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Este guia aborda a leitura crítica e a análise de textos, explorando os diferentes estágios da leitura e as técnicas de análise textual. O texto destaca a importância da leitura ativa e da construção de significado, além de apresentar exemplos práticos e dicas para o desenvolvimento da leitura crítica.
Tipologia: Resumos
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Não perca as partes importantes!


































AUTORIA
Olá. Meu nome é Giovanna Valenza. Sou formada em Letras, com experiência técnico-profissional na área de Produção de Texto e Língua Portuguesa nos formatos Presencial e a Distância há mais de 10 anos. Faço edição e revisão de textos para várias editoras e também sou autora de materiais didáticos para EAD. Adoro dar aulas e escrever materiais, pois assim posso compartilhar minha experiência e meu conhecimento com aqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo!
Olá! Seja bem-vindo! Sou Thalyta Mabel. Graduada em Serviço Social e Mestre em Serviço Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), tendo como objeto de estudo o Serviço Social na Previdência Social. Possuo experiência como docente, na graduação e na pós-graduação, tanto em instituições públicas quanto privadas, principalmente nas disciplinas de Política de Previdência Social e Social, Fundamentos Teórico-Metodológicos do Serviço Social, Trabalho de Conclusão de Curso, Metodologia Científica, Docência no Ensino Superior, Introdução à Educação a Distância, Introdução ao Ensino Superior e Tecnologias Educacionais. Minha trajetória acadêmico- profissional está ligada à área da Educação a Distância há aproximadamente 15 anos. Nessa larga trajetória, atuo como Designer Instrucional de materiais didáticos para a EaD, desde a orientação pedagógica até o produto final, em Instituições de Ensino Superior (IES) Públicas e Privadas e de Educação Corporativa, como autora e organizadora de e-books e demais materiais didáticos, facilitadora de treinamento de professores/autores/conteudistas quanto à escrita de conteúdo dos materiais didáticos a serem utilizados na EaD nas IES e nas instituições de Educação Corporativa e também como tutora. Para que possamos obter êxito nesta caminhada rumo ao conhecimento acadêmico, recomendamos que você esteja atento aos conceitos aqui apresentados. Vamos começar.
ICONOGRÁFICOS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que:
para o início do desenvolvimento de uma nova competência;
houver necessidade de apresentar um novo conceito;
quando necessárias observações ou complementações para o seu conhecimento;
as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você;
EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado;
curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias;
textos, referências bibliográficas e links para aprofundamento do seu conhecimento;
se houver a necessidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido;
se for preciso acessar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast;
quando for preciso fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens;
quando alguma atividade de autoaprendizagem for aplicada;
quando uma competência for concluída e questões forem explicadas;
UNIDADE
INTRODUÇÃO
Olá! Seja bem-vindo! Nesta unidade estudaremos temas importantes sobre habilidades que auxiliarão em muito nos estudos. A leitura é o primeiro passo para que o estudante consiga apreender o conteúdo, uma vez que encontramos o conhecimento em livros, artigos, vídeos (sim, podemos fazer uma leitura de imagens também!). Veremos que há várias definições e características da leitura, e vários estágios dela também. Porém, não basta ler, somente, é preciso compreender. E é por isso que conversaremos sobre interpretação. Por fim, você aprenderá a elaborar uma síntese, uma das maneiras de estudar que comprovadamente contribui muito para a retenção do conteúdo. Ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar neste universo!
A leitura e seus estágios
Ao término deste capítulo você será capaz de compreender o conceito de leitura e os seus estágios. Isto será fundamental para alunos em formação na modalidade Educação a Distância. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá!
Leitura: como definir?
Segundo o último Censo do IBGE (2018), existem 11,3 milhões de analfabetos no Brasil. Esse número vem diminuindo ao longo dos anos, porém, outro termo ganhou bastante destaque: o analfabetismo funcional. Você sabe a diferença entre analfabetismo e analfabetismo funcional?
