Docsity
Docsity

Prepare-se para as provas
Prepare-se para as provas

Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity


Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos para baixar

Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium


Guias e Dicas
Guias e Dicas


O Homem Integral, Notas de estudo de Administração Empresarial

- - - - - - -

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 25/03/2008

michelle-cerqueira-8
michelle-cerqueira-8 🇧🇷

1 documento

1 / 109

Toggle sidebar

Esta página não é visível na pré-visualização

Não perca as partes importantes!

bg1
O HOMEM INTEGRAL
DIVALDO PEREIRA FRANCO
DITADO PELO ESPÍRITO JOANNA DE ÂNGELIS
PAGE 1
pf3
pf4
pf5
pf8
pf9
pfa
pfd
pfe
pff
pf12
pf13
pf14
pf15
pf16
pf17
pf18
pf19
pf1a
pf1b
pf1c
pf1d
pf1e
pf1f
pf20
pf21
pf22
pf23
pf24
pf25
pf26
pf27
pf28
pf29
pf2a
pf2b
pf2c
pf2d
pf2e
pf2f
pf30
pf31
pf32
pf33
pf34
pf35
pf36
pf37
pf38
pf39
pf3a
pf3b
pf3c
pf3d
pf3e
pf3f
pf40
pf41
pf42
pf43
pf44
pf45
pf46
pf47
pf48
pf49
pf4a
pf4b
pf4c
pf4d
pf4e
pf4f
pf50
pf51
pf52
pf53
pf54
pf55
pf56
pf57
pf58
pf59
pf5a
pf5b
pf5c
pf5d
pf5e
pf5f
pf60
pf61
pf62
pf63
pf64

Pré-visualização parcial do texto

Baixe O Homem Integral e outras Notas de estudo em PDF para Administração Empresarial, somente na Docsity!

O HOMEM INTEGRAL

DIVALDO PEREIRA FRANCO

DITADO PELO ESPÍRITO JOANNA DE ÂNGELIS

ÍNDICE

O Homem Integral

PRIMEIRA PARTE CAPÍTULO 1 = FATORES DE PERTUBAÇÃO CAPÍTULO 2 = A rotina CAPÍTULO 3 = A ansiedade CAPÍTULO 4 = Medo CAPÍTULO 5 = Solidão CAPÍTULO 6 = Liberdade

SEGUNDA PARTE - ESTRANHOS RUMOS, SEGUROS ROTEIROS

CAPÍTULO 7 = Homens-aparência CAPÍTULO 8 = Fobia social CAPÍTULO 9 = Ódio e suicídio CAPÍTULO 10 = Mitos

TERCEIRA PARTE - A BUSCA DA REALIDADE CAPÍTULO 11 = Auto-descobrimento CAPÍTULO 12 = Consciência ética CAPÍTULO 13 = Religião e religiosidade

QUARTA PARTE - O HOMEM EM BUSCA DO ÊXITO CAPÍTULO 14 = Insegurança e crises CAPÍTULO 15 = Conflitos degenerativos da sociedade CAPÍTULO 16 = O primeiro lugar e o homem indispensável

QUINTA PARTE - DOENÇAS CONTEMPORÂNEAS

CAPÍTULO 17 = O conceito de saúde CAPÍTULO 18 = Os comportamentos neuróticos CAPÍTULO 19 = Doenças físicas e mentais CAPÍTULO 20 = A tragédia do cotidiano CAPÍTULO 21 = O homem moderno

SEXTA PARTE - MATURIDADE PSICOLÓGICA

CAPÍTULO 22 = Mecanismos de evasão CAPÍTULO 23 = O problema do espaço CAPÍTULO 24 = A reconquista da identidade CAPÍTULO 25 = Ter e ser CAPÍTULO 26 = Observador, observação e observado CAPÍTULO 27 = O devir psicológico

SÉTIMA PARTE - PLENIFICAÇÃO INTERIOR

CAPÍTULO 28 = Problemas sexuais CAPÍTULO 29 = Relacionamentos perturbadores CAPÍTULO 30 = Manutenção de propósitos CAPÍTULO 31 = Leis cármicas e felicidade

