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Pronomes no Grego, Notas de estudo de Informática

Pronome em Grego

Tipologia: Notas de estudo

2018

Compartilhado em 05/02/2018

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OS PRONOMES PESSOAIS NO GREGO CLASSICO
Isis Borges Belchior da Fonseca
~ objetivo desta comunica9aO apresentar
0
use dos prono-
mes pessoais no atic~,
0
grande dialeto de que se serviram os
celebres filosofos, historiadores, oradores e poetas .dos
seculos
V
e
IV
a. C., isto e,do challladoperiotlo clasoico da
Grecia·antiga.
Dividem-se eles em nao reflexivos e reflexivos.
Nao reflexivos sac: ~yw (sing.) / n~ECC (pl.) para ala.
pessoa.
pessoa.
Como nao havia no indo-europeu propriamente 0 pronome da
3a. pessoa,
0
dialeto .,atico tamb;;m nao 0 apresenta, sendo,
entao, empregados como a "nao-pesooa" 0 demonstl'ativo ou 0 a-
naforico, 0 que torna a sua situa9aO bem divers a da que se
tem nas duas primeiras pessoas. As formas usadas sac: av.6c,
-~, -6; O~.OC e ~KECVOC. Au.6c
e
urn pronome de identidade que
tern significa90es propriamente demonstrativas que se ligam
a
n09aO de "mesmo", permitindo, pelo desenvolvimento· do artigo,
expressoes tais como b au.oc A6yoC, "0 mesmo discur'so", dife-
rente de b A6yoC au.6l;:,"0proprio discurso". Note-se que, sem
artigo, 0 nominativo
e
sempre enfatico. Ex. Au.oC fAEY€
.a
au.d., "ele proprio dizia as mesmas coisas".
Em consequencia desse emprego enfatico do pronome au~6l;:,
no nominati.vo,
0
grego 0 substitui ou pelo demonstrativo 911-
.Ol;:,"esse" que, em principio, designa urn objeto situado a u-
ma certa distancia, ou pelo demonstrativo ~KE:CVOC, "aquele",
que se refere a urn objeto·afastado.
Observando-se 0 use dos pronomes nao reflexivos, inicialmente
se destaca
0
fato de que no nominativo eles so aparecem quan-
do ha inten9ao de po-Ios em evidencia, como no caso da expre~
sac de uma antitese (Ex. ~yw ~EvAtyw,
au
oE aKOV€LC),
"eu
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10 e tu ouves",ou da atribui<;ao de maior for<;a
a
sua presen9a
na frase, passando, entao, a tel'
0
sentido de "eu mesmo", is-
to
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".:u e nao urn outro", e a ocupar frequentemente urn lugar
excepcional na frase.Bizos, em sua Syntaxe Grecque (1955:29),
registra urnexelllplobem elucidativo nesse particular:. .nv
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OS PRONOMES PESSOAIS NO GREGO CLASSICO

Isis Borges Belchior da Fonseca ~ objetivo desta comunica9aO apresentar 0 use dos prono- mes pessoais no atic~, 0 grande dialeto de que se serviram os celebres filosofos, historiadores, oradores e poetas .dos seculos V e IV a. C., isto e,do challladoperiotlo clasoico da Grecia·antiga. Dividem-se eles em nao reflexivos e reflexivos. Nao reflexivos sac: ~yw (sing.) / n~ECC (pl.) para ala. pessoa.

pessoa. Como nao havia no indo-europeu propriamente 0 pronome da 3a. pessoa, 0 dialeto .,atico tamb;;m nao 0 apresenta, sendo, entao, empregados como a "nao-pesooa" 0 demonstl'ativo ou 0 a- naforico, 0 que torna a sua situa9aO bem divers a da que se tem nas duas primeiras pessoas. As formas usadas sac: av.6c,

