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Panorama do Antigo Testamento, Manuais, Projetos, Pesquisas de História

Vista geral do conteúdo do Antigo Testamento.

Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas

2020

Compartilhado em 22/01/2020

alberto-simonton-12
alberto-simonton-12 🇧🇷

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“Toda Escritura é inspirada por Deus
e útil para o ensino, para a repreensão,
para a correção, para a educação na justiça”.
(2Tm 3:16)
Panorama do Antigo Testamento
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“Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça”. (2Tm 3:16)

Panorama do Antigo Testamento

Sumário

I - Introdução A - Importância do Antigo Testamento Quando olhamos para a Igreja de um modo geral hoje em dia (pelo menos aqui no Brasil!) percebemos que de certa forma os cristãos não têm dado muita importância ao Antigo Testamento como deveria. Na verdade, muitos até se afastam de tentar compreendê-lo tachando-o de ‘complicado’, ou dizendo que ‘não serve para nossos dias porque já estamos no período do Novo Testamento’. Será que estas pessoas realmente carregam a verdade nestas palavras? É triste, mas o fato é que até os pastores que deveriam seguir uma posição diferenciada para com o Antigo Testamento, eles mesmos não pregam muito freqüentemente nele. Geralmente se fala muito de Jesus, das cartas de Paulo, de João... e se por acaso se falar do Antigo Testamento talvez ainda seja como uma citação do Novo a respeito do mesmo. Este comportamento não é de agora.“Já no segundo século da era cristã apareceu Marcião, um herege que queria – com muita razão – reformar a Igreja da sua época, porque esta não pregava mais a graça, e, sim, a salvação pelas obras. Infelizmente, contudo, Marcião e seus muitos seguidores rejeitaram não somente uma boa parte do Novo Testamento, mas também o Antigo Testamento por completo!”^1 E se por acaso pensarmos que é um comportamento somente presente no Brasil, também estamos redondamente enganados.“Na Índia, há cristãos que reconhecem apenas o Novo Testamento, substituindo o Antigo por alguns escritos hindus que eles acham ser mais interessantes”.^2 Não há dúvida de que há vários “motivos” para esta desconsideração. Dentre estes motivos podemos citar: A presença de histórias complicadas e esquisitas; uma cultura muito diferente da nossa; profecias dificílimas de interpretar; várias leis que não se aplicam mais em nosso contexto, etc. A dificuldade em aceitar e utilizar o Antigo Testamento é tão patente que se demonstra até na hora de se abrir um livro que se encontre nele. Muitos dão vexame! Porém não deveria ser assim. Certamente se os Apóstolos vivessem nos dias de hoje ficariam perplexos com o valor que nós devotamos ao Antigo Testamento. Pois eles utilizavam-no bastante. Existe 1.040 citações de referências do Antigo Testamento no Novo Testamento. Com exceção de apenas sete escritores do Antigo Testamento, todo o restante dos escritores é citado ou deles se faz referência no Novo Testamento. São eles: Obadias, Naum, Esdras, Neemias, Ester, Cânticos e Eclesiastes. Na realidade, de todo o Novo Testamento, somente 26 capítulos não se referem ao VT. Podemos considerar algumas verdades que devem mudar nossa posição em relação ao Antigo Testamento.Vejamos o seguinte: 1- O Antigo Testamento representa a maior parte do conteúdo de toda Bíblia; 2- Jesus e os Apóstolos o reconheceram como Palavra de Deus; 3- O Espírito Santo inspirou ambos os Testamentos; 4- O Antigo Testamento é útil para o crescimento do cristão em santidade. (^1) Smith, William S. Deus e Seu povo - A mensagem do Antigo Testamento.Vol. 1: Introdução, lei e profetas anteriores. Patrocínio-MG.CEIBEL, 1978. p. 1 (^2) Ibid. p.1.

