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Noções básicas de jardinagem, Notas de estudo de Engenharia Agronômica

Este texto aborda as principais praticas na jardinagem. Este material é um boletim tecnico da UFLA.

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 01/05/2010

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1. Engenheira Agrônoma, Mestre em Floricultura e Paisagismo, Doutoranda em Fitotecnia
DAG/UFLA.
2. Professora Adjunta, Floricultura e Paisagismo, Departamento de Agricultura/UFLA.
3. Engenheiro Agrônomo, Mestre em Fitotecnia
4. Professor Adjunto, Fisiologia Vegetal, Departamento Biologia/UFLA.
NOÇÕES BÁSICAS DE JARDINAGEM
Fernanda Cristiane Simões1
Patrícia Duarte de Oliveira Paiva2
Guilherme José Oliveira Neri3
Renato Paiva4
1 INTRODUÇÃO
A horticultura é a parte da Agricultura dedicada à ciência (ou arte)
de cultivar o hortus, expressão latina que significa jardim. A formação da
palavra Horticultura reflete sua origem. O horto ou jardim era o espaço
de terreno fechado junto à residência destinado ao cultivo de frutas,
legumes, temperos, ervas medicinais e também de flores.
Assim, antes de chegar a sua função, o jardim teve primeiro uma
utilidade prática.
Com o avanço do conhecimento e o interesse em aumentar a
produtividade dos cultivos, o antigo horto foi dividido em três áreas
específicas, surgindo o pomar, a horta e o jardim propriamente dito.
Assim sendo, nesse jardim cada planta tem um valor estético a ser
destacado. O caráter ornamental pode estar nas flores, como nas rosas, na
disposição matemática das folhas, como na echeveria no caule escultural do
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  1. Engenheira Agrônoma, Mestre em Floricultura e Paisagismo, Doutoranda em Fitotecnia DAG/UFLA.
  2. Professora Adjunta, Floricultura e Paisagismo, Departamento de Agricultura/UFLA.
  3. Engenheiro Agrônomo, Mestre em Fitotecnia
  4. Professor Adjunto, Fisiologia Vegetal, Departamento Biologia/UFLA.

NOÇÕES BÁSICAS DE JARDINAGEM

Fernanda Cristiane Simões^1 Patrícia Duarte de Oliveira Paiva^2 Guilherme José Oliveira Neri^3 Renato Paiva^4

1 INTRODUÇÃO

A horticultura é a parte da Agricultura dedicada à ciência (ou arte) de cultivar o hortus , expressão latina que significa jardim. A formação da palavra Horticultura reflete sua origem. O horto – ou jardim – era o espaço de terreno fechado junto à residência destinado ao cultivo de frutas, legumes, temperos, ervas medicinais e também de flores. Assim, antes de chegar a sua função, o jardim teve primeiro uma utilidade prática. Com o avanço do conhecimento e o interesse em aumentar a produtividade dos cultivos, o antigo horto foi dividido em três áreas específicas, surgindo o pomar, a horta e o jardim propriamente dito. Assim sendo, nesse jardim cada planta tem um valor estético a ser destacado. O caráter ornamental pode estar nas flores, como nas rosas, na disposição matemática das folhas, como na echeveria no caule escultural do

umbu ou até mesmo no perfume agradável das inflorescências do capim- limão nos campos de pastagem. A característica mais importante para que uma planta cumpra a sua função ornamental é seu aspecto saudável, atestando estar bem nutrida e hidratada, sem doenças ou pragas. Este boletim vem, então, suprir a necessidade de informações básicas sobre a jardinagem caseira ou profissional, para se obter um jardim saudável e bem cuidado.

2 O SOLO

É a parte superficial da crosta terrestre e tem sua origem na decomposição de rochas e minerais. Em relação às plantas, tem como função primordial fornecer nutrientes e servir de suporte às raízes.

2.1 Textura

Diz respeito à distribuição das partículas que formam um solo (areia, silte e argila). De acordo com os percentuais de cada uma delas, tem-se:

  • Solo de textura arenosa: menos de 15% de argila,
  • Solo de textura média: de 15 a 35% de argila,
  • Solo de textura argilosa: mais de 35% de argila.

2.3 pH do solo

Está relacionado com o índice de acidez, variando segundo a escala abaixo: 0 ------------------------------- 7 ---------------------------------- 14 pH ácido pH neutro pH básico Cada espécie vegetal tem uma faixa de pH do solo na qual seu desenvolvimento é ótimo. De maneira geral, pode-se dizer que a maioria das plantas prefere solos com pH na faixa de 4,0 a 7,5.

