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Levantamento Solos, Notas de estudo de Agronomia

solos - solos

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 13/03/2010

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LEVANTAMENTO E MAPEAMENTO DE SOLOS
Parte do Manual de pedologia do IBGE (2003)
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LEVANTAMENTO E MAPEAMENTO DE SOLOS

Parte do Manual de pedologia do IBGE (2003)

LEVANTAMENTOS DE SOLOS

Definição

Os levantamentos de solos envolvem pesquisas de gabinete, campo e laboratório, compreendendo o registro de observações, análises e interpretações de aspectos do meio físico e de características morfológicas, físicas, químicas, mineralógicas e biológicas dos solos, visando à sua caracterização, classificação e principalmente cartografia.

Um levantamento pedológico é um prognóstico da distribuição geográfica dos solos como corpos naturais, determinados por um conjunto de relações e propriedades observáveis na natureza. O levantamento identifica solos que passam a ser reconhecidos como unidades naturais, prevê e delineia suas áreas nos mapas/cartas, em termos de classes definidas de solos.

Um programa de levantamento pedológico requer a existência de um sistema organizado de classificação em caráter permanente de atualização, que possibilite a identificação dos solos, em termos consistentes e uniformes, para facilitar a comunicação e o uso de informações para fins interpretativos (Avery, 1980).

O elo entre a classificação de solos e o levantamento fica estabelecido no momento em que solos semelhantes quanto às propriedades consideradas são reunidos em classes. As classes de solos combinadas com informações e relações do meio ambiente constituem a base fundamental para composição de unidades de mapeamento. Assim, a unidade de mapeamento é o grupamento de área de solos, estabelecido para possibilitar a representação em bases cartográficas e mostrar a distribuição espacial, extensão e limites dos solos.

De maneira geral, um levantamento identifica e separa unidades de mapeamento. Compreende um mapa com legenda e um texto explicativo, que define, descreve e interpreta, para diversos fins, as classes de solos componentes das unidades de mapeamento.

O mapa/carta é parte fundamental de um levantamento. Mostra a distribuição espacial de características dos solos e a composição de unidades de mapeamento, em termos de unidades taxonômicas, ressaltando também, características do meio ambiente.

Objetivos

Os levantamentos pedológicos têm objetivos diversificados, desde a geração de conhecimentos sobre o recurso solo de um país ou região, até o planejamento de uso da terra para diversos fins, em nível de propriedade.

O objetivo principal de um levantamento pedológico é subdividir áreas heterogêneas em parcelas mais homogêneas, que apresentem a menor variabilidade possível, em função dos parâmetros de classificação e das características utilizadas para distinção dos solos.

Unidades Básicas de Referência

O indivíduo solo

Cline (1949) identifica indivíduo como “o menor corpo natural, definível por si próprio”. Os indivíduos de interesse para a classificação passam a ser membros de classes. Pela definição de Cline (1949), um indivíduo pode representar somente um objeto do universo sob consideração. O indivíduo é completo e indivisível.

Em taxonomia de solos, o indivíduo solo não é perfeitamente distinto, é uma entidade imaginária, criada artificialmente por conveniência (Knox, 1965). O indivíduo solo é uma concepção teórica. É alguma coisa dentro de certos limites estabelecidos pela mente humana e não coincide necessariamente com as regras da natureza. É, portanto, dependente de limites de classe impostos pelo homem, para atender esquemas de classificações locais e por isso, muito difícil que seja transferido para outros esquemas.

Pedon e Polipedon

Nos sistemas modernos de classificação de solos, têm ampla preferência os conceitos de pedon e polipedon, como unidades básicas de referência taxonômica e também como elementos de transferência da concepção teórica do indivíduo solo para o reconhecimento, no campo, de unidades taxonômicas e por fim, unidades de mapeamento.

O pedon é uma unidade básica de referência, tridimensional, com limites e dimensões arbitrárias, cuja área é determinada pela variabilidade lateral das características utilizadas em taxonomia de solos. Não possuem limites concretos e muitas características se superpõem às de outros pedons e existem em número infinitamente grande (Schelling, 1970).