B - Características do Antigo Testamento 1 - Língua Apesar de possuirmos hoje a nossa Bíblia em português, temos que nos lembrar (ou tomar conhecimento) de que a língua em que ela foi escrita está longe de ter sido o português. As diferenças entre as duas são notáveis. Tanto o hebraico tem um alfabeto diferente, como também tem uma direção de escrita diferente. Além do fato de que o último texto do Antigo Testamento escrito por profeta inspirado foi há mais ou menos 2.400 anos atrás. A língua em que foi escrito o Antigo Testamento foi o hebraico, a língua falada pelos israelitas. Na verdade, esta faz parte da cultura passada pelo patriarca Abraão. Que por sinal também não tinha o hebraico como língua materna. “Alguns comentadores dizem que provavelmente Abraão deixou de usar a velha língua semítica – A caldaica – a qual era a da sua própria terra (Gn 12:1-5), quando saiu de Ur, e adotou a língua dos cananeus, em cujo meio foi morar.”^3 “Esta língua Cananéia, que Abraão usou, era, provavelmente, a mesma ou alguma forma dela, que foi conhecida mais tarde como a língua hebraica.”^4 Quase todo o Antigo Testamento foi escrito em hebraico, com exceção de poucas porções no aramaico: (Ed 4:8- 6:18; 7:12- 26), Jeremias (10:11) e de Daniel (2:4 -7:28). O tempo percorrido para escrita de todo o Antigo Testamento foi de aproximadamente mil anos (1400 a 400 a.C.). Vários autores fizeram parte desta composição. 2 - Cânon Para nós que recebemos a Bíblia com todos os seus livros já agrupados é muito bom e fácil. Porém, nem sempre foi assim. Houve divergências com relação a reconhecer quais os livros que deveriam fazer parte do cânon. Por fim, cremos que pela graça de Deus foram preservados os livros que foram Inspirados. “Há três elementos básicos no processo genérico de canonização da Bíblia: A inspiração de Deus, o reconhecimento da inspiração pelo povo de Deus e a coleção dos livros inspirados pelo povo de Deus.”^5 a) Inspiração de Deus - “É evidente que o povo de Deus não teria como reconhecer a autoridade divina num livro, se ele não fosse revestido de nenhuma autoridade.”^6 b) Reconhecimento por parte do povo de Deus - “Esse reconhecimento ocorria de imediato, por parte da comunidade a que o documento foi destinado originariamente. A partir do momento que o livro fosse copiado e circulado, com credenciais da comunidade de crentes, passava a pertencer ao cânon.”^7 c) Coleção e Preservação pelo povo de Deus - “O povo de Deus entesourava a Palavra de Deus”.^8 (Dt 31:26; 1Sm 10:25; 2Rs 23:24; Dn 9:2, 6, 13; Ne 9:14, 26-30). Não deixava se perder os livros, mas os guardavam com zelo e respeito. (^3) Mein, John. A Bíblia e como chegou até nós. JUERP. Rio de Janeiro. 3ª ed, 1977. p. 17 (^4) Ibid. p. 18 (^5) Geisler, Norman, William Nix. Introdução Bíblica - como a Bíblia chegou até nós. Tradutor Oswaldo Ramos. São Paulo - SP. Editora Vida, 1997. p. 74 (^6) Ibid. p. 74 (^7) Ibid. p. 74 (^8) Ibid. p. 74

D - Cronologia do Antigo Testamento^14 Acontecimento Data Criação de Adão 4173 a.C. Da criação à descida de Jacó para o Egito – 2298 anos (Gn 5; 11; 47:9) 1875 a.C. Da descida de Jacó ao êxodo de Moisés – 430 anos (Êxodo 12:40) 1445 a.C. Do êxodo à construção do templo de Salomão – 480 anos 966 a.C. Começo do reino de Davi 1010 a.C. Divisão do reino 931 a.C. Purificação dos dois reinos por Jeú 841 a.C. Queda de Samaria 722 a.C. Começo do exílio judaico (606; 597; 586) 606 a.C. Retorno com Zorobabel para reedificar o templo 537 a.C. Retorno de Neemias para reedificar os muros da cidade 444 a.C. II - As Alianças Para que tenhamos uma visão mais completa e compreensível do conteúdo bíblico, se faz necessário um entendimento do que está ocorrendo nas páginas de toda esta história. A Bíblia é um só livro!Certo? Mas ela trata de quê? Para um leitor desapercebido, ela poderá estar falando de vários assuntos, vários acontecimentos, várias personagens. E por fim ele não compreender o que ela quer passar a ele afinal. Para começar é preciso entender não somente que a Bíblia é um só livro, mas também que a Bíblia toda é uma única história. E toda parte tem sua função e propósito dentro dela. Para não divagarmos pensando em qual assunto ela trata (visto que ela trata de inúmeros assuntos), vamos nos restringir em achar um tema central que liga o restante dos temas secundários que ela apresenta. Vários temas centrais podem ser especulados, por exemplo: Aliança, eleição, reino de Deus, promessa e cumprimento, ou simplesmente Deus. No entanto, abordaremos em nosso estudo panorâmico do AT o tema da “Aliança”. O tema “Aliança” no Antigo Testamento pode ser resumido na seguinte frase dita pelo próprio Deus: “Eu serei o seu Deus, e vós sereis o meu povo”. Toda a história bíblica vai ser conduzida tendo esta idéia como ‘pano de fundo’. Não que desprezemos os outros sub-temas presentes, mas que este se torna o foco principal. Agora que já definimos sobre qual trilho caminhar, é preciso um exame da idéia contida na palavra-tema “Aliança”. A Aliança não é nada mais do que a escolha divina de um povo para seguir seus mandamentos servindo-o (Gn 12:1-3; Ex 3:7-10; Dt 6:1-5). O amor é a causa desta escolha (Dt 4:37; 10:14-15; 7:7-8; 9:4-6; 10:15; 23:5).“O propósito real da Aliança consiste na (^14) Ellisen, Stanley A. Conheça Melhor o Antigo Testamento. Tradução Emma Anders de Souza Lima. Flórida. Editora Vida, 1991. p. 12

