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apóstilha de lógica
Tipologia: Notas de estudo
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Prof. Luiz Gustavo Almeida Martins
Fundamentos Básicos da Lógica
A lógica é o estudo sobre a natureza do raciocínio e do conhecimento. Ela é usada para formalizar e justificar os elementos do raciocínio empregados nas demonstrações / provas de teoremas.
A lógica clássica se baseia em um mundo bivalente ou binário (visão restrita do mundo real), onde os conhecimentos são representados por sentenças que só podem assumir dois valores verdade (verdadeiro ou falso). Portanto, nesse contexto, uma demonstração é um meio de descobrir uma verdade pré-existente deste mundo.
A lógica proposicional é a forma mais simples de lógica. Nela os fatos do mundo real são representados por sentenças sem argumentos, chamadas de proposições.
Ex:
MUNDO REAL PROPOSIÇÃO LÓGICA
Hoje está chovendo P
A rua está molhada Q
Se está chovendo, então a rua está molhada. P → Q
Definição (proposição): uma proposição é uma sentença, de qualquer natureza, que pode ser qualificada de verdadeiro ou falso.
Ex: 1 + 1 = 2 é uma proposição verdadeira da aritmética.
0 > 1 é uma proposição falsa da aritmética.
Se não é possível definir a interpretação (verdadeiro ou falso) da sentença, esta não é uma proposição. Alguns exemplos deste tipo de sentença são apresentados abaixo:
Verifique se as expressões abaixo são proposições. Justifique sua resposta.
a) Boa sorte!
b) Todas as mulheres possuem sua beleza.
c) Márcio não é irmão do Mário.
4.4. A bi-implicação de P e Q (P ↔ Q) também é uma fórmula;
Nesta definição, as fórmulas mais elementares são os símbolos verdade e proposicionais. A partir destes e utilizando as regras 3 e 4, recursivamente, é possível obter um conjunto infinito de fórmulas.
Note que o conectivo ¬ é unário (aplicado sobre uma única fórmula) e fica na ordem pré-fixa, enquanto que os demais conectivos são binários (aplicado sobre duas fórmulas) e fica na ordem infixa.
Exemplos de Fórmulas Válidas
(P ∨ Q) ( (¬R) → X) ( (P ↔ (¬Y) ) ∨ (Q → (R ∧ V) ) )
As construções acima são fórmulas proposicionais, pois podem ser derivadas a partir da aplicação das regras de construção descritas.
Exemplos de Fórmulas Inválidas
PQR (R True →) ( False ∨∧ (↔ Q P) )
As construções acima não constituem fórmulas proposicionais, pois não é possível derivá-las a partir das regras descritas.
Exercício: Dado os símbolos proposicionais P e Q. Mostre que ( (P ∧ Q) ∨ ( (¬P) → (¬Q) ) ) é uma fórmula proposicional.
Solução: P e Q são fórmulas (aplicando a Regra 2)
(P ∧ Q) é fórmula (aplicando a Regra 4.2)
(¬P) e (¬Q) são fórmulas (aplicando a Regra 3)
( (¬P) ∧ (¬Q) ) é fórmula (aplicando a Regra 4.3)
( (P ∧ Q) ∨ ( (¬P) ∧ (¬Q) ) ) é fórmula (aplicando a Regra 4.2)
Os símbolos de pontuação (parênteses), assim como na aritmética, são empregados para priorizar um “cálculo proposicional”. Esses símbolos podem ser omitidos quando isto não altera o significado da fórmula proposicional.
Ex: ((¬(¬P)) → Q) ≡ ¬¬P → Q
Se em uma fórmula, os parênteses não são usados, o cálculo proposicional deve seguir a seguinte ordem de prioridade:
¬ (maior precedência)
Ex: P ∨ Q → R ≡ (P ∨ Q) → R
Além da precedência, também existem as regras de associatividade, que definem a prioridade no cálculo para conectivos de mesma precedência. São elas:
Ex: P ∨ Q ∧ R ≡ (P ∨ Q) ∧ R
P → Q ↔ R ≡ P → (Q ↔ R)
Exercício: Elimine o maior número possível de parênteses da fórmula, sem alterar seu significado original: ((¬X) ∨ ((¬(X ∨ Y)) ∨ Z)).
