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Apostila de Estatística do Laboratório de Vibrações e Acústica - Outubro/2007
Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas
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UFU – Universidade Federal de Uberlândia LVA – Laboratório de Vibrações e Acústica
Marcus Antonio Viana Duarte Tatiana Meola
UFU - Universidade Federal de Uberlândia FEMEC - Faculdade de Engenharia Mecânica Av. João Naves de Ávila, 2121- Bloco 1M Campus Santa Mônica CEP 38.400-902 Uberlândia - MG
Telefone: (34) 3239 – 4147 ramal: 234
materiais diversos, a escolha de parâmetros de projeto adequados a uma ampla faixa de utilização do produto e à otimização de seu desempenho. Os conceitos sobre planejamento experimental podem ser resumidos em três termos muito empregados atualmente: qualidade, produtividade e competitividade.
1.1.1. Técnicas Para Definição da Seqüência de Ensaios Para que os resultados obtidos de ensaios experimentais possam ser analisados através de métodos estatísticos, possibilitando elaborarem-se conclusões objetivas, o planejamento experimental deve ser baseado numa metodologia também estatística, que é a única forma objetiva de avaliar os erros experimentais que afetam esses resultados. Há três técnicas básicas para a definição dos ensaios num planejamento experimental: o uso de réplicas , da aleatorização (ou “ randomização” ) e de blocos. A réplica consiste na repetição de um ensaio sob condições preestabelecidas. Esta técnica permite obter-se uma estimativa de como o erro experimental afeta os resultados dos ensaios e se esses resultados são estatisticamente diferentes. Ela também permite verificar-se qual a influência de uma determinada variável sobre o comportamento de um processo, quando a comparação é feita pela média das amostras. Por exemplo, pretende-se verificar como a pressão afeta a velocidade de uma reação química. Realizam-se ensaios em duas condições diferentes: p1 e p2 (com p1> p2 ). Num primeiro planejamento, realiza-se um ensaio para cada condição, ou seja, sem réplica, obtendo-se velocidades v1 e v2 respectivamente, iguais a 9,0 e 9,5. Como afirmar que o aumento da pressão acarreta um acréscimo de velocidade de reação? Tal resposta fica mais objetiva quando se realiza um grande número de ensaios (réplicas) de modo a minimizar o erro experimental e poder comparar as médias dos resultados obtidos nas amostras. A aleatorização é uma técnica de planejamento experimental puramente estatística em que a seqüência dos ensaios é aleatória e a escolha dos materiais que serão utilizados nesses ensaios também é aleatória. Uma das exigências do uso da metodologia estatística para o planejamento experimental e para a análise dos resultados é que as variáveis estudadas e os erros experimentais observados apresentem um caráter aleatório, o que é conseguido pelo emprego desta técnica.
Por exemplo, ao se definir para o caso do exemplo anterior (influência da pressão sobre a velocidade de reação) três valores para a pressão e quatro réplicas para cada valor de pressão, teremos doze ensaios, como mostrado na Tabela 1.
Tabela 1 Pressão Número dos Ensaios p1 1 2 3 4 p2 5 6 7 8 p3 9 10 11 12
Caso a seqüência estabelecida para os ensaios fosse 1, 2, 3....., 9, 10, 11 e 12, qualquer problema experimental não detectado poderia acarretar a invalidação de todo o procedimento experimental. Ao se utilizar uma seqüência aleatória (por exemplo: 8, 5, 9, 1, 12, 3, 7, 4, 11, 2, 6 e
um conhecimento profundo dos instrumentos, equipamentos e métodos de controle e monitoramento;
1.2. Conceitos Básicos de Estatística 1.2.1. Experimentos Aleatórios Experimentos aleatórios são observações de ocorrências incertas ou casuais, com as seguintes características (Cunha, 2007): 9 Cada experimento poderá ser repetido um número arbitrário de vezes, sob condições essencialmente inalteradas; 9 Em cada realização do experimento, não somos capazes de prever o resultado que ocorrerá. Todavia, conhecemos o conjunto de todos os possíveis resultados do experimento. 9 Quando o experimento for repetido um grande número de vezes, surgira uma regularidade do resultado, isto é, haverá uma estabilidade da fração (^) nr (freqüência relativa) da ocorrência de um particular resultado. Exemplos: Jogar uma moeda e observar a sua face superior; Sexo do primeiro filho de um casal; Número de chips defeituosos encontrados num lote de 100 chips; Peso de uma pessoa.
