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Apostilas de História sobre o Petróleo, Gás de petróleo, Teorias sobre a origem do petróleo, átomos de carbono, Sistema de concessões de áreas limitadas.
Tipologia: Notas de estudo
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Janeiro e do Espírito Santo e a Ilha de Vitória. Aparentemente, trata-se de uma fração do conjunto de rochas armazenadoras de óleo descoberto em meados dos anos 70 no litoral norte do Rio de Janeiro. A Petrobrás decidiu iniciar perfurações, o que não é um acontecimento rotineiro devido aos custos elevados. Vai gastar cerca de US$ 5 milhões apenas na primeira etapa de sondagem, marcada para o último trimestre. Ela tem uma história de sucesso nesse tipo de operação, construída em duas décadas de prospecções em Campos. Acertou quatro entre dez poços exploratórios que decidiu perfurar, de profundidades superiores a 1 quilômetro. Abriu 628 poços exploratórios e encontrou óleo em 263 deles - nível recorde de 42% em prospecção marítima. Acertou, também, nove entre dez pontos da bacia que escolheu para explorar comercialmente. Hoje, extrai óleo de 494 dos 537 poços que decidiu desenvolver no litoral de Campos e concentra ali seus recursos operacionais. Estacionou na região três dezenas de plataformas marítimas, interligadas por uma teia de 1.300 quilômetros de dutos submersos, que é complementada por mais 2.500 quilômetros de linhas de transporte de óleo e gás. Campos é uma bacia de negócios estratégicos com reservas comprovadas acima de 10 bilhões de barris de óleo, além de 160 bilhões de metros cúbicos de gás natural. Agora, será partilhada entre a Petrobrás e alguns dos maiores conglomerados petrolíferos do planeta, associados a capitais privados nacionais. E, por isso, tornou-se o centro de uma das maiores disputas empresariais já ocorridas no país. O governo decidiu liberar a pesquisa e a exploração em Campos como forma de garantir investimentos superiores a US$ 10 bilhões na região nos próximos cinco anos. A Agência Nacional de Petróleo informa que daqui a três semanas anunciará as condições de partilha das áreas entre a estatal e os grupos privados. No pacote devem estar os trechos ao norte de Campos, que aparentam ser uma extensão da bacia e já foram confirmados como promissores à prospecção e exploração. No esforço de garantir a dianteira na escolha das melhores áreas, a Petrobrás 14 programou uma gradual mobilização de suas sondas de prospecção de Campos para Vitória, cerca de 200 quilômetros mar acima. Época 15/06/ As ilhas da discórdia Dezesseis anos depois da guerra, Argentina e Reino Unido voltam a se estranhar por causa do petróleo encontrado no Atlântico Sul A Plataforma Borgny Dolphin achou petróleo no fundo do Oceano Atlântico a cerca de 700 quilômetros da costa da Argentina. E o presidente argentino, Carlos Menem, não gostou. A descoberta, feita no dia 21 de maio, trouxe de volta à cena a disputa entre Argentina e Reino Unido pelas ilhas que, para os argentinos, chamam-se Malvinas e são parte integrante do país e, para os britânicos, chamam-se Falklands e são um de seus 13 territórios ultramarinos. Essa mesma disputa levou os dois países à guerra em 1982. Quase mil homens morreram. O chanceler argentino Guido Di Tella viu-se obrigado a fazer um protesto formal
contra o governo britânico por causa do petróleo. O mal-estar azeda a visita de Menem a Londres no fim deste ano - a primeira de um presidente argentino desde a guerra -, planejada para ser a festa da coroação de sua política externa. Os argentinos prometem cobrar 3% de imposto das empresas que explorarem petróleo nas Malvinas, se é que há petróleo em quantidade economicamente significativa. E ameaçam punir as empresas que não pagarem. "Fomos generosos", disse Di Tella a Época. "Quisemos permitir o desenvolvimento da ilha. O normal, nesses casos, é deixar os bens econômicos sem uso até que o problema de fundo tenha solução." O problema de fundo é a soberania sobre as ilhas. A Argentina alega que o princípio da descolonização, um dos pilares da ONU, obriga o governo britânico a ceder as ilhas, que ficam a apenas 346 quilômetros do ponto mais próximo do território argentino. A solução ainda não existe e, na opinião dos habitantes das ilhas, nem precisa existir, já que, para eles, não há problema: o território pertence ao Reino Unido, que, invocando outro princípio da ONU, alega a autodeterminação dos habitantes do arquipélago para decidir quem manda neles. Mesmo que a escolha seja Londres, a 14 mil quilômetros de distância, em outro continente, em outro hemisfério. A decisão é mais ou menos previsível. A maioria dos cerca de 2.500 habitantes descende dos ingleses que chegaram lá em 1833. Nos anos 30 imigraram