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Guias e Dicas
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Manual de Tuberculose, Manuais, Projetos, Pesquisas de Enfermagem

Este manual é destinado ao aprimoramento e conhecimento sobre a Tuberculose TB.

Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas

Antes de 2010

Compartilhado em 01/11/2009

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HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA FACULDADE
DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE
DE SÃO PAULO
Tuberculose
Padronização de Condutas
Guia para o diagnóstico, tratamento e
prevenção da tuberculose
Elaboração
Grupo de Trabalho para o Controle da Tuberculose no
Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina
da Universidade de São Paulo
3ª edição
São Paulo
2009
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HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA FACULDADE

DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE

DE SÃO PAULO

Tuberculose

Padronização de Condutas

Guia para o diagnóstico, tratamento e

prevenção da tuberculose

Elaboração

Grupo de Trabalho para o Controle da Tuberculose no

Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina

da Universidade de São Paulo

3ª edição

São Paulo

FICHA CATALOGRÁFICA

Guia para o diagnóstico, tratamento e prevenção da tuberculose. – São

Paulo: Hospital das Clínicas FMUSP, 2009, 3ª edição

Número p. 52

1.Tuberculose. 2.Pulmão. 3.Diagnóstico. 4.Quimioprevenção. 5.Toxicidade de

drogas. I. Título. II. Grupo de Trabalho para o Controle da Tuberculose no

Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

III. Levin, Anna Sara S., coord. IV. Leite, Olavo Henrique Munhoz, coord. V.

Dias, Maria Beatriz Souza, coord. VI. Oliveira, Maura Salaroli de, coord. VII.

Lobo, Renata Desordi, coord.

NLM WF

Autores:

Grupo de Trabalho para o Controle da Tuberculose no Hospital das Clínicas da Fa-

culdade de Medicina da Universidade de São Paulo

Coordenação:

Profa. Dra. Anna Sara S. Levin (Grupo de Controle de Infecção Hospitalar)

Dr. Olavo Henrique Munhoz Leite (Clínica de Moléstias Infecciosas e Parasitárias)

Dra Maria Beatriz Souza Dias (Grupo de Controle de Infecção Hospitalar)

Dra Maura Salaroli de Oliveira (Grupo de Controle de Infecção Hospitalar)

Enfa Renata Desordi Lobo (Grupo de Controle de Infecção Hospitalar)

Colaboradores:

Dra. Aléia Campos (Moléstias Infecciosas - HC)

Dra. Alice Tung Wan Song (Moléstias Infecciosas - HC)

Dra. Ana Paula Mattos Porto (SCCIH - Hospital Sapopemba)

Dra. Atalanta Ruiz (Moléstias Infecciosas - HC)

Dra.Carolina Lázari (Moléstias Infecciosas - HC)

Enfa. Carla Renata Couto (SCCIH do Instituto de Psiquiatria - HC)

Dra Cláudia Mangini (Hospital do Câncer)

Dra Cinthia Yukie Kuga (SCCIH - Instituto de Psiquiatria - HC)

Dra. Daniela de Toledo Girio (Instituto de Infectologia Emílio Ribas)

Dra. Denise Schout (Serviço de Epidemiologia - HC)

Dr. Edson Abdala (Grupo de Transplante Hepático – HC)

Bio. Evelyn Rodrigues (Laboratório de Biologia Molecular – HC)

Dr. Fábio Guedes Crespo (Instituto de Infectologia Emílio Ribas)

Dr. Flavio de Melo Ferreira (Instituto de Infectologia Emílio Ribas)

Dra. Gladys Villas Boas do Prado (Moléstias Infecciosas - HC)

Dra. Gláucia Varkulja (SCCIH - Instituto Central - HC)

Bio. Helena Araújo Brandão (Laboratório de Microbiologia – HC)

Dr. Helio Hehl Caiaffa Filho (Laboratório de Biologia Molecular HC)

Dra.Heloisa Helena S. Marques (Instituto da Criança - HC)

Dr. João Nóbrega de Almeida Júnior (Laboratório de Microbiologia - HC)

Dr. Juçara Batesini (Instituto de Infectologia Emílio Ribas)

Dra Karina Aparecida Suera Bosso (Divisão de Farmácia - HC)

Dr. Leonardo Weissmann (Instituto de Infectologia Emílio Ribas)

Dra. Ligia Pierrotti (Moléstias Infecciosas - HC)

Enfa. Lúcia Angélica R. Macarroni (Moléstias Infecciosas - HC)

Luciane Sarahyba (Laboratório de Biologia Molecular - HC)

Enf. Mirna Namie Okamura (Serviço de Epidemiologia - HC)