Polipedon é uma área de solos constituída por agrupamento de pedons semelhantes, cujos limites laterais coincidem com os limites de outros conjuntos de pedons e cuja profundidade é determinada pelos pedons que o constituem (Schelling, 1970).

Para fins de mapeamento, o polipedon é o elemento de ligação entre a classe de solo e a paisagem. Tem limites laterais estabelecidos pelos critérios de classificação e coincide com a classe de solo no nível categórico mais baixo da taxonomia de solos. Desta forma, o polipedon tem limites objetivos, coincidindo com unidades geográficas básicas de solos que servem ao propósito de identificação e delineamento de classes no campo. (Johnson, 1963; Estados Unidos, 1975).

Perfil

Um perfil de solo é definido como um corte vertical na superfície da terra, que inclui todos os horizontes pedogeneticamente inter-relacionados e/ou camadas que tenham sido pouco influenciadas pelos processos pedogenéticos.

O perfil é uma face exposta do solo, que é reconhecido, classificado e descrito no campo. Somente em situações muito raras é que um perfil coincide com as dimensões de um pedon. Por isso, o conceito de pedon (unidade básica de referência para classificação) é normalmente estabelecido mediante observação, descrição, coleta e interpretação de dados morfológicos e analíticos de vários perfis representativos de um determinado segmento da paisagem (Canada, 1984).

Classe de solo

É definida como um agrupamento de indivíduos, ou outras unidades básicas (pedon, por exemplo), semelhantes em características selecionadas. Classe de solo, conforme definida, é sinônimo de taxon e tem o mesmo significado de unidade taxonômica.

A classe de solo, definida por características morfológicas, físicas, químicas e mineralógicas, com apoio num sistema taxonômico organizado, constitui a unidade fundamental na composição de unidades de mapeamento e no estabelecimento das relações solo/paisagem. Portanto, haverá sempre uma classe de solo correspondente a cada nível hieráquico dos Sistemas Taxonômicos.

Unidades Taxonômicas

A unidade taxonômica é conceituada segundo um conjunto de características e propriedades do solo, conhecidas por meio do estudo de pedons e polipedons e corresponde à unidade de classificação mais homogênea em qualquer nível categórico de sistemas taxonômicos.

É uma concepção teórica para facilitar o conhecimento sobre objetos (no caso, solos), em tão grande número, que seria impossível a compreensão dos mesmos individualmente. É integrada por um conceito central, representado por um perfil de solo modal, que exibe as propriedades e características mais usuais e de outros perfis, estreitamente relacionados, que variam em relação ao conceito central, mantendo, no entanto, a variabilidade dentro de limites determinados pela natureza de variável contínua, como é o caso do solo (Estados Unidos, 1951).

Unidades de Mapeamento

Unidade de mapeamento constitui um conjunto de áreas de solos, com posições e relações definidas na paisagem. É caracterizada em termos da(s) unidade(s) toxonômica(s) que a compõem. As unidades de mapeamento podem ser constituídas tanto por classes de solos, quanto por tipos de terreno. Ora juntamente (associação) e ora individualmente.

São na realidade as unidades mais homogêneas, que se consegue individualizar por interpretação de materiais básicos, em associação com trabalhos de campo, considerando-se o nível/escala do mapeamento. Os mapas/cartas são, portanto, constituídos por diversas unidades de mapeamento.

deverão ser, necessariamente, identificadas, descritas, coletadas e caracterizadas analiticamente. O complexo é definido de acordo com as classes de solos que o compõem e identificado de acordo com os nomes das unidades taxonômicas ligadas por hífens, precedidos da palavra complexo. É, por definição, constituído por solos distintos, com limites pouco nítidos entre si, de difícil individualização para fins cartográficos.

