Docsity
Docsity

Prepare-se para as provas
Prepare-se para as provas

Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity


Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos para baixar

Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium


Guias e Dicas
Guias e Dicas


introdução Antigo testamento, Manuais, Projetos, Pesquisas de História

introdução Antigo testamento.FTSA

Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas

2021
Em oferta
30 Pontos
Discount

Oferta por tempo limitado


Compartilhado em 10/04/2021

victor-thiago-silva-de-lima
victor-thiago-silva-de-lima 🇧🇷

5

(1)

5 documentos

1 / 154

Toggle sidebar

Esta página não é visível na pré-visualização

Não perca as partes importantes!

bg1
Introdução
ao
Antigo Testamento
Stefan Kürle
pf3
pf4
pf5
pf8
pf9
pfa
pfd
pfe
pff
pf12
pf13
pf14
pf15
pf16
pf17
pf18
pf19
pf1a
pf1b
pf1c
pf1d
pf1e
pf1f
pf20
pf21
pf22
pf23
pf24
pf25
pf26
pf27
pf28
pf29
pf2a
pf2b
pf2c
pf2d
pf2e
pf2f
pf30
pf31
pf32
pf33
pf34
pf35
pf36
pf37
pf38
pf39
pf3a
pf3b
pf3c
pf3d
pf3e
pf3f
pf40
pf41
pf42
pf43
pf44
pf45
pf46
pf47
pf48
pf49
pf4a
pf4b
pf4c
pf4d
pf4e
pf4f
pf50
pf51
pf52
pf53
pf54
pf55
pf56
pf57
pf58
pf59
pf5a
pf5b
pf5c
pf5d
pf5e
pf5f
pf60
pf61
pf62
pf63
pf64
Discount

Em oferta

Pré-visualização parcial do texto

Baixe introdução Antigo testamento e outras Manuais, Projetos, Pesquisas em PDF para História, somente na Docsity!

Introdução

ao

Antigo Testamento

Stefan Kürle

Agosto/ 2014 Coordenação editorial: Depto. Desenvolvimento Institucional Professor autor: Dr. Stefan Kürle Coordenadoria de Ensino a Distância: Gedeon J. Lidório Jr Projeto Gráfico: Mauro S. R. Teixeira Capa: Mauro S. R. Teixeira Revisão: Éder Wilton Gustavo Felix Calado Designer Instrucional: Wilhan José Gomes Impressão: ARTGRAF - Ind. Gráfica e Editora

Todos os direitos em língua portuguesa reservados por:

Rua: Martinho Lutero, 277 - Gleba Palhano - Londrina - PR 86055-670 Tel.: (43) 3371.

04 Introdução ao Antigo Testamento

Introdução ao Antigo Testamento Unidade - 01 O Antigo Testamento como Cânon

Introdução

Nessa unidade e na próxima, descobriremos alguns fatos básicos sobre o papel do AT na teologia cristã e do texto em si dessa grande obra da literatura do mundo. O AT era a Bíblia dos primeiros cristãos e também a Bíblia de Jesus. Tanto Jesus como os primeiros cristãos costumavam ler o AT em uma tradução grega (a Septuaginta [LXX]). A imagem seguinte mostra uma página desse texto (um manuscrito do meio do séc. IV – sem ir a uma biblioteca você pode ver esse livro maravilhoso: http://www. codexsinaiticus.org). Antes de continuarmos, faremos uma breve pausa para refl etir sobre os teus sentimentos com relação ao AT. Que parte do AT você levaria para uma ilha deserta? De que livro do AT você tem medo para preparar um sermão? O que você precisa, sobretudo, para estabelecer um melhor relacionamento com o AT?

Duas páginas do Codex Sinaiticus - o AT em grego. É um texto que os primeiros cristãos liam. Observe: O texto é sem divisões entre as palavras e usa só maiúsculas.

significa que a Bíblia é testemunha de Deus na caminhada do povo Israel e ao enviar de Jesus. O AT era a Bíblia de Jesus: Jesus era judeu, conhecia as escrituras sagradas do judaísmo e testemunhou de que não havia nenhum outro deus além do Deus dos patriarcas de Israel: o Deus de Abraão, Isaque e Jacó. A Bíblia não só testemunha da experiência de Jesus, mas da totalidade dos procedimentos de Deus “Pai”, como Jesus disse no primeiro pedido do Pai Nosso. Isto também nos amarra, como cristãos, ao AT. Sem dúvida, Deus está continuamente agindo na história e está presente também nos dias de hoje, mas na Bíblia o testemunho nos foi interpretado mais claramente. Consequentemente: na fé cristã podemos refletir sobre Deus somente na interação com a Bíblia. Sem a Bíblia não há nenhum conhecimento de Deus que seja confiável. A Bíblia nos traz experiências das primeiras testemunhas de nossa fé. Pois a Bíblia preserva o testemunho da fé desde gerações distantes, sendo assim, nossa obrigação em torno dos textos bíblicos é dupla:

  • Precisamos de uma compreensão histórica – o que o texto significava;
  • Precisamos buscar o significado atual dos textos bíblicos – o que o texto significa.