Dra. Patrícia Rodrigues Bonazzi (Grupo de Transplante Hepático – HC)

Engo. Pedro Benedito Barroso (Engenharia do Instituto Central - HC)

Dr. Pedro Takanori Sakane (SCCIH - Instituto da Criança)

Dra. Priscila Rosalba (Moléstias Infecciosas - HC)

Dr. Raphael Alexandre de Paiva Bertechini (Instituto de Infectologia Emílio Ribas)

Dra. Raquel Viana (UNICAMP)

Dra. Regina Burmester (SAMSS-HC)

Enfa Ruth Ap. Rocha Munhoz (SAMSS - HC)

Dr. Sidney Bombarda (Serviço de Pneumologia HC)

Dra. Silvia Figueiredo Costa (SCCIH – Instituto Central)

Dra. Suzana Zaba Walczak (Divisão de Farmácia - HC)

Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do HC-FMUSP

SubComissões de Controle de Infecção Hospitalar do HC-FMUSP

Grupo de Interconsulta da Clínica de Doenças Infecciosas e Parasitárias

Agradecimento:

Enfa. Carmen Mohamad Rida Saleh (Divisão de Enfermagem- ICHC)

Enfa. Celina Campos de Araujo (Divisão de Enfermagem- ICHC)

Dra Cilmara Polido Garcia (GCIH- HC)

Enfa Fernanda de Souza Spadão (SCCIH - ICHC)

Dra. Flavia Rossi (Laboratório de Microbiologia - HC)

Enfa Isabel Cristina Vilela Soares Oshiro (SCCIH - ICHC)

Prof. Dr. Jorge Kalil (Serviço de Imunologia e Alergia – HC)

Dr. Jose Atta (AGD- HC)

Enfa. Maria Amélia Jesus (PS- ICHC)

Enfa. Maria Cristina Peres Braido Francisco (Divisão de Enfermagem- ICHC)

Farm. Rosilaine S. Arruda Teberges (Laboratório de Microbiologia- HC)

Dra. Soraia Barakat (PS- ICHC)

Enfa. Satiko Gobara (GCIH- HC)

Dra. Thaís Guimarães (SCCIH - ICHC)

Serviço de Imunologia e Alergia (ICHC)

Apoio Administrativo

Sueli Ferreira Sena – e-mail: [email protected] - fone/fax (11) 3069-

Sumário

    1. Introdução
    1. Objetivos
    1. Definições
    1. Investigação Diagnóstica
  • a) Investigação de TB pulmonar em pacientes atendidos no AGD
  • b) Investigação de TB pulmonar em pacientes que ingressam diretamento no PS
  • no PS pelo fluxo rotineiro c) Investigação de TB pulmonar em pacientes que ingressam
  • d) Investigação de TB pulmonar em Pediatria
  • d1) Investigação de TB pulmonar em Pediatria
  • com baciloscopia negativa d2) Diagnóstico de tuberculose em crianças e adolescentes
  • e) Fluxograma dos materiais encaminhados para seção de microbiologia
  • f) Teste de sensibilidade para micobactérias
  • g) PCR para diagnóstico de TB
    1. Política de Controle de TB em funcionários do HC
  • Assistência Médica e Social ao Servidor (SAMSS) a) Medidas para controle de TB e atribuições do Serviço de
  • b) Proposta para controle de TB nos funcionários do Complexo HC
  • a pacientes bacilíferos c) Conduta no seguimento dos servidores com exposição desprotegida
    1. Tratamento de todas as formas de TB
  • Esquemas preconizados
  • Doses das drogas anti-TB pelo peso do paciente (tabela 1)
  • Apresentações das drogas anti-TB (tabela 2)
  • Interações medicamentosas das drogas anti-TB (tabela 3)
  • Reações adversas mais freqüentes (tabela 4)
    1. Toxicidade hepática das drogas anti-TB e hepatopatias crônicas
    1. Situações Especiais de Tratamento
  • a) Pacientes impossibilitados de receber medicação por via oral
  • b) Doença hepática prévia
  • c) Gravidez (tabela 5)
  • d) Pacientes com HIV / Aids
  • e) Transplantados de órgãos sólidos
  • f) Transplantados de medula óssea
  • g) Diabetes Mellitus
  • h) Insuficiência renal crônica (tabela 7)
  • i) Tratamento de TB multiresistente
    1. Quimioprofilaxia da TB
  • a) Quimioprofilaxia primária
  • b) Quimioprofilaxia secundária
    1. Notificação
    1. Medidas para Controle de transmissão de TB hospitalar e Biossegurança
    1. Anexos 1 - Ficha de Notificação de Tuberculose

O Hospital apresentou, em 2005, 55% dos casos de tuberculose na forma pul-

monar, proporção inferior àquela observada nos casos registrados no Estado de

São Paulo (75%). Esse padrão é reflexo do papel de referência do HC no diag-

nóstico de formas extra-pulmonares de tuberculose.

