Docsity
Docsity

Prepare-se para as provas
Prepare-se para as provas

Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity


Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos para baixar

Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium


Guias e Dicas
Guias e Dicas


Distribuições Estatísticas: Hipergeométrica e Poisson, Notas de estudo de Engenharia Civil

Este documento aborda as distribuições estatísticas hipérgeometrica e poisson. Começa explicando a distribuição hipérgeometrica, sua função de probabilidade e os valores esperados e variância. Segue-se a aproximação da distribuição hipérgeometrica pela distribuição binomial e a distribuição poisson, que permite descrever fenômenos aleatórios com repetição no tempo ou no espaço. O texto finaliza com a comparação entre as distribuições hipérgeometrica e poisson, e a aproximação da distribuição hipérgeometrica generalizada por uma distribuição multinomial.

Tipologia: Notas de estudo

2015

Compartilhado em 20/07/2015

eng-antonio-cambundo-6
eng-antonio-cambundo-6 🇧🇷

4.5

(158)

541 documentos

1 / 15

Toggle sidebar

Esta página não é visível na pré-visualização

Não perca as partes importantes!

bg1
71
DISTRIBUIÇÃO HIPERGEOMÉTRICA
Considere-se uma população finita constituída por N
elementos distribuídos por duas categorias exclusivas e
exaustivas de dimensões M e N – M , respectivamente.
Os elementos da primeira categoria podem ser
caracterizados, por exemplo , pela existência de um
determinado atributo ou qualidade que os da outra categoria
não possuem (por exemplo, peças defeituosas e não-
defeituosas). Abreviadamente diz-se que a população é
constituída por indivíduos de tipo A e de tipo
A
.
Nestas condições a proporção de elementos de cada uma das
categorias é respectivamente,
N
M
p=
e
N
MN
q
=
.
Admita-se agora que desta população se retira uma amostra
de n elementos sem reposição (tirar sucessivamente os
elementos é equivalente a tirar em bloco). Se, quando se
selecciona um elemento, ele for do tipo A diz-se que houve
sucesso
.
Seja uma v.a. X, definida como o número de elementos do
tipo A incluídos na amostra de n elementos. Obviamente X
poderá tomar valores inteiros não-negativos aao limite
definido pelo menor dos seguintes valores: n e M .
NOTA:
Poderíamos associar a v.a. X à contagem do de
elementos do tipo
A
incluídos na amostra. Nesse caso
pf3
pf4
pf5
pf8
pf9
pfa
pfd
pfe
pff

Pré-visualização parcial do texto

Baixe Distribuições Estatísticas: Hipergeométrica e Poisson e outras Notas de estudo em PDF para Engenharia Civil, somente na Docsity!

DISTRIBUIÇÃO HIPERGEOMÉTRICA

Considere-se uma população finita constituída por N elementos distribuídos por duas categorias exclusivas e exaustivas de dimensões M e N – M , respectivamente.

Os elementos da primeira categoria podem ser caracterizados, por exemplo , pela existência de um determinado atributo ou qualidade que os da outra categoria não possuem (por exemplo, peças defeituosas e não- defeituosas). Abreviadamente diz-se que a população é constituída por indivíduos de tipo A e de tipo A. Nestas condições a proporção de elementos de cada uma das

categorias é respectivamente, N

M

p = e N

N M

q

Admita-se agora que desta população se retira uma amostra de n elementos sem reposição (tirar sucessivamente os elementos é equivalente a tirar em bloco). Se, quando se selecciona um elemento, ele for do tipo A diz-se que houve sucesso.

Seja uma v.a. X, definida como o número de elementos do tipo A incluídos na amostra de n elementos. Obviamente X só poderá tomar valores inteiros não-negativos até ao limite definido pelo menor dos seguintes valores: n e M.

NOTA:

  • Poderíamos associar a v.a. X à contagem do nº de elementos do tipo A incluídos na amostra. Nesse caso

o limite superior para o valor de X seria definido pelo menor dos valores: n ou N – M.

  • A diferença fundamental entre esta distribuição e a binomial, é que agora as experiências não são de Bernoulli. Efectivamente, como os elementos da amostra são retirados sem reposição de uma população finita, a probabilidade de ocorrência de cada um dos resultados possíveis não se mantêm constante de experiência para experiência e os resultados sucessivos deixam de ser independentes.