Solução: (¬X) ∨ ((¬(X ∨ Y)) ∨ Z)
¬X ∨ (¬(X ∨ Y) ∨ Z)
Identifique quais fórmulas pertencem à lógica proposicional. Justifique sua resposta, apresentando as regras de construção utilizadas ou apontando uma concatenação inválida. Para as fórmulas válidas, remova os símbolos de pontuação sem afetar a sua interpretação.
a) (P ∧ Q) → ((Q ↔ P) ∨ (¬(¬R)))
b) ∨ Q → R
c) (P ∨ R) → (Q ↔ ((¬T) ∧ R))
d) (PQ ∨ True)
e) ((¬(¬P)) ↔ ((¬((¬(¬(P ∨ Q))) → R)) ∧ P))
f) (¬P → (Q ∨ R)) ↔ ((P ∧ Q) ↔ (¬¬R ∨ ¬P))
O comprimento de uma fórmula proposicional H, denotado COMP[H], é definido como segue:
Note que o comprimento de uma fórmula é obtido através da contagem dos conectivos e dos símbolos verdade e proposicionais, desconsiderando o símbolo de pontuação.
Ex: COMP[ (P ∧ Q) ↔ R ] = COMP[P ∧ Q] + COMP[R] + 1 = COMP[P] + COMP[Q] + 1 + 1 + 1 =
= 1+ 1+ 1 + 1 + 1 = 5.
O cálculo proposicional define a semântica da fórmula segundo uma interpretação. Ele associa a cada fórmula uma aplicação do tipo:
{T, F} N ⇒ {T, F}
sendo N , o número de símbolos proposicionais e verdade da fórmula.
A definição da interpretação dos símbolos do alfabeto proposicional é dada abaixo:
I[True] = T e I[False] = F
Dadas duas fórmulas proposicionais H e G.
Negação – Se E = ¬H, então:
I[E] = F, para I[H] = T.
I[E] = T, para I[H] = F.
Conjunção (∧) – Se E = (H ∧ G), então:
I[E] = F, para I[H] = F e/ou I[G] = F.
I[E] = T, para I[H] = T e I[G] = T.
Disjunção (∨) – Se E = (H ∨ G), então:
I[E] = F, para I[H] = F e I[G] = F.
I[E] = T, para I[H] = T e/ou I[G] = T.
Implicação (→) – Se E = (H → G), então:
I[E] = F, para I[H] = T e I[G] = F.
I[E] = T, para I[H] = F e/ou I[G] = T.
que é necessário para que o antecedente (H) ocorra). Uma condição “necessária” é um pré-requisito para que um fato ocorra, mas sua veracidade não é suficiente para garantir que o fato também seja verdade.
Equivalência (↔) – Se E = (H ↔ G), então:
I[E] = F, para I[H] ≠ I[G].
I[E] = T, para I[H] = I[G].
OBS: O conectivo ↔ denota o conceito de “suficiência” (o conseqüente (G) indica o que é suficiente para que o antecedente (H) ocorra, ou seja, tudo que é necessário). Uma condição “suficiente” é o conjunto de todos os pré-requisitos necessários para que um fato ocorra. Assim, a veracidade desse conjunto garante a veracidade do fato.
Exercício: Sejam P e Q duas proposições. Demonstrar com a ajuda da definição de interpretação dos conectivos que: (P → Q) ⇔ (Q ∨ ¬P).
Solução: Para I[P → Q] = T ⇒ I[P] = F e/ou I[Q] = T
Se I[P] = F ⇒ I[¬P] = T ⇒ I[Q ∨ ¬P] = T
Se I[Q] = T ⇒ I[Q ∨ ¬P] = T
Para I[P → Q] = F ⇒ I[P] = T e I[Q] = F
Se I[P] = T e I[Q] = F ⇒ I[¬P] = F e I[Q] = F ⇒ I[Q ∨ ¬P] = F
Como para qualquer interpretação I, I[P → Q] = I[Q ∨ ¬P] , então (P → Q) ⇔ (Q ∨ ¬P) é válido.
Sejam P e Q duas proposições. Demonstrar com a ajuda da definição de interpretação dos conectivos que:
a) P ↔ Q ⇔ (P → Q) ∧ (Q → P)
b) ¬ (P ↔ Q) ⇔ (P ∧ ¬Q) ∨ (Q ∧ ¬P)
c) P ∧ Q ⇔ ¬(¬P ∨ ¬Q)
São relações obtidas no mundo semântico a partir das fórmulas sintáticas. O estudo destas relações entre os elementos sintáticos e semânticos, denominada teoria dos modelos , é uma das principais razões da aplicação da lógica à ciência da computação.