Grupos indiferenciados de solos – são constituídos pela combinação de duas ou mais unidades taxonômicas com semelhanças morfogenéticas e, portanto, pouco diferenciadas. São constituídos por unidades taxonômicas afins, com morfologia e propriedades muito semelhantes e com respostas idênticas às práticas de uso e manejo. Declividade, pedregosidade, rochosidade e drenagem, podem reunir solos distintos no mesmo agrupamento, uma vez que são determinantes do uso e manejo. Os grupos indiferenciados são designados pelos nomes das unidades taxonômicas e ligados pela conjunção e precedidos da expressão grupo indiferenciado.

Tipos de terreno – são ocorrências especiais, não caracterizadas propriamente como classes de solos, que por vezes constituem unidades de mapeamento.

Inclusões – em unidades de mapeamento simples ou combinadas, é comum a ocorrência de solos em proporção muito menor que o componente ou componentes principais. Estas ocorrências são designadas por inclusões e, em geral, representam menos de 20% da área total da unidade de mapeamento.

Fases de Unidades de Mapeamento

A fase não é uma unidade de classificação. É um recurso utilizado para separação das classes de solos, visando prover mais subsídios à interpretação agrícola e não-agrícola dos solos.

A fase é utilizada para indicar mudanças nas feições do meio físico, no comportamento dos solos para fins específicos de uso e manejo e eventualmente nas características morfológicas. Ela pode ser empregada em qualquer tipo de levantamento pedológico, para subdivisão das unidades de mapeamento segundo características que influenciam no uso do solo, destacando-se: vegetação, profundidade, pedregosidade, rochosidade, erosão, drenagem, relevo ou qualquer outra característica importante para os objetivos do levantamento (vide Apêndice 1).

Métodos de Prospecção

Os métodos usuais de prospecção para fins de coleta de dados, descrição de características dos solos no campo e a verificação de limites entre unidades de mapeamento, compreendem as investigações ao longo de transeções, levantamentos de áreas-piloto, estudos de toposseqüências, sistema de malhas e o método do caminhamento livre. Qualquer dos métodos serve ao propósito fundamental de execução de observações de campo, coleta de amostras e mapeamento dos solos.

O método de transeções consiste de observações por meio de caminhos planejados para detectar, além das características dos solos, o máximo de variações da paisagem, compreendendo particularidades fisiográficas, tais como geologia, geomorfologia, vegetação, rede de drenagem superficial e uso atual do solo. As observações são efetuadas a intervalos regulares (transeções por pontos) ou sempre que se perceba mudanças de classes de solos ou outras características importantes (transeções por linhas).

Os levantamentos de áreas-piloto são indicados para mapeamentos de natureza genérica e constam de investigações minuciosas de áreas menores, representativas de uma determinada feição fisiográfica e posteriormente extrapolada para o restante da área.

De acordo com o método de prospecção ao longo de toposseqüências, os solos e suas variações são correlacionados com as superfícies geomórficas em que ocorrem. Por esse método, é possível estabelecer correlações entre classes de solos, textura, drenagem, profundidade, declive, comprimento e forma de pendentes, posição e exposição dos solos em relação às encostas. É o método de prospecção mais apropriado para execução de levantamentos pedológicos detalhados.

Para projetos de uso intensivo de solos, em que levantamentos detalhados e ultradetalhados são executados, o planejamento de coleta de amostras, observações de campo e estudo da variabilidade dos solos é feito, normalmente, mediante utilização de sistema de malhas. Neste método, as caracterizações se processam a espaços prefixados de modo a formar um reticulado denso (malha) em toda a extensão da área.

Importante observar que neste sistema, não deve haver rigidez absoluta na localização dos pontos de coleta/observações, podendo o pedólogo de campo proceder a pequenos deslocamentos, visando evitar a coincidência dos mesmos com locais impróprios, tais como córregos, lagos, construções, etc.

O sistema de malhas rígidas deve ser aplicado apenas para levantamentos ultradetalhados e mesmo assim em situações específicas, como no caso de áreas de sedimentos recentes, por exemplo.

Pelo método do caminhamento livre, pedólogos usam a própria experiência, o conhecimento sobre a área, a fotointerpretação e as correlações para definir os pontos de observação e amostragem, geralmente locais representativos, de modo que cada observação ou amostra coletada forneça o máximo de informações para o mapeamento e caracterização dos solos. Este método requer a existência de material cartográfico, imagens de radar e de satélites, assim como fotografias aéreas em escalas compatíveis.

