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resumo que aborda o problema da causalidade
Tipologia: Esquemas
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D.Hume O problema da causalidade (ficha) A proposição “O gelo derreteu devido ao calor” exprime uma questão de facto. Contudo aparenta ir além do imediatamente dado pelos sentidos, tal como “Todo o gelo derrete com o calor” ou “O próximo pedaço de gelo observado derreterá com o calor.” A maior parte das nossas questões de facto, defende Hume, parece depender da relação causa-efeito. Quando pensamos que dois acontecimentos estão ligados entre si por uma relação de causa-efeito, supomos que entre o acontecimento a que chamamos causa (evento que produz ou dá lugar a um outro estado de coisas) e aquele que designamos como efeito (evento produzido por uma causa) existe uma conexão necessária. Relação de causa-efeito : Relação entre um evento que produz ou dá lugar a um outro estado de coisas(causa) e um acontecimento resultante ou produzido por uma causa(efeito). Conexão necessária : Ligação invariável e verdadeira para todos os mundos possíveis em que os eventos a que chamamos causa são suficientes para provocar a ocorrência dos eventos a que chamamos efeitos (A B) Como justificamos a conexão necessária que julgamos existir entre dois acontecimentos? Poderá esta ideia ser justificada a priori (não), ou seja, independentemente da experiência? Hume rejeita esta possibilidade. O conhecimento das causas e dos efeitos só pode ser alcançado com a experiência. A temperatura do ar e da fusão são dois acontecimentos distintos e separados. Usando apenas a razão, por mais que examinássemos rigorosamente cada um dos dois objetos, nada nos seria possível descobrir sobre causas e efeitos. Suponhamos que uma pessoa, embora dotada das mais fortes faculdades de razão e reflexão, é trazida subitamente para este mundo, observaria, de facto, imediatamente uma contínua sucessão de objetos e um acontecimento sucedendo-se a outro, mas nada seria capaz de descobrir. Não conseguiria, a princípio, mediante qualquer raciocínio, concluir, unicamente porque um evento, num caso, precede outro, que o primeiro
é, por isso, a causa e o segundo efeito. A sua conjunção pode ser arbitrária e casual. Pode não haver motivo para inferir um a partir do aparecimento do outro. A ideia de conexão necessária não pode ser conhecida a priori. Poderá ser justificada a posteriori( experiência), ou seja empiricamente? Não. Se afirmássemos ter a ideia de conexão necessária e se todas as ideias derivam de impressões, então teremos de encontrar uma impressão que corresponda a esta ideia. Hume diz que por mais que observássemos a ocorrência conjunta de dois acontecimentos, nunca encontraremos aí qualquer impressão que justifique a ideia de conexão necessária ou de relação causal. Há uma impressão relativa à ideia de que a temperatura do ar é superior a zero graus, do mesmo modo que existe uma impressão correspondente à ideia da fusão do gelo. Não há conhecimento sem impressões. Não há impressões da relação que estamos a estabelecer, é a mente que estabelece a relação de causalidade, não a experiência. Observamos a sucessão, mas não a conexão necessária. Nada prova que há uma conexão necessária. Estamos a ir além da experiência. Não há qualquer impressão correspondente à ideia de conexão necessária entres os acontecimentos 1 e 2. Por conseguinte, a ideia de conexão necessária não pode ser conhecida a priori nem tao pouco pode ser justificada à posteriori_._ A ideia de causalidade como conexão necessária não está justificada.
Então, como explicar a nossa crença na existência de uma conexão necessária? Esta crença, defende Hume, que não está justificada a priori nem a posteriori. É simplesmente uma associação de ideias que o hábito ou costume forma na nossa mente. Quando, em circunstâncias similares, constatamos a combinação sequencial e repetida de dois objetos ou acontecimentos (conjunção constante) hábito ou costume leva-nos a passar de um (a que chamamos causa) para o outro (a que chamamos efeito) .Observamos que, com regularidade, dois eventos são contíguos no tempo e no espaço, por exemplo, a temperatura superior a zero graus e a fusão do gelo. Depois da observação de sucessivos eventos semelhantes, o hábito ou costume, por intermédio da imaginação gera em nós a expectativa de que um se siga ao outro, que o futuro repita o passado. Esta expectativa é a impressão da qual deriva a ideia de conexão necessária. Trata-se de uma tendência ou impulso, de um sentimento ou
sofre qualquer alteração; não era, pois, nada a não ser a sua imagem o que estava presente ao espírito. Estes são os óbvios ditames da razão” Este argumento pode ser reconstruído conforme se segue: (1) Se a mesa que está presente na nossa mente fosse a mesa real (e não apenas uma imagem ou representação mental da mesma), então o seu tamanho não se alterava em função da nossa perspetiva. (2) Mas a mesa que está presente na nossa mente parece diminuir à medida que dela mais nos afastamos, ou seja, o seu tamanho altera-se em função da nossa perspetiva. (3) Logo, aquilo que está presente na nossa mente não é a mesa real, mas sim uma imagem ou representação mental da mesma. Não temos acesso direto aos objetos do mundo exterior mas sim a imagens ou representações mentais dos mesmos. Mas a nossa experiência não pode alguma vez estender-se para além das nossas impressões, e destas, conforme acabámos de constatar, não devem ser confundidas com os objetos exteriores em si mesmos considerados. Assim, uma vez que nunca poderemos sair do interior das nossas mentes (isto é, só temos acesso às nossas perceções) nunca seremos capazes de verificar se, de facto, existem objetos exteriores que são a causa das mesmas.