OITAVA PARTE - O HOMEM PERANTE A CONSCIÊNCIA

CAPÍTULO 32 = Nascimento da consciência

O Homem Integral

As enciclopédias definem o homem como um “animal racional, moral e social, mamífero, bípede, bímano, capaz de linguagem articulada, que ocupa o primeiro lugar na escala zoológica; ser humano...” O momento mais eloqüente do seu processo evolutivo deu-se quando adquiriu a consciência para discernir o bem do mal, a verdade da impostura, o certo do errado, prosseguindo na marcha ascensional que o conduzirá às culminâncias da angelitude. 0 0 Estudado largamente através dos séculos, Pitágoras afir 0 0 1 F mava que ele (o homem) é a medida de todas as coisas, en1 F quanto Sócrates elucidava ser o 0 0 objeto mais direto da preo1 F cupação filosófica. (^) 0 0 Durante o estoicismo e o neoplatonismo houve uma pre1 F ocupação para que ocorresse a “dissolução do homem em a Natureza”, mesmo aí revelando a grande preocupação de ambas as escolas com este ser admirável. Na conceituação cristã ele “transcende o mundo”, em uma dimensão totalmente diferente desta. Já o racionalismo o considera, desde Descartes, como o “ser pensante por excelência, como a razão que compreende e explica o mundo e a si mesma.” No espiritualismo idealista o “espírito tem a primazia em tudo que se 0 0 relaciona com o mundo e a vida humana”, en1 F quanto que para o materialismo o “espírito não é mais que uma forma de atividade da matéria que, em determinada fase de sua evolução, de formas simples para outras mais 0 0 comple1 F xas, adquiriu consciência...” (^) 0 0 Mivart, o célebre naturalista inglês, analisando, psicolo1 F gicamente, o homem, esclarece que ele “difere dos outros animais pelas características da 0 0 abstração, da percepção inte1 F lectual, da consciência de si mesmo, da reflexão, da memória racional, do julgamento, da síntese e indução intelectual, do 0 0 raciocínio, da intuição intelectual, das emoções e sentimen1 F tos superiores, da linguagem racional, do verdadeiro poder de vontade.” 0 0 Sócrates e Platão estabeleceram que o homem era o re1 F sultado do ser ou Espírito imortal e do não ser ou sua matéria que, unidos, lhe facultavam o processo de evolução. 0 0 Os filósofos atomistas reduziam-no ao capricho das par1 F tículas que, em se desarticulando, aniquilavam-se através do fenômeno biológico da morte. Jesus, superando todos os limites do conhecimento, fez-se o biótipo do 0 0 Homem Integral, por haver desenvolvido to1 F das as aptidões herdadas de Deus, na condição de ser mais perfeito de que se tem notícia. Toda a Sua vida é modelar, tornando-se o exemplo a ser seguido, para o logro da plenitude, de quem deseja libertação real. 0 0 A Filosofia, mediante as suas diversas escolas, tem pro 0 0 1 F curado oferecer ao homem caminhos que o felicitem em con1 F tínuas tentativas de interpretar a vida e entendê-lo. 0 0 A Psicologia, que inicialmente se confundia com a estru1 F tura filosófica, de passo em passo libertou-se de seu jugo e, buscando estudar a psique, 0 0 alcançou, na atualidade, 0 0 expres1 F são de relevo para a compreensão do homem, dos seus pro1 F blemas e seus desafios psicológicos. A multiplicidade de tendências ora vigentes, nessa área, comprova o 0 0 interesse dos estudiosos desta e de outras disci1 F plinas do conhecimento, buscando a libertação do indivíduo em relação aos desafios e dificuldades que o afligem.