eterna com o seu Criador. Entretanto, ao escolher a desobediência, o homem recebeu a dura condenação da morte. A separação eterna do seu Criador. Por um momento, para o homem, tudo pareceu perdido. Visto o Criador ser Justo Juiz, o que não poderia levá-lo a cumprir a sentença prevista? A partir deste momento é que podemos ver não só simplesmente o Poder, a Sabedoria, a Providência, a Benção, a Proteção manifestada por Aquele que fizera Adão e Eva. Entraria um aspecto não visto antes com tanta clareza como agora: a Sua graça. A Aliança havia sido desprezada pela criatura, mas não havia saído dos olhos e mente do Criador. A partir deste momento em diante, o tratamento do Senhor para com o homem seria baseado não na Aliança da Criação, mas na Aliança da Redenção. C - A Aliança da Redenção A doutrina da Aliança “entende toda a história, depois da queda do homem em pecado, como unificada sob as cláusulas da Aliança da Redenção.”^21 Dando início com a promessa a Adão (já em pecado) e continuando na história, “Deus ordena todas as coisas com vistas ao seu propósito singular de redimir um povo para si mesmo.”^22 A Aliança da Redenção estabelecida por Deus caminhará se revelando progressivamente durante a história. Se olharmos com atenção vamos perceber que “a história da Aliança no Antigo Testamento em geral demonstra a incapacidade humana em obedecer aos requerimentos pactuais. Entretanto, o Deus gracioso da aliança continua fiel às suas promessas, mesmo quando os seres humanos são infiéis.”^23 Isto implica em dizer que não vamos ver Deus desistir do homem. Ainda que o Diabo, o mundo ou a natureza pecaminosa tente minar a vida do povo escolhido, este povo sempre estará sob os olhos do Pai. Pois como demonstra a história canônica, “o objetivo da ação de Deus dentro da Aliança é, como sempre foi, a reunião e a santificação do povo da Aliança vindo de ‘todas as nações, tribos, povos e línguas’(Ap 7:9), que um dia habitarão a nova Jerusalém, numa ordem mundial renovada (Ap 21:1-2).”^24 O propósito de formar um povo santo, exclusivo para si será concretizado. Como diz Jó: “... nenhum dos teus planos pode ser frustrado ”(Jó 42:2). D - Aspectos Diversos da Aliança Mesmo concebendo biblicamente que a Aliança da Redenção é uma e a mesma, em todo o tempo, até a consumação de todas as coisas; não podemos deixar de entender que ela se manifesta em variados aspectos. “As variadas manifestações históricas da Aliança da Redenção podem ser categorizadas de acordo com suas ênfases específicas:”^25 Adão: A Aliança do Começo Noé: A Aliança da Preservação Abraão: A Aliança da Promessa Moisés: A Aliança da Lei (^21) Robertson, O. Palmer. O Cristo dos Pactos. p. 186 (^22) Ibid. p. 186 (^23) Bíblia de Estudo de Genebra. São Paulo e Barueri. Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. p. 33 (^24) Ibid. p. 28 (^25) Robertson, O. Palmer. O Cristo dos Pactos. p.