-~, -6; O~.OC e ~KECVOC. Au.6c e urn pronome de identidade que

tern significa90es propriamente demonstrativas que se ligam a

n09aO de "mesmo", permitindo, pelo desenvolvimento· do artigo, expressoes tais como b au.oc A6yoC, "0 mesmo discur'so", dife- rente de b A6yoC au.6l;:,"0 proprio discurso". Note-se que, sem

artigo, 0 nominativo e sempre enfatico. Ex. Au.oC fAEY€ .a

au.d., "ele proprio dizia as mesmas coisas". Em consequencia desse emprego enfatico do pronome au~6l;:, no nominati.vo, 0 grego 0 substitui ou pelo demonstrativo 911- .Ol;:,"esse" que, em principio, designa urn objeto situado a u- ma certa distancia, ou pelo demonstrativo ~KE:CVOC, "aquele", que se refere a urn objeto·afastado. Observando-se 0 use dos pronomes nao reflexivos, inicialmente se destaca 0 fato de que no nominativo eles so aparecem quan- do ha inten9ao de po-Ios em evidencia, como no caso da expre~

sac de uma antitese (Ex. ~yw ~EvAtyw, au oE aKOV€LC), "eu fa

10 e tu ouves",ou da atribui<;ao de maior for<;a a sua presen9a

na frase, passando, entao, a tel' 0 sentido de "eu mesmo", is-

to e, ".:u e nao urn outro", e a ocupar frequentemente urn lugar

excepcional na frase.Bizos, em sua Syntaxe Grecque (1955:29),

registra urn exelllplobem elucidativo nesse particular:. .nv aa-

qX1A£~a.Vnpo~)(a.08· blJ,£t'~,"a vossa sep,uran<;'ilrf'nunriilstE'R '::!...Ofl

~". (Dem. ~. 84). A questao da acentua~ao dos pronomes da la. e da 2a.pe~ soas do singular deve ser assina~ada,pois que se no nominati ~ essas formas sao acentuadas, nos outros casos ha sempre ~ tenas ao lado das tonicas, 0 que leva a diferen~as de empre-

go.

Em principio, 0 pronome atono indica que nao ha uma li- ga~ao particular com a pessoa designada, enquanto a tonica a sublinha com enfase. Sao as seguintes as formas plenas e acentuadas com asa ~ respectivas: 1a. pessoa 2a. pessoa

acus. tlJ,t I }.I£

gen. t}.lOO/ }.LOU dat. t}.LO'/ }.LO~ Empregam-se as tonicas: 19 - no principio de uma ce-me!" 29 - para insistir sobre 0 pronome. Ex. t}.lO~ou oo~ ~oQ ~o 6.pto)(£~,"isso agrada-me a mim, nao a ti". 39.- gera1mente (mas comportando exce~oes) apos preposi ~aO.1 Ex. 6£t' bn' t}.loO~£ )(a.~ 000 ~ov A6yov tna.~- v£8flva.~ "0 discuJ;'so deve ser 10uvado por mim como por ti". (PI. ~ 234). Jean Humbert, em sua Synt~xe Grecque (1954:58), comenta que se justifica pe10 pensame'lto au sentimento dosujeito falante a ado~ao de formas tonicas de preferencia aatonas, e vice-versa. Mas, na pritica, diz ele, "transies insens{- veis fazem passar de exemp10svigorosamente sentidos a outros que sao inteiramente fixados, codificados pelo uso" Nao ha como justifica-10s.A oposi~ao entre formas atonas e toni- cas, bem evidente no singular, nao existe no plural. Neste numero os pronomes para ala. e a 2a. pessoas sao: Nom. ~- }.I£t'~,/6}.1£t'~/acus.b}.ld~,/gen.V, b}.lWv/dat. ~~v, b}.lt'v/.

Note-se que quando um pronome e posto no inicio da fra-

se, o~ no come~o do verso, ou ainda quando segue imediatame~ te uma pontua~ao forte, nao se pode determinar se ha ou nao vontade de insistencia do autor. Rea1mente, como a forma en- c1itica se apoia na pa1avra anterior acentuada, nao pode em

at / o£

000 / oou 00' / oo~

gen. dat.

