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Uma coleção de exercícios resolvidos sobre interpolação polinomial e métodos numéricos, abrangendo tópicos como interpolação de lagrange, interpolação de newton, métodos de bissecção, método das secantes, método iterativo geral, método de jacobi e método de gauss-seidel. Os exercícios fornecem exemplos práticos e detalhados para auxiliar na compreensão e aplicação desses conceitos.
Tipologia: Notas de estudo
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Maputo, Julho de 2015
CAPÍTULO 1 – CÁLCULO COM NUMÉROS APROXIMADOS
1.1 NOÇÃO DE ERRO
Nenhum resultado obtido através de cálculos eletrónicos ou métodos numéricos tem valor se não tivermos conhecimento e controle sobre os possíveis erros envolvidos no processo. A análise dos resultados obtidos através de um método numérico representa uma etapa fundamental no processo das soluções numéricas.
Dado um problema, para se chegar a um resultado numérico é necessário realizar uma sequência pré-estabelecida de passos. Em cada um destes passos pode existir uma parcela de erro que se acumula ao montante do processo. Estes erros surgem basicamente de duas formas: aqueles inerentes a formulação matemática do problema (relacionadosa aproximação da situação física e a erros nos dados) e aqueles que aparecem no processo de solução numérica (erros de truncamento e de arredondamento). Os erros de truncamento surgem, em geral, pela substituição de um processo infinito (de somas ou integrais) ou infinitesimal por outro finito.
Erros também podem surgir pelo facto que as operações aritméticas quase nunca podem ser efectuadas com precisão completa; estes são denominados de erros de arredondamento. A maioria dos números tem representações decimais infinitas que devem ser arredondadas. Mesmo se os dados de um problema podem ser expressos exactamente por representações decimais finitas, a divisão pode introduzir números que devem ser arredondados e a multiplicação pode produzir mais dígitos do que podem ser razoavelmente mantidos. Os tipos de arredondamento mais utilizados são:
Erro relativo é determinado pela divisão do erro absoluto de um número pelo seu valor aproximado:
_
_
x
x x Rx
Diz-se que a aproximação efectuada em relação a x é mais exacta que a de y se e somente se R (^) x < Ry
1.4 PROPAGAÇÃO DE ERROS
Sabendo que _ x é um valor aproximado de x. Como determinar y = f ( x )? Será
que ( ) _ _ y = f x é uma boa aproximação?
∆ y = y − y = f x − f x = f x +∆ x − f x
Com base nesta premissa, pode-se constatar que o Majorante do erro
absoluto da aproximação _ y de y é:
∆ y ≤ fx ´ (^) max*∆ x
Aplicando o resultado acima, para funções de várias variáveis, obteremos a fórmula abaixo que se designa por Fórmula Fundamental de Cálculo de Erros:
∆ f ≤ fx ´ 1 * ∆ x 1 + fx ´ 2 *∆ x 2 +...+ fx ´ n *∆ x n
CAPÍTULO 2 – INTERPOLAÇÃO E APROXIMAÇÃO POLINOMIAL
Interpolação é o processo de estimar valores de uma função f para valores de x diferentes de x (^) i , para i = 0 ,..., n , sabendo-se apenas os valores de f ( x )nos pontos x (^) 0 , x 1 ,..., x n. A interpolação ajuda-nos a responder problemas do tipo:
Qual é o valor de f ( xi )para x 1 (^) < xi < x 2 , dado que:
x (^) x (^) 0 x 1 x (^) 2 ….. (^) xn
f ( x ) f ( x 0 ) f ( x 1 ) f ( x 2 ) …... (^) f ( xn )
A necessidade de se efectuar esta substituição surge em várias situações, como por exemplo:
As funções que substituem as funções dadas podem ser de tipos variados, tais como polinomiais, trigonométricas, exponenciais e logarítmicas. Neste capítulo, será considerado apenas o estudo das funções polinomiais.
2.2 DEFINIÇÃO DO POLINÓMIO INTERPOLADOR
A interpolação polinomial é de grande interesse do ponto de vista teórico e prático em áreas como teoria da aproximação, equações não lineares, integração e derivação numéricas e solução numérica de equações diferenciais e integrais.
