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Material Dourado na Matemática, Manuais, Projetos, Pesquisas de Matemática

Estudo de Matemática com Material Dourado

Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas

2020

Compartilhado em 23/06/2020

usuário desconhecido
usuário desconhecido 🇧🇷

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Prof. Ilydio Pereira de Sá
Material adaptado a partir de curso produzido para capacitaçãode professores
do ensino fundamental, pela Universidade de SãoPaulo, na Internet, atravésdo
projeto Educ@r
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Prof. Ilydio Pereira de Sá

Material adaptado a partir de curso produzido para capacitação de professores

do ensino fundamental, pela Universidade de São Paulo, na Internet, através do

projeto Educ@r

O MATERIAL DOURADO MONTESSORI

Adaptado do projeto Educ@r (USP) -

http://educar.sc.usp.br/matematica/matematica.html

1) INTRODUÇÃO:

Vários projetos novos, com a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9394/96) têm sido implementados pelas Secretarias de Educação dos Estados e Municípios Brasileiros. Os projetos de aceleração da aprendizagem, por sua filosofia de discussão e conscientização sobre o “fracasso escolar” têm se destacado e produzido resultados bastante animadores. Tais projetos, normalmente, utilizam vasto material de apoio ao professor e ao aluno, produzidos por alguns órgãos de ensino de alguns Estados, com apoio do MEC. Nas assessorias que temos prestado junto a alguns municípios do Rio de Janeiro, nós do CARPE - Assessoramento Pedagógico, temos usado, na maioria das vezes, o material produzido pelo CENPEC (SP), para os programas de aceleração da aprendizagem, sob a denominação: “Ensinar pra valer” e “Aprender pra valer”. Os textos, exercícios, jogos, cartazetes e a própria estrutura desse material são de excelente qualidade, servindo muito bem ao propósito a que se destinam. Como se trata de um material de concepção inovadora, é lógico que, ao primeiro contato, causa uma certa surpresa e apreensão nos docentes. esbarrando numa questão maior que é a da formação dos professores. O presente estudo tem o objetivo de enfocar o MATERIAL DOURADO , que costuma ser muito citado nos textos de matemática do CENPEC, sem que haja um apoio adequado ao professor- regente das turmas de aceleração da aprendizagem.

2) OBJETIVOS DO MATERIAL DOURADO:

O material dourado Montessori destina-se a atividades práticas que auxiliem no ensino e aprendizagem do sistema de numeração decimal-posicional, bem como o desvendamento dos métodos usados nas operações matemáticas fundamentais, o que normalmente costuma ser apenas “decorado” por nossos alunos, através de insistentes e exaustivos “treinos”. De forma resumida, podemos dizer que o material dourado, que faz parte de um conjunto de materiais pedagógicos idealizados pela médica e educadora italiana Maria Montessori, propicia, além da compreensão dos algorítmos operatórios, um notável desenvolvimento do raciocínio, com um aprendizado bem mais agradável.

3) QUEM FOI MARIA MONTESSORI

Maria Montessori (1870 – 1952) nasceu na Itália, com formação inicial em Física e Matemática, completando posteriormente o curso de Engenharia. Em 1892 completou o curso de Ciências Naturais e, em 1896, tornou-se a primeira mulher médica italiana. Após trabalhar com crianças deficientes na Clínica Psiquiátrica da Universidade de Roma, interessou-se cada vez mais por crianças e por educação. Estudou e traduziu para o italiano as obras dos médicos franceses Itard e Séguin, trabalhando com os materiais pedagógicos por eles criados. Verificou, em sua prática, que não bastavam materiais ou técnicas novas, era preciso modificar o educador. Voltou então aos bancos da Universidade, cursando filosofia, com licenciatura em Letras. Passou então a dedicar-se unicamente aos problemas educacionais, escrevendo então várias obras específicas, como: “A Importância da Etnologia Pedagógica” e “Antopologia Pedagógica”. Nessa mesma época fundou a instituição educacional denominada “Casa dei Bambini” , começando então a capacitar professores nos seus métodos, com um lei e exigência básica: “ Respeito à Criança”. De uma maneira sintética, podemos afirmar que o princípio norteador da obra de Maria Montessori é que toda criança é capaz de aprender naturalmente, bastando dar-lhe ambiente adequado e rico em experiências. A partir de 1908 vão surgindo várias Casas Escolas Montessorianas na Itália e seu trabalho começou a despertar a atenção de educadores em todo o mundo. Em 1912 vai aos Estados Unidos e lança: “The Montessori Method”.

