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Notas de Álgebra Linear da última aula de Álgebra Linear II na UNIMONTES.
Tipologia: Notas de aula
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Em outras palavras, o corolário nos garante que, se conseguirmos encontrar tantos autovalores distintos quanto for a dimensão do espaço, podemos garantir a existência de uma base de autovetores.
Denição 2.1. Dizemos que o operador linear T : V → V é um operador diagonalizável se existe uma base de V cujos elementos são autovetores de T.
Portanto, de acordo com o corolário acima, para vericar se um operador linear é di- agonalizável, basta mostrar que a matriz associada a esse operador possui n autovalores distintos.
Exemplo 2.2. Verique que T : R^3 → R^3 dado por T (x, y, z) = (3x− 3 y− 4 z, 3 y+5z, −z), não é diagonalizável. A matriz associada a esse operador linear em relação à base canônica é
A = [T ]αα =
portanto, o seu polinômio característico é dado por det(A − λI 3 ) e seus autovalores são as soluções da equação característica det(A − λI 3 ). Para o nosso exemplo, temos
A − λI 3 =
3 − 3 − 4 0 3 5 0 0 − 1
−
λ 0 0 0 λ 0 0 0 λ
=
3 − λ − 3 − 4 0 3 − λ 5 0 0 − 1 − λ
Então, P (λ) = 0 ⇐⇒ det(A − λI 3 ) = (3 − λ)^2 (− 1 − λ) = 0 ⇐⇒ λ 1 = 3 e λ 2 = − 1.
(A − 3 I 3 )v = 0 ⇐⇒
0 − 3 − 4 0 0 5 0 0 − 4
x y z
=
0 0 0
⇐⇒
− 3 y − 4 z = 0 5 z = 0 − 4 z = 0
⇐⇒ x = α e y = z = 0. Portanto, W 1 = {(α, 0 , 0) | α ∈ R} = {α(1, 0 , 0) | α ∈ R}
(A+I 3 )v = 0 ⇐⇒
4 − 3 − 4 0 4 5 0 0 0
x y z
=
0 0 0
⇐⇒
4 x − 3 y − 4 z = 0 4 y + 5 z = 0 0 = 0
⇐⇒ x = 16 α , y = −^54 α e z = α. Portanto, W 2 = {( 16 α , −^54 α, α) | α ∈ R} = {α( 161 , −^54 , 1) | α ∈ R} Neste caso, temos apenas dois autovetores L.I para T , e portanto não existe uma base de R^3 constituída só de autovetores de T. Isto signica este operador não é diagonalizável.
Exemplo 2.3. Mostre que T : R^2 → R^2 onde T (x, y) = (− 3 x + 4y, −x + 2y), é diagonalizável. De acordo com o que estudamos anteriormente, para mostrar que T é diagonalizável, basta vericar que a matriz associada a este operador linear possui o número de autoval- ores distintos igual a 2, pois neste caso, V = R^2 e dim(R^2 ) = 2.
Pois bem, em relação à base canônica α, temos que A = [T ]αα =
. Logo,
det(A − λI 2 ) = 0 ⇐⇒ det
−^3 −^ λ^4 − 1 2 − λ
(^) = 0 ⇐⇒ (− 3 − λ)(2 − λ) + 4 = 0
⇐⇒ λ^2 + λ − 2 = 0 ⇐⇒ λ 1 = 1 e λ 2 = − 2.
Como a matriz A possui dois autovalores distintos, pelo Corolário 1.5, V = R^2 possui uma base formada por autovetores de T. E portanto, pela Denição 2.1, T é diagonalizável.
Exemplo 2.4. No exemplo anterior, vimos que λ 1 = 1 6 = λ 2 = − 2. O leitor pode vericar que dois autovetores linearmente independentes associados a λ 1 e λ 2 são, respectivamente, V 1 = (1, 1) e V 2 = (4, 1). Pelo Corolário 1.5, uma base de V = R^2 é β = {V 1 , V 2 }. Vamos encontrar [T ]ββ e observar de que tipo ela será.
ii. P (x, y 1 + y 2 ) = x(y 1 + y 2 ) = xy 1 + xy 2 = P (x, y 1 ) + P (x, y 2 ) P (x, ay) = xay = a(xy) = aP (x, y)
Exemplo 3.3. Seja V um espaço vetorial com produto interno 〈, 〉. O operador linear B : V X V → R denido por (v, w) 7 → 〈v, w〉 é uma forma bilinear pelas propriedades de produto interno.
Seja V um espaço vetorial e B : V X V → R uma forma bilinear. Se α = {v 1 , ..., vn} é uma base de V , podemos associar a B uma matriz ([B]αα), denominada matriz da forma bilinear B, na base α, da seguinte forma:
Como α é base de V , tomando v, w ∈ V podemos escrever
v = x 1 v 1 + ... + xnvn e w = y 1 v 1 + ... + ynvn.
Então,
B(v, w) = [x 1 ... xn] ·
B(v 1 , v 1 ) · · · B(v 1 , vn) ...... ... B(vn, v 1 ) · · · B(vn, vn)
y 1 ... yn
Portanto,
Exemplo 3.4. Seja B : R^2 X R^2 → R a forma bilinear dada por B(v, w) = −x 1 y 1 + 2 x 2 y 1 + 5x 2 y 2 onde v = (x 1 , x 2 ) e w = (y 1 , y 2 ). Então, se α = {e 1 , e 2 } é a base canônica de R^2 , temos:
B(e 1 , e 1 ) = B((1, 0), (1, 0)) = − 1 · 1 + 2 · 0 · 1 + 5 · 0 · 0 = − 1 B(e 2 , e 1 ) = B((0, 1), (1, 0)) = − 0 · 1 + 2 · 1 · 1 + 5 · 1 · 0 = 2 B(e 1 , e 2 ) = B((1, 0), (0, 1)) = − 1 · 0 + 2 · 0 · 0 + 5 · 0 · 1 = 0 B(e 2 , e 2 ) = B((0, 1), (0, 1)) = − 0 · 0 + 2 · 1 · 0 + 5 · 1 · 1 = 5
Então,
[B]αα =
B(e^1 , e^1 )^ B(e^1 , e^2 ) B(e 2 , e 1 ) B(e 2 , e 2 )
e
B(v, w) = [x 1 x 2 ] ·
y^1 y 2
(^) = [v]′ α · [B]αα · [w]α
Exemplo 3.5. Seja M =
. É possível associar a^ M^ uma forma bilinear
B : R^3 X R^3 → R denida por
B((x 1 , x 2 , x 3 ), (y 1 , y 2 , y 3 )) = [x 1 x 2 x 3 ] ·
y 1 y 2 y 3
Então, B((x 1 , x 2 , x 3 ), (y 1 , y 2 , y 3 )) = − 2 x 1 y 1 + 4x 2 y 1 + 2x 2 y 2 + 2x 3 y 3.
Denição 3.6. Uma forma bilinear B : V X V → R é denominada forma bilinear simétrica se B(v, w) = B(w, v), ∀ v, w ∈ V.
Exemplo 3.7. B(v, w) = 〈v, w〉, onde 〈, 〉 é um produto interno em V.
Exemplo 3.8. B : R^2 X R^2 → R dada por B(v, w) = −x 1 y 1 + 3x 2 y 1 + 3x 1 y 2 + 2x 2 y 2 , onde v = (x 1 , x 2 ) e w = (y 1 , y 2 ) (Verique!).
Exemplo 3.9. Vamos encontrar a matriz da forma bilinear acima, utilizando a base canônica α, [B]αα.
No exemplo acima, V = R^2 =⇒ α = {e 1 , e 2 } é uma base de V. Logo, B(e 1 , e 1 ) = B((1, 0), (1, 0)) = − 1 · 1 + 3 · 0 · 1 + 3 · 1 · 0 + 2 · 0 · 0 = − 1 B(e 1 , e 2 ) = B((1, 0), (0, 1)) = − 1 · 0 + 3 · 0 · 0 + 3 · 1 · 1 + 2 · 0 · 1 = 3
Partição de uma Matriz em Blocos: Particionar uma matriz A qualquer em blocos, signica dividir esta matriz em submatrizes.
Exemplo 4.1. Se A =
1 − 2 π √ 3 6 − 7 2 − 1 − 7 − 3 − 9 0
, uma das possíveis subdivisões de A é
A =
1 − 2 π √ 3 6 − 7 2 − 1 − 7 − 3 − 9 0
=
A^11 A^12 A 13 A 14
,
onde,
A 11 =
( 1 − 2 π
) , A 12 =
( (^) √ 3
) , A 13 =
6 −^7 − 7 − 3 − 9
(^) e A 14 =
−^1 0
(^) ,
são os blocos da subdivisão da matriz original A.
Já estudamos que nem todo operador linear T : V → V é diagonalizável, ou seja, nem sempre existe uma base β de V tal que a matriz [T ]ββ é diagonal. Entretanto, para várias aplicações, é suciente que exista uma base β tal que a matriz [T ]ββ tenha uma forma bem próxima da forma diagonal. Essa forma é denominada forma canônica de Jordan.
Denição 4.2. Uma matriz J, nxn, está na forma canônica de Jordan, se ela é da forma
para j = 1, ..., k. Jλj é chamado bloco de Jordan.
Exemplo 4.3. A =
2 0 0 0 1 2 0 0 0 1 2 0 0 0 0 2
está na forma canônica de Jordan e é formada
por dois blocos de Jordan, o primeiro sendo 3 x 3 e o segundo 1 x 1.
Exemplo 4.4. B =
5 0 0 0 1 5 0 0 0 0 − 3 0 0 0 1 − 3
está na forma canônica de Jordan e é formada
por dois blocos de Jordan, ambos 2 x 2.
Exemplo 4.5. C =
− 4 0 0 0 1 − 4 0 0 0 1 − 4 0 0 0 1 − 4
está na forma canônica de Jordan e é for-
mada por apenas um bloco de Jordan.
Exemplo 4.6. D =
7 0 0 0 0 7 0 0 0 0 7 0 0 0 0 7
está na forma canônica de Jordan e é formada
por 4 blocos 1 x 1.
Exemplo 4.7. E =
2 0 0 0 1 2 0 0 0 1 2 0 0 0 1 − 1
não está na forma canônica de Jordan. Pois
como os elementos da diagonal principal não são iguais, ela teria que ser formada por pelo menos dois blocos de Jordan e [−1] deveria ser um bloco de Jordan 1 x 1.
[1] BOLDRINI, J. L (et al.). Álgebra Linear, 3a^ edição. Editora Harbra ltda. São Paulo, 1980.
[2] CALLIOLI, H. e ROBERTO C. Álgebra Linear e Aplicações - Nova Edição.
[3] LIMA, E.L. Álgebra Linear, 7a^ edição - Coleção Matemática Universitária - IMPA.
[4] LANG, S. Álgebra Linear - Editora Edgar Blucher Ltda, SP.
[4] SANTOS, R.J. Introdução à Álgebra Linear - Editora UFMG - Belo Horizonte.
[5] SANTOS, R.J. Álgebra Linear e Aplicações - Editora UFMG - Belo Horizonte.