Dada uma função f ( x )conhecida em n pontos ( x (^) i , f ( xi )), i = 0 ,..., n , o objectivo da
interpolação polinomial consiste em determinar o polinómio de grau ≤ n ,
p (^) n ( x )= a 0 + a 1 x + a 2 x^2 +...+ anx^ n ,
Que coincide com f ( x )naqueles pontos, isto é, p (^) n ( x )= f ( xi )= fi , ∀ i = 0 ,..., n
Exemplo:
Determinar o polinómio interpolador que aproxima f ( x )dada na tabela seguinte:
Neste caso, procuramos o polinómio pn ( x )= a 0 + a 1 x + a 2 x^2 que satisfaz a igualdade p (^) n ( x )= f ( xi )= f i , para i = 0 , 1 , 2. Ora:
Consequentemente, o nosso polinómio interpolador é p (^) 2 ( x )= 3 − x^2
Passo 1: Procuramos p 2 (^) ( x )= a 0 + a 1 x + a 2 x^2 , tal que:
Passo 2: Determinar os polinómios
Passo 3: Aplicar a fórmula:
O valor do polinómio no ponto x = 3 é:
2.4 INTERPOLAÇÃO DE NEWTON
2.4.1 INTERPOLAÇÃO DE NEWTON COM DIFERENÇAS DIVIDIDAS
De acordo com o teorema da unicidade do polinómio interpolador, toda interpolação de n pontos por um polinómio de grau n-1 é única e pode ser obtida pelo método de Lagrange. No entanto, existem outras maneiras de construir o polinómio p(x) que podem ser mais convenientes. Uma dessas maneiras é a interpolação de Newton, que permite a inserção de pontos adicionais de maneira simples e menos susceptível à deterioração por erros de arredondamento. O método consiste em determinar o seguinte polinómio:
Por construção, o valor de p calculado em x =x 0 é
p(x 0 ) = a 0
Além disso, como p(x) é o polinómio interpolador, p(x 0 ) = f 0 , portanto,
a 0 = f(x 0 )
Da mesma forma,
ou seja,
e assim por diante, os coeficientes são determinados recursivamente e o k-ésimo coeficiente é determinado em função dos pontos de interpolação e dos coeficientes anteriores pela expressão
Exemplo:
Seja dada a seguinte função tabelada:
Determine o polinómio interpolador de Newton recorrendo as diferenças divididas.
Resolução:
2.4.2 INTERPOLAÇÃO DE NEWTON COM DIFERENÇAS FINITAS
Designa-se diferença finita descendente de primeira ordem de f ( x ) , para x = xi , à seguinte quantidade:
De um modo geral, as diferenças descendentes de ordem k de f ( x ) , define-se por:
As mesmas podem ser representadas em tabela, da seguinte forma:
Quando os nós da interpolação x 0 , x 1 , x 2 ,..., xn são igualmente espaçados, pode-se usar uma relação de modo a simplificar o polinómio interpolador. Tendo como base: x = x 0 + q * h , então
Onde:
Surge a fórmula interpoladora de Gregory – Newton:
Onde x (^) ND é a marca da interpolação e é determinado escolhendo entre os xi o máximo inferior a x.
2.6 EXERCICIOS
Determine o polinómio interpolador de f
a) Determine o polinómio interpolador de Lagrange. b) Determine f ( 3. 5 )
6. Considere a tabela de valores da função f definida por f ( x )= lg x , para x>0:
a) Construa a tabela de diferenças divididas. b) Determine lg( 2. 05 )utilizando o polinómio de Newton.
Pede-se para determinar f(2.2) recorrendo a interpolação de newton com diferenças finitas.
2º salto de 1250
3º salto de 1000
4º salto de 750
5º salto de 500
Distância do alvo (m)
35 25 15 10 7
Levando em consideração os dados acima, a que provável distancia cairia o paraquedista se ele saltasse de uma altura de 850 m?
De igual modo, recorrendo à série de Taylor tendo como base a diferença em atraso ou descendente, temos:
( ) ( ) '( ) 2 "( ) 6 "´( ).....
2 3 f x − h = f x − hf x + h f x − h f x
Resolvendo a expresão acima em ordem de f ´( x ), obtêm-se:
f ' ( x ) = f ( x )− hf ( x^ −^ h )+ O ( h ) Fórmula da derivada comdiferença descendente ou atraso
Fórmulas com diferentes ordens de aproximação podem ser obtidas. A mais importante é a de segunda ordem ou centrada. Por expansões em série de Taylor em torno do ponto x resultam:
Empregando o mesmo princípio, para as derivadas de ordem superior resulta:
Exemplo:
Seja dada a função tabelada abaixo:
Determine f ´( 1. 4 ).
Resolução: