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Solos - Manejo Integrado e Ecológico, Notas de estudo de Agronomia

Material de manejo e conservação de solos

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 01/12/2010

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bruno-hadley-vasconcelos-rufino-9 🇧🇷

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Porto Alegre, 2000
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S O S O LL OO SS

MAMANNEEJJOO IINNTTEEGGRRAADDOO

E EEECCOOLLÓÓGGIICCOO

- ELEMENTOS BÁSICOS^ -

Porto Alegre, 2000

EMATER/RS – Rua Botafogo, 1051 – 901150-053 – Porto Alegre – RS – Brasil fone (0XX51) 233-3144 – fax (0XX51) 233- http://www.emater.tche.br________________________________________________

tiragem: 1.

F382s FERREIRA, T.N. (Coord.); SCHWARZ, R.A. Coord.); STRECK, E.V. (Coord.) Solos: manejo integrado e ecologico

  • elementos básicos. Porto Alegre: EMATER/RS, 2000. 95p.

CDU 631.

SUMÁRIO

ANEXO B Utilização do densímetro para estimar o teor de matéria seca, N, P 2 O 5 e K 2 O

  • 1 Introdução
  • 2 Levantamento e classificação dos solos
  • 2.1 Referências Bibliográficas
  • 3 Capacidade de uso das terras
  • 3.1 Referências Bibliográficas
  • 4 Amostragem do solo no sistema plantio direto
  • 4.1 Referências Bibliográficas
  • 5 Correção da acidez do solo
  • 5.1 Referências Bibliográficas
  • 6 Adubação do solo no sistema plantio direto
  • 6.1 Adubação verde
  • 6.1.1 Reciclagem de nutrientes
  • 6.1.2 Adubação somente com biomassa
  • 6.2 Adubos orgânicos
  • 6.3 Uso de cinzas vegetais
  • 6.4 Fosfatos naturais reativos
  • 6.5 Referências Bibliográficas
  • 7 Plantas protetoras e melhoradoras do solo
  • 7.1 Efeito das plantas de cobertura sobre as condições químicas do solo
  • 7.2 Efeito das plantas de cobertura sobre as condições físicas do solo
  • 7.3 Efeito das plantas de cobertura sobre as condições biológicas do solo
  • 7.4 Outros benefícios das plantas de cobertura
  • 7.4.1 Apicultura
  • 7.4.2 Forrageiras
  • 7.4.3 Alelopatia
  • 7.5 Espécies usadas para cobertura verde
  • 7.6 Manejo das plantas de cobertura
  • 7.6.1 Áreas com pedregosidade
  • 7.6.2 Áreas localizadas em terrenos mais favoráveis
  • 7.6.2.1 Azevém
  • 7.6.2.2 Mucuna
  • 7.6.2.3 Nabo forrageiro
  • 7.6.2.4 Aveia preta
  • 7.6.2.5 Ervilhaca comum
  • 7.6.2.6 Gorga
  • 7.7 Considerações finais
  • 7.8 Referências Bibliográficas
  • 8 Máquinas e equipamentos para manejo das plantas de cobertura
  • 8.1 Rolo faca
  • 8.1.1 Manejo da operação de rolagem
  • 8.2 Grade de discos
  • 8.3 Grade de dentes
  • 8.4 Rolo disco.
  • 8.5 Rolo picador
  • 8.6 Roçadeira
  • 8.7 Segadeira
  • 8.8 Triturador
  • 8.9 Distribuidores de calcário e de estercos sólidos
  • 8.10 Referências Bibliográficas
  • 9 Técnicas conservacionistas complementares
  • 9.1 Métodos de preparo do solo
  • 9.1.1 Preparo reduzido do solo
  • 9.1.2 Cultivo mínimo
  • 9.2 Métodos mecânicos e vegetativos para redução da enxurrada
  • 9.3 Rotação lavoura-pecuária
  • 9.3.1 Sistema melhorado
  • 9.3.2 Pastagens permanentes
  • 9.3.3 Período de retirada dos animais
  • 9.3.4 Zoneamento agroclimático para forrageiras
  • 9.4 Referências Bibliográficas
  • 10 Florestas ecológicas
  • 10.1 Referências Bibliográficas
  • no período de verão ANEXO A Características de algumas espécies protetoras e melhoradoras do solo
  • suínos no esterco líquido de bovinos e matéria seca e N no esterco líquido de

