p. 150): Hierarquia é a ordenação de elementos em ordem de importância. Mas pode significar mais especificamente: a distribuição ordenada dos poderes, a graduação das diferentes categorias de funcionários ou membros de uma organização, instituição ou igreja e a ordenação de elementos visuais para tornar a informação mais facilmente inteligível ou para destacar elementos de uma composição. Já para Chiavenato (2004, p. 158), a hierarquia é a divisão da organização em camadas ou níveis diferentes de autoridade. Na medida em que se sobe a escala hierárquica, aumenta o volume de autoridade do administrador.

2.2 O Candomblé

O Candomblé é um culto com uma vasta cultura e rico em preceitos. Esse culto é pouco conhecido e difundido para o público em geral. É necessária muita dedicação e anos de estudo para se chegar a um conhecimento profundo desta prática. Seus dogmas são todos fundamentados e qualquer um pode dedicar-se ao seu estudo e desfrutar de seus benefícios.

O Candomblé é um culto monoteísta, ou seja, crê em um único Deus, cuja denominação própria é Olorun (para a tribo dos Yorubás) e Zambi (para a tribo dos Bantus).

Segundo os estudos de Campos (1999, p. 25): O Candomblé teve origem na cidade de Ifé, na África, e foi trazido para o Brasil pelos negros Yorubás (tribo). No entanto, o continente africano e o Brasil praticam e professam esse culto de modos diferentes. Nem mesmo a

denominação Candomblé é usada para o culto praticado no continente africano. O que existe lá é o culto a Orixá (Santo), onde cada país cultua um Orixá diferente e só inicia Elegun (adepto) ou uma pessoa filho(a) daquele Orixá. Portanto, a palavra Candomblé foi uma forma de denominar as reuniões feitas pelos escravos, para cultuar seus deuses, porque também era comum chamar de Candomblé toda festa ou reunião de negros no Brasil. De acordo com Miranda (2001, p. 63), com o passar do tempo, a palavra Candomblé foi aceita e passou a definir um conjunto de cultos vindos de diversas regiões africanas.

Conforme descreve Verger (2003, p. 17), o culto aos Orixás (deuses cultuados no Candomblé Ketú) remonta de muitos séculos, talvez sendo um dos mais antigos cultos religiosos de toda a história da humanidade. O objetivo principal deste culto é o equilíbrio entre o ser humano e a divindade aí chamada de Orixá.

2.3 A “Nação” Ketú

Ketú (pronuncia-se /queto/) é a maior e a mais popular "nação" do Candomblé, um culto afro-brasileiro. Essa “nação” é considera a mais luxuosa, por suas decorações, enfeites, acessórios, roupas e paramentos.

Para Miranda (2001, p. 60): No início do século XIX, as etnias africanas eram separadas por confrarias da Igreja Católica na região de Salvador, Bahia. Dentre os escravos pertencentes ao grupo dos Nagôs estavam os Yorubás. Suas crenças e rituais do Ketú são parecidos com os de outras “nações” do Candomblé em termos gerais, mas diferentes em quase todos os detalhes. Na “nação” Ketú são cultuados os seguintes Orixás:

a) Exu , Orixá guardião dos templos, casas, cidades e das pessoas. Mensageiro divino dos oráculos. b) Ogum , Orixá do ferro, fogo, guerra e tecnologia. c) Oxóssi , Orixá da caça e da fartura. d) Logunedé , Orixá jovem da caça e da pesca. e) Xangô , Orixá do fogo e trovão, protetor da justiça. f) Obaluaiyê , Orixá das doenças epidérmicas, pragas e curas. g) Oxumaré , Orixá da chuva e do arco-íris. h) Ossaim , Orixá dos remédios, conhece o segredo de todas as folhas. i) Oyá ou Iansã , Orixá feminino dos ventos, relâmpagos, tempestade e do Rio Niger.

Conforme Campos (1999, p. 36), o Axé, palavra tão popular atualmente, nada mais é do que a energia que emana dos Orixás e que precisa ser renovada e acumulada.

Conforme ensina Verger (2003, p. 90): O sangue utilizado nos rituais é o princípio gerador da vida, o que mantém as pessoas vivas e em desenvolvimento. A carne dos animais abatidos nos sacrifícios votivos é comida pelos membros da comunidade religiosa, enquanto o sangue e certas partes dos animais, como patas e cabeça, órgãos internos e costelas, são oferecidas aos Orixás. Somente iniciados têm acesso a estas cerimônias, conduzidas em espaços privativos denominados quartos de santo. O Candomblé Ketú também pode ser o culto ou a magia daquele que já se fartou dos sentidos dados pela razão, ciência e tecnologia, e que deixou de acreditar no sentido de um mundo totalmente desencantado, que deixou para trás a magia em nome da eficácia do secular pensamento moderno.