1.2.2. Espaço Amostral e Eventos O conjunto formado por todos os possíveis resultados de um processo aleatório é denominado espaço amostral ( S ). Exemplo1: Lançamento simultâneo de três moedas e o registro das faces obtidas. Para este experimento o espaço amostral é: S = {KKK; KKC; KCK; CKK; KCC; CKC; CCK; CCC}em que , K = cara e C = coroa. Exemplo 2: Processo aleatório: Verificar a vida útil de uma lâmpada. S = {x ∈ R : 0 ≤ x ≤ 24 meses} Exemplo 3: Processo aleatório: Verificar a cor das flores de uma planta de feijoeiro. S = {branca; roxa; amarela}. Qualquer sub-conjunto do espaço amostral ( S ) é denominado evento. O evento A: exatamente duas caras obtidas no lançamento de uma moeda, é representado pelo conjunto: A = { KKC; KCK; CKK } Uma vez que os eventos podem ser interpretados como conjuntos, a eles podemos aplicar as operações empregadas na teoria de conjuntos. Assim: Se A e B forem eventos: A ∪ B será o evento que ocorrerá se, e somente se, A ou B (ou ambos) ocorrerem. A ∩ B será o evento que ocorrerá se, e somente se, A e B ocorrerem. A’ será o evento que ocorrerá se, e somente se, A não ocorrer. A e B são mutuamente excludentes se não puderem ocorrer juntos, ou seja, A ∩ B = ∅, onde ∅ indica o evento vazio (nenhuma ocorrência).
1.2.3. Freqüência Relativa Suponhamos que realizemos um experimento n vezes e que dois eventos a ele associados A e B ocorram em números nA e nB, respectivamente, com n = nA + nB.
Define-se por f (^) A = nnA a frequência relativa do evento A nas n repetições do
experimento. A frequência relativa f A apresenta as seguintes propriedades:
Existem vários experimentos aleatórios para os quais os resultados possíveis são igualmente prováveis. Entretanto, muitos experimentos não apresentam esta característica, a qual deve, portanto, ser cuidadosamente testada e justificada. Exemplo: Um dado equilibrado é lançado, a probabilidade do evento A = {resultado maior do que 4}, é o número de resultados favoráveis a A, que são dois resultados, sair os números 5 e 6, e o número de resultados possíveis de todo o espaço amostral é 6. Então:
númeroderesultadospossíveisemtodooespaço amostral P ( A )= númeroderesultadosfavoráveisaA (1.1)
Métodos de Enumeração: Permutações, Arranjos e Combinações Para o cálculo de probabilidades usando a Equação (1), precisamos, muitas vezes, utilizar técnicas de análise combinatória para quantificar o numerador e o denominador. Exemplo: Se tivermos os objetos a, b e c, poderemos obter as seguintes permutações: abc, acb, bac, bca, cab e cba. Portanto, para este caso, a resposta é 6. De modo geral, o número de permutações de n objetos diferentes é dado por: Pn = n! Consideremos novamente n objetos diferentes. Desejamos escolher r desses objetos 0 ≤ r ≤ n e permutar os r objetos escolhidos. Denotaremos o número de possibilidades para fazer isso por An,r, calculado por:
( )!
n r A (^) n r n = (^) − (1.2)
Consideremos novamente n objetos diferentes, queremos dispor r dentre esses n objetos, sem considerar sua ordem, obtendo as chamadas combinações. O número de combinações possíveis é dado por:
!( )!
r n r C (^) n r n = (^) − (1.3)
1.2.5. Variáveis Aleatórias Ao realizar-se uma série de ensaios sob condições preestabelecidas, normalmente observa-se uma variação de resultados de ensaio para ensaio. Essa variação denomina- se erro experimental e é também um erro estatístico proveniente de condições de ensaio
incontroláveis. A existência deste erro caracteriza a variável de resposta como sendo uma variável aleatória (V.A.) , que pode ser discreta se apresentar um número finito de valores possíveis, ou contínua, se estiver dentro de um intervalo de valores. A probabilidade de uma variável aleatória x é dada pela sua distribuição de probabilidade. Caso a variável seja discreta, essa distribuição é uma função probabilidade p(x), caso seja contínua, passa a ser denominada função densidade de probabilidade f(x) (f.d.p). Na figura 1, representa-se p(x) , para uma distribuição discreta, onde a função representa a probabilidade P^ da distribuição.
Figura 1. Distribuição Discreta.
Na figura 2, é mostrada f(y) , sendo P representada pela área sob a curva num dado intervalo. Juntamente com cada figura, apresentam-se as propriedades de cada uma das probabilidades em cada caso.
Figura 2. Distribuição Contínua.
