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texto de imunidade com resumo, com referencias
Tipologia: Resumos
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Autoimunidade e as Doenças Autoimunes A imunidade tem o papel de reconhecer e eliminar materiais estranhos que entram no corpo. O mecanismo de defesa do nosso corpo consiste em um complexo sistema que, ao reconhecer um patógeno, tende a combater e eliminar, protegendo contra lesão. A primeira barreira de defesa do nosso corpo, e que não é considerada parte do sistema imunológico, são as barreiras físicas, sendo a pele, o trato respiratório e o trato gastrointestinal responsáveis por essa defesa. O rompimento dessas barreiras pode abrir uma porta de entrada para agentes patogênicos. O combate destes agentes patogênicos é feito pelo sistema imunológico, que é um conjunto de células e moléculas que atuam na presença de antígenos estranhos alterando atividades celulares que geram uma resposta celular e molecular para combater invasores. Este sistema é dividido em imunidade inata e imunidade adquirida. A imunidade inata é a primeira a reconhecer e combater substâncias ou células estranhas, conhecida como não específica, e a imunidade adquirida depende de reconhecimento de substâncias ou células a serem atacadas, sendo conhecida como específica. A imunidade adquirida também é responsável por gerar células de memória, os anticorpos, com um papel de proteção quando ocorre uma segunda exposição ao agente patogênico. A deficiência desse sistema conhecida como autoimunidade que consiste em respostas imunes que atacam estruturas normais do próprio corpo. As causas da desordem autoimune ainda não são totalmente compreendidas, e são um desafio para a medicina. A tolerância é um estado imunológico, compreende em identificar o que é próprio e não próprio, é uma parte fundamental do sistema imunológico com o papel de verificação dos níveis de tolerância imunológica dos antígenos. A perda ou falha da tolerância do próprio desencadeia uma série de eventos que resultam em ataques a células e tecidos do próprio organismo. Doenças decorrentes de imunodeficiência ocorrer em decorrência do uso de fármacos, doença de longa duração ou hereditárias. As doenças autoimunes são divididas em primárias e secundárias. As doenças autoimunes primárias são aquelas que decorrem de defeitos genéticos primários. Os avanços nos estudos da genética permitiram o conhecimento de que muitos desses defeitos genéticos estão ligados ao cromossomo X, o que sugere que a porção sem correspondência desse cromossomo carrega vários genes com importância para a imunidade. Atualmente, a capacidade de sequenciar o DNA rapidamente resultou na descoberta de inúmeras doenças em que determinado produto genético está ausente. Apesar disso, a incidência desse tipo de doença autoimune ainda pode ser considerada rara. A imunodeficiência primária pode ter diversas causas já conhecidas: a) Defeitos que afetam vários tipos de células Disgênese reticular - é a falência completa das células-tronco. Causa a morte alguns dias após o nascimento. Iunodeficiência combinada severa – quando as células T e B são defeituosas. Alguns casos decorrem da deficiência de adenosina deaminase, que só pode ser reposta com transplante de medula ou transfusões de sangue regulares. Em outros casos, há uma mutação que envolve um receptor de citocina. Ataxia telangiectasia - combinação de defeitos no cérebro, pele, células T e imunoglobulinas, em virtude de uma deficiência no reparo do DNA. Síndrome de Wiskott-Aldrich – é uma combinação de sintomas, eczema, deficiência plaquetária e ausência de resposta de anticorpos aos polissacarídios. Essa doença é causada por um defeito genético que envolve uma proteína que regula a função do citoesqueleto. Porém, o modo como isso resulta na patologia específica observada não é conhecido. b) Defeitos predominantes de células T Síndrome de DiGeorge – É uma doença séria e bastante rara que decorre da ausência das paratireoides e do timo. O tratamento deve ser realizado com transplante de timo. Síndrome de Nezelof - Nessa condição as paratireoides são normais, mas as células B por elas produzida às vezes são defeituosas. Purina nucleosídeo fosforilase – A deficiência dessa enzima causa acúmulo de nucleosídeos, resultando em dano às células T, além de torná-las mais sensíveis que os demais tipos celulares.
Defeitos de citocina/receptores de citocinas – Apesar de raro, há relatos de indivíduos com incapacidade de elaborar respostas do tipo TH1, defeitos causados por diversas moléculas de adesão leucocitárias. c) Defeitos predominantes de células B Agamaglobulinemia - causa a ausência de células B. Há uma falha quando essas células se diferenciam em plasmócitos ou elas têm uma incapacidade seletiva de produzir uma classe de imunoglobulinas. Autoimunidade – está relacionada com deficiência de anticorpos. Células T e B defeituosas parecem aumentar o risco de desenvolvimento de alguns tumores, especialmente do sistema hematopoético. d) Defeitos de complemento – Muitos componentes do complemento podem apresentar deficiências genéticas, ocorrendo o comprometimento do seu funcionamento em virtude de sua ausência total ou na redução dos seus níveis. Isso sugere que ao invés de um defeito em um gene estrutural, há um defeito genético regulatório. e) Defeitos de células mieloides Doença granulomatosa crônica – condição causada por um defeito ligado ao cromossomo X. Via de regra esse defeito afeta um citocromo, resultando em infecção crônica causada por bactérias não produtoras de peróxido e por fungos. Deficiências de mieloperoxidase, glicose-6-fosfato desi-drogenase e piruvato quinase - a eficiência nessas enzimas pode estar associada a deficiências genéticas, causando infecções recorrentes por bactérias e, às vezes, fungos. Ched. Higashi – nessa síndrome, os leucócitos polimorfonucleares não formam fago- lisossomos adequados. Além disso, a resposta à quimiotaxia também pode estar comprometida. f) Defeitos nos receptores da imunidade inata – já foram descritos inúmeros defeitos genéticos que envolvem alguns desses receptores. Um exemplo é a deficiência de Nod-2, associada à doença de Crohn Já as doenças autoimunes secundárias são causadas por fatores ambientais externos ao indivíduo. Não têm nenhuma relação com a genética. Dentre os motivos que podem desencadear doenças autoimunes pode-se listar os seguintes: a) Idade – nas fases da vida de infância e senilidade os indivíduos tendem a ter uma imunidade mais fraca. Durante a infância os anticorpos maternos transferidos compensam esse enfraquecimento. b) Desnutrição – a desnutrição causa defeitos nos anticorpos e, em casos graves, até nas células T. Isso explica porque algumas doenças como o sarampo, por exemplo, são mais graves em locais onde mais pessoas têm problemas de nutrição. Uma ingestão equilibrada envolve calorias, proteínas, vitaminas e minerais. c) Fármacos – em alguns casos podem causar imunodeficiência, de forma intencional ou não. d) Infecções – algumas infecções causam a imunossupressão, um dos principais mecanismos de escape de parasitas. Um exemplo é a infecção pelo HIV, que causa a destruição das células T CD4 e enfraquece todo o sistema imune. Alguns vírus, como o do sarampo, apenas diminuem temporariamente a função das células T. As respostas mediadas pelas células são substancialmente diminuídas em todos os casos de deficiência de células T e, além disso, muitas vezes também ocorrem efeitos secundários sobre os anticorpos. e) Tumores – podem causar imunodeficiência. O principal exemplo é a leucemia.
Levinson, Warren. Microbiologia e imunologia médicas [recurso eletrônico] / Warren Levinson ; tradução: Danielle Soares de Oliveira Daian ; tradução e revisão técnica: Flávio Guimarães da Fonseca. – 13. ed. – Porto Alegre: AMGH, 2016.