Talvez o Candomblé Ketú possa vir a ser o culto daquele que não consegue atinar com o senso de justiça social suficiente para resolver muitos dos problemas que cada indivíduo enfrenta no curso de sua vida pelo mundo desencantado.

2.2.2 Uma Casa de Candomblé Ketú

Segundo Miranda (2001, p. 32): Para existir um Ilê (casa de Candomblé Ketú), é necessário um Babalorixá (pai-de-santo) ou Iyalorixá (mãe-de-santo), formados ao longo de sete anos de rígida dedicação, abdicação, sacrifícios e estudos das normas e preceitos do Candomblé Ketú, pois somente assim terá o aval, o consentimento, o Axé necessário para a prática das suas atribuições. Um Ilê Axé (casa de energia) é estruturado com estudo, aprendizado, dedicação, humildade, respeito e, principalmente, conduta ritual. Mas, em alguns casos, até mesmo por falta de controle e fiscalização por parte de uma confederação legitimada, decorrente da não organização dos adeptos, existem instituições de Candomblé Ketú que são verdadeiros comércios. Os motivos não passam pelo fato de cobrarem algum benefício financeiro para sua manutenção e sustento, mas pelo exagero dos valores pedidos, aproveitando-se do medo e da inocência de algumas pessoas, e instituindo total libertinagem por conveniência de seus comandantes e comandados. Em vez de ajudarem, acabam causando um mal maior e, infelizmente, os adeptos são abrigados a conviver com situações que denigrem totalmente a imagem da nação ‘candomblecista’.

3 APROFUNDAMENTO DO TEMA

3.1 Empresa versus Instituição de Candomblé Ketú

Segundo Cury (2005, p. 169), Fayol considerava a empresa como sistema racional de regras e de autoridade. O que justifica a existência dessa empresa está no atendimento ao objetivo primário do fornecer, na forma de bens e serviços, a seus consumidores.

De acordo com os ensinamentos de Miranda (2001, p. 34): As pessoas que freqüentam uma instituição de Candomblé Ketú basicamente são: praticantes, simpatizantes e usuários. A procura por este culto, tanto para prática como para consulta, muito é em virtude de um atendimento pessoal e individualizado, em que as pessoas têm uma participação ativa. Naquele instante, a pessoa não é uma a mais na multidão, mas é o centro das atenções, de uma forma que possa canalizar toda a sua fé para obtenção dos seus objetivos. O Pai ou Mãe-de-santo precisam ter, assim como um gerente na administração, uma visão voltada para fora de sua organização, a fim de manter-se em estado de observação e monitoramento do ambiente externo e assim ter condições de competir com os concorrentes e acompanhar a evolução das exigências e necessidades de seus clientes. Isso permite que ele controle sua clientela e, deste modo, um fluxo regular e constante de clientes que paguem pela prestação dos serviços oferecidos.

Conforme Miranda (2001, p. 61): O Candomblé Ketú demonstra ter uma capacidade de se manter como um culto aético e consumista, permitindo-lhe uma vantajosa flexibilidade em relação às outras religiões éticas, pois ele tem abertura para um mercado religioso de consumo, por parte dos clientes não religiosos, que as demais religiões de conversão não têm. O cliente de classe média que freqüenta os Candomblés para jogar búzios e fazer Ebós (trabalho típico do Candomblé Ketú que consiste em uma “limpeza espiritual”) vai à procura de fontes não racionais, de um sentido para a vida e de curas para males de toda natureza.

Para Slack (2002, p. 100): O principal motivo para a existência das organizações é o fato de que certos objetivos só podem ser alcançados por meio da ação coordenada de grupos e pessoas. Na sociedade moderna, muitos produtos e serviços essenciais para simples sobrevivência somente se tornam disponíveis quando há organizações empenhadas em realizá-los. Sendo tão importantes, as organizações atrairão a atenção de seus futuros clientes.

Assim como numa instituição de Candomblé Ketú, o gerente influi diretamente na efetividade, comunicação e motivação organizacional. Quanto mais níveis hierárquicos, menor é a amplitude de controle. Quanto maior a responsabilidade dos gerentes de uma organização, maior é o seu grau de autoridade.

3.2.1 A Aposentadoria no Candomblé Ketú

O Candomblé Ketú é reconhecido oficialmente como culto desde 1976, mas apenas vinte e quatro anos mais tarde, e na Bahia, as Iyalorixás (Mães-de-santo) e os Babalorixás (Pais-de-santo) passaram a ter o direito à aposentadoria, que até então só era concedida aos ministros de confissão das religiões judaico-cristãs.