Veja como representamos, com ele, o número 265:

Este material pedagógico, confeccionado em madeira, costuma ser comercializado com o nome de material dourado. Você pode construir um material semelhante, usando cartolina. Os cubinhos são substituídos por quadradinhos de lado igual a 2 cm, por exemplo. As barrinhas são substituídas por retângulos de 2 cm por 20 cm a as placas são substituídas por quadrados de lado igual a 20 cm.

Embora seja possível representar o milhar, vamos evitá-lo trabalhando com números menores.

Damos a seguir sugestões para o uso do Material Dourado Montessori. As atividades propostas foram testadas e mostraram-se eficazes desde a primeira até a quinta série. Muitas delas foram concebidas pelos grupos de alunos, recomendando-se que os grupos não tenham mais do que 6 alunos. O professor, com o conhecimento que tem de seus alunos, saberá em que série cada atividade poderá ser aplicada com melhor rendimento. Várias das atividades podem ser aplicadas em mais de uma série, bastando, para isso, pequenas modificações. Utilizando o material, o professor notará em seus alunos um significativo avanço de aprendizagem. Em pouco tempo, estará enriquecendo nossas sugestões e criando novas atividades adequadas a seus alunos, explorando assim as inúmeras possibilidades deste notável recurso didático.

1. JOGOS LIVRES

Objetivo: tomar contato com o material, de maneira livre, sem regras.

Durante algum tempo, os alunos brincam com o material, fazendo construções livres. O material dourado é construído de maneira a representar um sistema de agrupamento. Sendo assim, muitas vezes as crianças descobrem sozinhas relações entre as peças. Por exemplo, podemos encontrar alunos que concluem:

  • Ah! A barra é formada por 10 cubinhos!
  • E a placa é formada por 10 barras!
  • Veja, o cubo é formado por 10 placas!

2. MONTAGEM

Objetivo: perceber as relações que há entre as peças.

O professor sugere as seguintes montagens:

  • uma barra;
  • uma placa feita de barras;
  • uma placa feita de cubinhos;
  • um bloco feito de barras;
  • um bloco feito de placas;

O professor estimula os alunos a obterem conclusões com perguntas como estas:

  • Quantos cubinhos vão formar uma barra?
  • E quantos formarão uma placa?
  • Quantas barras preciso para formar uma placa?

Nesta atividade também é possível explorar conceitos geométricos, propondo desafios como estes:

  • Vamos ver quem consegue montar um cubo com 8 cubinhos? É possível?
  • E com 27? É possível?

3. DITADO

Objetivo: relacionar cada grupo de peças ao seu valor numérico.

O professor mostra, um de cada vez, cartões com números. As crianças devem mostrar as peças correspondentes, utilizando a menor quantidade delas.

Variação: O professor mostra peças, uma de cada vez, e os alunos escrevem a quantidade correspondente.

4. FAZENDO TROCAS

Objetivo: compreender as características do sistema decimal.

  • fazer agrupamentos de 10 em 10;
  • fazer reagrupamentos;
  • fazer trocas;
  • estimular o cálculo mental.

Para esta atividade, cada grupo deve ter um dado marcado de 4 a 9.

Cada criança do grupo, na sua vez de jogar, lança o dado e retira para si a quantidade de cubinhos correspondente ao número que sair no dado. Veja bem: o número que sai no dado dá direito a retirar somente cubinhos. Toda vez que uma criança juntar 10 cubinhos, ela deve trocar os 10 cubinhos por uma barra. E aí ela tem direito de jogar novamente. Da mesma meneira, quando tiver 10 barrinhas, pode trocar as 10 barrinhas por uma placa e então jogar novamente. O jogo termina, por exemplo, quando algum aluno consegue formar duas placas. O professor então pergunta:

  • Quem ganhou o jogo?
  • Por quê?