Em resumo, diz-se que a v.a. discreta X definida como:

X – número de sucessos ocorridos em n extracções sem reposição

tem distribuição hipergeométrica e escreve-se: X ~ h (N,n,p) se a sua função de probabilidade for dada por:

0 outros valores

x 0 , 1 , 2 ,...,min n,N p

n

N

n x

N q x

N p

pX x

N >> n ⇒ 1 N 1

N n ≈ −

e Var ( Y) ≈Var( X)

TEOREMA: A distribuição hipergeométrica (N,n,p) tende para a distribuição binomial (n,p) quando N → ∞.

A aproximação da distribuição hipergeométrica pela binomial é útil, uma vez que o cálculo da função de probabilidade é mais simples no segundo caso, existindo também tabelas já construídas, de fácil consulta e que rapidamente fornecem o valor das probabilidades procuradas.

Como regra prática considera-se que X~h(N,n,p) pode ser aproximada por X~b(n,p) quando N ≥ 10n. Nestas condições, a aproximação é aceitável apenas globalmente, verificando- se diferenças consideráveis para os valores das probabilidades correspondentes às caudas das duas distribuições.

DISTRIBUIÇÃO DE POISSON

A distribuição de Poisson permite descrever um vasto conjunto de fenómenos aleatórios em que os acontecimentos se repetem no tempo ou no espaço.

Alguns exemplos de situações que se adequam a uma distribuição de poisson são:

  • Número de chamadas telefónicas que chegam, em certo período de tempo, a uma central telefónica.
  • Número de avarias que ocorrem numa determinada máquina, num certo intervalo de tempo.
  • Número de partículas defeituosas num certo volume de líquido.
  • Número de defeitos num dado comprimento de fio produzido por uma determinada máquina.

Em todos os exemplos apresentados verifica-se que há uma característica comum: podem ser descritos por uma v.a. discreta que assuma valores inteiros não negativos. Porém esta característica não é a única exigível.

Considere-se então um fenómeno aleatório cujas ocorrências se repetem ao longo do tempo. Imagine-se que o tempo se encontra dividido numa partição de intervalos de pequena amplitude ∆t.

Ocorrências

t t + ∆t tempo

A variável discreta número de ocorrências por unidade de tempo seguirá uma distribuição de Poisson quando se verificarem as quatro condições seguintes:

i) O número de ocorrências registadas nos intervalos da partição, são independentes entre si.

A partir destas condições e definindo a v.a. X como o número de ocorrências no intervalo [0, t] , pode determinar- se a probabilidade de X = x, a partir de:

x!

t p t e

x t X

λ ⋅ = −λ⋅ ⋅

Esta expressão define a função de probabilidade de uma v.a. X ( X = 0,1,2,... ) com distribuição de Poisson de parâmetro λ.t.

O parâmetro λ.t representa o valor esperado, μX ( t), do

número de ocorrências num intervalo qualquer de dimensão t. Então:

t

λ = μX^ t

corresponde ao número médio de ocorrências por unidade de tempo, ou seja, corresponde à taxa média de ocorrências.

Atendendo ao significado de λ, a função de probabilidade da v.a. X pode escrever-se sob outra forma, expressando-a para um intervalo de tempo ou de espaço de dimensão unitária (neste caso t = 1).

Em resumo, diz-se que a v.a. discreta X definida como:

X – número de ocorrências num dado intervalo de dimensão t

tem distribuição de Poisson e escreve-se: X ~ p (λ) se a sua função de probabilidade for dada por:

⋅λ =

− λ

0 outros valores

x 0 , 1 , 2 ,... x!

e

p x

x

X

O parâmetro que caracteriza esta distribuição é λ ( λ > 0 ) e corresponde ao número médio de ocorrências no respectivo intervalo de tempo.

O valor esperado e a variância para esta distribuição são respectivamente:

E ( X) =λ

Var ( X) =λ

Estas expressões podem ser obtidas pela definição ou

recorrendo à função geradora de momentos, GX (^ t):

=

− λ

x 0

tx tx x X (^) x! G t E e e e

− λ λ⋅ λ⋅^ −^  = ⋅ = e t et^1 e e e

e portanto:

x!

e lim P X x

x

n

⋅ λ = ≈

− λ

→ ∞

isto é, no limite obtém-se a distribuição a distribuição de Poisson de parâmetro λ =n⋅p :

⋅ = λ

→∞

lim b n,p^ p n p

n

O teorema anterior mostra que, se X~b(n,p) , pode obter-se uma aproximação das respectivas probabilidades através da distribuição de Poisson, desde que n seja grande e p pequeno. A aproximação será tanto melhor quanto maior for n e menor for p.

