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Guias e Dicas
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Livro Fonta - Cap13, Manuais, Projetos, Pesquisas de Agronomia

Livro Fonta - Cap13

Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas

2015

Compartilhado em 02/01/2015

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mateus-valdir-muller-6 🇧🇷

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Capítulo
Leguminosas Anuais de
Inverno
Henrique Pereira dos Santos, Renato Serena Fontaneli,
Gilberto Omar Tomm e Roberto Serena Fontaneli
Ervilha-forrageira (Pisum sativum L.
subespécie arvense)
Descrição morfológica
É leguminosa anual de inverno, de hábito indeterminado e
trepador, glabra, de coloração verde-clara (DERPSCH &
CALEGARI, 1992). O caule pode atingir de 0,3 m até 2,0 m de
comprimento; é flexuoso, estriado, simples ou quase sim-
ples. As folhas são paripenadas, com gavinhas ramosas (1 a
5 pares) geralmente terminais, com 1 a 3 pares de folíolos
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Capítulo 13

Leguminosas Anuais de

Inverno

Henrique Pereira dos Santos, Renato Serena Fontaneli, Gilberto Omar Tomm e Roberto Serena Fontaneli

Ervilha-forrageira ( Pisum sativum L.

subespécie arvense)

Descrição morfológica

É leguminosa anual de inverno, de hábito indeterminado e trepador, glabra, de coloração verde-clara (DERPSCH & CALEGARI, 1992). O caule pode atingir de 0,3 m até 2,0 m de comprimento; é flexuoso, estriado, simples ou quase sim- ples. As folhas são paripenadas, com gavinhas ramosas (1 a 5 pares) geralmente terminais, com 1 a 3 pares de folíolos

248 ILPF - Integração Lavoura-Pecuária-FlorestaILPF - Integração Lavoura-Pecuária-FlorestaILPF - Integração Lavoura-Pecuária-FlorestaILPF - Integração Lavoura-Pecuária-FlorestaILPF - Integração Lavoura-Pecuária-Floresta

ovalados, mucronados, de margem inteira ou sinuado-denta- dos na parte superior. As flores são vermelho-violáceas (Fig. 50), podendo, às vezes, conforme as condições edafoclimá- ticas, sofrer alterações; são solitárias ou germinadas, sobre pendúnculos axilares aristados, curtos ou pouco mais com- pridos que as estípulas.

Os legumes podem apresentar terminação obtusa, são com- pridos e contêm de 3 a 10 sementes.

Fig. 50. (A) Nabo forrageiro (esquerda) e ervilha BRS Sulina (direita), (B) Ervilha BRS Sulina, (C) Ervilha BRS Sulina para sementes (D) Nabo forrageiro florescido. Fotos: Renato S. Fontaneli (A, B) Gilberto Omar Tomm (C), Dirceu N. Gassen (D).

(A) (B)

(C) (D)

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A época de semeadura da ervilha-forrageira abrange o período de abril a junho. Pode ser estabelecida por plantio direto. Nesse caso, recomenda-se usar espaçamento de 0,2 m e 15 a 18 sementes por metro linear. A profundidade de semeadura deve- rá ser de 3 a 4 cm. A quantidade de semente varia de 50 a 80 kg/ha. Quando consorciada, usam-se 40 a 45 kg/ha de semen- te. O peso de 1.000 sementes é de aproximadamente 180 g.

Manejo

Ervilha-forrageira pode ser semeada consorciada com gramíneas, tais como aveia preta, centeio e cevada, para equilibrar a composição em nutrientes e facilitar as opera- ções de corte da forragem (DERPSCH & CALEGARI, 1992). Apresenta expressivo valor nutritivo e fácil digestão, sendo empregada na alimentação de ovelhas, vacas leiteiras, eqüinos, quer verde, quer trans-formada em feno. Quando usada como forragem verde (Figura 49), o ideal é que o corte seja feito antes do total florescimento, para favorecer rebrote. A ervilha-forrageira produz de 3,0 a 4,0 t MS/ha.

Ervilhaca ( Vicia sativa L.)