Algo recentemente (1966) surgiu, nos Estados Unidos, a quarta força em Psicologia, que é a Transpessoal, ampliando o campo de investigação além do 0 0 Behaviorismo, da Psicaná1 F lise e da Psicologia Humanista, fornecendo mais 0 0 amplos es1 F clarecimentos sobre o homem integral... (^) 0 0 Os seus pioneiros vieram dos quadros da Psicologia Hu1 F manista, facultando a introdução de alguns ensinamentos e experiências orientais, graças aos quais abrem espaços para uma visão espiritualista do ser humano 0 0 em maior profundi1 F dade. (^) 0 0 O Espiritismo, por sua vez, sintetizando diversas corren1 F tes de pensamento psicológico e estudando o homem na sua condição de Espírito eterno, apresenta a proposta de um comportamento filosófico idealista, imortalista, auxiliando-o na equação dos seus problemas, sem violência e com base na 0 0 reencarnação, apontando-lhe os rumos felizes que deve se1 F guir. Na presente Obra fazemos um estudo de diversos fatores de perturbação psicológica, procurando oferecer terapias de fácil aplicação, fundamentadas na análise do homem à luz do Evangelho e do Espiritismo, de forma a auxiliá-lo no 0 0 equilí1 F brio e no amadurecimento emocional, tendo sempre como ser ideal Jesus, o Homem Integral de todos os tempos. 0 0 Embora reconheçamos singela a nossa contribuição, es1 F peramos de alguma forma auxiliar aqueles que nos leiam com real desejo de renovação e de aquisição de saúde psicológica, consciente de havermos feito o máximo ao nosso alcance, neste grave momento da Humanidade.

Salvador, 20 de fevereiro de 1990. Joanna de Ângelis

FATORES DE PERTURBAÇÃO

0 0 A segunda metade do Século 19 transcorre numa Eurá1 F sia sacudida pelas contínuas calamidades guerreiras, que se sucedem, truanescas, dizimando vidas e povos. 0 0 As admiráveis conquistas da Ciência que se apóia na Tec 0 0 1 F nologia, não logram harmonizar o homem belicoso e insatis1 F feito, que se deixa dominar 0 0 pela vaga do materialismo-utili 0 0 1 F tarista, que o transforma num amontoado orgânico que pen1 F sa, a caminho de aniquilamento no túmulo. Possuir, dominar e gozar por um momento, são a meta a que se atira, desarvorado. 0 0 Mal se encerra a guerra da Criméia, em 1856, e já se in 0 0 1 F quietam os exércitos para a hecatombe franco-prussiana, cu 0 0 1 F jos efeitos estouram em 1914, envolvendo o imenso conti1 F nente na loucura selvagem que ameaça de consumição a tudo e a todos. 0 0 O Armistício, assinado em nome da paz, fomentou o ex1 F plodir da Segunda Guerra Mundial, que sacudiu o Orbe em seus quadrantes. Somando-se efeitos a novas causas, surge a Guerra Fria, que se expande pelo sudeste asiático em contínuos conflitos lamentáveis, em nome de ideologias alienígenas, disfarçadas de interesses nacionais, nos quais, os armamentos superados são utilizados, abrindo espaços nos depósitos para outros mais sofisticados e destrutivos... Abrem-se chagas purulentas que aturdem o pensamento, dores inomináveis rasgam os sentimentos asselvajando os indivíduos. 0 0 O medo e o cinismo dão-se as mãos em conciliábulo ir1 F reconciliável. A Guerra dos seis dias, entre árabes e judeus, abre sulcos profundos na economia mundial, erguendo o deus petróleo a uma condição jamais esperada. Os holocaustos sucedem-se. Os crimes hediondos em nome da liberdade se acumulam e os tribunais de justiça os apóiam. O homem é reduzido à ínfima condição no “apartheid”, nas lutas de classes, na ingestão e uso de alcoólicos e drogas alucinógenas como abismo de fuga 0 0 para a loucura e o suici1 F dio. (^) 0 0 Movimentos filosóficos absurdos arregimentam as men1 F tes jovens e 0 0 desiludidas em nome do Nadaísmo, do Existen1 F cialismo, do Hippieísmo e de comportamentos extravagantes mais recentes, mais agressivos, mais 0 0 primários, mais violen1 F tos. O homem moderno estertora, enquanto viaja em naves superconfortáveis fora da atmosfera e dentro dela, vencendo as distâncias, interpretando os desafios e enigmas cósmicos. 0 0 A sonda investigadora penetra o âmago da vida micros 0 0 1 F cópica e abre todo um universo para informações e esclareci1 F mentos salvadores. Há esperança para terríveis enfermidades que destruíram gerações, 0 0 enquanto surgem novas doenças totalmente pertur1 F badoras. A perplexidade domina as paisagens humanas. 0 0 A gritante miséria econômica e o agressivo abandono so1 F cial fazem das cidades hodiernas o palco para o crime, no qual a criatura vale o que conduz, perdendo os bens materiais e a vida em circunstâncias inimagináveis. Há uma psicosfera de temor asfixiante enquanto emerge do imo do homem a indiferença pela ordem, pelos valores éticos, pela existência corporal.