Davi: A Aliança do Reino Cristo: A Aliança da Consumação Para que entendamos mais a respeito destas manifestações históricas da Aliança da Redenção firmada por Deus, caminhemos em direção a um maior conhecimento do que propõe cada uma delas. Pormenorizadamente podemos traçar de que se trata cada uma delas. Ou, dizer a idéia central de cada uma. Novamente enfatizamos que não existem várias Alianças de Deus com a humanidade, mas sim duas: A Aliança da Criação e a Aliança da Redenção. As outras são apenas manifestações diversas da última Aliança. 1 - Aliança da Criação “A responsabilidade do homem como ser criado à imagem de Deus no sentido de formar uma cultura para a glória do Senhor indica algo da amplitude da responsabilidade humana estabelecida pela criação. O universo inteiro devia ser posto sob sujeição à glória de Deus.” Sendo assim, “ a obrigação do homem para com o seu Autor estendia-se a toda área da atividade humana.”^26 “Por meio deste relacionamento de abrangência total, Deus ligou-se à criatura humana.”^27 2 - Adão: A Aliança do Começo “As palavras iniciais de Deus a Adão depois da sua queda em pecado podem ser apropriadamente consideradas em termos do princípio da sua história de Aliança. Deus conquistará para o homem uma redenção completa. Todo este programa é direcionado no sentido da restauração do homem ao seu estado de benção, no qual ele foi originalmente criado.”^28 Aliás, o estado do homem quando na consumação da Nova Aliança, superará o estado em que estava Adão, pois gozará de vida eterna. Isto Adão não possuía antes da Queda. 3 - Noé: A Aliança da Preservação “A responsabilidade do homem sob a Aliança de Noé de multiplicar-se e encher a terra não pode ser entendida de outra maneira, a não ser a renovação dos mandatos originais da criação.”^29 Esta “Aliança de Deus com Noé deve ser entendida no contexto do comprometimento de Deus de redimir um povo para si mesmo. Se o compromisso principal do Senhor na Aliança com Noé é preservar a terra, esta preservação tem como seu alvo o sustento do mundo até que a redenção seja alcançada.”^30 4 - Abraão: A Aliança da Promessa (^26) Robertson, O. Palmer. O Cristo dos Pactos. p. 184 (^27) Ibid. p. 184 (^28) Ibid. p. 186 (^29) Ibid. p. 188 (^30) Ibid. p. 189

de todos, mas somente de dois que estão muito presentes no Antigo Testamento: O símbolo e o tipo. Os símbolos e os tipos direcionam para outra coisa. Não são um fim em si mesmos. No Antigo Testamento notamos a presença intensa deles, estes, porém, não estão assim no Novo Testamento. “Enfim, o VT contém em símbolos as doutrinas do Novo, e este alicerça suas doutrinas nos símbolos daquele.”^37 1 - Símbolos Podemos assim conceituar: “É o emprego de algum objeto material para evocar idéia ou coisa espiritual ou moral.”^38 O símbolo “é um sinal; pode se referir a algo do passado, presente ou futuro; é um fato que ensina uma verdade moral.”^39 Ex: Sangue = simboliza a vida; Vestidos = símbolos de méritos ou de justiça real ou suposta (Is 60: 10; 64:6); Fogo = juízo divino contra Israel (Am 7:4-6); Óleo = Espírito Santo. 2 - Tipos Antes de tudo temos que conceituar o que é tipo. Depois nos deteremos em falar de exemplos que nos ajudarão a entendê-los. Vejamos três conceituações: a)Antônio Almeida: “É a representação de pessoa ou transação futura na esfera espiritual ou religiosa por meio de transações, pessoas ou coisas do mundo material que tenham com elas certa correlação de analogia ou mesmo de contraste.”^40 b) Louis Berkhof: “É um modelo ou uma imagem de alguma outra coisa; sempre prefigura algo da realidade futura.”^41 c) Henry A. Virkler: “É uma relação representativa preordenada que certas pessoas, eventos e instituições tem com pessoas, eventos e instituições correspondentes, que ocorrem numa época posterior na história da salvação.”^42 “A prefiguração é chamada tipo; o cumprimento chama-se antítipo.”^43 Por isto encontramos os tipos no AT e os seus antítipos no NT (antítipo – é o cumprimento real do tipo. É a realidade para a qual o tipo aponta). “No tipo há analogias bem notáveis para com o antítipo.”^44 Ex: Adão – Cristo (Rm 5:14); Melquisedeque – Cristo (Hb 7:1-3); Moisés – Cristo (Dt 18:18); História de Israel – Igreja (apresenta vários acontecimentos da vida dos israelitas como típicos das experiências dos crentes) (1Co 10:1-12); Tabernáculo – céu (Hb 9:24); Sacrifício – Cristo (Jo 1:29-36; Hb10:5-9); Páscoa – Morte de Cristo (1Co 5:7-8); Arão- Cristo (Hb 5,7); Maná- Cristo (Jó 6:32,33,58). 3 - Limitações (^36) Berkhof, Louis. Princípios de Interpretação Bíblica.Tradução Mauro Meister.Editora Cultura Cristã. São Paulo-SP. 1ª ed, 2000. p. 139 (^37) Almeida, Antônio. Manual de Hermenêutica Sagrada. Casa Editora Presbiteriana. São Paulo-SP. 2ª ed, 1985. p. 41 (^38) Ibid. p. 39 (^39) Berkhof, Louis. Princípios de Interpretação Bíblica. p. (^40) Almeida, Antônio. Manual de Hermenêutica Sagrada. p. (^41) Berkhof, Louis. Princípios de Interpretação Bíblica. p. (^42) Virkler, Henry A. Hermenêutica Avançada - Princípios e Processos de Interpretação Bíblica. Tradução Luiz Aparecido Caruso. Editora Vida, 1987. p. 141 (^43) Ibid. p. 142 (^44) Almeida, Antônio. Manual de Hermenêutica Sagrada. p. 39

