Docsity
Docsity

Prepare-se para as provas
Prepare-se para as provas

Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity


Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos para baixar

Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium


Guias e Dicas
Guias e Dicas


Relação Saudável com o Rio em Piracicaba: Uma Visita Informativa, Notas de estudo de Urbanismo

Este documento relata a visita de dois estudantes à cidade de piracicaba, onde eles exploram como a cidade se relaciona com seu famoso rio. O texto aborda a urbanização, a preservação da natureza e o papel do rio na vida da cidade. Além disso, o documento detalha interessantes aspectos da cultura local, como o salão internacional de humor.

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 25/12/2010

carlos-elson-cunha-7
carlos-elson-cunha-7 🇧🇷

4.8

(8)

25 documentos

1 / 12

Toggle sidebar

Esta página não é visível na pré-visualização

Não perca as partes importantes!

bg1
O RIO E A CIDADE
Construindo Uma relação Saudável
VISITANDO PIRACICABA
Carlos Elson Lucas da Cunha
III Semestre
Faculdade de Arquitetura & Urbanismo
Universidade Presbiteriana Mackenzie
São Paulo, 18 de dezembro de 2.010
pf3
pf4
pf5
pf8
pf9
pfa

Pré-visualização parcial do texto

Baixe Relação Saudável com o Rio em Piracicaba: Uma Visita Informativa e outras Notas de estudo em PDF para Urbanismo, somente na Docsity!

O RIO E A CIDADE

Construindo Uma relação Saudável

VISITANDO PIRACICABA

Carlos Elson Lucas da Cunha

III Semestre

Faculdade de Arquitetura & Urbanismo

Universidade Presbiteriana Mackenzie

São Paulo, 18 de dezembro de 2.

Apresentação

Como as cidades lidam com seus rios?

Os urbanistas prontamente classificam um rio como barreira: um empecilho à circulação e um divisor do território.

Sem embargo, um rio afeta de vários modos a cidade que o recebe. As cheias, as vazantes, a largueza demandando pontes, estes são alguns aspectos que o município talvez encare como encargo. Por outro lado, aspectos positivos também surgem: beleza paisagística, o potencial da pesca e turismo.

O caso paulistano é notório: aqui os rios Tietê e Pinheiros são problemas a serem contornados.

Como se dá a relação em outras cidades? Como Piracicaba lida com seu famoso rio? De que forma a cidade traçou sua planta e como se configurou a malha viária tendo que lidar com essa grande calha natural?

Em busca destas respostas eu e Marco Aurélio de Paula, colega do mesmo curso, fomos até Piracicaba. Um domingo de tempo aberto foi a duração desta visita que muito nos ensinou.

Apresento aqui o registro de nossa viagem que envolveu outros aspectos interessantes, como a visita ao salão de humor e uma caminhada pelo centro da cidade. Neste relato foco mais de perto o maior personagem da cidade: o rio de Piracicaba.

Prédios longe da margem. Este é o princípio do zoneamento inteligente da cidade. O resultado, convenhamos, é belo.

Sumário

Apresentação

Introdução

Margem esquerda: apta ao convívio urbano

Margem direita: protegida pelo parque

Casa do Povoador: Humor e Proteção

O Barquinho vai...

Projeto de Turismo Explícito

Conclusão

Margem esquerda

  • Apta ao convívio urbano

Nota-se claramente que a cidade reservou a área próxima ao rio, sem lhe impor excessivo uso do solo nem muitas ligações viárias. Um dos motivos disso é que a cidade cresce do lado esquerdo do rio. (Lado esquerdo, neste texto, considera o ponto de vista da descida do rio).

O lado urbanizado, a margem esquerda (no sentido do curso do rio). Muito agradável: bastante árvores, rua larga, calçada generosa. Alguns vendedores ambulantes estão liberados para trabalhar longe dos bares (casinhas à direita) e ficam mais à esquerda, sob o arvoredo, próximo da Casa do Povoador e da ponte que leva ao Salão Internacional de Humor.

As casas da margem esquerda são preservadas. Não deve ter sido fácil para o município impor restrição aos empreendedores, mas conseguiu. Resultado: sempre um lugar bucólico, colorido e com imagem de cidade antiga. Boa parte de tais casas são bares. Será que se repete aqui aquele fenômeno de se construir um cenário ilusório, ou seja, algo só para ser visto, porém sem moradores e

sem vida nos dias de semana? Isto foi algo que não conseguimos detectar nesta breve visita dominical.

Os bares cedem muitas cadeiras e mesas, livremente. O visitante que simplesmente queira sentar e descansar, não será importunado. Se desejar consumir algo será atendido prontamente pelos funcionários que atravessam a rua, entre as mesas e o bar, a todo momento, já que não há quiosques com bebidas à margem do rio. Preços justos, ambiente simples e calmo. Nada da industria super-profissional do turismo.

Outra placa curiosa. Será o Torneio Regional de Truco mais uma estratégia turística do município? Pelo cuidado com a confecção do cartaz, creio que sim.

Um dos sintomas de sucesso em urbanismo é ver pessoas usufruindo um lugar preparado para elas. O casal parece ter ali um bom momento para discutir a relação. É muito justo: as pessoas precisam de espaço. Todavia os visitantes deixam o lugar muito sujo. Como lidar com isso?