Desumaniza-se o indivíduo, entregando-se ao pavor, ou gerando-o, ou indiferente a ele. 0 0 Os distúrbios de comportamento aumentam e o despauté1 F rio desgoverna. 0 0 Uma imediata, urgente reação emocional, cultural, religi1 F osa, psicológica, surge, e o homem voltará a identificar-se consigo mesmo. 0 0 A sua identidade cósmica é o primeiro passo a dar, abrin1 F do-se ao amor, que gera confiança, que arranca da negação e o irisa de luz, de beleza, de esperança. 0 0 A grande noite que constringe é, também, o início da al1 F vorada que surge. Neste homem atribulado dos nossos dias, a Divindade deposita a confiança em favor de uma renovação para um mundo melhor e uma sociedade mais feliz. Buscar os valores que lhe dormem soterrados no íntimo é a razão de sua existência corporal, no momento. Encontrar-se com a vida, enfrentá-la e triunfar, eis o seu fanal.

0 0 neuro1 F ses que a monotonia engendra. O homem é um mamífero biossocial, construído para experiências e iniciativas constantes, renovadoras. 0 0 A sua vida é resultado de bilhões de anos de transforma 0 0 1 F ções celulares, sob o comando do Espírito, que elaborou equi1 F pamentos orgânicos e psíquicos para as respostas evolutivas que a futura perfeição lhe exige. 0 0 O trabalho constitui-lhe estímulo aos valores que lhe dor1 F mem latentes, 0 0 aguardando despertamento, ampliação, desdo1 F bramento. (^) 0 0 Deixando que esse potencial permaneça inativo por indo1 F lência ou rotina, a frustração emocional entorpece os sentimentos do ser ou leva-o à violência, ao crime, como processo de libertação da masmorra que ele mesmo construiu, nela encarcerando-se. 0 0 Subitamente, qual correnteza contida que arrebenta a bar1 F ragem, rompe os limites do habitual e dá vazão aos conflitos, aos instintos agressivos, tombando em processos alucinados de desequilíbrios e choque. 0 0 Nesse sentido, os suportes morais e espirituais contribu1 F em para a 0 0 mudança da rotina, abrindo espaços mentais e emo 0 0 1 F cionais para o idealismo do amor ao próximo, da solidarieda1 F de, dos serviços de enobrecimento humano. O homem se deve renovar incessantemente, alterando para melhor os 0 0 hábitos e atividades, motivando-se para o aprimo1 F ramento íntimo, com conseqüente movimentação das forças que fomentam o progresso pessoal e 0 0 comunitário, a benefí1 F cio da sociedade em geral. Face a esse esforço e empenho, o homem interior sobrepõe-se ao exterior, 0 0 social, trabalhado pelos atavismos das re1 F pressões e castrações, propondo conceitos mais dignos de convivência humana, em consonância com as 0 0 ambições es1 F pirituais que lhe passam a comandar as disposições íntimas. O excesso de tecnologia, que aparentemente resolveria os problemas humanos, engendrou novos dramas e conflitos comportamentais, na rotina degradante, que necessitam ser reexaminados para posterior correção. O individualismo, que deu ênfase ao enganoso conceito do homem de ferro e da mulher boneca, objeto de luxo e de inutilidade, cedeu lugar ao coletivismo 0 0 consumista, sem iden 0 0 1 F tidade, em que os valores obedecem a novos padrões 1 F