Como regra prática, a aproximação considera-se já satisfatória desde que n ≥ 20 e p ≤ 0,05. Como a distribuição binomial só aparece tabelada para valores de n≤20, utilizar-se-á a aproximação à distribuição de Poisson quando n > 20 desde que p ≤≤≤≤ 0,.

Nota: Como será referido mais adiante, se a distribuição binomial for simétrica ou quase ( n ⋅ p≥ 7 ), é mais prático

aproximar a v.a. binomial (discreta) por uma v.a. normal (contínua).

A tabela seguinte compara os valores das probabilidades quatro v.a. binomiais em que n. p = 1, com os valores obtidos para uma v.a. de Poisson com parâmetro λ = 1.

DISTRIBUIIÇÕES BINOMIAIS POISSON x n = 10p = 1/10^ n = 20p = 1/20^ n = 30 p = 1/300^ n = 100p = 1/100 λ = 1 0 0,3487 0,3585 0,3642 0,3660 0, 1 0,3874 0,3774 0,3716 0,3697 0, 2 0,1937 0,1887 0,1858 0,1849 0, 3 0,0574 0,0596 0,0607 0,0610 0, 4 0,0112 0,0133 0,0145 0,0149 0, 5 0,0015 0,0022 0,0027 0,0029 0, 6 0,0001 0,0003 0,0004 0,0005 0, 7 0,0000 0,0000 0,0001 0,0001 0, 8 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0, ... ... ... ... ... (^) ... ... (^) ... ... ... ... ...

DISTRIBUIÇÃO MULTINOMIAL

A distribuição multinomial representa uma generalização da distribuição binomial, quando numa sucessão de provas independentes há, em cada prova mais de dois resultados possíveis.

As hipóteses subjacentes à distribuição multinomial são análogas às consideradas no caso da distribuição binomial. Considerem-se então n provas (experiências aleatórias) em que:

  • Em cada experiência aleatória, existem k resultados possíveis A (^) i ( i = 1,2,...,k ), mutuamente exclusivos.

Em resumo, diz-se que a v.a. discreta multidimensional

( X 1 ,X 2 ,...,Xk), em que:

X i - número de vezes, em n, em que ocorre Ai (i=1,2,...,k)

tem distribuição multinomial e escreve-se:

( X 1 ,X 2 ,...,Xk)~ M(n, p 1 , p 2 , ..., pk)

se a sua função de probabilidade conjunta for dada por:

( ) 1 x^12 x^2 kxk

1 2 k

1 1 2 2 k k x !x !...x !p p ...p P X =x ,X =x ,...,X =x = n!

( xi ≥ 0 )

Os parâmetros que caracterizam esta distribuição são n e pi

( i = 1,2,...,k ) e correspondem respectivamente ao número de vezes que a experiência aleatória é repetida e à probabilidade de ocorrência de um dado A (^) i ( i = 1,2,...,k ).

O parâmetro n é um inteiro positivo e 0 < pi < 1 ,∀i.

O valor esperado, a variância e a covariância para as diferentes variáveis envolvidas são respectivamente:

E ( Xi ) = n⋅pi ( i = 1,2,...,k )

Var ( Xi ) = n⋅pi⋅( 1 −pi) ( i = 1,2,...,k )

Cov ( Xi ,Xj) = −n⋅pi⋅pj ( i ≠ j )

DISTRIBUIÇÃO HIPERGEOMÉTRICA GENERALIZADA

Esta distribuição corresponde, tal como o nome indica, a uma generalização da distribuição hipergeométrica. Considere-se então uma população finita constituída por N elementos distribuídos por k categorias exclusivas e exaustivas de dimensão Ni (i = 1,2,...,k). Nestas condições a

proporção de elementos de cada uma das categorias é dada por:

N

N

p (^) i = i

verificando-se que:

∑ =

k

i 1

N (^) i N e portanto, (^) ∑ =

k

i 1

pi 1

Admita-se agora que desta população se retira uma amostra de n elementos sem reposição e definam-se k v.a. do seguinte modo:

X i - número de elementos na amostra pertencentes à categoria i (i=1,2,...,k)

então:

⋅^ ⋅

^ ⋅

n

N

x

N

x

N

x

N

P X x ,X x ,...,X x k

k 2

2 1

1

1 1 2 2 k k

com: xi ≥ 0 x 1 +x 2 +...+xk = n p 1 +p 2 +...+pk = 1