Analfabetas são as pessoas que não conhecem o alfabeto ou não sabem ler nem escrever; já os analfabetos funcionais são pessoas que sabem ler e escrever, mas não são capazes de interpretar o texto que leem, e essa parte da população corresponde a 30% dos brasileiros que têm entre 15 e 64 anos (AÇÃO EDUCATIVA; INSTITUTO PAULO MONTENEGRO, 2018).
Veja gráficos dos resultados da pesquisa sobre analfabetismo e analfabetismo funcional, Clique aqui.
Às pessoas que sabem ler e escrever dá-se o nome de alfabetizadas e às pessoas que sabem ler, escrever e conseguem usar essas habilidades nas demandas sociais são denominadas letradas. Mas o que significa ler? Você já parou para pensar nisso? Uma busca rápida em qualquer dicionário mostrará como definição de leitura o “ato de ler”, ou “o ato de compreender o conteúdo de um texto escrito”. Porém, como acabamos de ver, há muitas pessoas que não conseguem compreender aquilo que leem. Sendo assim, podemos usar as duas definições para o ato da leitura?
Figura 1 – A leitura é uma atividade exclusivamente humana
Fonte: freepik A leitura é uma atividade exclusivamente humana, que nos permite acesso a um infinito conhecimento. Está intimamente ligada ao processo de aprendizagem. Por isso o tema é amplamente estudado por várias perspectivas: do ponto de vista linguístico, é claro, mas também psicológico, biológico, social, entre outros.
Etimologicamente, a palavra vem do verbo em latim lego, cuja primeira acepção é “juntar, reunir”. Ele também significa “ler”, pois essa ação é juntar e reunir as palavras, as sentenças e as partes de um texto.
O educador Paulo Freire dedicou uma obra inteira ao assunto, “A importância do ato de ler”, em que afirma que “A leitura do mundo precede a leitura da palavra” (FREIRE, 1988). Nesse sentido, todos nós temos a capacidade de ler, já que estamos, a todo o momento, lendo a realidade que nos cerca, isto é, lendo o mundo.
A definição apresentada no texto dos Parâmetros Curriculares Nacionais (2001, p. 53) é a seguinte:
A leitura é um processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de construção do significado do texto, a partir dos seus objetivos, do seu conhecimento sobre o assunto, sobre o autor, de tudo o que sabe sobre a língua: características do gênero, do portador, do sistema de escrita etc.
Para Andrade (2016, p. 1-2), tal definição é, hoje, muito mais complexa: Sabe-se que o conceito de leitura foi aperfeiçoado nas últimas décadas. Nos dias atuais, a leitura não se constitui um processo de decodificação do texto, nem somente a compreensão e interpretação do signo linguístico. Na verdade, a leitura possui uma dimensão mais ampla do que apenas atribuir significado às palavras e frases. Pereira, Souza e Kirchof (2012) afirmam que o ato de ler transcende à simples decodificação, compreensão e interpretação do signo linguístico, porquanto pressupõe o ato de dar sentido ao texto, o que estará sempre na dependência da vivência histórica do sujeito, do seu modo de pensar e olhar o mundo. O que observamos no comentário de Andrade (2016) é, novamente, que o foco está no leitor, o sujeito que olha para o texto. Podemos aproximar essa afirmação do que queremos dos nossos alunos, tanto no ensino presencial como no ensino a distância. A habilidade de leitura é algo trabalhado na escola desde os primeiros anos. E assim deve ser em todos os níveis de ensino, já que os textos vão ganhando mais complexidade ao longo da vida escolar. Ora, se lemos e estudamos por meio da leitura durante a nossa vida toda, por que então existem tantas pessoas que não conseguem compreender um texto? Segundo Silva (2011, p. 25):
Ler é básico para o progresso na aprendizagem de qualquer assunto. A formação de um leitor competente, segundo os PCN (2001, p. 54), “só pode constituir-se mediante uma prática constante de leitura de textos de fato, a partir de um trabalho que deve se organizar em torno da diversidade de textos que circulam socialmente”. Tal questionamento é objeto de estudo de muitos pesquisadores. Eles tentam entender o que está errado na educação básica/fundamental, por que motivo os alunos estão chegando muito fracos ao ensino superior, no que diz respeito à leitura, e o que pode ser feito para que a prática se torne hábito na população brasileira, assim como já acontece em outros países.