0 0 de críti ca e de aceitação para os triunfos imediatos sob os altos pre1 F ços da destruição do indivíduo como pessoa racional e livre. A liberdade custa um alto preço e deve ser conquistada na grande luta que se trava no cotidiano. 0 0 Liberdade de ser e atuar, de ter respeitados os seus valo1 F res e opções de discernir e aplicar, considerando, naturalmente, os códigos éticos e sociais, sem a submissão acomodada e indiferente aos padrões de conveniência dos 0 0 grupos domi1 F nantes. A escala de interesses, apequenando o homem, brinda-o com prêmios que 0 0 foram estabelecidos pelo sistema desuma1 F no, sem participação do indivíduo 0 0 como célula viva e pen1 F sante do conjunto geral. Como profilaxia e terapêutica eficaz, existem os desafios propostos por Jesus, que são de grande utilidade, induzindo a criatura a dar passos mais largos e audaciosos do que aqueles que levam na direção dos breves objetivos 0 0 da existência ape1 F nas material. (^) 0 0 A desenvoltura das propostas evangélicas facilita a rup 0 0 1 F tura da rotina, dando saudável dinâmica para uma vida inte1 F gral em favor do homem-espírito 0 0 eterno e não apenas da má1 F quina humana pensante a caminho do túmulo, da dissolução, do esquecimento.

0 0 Não apenas identificação das suas necessidades, mas, prin1 F cipalmente, da sua realidade emocional, das suas aspirações legítimas e reações diante das ocorrências do cotidiano. 0 0 Mediante o aprofundamento das descobertas íntimas, al1 F tera-se a escala de valores e surgem novos significados para a sua luta, que contribuem para a 0 0 tranqüilidade e a autoconfi1 F ança. Não há, em realidade, segurança enquanto se transita no corpo físico. 0 0 A organização mais saudável durante um período, debili 0 0 1 F ta-se em outro, assim como os melhores equipamentos orgâ 0 0 1 F nicos e psíquicos sofrem natural desgaste e consumição, dan1 F do lugar às enfermidades e à morte, que também é fenômeno da vida. A ansiedade trabalha contra a estabilidade do corpo e da emoção. A análise cuidadosa da existência planetária e das suas finalidades proporciona a vivência salutar da oportunidade orgânica, sem o apego mórbido 0 0 ao corpo nem o medo de per1 F dê-lo. Os ideais espiritualistas, o conhecimento da sobrevivência à morte física 0 0 tranqüilizam o homem, fazendo que consi1 F dere a transitoriedade do corpo e a perenidade da vida, da qual ninguém se eximirá. 0 0 Apegado aos conflitos da competição humana ou deixan1 F do-se vencer pela 0 0 acomodação, o homem desvia-se 0 0 da finali1 F dade essencial da existência terrena, que se resume na aplica1 F ção do tempo para a aquisição dos recursos 0 0 eternos, propici1 F adores da beleza, da paz, da perfeição. O pandemônio gerado pelo excesso de tecnologia e de conforto material 0 0 nas chamadas classes superiores, com ab1 F soluta indiferença pela humanidade dos guetos e favelas, em promiscuidade assustadora, revela a falência da 0 0 cultura e da ética estribada no imediatismo materialista com o seu arro1 F gante desprezo pelo espiritualismo. Certamente, ao fanatismo e proibição espiritualista de caráter medieval, que 0 0 ocultavam as feridas morais dos ho1 F mens, sob o disfarce da hipocrisia, o surgimento avassalador da onda de cinismo materialista seria inevitável. No 0 0 entanto, o abuso da falsa cultura desnaturada, que pretendeu solucio1 F nar os problemas humanos de profundidade como reparava os desajustes das engrenagens das máquinas que construiu, resultou na correria alucinada para 0 0 lugar nenhum e pela con1 F quista de coisas mortas, incapazes de minimizar a saudade, de preencher a solidão, de acalmar a ansiedade, de evitar a dor, a doença e a morte... Magnatas, embora triunfantes, proíbem que se pronuncie o nome da morte diante deles. 0 0 Capitães de monopólios recusam-se a sair à rua, para evi1 F tarem contágio 0 0 de enfermidades, e alguns impõem, para vi1 F ver, ambientes assepsiados, tentando driblar o processo de degeneração celular. Ases da beleza cercam-se de jovens, receando a velhice, e utilizam-se de 0 0 estimulantes para preservarem o corpo, apli1 F cando-se massagens, exercícios, 0 0 cirurgias plásticas, muscu1 F lação e, não obstante, acompanham a degeneração física e mental, ansiosos, desventurados. Propalando-se que as conquistas morais fazem parte das instituições 0 0 vencidas — matrimônio, família, lar — os apani1 F guados da loucura crêem que aplicam, na velha doença das proibições passadas, uma terapêutica ideal. E olvidam-se que o exagero de medicamento utilizado em uma doença, gera danos maiores do que aqueles que eram sofridos. A sociedade atual sofre a terapia desordenada que usou na enfermidade 0 0 antiga do homem, que ora se revela mais de1 F bilitado do que antes.