Não há dúvidas de que a administração da Aliança da Redenção no Antigo Testamento não é a mesma no Novo Testamento. “Como tipo profético da realidade antecipada, o tratamento de Deus com Israel como seu povo eleito podia apenas aproximar-se da significação dos propósitos reais de Deus para com aqueles que deviam ser redimidos em Cristo.”^45 “Deus prefigurou sua obra redentora no Antigo Testamento, e cumpriu-a no Novo; o Antigo Testamento contém sombras de coisas que seriam reveladas de modo mais pleno no Novo.”^46 III - Panorama do Antigo Testamento A - Livros da Lei Quando lemos as Escrituras trazemos consigo toda nossa história de vida. Coisas que aprendemos, ouvimos, vimos, achamos, queremos, etc. Enfim, não seremos justos com a Palavra Sagrada se a interpretarmos seguindo qualquer um destes aspectos citados supra. Portanto, devemos ver o que o autor do Pentateuco quer passar para nós. O que ele tem a dizer para nossa vida que nos levará a ter maior compreensão de Deus e comunhão com Ele. 1 - Título O nome Pentateuco vem da versão grega que remonta ao séc. III a.C.; significa: pente - cinco; teuchos - estojo para o rolo de papiro. Geralmente pensamos no Pentateuco (que é chamado o livro da Lei) como expressando somente mandamentos e proibições. No entanto, a palavra hebraica usada com relação ao Pentateuco é ‘ Torá ’, que quer dizer “instrução”. 2 - Autoria Embora não tenhamos um texto que indique que o autor de todo o Pentateuco tenha sido Moisés, temos outros livros no AT e no NT que o cita como sendo obra dele (Js 1:7-8; 23:6; 1 Rs 2:3; Ed 3:2; 6:18; Nm 8:1; Dn 9:11-13; At 13:39; Hb 10:28; 2Co 3:15; Jo 5:46; Mt 8:4; Mc 7:10; Lc 16:31; 24:27). Moisés possuía preparo, experiência, e gênio que o capacitavam para escrever o Pentateuco (At 7:22). Além de ter sido testemunha ocular dos acontecimentos; recebeu revelações especiais; e como hebreu, tinha acesso a genealogias, e a tradições tanto orais como escritas de seu povo. 3 - Data Apesar de existir muitos estudiosos hoje em dia que duvidem da autoria mosaica do Pentateuco, afirmando “que o Pentateuco foi composto por editores durante o período que seguiu-se ao exílio babilônico do século VI a.C.”^47 ; nós aceitamos a autoria de Moisés entendendo que sua data de escrita foi no período de 1443-1405 a.C. 4 - Conteúdo (^45) Robertson, O. Palmer. O Cristo dos Pactos. p. 193 (^46) Virkler, Henry A. Hermenêutica Avançada - Princípios e Processos de Interpretação Bíblica. p. 142 (^47) Bíblia de Estudo de Genebra. p. 3