Densidade de Observações

Por observações, deve-se entender exames de perfis de solos, elaborados durante os trabalhos de campo, por meio de barrancos de estrada, mini- trincheiras e tradagens e que têm por objetivo identificar e verificar a extensão

perfil, ou pelo menos até o limite da sua seção de controle, são descritos e amostrados, visando à caracterização analítica.

Todas as determinações analíticas de rotina para levantamentos de solos, tais como granulometria, complexo sortivo, pH (H 2 O e KCl) e matéria orgânica são executadas, acrescidas ou não de outras mais específicas de acordo com a necessidade.

Amostra Extra – Também elaborada para fins taxonômicos. Quase sempre tem o objetivo de complementar ou confirmar informações de campo e dirimir dúvidas específicas, por meio de determinações analíticas. Geralmente apenas um ou alguns horizontes ou camadas são amostrados, sendo que na maioria das vezes costuma-se coletar o horizonte superficial e um horizonte ou camada interna (A e B ou A e C).

As determinações analíticas processadas variam de acordo com os objetivos da amostragem. Podem ser apenas determinações específicas, apenas as rotineiras, ou a combinação delas. Em todos os casos é recomendável sempre, proceder à descrição morfológica de todo o perfil, independente dos horizontes ou camadas amostradas.

Amostra para fins de Fertilidade – Executada tanto para atender levantamentos pedológicos, quanto para projetos agrícolas que envolvem correções químicas do solo. Neste tipo de amostragem, sempre se coleta o horizonte superficial sendo que algumas vezes é também coletado amostra de um horizonte interno a profundidade variável.

As determinações analíticas são, via de regra, o pH em H 2 O, o complexo sortivo (Ca++, Mg++, K+, Na+, H+^ e Al+++) e o P assimilável. Em situações especiais são determinados micronutrientes.

Usualmente não se faz descrição morfológica para este tipo de amostragem.

Outras denominações:

Perfil e amostra complementar – Denominações dadas aos tipos Perfis Completos e Amostras Extras, quando elaborados em caráter complementar, ou seja, com o objetivo de satisfazer ao número ou freqüência de amostragem estabelecidos para alguns tipos de levantamentos, ou mesmo para simples confirmação de informações.

Amostra composta – Trata-se de uma amostragem para fins de fertilidade, resultante da mistura de amostras de vários pontos do mesmo terreno. Normalmente é executada para subsidiar projetos de correções químicas (adubação e calagem), em atividades agropecuárias.

Freqüência de Amostragem

Refere-se ao número de perfis e amostras extras, descritos e coletados em um levantamento de solos, visando à caracterização física, química e mineralógica dos solos identificados na área em estudo.

A freqüência de amostragem é função de: tipo (nível) do levantamento, objetivos, escala de publicação, grau de heterogeneidade da área de trabalho e da constituição das unidades de mapeamento, conforme especificações constantes no quadro 06.

Para os diversos tipos de levantamentos, a amostragem de solos deve ser suficiente para definir as unidades de mapeamento e, adicionalmente, possibilitar a estimativa das amplitudes de variação das características diferenciais de unidades taxonômicas.

Na medida em que se aumenta a escala de trabalho, e conseqüentemente se aumenta o grau de detalhamento dos levantamentos de solos, quase sempre, se passa a individualizar mais os solos do ponto de vista cartográfico e se estabelecer uma caracterização mais minuciosa dos mesmos, utilizando-se então os níveis categóricos mais inferiores dos sistemas de classificação, que geralmente são mais dependentes de caracterização analítica. É natural que nestes níveis trabalhe-se, portanto, com uma amostragem muito mais densa que nos levantamentos de menor detalhe. Portanto, levantamentos de solos devem ter relação estreita entre a densidade de amostragem e o seu nível de detalhe.