0 0 São válidas, para este momento de ansiedade, de insatis1 F fação, de 0 0 tormento, as lições do Cristo sobre o amor ao pró 0 0 1 F ximo, a solidariedade fraternal, a compaixão, ao lado da ora1 F ção, geradora de energias otimistas e da fé, propiciadora de equilíbrio e paz, para uma vida realmente feliz, que baste ao homem conforme se apresente, sem as disputas conflitantes do passado, nem a acomodação coletivista do presente.

Procedentes dos guetos morais, querem reverter a ordem que os apavora, revolucionando com atrevimento, face ao insólito, o comportamento vigente. Os antigos ídolos, que condenaram a década de 20 e 30 como a da 0 0 “geração perdida”, produziram a atual (^) 0 0“era da in1 F segurança”, na qual malograram as profecias exageradamen1 F te otimistas dos apaniguados do 0 0 prazer em exaustão, fabri1 F cando os super-homens da mídia que, em análise última, são mais frágeis do que os seus adoradores, pois que não passam de heróis da frustração. Guindados às posições de liderança, descambaram, esses novos 0 0 condutores, em lamentáveis desditas, consumidos pe1 F las drogas, vencidos 0 0 pelas enfermidades ainda não controla1 F das, pelos suicídios discretos ou espetaculares. A alucinação generalizada certamente aumenta o medo nos temperamentos frágeis, nas constituições emocionais de pouca resistência, de começo, no 0 0 indivíduo, depois, na soci1 F edade. Esta é uma sociedade amedrontada. As gerações anteriores também cultivaram os seus medos de origem atávica e de receios ocasionais. O excesso de tecnicismo com a correspondente ausência de solidariedade 0 0 humana produziram a avalanche dos recei1 F os. (^) 0 0 A superpopulação tomando os espaços e a tecnologia re1 F duzindo as 0 0 distâncias arrebataram a fictícia segurança indivi1 F dual, que os grupos passaram a controlar, e as conseqüências da insânia que cresce são imprevistas. 0 0 Urge uma revisão de conceitos, uma mudança de condu1 F ta, um reestudo 0 0 da coragem para a imediata aplicação no or1 F ganismo social e individual necrosado. 0 0 Todavia, é no cerne do ser — o Espírito — que se encon1 F tram as causas matrizes desse inimigo rude da vida, que é o medo. 0 0 Os fenômenos fóbicos procedem das experiências passa1 F das — reencarnações fracassadas —, nas quais a culpa não foi liberada, face ao 0 0 crime haver permanecido oculto, ou dissi1 F mulado, ou não justiçado, 0 0 transferindo-se a consciência fal1 F tosa para posterior regularização. Ocorrências de grande impacto negativo, pavores, urdi-duras perversas, homicídios programados com requintes de crueldade, traições infames sob 0 0 disfarces de sorrisos produ1 F ziram a atual consciência de culpa, de que padecem muitos atemorizados de hoje, no inter-relacionamento pessoal. 0 0 Outrossim, catalépticos sepultados vivos, que desperta 0 0 1 F ram na tumba e vieram a falecer depois, por falta de oxigê1 F nio, reencarnam-se vitimados pelas 0 0 profundas claustrofobi1 F as, vivendo em precárias condições de sanidade mental. O medo é fator dissolvente na organização psíquica do homem, 0 0 predispondo-o, por somatização, a enfermidades di1 F versas que aguardam 0 0 correta diagnose e específica terapêuti1 F ca. À medida que a consciência se expande e o indivíduo se abriga na fé 0 0 religiosa racional, na certeza da sua imortalida 0 0 1 F de, ele se liberta, se agiganta, recupera a identidade e huma1 F niza-se definitivamente, vencendo o medo e os 0 0 seus sequa1 F zes, sejam de ontem ou de agora.