  • A lei não foi dada como meio de salvação, mas de consagração;
  • A lei reflete o direito Soberano de Deus sobre todas as áreas da vida do ser humano;
  • Mostrar ao povo da Aliança como se deveria cultuar a Deus;
  • Revelar a Santidade de Deus;
  • Ajudar os homens a distinguir entre o bem e o mal, entre o certo e o errado;
  • Atuar como um guarda que conduz os indivíduos a Cristo (Gl 3:22-24). Mostra-lhes que a única esperança que eles têm de justificação é por intermédio de Cristo;
  • Fazer existir sempre a justiça social. As leis encontradas no Pentateuco não se limitam ao decálogo. Há várias leis presentes no Pentateuco. Sendo assim, para fins didáticos e teológicos, costuma-se distinguir a Lei em três aspectos:
    1. O Aspecto Cerimonial : As observâncias rituais que apontavam para frente, para a expiação final em Cristo.”Tinha a finalidade de impressionar aos a santidade de Deus e concentrar suas atenções no Messias prometido, Cristo, fora do qual não há esperança”.^51 (Hb 7-10; Lv 20:25, 26; Sl 51:7, 16, 17; Is 1:16);
    2. O Aspecto Civil ou Judicial : As leis que Deus prescreveu para uso no governo civil de Israel (Lv 20:10; Dt 21:18-21);
    3. O Aspecto Moral : O corpo de preceitos morais de aplicação universal e permanente a toda a humanidade. “Tem a finalidade de deixar bem claro ao homem os seus deveres, revelando suas carências e auxiliando-o a discernir o bem do mal”^52. (Rm 6: 15-23; 1Co 5; 6:9-10). B - Livros Históricos 1 - Título Os hebreus denominavam Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis como os “Primeiros Profetas”, enquanto Isaías, Jeremias, Ezequiel e os doze profetas menores como os “Últimos Profetas”. Esta expressão “Primeiros” e “Últimos” não dizem respeito à sua cronologia histórica, mas somente diz respeito ao grupo de livros ao qual faz parte. O cenário histórico dos Últimos Profetas encontra-se nos Primeiros Profetas. Sendo assim, os Primeiros profetas são históricos; os Últimos, exortativos. Nós não utilizamos esta designação, e costumeiramente denominamos estes livros (Js, Jz, 1 e 2 Sm, 1 e 2 Rs) de “Livros históricos”. “Os livros de Js a Rs são também chamados de “História Deuteronomística”, uma vez que o livro de Deuteronômio serve como introdução histórica e teológica dos mesmos.”^53 2 - Autoria (^51) A Atualidade da Lei-A resposta da fé a questões modernas. p. 2. (^52) Ibid. p. 2 (^53) Bíblia de Estudo de Genebra. p. 243

Todos os livros históricos são anônimos. “Foram visivelmente escritos ou compilados por vários indivíduos que possuíam o dom profético, reconhecidos como representantes de Deus”.^54 3 - Conteúdo Os livros denominados por nós como históricos são os livros de Josué a Ester (segundo nossa disposição dos livros). Estes livros abordam os acontecimentos da nação de Israel durante todo o tempo em que se estabeleceram na Palestina. Desde “a tomada da terra” após o êxodo do Egito, até “à volta para a terra” depois do Exílio da Babilônia. No primeiro momento Israel expulsa as nações ímpias da Terra da Promessa; no segundo momento eles próprios são expulsos da Terra da Promessa por nações ímpias; no terceiro momento eles voltam para a Terra da Promessa. Uma referência ao assunto tratado pelos Livros Históricos pode ser esboçada da seguinte forma: Os livros de (Js a Rs): “O tema teológico dominante da História Deuteronomística pode ser resumido na seguinte afirmação: o pecado traz a punição; o arrependimento traz a restauração”.^55 Os livros de (Crônicas, Esdras e Neemias), “preocupam-se profundamente com a questão de como o povo de Deus deveria corresponder ao ato gracioso de Deus na restauração de Judá... estavam preocupados principalmente com as lições a serem tiradas da história antiga e recente de Israel visando a manutenção da integridade religiosa do povo”.^56 O objetivo do livro de Ester “foi evidentemente encorajar os judeus dispersos por todo o império com a história do contínuo interesse e presença do Senhor, mesmo que ele não fosse visto e os judeus estivessem longe do templo de Deus em Jerusalém. Apesar de o nome do Senhor não ser mencionado, sua divina direção faz-se presente em todo o livro”.^57 ”Sua Soberania e Providência são evidentes em toda a narrativa”^58 .Se olharmos os acontecimentos que ocorreram vamos perceber que tudo estava caminhando para o bem dos judeus, os “fatos demonstram o controle de Deus e Seu cuidado para com o Seu povo (Sl 121:4)”^59. Podemos dividir a história bíblica com os seguintes termos:

  1. Introdução - Nesta seção Deus chama Abraão e lhe faz a promessa de formar uma grande nação, dar-lhes uma terra, e que por meio desse povo abençoará todos os outros povos. O aspecto principal: ‘As promessas feitas por Deus’. E a promessa chave é que “Deus será o deus deles” (Gn 17:8).
  2. Formação - Deus toma a descendência de Abraão para formar Seu povo. Tem início com o êxodo, e em seguida veio a Aliança no Sinai, a peregrinação no deserto, posse da terra, vivência na terra conquistada. (^54) Ellisen, Stanley A. Conheça Melhor o Antigo Testamento. Tradução Emma Anders de Souza Lima. Flórida. Editora Vida, 1991. p. 63. (^55) Bíblia de Estudo de Genebra. p. 243 (^56) Bíblia de Estudo de Genebra. p. 243 (^57) Ellisen, Stanley A. Conheça Melhor o Antigo Testamento. p. 138. (^58) A Bíblia Anotada. Tradução Carlos Oswaldo Cardoso Pinto. São Paulo-SP. Editora Mundo Cristão. 1ª ed, 1991. p. 646. (^59) Ibid. p. 646.

Apesar de a história canônica ter sido escrita para nossa edificação (1Co 10: 6, 11), decerto não podemos decorar todos os fatos registrados nela. Contudo, nada impede de conhecermos pelo menos algumas datas chaves que ‘nos darão um norte’ na hora de lermos um texto, ou mesmo ouvirmos sobre eles. A história narrada está acontecendo durante um período longo de tempo, ainda que não pareça ao leitor quando lê. Há três acontecimentos que, podemos assim dizer, são ‘marcos’ para a história de Israel: A divisão do reino, a queda de Samaria e a queda de Jerusalém. Por isto, o conhecimento destas datas poderá nos situar dentro da história canônica. São elas: 931 – A divisão do Reino; 722 – A queda de Samaria; 586 – A queda de Jerusalém. C - Livros Poéticos Os livros que pertencem a este tipo de literatura são: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares de Salomão. Estão dispostos na Bíblia hebraica na divisão chamada ‘Escritos’. Estes livros não podem ser datados precisamente, e grande parte de sua autoria é anônima. Esta parte da divisão bíblica não é igual às outras com relação à forma como Deus fala aos homens. Não que sejam apócrifos, mas que constituem em uma ‘forma diferente’ de revelação. “Embora os Escritos não contenham mandamentos específicos de Deus ou oráculos ditados como os profetas, são essenciais para a edificação do povo de Deus: Fornecem padrões indispensáveis para oração e louvor; fazem compreender o trabalho de Deus na história; alertam o leitor para as lições que devem ser extraídas da criação e do ambiente social humano; refletem reações ansiosas e iradas do povo fiel diante do mistério dos caminhos de Deus; e servem como modelo de coragem e devoção que o povo de Deus deve manter apesar da fragilidade humana e da oposição hostil”.^66 “Os Escritos nos apresentam as respostas variadas à Lei por parte do povo de Deus, sendo que reconhecemos todas as três divisões como Palavra de Deus”.^67 “Nessa literatura estão refletidos os problemas, as experiências, as crenças, as filosofias e as atitudes dos israelitas”.^68 Utilizando-se desta ‘forma’ de revelação, Deus não fala diretamente para nós por meio das profecias ou por meio da história, mas sim por meio de expressões vivas do coração dos autores humanos com relação a vida com Deus. Vejamos o que diz o teólogo William S. Smith: “As duas partes mais antigas do AT são antes de mais nada o fator ‘objetivo’, a palavra de Deus a Israel; na terceira parte do AT encontramos e ouvimos mais distintamente a resposta humana.”^69 Estes livros “analisam de diferentes ângulos o rico e gratificante tema da vida humana em relação a Deus.” 70 Em geral, os Escritos “dão a esta parte do AT o tom humano daqueles que recebem e aceitam a revelação.”^71 Eles “abordam problemas e verdades com os quais a humanidade toda está familiarizada. Não obstante as diferenças de tempo, cultura e civilização, as idéias básicas expressas pelos escritores israelitas, em sua interpretação da vida, continuam sendo vitalmente importantes para os homens de toda parte.”^72 (^66) Ibid. p. 463 (^67) Smith, William S. Deus e Seu povo - A mensagem do Antigo Testamento. Vol. 2. p. 328. (^68) Schultz, Samuel J. A História de Israel no Antigo Testamento. Tradução João Marques Bentes. São Paulo-SP. Vida Nova, 1995. p. 265 (^69) Smith, William S. Deus e Seu povo - A mensagem do Antigo Testamento. Vol. 2: Os Profetas Posteriores e os Escritos. Patrocínio-MG. CEIBE L, 1978. p. 328 (^70) Lasor, William S., David A. Hubbard, Frederic W. Bush. Introdução ao Antigo Testamento. p. 463 (^71) Smith, William S. Deus e Seu povo - A mensagem do Antigo Testamento. Vol. 2. p. 328. (^72) Schultz, Samuel J. A História de Israel no Antigo Testamento. p. 265