muitos escoceses. De tempos em tempos algum britânico se estabelece nas ilhas, em busca de sossego. Fora isso, há uns tantos chilenos, alguns imigrantes de Santa Helena, outra possessão 15 britânica no Atlântico, e uns poucos indivíduos de outras nacionalidades, inclusive duas brasileiras. Argentinos, desde a guerra, não há mais. Mais de dois terços dos habitantes das ilhas vivem em Stanley, capital e única cidade das Falklands. O resto vive na zona rural, chamada de camp, e não country, influência dos sul-americanos que viviam lá quando os ingleses chegaram. O camp guarda a maioria das marcas dessa influência. Há lugares com nomes como Laguna Verde e Cerritos. Os pastores usam cavalos para lidar com os rebanhos de carneiros, à maneira dos gôuchos, dizem os habitantes, certos de que estão falando dos gaúchos. Currais de pedra, iguais aos da Patagônia, são comuns nas ilhas. Ao lado do ovo de pingüim com manteiga e vinagre, a empanada é tida como um dos pratos típicos da culinária kelper. Mas a vida está mudando nas Falklands e o lado sul-americano está ficando para trás, como o próprio termo kelper. É esse o nome de quem nasceu nas ilhas, onde abundam as algas kelp. Não é mais de bom-tom usá-lo desde que o Reino Unido começou a prestar mais atenção às ilhas, depois da guerra. O termo acentua demais a particularidade dos kelper em relação aos expats, abreviatura de expatriados, que são os britânicos, principalmente os que vão trabalhar por tempo determinado. O próprio governador das Falklands, Richard
desistir das ilhas. A oposição acusa Di Tella de ser muito brando na questão, mas ele confia em sua capacidade de sedução. Depois de resolver 23 das 24 pendências territoriais com o Chile, de conseguir estatuto de parceiro dos Estados Unidos extra-Otan, todo o esforço da política externa do governo Menem está voltado para as Malvinas. De certa forma, tudo o que foi feito antes visava convencer o mundo de que a Argentina é uma parceira confiável do Ocidente, com que se pode negociar civilizadamente. E o que há a negociar são as Malvinas. Entrevista Pela discórdia Chanceler argentino quer começar a discutir Guido Di Tella, Chanceler Argentino Época: As Malvinas vão ser assunto abordado na visita de Menem a Londres? Guido Di Tella: Óbvio. Não podemos deixar de lado o que nos 17 levou à guerra. Queremos que os britânicos apliquem um princípio que criaram: "Let's agree to disagree" (concordemos em discordar). Época: A relação direta com os ilhéus progrediu desde a guerra? Di Tella: Muito pouco, mas conseguimos mostrar que não somos ameaça. Época: Os kelpers dizem que não retomam contatos enquanto a Argentina não retirar sua reivindicação. Di Tella: Chegar à solução como condição para começar a discutir é non sense. Eu me encontro com os kelpers todos os anos no comitê de descolonização da ONU. Eles não apertam a minha mão, não sei, parece que têm medo de se contaminar. É ridículo. Época: E a bandeira argentina que o presidente Menem prometeu hastear nas ilhas até o ano 2000? Di Tella: Bem, faltam dois anos, não é. Seria importante. É preciso uma presença argentina pacífica, simpática. Um pouco da insegurança que os kelpers sentem com essas coisas vem de eles saberem que os britânicos, antes da guerra, estavam dispostos a entregá-los. Época: Eles dizem que não se pode confiar 100% nos britânicos. Di Tella: Está aí um ponto em que concordamos. Sem problema Para o governador, não há o que negociar Richard Ralph, governador das Ilhas Falklands Época: Como as Falklands vêem a viagem de Menem a Londres? Richard Ralph: Sem problemas. Foi garantido pelo governo britânico que as ilhas não vão ser um dos assuntos. Época: A Argentina fez um protesto formal contra o início da prospecção de petróleo. A tensão está descendo?
Ralph: A Argentina está sendo coerente. Na medida em que não deixou de reclamar a soberania sobre as ilhas, não poderia deixar de fazer um protesto. Nós teríamos feito a mesma coisa. Época: A situação melhorou desde 1982? Ralph: As relações entre a Argentina e o Reino Unido 18 melhoraram muitíssimo. Mesmo a relação com as ilhas melhorou. Agora há uma guerra de palavras. Volta e meia alguém na Argentina fala alguma coisa provocativa, como hastear uma bandeira nas Falklands, mas não é uma discussão real sobre a soberania. Época: A Argentina poderia vir a ser um parceiro importante das Falklands? Ralph: Antes da Guerra, o único vôo para fora da ilha era para a Argentina. Os habitantes das Falklands não gostariam de voltar a essa situação. Época: A ameaça militar acabou? Ralph: Ah, sim. Bem, não diria que acabou totalmente. Temos a força militar para dissuadir a Argentina, mas, se ela diz que não fará nenhuma tentativa pela força, eu acredito. Época 08/06/