Solidão

Espectro cruel que se origina nas paisagens do medo, a solidão é, na atualidade, um dos mais graves problemas que desafiam a cultura e o homem. 0 0 A necessidade de relacionamento humano, como meca1 F nismo de afirmação pessoal, tem gerado vários distúrbios de comportamento, nas 0 0 pessoas tímidas, nos indivíduos sensí1 F veis e em todos quantos enfrentam 0 0 problemas para um inter1 F câmbio de idéias, uma abertura emocional, uma convivência saudável. Enxameiam, por isso mesmo, na sociedade, os solitários por livre opção e aqueloutros que se consideram marginalizados ou são deixados à distância pelas conveniências dos grupos. A sociedade competitiva dispõe de pouco tempo para a cordialidade 0 0 desinteressada, para deter-se em labores a bene1 F fício de outrem. O atropelamento pela oportunidade do triunfo impede que o indivíduo, como 0 0 unidade essencial do grupo, receba consi1 F deração e respeito ou conceda ao próximo este apoio que gostaria de fruir. 0 0 A mídia exalta os triunfadores de agora, fazendo o pane1 F gírico dos grupos vitoriosos e esquecendo com facilidade os heróis de ontem, ao mesmo tempo que sepulta os valores do idealismo, sob a retumbante cobertura da insensatez e do oportunismo. O homem, no entanto, sem ideal, mumifica-se. O ideal é-lhe de vital importância, como o ar que respira. O sucesso social não exige, necessariamente, os valores intelecto-morais, 0 0 nem o vitalismo das idéias superiores, an1 F tes cobra os louros das circunstâncias favoráveis e se apóia na bem urdida promoção de mercado, para vender imagens e ilusões breves, continuamente substituídas, graças à rapidez com que devora as suas estrelas. Quem, portanto, não se vê projetado no caleidoscópio mágico do mundo fantástico, considera-se fracassado e recua para a solidão, em atitude de fuga 0 0 de uma realidade mentiro1 F sa, trabalhada em estúdios artificiais. 0 0 Parece muito importante, no comportamento social, rece1 F ber e ser recebido, como forma de triunfo, e o medo de não ser lembrado nas rodas bem 0 0 sucedidas, leva o homem a esta1 F dos de amarga solidão, de desprezo por si mesmo. O homem faz questão de ser visto, de estar cercado de bulha, de sorrisos embora sem profundidade afetiva, sem o calor sincero das amizades, nessas áreas, sempre superficiais e interesseiras. O medo de ser deixado em plano secundário, de não ter para onde ir, com quem conversar, significaria ser desconsiderado, atirado à solidão. Há uma terrível preocupação para ser visto, fotografado, comentando, 0 0 vendendo saúde, felicidade, mesmo que fictí1 F ci a. (^) 0 0 A conquista desse triunfo e a falta dele produzem soli1 F dão. 0 0 O irreal, que esconde o caráter legítimo e as lídimas aspi1 F rações do ser, conduz à psiconeurose de autodestruição. A ausência do aplauso amargura, face ao conceito falso em torno do que se considera, habitualmente como triunfo. Há terrível ânsia para ser-se amado, não para conquistar o amor e amar, porém para ser objeto de prazer, mascarado de afetividade. Dessa forma, no entanto, a pessoa se desama, não se torna amável nem amada realmente.