OBS: Note que validade é muito mais que veracidade. Uma fórmula pode ser verdadeira para uma determinada interpretação, mas não ser válida (existe outra interpretação onde a fórmula é falsa).
tautologia.
Solução: Se H é uma tautologia, então ∀ I | I [H] = T.
e) (P ∨ ¬P) → (Q ∨ ¬Q)
Solução: Se H e G são equivalentes, então ∀ I | I [H] = I [G].
Para I[H] = T ⇒ I[¬P ∧ ¬Q] = T ⇒ I[¬P] = T e I[¬Q] = T ⇒ I[P] = F e I[Q] = F
Se I[P] = F e I[Q] = F ⇒ I[P ∨ Q] = F ⇒ I[¬(P ∨ Q)] = T
Para I[H] = F ⇒ I[¬P ∧ ¬Q] = F ⇒ I[¬P] = F e/ou I[¬Q] = F ⇒ I[P] = T e/ou I[Q] = T
Se I[P] = T ⇒ I[P ∨ Q] = T ⇒ I[¬(P ∨ Q)] = F
Se I[Q] = T ⇒ I[P ∨ Q] = T ⇒ I[¬(P ∨ Q)] = F
H e G apresentam o mesmo valor para qualquer interpretação então, elas são equivalentes.
A tabela abaixo apresenta algumas das equivalências clássicas encontradas na literatura:
Identificação Fórmula H Fórmula G Dupla Negativa ¬(¬E) E
Propriedades de^ E^ ∨^ False^ E Identidade (^) E ∧ True E
Propriedades^ E^ ∨^ ¬ E^ True Complementares (^) E ∧ ¬ E False
¬(E ∧ R) ¬E ∨ ¬R Leis de Morgan ¬(E ∨ R) ¬E ∧ ¬R Contraposição E → R ¬R → ¬E Propriedades de^ E^ →^ R^ ¬E^ ∨^ R Substituição (^) E ↔ R (E → R) ∧ (R → E)
Propriedades^ E^ ∨^ R^ R^ ∨^ E Comutativas (^) E ∧ R R ∧ E
Propriedades^ E^ ∨^ (R^ ∨^ S)^ (E^ ∨^ R)^ ∨^ S Associativas (^) E ∧ (R ∧ S) (E ∧ R) ∧ S
Propriedades^ E^ ∨^ (R^ ∧^ S)^ (E^ ∨^ R)^ ∧^ (E^ ∨^ S) Distributivas (^) E ∧ (R ∨ S) (E ∧ R) ∨ (E ∧ S)
Prova Condicional E → (R → S) (E ∧ R) → S
Exercício: Sejam P e Q ∈ L∅. Demonstre, com o auxílio das equivalências clássicas, que as
Demonstre, com auxílio das equivalências clássicas, que as fórmulas abaixo são equivalentes:
a) (E ↔ G) ⇔ (E ∧ G) ∨ (¬E ∧ ¬G)
b) (¬X ∨ ¬ Y) → ¬Z ⇔ (Z → X) ∧ (Z → Y)
c) (¬(P → Q) ∨ S) ∧ ¬P ⇔ (P ∨ S) ∧ ((Q → S) ∧ ¬P)
Solução: Se X implica em Y → X, então: quando I [X] = T, I [Y → X] = T.
Para I[Y → X] = T ⇒ I[Y] = F e/ou I[X] = T
Isto significa que, sempre que I[X] = T, temos I[Y → X] = T. Logo, X ⇒ Y → X. c.q.d.
O conceito de implicação de fórmulas (G ⇒ H) NÃO quer dizer que ∀ I, I[G] = I[H]; ou que quando I[H] = T, I[G] = T. A implicação semântica só nos permite concluir I[H] = T quanto I[G] = T. Nos demais casos, nada pode ser concluído.
A implicação de fórmulas é usada como mecanismo de inferência na dedução de novos conhecimentos.
