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Tipologia: Notas de estudo
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Para que um Sistema de Energia El´etrica opere corretamente, com uma adequada continuidade de servi¸co, com um desempenho seguro do sistema de prote¸c˜ao e, mais ainda, para garantir os limites (dos n´ıveis) de seguran¸ca pessoal, ´e fundamental que o quesito Aterramento mere¸ca um cuidado especial. Esse cuidado deve ser traduzido na elabora¸c˜ao de projetos espec´ıficos, nos quais, com base em dados dispon´ıveis e parˆametros pr´e-fixados, sejam consideradas todas as poss´ıveis condi¸c˜oes a que o sistema possa ser submetido. Os objetos principais do aterramento s˜ao:
V´arios fatores influenciam na resistividade do solo. Entre eles, pode-se ressaltar:
As diversas combina¸c˜oes acima resultam em solos com caracter´ısticas diferentes e, conseq¨uentemente, com valores de resistividade distintos. Assim, solos aparentemente iguais tˆem resistividades diferentes. Para ilustrar, a tabela abaixo mostra a varia¸c˜ao da resistividade para solos de naturezas distintas.
Tipo de Solo e Respectiva Resistividade Tipo de Solo Resistividade [Ω · m] Lama 5 a 100 Terra de jardim com 50% de umidade 140 Terra de jardim com 20% de umidade 480 Argila seca 1500 a 5000 Argila com 40% de umidade 80 Argila com 20% de umidade 330 Areia molhada 1300 Areia seca 3000 a 8000 Calc´ario compacto 1000 a 5000 Granito 1500 a 10000
A resistividade do solo sofre altera¸c˜oes com a umidade. Esta varia¸c˜ao ocorre em virtude da condu¸c˜ao de cargas el´etricas no mesmo ser predominantemente iˆonica. Uma percentagem de umidade maior faz com que os sais, presentes no solo, se dissolvam, formando um meio eletrol´ıtico favor´avel `a passagem da corrente iˆonica. Assim, um solo espec´ıfico, com concentra¸c˜ao diferente de umidade, apresenta uma grande varia¸c˜ao na sua resistividade. A tabela abaixo mostra a varia¸c˜ao da resistividade com a umidade de um solo arenoso.
A partir do ρm´ınimo, com o decr´escimo da temperatura, e a conseq¨uente contra¸c˜ao e aglutina¸c˜ao da ´agua, ´e produzida uma dispers˜ao nas liga¸c˜oes iˆonicas entre os grˆanulos de terra no solo, e que resulta num maior valor da resistividade. Observe que no ponto de temperatura 0oC (´agua), a curva sofre descontinuidade, aumentando o valor da resistividade no ponto 0oC (gelo). Isto ´e devido ao fato de ocorrer uma mudan¸ca brusca no estado da liga¸c˜ao entre os grˆanulos que formam a concentra¸c˜ao eletrol´ıtica. Com um maior decr´escimo na temperatura h´a uma concentra¸c˜ao no estado molecular tornando o solo mais seco, aumentando assim a sua resistividade. J´a no outro extremo, com temperaturas elevadas, pr´oximas de 100oC, o estado de vaporiza¸c˜ao deixa o solo mais seco, com a forma¸c˜ao de bolhas internas, dificultando a condu¸c˜ao da corrente, conseq¨uentemente, elevando o valor da sua resistividade.
Os solos, na sua grande maioria, n˜ao s˜ao homogˆeneos, mas formados por diversas camadas de resistividade e profundidade diferentes. Essas camadas, devido a forma¸c˜ao geol´ogica, s˜ao em geral horizontais e paralelasa superf´ıcie do solo. Existem casos em que as camadas se apresentam inclinadas e at´e verticais, devido a alguma falha geol´ogica. Entretanto, os estudos apresentados para pesquisa do perfil do solo as consideram aproximadamente horizontais, uma vez que outros casos s˜ao menos t´ıpicos, principalmente no exato local da instala¸c˜ao da subesta¸c˜ao. Como resultado da varia¸c˜ao da resistividade das camadas do solo, tem-se a varia¸c˜ao da dispers˜ao de corrente. A figura abaixo apresenta o comportamento dos fluxos de dispers˜ao de corrente em um solo heterogˆeneo, em torno do aterramento.