valiosos para vencer-se a solidão, saindo do arcabouço egoísta e ambicioso para a realização edificante onde quer que se esteja.

Liberdade

0 0 As pressões constantes geradoras de medo, não raro ex1 F trapolam em forma de violência propondo a liberdade. Sentindo-se coarctado nos movimentos, o animal reage àprisão e debate-se até à exaustão, na tentativa de libertar-se. Da mesma forma, o homem, sofrendo limites, aspira pela amplidão de horizontes e luta pela sua independência. É perfeitamente normal o empenho do cidadão em favor da sua libertação total, passo esse valioso na conquista de si mesmo. Todavia, pouco esclarecido e vitimado pelas com-pressões que o alucinam, utiliza-se dos instrumentos da 0 0 1 F

0 0 re beldia, desencadeando lutas e violência para lograr o que as1 F pira como condição fundamental de felicidade. A violência porém, jamais oferece a liberdade real. Arranca o indivíduo da opressão política, arrebenta-lhe as injunções 0 0 caóticas impostas pela sociedade injusta, favo1 F rece-o com terras e objetos, salários e haveres. Isto, porém, não é a liberdade, no seu sentido profundo. 0 0 São conquistas de natureza diferente, nas áreas das ne1 F cessidades dos grupos e aglomerados humanos, longe de ser a meta de plenitude, talvez constituindo um meio que faculte 0 0 a realização do próximo passo, que é o do autodescobrimen1 F to. A violência retém, porém não doa, já que sempre abre perspectivas para 0 0 futuros embates sob a ação de maiores cru1 F eldades. As guerras, que se sucedem, apóiam-se nos tratados de paz mal formulados, quando a violência selou, com sujeição, o destino da nação ou do povo submetido... O instinto de rebeldia faz parte da psique humana. A criança que se obstina usando a negativa, afirma a sua identidade, exteriorizando o anseio inconsciente de ser livre. Porque carece de responsabilidade, não pode entender o que tal significa. 0 0 Somente mediante a responsabilidade, o homem se liber1 F ta, sem tornar- se libertino ou insensato. A sociedade, que fala em nome das pessoas de sucesso, estabelece que a liberdade é o direito de fazer o que a cada qual apraz, sem dar-se conta de 0 0 que essa liberação da vonta1 F de, termina por interditar o direito dos outros, fomentando as lutas individuais, dos que se sentem impedidos, espocando nas 0 0 violências de grupos e classes, cujos direitos se encon1 F tram dilapidados. 0 0 Se cada indivíduo agir conforme achar melhor, conside1 F rando-se liberado, essa atitude trabalha em favor da anarquia, responsável por desmandos sem limites. 0 0 Em nome da liberdade, atuam desonestamente os vende1 F dores das paixões ignóbeis, que espalham o bafio criminoso das mercadorias do prazer e da loucura. A denominada liberação sexual, sem a correspondente maturidade 0 0 emocional e dignidade espiritual, rebaixou as fon 0 0 1 F tes genésicas a paul venenoso, no qual, as expressões aber1 F rantes assumem cidadania, inspirando os comportamentos alienados e favorecendo a contaminação das 0 0 enfermidades degenerativas e destruidoras da existência corporal. Ao mes1 F mo 0 0 tempo, faculta o aborto delituoso, a promiscuidade mo1 F ral, reconduzindo o