A identificação dos casos de Tuberculose no complexo hospitalar é feita a partir

de algumas fontes de informação, notificando apenas os casos confirmados ou

que iniciam tratamento específico. A principal fonte de notificação de Tubercu-

lose, em 2004, foi o laboratório (41%) seguido da Farmácia (18%) através do

preenchimento da pedido de rifampicina da farmácia do hospital e dos ambula-

tórios, em especial o ambulatório de moléstias infecciosas.

O Pronto Socorro é uma das portas de entrada mais importantes para detecção

de casos de tuberculose. Os ambulatórios de Clínica Médica, Pneumologia e

Moléstias Infecciosas concentram o atendimento e seguimento da maioria dos

casos de tuberculose.

Tabela 1

Distribuição anual dos casos confirmados de tuberculose segundo forma clínica

  • Complexo HC-FMUSP - 1999 a 2005

Ano Tuberculose Tuberculose Total Pulmonar extra-pulmonar Global

1999 363 283 646

2000 320 289 609

2001 362 259 621

2002 312 257 569

2003 279 285 564

2004 235 247 482

2005 281 231 512

2. Objetivos

Este manual tem como objetivo estabelecer a padronização do diagnóstico, da notificação, do tratamento e da prevenção da TB no HC-FMUSP.

3. Definições

„ Comunicante de TB – todas as pessoas, familiares ou não, que coabitem com paciente com TB pulmonar bacilífera (comunicante intradomiciliar) ou as que convivem com este em ambientes de trabalho, presídios, asilos, etc (comunicantes extradomiciliares)

„ Critérios de gravidade – hemoptise importante (mais que um copo), insufi- ciência respiratória, hipotensão, desidratação ou outro sintoma considerado pelo médico como indicativo de observação ou internação hospitalar

„ Exame de imagem torácico sugestivo de TB – infiltrados em lobo superi- or, principalmente se houver cavitação, infiltrados nodulares, estrias, retrações comprometendo os lobos superiores e segmentos superiores dos lobos inferio- res

„ Falência do tratamento – persistência de positividade do escarro ao final do tratamento. Os pacientes que no início do tratamento são fortemente positivos (baciloscopia ++ ou +++) e mantêm esta situação até o quarto mês de trata- mento, ou com positividade inicial seguida de negativação e nova positividade por dois meses consecutivos, a partir do 4 o^ mês de tratamento, são também classificados como casos de falência

„ Multidroga Resistência (TBMDR) – resistência a isoniazida e rifampicina com ou sem resistência a outras drogas anti-TB.

„ Tuberculose Extensivamente Resistente (XDR) – resistência a isoniazida e rifampicina com ou sem resistência a outras drogas anti-TB (TB-MDR) somado a resistência a qualquer das fluoroquinolonas e, pelo menos, a uma das três dro- gas injetáveis de segunda-linha (capreomicina, canamicina, e amicacina).

„ Paciente sintomático respiratório ou suspeito de TB – aqueles que apre- sentam tosse produtiva por período igual ou maior que 3 semanas

„ Pacientes com alto risco de TB – são aqueles com infecção pelo HIV/Aids, TB prévia, usuários de drogas ilícitas, alcoolistas, pacientes em diálise, gastrectomizados, diabéticos e pacientes submetidos a tratamentos com imunossupressores.

a) Investigação de TB pulmonar em pacientes atendidos no AGD

Paciente pré-avaliado no PS e encaminhado ao AGD com máscara cirúrgica por suspeita de TB

Enfermagem: prioriza a realização da ficha de atendimento

Triagem pelo Enfermeiro (a)

Avaliação Médica

Enfermagem orienta o paciente como coletar o escarro em local determinado

Agendar retorno para checar exame

Retorno precoce (um ou dois dias) trazer nova amostra no retorno

Retorno em uma semana trazer mais duas amostras antes da consulta

PS: Pronto Socorro AGD: Ambulatório Geral e Didático

b) Investigação de TB pulmonar em pacientes que ingressam diretamente no Pronto Socorro (sem triagem)

Paciente aguarda atendimento na recepção do PS

Enfermagem: Pergunta ao paciente se tosse há mais de 3 semanas

não sim

Enfermagem registra a triagem do paciente em ficha de PS

Enfermagem entrega máscara cirúrgica e orienta cobrir a boca ao tossir. Prioriza atendimento