Verifique se as fórmulas abaixo são implicações semânticas:
a) P ⇒ True
b) (X ≠ 0 → X = Y) ∧ (X≠Y) ⇒ (X = 0)
c) P ∨ (Q ∧ R ∧ S ∧ (G → U)) ⇒ P ∧ True
d) (P ↔ Q) ∧ (P ∨ Q) ⇒ Q
elementos da metalinguagem para representar a implicação e equivalência semântica.
Demonstração:
Se β é satisfatível, então ∃ I | I[H 1 ] = I[H 2 ] = … = I[HN] = T.
∃ I | I[H 1 ] = I[H 2 ] = … = I[HN] = T ⇔ ∃ I | I[H 1 ] = T e I[H 2 ] = T e … e I[HN] = T
Se I[H 1 ] = T e I[H 2 ] = T ⇒ I[H 1 ∧ H 2 ] = T
Se ⇔ I[H 1 ∧ H 2 ] = T e I[H 3 ] = T ⇒ I[H 1 ∧ H 2 ∧ H 3 ] = T
e assim sucessivamente até que I [H 1 ∧ H 2 ∧ … ∧ HN] = T.
Logo, (H 1 ∧ H 2 ∧ … ∧ HN) é satisfatível c.q.d.
Os métodos apresentados abaixo são utilizados para verificar a validade das fórmulas proposicionais. Além disso, eles também podem ser empregados na demonstração das demais propriedades apresentadas no capítulo anterior.
A tabela-verdade é um método de validação baseada na força bruta. Isso ocorre, porque devemos mapear todas as possíveis combinações dos símbolos/variáveis proposicionais.
exatamente 2 N^ linhas. As N primeiras colunas representam as variáveis proposicionais, enquanto a (N+1)-ésima coluna representa a fórmula P. Cada linha representa uma possível combinação de
combinação.
T ABELA-VERDADE DOS C ONECTIVOS
G H G ∧ H G ∨ H G → H G ↔ H Q ¬Q F F (^) F F T T F (^) T F T F T T F T F T F F T F F T T T T T T
CONSTRUÇÃO DA T ABELA-V ERDADE
Dependendo do tamanho da fórmula proposicional, a construção direta da sua tabela-verdade não é uma tarefa trivial. Por isso, sugeri-se a sua construção progressiva, através da representação, em colunas auxiliares, das subfórmulas da fórmula trabalhada. Tal artifício, apesar de aumentar o número de colunas, facilita o raciocínio para o preenchimento das linhas.
Exercício: Construa a tabela-verdade da fórmula P = (X ∧ Y) ∨ (¬X ∧ Z).
Solução:
X Y Z ¬X (^) (X ∧ Y) (¬X ∧ Z) P F F F T F F F F F T T F T T F T F T F F F F T T T F T T
Construa a tabela-verdade das fórmulas:
a) (P → Q) ∧ (¬Q ∨ ¬P)
b) (P → R) ↔ (P ∧ Q) ∨ (Q ∧ R)
c) ¬(¬P ∨ ¬Q) → (P ∧ Q)
T ABELA-VERDADE X PROPRIEDADES SEMÂNTICAS
1- Uma fórmula é uma tautologia se a última coluna de sua tabela-verdade contém somente valores T ou 1.
2- Uma fórmula é uma contradição se a última coluna de sua tabela-verdade contém somente valores F ou 0 (zero).
3- Uma fórmula é factível se a última coluna de sua tabela-verdade contém pelo menos um valor T ou 1.
4- Duas fórmulas são equivalentes semanticamente quando, para cada linha da tabela-verdade, suas colunas apresentam o mesmo valor.
5- Uma fórmula G implica semanticamente na fórmula H se, para toda linha cujo valor da coluna de G é verdadeiro, o valor da coluna de H também é verdadeiro.
Determine, utilizando a tabela-verdade, se as fórmulas abaixo são tautologia, contradição ou factíveis; ou, ainda, se a equivalência e implicação semântica são válidas:
a) E ∨ (G ∧ H) ↔ (E ∨ G) ∧ (E ∨ H)
b) ((P → Q) ∨ R) → (Q → (R ∧ P))
c) ((P ∨ R) ∧ Q) ∧ ((P → R) ∧ ¬Q)
d) (Q ∨ P) → (E ∧ R) ⇔ ((Q → E) ∧ (P → E)) ∧ ((Q → R) ∧ (P → R))
e) (P → (Q ∧ ¬Q)) ∧ P ⇒ (P ∧ ¬Q)
Este método determina a validade de uma fórmula a partir de uma estrutura denominada árvore. Uma árvore é um conjunto de nós (vértices) ligados por arestas. Os nós finais são chamados “folhas”, o nó inicial é denominado “raiz”, enquanto os demais nós são intermediários.