Precisamos do Antigo Testamento?

Na história cristã houve e ainda há a tentativa de desvalorizar o AT como um documento obsoleto ou eliminá-lo do cânon cristão. Já em meados do séc. II o teólogo cristão Marcião de Sinope elaborou a tese de que o Deus proclamado por Jesus e Paulo estava em contradição ao deus vingativo e feroz do AT. Em discussões calorosas, a Igreja Antiga insistiu na primeira parte do cânon e descartou Marcião como herege da igreja junto com seus numerosos seguidores. Mas as perguntas que Marcião propusera foram levantadas muitas vezes durante a história da igreja. No século IXX o famoso historiador da igreja, Adolf von Harnack, exigiu que finalmente estava na hora da igreja cristã lançar

08 Introdução ao Antigo Testamento

o AT (como símbolo da grande paralisação eclesiástica) no monte de escória da história (HARNACK, 1924, p. 217). A desvalorização do AT frequentemente andava e anda junto com a desvalorização do povo judaico. O antijudaísmo cristão contribuiu com o antissemitismo moderno. A igreja entendeu como um novo Israel herdando o status do antigo povo de Deus que consequentemente deserdou. O AT, por consequência, era a escritura sagrada de uma religião estranha e sem graça. Por isso, não podemos esquecer o seguinte: Jesus era judeu, Paulo também. O que é chamado no cristianismo de “Antigo Testamento” era a Bíblia que ambos possuíam. As escrituras judaicas determinavam seus pensamentos e conversas. Além disso, os textos do Novo Testamento não podem ser entendidos sem o AT. Eles frequentemente reiteram os conceitos, imagens, metáforas, fundamentos, histórias e teologia do AT. Só pense sobre esse nome “Jesus Cristo” ou “Messias”! Podemos chamar a Bíblia cristã de uma “edição ampliada” do AT. Queremos dizer que nessa “nova edição” há novas escrituras (biografias, livros históricos, cartas...) que foram tomando o título de sagradas escrituras. Isso tem algumas implicações para a nossa concepção e para o nome do AT.

O nome “Antigo Testamento”

O AT não conta com nenhuma designação própria para sua coleção de livros. Como já vimos, a escritura sagrada dos judeus foi a Bíblia de Jesus e de seus discípulos. Por isso o NT refere-se ao AT como “a escritura” ou “as escrituras”. No NT percebemos uma diferenciação entre esse corpus das escrituras:

  • “a lei (de Moisés) e os profetas”- Mt 5,17; 7,12; 11,13; 22,40; Lc 16,16; Jo 1,45; At 24,14; 28,23; Rm 3,21;

10 Introdução ao Antigo Testamento

“Primeiro Testamento” (ZENGER, 2003). Alguns teólogos também usam o termo “Bíblia Hebraica” ou “Tanach”, uma palavra artificial que vem das letras iniciais das palavras hebraicas, que descrevem o conteúdo tripartido do AT: Torá, Neviim e Ketuvim (Instrução- Lei, Profetas e Escrituras). Essas possibilidades evitam termos que sugerem uma depreciação do AT. Todavia, chamar essa primeira parte da Bíblia cristã “Antigo Testamento” é uma designação tradicional que está sempre nos lembrando de que precisamos do Novo Testamento como continuação. Contudo, devemos estar alertas aos perigos de uma desvalorização dos livros incluídos e também da probabilidade de barreiras na conversação com os judeus. Pelo menos hoje precisamos de uma forte valorização do AT. Especialmente em nossa sociedade, na qual a fé cristã está cada vez menos conhecida, devemos enfatizar mais a leitura do AT. Sem o AT toda a salvação de Jesus fica “no ar”. Além disso, o AT esclarece as perguntas fundamentais do ser humano em relação a Deus. Uma questão: Por que as pessoas precisam da redenção por meio de Jesus Cristo, se não sabem que Deus as criou para pertencerem a ele, porém estão separadas Dele pelo pecado? Exatamente isso é testemunhado pelo AT!