Capítulo especial foi destinado ao uso de espécies protetoras e melhoradoras do solo, salientando-se os seus efeitos sobre as condições físicas, químicas e biológicas do solo e a ação alelopática de algumas espécies vegetais, tema que ainda requer muitos estudos. O manejo das principais espécies de cobertura, objetivando o não uso de herbicidas, também é tratado neste capítulo, bem como no seguinte, onde são mostrados os equipamentos e máquinas mais utilizados pelos agricultores.

Em seqüência são apresentadas técnicas complementares para a conservação do solo e água, desde sistemas de preparo do solo até a rotação lavoura-pecuária, com a relação das principais forrageiras indicadas para o estado do Rio Grande do Sul. Finalmente, salientou-se o papel da floresta no equilíbrio dos ecossistemas, na influência que promove sobre o clima, solo e água, e nos reflexos que produz sobre a vida urbana e rural.

Temos consciência que o nível e o volume de informações da Pesquisa Oficial relacionadas a agricultura convencional estão sedimentadas na sua difusão, com apoio dos fóruns tecnológicos específicos (fertilidade, conservação do solo, etc.) formados por praticamente todas as instituições do estado. Acredita-se que no período de transição o conteúdo deva ser bastante discutido com os segmentos geradores de informações, na expectativa de ver implantado o almejado manejo integrado e ecológico do solo.

O presente trabalho poderá ser útil nesta fase de transição, enquanto mais resultados de pesquisa e maior número de validações científicas venham a oferecer a necessária segurança, para que as recomendações possam ser generalizadas, principalmente no âmbito da agricultura familiar.

Em consonância com a linha ecológica preconizada pela Secretaria da Agricultura e Abastecimento e EMATER/RS, espera-se que estes Elementos Básicos possam nortear as ações extensionistas junto aos produtores rurais, para uma agricultura e produção de melhor qualidade, na trilha do desenvolvimento sustentável no Rio Grande do Sul.

2 Levantamento e classificação dos solos

A intervenção do homem no meio ambiente tem ocorrido no sentido de usar os recursos naturais para a obtenção de alimentos e, com a expansão populacional, na busca do aumento da produtividade e produção. Os preparos intensivos do solo, os desmatamentos e as queimadas provocaram, no passado, o desequilíbrio e o comprometimento da flora e fauna, da água e do solo, bem como, causaram modificações no clima regional. O manejo inadequado do solo tende a alterar as características químicas, físicas e biológicas, e acelerar o processo de degradação deste e do meio ambiente. Para que o solo seja usado de forma adequada é importante caracterizá-lo quanto às suas propriedades morfológicas, físicas e químicas, que normalmente é feito através dos levantamentos pedológicos. Estes levantamentos têm por objetivo sistematizar o conhecimento dos solos, possibilitando a sua identificação, mapeamento e recomendação de uso.

As informações sobre classificação dos solos, atualmente disponíveis no Rio Grande do Sul, com exceção de algumas áreas restritas onde foram feitos levantamentos mais detalhados, restringem-se a relatórios de levantamentos feitos ao nível de reconhecimento. Nestes, o mapeamento é pouco preciso e inadequado para o planejamento conservacionista em propriedades agrícolas ou em microbacias hidrográficas. Esta forma de planejamento requer levantamentos detalhados dos tipos de solos e das características do meio físico, como profundidade, fases de declive, pedregosidade, grau de erosão e condições de drenagem.

O levantamento de solos é importante para a realização de zoneamentos agroecológicos e previsões quanto a utilização e produtividade das terras de uma região, sob determinadas condições de manejo. Para isso, é essencial dispor-se de conhecimentos sobre a formação do solo, ambiente onde ele se desenvolve e sobre as alterações que, eventualmente, venham ocorrer em conseqüência do uso. Estas informações podem ser consubstanciadas através da identificação das características morfológicas, físicas e químicas, classificação do solo, mapeamento das unidades e elaboração das interpretações (Soil Survey Manual, 1951; Ranzani, 1969).