5- Uma fórmula G implica semanticamente na fórmula H, se a árvore semântica correspondente
O método da negação ou absurdo é um método geral de demonstração. Ele consiste em negar a afirmação que se deseja provar e, a partir de um conjunto de deduções, concluir um fato contraditório ou absurdo (ex: I[P] = T e I[P] = F).
A aplicação deste método é recomendada nos casos onde a negação da afirmação nos leva a casos determinísticos, ou seja, com uma única possibilidade de interpretação para a fórmula, pois isto simplifica a demonstração. Tal situação ocorre quando a negação acarreta a falsidade dos conectivos → e ∨ e a veracidade do conectivo ∧.
Exercício: Demonstrar, através do método da negação, a validade da Lei de Transitividade do
Solução: validade = tautologia. Logo, devemos provar que ∀ I | I[H] = T.
Supondo que H NÃO é tautologia, então ∃ I | I[H] = F.
I[((P → Q) ∧ (Q → R)) → (P → R)] = F ⇒ I[((P → Q) ∧ (Q → R))] = T e I[(P → R)] = F
Para I[(P → R)] = F ⇒ I[P] = T e I[R] = F
Para I[((P → Q) ∧ (Q → R))] = T ⇒ I[P → Q] = T e I[Q → R] = T
Se I[P → Q] = T ⇒ I[P] = F e/ou I[Q] = T, mas como I[P] = T, logo:
Se I[Q → R] = T ⇒ I[Q] = F e/ou I[R] = T, mas como I[R] = F, logo:
ABSURDO : Q NÃO pode assumir dois valores (T e F) no mesmo instante. Portanto, a suposição inicial está errada e H é tautologia. c.q.d.
O objetivo deste método é deduzir uma contradição / absurdo a partir da negação da fórmula em prova. Entretanto, nem sempre isto ocorre. Nestes casos, NADA se pode concluir sobre a veracidade da asserção inicial. Além disso, quando existem mais de uma possibilidade testada, originada de cláusulas e/ou , todas devem gerar uma contradição.
MÉTODO DA NEGAÇÃO OU ABSURDO X PROPRIEDADES SEMÂNTICAS
1- Uma fórmula H é uma tautologia se a suposição ∃ I | I[H] = F gerar contradição.
2- Uma fórmula H é uma contradição se a suposição ∃ I | I[H] = T gerar contradição.
3- Uma fórmula H é factível quando ela não for tautologia, nem contradição. Neste caso, basta apresentar duas interpretações para H (I e J), onde I[H] = T e J[H] = F.
4- Duas fórmulas G e H são equivalentes semanticamente, se for possível provar que a fórmula
5- Uma fórmula G implica semanticamente na fórmula H, se for possível provar que a fórmula
Demonstre, utilizando os três métodos de validação estudados, que as fórmulas a seguir são tautologias:
a) ((H → G) ∧ (G → H)) → (H → H)
b) (H ∧ (G ∨ E)) ↔ ((H ∧ G) ∨ (H ∧ E))
c) ¬(H → G) ↔ (H ∧ (¬G))
d) ((¬R ∨ Q) ∧ (¬Q ∨ P)) → (R → P)
Apesar de não fazer parte da lógica, este princípio é um dos principais métodos utilizados na demonstração de resultados. Na ciência da computação, tal princípio é usado para demonstrar resultados em linguagens formais, teoria de algoritmos, teoria dos códigos, etc.
Considere um conjunto de peças de dominó enfileiradas e enumeradas. Elas estão dispostas de modo que, se o dominó 1 é derrubado para direita, então o subseqüente (dominó 2) também cai, e assim sucessivamente.
Diante disto, surge a pergunta: “ O que é suficiente para um dominó N cair? ”
Resposta : que qualquer um dos dominós que o antecede caia para direita, ou seja, existem (N-1) condições suficientes.
Suponhamos que o dominó 1 caia para direita, logo o dominó N também cai. Agora surge outra pergunta: “ Qual é a condição necessária para que o dominó 1 possa cair para direita? ”.