1.2.7. Medidas de Dispersão A variância σ^2 representa a dispersão de uma distribuição e é definida como:
todos x
∞ −∞
σ 2 = ( x − μ)^2 f ( x ) dx , se x for contínua. (^) (1.7)
A variância pode ser expressa usando o operador de expectativa E(x) , pois:
Também se pode definir um operador de variância V(x) igual a:
A partir dos parâmetros m, s^2 e c (constante), têm-se as seguintes propriedades:
1 2
1 E y
E y y E y ≠ ⎟⎟⎠
Onde, y 1 e y 2 são variáveis aleatórias, com médias iguais a μ 1 e μ 2 e variâncias
No caso das propriedades 10 e 11, assume-se que essas variáveis sejam independentes. O parâmetro covariância ( Cov(x,y) ) representa a associação linear que existe entre as variáveis x e y. A covariância, a qual mede o grau de dispersão conjunta de duas variáveis aleatórias, é dada por:
Sendo que no caso de duas variáveis independentes, tem-se que Cov(x,y) = 0. Para variáveis aleatórias contínuas, a covariância é dada por:
∞ −∞
∞ −∞
E ( XY )= ( xy ) dxdy (1.10)
No caso do planejamento experimental, os resultados obtidos referem-se a uma amostragem, que se espera possam reproduzir o comportamento da população que representam. Os métodos estatísticos só podem ser utilizados se as amostras forem escolhidas aleatoriamente, ou seja, com a mesma probabilidade de serem retiradas da população que outras amostras. Qualquer função relativa aos resultados de uma amostra e que não contenha parâmetros desconhecidos é denominada função estatística, como por exemplo, as funções média ( x^ ) e variância (s^2 ) da amostra. Elas são estimadores pontuais, ou estimativas, respectivamente da média (μ) e da variância (σ^2 ) da população.
n
x x
n
1
2 2 −
= n
x x s
n i
i (1.12)
onde x 1 , x 2 , ..., xn representam a amostra e n é o número de elementos da amostra. O desvio-padrão da amostra (s) é comumente empregado como medida de dispersão por apresentar unidade igual à das medidas (xi). Exemplo: Um estimador pontual não deve, necessariamente, ser distorcido ou parcial. Deve apresentar uma variância mínima, ou seja, menor que a variância de qualquer outro estimador do parâmetro analisado. A expressão que determina a variância de uma amostra, tem como numerador:
=
n i
SS xi x 1
que é a soma corrigida dos quadrados das observações ( xi ), ou seja, a soma dos quadrados das diferenças x (^) 1 − x , x 2 − x , x 3 − x ,K, xn − x. Como a somatória dessas
diferenças é igual a zero, somente n-1 elementos são independentes. Assim, SS tem n- graus de liberdade , ou ν = n-1 , de modo que:
distribuição é assimétrica à direita ou assimétrica positiva. Se o inverso ocorre, diz-se que ela é assimétrica à esquerda ou negativa. O coeficiente de assimetria (Cs) é dado por:
21 , 5
3 '
s =^ (1.17)
Classificação das distribuições quanto à assimetria: 9 Cs = 0 distribuição é simétrica perfeita. 9 Cs > 0 a distribuição é assimétrica à direita. 9 Cs < 0 a distribuição é assimétrica à esquerda. Existem ainda o primeiro e segundo coeficientes de assimetria de Pearson dados respectivamente por:
s C X Mo s
s C X Md s
Tipos de distribuições quanto à assimetria:
Distribuição Simétrica Distribuição Assimétrica Negativa
Distribuição Assimétrica Positiva
Coeficiente de Curtose Curtose é o grau de achatamento de uma distribuição, considerado usualmente em relação à distribuição normal, que será detalhada na seção 1.2.11. A distribuição que tem um pico relativamente alto é chamada leptocúrtica, enquanto a distribuição que possui o topo achatado é denominada platicúrtica e a distribuição que não é muito pontiaguda, nem muito achatada, como acontece com a distribuição normal é denominada mesocúrtica. O coeficiente de curtose é dado por:
2 2
4 '
k =^ (1.20)
Tipos de distribuição quanto à curtose:
Distribuição Leptocúrtica Distribuição Mesocúrtica
Distribuição Platicúrtica
1.2.9. Desigualdade de Chebyshev Seja x uma Variável Aleatória com distribuição arbitrária, média μ, valor médio quadrático ψ^2 e variância σ^2.
ψ (^) x^2^ =∫− ∞∞ x^2 p ( ) xdx (^) ∫ x ≥ε x^2 p ( ) xdx (1.21)