Se houver dúvida, fazer as "destrocas". O objetivo do jogo das trocas é a compreensão dos agrupamentos de dez em dez (dez unidades formam uma dezena, dez dezenas formam uma centena, etc.), característicos do sistema decimal. A compreensão dos agrupamentos na base 10 é muito importante para o real entendimento das técnicas operatórias das operações fundamentais. O fato de a troca ser premiada com o direito de jogar novamente aumenta a atenção da criança no jogo. Ao mesmo tempo, estimula seu cálculo mental. Ela começa a calcular mentalmente quanto falta para juntar 10, ou seja, quanto falta para que ela consiga fazer uma nova troca.

Quando as crianças terminarem de montar o trem, recebem papeletas nas quais devem escrever o código de cada vagão.

Esta atividade leva à formação da idéia de sucessor. Fica claro para a criança o "mais um", na seqüência dos números. Ela contribui também para a melhor compreensão do valor posicional dos algarismos na escrita dos números.


8. UM TREM ESPECIAL

Objetivo: compreender que o antecessor é o que tem "1 a menos" na seqüência numérica. O professor combina com os alunos:

  • Vamos fazer um trem especial. O primeiro vagão é formado por duas barras (desenha as barras na lousa). O vagão seguinte tem um cubo a menos e assim por diante. O último vagão será um cubinho. Quando as crianças terminam de montar o trem, recebem papeletas nas quais devem escrever o

código de cada vagão. Esta atividade trabalha a idéia de antecessor. Fica claro para a criança o "menos um" na seqüência dos números. Ela contribui também para uma melhor compreensão do valor posicional dos algarismos na escrita dos números.

9. JOGO DOS CARTÕES

Objetivos: compreender o mecanismo do "vai um" nas adições; estimular o cálculo mental.

O professor coloca no centro do grupo alguns cartões virados para baixo. Nestes cartões estão escritos números entre 50 e 70. 1º sorteio: Um alunos do grupo sorteia um cartão. Os demais devem pegar as peças correspondentes ao número sorteado. Em seguida, um representante do grupo vai à lousa e registra em uma tabela os números correspondentes às quantidades de peças. 2º sorteio: Um outro aluno sorteia um segundo cartão. Os demais devem pegar as peças correspondentes a esse segundo número sorteado. Em seguida, o representante do grupo vai à tabela registrar a nova quantidade. Nesse ponto, juntam-se as duas quantidades de peças, fazem-se as trocas e novamente completa- se a tabela.

Ela pode ficar assim:

Isto encerra uma rodada e vence o grupo que tiver conseguido maior total. Depois são feitas mais algumas rodadas e o vencedor do dia é o grupo que mais rodadas venceu. Os números dos cartões podem ser outros. Por exemplo, números entre 10 e 30, na primeira série; entre 145 e 165, na segunda série. Depois que os alunos estiverem realizando as trocas e os registros com desenvoltura, o professor pode apresentar a técnica do "vai um" a partir de uma adição como, por exemplo, 15 + 16. Observe que somar 15 com 16 corresponde a juntar estes conjuntos de peças.

Fazendo as trocas necessárias,

Compare, agora, a operação:

  • com o material
  • com os números Ao aplicar o "vai um", o professor pode concretizar cada passagem do cálculo usando o material ou desenhos do material, como os que mostramos.

O "vai um" também pode indicar a troca de 10 dezenas por uma centena, ou 10 centenas por 1 milhar, etc. Veja um exemplo:

11. "DESTROCA"

Objetivos: os mesmos da atividade 10.

Cada grupo de alunos recebe um dado marcado de 4 a 9 e uma placa. Quando o jogador começa, todos os participantes têm à sua frente uma placa. Cada criança, na sua vez de jogar, lança o dado e faz as "destrocas" para retirar a quantidade de cubinhos correspondente ao número que sair no dado. Veja bem: esse número dá direito a retirar somente cubinhos. Na quarta rodada, vence quem ficar com as peças que representam o menor número. Exemplo: Suponha que um aluno tenha tirado 7 no dado. Primeiro ele troca uma placa por 10 barras e uma barra por 10 cubinhos:

Depois, retira 7 cubinhos:

Salientamos novamente a importância de se propor várias atividades como essa, utilizando, de início, só o material. Quando o processo de "destroca" estiver dominado, pode-se propor que as crianças

façam as subtrações envolvidas também com números.