Resposta : que os dominós subseqüentes possam ser derrubados.
A partir deste cenário, observamos que existem várias condições suficientes para que todos os dominós sejam derrubados. Exemplo:
Dentre eles, destacamos 2 conjuntos:
1º conjunto:
2º conjunto:
Um conjunto de conectivos proposicionais ϕ é completo se e somente se, é possível expressar, equivalentemente, os conectivos ¬, ∨, ∧, → e ↔ utilizando apenas os conectivos de ϕ.
Este conceito é muito utilizado em ciência da computação e lógica, como por exemplo, para simplificar os conectivos empregados em um projeto de circuitos lógicos.
Ex: Demonstre que ϕ = {¬, ∨} é um conjunto completo.
Solução: dada uma fórmula H , do tipo (¬P), (P ∨ Q), (P ∧ Q), (P → Q) ou (P ↔ Q). Podemos gerar uma fórmula G , equivalente a H e só contenha conectivos de ϕ.
Para H = (¬P) ou (P ∨ Q) , temos G = H , pois os {¬,∨} ∈ ϕ.
Para H = (P ∧ Q) , temos G = ¬(¬P ∨ ¬Q) , pela aplicação da Lei de Morgan.
Para H = (P → Q) , temos G = (¬P ∨ Q) , pela aplicação da propriedade de substituição do →.
Para H = (P ↔ Q) , temos G = ¬(¬(¬P ∨ Q) ∨ ¬(¬Q ∨ P)) , pela seqüência explicada abaixo:
(P ↔ Q) ⇔ (P → Q) ∧ (Q → P), pela aplicação da propriedade de substituição do ↔
⇔ (¬P ∨ Q) ∧ (¬Q ∨ P), pela aplicação da propriedade de substituição do →
⇔ ¬(¬(¬P ∨ Q) ∨ ¬(¬Q ∨ P)) , pela aplicação da Lei de Morgan.
Logo, ϕ = {¬, ∨} é um conjunto completo c.q.d.
OBS: A demonstração que G equivale a H, através de tabela-verdade, fica como exercício.
As fórmulas da lógica proposicional podem ser expressas utilizando vários conjuntos de conectivos completos. Além disso, também podemos representá-las através de estruturas pré- definidas, denominadas formas normais. São elas:
Ex: H = (¬P ∧ Q) ∨ (¬R ∧ ¬Q ∧ P) ∨ (P ∧ S) FND
G = (¬P ∨ Q) ∧ (¬R ∨ ¬Q ∨ P) ∧ (P ∨ S) FNC
OBTENÇÃO DAS F ORMAS NORMAIS
FND e H 2 seja H na FNC , com segue:
1º Passo: Construção da tabela-verdade de H.
P Q R H Linha F F F F 1 F F T T 2 F T F F 3 F T T T 4 T F F F 5 T F T F 6 T T F F 7 T T T T 8
2º Passo: Geração de H 1 ( FND ).
2ª linha: I[P] = F, I[Q] = F, I[R] = T ⇒ Y 2 = (¬P ∧ ¬Q ∧ R).
4ª linha: I[P] = F, I[Q] = T, I[R] = T ⇒ Y 2 = (¬P ∧ Q ∧ R).
8ª linha: I[P] = T, I[Q] = T, I[R] = T ⇒ Y 2 = (P ∧ Q ∧ R).
3º Passo: Geração de H 2 ( FNC ).
1ª linha: I[P] = F, I[Q] = F, I[R] = F ⇒ X 1 = (P ∨ Q ∨ R).
3ª linha: I[P] = F, I[Q] = T, I[R] = F ⇒ X 3 = (P ∨ ¬Q ∨ R).
5ª linha: I[P] = T, I[Q] = F, I[R] = F ⇒ X 5 = (¬P ∨ Q ∨ R).
6ª linha: I[P] = T, I[Q] = F, I[R] = T ⇒ X 6 = (¬P ∨ Q ∨ ¬R).
7ª linha: I[P] = T, I[Q] = T, I[R] = F ⇒ X 7 = (¬P ∨ ¬Q ∨ R).
a) Construa a fórmula equivalente utilizando apenas os conectivos do conjunto ϕ = {¬, ∨}.
b) Gere as fórmulas equivalentes na FND e FNC.