As linhas pontilhadas s˜ao as superf´ıcies equipotenciais. As linhas cheias s˜ao as corrente el´etricas fluindo no solo.
Quando ocorre um curto-circuito envolvendo a terra, espera-se que a corrente seja elevada para que a prote¸c˜ao possa operar e atuar com fidelidade e precis˜ao, eliminando o defeito o mais rapidamente poss´ıvel. Durante o tempo em que a prote¸c˜ao ainda n˜ao atuou, a corrente de defeito que escoa pelo solo, gera potenciais distintos nas massas met´alicas e superf´ıcie do solo. Portanto, procura-se uma adequada liga¸c˜ao dos equipamentos el´etricos `a terra, para se ter o melhor aterramento poss´ıvel, dentro das condi¸c˜oes do solo, de modo que a prote¸c˜ao seja sensibilizada e os potenciais de toque e passo fiquem abaixo dos limites cr´ıticos da fibrila¸c˜ao ventricular do cora¸c˜ao humano. A maneira de prover a liga¸c˜ao ´ıntima com a terra ´e ligar os equipamentos e massas a um sistema de aterramento conveniente.
Os diversos tipos de sistemas de aterramento devem ser realizados de modo a garantir a melhor liga¸c˜ao a terra. Os tipos principais s˜ao:
medi¸c˜ao e distribui¸c˜ao, lavadora e secadora de roupas, torneira el´etrica, lava-lou¸ca, refri- gerador e freezer, forno el´etrico, tubula¸c˜ao de cobre dos aquecedores, tubula¸c˜ao met´alica, cercas met´alicas longas, postes met´alicos e projetores luminosos de f´acil acesso. J´a na ind´ustria e no setor el´etrico, uma an´alise apurada e cr´ıtica deve ser feita nos equipamentos a serem aterrados, para se obter a melhor seguran¸ca poss´ıvel.
A classifica¸c˜ao ´e feita por letras, como segue:
Primeira Letra: Especifica a situa¸c˜ao da alimenta¸c˜ao em rela¸c˜ao `a terra.
T - A alimenta¸c˜ao (lado fonte) tem um ponto diretamente aterrado; I - Isola¸c˜ao de todas as partes vivas da fonte de alimenta¸c˜ao em rela¸c˜ao `a terra ou aterramento de um ponto atrav´es de uma impedˆancia elevada.
Segunda Letra: Especifica a situa¸c˜ao das massas (carca¸cas) das cargas ou equipamen- tos em rela¸c˜ao `a terra.
T - Massas aterradas com terra pr´oprio, isto ´e, independente da fonte; N - Massas ligadas ao ponto aterrado da fonte; I - Massa isolada, isto ´e, n˜ao aterrada.
Outras Letras: Forma de liga¸c˜ao do aterramento da massa do equipamento, usando o sistema de aterramento da fonte
S - Separado, isto ´e, o aterramento da massa ´e feito com um fio (PE) separado (distinto) do neutro; C - Comum, isto ´e, o aterramento da massa do equipamento ´e feito usando o fio neutro (PEN).
6.2 Medi¸c˜ao da Resistividade do Solo
Ser˜ao especificamente abordadas, nesta se¸c˜ao, as caracter´ısticas da pr´atica da medi¸c˜ao da resistividade do solo de um local virgem. Os m´etodos de medi¸c˜ao s˜ao resultados da an´alise de caracter´ısticas pr´aticas das equa¸c˜oes de Maxwell do eletromagnetismo, aplicadas ao solo. Na curva ρ x a, levantada pela medi¸c˜ao, est´a fundamentada toda a arte e criatividade dos m´etodos de estratifica¸c˜ao do solo, o que permite a elabora¸c˜ao do projeto do sistema de aterramento.