2.4 Calagem

É uma prática de manejo da fertilidade do solo que consiste na aplicação de calcário, com o objetivo de eliminar ou minimizar os efeitos prejudiciais da acidez e fornecer cálcio e magnésio para as plantas. Tipos calcário:

  • Calcíticos: possuem cálcio,
  • Magnesianos: possuem magnésio,
  • Dolomíticos: possuem cálcio e magnésio. Época de calagem: A calagem deve ser feita de 60 a 90 dias antes do plantio. Esse período é necessário para que a acidez do solo seja corrigida, deixando o solo adequado para o desenvolvimento das plantas.

A dosagem a ser aplicada depende do tipo de solo e da análise química do mesmo, feitas em laboratório. Aplicação de calcário: dependendo da área, pode-se fazer a aplicação do calcário manual ou mecânica. A distribuição manual é feita a lanço e deve-se procurar espalhar o mais uniformemente possível. A distribuição mecânica é feita por distribuidora centrífuga à tração mecânica. Incorporação do calcário: o calcário deve ser incorporado a uma profundidade de 15 a 20 centímetros. A incorporação deve ser uniforme para permitir boa eficiência do calcário. A incorporação pode ser feita por gradagem ou manualmente utilizando enxadas.

2.5 Adubação

Consiste na incorporação de nutrientes ao solo com o objetivo de melhorar sua qualidade. Existem diferentes tipos de fertilizantes fornecedores de nutrientes: a) Fertilizantes ou adubos minerais simples: podem ser classificados em : Nitrogenados: contêm nitrogênio(N), que atua no crescimento das plantas. Ex.: sulfato de amônio, uréia, salitre do Chile e nitratos em geral. Fosfatados: contêm fósforo(P), que atua no crescimento das raízes, crescimento das plantas, floração e frutificação. Ex.: superfosfato simples e superfosfato triplo. Potássicos: contêm potássio(K), que atua na produção de flores, bem como na resistência da planta ao aparecimento de doenças. Ex.: cloreto de potássio, sulfato de potássio.

  1. Aos noventa dias aproximadamente, o material estará curtido e transformado em matéria orgânica. O produto final deve ter a cor escura, ser rico em húmus, moldável quando apertado entre as mãos, cheiro de terra e temperatura baixa no interior do monte.

3 PREPARO DO SOLO

3.1 Limpeza

Realizar a capina, tomando-se o cuidado de eliminar radicalmente as espécies invasoras, principalmente a tiririca, tomando-se o cuidado de não cortar apenas, mas também eliminar as raízes. Retirar restos de construção, entulhos, pedras, etc.

3.2 Formigas

Verificar a existência de formigueiros na área a ser ajardinada. Se forem encontrados, devem ser extintos. O uso de produtos químicos deve ser realizado por um profissional especializado.

3.3 Escarificação

Consiste em revolver o solo em toda a sua superfície, a uma profundidade de 20-30 cm, com o cuidado de desfazer bem os torrões e deixar o solo bem solto.

3.4 Nivelamento

O nível da superfície do terreno deve ser acertado e corrigido de acordo com os níveis das construções e caminhos existentes ou projetados. Considerar a necessidade de escoamento das águas de chuva, evitando, assim, a formação de poças ou mesmo o alagamento de algumas áreas do terreno.

3.5 Canteiros/Covas

No preparo do solo para plantio, pode-se fazer covas, canteiros ou sulcos, dependendo da espécie e da finalidade. Para o plantio de árvores e palmeiras, recomenda-se abertura de covas de dimensões 60x60x60 cm, ao passo que para o plantio de arbustos, arbustivas e trepadeiras, as covas deverão ter dimensões 40x40x40 cm. Para o plantio de forrações e espécies herbáceas, geralmente se faz o preparo de canteiros e, nesses, então, são abertas pequenas covas com auxílio de sacho ou pazinha de jardim. Para a formação de cercas-vivas, recomenda-se a abertura de sulcos, pois o espaçamento de plantio é bastante reduzido. À terra retirada das covas deve-se misturar o calcário, esterco e adubo (superfosfato simples). Essa mistura deve ser recolocada na cova ou sulco e deixar por 10 a 15 dias. Só então proceder ao plantio.

  • Adubação fosfatada: superfosfato simples: 50 g/m 2
  • Adubação mineral: mistura NPK (4- 14 - 8+Zn): 50 g/m^2 Durante o período chuvoso, aplicar 10 g de uréia dissolvidas em 20 litros de água, por m^2 de canteiro.

4.2 Adubação de reposição (manutenção)

Recomendações: Árvores e arbustos bem desenvolvidos: 300 g/planta de uma mistura NPK (10:10:10, 4;14:8, etc.) na época das chuvas. Aplicar o adubo em toda a área de projeção da copa, se possível, incorporado e irrigando. Gramados: 50 g/m^2 da mesma mistura anterior (NPK), por duas vezes, durante a primavera/verão. Canteiro de flores: 50 g/m^2 de uma das formulações, por duas vezes, durante a primavera/verão. Aplicar a lanço, incorporar e irrigar.

5 PLANTIO

5.1 Árvores, arbustos e palmeiras

Para o plantio de árvores, arbustos e palmeiras, e mesmo de algumas plantas ornamentais de porte maior, proceder da seguinte maneira:

  • Na cova já preparada, abrir um buraco do tamanho da muda;
  • Retirar a muda da embalagem (lata, balaio, saco plástico), aparando raízes quando necessário;
  • Colocar a muda com o torrão na cova;
  • Chegar terra em volta do torrão, socando-a para que a muda fique firme e para que haja um contato maior entre a terra do torrão e a terra da cova;
  • O limite entre as raízes e o tronco da muda (colo) deve ser observado, nunca enterrando demais, nem deixando as raízes aparecerem. Não apertar o colo da muda;
  • Regar bem as mudas recém-plantadas; Obs.: no plantio, formar uma espécie de bacia ao redor das mudas para facilitar as irrigações.
  • Colocar um tutor (madeira ou bambu) próximo à muda e providenciar o amarrio dessa com tiras de borracha na forma de oito deitado;
  • Se for possível, colocar palha ou capim seco na superfície da cova, ao redor da muda, para manter a umidade;
  • Quando se fizer o plantio em épocas secas, molhar o fundo da cova antes de colocar a muda.

5.2 Plantio em canteiros

  • Após o preparo correto dos canteiros, distribuir as mudas sobre suas superfícies, obedecendo ao espaçamento adequado a cada espécie;
  • Abrir pequenas covas (proporcionais aos torrões);

A formação de um gramado por meio de placas ou tapetes é a mais rápida em relação ao uso de mudas e sementes. O preparo do solo é de fundamental importância, devendo constar, nas grandes áreas, de aração, gradagem, destorroamento, rastelamento e nivelamento. Em áreas pequenas, uma escarificação do solo pode ser suficiente. O plantio de placas ou tapetes é realizado pela justaposição dessas unidades, uma a uma; em seguida, deve-se socar as mesmas e fazer um recapeamento com mistura de terra + areia ou simplesmente areia. A irrigação deve ser abundante após o plantio e nos meses subseqüentes, até a completa formação do gramado.

6 GRUPO DE PLANTAS

Do ponto de vista paisagístico/ornamental, as plantas podem ser divididas nos seguintes grupos:

6.1 Árvore

Constitui toda espécie vegetal lenhosa de tamanho adulto, com altura superior a 4-5 metros. Geralmente não possuem bifurcações que se iniciem na base do caule. Principais funções:

  • Proteger contra ventos fortes
  • Proteger contra ruídos
  • Dar privacidade a determinado local
  • Fornecer sombra
  • Contribuir para aspectos estéticos da paisagem. As árvores podem ser divididas em pequeno, médio e grande porte. Exemplos de árvores de pequeno porte Nome comum Flamboyant-mirim Ipê-mirim Grevilha-anã Manacá-da-serra Manacá-de-cheiro Nome científico Caesalpinia pulcherrima Grevilea banksii Tecoma stans Tibouchina mutabilis Brunfelsia uniflora Exemplos de árvores de médio porte Nome comum Nome científico Aroeira-salsa, chorão-mexicano Schinus molle Bauínia, Unha-de-vaca Bauhinia variegata Chapéu-do-sol, sete-copas Terminalia catappa Chorão Salix babylonica Escova-de-garrafa Callistemon viminalis Exemplos de árvores de grande porte Nome comum Nome científico Araucária, Pinheiro-do-Paraná Araucaria angustifolia Castanha-do-Pará Bertholletia excelsa Eucalipto Eucaliptus spp. Sibipiruna Caesalpinia peltophoroides Tipuana Tipuana tipu

Exemplos de arbustos Nome comum Nome científico Acalifa Acalypha wilkesiana Azaléia Rhododendron indicum Bico-de-papagaio Euphorbia pulcherrima Buxinho Buxus sempervirens Cróton Codiaeum variegatum