É importante conhecer e identificar as características morfológicas do solo, como a presença de slickensides ou superfícies de fricção, mudança textural abrupta,

que o mesmo tem de reter ou liberar os nutrientes à solução do solo para serem aproveitados pelas plantas. Solos com baixa CTC, via de regra, possuem baixa fertilidade natural e reduzido conteúdo de matéria orgânica, são mais suscetíveis a lixiviação de cátions e exigem maiores investimentos na correção de acidez e adubação de manutenção do que aqueles solos com alta CTC. Um valor baixo de CTC é decorrente da baixa atividade da argila e do teor reduzido da matéria orgânica do solo, sendo que este último pode ser aumentado através do uso da adubação orgânica, através das plantas de cobertura de solo e do plantio direto.

A declividade é uma importante característica das terras, e que deve ser inventariada para fins de planejamento conservacionista, sendo o principal fator condicionador da capacidade de uso das terras agrícolas (Lepsch, 1983). As áreas quase planas, com até 2% de declividade, sobre as quais o escoamento superficial é lento e que oferecem poucos problemas quanto à erosão hídrica, exigem práticas simples de conservação. À medida que aumenta o grau de declive, aumentam também os riscos de erosão e a exigência de práticas conservacionistas em áreas cultivadas intensivamente. Assim, considerando uma tolerância de perda de solo por erosão hídrica igual à taxa de formação, num solo de relevo ondulado (5 a 10 % de declividade) os preparos para a semeadura devem ser realizados de tal forma que deixem um índice de cobertura por resíduos culturais de, pelo menos, 60%. Enquanto isso, uma área com classe de declive fortemente ondulado (10 a 15%) deve ser utilizada sob plantio direto, procurando-se deixar um índice de cobertura do solo por resíduos culturais, na semeadura, próximo a 100% (Streck, 1992). A exigência nas recomendações de uso é ainda maior nos solos com relevo fortemente ondulado à íngreme (declividade >15%), uma vez que neste tipo de relevo observa-se, com freqüência, redução na profundidade efetiva dos solos. Nas áreas íngremes de regiões montanhosas ocorrem solos litólicos, que apresentam contato lítico e litóide, de profundidade rasa, alto grau de pedregosidade e com afloramentos de rochas, causando o impedimento no uso de máquinas agrícolas, o que leva estas áreas a serem recomendadas para o uso com reflorestamento ou para preservação ambiental.

2.1 Referências Bibliográficas

BERTONI, J.; LOMBARDI NETO, F. Conservação do Solo. São Paulo: Livroceres, 1985. 392p.

EMBRAPA. Centro Nacional de Pesquisa de Solos. Sistema brasileiro de classificação de solos. Brasília: EMBRAPA-SPI, 1999. 412p.

LEPSCH, I. F. Manual para levantamento utilitário do meio físico e classificação de terras no sistema de capacidade de uso. Campinas: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 1983. 175p.

RANZANI, G. Manual de levantamento de solos. Piracicaba: ESALQ, 1969. 167p.

SOIL SURVEY MANUAL. Soil Survey staff. Washington, 1951. 503p. (Handbook, 18)

STRECK, E.V. Levantamento de solos e avaliação do potencial de uso agrícola das terras da microbacia do Lajeado Atafona (Santo Ângelo/RS). Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação em Agronomia – Ciência do Solo, UFRGS, Porto Alegre, 167p.

princípio básico é que, à medida que aumentam as limitações de uso de uma gleba, deve diminuir a intensidade de uso e aumentar a intensidade e o rigor das técnicas de manejo.

Uma vez identificadas as características limitantes das terras e avaliado o seu grau de limitação, procede-se a classificação da capacidade de uso das mesmas. Para isto,

existem diversos sistemas em uso. Os mais difundidos no Brasil, são o “Sistema de

Classificação da Capacidade de Uso”, denominado de “Sistema Americano” e o “Sistema de Avaliação da Aptidão Agrícola das Terras”, conhecido por “Sistema Brasileiro”.

O Sistema Americano pressupõe a existência de levantamentos detalhados de solos, onde as unidades de mapeamento são suficientemente homogêneas para diferenciar as glebas de uma propriedade rural em classes, subclasses ou unidades de capacidade de uso, sendo adequado para planejamentos ao nível de propriedade rural. Além disto, este sistema prevê o uso de um nível tecnológico avançado, onde as técnicas de cultivo se baseiam em motomecanização. Este aspecto restringe sua utilização ampla no Brasil, uma vez que existem regiões com agricultura intensiva, onde a motomecanização é dificultada ou impedida. É o caso das encostas basálticas do Rio Grande do Sul, onde terras com bom potencial para culturas anuais e intensamente agricultadas têm sua capacidade de uso subestimada neste sistema, por serem cultiváveis somente com tração animal, devido à pedregosidade e relevo irregular (Schneider et al., 1998).

Segundo a Classificação Americana, adotada pelo INCRA e utilizada pela EMATER nos Programas Especiais, embasadas em microbacias hidrográficas, as classe de capacidade de uso estão agrupadas em quatro categorias de capacidade de uso, conforme Tabela 1.

Tabela 1. Relação entre classes e categorias de capacidade de uso.

Classe I, II e III Categoria A Classe IV Categoria B Classe V, VI e VII Categoria C Classe VIII Categoria D

Fonte Zoneamento Agrícola, 1978.

A conceituação das categorias está na seguinte ordem:

Categoria A : Terras cultiváveis de forma continuada e intensivamente e capazes de produzir boas colheitas das culturas anuais adaptadas, sem limitações sérias à mecanização. Exigem o emprego de práticas de manejo, das simples às complexas e intensivas, visando o controle da erosão, manutenção ou melhoramento da fertilidade e a conservação e controle da água. Abrange as classes I, II e III de capacidade de uso e define as melhores terras para a exploração agrícola.

Categoria B: Terras que não se prestam ao cultivo continuado com culturas anuais, mas que podem ser usadas com culturas especialmente adaptadas, com extremo cuidado para neutralizar as limitações, principalmente relacionadas com o controle da erosão, ao manejo da água ou à topografia. São terras especialmente indicadas para a exploração permanente, através de pastagens e de algumas frutíferas perenes. Abrange a classe IV.

Categoria C: Terras que não são cultiváveis com culturas anuais devido à intensidade de fatores restritivos, ou do risco de destinação do solo, mas que permitem o cultivo com culturas permanentes adequadas, com pastagens ou com espécies florestais. A necessidade do emprego de uma ou várias práticas especiais de manejo, ou de práticas de controle à erosão hídrica, de natureza e complexidade variáveis, é condicionada pelas peculiaridades de fatores restritivos (encharcamento, declividade, profundidade dos solos, etc.) e pela intensidade de uso que se lhe pretenda atribuir. Abrange as classes V, VI e VII.

Categoria D : Abrange terras da classe VIII que não se prestam ao estabelecimento de qualquer tipo de agricultura, pecuária ou silvicultura, podendo ser adaptadas para refúgio de fauna, conservação da flora, ou para fins de recreação ou turismo.

Nota: Com a cobertura permanente do solo e praticado o sistema plantio direto, dentro da linha ecológica preconizada, os fatores restritivos e os riscos de destruição dos solos nas Categorias B e C, tornam-se reduzidos ou até neutralizados.

3.1 Referências Bibliográficas

SCHNEIDER, P.; GIASSON, E.; KLAMT, E.; KAMPF, N. Avaliação da capacidade de uso das terras: manual técnico - Pró-Rural. Porto Alegre, 1998. ZONEAMENTO AGRÍCOLA. Coordenadoria Estadual de Planejamento Agrícola. Porto Alegre: Secretaria da Agricultura –RS, 1978. RIO GRANDE DO SUL. Secretaria da Agricultura. CEPA. Zoneamento agrícola : indicação de culturas disponibilidade de solo a nível de município. Porto Alegre, 1978. 219p.

5 Correção da acidez do solo

Com base na pesquisa oficial do Rio Grande do Sul, a aplicação de calcário na superfície mostrou ser uma técnica alternativa eficiente em relação à incorporação no solo, para o controle dos fatores da acidez, tanto em áreas de lavouras cultivadas sob sistema plantio direto, como em áreas de campo natural e destinadas a culturas anuais.