~ ~ na.pC~ tem precisamente 0 mesmo sentido. Embora

mente equivalentes as duas expressoes, sem duvida a

e mais literaria. (eL Humbert, 1954:61L

Vale observar que se 0 substantivo e precedido de arti-

go, 0 pronome pessoal antecede ou segue imediatamente 0 nome,

nao podendo, portanto, ser intercalado. Assim se diz ot A6-

YOL v ou, entao, ot MYOL, "os nossos discursos". En-

tretanto, se ha um termo que modifique 0 substantivo, cessa

a proibi~ao da interposi~ao. Ex. ~ OoxoOoa ~~v np6.£pov 000-

~po06vn, 0 que aparecia ha pouco como nossa sabedoria".{Tuc.

logic~

segunda

I, 32).

Assinaladas as questo6s de maior interesse no uso dos pr£

nomes pessoais nao reflexivos, e indispensavel que se acres-

centem observa~oessobre os reflexivos. Dividem-se em sim-

ples da 3a. pessoa e compostos das tres pessoaG. 0,: primei-

ros tem as seguintes formas:

Sing. acus. ~lt; gen. o~/ou; dat. of/ot.

Pl. nom. o~£t~; acus. o~d~; gen. o~; dat. O~COL e

O~LOL.

Esses pr.onomessao pouco empregados, sobre-tudono

lar (sempre como reflexivo indireto). Geralmente sao

tuidos pelos pronomes reflexivos compostos da 3a.

tau.6v, tau.o6~.

As formas tonicas acima mencionadas sao reflexivas, en-

quanta as atonas correspondentes sao pronomes anaforicos,nao

se referindo ao sujeito importante da frase.

Quanto aos pronomes reflexivos compostos, deve-se sali-

ental'que au.6~, que substituiu 0 tema t - (do reflexivo sim,

pIes da 3a. pessoa) em _fun~ao de anaforico, serviu tambem p~

ra formal'um novo reflexivo, 0 que e evidente em textos de

Romero em formas atestadas como t au.6v, ot a(niji,oqXj)vau.a.v,

etc. Nas outras pessoas usavam-se igualmente tl!'au.6v, tUOL

aUtijietc •. Mais tarde, foi criado no atico um tema de for-

ma singular: tau.6v, taUToO, tau.iji,etc ..

No singular: 0 atico tem t\1Qu.6v,0£au.6v, tau.6v. No

plural, para a.la. e 2a. pessoae: acus. ~lJ,d~au.o6~, OlJd~ay,

.o6~: para a 3a. pessoa: o~~ au.o6~, oqXj)va6.&v, O~COLV ay,

.ot~. Essas formas, atestadas quase somente nas inscrl.~oese

usadas de preferencia pOI'Tucidides, foram substituidas pOI'

tau.ou~, tau.~v, tau.ot~ (ja em Tucidides), tiradas de tau-

singu-

subst!.

TOO, 'etc•• POl' contra<;ao, empregam-se oaUToO, .•• aUTaiv••• ~ No que concerne ao uso dos pronomes reflexivos; e mister considerar que eles podem ser direta ou indiretamente refle- xivos.Se diretos, remete~ a pessoa que domina a ora<;ao em que se encontram; se indiretos, remetem, na dependente. ao sujeito da principal. \

