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Descrição em Bioterio Biossegurança; Macro e Microambiente
Tipologia: Trabalhos
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ANDRADE, A., PINTO, SC., and OLIVEIRA, RS., orgs. Animais de Laboratório: criação e experimentação [online]. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2002. 388 p. ISBN: 85-7541-015-6. Available from SciELO Books .
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Macro e microambientes
O ambiente onde se encontra o animal é dividido em macro e microambientes, sendo a gaiola o divisor entre os dois. Tudo o que se encontra do lado externo da gaiola constitui o macroambiente e tudo o que se encontra em seu interior constitui o microambiente.
Sua arquitetura e manutenção adequadas influenciam diretamente no manejo. As áreas destinadas aos animais devem ser isoladas fisicamente de laboratórios de controle ou experimentação e áreas administrativas; além disso, devem possuir estrutura que as torne à prova de agentes infecciosos e vetores, como insetos e roedores silvestres. Elas compreendem as salas para as colônias de animais e as áreas de apoio, como as áreas de higienização e esterilização, salas de estoque de materiais limpos e insumos, corredores de acesso etc. A arquitetura influencia e define o tráfego de animais e pessoal, o qual deve ser o menor possível. Para isso, são estabelecidas as barreiras sanitárias, que, de acordo com as suas características, dão a classificação do biotério quanto ao seu status microbiológico.
A temperatura e a umidade relativa do ambiente são importantes para a manutenção da higidez animal. A temperatura costuma ser mantida pelo resfriamento ou aquecimento do ar que entra nas salas de criação, formando um complexo sistema de condicionamento de ar. A temperatura de conforto para pequenos roedores é de 21 oC a 24 oC. As cobaias e os coelhos se adaptam melhor a temperaturas de 18 oC a 20 oC. A gaiola serve de divisor dos macro e microambientes, e é sabido que a temperatura pode aumentar de 3 oC a 5 oC, no seu interior, assim como a umidade é sempre mais elevada. As mudanças bruscas de temperatura costumam provocar estresse, com queda de resistência e maior susceptibilidade às infecções. Temperaturas altas provocam queda na reprodução e até sua parada total, enquanto temperaturas baixas podem provocar afecções respiratórias. A umidade relativa também exerce importante papel no bem-estar animal. Com a liberação contínua de vapor d’água, através da respiração e pela evaporação da urina, a umidade dentro das salas tende sempre a aumentar, tornando-se necessário um sistema que retire eficazmente o excesso de água do ambiente. Esse
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Macro e microambientes
Para roedores e lagomorfos, temos basicamente dois tipos de gaiolas: as de fundo sólido e as de fundo perfurado. As primeiras são mais utilizadas por animais pequenos (camundongos, ratos, hamsters , gerbis , cobaias etc.); as de fundo perfurado são destinadas a coelhos. Geralmente, são fabricadas em metal ou plástico (policarbonato ou polipropileno) resistentes à autoclavação. Quando de metal, o aço inoxidável é o mais indicado. Algumas vezes o ferro galvanizado também é utilizado, mas elas se tornam menos duráveis e os animais acabam por ingerir metais, principalmente o zinco, seja por lamberem os pêlos que encostam nas paredes das gaiolas e se impregnam com os elementos, seja por lamberem a própria gaiola. Atualmente, as gaiolas mais utilizadas são feitas de plástico, por serem mais baratas, mais leves, bastante duráveis e resistirem aos métodos de esterilização. O desenho das gaiolas deve ser tal, que não permita ‘cantos vivos’ em seu interior, já que os animais tendem a roer qualquer saliência para tentar escapar. No caso dos pequenos roedores, as gaiolas seguem o desenho retangular e são fechadas por cima com uma ‘tampa’ de aço inoxidável, que permite a acomodação da ração peletizada e o frasco bebedouro. As tampas são muito importantes, porém restringem a ventilação, o que nos leva a considerar cuidadosamente a adoção de campânulas ou filtros por cima das gaiolas, uma vez que isso aumenta o nível de amônia em seu interior. O ideal é que tenhamos um sistema de ventilação forçada para dentro das gaiolas.