Estrutura e origem do cânon do AT

O conteúdo do AT

Diferente do NT, o cânon do AT possui diferenças de tamanho para várias igrejas cristãs. As dúvidas giram, acima de tudo, em torno dos livros apócrifos (literalmente “livros escondidos”). A Igreja Antiga os incluiu em torno de 400 d.C. Eram livros que o judaísmo e os primeiros cristãos não incluíam nas escrituras sagradas. Foram os reformadores no séc. XV que decidiram que todos os livros sem fundamento hebraico não deviam ser utilizados nos cultos públicos, sendo que, dessa forma, eles também não pertenciam ao cânon. A Igreja Católica ficou com os apócrifos (Judite, Tobias, Baruque, Eclesiástico, Sabedoria de Salomão, I e II Macabeus, além de adições aos livros de Ester e Daniel). Ela aceitou esses livros como “livros deuterocanônicos” (= livros de um segundo cânon). Entretanto, a

Igreja Ocidental (Igreja Ortodoxa) decidiu, apenas em 1672, incluir os livros Judite, Tobias, Eclesiástico e Sabedoria de Salomão. A tradição judaica desde o início se limitou para as escrituras hebraicas (ou aramaicas; partes de Esdras e Daniel). Esta delimitação do conteúdo do cânon (judaico) pode ser datada no tempo de Jesus. O cânon judaico reflete os tempos de origem e canonização dos vários livros da coleção. Também podemos perceber uma hierarquia entre os livros – nenhum dos livros tem a mesma autoridade que a Torá. Por isso a tradição rabínica colocou um alto valor na “Torá Oral” que traz a maior parte da Torá do Sinai. Essa tradição oral foi escrita na Mishná e outros livros. Esses textos nunca foram continuados pela igreja cristã. A hierarquia é também visível nas leituras na sinagoga. A Torá é lida inteiramente todos os anos. Vários textos dos profetas são lidos como comentários da Torá. Entre as Escrituras, os Salmos e os Megilloth (“cinco rolos”: Cântico; Rute; Lamentações; Eclesiastes; Ester) fazem parte da liturgia - mas com uma função menos importante que a Torá. Os últimos são lidos nas grandes festas do judaísmo:

Os 5 Megilloth

  • Festa das semanas (Schavuot) - Rute;
  • Festa da páscoa (Pessach) - Cântico;
  • Festa dos Tabernáculos (Sucot) - Eclesiastes;
  • Festa de comemoração da destruição do templo (Tishá BeAv)
  • Lamentações;
  • Festa de Purim - Ester

povo, envolvendo-se intimamente – como história de suas irmãs e seus irmãos judeus (não como história deles próprios) e como história do seu Deus comum.

O bloco III (Jó-Sr) convida cada pessoa a buscar, com ajuda desses escritos sapienciais, a verdadeira sabedoria salvadora da vida. A maneira de fazê-lo é ouvir a Torá, orando-a e meditando nela, pois ela se comunica, a todos os que se abrem a ela, por meio da Criação e das instruções a Israel.

O bloco IV (Is-Ml) projeta a visão de que o mundo e a história chegam à plenitude quando os povos peregrinam até Sião, para lá aprender a grande Torá da paz de Javé (Is 2,1-5: texto programático canônico no início do bloco IV) e para participar desse modo da renovação ou restauração fundamental de tudo, prometida pelos livros dos profetas a toda a terra – e que acontecerá, naturalmente não deixando Israel de fora, mas por meio desse povo e com ele. A partir de profetismo, que por diversas correntes foi lido no tempo de Jesus como promessa escatológica, isto é, como projeto de um drama consistente do fim dos tempos, até mesmo a Torá (bloco I) adquire um dinamismo profético-escatológico na perspectiva da expectativa imediata do fim. Por outro lado, o agir de Javé em e por meio de Jesus (singularmente no evento da Páscoa), testemunhado no Novo Testamento, pode ser entendido como ato decisivo no contexto desse drama escatológico anunciado pelos profetas. Dessa maneira, na Bíblia cristã, o profetismo abre-se em direção do Novo Testamento que o segue” (ZENGER, 2003, p. 40s)

14 Introdução ao Antigo Testamento

Neste sentido podemos também ler o NT:

Fundamentação: Torá Evangelhos

Passado: Presente: Futuro:

Livros históricos Livros sapienciais Livros proféticos

Atos dos Apóstolos Epístolas Apostólicas Apocalipse de João

Referências Bibliográficas

HARNACK, A. VON. Marcion. Das Evangelium vom fremden Gott. 2. ed. Leipzig: [s.n.], 1924. ZENGER, E. Introdução ao Antigo Testamento. [S.l.]: Edições Loyola,

16 Introdução ao Antigo Testamento

Alguns fatos interessantes da caminhada do texto do AT

As palavras do Antigo Testamento (tanto como as do NT) foram escritas por homens (Jo 1,14), mas sob o controle do Espírito Santo (chamamos isso de a “inspiração” da palavra de Deus). Isso signifi ca que o AT tem uma origem humana que devemos conhecer a fi m de poder perceber melhor a sua mensagem. Os passos da formação da Bíblia que conhecemos hoje foram os seguintes: Homens de Deus...