Mobiliário simples, resistente. Neste caso um pouco de manutenção iria bem. Fica evidente aqui que o grande objetivo é permitir a cheia. O tratamento da margem permite o rio respirar.

Mobiliário barato e durável. Vê-se, pelo casal enamorado, que cumpre bem o seu papel.

A margem direita

  • Protegida pelo parque

No lado direito do rio encontra-se um parque de grande dimensão, cujo final não conseguimos encontrar. Em parte isto se deu por circularmos numa área um tanto restrita, entre 3 e 4 quilômetros. Assim não conseguimos ver o contorno deste parque, que, como se verá pelas imagens, é grande.

Na data da visita, 5 de setembro, o rio estava na baixa. De tal sorte que o barco que nos levou para um breve passeio nas águas teve seu intinerário reduzido: as pedras expostas impediam a navegação livre e irrestrita.

Infelizmente o rio está muito sujo. A cidade já o recebe assim.

Mas aves e capivaras se fazem presente na água de tom escuro e viscoso.

Esta implantação do parque serve de guarida natural ao rio. Vimos os efeitos das últimas cheias na mata contendo raízes expostas, árvores derrubadas e erosão em partes da ribanceira. Coisas absolutamente normais em qualquer margem de rio.

Na foto a direita, a cascata do Véu de Noiva. Esta é sua parte final, sendo que a queda propriamente dita fica oculta da vista de quem está no rio. Para vê-la plenamente teríamos que enfrentar uma subida na montanha, e declinamos disto.

Casa do Povoador

  • História, Proteção e Humor

O animado agente que trabalha na Casa do Povoador. Contou-nos muitas histórias interessantes, uma delas: o Salão de Humor foi realizado pela primeira vez no Mackenzie. Após a primeira edição a reitoria da universidade preferiu não repetir o evento, temendo provocar o governo militar. Foi a chance para Piracicaba receber o Salão Internacional. Poucos acreditavam que uma cidade do interior conseguisse repercussão e a ditadura ignorou as ironias e críticas dos artistas. Hoje o projeto tem respeito internacional.

O Barquinho vai...

Por R$ 5,00 é possível navegar durantes uns 15 a 20 minutos no rio Piracicaba. Todos visitantes receberam colete salva-vidas e o passeio correu em paz. Não pudemos ir muito longe, avisou-nos o piloto, ou timoneiro, já que as águas muito baixas impediam o passeio em boa parte do leito.

O timoneiro colocou uma música para tocar, assim que partimos. Não poderia ser outra, senão a famosa canção sertaneja que avisa: “O rio de Piracicaba, botou suas águas prá fora...”

A letra desta música está gravada numa placa de ferro, na entrada do Salão de Humor, sobre a ponte que lhe dá acesso. Compreendi que a cidade é refém desta música. O símbolo, o mito e tudo que a semiótica gosta de estudar estão presentes nesta relação inseparável da cidade com a música e o rio.

Há algo de psicanálise urbana a ser analisado com mais vagar, em virtude da força deste mito e símbolo. As cidades costumam ser vítimias de suas imagens. Lembro-me de um comentário quando um estudioso disse, sobre Jerusalém, que ela não tem futuro: está condenada sempre a viver de seu passado. Por impressionante que seja, isto é verdadeiro. As cidades são domadas por forças além de sua geografia e de sua implantação.

Projeto de Turismo

  • Modesto e Inteligente

Tornou-se claro, após esta visita, que Piracicaba investe claramente no turismo.

Os dois pontos de atuação ocorrem na venda do rio ou melhor, do cenário do rio , aos visitantes e no salão de humor. Coincidentemente estivemos ali enquanto o salão ocorria. Porém o interesse da cidade neste tema não se dá apenas no salão propriamente dito, que usa galpões antigos e tombados.

Antes do salão clássico, passa-se por outra exposição de humor infanto-juvenil. Crianças de diversas idades enviam seus trabalhos e muito interessante observar o modo delas verem o mundo. Uma das coisas que chama a atenção é o forte uso do texto. O Salão Internacional de Humor é um sucesso de público: os cartazes, vindo de vários países, permitem uma leitura rápida e compõem um rico mosaico artístico.

Todavia, Piracicaba aparentemente deseja que salas de humor se espalhem pela cidade, pois a Casa do Povoador além de ser um prédio histórico e abrigar uma instituição que visa a preservação do rio, tem seus expositores de humor também. Compreendemos que o município almeja ser mais do que apenas a sede do famoso salão: quer ser a capital do humor. Excelente opção, ao nosso ver, pois inova entre as cidades do interior que são dependentes de feiras agrícolas e rodeios, usualmente.

Notamos a ausência de fortes patrocinadores no turismo e na manutenção do rio. Ainda que a ausência de tais signifique menos verba, o resultado é de uma cidade limpa, visualmente, sem aqueles cartazes berrantes das empresas associadas. Também senti que parece haver todo um envolvimento da cidade, já que o inteiro traçado urbano se submete à primazia do leito do rio.

Galpões de uma velha industria sediam o Salão Internacional do Humor com bastante conforto. O conjunto arquitetônico está em recuperação e possuem vitrôs muito bonitos e grandes.