Antes de seguirmos, é importante fazermos uma observação: quando falamos de leitura, estamos nos referindo à leitura de objetos das mais variadas espécies. Podemos ler um texto, um filme, uma obra de
arte, até mesmo uma expressão facial, já que, como apontou Freire, a leitura do mundo vem antes da leitura da palavra. Nesse sentido, estamos lendo (e interpretando) todas as coisas a todo o momento.
Nesta unidade, porém, vamos nos deter à leitura de um texto escrito, que constitui a maior fonte de pesquisa para os estudantes. Ainda que existam materiais em outros formatos, vamos nos concentrar no texto escrito por se tratar de objeto de fundamental importância e que ainda causa muita dificuldade de interpretação por parte dos alunos.
Com certeza você já teve dificuldade de ler e compreender um texto, não é mesmo? Muitas vezes, parece que estamos lendo um texto escrito em outra língua, tão distante nos parece do que costumamos ler no dia a dia. Por que será que isso acontece?
Problemas de compreensão de texto começam a aparecer já na infância, assim que começamos a “juntar as palavras”, e nunca mais deixam de existir. De tempos em tempos nos deparamos com algo difícil de compreender, seja no nosso dia a dia, como leitores de jornais e revistas, seja no contexto acadêmico, como leitores de ciência. Mas ninguém pode negar que a leitura é essencial para a nossa vida escolar, nos mais diversos níveis. Observe o que afirmam Lakatos e Marconi (2018, p. 1) a respeito da importância da leitura para os estudos:
[A leitura] favorece a obtenção de informações já existentes, poupando o trabalho da pesquisa de campo ou experimental. Ela propicia a ampliação do conhecimento, abre horizontes na mente, aumenta o vocabulário, permitindo melhor entendimento do conteúdo das obras. [...] Dois são os seus objetivos fundamentais: serve como meio eficaz para aprofundamento dos estudos e para a aquisição de cultura geral. De fato, a leitura é uma atividade complexa. Na sequência, você verá que, muitas vezes, não é na primeira leitura que chegamos a uma compreensão total. Existem alguns estágios para chegar a uma
Reconhecimento ou pré-leitura
Aa leitura superficial do texto serve para se ter uma ideia do que ele trata, seu conteúdo e sua organização. No caso de textos de jornal, por exemplo, trechos são destacados para fazer com que o leitor observe quais são as principais partes. O título e o subtítulo (se houver) são extremamente importantes, pois chamam a atenção para o tema principal que será abordado.
Nesse estágio, o leitor pode responder à pergunta: de que trata o texto? Assim, ele tem uma visão global do assunto, porém, não se aprofundará em subtemas ou informações mais específicas.
É muito comum hoje, nas redes sociais, nos depararmos com títulos de textos. E muitas vezes ficamos só no título, não lemos o texto, nem sequer clicamos no link para acessar mais informações sobre o assunto. Está aí uma boa maneira de confirmar de que modo fazemos essa leitura de reconhecimento.
Faça o teste. Quando estiver em uma rede social e se deparar com uma notícia, pare para refletir: o título me chamou a atenção? Estou interessado em saber mais sobre isso?
Leitura seletiva
Neste segundo estágio de leitura a pessoa realiza uma leitura mais atenta do texto, inspecionando-o. Ela presta atenção nas sentenças e compreende o contexto envolvido na sua produção.
Aqui, o leitor ainda não faz uma leitura minuciosa, mas inicia esse processo, separa aquilo que é essencial e deixa de lado o que é desnecessário.