12) VALOR ABSOLUTO E VALOR RELATIVO

Objetivo: Relacionar as peças do Material Dourado com o quadro valor de lugar e compreender que o algarismo assume outro valor quando se leva em conta a sua posição.

  1. Represente com o Material Dourado o número 345.
  2. Represente este número na tabela abaixo.

PLACA BARRA CUBINHO

centena dezena unidade

Responda:

a) Quantas unidades vale o algarismo 4? ________

b) Quantas centenas vale o algarismo 3? ________

c) Quantas unidades vale o algarismo 5? ________

d) Quantas dezenas vale o algarismo 4? ________

e) Quantas unidades vale o algarismo 3? ________

VALOR ABSOLUTO – Valor do algarismo isoladamente. VALOR RELATIVO – Valor do algarismo levando em conta a posição que ela ocupa.

Fixando Algarismo

Valor

Absoluto

Relativo

OPERANDO COM O SISTEMA DECIMAL

IDÉIAS BÁSICAS DA ADIÇÃO:

 Juntar duas quantidades;  Acrescentar uma quantidade a outra já colocada

Vence a rodada o grupo que ficar com as peças que representam o menor número. Vence o jogo o grupo que ganhar mais rodadas. É importante que, primeiro, a criança faça várias atividades do tipo: "retire um tanto", só com o material. Depois que ela dominar o processo de "destroca", pode-se propor que registre o que acontece no jogo em uma tabela na lousa. Isto irá proporcionar melhor entendimento do "empresta um" na subtração com recurso. Quando o professor apresentar essa técnica, poderá concretizar os passos do cálculo com auxílio do material ou desenhos do material. O "empresta um" também pode indicar a "destroca" de uma centena por 10 dezenas ou um milhar por 10 centenas, etc. Veja o jogo seguinte:

1 x 1 = 1 unidade = 1 cubinho

AS IDÉIAS BÁSICAS DA DIVISÃO

 Divisão em partes iguais  Medida

14: Objetivo: Compreender o algoritmo da divisão.

a) Distribua 13 balas para 2 crianças. Quantas balas receberão cada uma?

A distribuição foi feita em pequenas quantidades. O processo feito traz um conceito de divisão importante, que é o de subtrações sucessivas, isto é, retiro de uma determinada quantidade outras quantidades menores. Contando as vezes que foram retiradas 2 balas, temos um total de 6. Portanto, 13 : 2 = 6 e sobra 1. Esse processo é conhecido como processo americano de divisão.

b) Possuo 21 figurinhas. Quantos pacotes com 3 figurinhas cada um podem ser feitos a partir de 21 figurinhas?

CUBO PLACA BARRA CUBINHO

 Quantos cubinhos teremos no total?  Supondo que 3 cubinhos representam 1 pacote de figurinhas, quantos pacotes eu terei?

 Represente por meio de palavras ou números como você pensou para resolver a questão acima.

Vamos compreender um pouco mais o algoritmo: Tenho 255 reais e quero dividi-lo entre meus 3 filhos. Quanto receberá cada um?

No desenho abaixo indicamos a troca utilizando uma flecha e colocando um X em cima

das peças trocadas.

As peças que foram distribuídas estão cercadas formando grupos, no caso 3. Embaixo aparecem as peças que cada criança recebeu.

Material dourado representação numérica

Vamos compreender um pouco mais o algoritmo, utilizando o exemplo acima.

Geralmente se começa a divisão dizendo "2 não divide 3". Isso não é verdade, pois se pensarmos na posição em que este 2 está, verificamos que são 2 centenas, portanto 200 unidades. É possível, então, dividir 200 por 3. Com o Material Dourado, fica claro para o aluno, que o que não é possível é dar 1 placa (1 centena) para cada criança, já que temos apenas 2. Portanto, trocamos essas 2 centenas por 20 dezenas.