A localiza¸c˜ao do sistema de aterramento depende da posi¸c˜ao estrat´egica ocupada pelos equipamentos el´etricos do sistema el´etrico em quest˜ao. Cita-se, por exemplo, a localiza¸c˜ao otimizada de uma subesta¸c˜ao, que deve ser definida levando em considera¸c˜ao os seguintes itens:
Portanto, definida a localiza¸c˜ao da subesta¸c˜ao, fica definido o local da malha de terra. J´a na distribui¸c˜ao de energia el´etrica, os aterramentos situam-se nos locais da ins- tala¸c˜ao dos equipamentos tais como: transformador, religador, seccionador, regulador de tens˜ao, chaves, etc. No sistema de distribui¸c˜ao com neutro multi-aterrado, o aterramento ser´a feito ao longo da linha a distˆancias relativamente constantes. O local do aterramento fica condicionado ao sistema de energia el´etrica ou, mais pre- cisamente, aos elementos importantes do sistema. Escolhido preliminarmente o local, devem ser analisados novos itens, tais como:
Havendo algum problema que possa comprometer o adequado perfil esperado do sis- tema de aterramento, deve-se, ent˜ao, escolher outro local.
Definido o local da instala¸c˜ao do sistema de aterramento, deve-se efetuar levantamento atrav´es de medi¸c˜oes, para se obter as informa¸c˜oes necess´arias `a elabora¸c˜ao do projeto.
Um solo apresenta resistividade que depende do tamanho do sistema de aterramento. A dispers˜ao de correntes el´etricas atinge camadas profundas com o aumento da ´area envolvida pelo aterramento. Para se efetuar o projeto do sistema de aterramento deve-se conhecer a resistividade aparente que o solo apresenta para o especial aterramento pretendido. A resistividade do solo, que espelha suas caracter´ısticas, ´e, portanto, um dado funda- mental e por isso, nesta se¸c˜ao ser´a dada especial aten¸c˜ao `a sua determina¸c˜ao. O levantamento dos valores da resistividade ´e feito atrav´es de medi¸c˜oes em campo, utilizando-se m´etodos de prospec¸c˜ao geoel´etricos, dentre os quais, o mais conhecido e utilizado ´e o M´etodo de Wenner.
Seja um ponto c imerso em um solo infinito e homogˆeneo, emanando uma grande corrente el´etrica I. O fluxo resultante de corrente diverge radialmente, conforme a figura abaixo.
O campo el´etrico Ep no ponto p ´e dado pela Lei de Ohm local, abaixo: Ep = ρJp
onde Jp ´e a densidade de corrente no ponto p. A densidade de corrente ´e a mesma sobre a superf´ıcie da esfera de raio r, com centro no ponto c e que passa pelo ponto p. Seu valor ´e:
Jp =
4 πr^2 Portanto, Ep =
ρI 4 πr^2 O potencial do ponto p, em rela¸c˜ao a um ponto infinito ´e dado por:
Vp =
r
Edr
onde dr ´e a varia¸c˜ao infinitesimal na dire¸c˜ao radial ao longo do raio r.
Vp =
r
ρI 4 πr^2
dr → Vp =
ρI 4 π
r
r^2
dr → Vp =
ρI 4 πr
O comportamento ´e idˆentico a uma imagem real sim´etrica da fonte de corrente pontual. Portanto, para achar o potencial de um ponto p em rela¸c˜ao ao infinito, basta efetuar a superposi¸c˜ao do efeito de cada fonte da corrente individualmente, considerando todo o solo homogˆeneo, inclusive o da sua imagem. Assim, para calcular o potencial do ponto p:
Vp =
ρI 4 πr 1 p
ρI′ 4 πr 1 ′p
Como: I′^ = I → Vp =
ρI 4 π
r 1 p
r 1 ′p
Para o levantamento da curva de resistividade do solo, no local do aterramento, pode- se empregar diversos m´etodos, entre os quais:
Neste trabalho ser´a utilizado o M´etodo de Wenner. O m´etodo usa quatro pontos alinhados espa¸cados, cravados a uma mesma profundidade (ver figura abaixo).
Uma corrente el´etrica I ´e injetada no ponto 1 pela primeira haste e coletada no ponto 4 pela ´ultima haste. Esta corrente, passando pelo solo entre os pontos 1 e 4, produz potencial nos pontos 2 e 3. Usando o m´etodo das imagens, desenvolvido no item anterior, gera-se a figura abaixo e obt´em-se os potenciais nos pontos 2 e 3.