Consulta médica

  • Colher escarro*
  • Manter em isolamento, se internado

Resultado do 1º escarro

Segue fluxo normal

positivo negativo

Iniciar tratamento Alta ou internação (leito de isolamento respiratório)

Solicitar outros 2 escarros**

negativo

Retirar do isolamento Prosseguir investigação

positivo

  • Se apresentar expectoração - colher escarro. Sem expectoração: não induzir escarro - solicitar broncoscopia ** Colher escarros em dias diferentes (o 1º da manhã) PS: Pronto Socorro

d) Investigação de TB Pulmonar em Pediatria

A dificuldade para o controle desta doença na infância inicia-se já no diagnósti-

co, uma vez que a clínica neste grupo etário é bastante incaracterística e neces-

sita do médico um grau alto de suspeição, para que se faça um inquérito

epidemiológico rigoroso, que muitas vezes é a única pista para a doença.

O fluxograma d1. orienta quanto ao atendimento da criança com suspeita de

TB e o quadro d2. orienta quanto ao diagnóstico de TB em crianças e adolescen-

tes com baciloscopia negativa ou não realizada.

d1) Investigação de TB pulmonar em pediatria

Identificar e avaliar sintomático respiratório (criança ou acompanhante)

Fornecer máscara cirúrgica para a criança e para o acompanhante (se este tiver tosse)

Solicitar RX de tórax

Alterado Normal

  • Solicitar pesquisa e cultura de BAAR no escarro ou no suco gástrico
  • Manter em quarto de isolamento respiratório para aerossóis

Se houver fator de risco (Aids C3, contato domiciliar com TB bacílifera, desnutrição grave ou com grande perda de peso recente, uso de imunossupressores, diálise, diabetes)

SIM NÃO

Atendimento normal

Quadro clínico-radiológico

Contato com

Teste tuberculínico e

Estado nutricional

adulto tuberculoso

vacinação BCG

Febre ou sintomas como:

  • Adenomegalia hilar ou

Próximo, nos últimos

Vacinados há mais de 2 anos:

Desnutrição grave ou

tosse, adinamia,

padrão miliar ou

2 anos

peso abaixo do

expectoração,

  • Condensação ou inflitra-
  • < 5 mm:

0 pts

percentil 10

emagrecimento,

do (com ou sem

Adicionar 10 pts

  • 5-9 mm:

5 pts

Sisvan*

sudorese> 2 semanas

escavação)

  • 10 -14 mm:

10pts

inalterado > 2 semanas

15 mm:

15 pts

Adicionar 5 pts

ou

Adicionar 15 pts

  • Condensação ou infli-trado (com ou sem esca-vação) >2 semanas evoluindocom piora ou sem melho-ra com antibióticos parapara germes usuais Adicionar 15 pts

Assintomático ou com

Condensação ou

Vacinados há menos

sintomas < 2 semanas

infiltrado de qualquer

de 2 anos:

tipo < 2 semanas

  • < 10 mm: 0 pts• 10 -14 mm: 10pts

0 pts

Adicionar 5 pts

15 mm: 15 pts

Infecção respiratória com

Radiografia normal

Ocasional ou sem

Não vacinados:

Peso igual ou acima

melhora após o uso de

contato

do percentil 10

antibióticos para germes

  • < 5 mm: 0 pts

usuais ou sem uso de

  • 5-9 mm: 5 pts

antibióticos

10 mm: 15 pts

Subtrair 10 pts

Subtrair 5 pts

0 pts

0 pts

d2) Diagnóstico de tuberculose em crianças e adolescentes com baciloscopia negativa Pts: pontos, *: SISVAN: sistema de vigilância alimentar e nutricional, MS

Interpretação:

40 pts: diagnóstico de Tb muito provável

|^

30 - 35 pts: diagnóstico de TB possível

|^

25 pts: diagnóstico de Tb pouco provável

f) Teste de sensibilidade para micobactérias

Solicitar realização da prova de sensibilidade para Micobactérias nas seguintes

situações, até 30 dias após a liberação do resultado final da cultura positiva:

„ Abandono da terapia;

„ Falência de tratamento: baciloscopia positiva após 3 meses de tratamento ou

com positividade inicial seguida de negativação e nova positividade por 2 meses

consecutivos;

„ Recidiva;

„ Gestação;

„ Presença de co- morbidades como diabetes, nefropatia, hepatopatia, infecção

por HIV;

„ Indicação médica.