Pelo fato de além do nível de detalhamento, outros fatores também influenciarem o número final de amostras, principalmente a complexidade de ocorrência dos solos em cada região, torna-se difícil estabelecer parâmetros rígidos por nível de levantamento. Entretanto, no planejamento dos trabalhos, recomenda-se observar as indicações constantes do quadro 06.

Bases de Referência

Compreende o material cartográfico que é empregado nos levantamentos, consistindo de mapas ou cartas planialtimétricas, imagens de radar ou de satélite, fotografias aéreas, carta imagens, levantamentos topográficos convencionais, restituições aerofotográficas e outros (vide Apêndice 4).

Além deste material, os levantamentos utilizam as informações contidas em mapas/cartas pedológicas preexistentes, mapas geológicos, geomorfológicos, climáticos, fitogeográficos e outros que permitam a extração e a utilização de informações preliminares sobre o meio ambiente e o uso da terra.

Escalas de Mapas e Cartas

Mapas e cartas são documentos que permitem uma visão reduzida de grandes áreas, ou seja, são documentos relativamente pequenos que encerram informações sobre superfícies ou territórios de dimensões bem maiores (vide Apêndice 4).

Escala do Material Básico e de Publicação

A escala do material básico deve ser selecionada tendo em vista a compatibilização cartográfica entre níveis de detalhe ou generalização previstos para o levantamento e o mapa final de solos a ser apresentado. Um levantamento pedológico deve preferencialmente ser executado sobre material básico em escala que seja, normalmente, um pouco maior que a escala final de apresentação do mapa, principalmente para os trabalhos mais generalizados, embora seja comum nos levantamentos mais detalhados, utilizar-se como material básico, fotografias aéreas na mesma escala de publicação.

Área Mínima Mapeável

É, por definição, determinada pelas menores dimensões que podem ser legivelmente delineadas num mapa ou carta, sem prejuízo da informação gerada nos trabalhos de campo, o que corresponde na prática, a uma área de 0,4cm^2 (0,6cm x 0,6cm). A equivalência desta área no mapa, com a área correspondente no terreno, é função da escala final de apresentação.

Quadro 5 – Relação entre escalas de mapas/cartas, distância e área mínima mapeável nos terrenos

Área mínima Níveis de levantamentos Escalas usuais (^) mapeável Distância no terreno em Km, para cada 1cm no mapa ha Km^2 1:500 0,005 0,001 0, 1:1 000 0,01 0,004 0, 1:2 000 0,02 0,016 0,

Ultradetalhados

1:5 000 0,05 0,10 0, 1:7 000 0,07 0,19 0, 1:8 000 0,08 0,25 0, 1:10 000 0,10 0,40 0, 1:15 000 0,15 0,90 0,

Detalhados

1:20 000 0,20 1,60 0, 1:25 000 0,25 2,50 0, 1:30 000 0,30 3,60 0, Semidetalhados 1:50 000 0,50 10 0, 1:60 000 0,60 14,4 0, Reconhecimento de alta 1:75 000 0,75 22,5 0, intensidade (^) 1:100 000 1 40 0, 1:150 000 1,5 90 0, Reconhecimento de média 1:200 000 2,0 160 1, intensidade (^) 1:250 000 2,5 250 2, Reconhecimento de baixa^ 1:300 000^3 360 3, intensidade 1:500 000^5 1 000^10 1:750 000 7,5 2.250 22, Exploratórios 1:1 000 000 10 4.000 40 1:2 500 000 25 25.000 250 1:5 000 000 50 100.000 1. Esquemáticos 1:10 000 000 100 400.000 4. 1:15 000 000 150 900.000 9.

Os níveis dos Levantamentos de Solos e suas Implicações

O usuário dos levantamentos de solos, bem como entidades executoras e/ou planejadoras, devem ter ciência de que para cada tipo de demanda pode-se eleger um tipo de levantamento em particular, que deverá manter uma relação custo/benefício favorável, sem prejuízo da qualidade ou da quantidade das informações demandadas. Todavia é preciso ter também clareza que alguns tipos de levantamentos elaborados em escalas pequenas (níveis generalizados) não podem atender a demandas localizadas que exigem levantamentos mais detalhados e específicos.

À medida que se elabora estudos ou trabalhos de mapeamento em níveis mais detalhados, com uso de sensores em escalas e/ou resoluções apropriadas, consegue-se obter maior refinamento tanto no que diz respeito ao delineamento das unidades de mapeamento, quanto maior pureza e precisão das informações vinculadas.

Assim, deve-se ter em mente que a simples alteração da escala de apresentação de um mapa, implica apenas em mostrar o mesmo em outro tamanho, sem

trabalhos de campo, o que possibilitou gerar informações mais precisas e completas sobre os solos da área. Para este trabalho, utilizou-se imagem do satélite Landsat 5, composição colorida, na escala 1:100 000.

Portanto, sensores remotos mais apropriados, em termos de escala e resolução, junto a uma intensificação dos trabalhos de campo, propiciam uma melhoria considerável no produto do mapeamento.

A utilização indevida e errônea de informações de levantamentos extremamente generalizados em substituição a levantamentos mais detalhados, visando muitas vezes, cumprir algumas exigências das legislações ambientais, é prática que tem se generalizado no mercado. Chama-se aqui a atenção para este fato, verificado principalmente em casos de pequenos empreendimentos da iniciativa privada, e que constituem, além de um grotesco erro técnico que pode trazer conseqüências desastrosas, antes de tudo, um ato criminoso e de má fé. Apela-se aqui para o bom senso dos usuários e dos segmentos responsáveis da sociedade com atuação na área ambiental, para que exerçam controle mais rigoroso a este respeito.

Em função da precisão, escala e objetivo do trabalho, é definido o tipo do levantamento e, em seqüência, são tomadas as decisões a respeito de composição de unidades de mapeamento, dos métodos de prospecção, da qualidade e escala do material cartográfico e dos sensores remotos, densidade de observações, freqüência de amostragem e características taxonômicas a serem utilizadas.

Naturalmente que os custos de levantamentos detalhados por unidade de área, são muito superiores aos dos levantamentos generalizados. Por esta razão, deve- se avaliar bem a relação custo/benefício, quando da definição das áreas objeto dos levantamentos e dos níveis de levantamentos a serem adotados.

Em síntese, levantamentos detalhados são mais onerosos e requerem mais tempo de execução que os demais por unidade de área, em razão disto, geralmente são executados em áreas comparativamente de menores dimensões e com a finalidade de embasar atividades econômicas que possibilitem o retorno do capital investido.

Tipos de Levantamentos e de Mapas ou Cartas de Solos

Os levantamentos de solos diferenciam-se, principalmente, quanto aos objetivos a que se destinam e quanto à extensão das áreas que abrangem. A cada tipo de levantamento corresponde um tipo de mapa ou carta de solos, que é designado pelo mesmo nome do levantamento correspondente. São reconhecidos cinco tipos principais de levantamentos: − Exploratório − Reconhecimento − Semidetalhado − Detalhado − Ultradetalhado

Outros tipos de mapas ou cartas são denominados esquemáticos ou genéricos e são elaborados com base em compilação de dados. Via de regra, tratam-se de mapas, pois quase sempre contemplam áreas ou regiões de interesse político- administrativos.

As classes de solos são identificadas no campo mediante observação e amostragem em pontos predeterminados, ao longo de percursos traçados previamente de acordo com feições da paisagem e aspectos fisiográficos. A extrapolação é largamente utilizada neste tipo de levantamento. Portanto, as observações e coletas de amostras para identificação e caracterização das classes de solos são feitas a grandes intervalos.

As unidades de mapeamento são normalmente constituídas por amplas associações, podendo ter até cinco componentes, sendo portanto muito heterogêneas.

As classes de solos reconhecidas neste tipo de levantamento são definidas em função de características diagnósticas que determinam a classificação dos solos em níveis taxonômicos elevados, correspondentes pelo menos a subdivisões de “ordem” e “subordem” em sistemas hierárquicos de classificação de solos. As características mais comumente utilizadas são: horizonte diagnóstico subsuperficial, horizonte diagnóstico superficial, cor e saturação por bases.

As classes de solos definidas neste tipo de levantamento geralmente são subdivididas para fins cartográficos, de acordo com:

− Grupamentos texturais em notação simples ou binária e fases de vegetação e relevo.

Este tipo de mapa/carta necessita para sua execução etapas de campo e escritório.

 Levantamento de Reconhecimento

Os levantamentos do tipo reconhecimento são executados para fins de avaliação qualitativa e semiquantitativa de solos, visando à estimativa do potencial de uso agrícola e não agrícola.

A seleção de mapas/cartas e sensores remotos básicos, métodos de prospecção de campo, composição de unidades de mapeamento e grau de detalhe cartográfico são estabelecidos previamente, em função da escala de apresentação do mapa ou carta, dos objetivos e da precisão desejada.

As classes de solos definidas nos levantamentos de reconhecimento acumulam características diferenciais utilizadas nos levantamentos exploratórios e mais características que correspondem a níveis categóricos de “Grandes Grupos e Subgrupos”, em sistemas taxonômicos organizados.

As classes de solos definidas neste tipo de levantamento normalmente são subdivididas, para fins cartográficos e de interpretações diversas, de acordo com o grupamento textural (em notação simples ou binária) e em fases de relevo, vegetação, rochosidade e pedregosidade.

Dados morfológicos e analíticos (químicos, físicos e mineralógicos) de perfis completos e amostras extras, são necessárias para caracterização dos solos e definição das unidades de mapeamento.

Considerando que os levantamentos do tipo reconhecimento atendem a uma ampla faixa de objetivos e necessidades, estão compartimentados em três níveis de execução, compreendendo alta, média e baixa intensidade (Embrapa, 1989).

Os níveis de reconhecimento diferenciam-se quanto aos objetivos, métodos de prospecção, tipos de unidades de mapeamento, área mínima mapeável, material cartográfico e sensores remotos básicos e escala de publicação. A densidade de observações por área é variável, entre 0,04 a 2,0 observações por quilômetro quadrado.

Baixa Intensidade

Os levantamentos de reconhecimento de baixa intensidade têm como objetivo o fornecimento de dados para a avaliação de recursos potenciais de solos, através da identificação de áreas de baixo e alto potencial. Este tipo de levantamento pode ser elaborado em grandes áreas, em razão de seu caráter ainda generalizado.

No Brasil têm sido elaborados para algumas regiões, estados, municípios e/ou outras situações, geralmente com o objetivo de subsidiar o planejamento desenvolvimentista regional ou como componente de Estudos Ambientais diversos, como para Zoneamentos Ecológico-Econômicos, EIA-RIMAS e outros.

As bases cartográficas e imagens de sensores remotos mais indicadas a este nível de reconhecimento compreendem: mapas/cartas planialtimétricas com escalas entre 1:100 000 e 1:500 000, imagens de radar na escala 1:250 000, imagens de satélite nas escalas entre 1:100 000 e 1:500 000 e carta-imagens de sensores remotos orbitais nas escalas 1:100 000 e 1:250 000.

Os mapas/cartas resultantes de levantamentos neste nível devem ser apresentados em escalas compreendidas entre 1:250 000 e 1:750 000. A área mínima mapeável varia de 2,5km^2 a 22,5km^2.

A freqüência de amostragem é de um perfil completo por componente de associação e mais amostras extras de horizontes superficiais e subsuperficiais para definir limites e conceituar unidades de mapeamento.

As unidades de mapeamento são identificadas no campo, ao longo de percursos traçados sobre imagens de radar ou de satélite, ou sobre mapas/cartas planialtimétricas. Os limites entre unidades de mapeamento são inferidos pelas linhas gerais de fotointerpretação, combinada com verificações de campo e interpretação das correlações “padrões de imagens – tipos de solos”. Estas unidades podem ser simples ou de associações de até quatro componentes de Grandes Grupos de solos. Inclusões são comuns em todas as unidades de mapeamento.