Para que a correção da acidez do solo proporcione ao agricultor os retornos econômicos e ambientais esperados, em sua execução devem ser seguidas algumas normas técnicas, que se referem principalmente à escolha, quantidade necessária, época e modo de aplicação do corretivo no solo (Comissão ..., 1994) Por exemplo, o teor de magnésio (Mg) é considerado como fator importante na qualidade do corretivo. Portanto, é desejável que o corretivo apresente um teor de magnésio entre 1/5 e 1/2 do teor de cálcio (Ca), como ocorre nos calcários dolomíticos. Entretanto, para a maior parte das culturas, o teor de Mg do corretivo pode variar dentro de limites muito amplos.

A calagem em lavouras com sistema plantio direto pode ser feita nas seguintes situações :

  • em aplicação ou reaplicação quando:
    • pH em água < 5,
    • ou saturação de bases < 60%
    • presença de alumínio em índices altos
  • na dosagem de 1/2 SMP para pH = 5,
    • na linha pode ser usado de 200 a 300 kg/ha
  • quando nova amostragem, a cada três anos, indicar. Observação: monitorar a 0 – 5 cm, para evitar excesso, quando julgar conveniente.

A calagem em campo nativo pode ser realizada em duas situações :

a. No sistema de sucessão lavoura – pecuária :

  • Calagem de 1/2 SMP para pH = 5,
  • Calcário na linha, de 200 a 400 kg/ha no sistema plantio direto.

b. Para o melhoramento do campo nativo:

  • Calagem de 1/2 SMP a lanço (pH = 5,5), não devendo ser usado na linha.

Tipo do produto

É fundamental que na decisão de quanto e que tipo de calcário aplicar, dolomítico (> 12% MgO), magnesiano (de 5 a 12% de MgO) ou calcítico (< 5% MgO), todos os fatores inicialmente mencionados sejam criteriosamente considerados e avaliados na interpretação da análise de solo. Inclusive os teores de micronutrientes podem influir na decisão, porque a disponibilidade deles depende também do pH do solo.

Época de aplicação do calcário

Na correção da acidez do solo deve-se levar em consideração, além da distribuição e da qualidade do produto, também a época de aplicação e as culturas subseqüentes. A aplicação do calcário no outono pode potencializar seus efeitos na correção da acidez, com posterior implantação de algumas espécies vegetais de inverno, influindo diretamente na mobilização do cálcio e complexação do alumínio.

O Carbono orgânico originado dos resíduos vegetais na superfície do solo é o mais importante componente da solução do solo em plantio direto, participando de inúmeros processos químicos no ecossistema, principalmente na mobilidade e toxidade de metais. No caso, os resíduos de aveia são mais ativos na mobilização do Ca e os de nabo na complexação de alumínio (Pavan, 1997).

Os ácidos orgânicos solúveis desempenham um papel fundamental no solo, dos quais destacam-se o cítrico, oxálico, fórmico, acético, málico, succínico, malônico, láctico, aconítico e fumário. A natureza e a concentração desses ácidos determinam a extensão pela qual o processo é afetado. Por exemplo, a mobilidade do Ca no solo é afetada pela presença do ácido succínico, liberado pelos resíduos da aveia, enquanto que a quelatização do Al é realizada pelo ácido cítrico, liberado pelo resíduo do nabo (Pavan, 1997). O mesmo autor afirma que a aveia é o vegetal que proporciona a maior lixiviação de Ca, evidenciado pelo aumento gradativo na sua concentração, em profundidade, no solo. Por outro lado, ocasiona a maior retenção de potássio (K) no solo, com a remoção de Ca sendo proporcional ao aumento da retenção de K na presença de resíduos vegetais na superfície do solo.

A cultura do nabo é a que desenvolve a maior capacidade de lixiviação dos íons de alumínio. A química do Al em solução está envolvida com a extração do Ca na presença

g) A saturação da CTC com bases (Ca+Mg+K) deve ser em torno de 70 a 80%. Também o teor de matéria orgânica pode influir na decisão de quanto calcário aplicar. A fórmula para o cálculo da necessidade de calcário pelo método de saturação de bases é a seguinte : NC = CTC x (V2 – V1) 100

NC = necessidade de calagem (em t ha-1^ de calcário com 100% de PRNT). V2 = saturação de bases desejada V1 = saturação de bases atual CTC = H+Al+Ca+Mg+K , em CmolcL-