Vamos continuar com o exemplo de uma notícia que você encontrou ao navegar em sua rede social. Você se interessou pelo assunto e quer saber mais: se tiver acesso ao texto completo da notícia, de que forma você vai lê-lo? Vai passar o olho para “pescar” algumas informações relevantes ou vai ler atentamente? É bem provável que você dê uma
“sondada”, uma passada de olho nesse momento. Isso vai fazer com que se interesse ou não por uma leitura mais minuciosa.
Leitura interpretativa
Na leitura interpretativa, o leitor consegue identificar as informações que estão sendo colocadas no texto, bem como o que o autor quer dizer. O leitor analisa as partes do texto – introdução, desenvolvimento, conclusão – e estabelece uma correlação entre elas.
Aqui, a leitura é minuciosa e não se perde nada. Se há alguma palavra que o leitor não conhece, ele vai procurar o significado, e se algo passou despercebido durante a leitura, o leitor vai voltar atrás para entender melhor a mensagem. Figura 3 – O terceiro estágio da leitura compreende a fase interpretativa
Fonte: freepik Neste estágio, o leitor é capaz de entender a intenção do autor ao escrever aquele texto e de relacionar seu posicionamento com outros textos que já leu. É importante dizer que, neste caso, o aproveitamento do texto dependerá da bagagem que o leitor já tem acerca do assunto. Se houver alguma referência ou uma informação implícita (um pressuposto), o leitor experiente será capaz de localizá-la.
Quadro 1 - Estágios da leitura
Estágio Definição Questão Reconhecimento ou pré-leitura Leitura superficial^ Qual é o tema?
Seletiva Inspeção Quais são as principais informaçõesque o texto traz?
Interpretativa Leitura minuciosa Qual é o posicionamento do autorsobre o tema?
Crítica ou reflexiva
Julgamento do conteúdo
Concordo ou discordo do posicionamento do autor e por quê? Fonte: Lakatos e Marconi, 2019 (Adaptado). É fundamental que você, aluno, que está em formação profissional e que está realizando essa formação em um curso na modalidade a distância, atente-se para as informações que foram apresentadas até aqui. Faça da leitura sua aliada no processo da aprendizagem.
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir o que vimos. Você deve ter aprendido as definições de leitura e teve a oportunidade de conhecer seus quatro estágios ou níveis: reconhecimento, leitura seletiva, leitura interpretativa e leitura crítica. É muito importante que você faça com que a leitura se torne um hábito, pois dessa forma conseguirá passar por esses estágios de modo a compreender e julgar qualquer texto.
Utilizando os estágios de leitura nos
estudos
Ao término deste capítulo você será capaz de identificar e utilizar esses estágios de leitura em seus momentos de estudo. Isto será fundamental para você em seu processo de formação profissional. Está motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante!
Decodificação e diferenciação
Como vimos no capítulo anterior, uma primeira definição de leitura seria a de extrair significado do texto. Seria como decodificar os símbolos que ali estão colocados. Porém, já vimos que essa não é a melhor maneira de conceituar o ato de ler. Estamos entendendo a leitura como uma atividade além da decodificação. Ela depende do sujeito leitor e da sua experiência, constituindo-se um processo interacional. Ao ler, estamos estabelecendo uma relação com o texto que será diferente para cada leitor, pois depende da bagagem que ele tem, do que ele espera do texto, de como ele o recebe.
Vamos imaginar que você está assistindo a um filme pela primeira vez. A primeira leitura que faz dele é mais superficial, você pode não entender algumas partes, outras podem até passar despercebidas; você está focado no enredo, numa primeira camada da história, que é a mais explícita e que a maioria dos espectadores vai compreender. Na segunda vez que assiste a esse filme, como já conhece o enredo, presta atenção em aspectos menos evidentes e descobre alguns efeitos de sentido, detalhes que passaram despercebidos da primeira vez. Além disso, os espectadores de uma época podem assistir a esse filme de maneira diferente daquela que pessoas de décadas anteriores o assistiram.
O que podemos comprovar com isso? Que o sentido ou a compreensão de uma obra (seja ela um filme, um texto) não está na forma