O potencial no ponto 2 ´e:
ρI 4 π
a
a^2 + (2p)^2
2 a
(2a)^2 + (2p)^2
O potencial no ponto 3 ´e:
ρI 4 π
2 a
(2a)^2 + (2p)^2
a
(a)^2 + (2p)^2
Portanto, a diferen¸ca de potencial nos pontos 2 e 3 ´e:
ρI 4 π
a
(a)^2 + (2p)^2
(2a)^2 + (2p)^2
onde: R ´e a leitura da resistˆencia em Ω no Megger, para uma profundidade a; a ´e o espa¸camento das hastes cravadas no solo; e p ´e a profundidade da haste cravada no solo. As duas hastes s˜ao ligadas nos terminais P 1 e P 2. Assim, o aparelho processa interna- mente e indica na leitura, o valor da resistˆencia el´etrica. O m´etodo considera que praticamente 58% da distribui¸c˜ao de corrente que passa entre as hastes externas ocorre a uma profundidade igual ao espa¸camento entre as hastes (ver figura abaixo).
A corrente atinge uma profundidade maior, com uma correspondente ´area de dispers˜ao grande, tendo, em conseq¨uˆencia, um efeito que pode ser desconsiderado. Portanto, para efeito do M´etodo de Wenner, considera-se que o valor da resistˆencia el´etrica lida no aparelho ´e relativa a uma profundidade a do solo. As hastes usadas no m´etodo devem ter aproximadamente 50 cm de comprimento com diˆametro entre 10 a 15 mm. O material que forma a haste deve seguir as mesmas considera¸c˜oes previamente discutidas. Devem ser feitas diversas leituras, para v´arios espa¸camentos, com as hastes sempre alinhadas.
Durante a medi¸c˜ao devem ser observados os itens abaixo:
Para uma determinada dire¸c˜ao devem ser usados os espa¸camentos recomendados na tabela abaixo.
Espa¸camentos Recomendados Espa¸camento Leitura Calculado a (m) R (Ω) ρ [Ωm] 1 2 4 6 8 16 32
Alguns m´etodos de estratifica¸c˜ao do solo, que ser˜ao vistos na se¸c˜ao seguinte, necessitam mais leituras para pequenos espa¸camentos, o que ´e feito para possibilitar a determina¸c˜ao da resistividade da primeira camada do solo.
O n´umero de dire¸c˜oes em que as medidas dever˜ao ser levantadas depende:
Para um ´unico ponto de aterramento, isto ´e, para cada posi¸c˜ao do aparelho devem ser efetuadas medidas em trˆes dire¸c˜oes, com ˆangulo de 60o^ entre si, ver figura abaixo.
Observa¸c˜ao (b): Se o valor da resistividade tiver o desvio abaixo de 50% o valor ser´a aceito como representativo. Observa¸c˜ao (c): Se observada a ocorrˆencia de acentuado n´umero de medidas com desvios acima de 50%, recomenda-se executar novas medidas na regi˜ao corres- pondente. Se a ocorrˆencia de desvios persistir, deve-se ent˜ao, considerar a ´area como uma regi˜ao independente para efeito de modelagem.
Com a nova tabela, efetua-se o c´alculo das m´edias aritm´eticas das resistividades remanescentes.
Para um determinado local, sob estudo, os dados das medi¸c˜oes de campo, relativos a v´arios pontos e dire¸c˜oes, s˜ao apresentados na tabela abaixo.
Medi¸c˜oes em Campo Espa¸camento a (m) Resistividade El´etrica Medida (Ωm)
A seguir, apresenta-se uma tabela com o valor m´edio de cada espa¸camento e o desvio relativo de cada medida, calculados a partir da tabela anterior.
Determina¸c˜ao de M´edia e Desvios Relativos Espa¸camento Desvios Relativos (%) Resistividade Resistividade M´edia a (m) M´edia (Ωm) C´alculada (Ωm)
Observando-se a tabela anterior, constata-se duas medidas sublinhadas que apresen- tam desvio acima de 50%. Elas devem, portanto, ser desconsideradas. Assim, refaz-se o c´alculo das m´edias, para os espa¸camentos que tiverem medidas rejeitadas. As demais m´edias s˜ao mantidas. Vide ´ultima coluna da tabela anterior. Os valores representativos do solo medido s˜ao os indicados na tabela a seguir.
Resistividade do Solo Espa¸camento Resistividade a (m) (Ωm) 2 334 4 510 6 605 8 911, 16 564, 32 224,