Para Campos (1999, p. 99): Provenientes, em geral, de classes sociais baixas (e agora não importa mais se são brancos ou negros), vir a ser um Pai ou Mãe-de-santo representa para os iniciados a possibilidade de exercer uma profissão que, nascida como ocupação voltada para os estratos baixos e de origem negra, passou, recentemente, a compor os quadros dos serviços de oferta generalizada a todos os segmentos sociais, a reivindicar o status de uma profissão de classe média, como já ocorreu com outras atividades profissionais e em outros contextos sociais. O estudo sistemático da ciência da Administração comprova que quanto mais benefícios dados a um gerente, maior é o seu grau de motivação e participação efetiva. O mesmo é possível verificar no Candomblé Ketú em relação ao Pai ou à Mãe-de-santo.

Segundo a entrevista de Aidil Mendes, sobre a aposentadoria dos Pais-de- santo:

Em outubro de 2000, o Ministério da Previdência Social aprovou um parecer que determina o direito de aposentadoria aos sacerdotes e sacerdotisas das religiões de matriz africana em todo o país. No entanto, o direito ainda é desconhecido pelos interessados. "Para ter o direito à aposentadoria, é necessária a contribuição. Os que não contribuíram podem fazer a solicitação de aposentadoria retroativa para começar a receber o benefício", explica Aidil Mendes, chefe da divisão de benefícios do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). A polêmica na aposentadoria é que para ter o direito à aposentadoria retroativa, o interessado deverá pagar o valor proporcional aos anos em que não recolheu o imposto devido para a Previdência, com juros, multa e correção monetária.

3.3 Cargos

Segundo Verger (2003, p. 115): Observância de uma hierarquia rígida é o instrumento que mantém permanentes as instituições, como o Estado, o exército e a religião. Sua tradução literal expressa: “...ordem e subordinação dos poderes eclesiásticos, civis e militares; graduação de autoridade, correspondente às várias categorias”. Na ciência da Administração, a autoridade pode ser atribuída a pessoas ou a organizações, como, por exemplo, o departamento de auditoria ou uma comissão de sindicância, tal como os gerentes, presidentes e diretores têm responsabilidade pelo desempenho de seus subordinados.

De acordo com Whittington (2002, p. 105): No princípio da cadeia mínima de comando, uma organização deveria escolher o número mínimo de níveis hierárquicos condizentes com seus objetivos e com o ambiente no qual ela existe, ou seja, a organização deveria ser mantida a mais achatada possível. Dessa forma, os problemas de comunicação, motivação e custos seriam reduzidos. Em empresas bem gerenciadas fica a cargo dos gerentes de mais alto nível a decisão sobre novas contratações e alterações na composição da hierarquia organizacional.

Em princípio, no Cadomblé Ketú, é o tempo de iniciação religiosa que conta, seguido do Oye (cargo) que a pessoa ocupa. O mais velho é sempre o mais respeitado. É tido como um mestre, um sábio, não importando se o que for mais jovem tenha o cargo mais alto e, conseqüentemente, mais poder dentro do terreiro. Exceção é feita única e exclusivamente ao Babalorixá ou à Iyalorixá, que por poderes absolutos conquistados ao longo do tempo estão, hierarquicamente, acima de qualquer um, ou seja, no topo da pirâmide.

Segundo Maximiano (2005, p. 173), cargo é um conjunto de tarefas que uma pessoa deve desempenhar, obedecendo à hierarquia da empresa, como por exemplo: presidente, diretor, secretária, assistente, entre outros.

Normalmente, em uma organização, cada departamento é um agregado de cargos. A divisão do trabalho permite às organizações alcançar seus objetivos e cada departamento realiza uma parte do trabalho total. Assim, os subordinados acabam por se especializarem em tarefas distintas, como atender, fiscalizar, prestar o serviço e gerenciar.