Deus Deus nos Profetas Povo

na Lei

Povo nos Escritos D - Livros Proféticos 1 - Definição e Função dos Profetas A palavra comumente utilizada para designar aquele que é chamado para o ofício profético é ‘ profeta ’. “Significa basicamente aquele que fala em nome de um deus e interpreta sua vontade para o homem.”^73 Eles eram chamados também de videntes , sentinelas ou pastores. “O profeta, portanto, era alguém chamado por Deus e, como se vê no Antigo Testamento, chamado para falar em nome de Deus.”^74 Uma parte significativa de todo material do AT está nos livros denominados Proféticos. Longe do que parece ser à primeira vista, os profetas de Israel surgiram logo cedo com Abraão, Moisés e Samuel (Gn 20:7; Dt 18:15; 1Sm 3:20). Deus usou estes homens para falar ao povo. A profecia não é um fenômeno do tempo do reinado em Israel. Geralmente se pensa que os profetas viviam proclamando as coisas do futuro. No entanto não é assim que acontecia, pois “menos que 2 por cento da profecia do Antigo Testamento é messiânica. Menos que 5 por cento especificamente descreve a era da Nova Aliança. Menos que 1 por cento diz respeito a eventos ainda vindouros.”^75 Como vemos, a minoria do conteúdo profético estava relacionada com os acontecimentos futuros. Não eram homens que só recebiam a mensagem de Deus em estado de êxtase e assim proclamavam o plano divino quanto ao futuro. Ao contrário disto, suas mensagens eram bem atuais para sua época. Sua função era fazer o povo retornar aos mandamentos da Lei. “Os profetas, com clareza, denunciavam os erros sociais e religiosos da sociedade e da monarquia, e assim se tornaram arautos de uma compreensão verdadeiramente moral do reino de Deus.”^76 Traziam consolações e exortações ao povo da Aliança. Diferente dos serviços regulares dos sacerdotes, juízes e reis, o serviço profético veio muitas vezes para restaurar situações de crise. Suas funções podem ser vistas como segue: a - Porta-voz especial de Deus: A designação “profeta” tem o significado de “falar por” ou representar. Sua função era anunciar a mensagem do Senhor ao povo.^77 (^73) Lasor, William S., David A. Hubbard, Frederic W. Bush. Introdução ao Antigo Testamento. p. 238 (^74) Ibid. p. 239 (^75) Fee, Gordon D., Douglas Stuart. Entendes o que lês? Tradução Gordon Chown. São Paulo-SP. Edições Vida Nova. 2ª edição, 1997. p. 154 (^76) Carriker, Charles Timothy. Missão Integral - uma teologia bíblica. p. 90 (^77) Ellisen, Stanley A. Conheça Melhor o Antigo Testamento. Tradução Emma Anders de Souza Lima. Flórida. Editora Vida, 1991. p. 209.