6.4 Trepadeira

É toda espécie vegetal de caule semilenhoso ou mesmo herbáceo que necessita de um suporte para se desenvolver. Como seu crescimento pode ser conduzido, as trepadeiras geralmente são utilizadas na formação de cercas-vivas, separação de ambientes, revestimento de muros ou paredes, formação de pérgolas, arcos e treliças. Elas podem ser:

  • Volúveis: quando se enrolam em aspiral no suporte, não possuindo outro tipo de fixação; portanto, não conseguem subir em paredes ou muros por si só, necessitando de suportes adequados;
  • Sarmentosas: Quando possuem órgãos de fixação, como gavinha, espinhos curvos, raízes adventícias, etc. Conseguem subir em quase todo tipo de suporte
  • Cipós: Não possuem qualquer tipo de órgão de fixação e nem são volúveis. Possuem caules rígidos, que conseguem subir vários metros sem apoio, até que se vergam pelo próprio peso sobre algum suporte.
  • Escandentes: São plantas mais arbustivas que em locais abertos, formam arbustos. Quando plantadas junto a um suporte, seus ramos apóiam- se nesse e atingem vários metros de altura.

Exemplos de trepadeiras Nome comum Nome científico Amor-agarradinho Antigonon leptopus Buganvília, primavera, três-marias Bougainvillea spp. Brinco-de-princesa Fuchsia hybrida Cipó-uva Cissus rhombifolia Unha-de-gato, herinha, falsa-hera Ficus pumila

6.5 Forrações

São espécies vegetais utilizadas para promover a cobertura do solo. As forrações são também plantas herbáceas, usadas para revestir o solo, com a diferença de que não suportam o pisoteio, como os gramados. Exemplo de forrações Nome comum Nome científico Amendoim-rasteiro Arachis repens Azulzinha, evólvulos Evolvulus glomeratus Cacto-margarida Lampranthus productus Cinerária Senecio douglasii Grama-preta Ophiopogon japonicus Rabo-de-gato, acalifa-rasteira Acalypha reptans Maria-sem-vergonha, beijo-turco Impatiens walleriana

6.6 Gramados

Os gramados, em particular, representam quase sempre de 60 a 80% da área ajardinada. As espécies de grama, em geral, necessitam de sol pleno ou meia-luz para se desenvolverem bem.

Exemplos de Folhagens Nome comum Nome científico Calatéia-prateada Calathea aegyraea Filodendro Philodendron renauxii Incenso, planta-vela Plectranthus coleoides Jibóia Scindapsus aureus Maranta-cascavel Calathea insignis

6.9 Plantas entoucerantes

São espécies que, por causa do seu crescimento vigoroso, formam touceiras que poderão, posteriormente, em uma fase de propagação, ser divididas e formar novas touceiras. Exemplos de plantas entoucerantes Nome comum Nome científico Bambu-de-jardim, bambuzinho Bambusa gracilis Estrelítzia, flor-ave-do-paraíso Strelitzia reginae Helicônia-papagaio Heliconia psittacorum Moréia-bicolor Dietes bicolor Papiro-do-egito Cyperus papyrus

6.10 Plantas aquáticas

Exemplos de plantas aquáticas Nome comum Nome científico Aguapé, papuda Eichhornia crassipes Lótus, lótus-da-índia Nelumbo nucifera Ninféia-azul, lírio-d’água Nymphaea caerulea Vitória-régia Victoria amazonica Taboa Typha domingensis

6.11 Plantas tóxicas

Exemplos de plantas tóxicas Nome comum Nome científico Parte tóxica Alamanda Allamanda cathartica Flor e folha Batata-do-inferno Jathrofa podagrica Toda planta Bico-de-papagaio Euphorbia pulcherrima Látex Buxinho Buxus sempervirens Folha Comigo-ninguém-pode Dieffenbachia amoena Folha e caule Coroa-de-cristo Euphorbia milii Látex Cróton Codieaeum variegatum Semente Espirradeira Nerium oleander Toda a planta Trombeteira Brugmansia arborea Semente

7 PROPAGAÇÃO DE PLANTAS

7.1 Multiplicação por sementes

O uso de sementes é o principal método para propagação das plantas anuais e bienais. As sementes são colocadas em substrato próprio, enterradas em uma profundidade correspondente a duas vezes o seu tamanho e então irrigadas utilizando jato leve através de crivo fino. A germinação ocorre melhor em temperaturas entre 20- 24 0 C. Exemplos de algumas plantas multiplicadas por sementes: Nome comum Nome científico Boca-de-leão Antirrhinum majus Ardísia Ardisia crenata Margaridinha Bellis perennis Sapatinho-de-vênus Calceolaria herbeohybrida