No modelo em referência, ainda segundo Claro (1999), não aplica-se mais de 4 t ha-1^ de calcário de uma só vez quando incorporado, assim com, não mais de 2 t ha- quando aplicado na superfície sem incorporação. Se for necessário maior quantidade, aplica-se metade na pré-implantação da adubação verde de verão e a outra metade na de inverno. Em pomar em produção, se for necessário calcário, a dosagem deve ser a menor possível, preferencialmente menos de 1,0 t ha -1^. ano e no máximo 2 t, em duas vezes. A melhor época é em março/abril, pouco antes da semeadura de aveia e leguminosas, realizando-se posteriormente a roçada e/ou leve escarificação.

Outras formas de correção do solo

Pesquisa desenvolvida em casa de vegetação (Adubos verdes X Alumínio, 1992) mostrou que a matéria orgânica fresca adicionada ao solo pode, a curto prazo, substituir a ação do calcário na redução do alumínio solúvel e no aumento da produção. O experimento avaliou o potencial de três espécies vegetais como adubo verde para desintoxicação de solos ácidos: o feijão caupi ( Vigna unguiculata ), a leucena ( Leucaena leucocephala ) e o capim colonião ( Panicum maximum ), comparando com o efeito da adição de calcário, em quatro níveis. Como planta indicadora de melhoria do solo cultivaram a sesbania ( Sesbania cochinchensis) , que é uma leguminosa muito sensível à toxidade do alumínio e usaram o seu crescimento como uma medida de desintoxicação do solo. Entre os adubos verdes, a leucena foi o mais eficiente em aumentar o pH e, consequentemente, reduzir a solubilidade do Al. O capim colonião causou um efeito negativo sobre o crescimento da sesbania, provavelmente pela imobilização de nutrientes do solo durante a decomposição das folhas dessa gramínea que, ao natural, já são pobres em nutrientes. Mas, uma adição mais pesada de capim colonião produziu um leve aumento no crescimento da sesbania.

A discrepância de eficiência dos diferentes adubos verdes sugere que a relação entre o pH e o Al solúvel varia significativamente de acordo com a fonte de matéria orgânica incorporada. As mudas de sesbania produziram mais biomassa nos tratamentos de níveis mais altos de incorporação de caupi e leucena, do que nos tratamentos de maiores níveis de calcário, apesar dos tratamentos com adubação verde apresentarem maiores concentrações de Al solúvel. Isso significa que as formas de Al solúvel nos solos onde houve incorporação de adubação verde, provavelmente, diferem daquelas encontradas nos solos com calcário. E, provavelmente, a fitotoxidade do Al também é diferente nos dois casos. As análises de solo revelaram que, com a incorporação da leucena e do caupi, os solos continham cerca de 10 vezes mais carbono solúvel do que os solos com calcário. Também, foram encontrados vários complexos orgânicos com Al que não são fitotóxicos.

O trabalho concluiu que a adubação verde pode substituir a adição de calcário

quando utilizado para reduzir a fitotoxidade do Al solúvel, pelo menos em tempo

hábil que permita o estabelecimento de mudas jovens. A adição de matéria orgânica

fresca pode reduzir o alumínio solúvel e aumentar a produção.

5.1 Referências Bibliográficas

CLARO, S. A. Pessegueiro e ameixeira em sistema de cultivo agroecológico -

manejo ecológico do solo. Sobradinho: EMATER/RS, 1999. 15p. Apostila. Não

publicada.

COMISSÃO DE FERTILIDADE DO SOLO – RS/SC. Recomendações de adubação e

calagem para os Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. 3.ed. Passo

Fundo: SBCS – Núcleo Regional Sul, 1995. 224p.

PAVAN, M. A. Ciclagem de nutrientes e mobilidade de íons no solo sob plantio

direto. Plantio Direto,. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo, 1997, n.41, p.8 – 12,

set./out. 1997.

ADUBOS VERDES X ALUMÍNIO. Informativo Agroflorestal REBRAF, Rio de Janeiro,

v.4, n.1, p. 11-12, mai. 1992. Original publicado em International AG-Sieve, Rodale

Institute, Emmaus, Pa., v.4, n.4, p.