A ‘cama’ é usada no fundo das gaiolas ou em bandejas, por baixo das gaiolas de fundo perfurado. Sua principal função é absorver a urina dos animais e aquecê-los, além de prover as fêmeas com material para a construção de ninhos para abrigar as ninhadas, quando em contato direto com os animais. As características de uma boa ‘cama’ são: alta capacidade de absorção de umidade, sem desidratar ou machucar os recém-natos; não conter poeira; não ser abrasiva; estar livre de agentes químicos ou patogênicos; ser de baixo custo e de fácil aquisição. O material para cama mais utilizado é a maravalha (raspas de madeira) de pínus. A ‘cama’ se constitui uma das mais importantes fontes de contaminação para os animais; por isso, deve ser sempre autoclavada antes de ser utilizada. Seu fornecedor deve ser idôneo e garantir que não houve contato do material com roedores silvestres e/ou pássaros – vetores das principais doenças que acometem os animais de laboratório –, além de produtos químicos como agrotóxicos e resinas. A quantidade de ‘cama’ a ser colocada na gaiola é muito importante, já que pouca quantidade priva a fêmea de material para a construção do ninho, levando à morte dos recém-nascidos, e seu excesso pode gerar calor, aumentando a temperatura.
O espaço requerido é aquele onde os animais possam apresentar postura adequada e movimentação ou comportamento padrão da espécie. Animais mantidos isolados ou superpopulados, por longos períodos, desenvolvem estresse.
O odor é muito importante para os animais de laboratório, uma vez que a identificação e o reconhecimento dos indivíduos se faz pelo cheiro inato de cada espécie e é através dos feromônios que machos e fêmeas se encontram para a reprodução e delimitam os seus territórios. A esses odores, juntam-se a amônia da urina e outros odores, como o da ração, o dos técnicos da sala etc. A troca dos animais das gaiolas sujas para as limpas interfere diretamente nesse universo. Deve ser observada cuidadosamente, pois devemos eliminar os odores irritantes (amônia) e os alheios à espécie, mas não os feromônios,,,,, pois cada vez que o animal é trocado, fabrica nova quantidade de feromônios e de outras substâncias para marcar seu território e atrair parceiros. A troca demasiada estressa o animal, que acaba produzindo essas substâncias em excesso. A falta da troca faz com que a amônia e outros odores se concentrem em níveis intoleráveis dentro das salas, prejudicando os animais e os técnicos. Os odores devem ser removidos através de uma boa ventilação, com renovação do ar, e pela sanitização dos materiais e equipamentos.
A água oferecida aos animais deve ser microbiologicamente pura (esterilizada e acidificada), uma vez que se constitui importante fonte de contaminação. Deve ser trocada com freqüência, para evitar que se transforme em meio propício à proliferação de microorganismos existentes na boca do animal e que são passados aos bicos, juntamente com restos de ração, quando este bebe. Deve ser oferecida ad libitum em frascos bebedouros apropriados. Os frascos são de material autoclavável e de preferência transparentes. Os bicos, por onde o animal bebe, devem ser de aço inoxidável e autoclavados antes de entrar em contato com os animais. Devem ser inspecionados para que não haja entupimentos, impedindo o acesso do animal à água. A ração ideal é a industrializada, na qual o requerimento nutricional de cada espécie é levado em conta na formulação, o que garante uma alimentação balanceada. A ração deve ser autoclavável para evitar contaminações. Também é oferecida ad libitum , e a quantidade não consumida deve ser desprezada. Nos casos em que a ração fresca ou a complementação se fazem necessárias, os alimentos devem ser inspecionados e acondicionados em local apropriado, mas nunca em grandes quantidades, para se evitar a deterioração.
UNIVERSITIES F EDERATION FOR A NIMAL WELFARE (UFAW). The Ufaw Handbook on the Care and Management of Laboratory Animals. 6 th^ ed. London/New York: Churchill Livingstone, 1986.