6. Iyamoro: Responsável pelo Ipadê de Exú. 7. Iyaefun / Babaefun: Responsável pela pintura branca das Iyawos. 8. Iyadagan: Auxilia a Iyamoro. 9. Iyabassê: Responsável no preparo dos alimentos sagrados. 10. Iyarubá: Carrega a esteira para o iniciando. 11. Aiyaba Ewe: Responsável em determinados atos e obrigações de "cantar folhas”. 12. Aiybá: Bate o Ejé nas obrigações. 13. Ològun: Cargo masculino. Despacha os Ebós das obrigações, preferencialmente os filhos de Ogun, depois Odé e Obaluwaiyê. 14. Oloya: Cargo feminino. Despacha os Ebós das obrigações, na falta de Ològun. São filhas de Oya. 15. Iyalabaké: Responsável pela alimentação do iniciado, enquanto o mesmo se encontrar recolhido. 16. Iyatojuomó: Responsável pelas crianças do Axé. 17. Babalossayn: Responsável pela colheita das folhas. Kosí Ewé, Kosí Orixá. 18. Pejigan: Responsável pelos Axés da casa, do terreiro. Primeiro Ogan na hierarquia. 19. Axogun: Responsável pelos sacrifícios. Trabalha em conjunto com Iyalorixá / Babalorixá, iniciados e Ogans. Não pode errar. 20. Alagbê: Responsável pelos toques rituais, alimentação, conservação e preservação dos instrumentos musicais sagrados. Nos ciclos de festas é obrigado a se levantar de madrugada para que faça a alvorada. Se uma autoridade de outro Axé chegar ao terreiro, o Alagbê tem de lhe prestar as devidas homenagens. 21. Asogbá: “Braço direito” de Xangô. 22. Alagbá: Sacerdote do culto de Egungun. Quando existe um limite para a supervisão direta dos gerentes, a organização deve buscar outras formas de controle. Em geral, a primeira é o aumento de diferenciação horizontal, assim como no Candomblé Ketú, que leva ao aparecimento de subunidades, funções ou divisões especializadas.

3.4 Os Níveis Hierárquicos

Conforme Chiavenato (2004, p. 111), o aumento do número de níveis hierárquicos influi diretamente na efetividade, comunicação e motivação organizacional. Esse aumento de níveis também provoca a diminuição da diferença relativa de autoridade de um gerente.

Na hierarquia do Candomblé Ketú, quanto maior os números de níveis hierárquicos, maior a probabilidade de acontecer certas disputas e intrigas por causa de cargos superiores, gerando, assim, um ambiente de baixa interatividade coletiva no terreiro.

Na Administração, todos os subordinados, desde os que ocupam os níveis mais baixos do organograma até os que estão em níveis mais altos, almejam crescer

na escala hierárquica. Exemplificando, temos o estagiário que deseja um dia chegar ao cargo de diretor de área ou departamento.

Segundo Fiorelli (2004, p. 105): A extensão de controle do gerente é determinada por sua habilidade para supervisionar uma quantidade maior de subordinados. Ela não pode ser muito ampla, pois, sem controle, os subordinados têm oportunidade de seguir seus próprios objetivos e fugir de suas responsabilidades. Encontra-se paridade com o Candomblé Ketú no sentido de que todo aquele que adere a este culto religioso começa como um Abiãn e assim permanecerá até que seja “feito” (batizado) e passe ao cargo hierarquicamente superior, de Iyawô.

Segundo a doutrina de Verger (1995, p. 135): O Abian, ao demonstrar o desejo de aderir ao Candomblé Ketú, ou caso seja o “escolhido” pelo Orixá para fazer parte da comunidade, recebe do Babalorixá ou da Iyalorixá um fio de contas "lavado" (colar, que, no ritual, simboliza o Orixá do neófito). Ele participa no Ilê, ajudando com tarefas civis, na preparação das festas, na limpeza, arrumação e decoração do barracão, preparo de café e almoço para a casa. Conforme Miranda (2001, p. 75): Ao Iyawô (iniciado no Candomblé Ketú), lhes são revelados os fundamentos mais secretos ao longo do tempo. Na sua feitura, ele ficará recluso alguns dias (período que varia de sete a vinte e um dias, conforme sua nação) num lugar chamado Roncó ou camarinha, que consiste num quarto fechado, com algumas esteiras. Lá ele fica confinado e sob os cuidados de sua Ojúbonã (Mãe criadeira), que o auxiliará e ensinará alguns comportamentos durante todo o período da iniciação. Completados sete anos de iniciação, os Iyawôs, após fazerem sua "obrigação" ritualística que os sete anos requerem, tornam-se Egbónmís ou têm direito a ter seu próprio Ilê, com a bênção e autorização do seu Babalorixá ou sua Iyalorixá.

Segundo a teoria de Whittington (2002, p. 102): Quando a organização cresce e necessita de divisão, especialização e diferenciação do trabalho surgem problemas de coordenação e motivação dos empregados e avaliar o desempenho e a contribuição individual fica mais difícil. A Roda de Xirê (círculo de dança para os Orixás), no Candomblé Ketú, por exemplo, o Babalorixá ou a Iyálorixá vêem seguidos dos demais Adoxús (cargos da casa) e adeptos, quer sejam Oloiês ou não, de acordo com o tempo de iniciação. Sempre o mais velho à frente do mais jovem.

Assim, como na instituição de Candomblé Ketú, quando a organização vai bem, uma situação inusitada não provoca mudanças em sua hierarquia. Mas se ela