Descrição morfológica

É leguminosa anual de inverno, herbácea e glabra. As raízes são profundas e ramificadas. A ervilhaca possui caule fino, flexí-

vel, decumbente e trepador, que atinge até 0,90 m de compri- mento (CALEGARI et al., 1993). A planta atinge em média 0, m de altura. As folhas são alternadas, compostas, com nume- rosos folíolos e gavinha terminal (Fig 6). As flores são geralmen- te pareadas nas axilas das folhas, em forma de racemo, com número variável, subsésseis, com 1,8 a 3,0 cm de comprimen- to, cor violeta-purpúrea ou, raramente, brancas (Fig. 6 e 51). Os legumes são quase cilíndricos, compridos, com 2,5 a 7, cm de comprimento e 5 a 8 mm de largura, de cor marrom, com 4 a 12 sementes. As sementes são globosas ou, até certo ponto, compridas, com 3 a 5 cm de diâmetro, lisas, cor verde- acinzentada para marrom ou preta, raramente amarelada.

Fig. 51. (A-B) Plantas de ervilhaca no florescimento, (C) Consorciação de aveia preta e ervilhaca, (D) Ervilhaca co- mum (esquerda) e peluda (direita). Fotos: (A, B e C) Renato S. Fontaneli e (D) Dirceu N. Gassen.

(A) (B)

(C) (D)

sementes varia de 30 a 57 g. Como leguminosa, indica-se proceder a inoculação com inoculante específico.

Manejo

É uma das forrageiras de cultivo tradicional para alimentação animal nos estados sulinos (Figura 50). A forragem constitui importante alimento; geralmente, a quantidade de proteínas de folhas é aproximadamente o dobro da de caules. Quando destinada a animais, o pastejo deverá ser feito antes da floração (DERPSCH & CALEGARI, 1992). Quando consorci- ada com gramíneas, como aveia preta e centeio, pelo hábito de crescimento trepador, produz maior biomassa do que em cultivo solteiro (TOMM, 1990). Consorcia-se bem com azevém, com centeio ou com aveia preta, melhorando a qua- lidade nutritiva da pastagem para bovinos. Não é muito resis- tente ao pisoteio, no entanto, quando consorciada com gramínea, pode ser usada em pastejo, desde que observa- das as condições de manejo da gramínea associada, ou seja, os pastejos são determinados pela altura da gramínea. A ervilhaca pode produzir até 6,0 t MS/ha.

Em trabalho desenvolvido na Embrapa Trigo, com sistemas de produção mistos (lavoura + pecuária), durante três anos, sob plantio direto, consorciações de aveia preta + ervilhaca e de aveia preta + azevém + ervilhaca não apresentaram dife- renças significativas quanto ao ganho de peso animal, em relação a outros sistemas com pastagem de aveia preta sin gular.

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Serradela ( Ornithopus sativus Brot.)

Descrição morfológica

É leguminosa anual de inverno. Possui caule prostrado e pubescente, atingindo até um metro de comprimento. As fo- lhas superiores são sésseis, com 6 a 15 pares de folíolos, oblongo-lanceoladas e estipuladas (DERPSCH & CALEGARI, 1992). As flores são em número de 3 a 5, sobre pedúnculos axilares mais compridos que as folhas, de coloração róseo- pálida, com estandarte de cor violeta ou cor-de-rosa (Fig. 52). Os legumes são geralmente encurvados, glabros, con- tendo de 2 a 3 sementes. A serradela de flores amarelas apre- senta legumes com até 6 sementes.

Fig. 52. Serradela. Foto: Dirceu N. Gassen,

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Manejo

Produz forragem aparentemente tenra, palatável e rica em proteínas. Tem sido amplamente usada na região dos Cam- pos Gerais do Paraná, em consorciação com gramíneas, para formação de pastagens de inverno (DERPSCH & CALEGARI, 1992). Consorcia-se bem com azevém, com centeio e com aveia preta e tem crescimento rápido. A forragem verde po- derá ser pastejada ou cortada, para ser oferecida em cocho, quando as plantas tiverem mais ou menos 20 cm. A serradela pode produzir até 3,0 t MS/ha (Fig. 52).

Trevo Vesiculoso ( Trifolium vesiculosum Savi)

Descrição morfológica

O trevo vesiculoso é planta anual de inverno (Fig. 6 e 53). Possui caule com 0,60 m a 1,20 m de comprimento. As fo- lhas são em formato de flecha, não pilosas, e geralmente apresentam uma marca branca em “V” (BALL et al., 1996) e bordas serrilhadas. As flores são predominantemente bran- cas, porém podem ser de cor rósea e vermelho-púrpura, inflorescência com até 7,5 cm de comprimento. O floresci- mento e a produção de semente ocorrem durante período longo, que se estende do fim da primavera ao final do verão. A semente é de coloração marrom-avermelhada (alta con-

centração de taninos), apresentando o dobro do tamanho da semente de trevo branco e, 70%, delas possuem o tegumento duro, impermeável, necessitando de escarificação para inici- ar o processo de germinação.

Fig. 53. (A) Folhas e inflorescência de trevo vesiculoso Yuchi, (B, C e D) Pastagem consorciada de aveia preta-azevém- trevo Yuchi em Passo Fundo, RS. Fotos: Renato S. Fontaneli.

Características agronômicas

O trevo vesiculoso destaca-se por produzir forragem durante períodos mais longos do que os trevos anuais (BALL et al.,

(A) (B)

(C) (D)

do-se as mesmas acondicionadas em saco de algodão num recipiente com água fervente durante 90 segundos. Após, deve-se deixar secar as sementes e proceder à inoculação com Rhizobium específico e à peletização, que protege o inoculante e aumenta o diâmetro das sementes, facilitando, a semeadura.

Manejo

O estabelecimento é lento e a produtividade do primeiro ano é tardia, atingindo o máximo de setembro a dezembro. Do segundo ano em diante (Fig. 52), produz forragem mais cedo, propiciando forrageamento já no outono. Isso resulta de nodulação mais precoce e rápida no segundo ano e também do fato de que as sementes duras que não germinaram no ano anterior germinarem mais cedo no outono, propiciando desenvolvimento antecipado.

Trevo vesiculoso produz forragem de alta digestibilidade (BALL et al., 1996). Resiste bem ao pisoteio e raramente produz timpanismo. Consorciado com aveia preta e com azevém, proporciona excelente ganho de peso animal, durante a esta- ção fria, em razão do exemplar desenvolvimento vegetativo. Quando pastejado, é conveniente deixar aproximadamente 15,0 cm de resteva, para facilitar a recuperação. Possui, ain- da, ótimo poder de recuperação, permitindo novos cortes ou pastejos a cada quatro ou seis semanas. O trevo vesiculoso pode produzir até 10 t MS/ha. Produz semente com facilida- de, normalmente de 300 a 800 kg/ha, razão do baixo custo

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das sementes na maioria dos anos. Nas condições de Pas- so Fundo, o trevo vesiculoso cultivar Yuchi e o trevo subterrâ- neo cultivar Clare proporcionaram cobertura de solo por ressemeadura natural inferior à do trevo branco cv. Jacuí, à do trevo vermelho cv. Quiñequelli e à do cornichão cv. São Gabriel.

Trevo Subterrâneo ( Trifolium subterraneum L.)

Descrição morfológica

É leguminosa anual de inverno. A raiz de trevo subterrâneo é pivotante de até 0,30 m, com grande número de raízes se- cundárias. Essa leguminosa tem caule de hábito prostrado, que pode atingir até 0,2 m.

A folha do trevo subterrâneo é digitada, pilosa, com estípulas aderentes ao pecíolo, cordiforme. É planta autógama. As flo- res são brancas, com inflorescências constituídas de três a cinco flores (Fig. 54). Cada flor produz somente uma semen- te, formando três a quatro sementes agrupadas na infrutescência. Essa planta tem a particularidade de inclinar a inflorescência para o solo (geocarpismo), enterrando o le- gume contendo as sementes (ESPÉCIES..., 1980). A semente é cordiforme, de coloração amarela, marrom ou preta, de- pendendo da cultivar.

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7,0. É também exigente em fertilidade de solo. Para calagem e adubação de manutenção, seguir a recomendação para a cultura (MANUAL..., 2004).

A época de semeadura do trevo subterrâneo estende-se de abril a maio. A quantidade de semente varia de 8 a 10 kg/ha. Quando consorciado, recomenda-se de 6 a 8 kg/ha de se- mente. O peso de 1.000 sementes varia de 3,9 a 6,9 g.

Manejo

É muito usado no melhoramento de pastagens naturais e em restevas de lavouras, quando a semeadura é feita em cober- tura, a lanço.

É rústico e de crescimento rápido (Fig. 53), podendo ser usa- do até 90 dias, sob condições favoráveis (BALL et al., 1996). Consorcia-se bem com gramíneas anuais e perenes, apre- sentando ótima ressemeadura natural. Tem sementes gran- des e, por isso, estabelece-se melhor do que os outros tre- vos quando o solo é mal preparado.

Essa leguminosa pode suportar até três cabeças de bovi- nos/ha. Não é muito exigente em manejo de solo. Possui pe- ríodo de floração muito curto, devendo-se aliviar ou suspen- der o pastejo nessa época. O trevo subterrâneo pode produ- zir até 4,0 t MS/ha.