  • …contaram e transmitiram as palavras de Deus oralmente. (Dt 6,6-7; 1Co 15,3);
  • …escreveram textos em tabuletas de argila e em folhas de papiro (Éx 17,14; Jr 36,2; Lc 1,1-3);
  • …copiaram as tabuletas e as folhas e juntaram-nas em rolos e em códices (compilações de folhas de papiro ou pergaminho);

Depois dos rolos e códices vêm os livros escritos e mais tarde os livros impressos. Os textos originais do AT (isto é, os textos escritos pelo próprio autor) não existem mais. A única coisa que temos hoje em dia são cópias e cópias das cópias. Arqueólogos conseguiram achar pedaços e partes de cópias bastante velhas dos textos do AT, mas nunca acharam um texto original escrito por um autor bíblico.

Tabuletas de argila - Fonte: Wikimidia Commons

Bíblia de Gutenberg (início de Gêneses) Uma das primeiras Bíblias impressas. Fonte: Wikimidia Commons

Os rolos de Qumran (os papiros do Mar Morto)

No ano de 1947, um jovem pastor de ovelhas achou em uma cova nas montanhas perto do mar morto uns rolos de escritura depositadas em cântaros de barro. Levou alguns deles e os vendeu na feira da sua aldeia. Por acaso um arqueólogo passou por aquela feira e achou os rolos. Logo reconheceu o grande valor deles e comprou-os. Depois pediu ao jovem que lhe mostrasse o lugar onde é que tinha achado os rolos. Assim foram descobertos as cavernas de Qumran, que contêm uma antiga biblioteca de um monastério judaico (os monges de Qumran), situado perto do Mar Morto, onde foram guardados um grande número de textos sagrados do AT originários do ano 200 a.C. isto é, quase mil anos mais velhos de que os códices de Aleppo e Leningrado. A investigação dos rolos de Qumran mostrou que não existe uma diferença signifi cativa entre os textos do ano 200 a.C. e as cópias do ano 930 d.C. Uma prova maravilhosa da fi delidade e exatidão do processo da tradição dos textos sagrados do AT.

A Septuaginta (LXX)

A primeira coleção completa dos livros do AT foi a tradução dos livros do AT na língua grega chamada Septuaginta, comumente conhecida pela sigla LXX. A palavra “Septuaginta“ é latina e significa “Setenta”, que se escreve em letras romanas: “LXX”. O nome “Septuaginta“ vem de uma tradição antiga que diz que esta tradução foi feita por setenta e dois homens em setenta e dois dias. Mas na verdade este trabalho levou muito mais tempo, mais ou menos de 300 até 100 a.C. A razão porque esta tradução foi feita é a seguinte: Houve muitos judeus no império Romano, que viveram fora da terra de Israel e que não aprendera a língua hebraica dos seus antepassados. Eles precisaram

Codex Leningradensis (têm estes nomes porque se encontram hoje em dia nos arquivos das cidades de Alepo e Leninegrado (St. Petersburgo). Isso significa que entre o tempo em que o último livro do AT foi escrito (400 a.C.) e o tempo em que a cópia mais velha do AT inteiro que temos foi escrita, existe um espaço de mais de que 1000 anos!

A Bíblia Hebraica

Ao ver o uso da LXX na igreja cristã, i.e. como os crentes provaram com a LXX que Jesus Cristo é o Messias, os judeus decidiram abandonar esta tradução grega e voltaram para a sua Bíblia Hebraica, isto é, a coleção dos livros do AT na língua hebraica. Esta coleção já tinha existido antes de Cristo (Jesus mesmo a usou, Lc 24,27 e Mt 23,34), mas foi estabelecida como Cânon Hebraico fixo somente no ano 90 d.C. (sínodo de Jabne ou Jâmnia) em rejeição da LXX que os Cristãos usaram. A ordem dos livros da Bíblia Hebraica foi diferente da ordem da LXX: Lei - profetas anteriores (Livros Históricos) - profetas posteriores - escrituras. Enquanto os Cristãos seguindo a LXX mantiveram a ordem antiga com os profetas posteriores no fim (os quais apontam para Cristo!), os Judeus colocaram os 5 rolos das festas (Rute, Cant., Ecl., Lam., Ester) e os livros do tempo do cativeiro (Daniel, Esdras, Neemias, Crônicas) no fim do seu cânon.

Referências Bibliográficas

Harnack, Adolf von. Marcion. Das Evangelium vom fremden Gott. Leipzig, 2 a^ ed., 1924. Zenger, Erich. I ntrodução ao Antigo Testamento. Petrópolis: Edições Loyola, 2003.

20 Introdução ao Antigo Testamento

Anotações