Ex. TdTToo t~auTOv E(e TnV TooV dpxELv aOUAo~tvoov TdELv, "ponho-me no grupo dos que querem comandar". (Xen. ~. 2, 1, n. - l:c5Et'T6~ou oUyyvw~nV l!XELv a~ncji,"suplicava-me que Ihe perdoasse" (Isocr. Trapez. 18). Humbert (1954:62) comenta que, "mesmo quando 0 pronome se refere logicamente ao sujeito da ora<;ao, 0 reflexivo pode nao se~ empregado, se 0 autor julga as coisas sob seu ponto de vista, e nao sob 0 ponto de vista do sujeito, 0 que deixa evi dente 0 carateI' subjetivo do reflexivo. Variando 0 ponto de vista, po de aparecer na frase urn reflexivo e urn nao reflexivo com referencia a uma 56 pessoa. Ex. TnV ~auToO YVw~nV anE~C- VETO EooKP(~hne npoc Toue 6~LAoOVTac aUTcji,"Socrates. reve1ava seu pensamento aque1es que 0 frequentavam". (Xen. Mem.4,7,1). Aqui, ~aUTOO e aUTcjireferem-se a Socrates. 0 autor, empregan- do aUT/ji,considerou os di.sc1pu1os de S6crates objetivamente • Bizos (1955:30) cita urn emprego de ccrta fre'quencia do pronome reflexivo da 3a. pessoa que merece observa<;ao. Trata- se de sua presen<;a no 1ugar da 1a. ou da 2a. pessoa. Exemp1i- fica: TOOTO ~noAaJ.$avELS;:t:ql'60LOV t:auTcji,'''cresque isso' e uma arma :para ti" (Hip. P. Eux., 1-). (t:auTcjipOl' oEauTcji) Quanto a coloea<;ao do pronome na fun<;ao de adjetivo pos-

sivo reflexivo, deve-se notal' que, nas tres pessoas, e inter-

calado. Ex. ayanOO TO. tlJ,ClUTOOT~Kva, "amo 05 meus fi1hos". Em se tratando, contudo, de seu uso na.fun<;ao de ref1exivo ind~ reto, nao deve ser intercalado. Ex. ~OKOUOLV OTL ayanOOaL TO. TEKva ocp(i)valnaiv, "dizem que amam seus fi1hos". No atico, l! e o<Pdc, formas mais antigas, sao usadas ao lade de tauT6v, t:auTouc, em condi<;oes diferentes, pois l e ~ sao reflexivos indiretos, enquanto t:auT6v e:ref1exivo di reto. Ex. t:aOUAETO of T(;)nat'c5EltafEt'vaL, "queria que seus dois fi1hos estivessem presentes" (Xen. An. I, 1,1,) •

.Ilustrando esta sinopse dos usos do pronome pessoa1 na prosa atica, faz-se mister incluir, como parte integrante des

PRONOMES PESSOAIS

I - NAo REFLEXIVOS

la. Pessoa 2a. Pessoa 3a. Pessoa

SING. PL. SING. PL. M. F. N.

N. f:yc:,^ J'nu:(;e 06 Ul1£(;e o,uT6c o,UTn o,uT

A. f:ut/lL£ fllldc ol;/o£ ulLdc Declinados como

G. f:lLOO^ fllUiiv ooO/oou ulUiiv adj. de la. clas

D. f:110'/lLO~ fll1(;v oo'/oo~ Ul1(;v se

PRONOMES

SINGULAR

N.

A. I!

G. otl

D. or:

REFLEXIVOS SIMPLES DA 3a. PESSOA

PLURAL

Oql£(;e

Nota. se atonos,

sac anaforicos.

la. Pessoa 2a. Pessoil

SINGULAR PLURAL SINGULAR PLURAL

A. f:lJIJ,uT6v,-nv fllLdeo,6TOUe,- d.e^ 0£o,uT6v,-nv ulLde o,6ToUe,- de

G. f:l1Q.uToO,-fle uJ,li.iivo,UTli'lv o£o,uToO,-fie ulUiivo,6T&"

D. f:lJIJ,UTiji,-~ 411:" o,6TO(;e,-a.1:s;:o£o,uT&-fI I • UI1(;"o,UTO (;e, -o,i:s:

SINGULAR

A. f:o,uT6",-n",-

G. f:o,uToO,-fie,-oO

D. f:o,UTIji,-~,-iq

PLURAL

A. ocpde o,6ToUe,-dc

Oll f:o,uTouc,-d.c,d

G. oqXi)"o,6TOOV Oll f:o,UTOO"

D. Oql'O~" o,UTo1:e,-o,(;s;:

Oll o,UTote,-ote