O médico solicitante deverá informar ao laboratório estas condições em um

receituário com o nome, o registro do paciente e a data da cultura de

micobactérias positiva, e encaminhar o pedido para a Seção de Microbiologia

no Prédio dos Ambulatórios, 2º andar, bloco 3.

Tempo para liberação de resultados finais - até 30 dias

g) PCR para diagnóstico de TB

Desde a introdução dos testes de amplificação de ácidos nucléicos na arena do

diagnóstico laboratorial em Micobacteriologia, muitas publicações confirmaram

a sensibilidade e a especificidade de vários ensaios desenvolvidos por pesquisado-

res (PCR “caseira”), como também pelas metodologias, automatizadas ou não,

dos Kits comerciais (COBAS Amplicor, Roche; BDProbeTec ET, Becton-Dickinson;

Amplified Mycobacterium Tuberculosis Direct Test AMTDT; Gen-Probe, e outros).

O kit comercial para amplificação de ácidos nucléicos de micobactérias do com-

plexo Mycobacterium tuberculosis , atualmente em uso, na Seção de Biologia

Molecular do Laboratório Central HC-FMUSP é o Amplicor/Cobas Amplicor MTB

Test® fabricado pela Roche Diagnostics.

A região de DNA amplificada neste teste é um fragmento de 584 pares de bases

(bp) interno ao gene codificador da porção 16S do RNA ribossômico (16S rRNA),

sendo específico para o complexo Mycobacterium tuberculosis. O kit Amplicor

MTB Test® é validado para uso somente em amostras respiratórias liquefei-

tas, descontaminadas e concentradas, incluindo escarro expectorado ou in-

duzido, secreção traqueal e lavado bronco-alveolar. O emprego deste teste

em outros tipos de materiais clínicos pode levar a resultados falso-negativos ou

falso-positivos. A detecção do M. tuberculosis depende do número de microrganis-

mos presentes na amostra, podendo ser afetada pelo método de coleta do material

clínico, fatores do próprio paciente (p.ex: idade, presença de sintomas), e/ou estágio

da infecção. Resultados falso-negativos podem ocorrer por inibição da enzima

polimerase na reação de PCR por interferentes endógenos e/ou exógenos presentes

na amostra. O Laboratório sempre fará a validação do procedimento para se certifi-

car da ausência de inibidores, através da amplificação de um controle interno de

DNA, para cada teste de detecção do M. tuberculosis em uma amostra clínica.

O desempenho do kit Amplicor MTB Test®, avaliado em estudo multicêntrico

envolvendo 5231 amostras, mostrou sensibilidade de 94,2% e especificidade de

97,6% para amostras com baciloscopia positiva, e sensibilidade de 75,7% e

especificidade de 99,4% para amostras com baciloscopia negativa. De uma for-

ma geral, a sensibilidade do teste é de 85,9%, a especificidade 99,4%, o valor

preditivo positivo 92,3%, e o valor preditivo negativo 98,9%.

A Seção de Biologia Molecular do Laboratório Central HCFMUSP também pa-

dronizou a técnica de PCR “caseira” para M. tuberculosis , que permite a realiza-

ção do teste de detecção desta micobactéria em outros tipos de materiais clíni-

cos, como líquidos cavitários, medula óssea e fragmentos de tecido diversos,

podendo estar ou não, em blocos de parafina. A região de DNA amplificada

neste teste de PCR “caseiro” é um fragmento de 123 pares de bases (bp) da

região interna da seqüência de inserção IS6110, sendo específico para o

Mycobacterium tuberculosis.

As amostras clínicas para a detecção do M. tuberculosis por PCR, em ambas as

técnicas, devem ser coletadas em tubo seco, sem acrescentar salina. Idealmente,

o transporte deve ser imediato; se não for possível, armazenar em temperatura

de 2 a 8° C por no máximo por 24 horas. A presença de sangue hemolisado e

heparina, que são inibidores da reação de PCR, pode gerar resultados falso-

negativos e/ou inválidos.

Não recomendamos a técnica de PCR para rotina diagnóstica de tuberculo-

se.

A PCR pode ser útil em casos com suspeita clínico-radiológica de tuberculose

com baciloscopia de escarro negativa. Nesta situação, apesar da menor sensibi-

lidade do teste per si , o valor preditivo positivo é bom. Assim, recomendamos

solicitar PCR nestes casos, em amostras de escarro e em lavado branco-alveolar,

lembrando que solicitação deste exame deve ser feita e encaminhada, em im-

presso próprio, para a Seção de Biologia Molecular do Laboratório Central. É

importante ressaltar que o teste de detecção do M. tuberculosis por PCR não se