Docsity
Docsity

Prepare-se para as provas
Prepare-se para as provas

Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity


Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos para baixar

Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium


Guias e Dicas
Guias e Dicas


Proteção de Micro-redes: Aspectos e Literatura, Teses (TCC) de Eletrotécnica

Neste relatório, abordamos a proteção em micro-redes elétricas com fontes renováveis, como geração solar, eólica e baterias. A proteção tradicional por relés de distância não é adequada para essas redes, devido aos desafios apresentados. Avaliamos a capacidade dos geradores de manter a estabilidade e qualidade do serviço, considerando que os conversores elétricos têm baixo valor de corrente de curto-circuito. Discutimos a necessidade de configurações dinâmicas nos relés de sobrecorrente, para garantir a proteção contra falhas locais e a coordenação do sistema. Também abordamos a comunicação e os protocolos para proteção adaptativa, além de apresentar formas de modelar redes de distribuição com micro-redes. A norma iec-60909 para redes com conversores elétricos é modificada, separando o cálculo da ccc por regiões da rede.

Tipologia: Teses (TCC)

2019

Compartilhado em 01/08/2021

suco-capoeira-5
suco-capoeira-5 🇧🇷

2 documentos

1 / 50

Toggle sidebar

Esta página não é visível na pré-visualização

Não perca as partes importantes!

bg1
Universidade Federal de Santa Catarina
Deparamento de os-Gradua¸ao em Engenharia El´etrica
TRABALHO ORIENTADO:
Prote¸ao Adaptativa de Microrredes
Diogo V. Jo˜ao
Relat´orio submetido `a avalia¸ao da disciplina
de opico Orientado (TO), o qual disp˜oe da
discri¸ao dos principais aspectos e de uma
revis˜ao bibliogr´afica acerca da influˆencia de
conversores eletrˆonicos no que tange aspectos
de prote¸ao de microrredes.
Professor Dr. Miguel Moreto
FLORIAN ´
OPOLIS - SC
19 de novembro de 2018
pf3
pf4
pf5
pf8
pf9
pfa
pfd
pfe
pff
pf12
pf13
pf14
pf15
pf16
pf17
pf18
pf19
pf1a
pf1b
pf1c
pf1d
pf1e
pf1f
pf20
pf21
pf22
pf23
pf24
pf25
pf26
pf27
pf28
pf29
pf2a
pf2b
pf2c
pf2d
pf2e
pf2f
pf30
pf31
pf32

Pré-visualização parcial do texto

Baixe Proteção de Micro-redes: Aspectos e Literatura e outras Teses (TCC) em PDF para Eletrotécnica, somente na Docsity!

Universidade Federal de Santa Catarina

Deparamento de P´os-Gradua¸c˜ao em Engenharia El´etrica

TRABALHO ORIENTADO:

Prote¸c˜ao Adaptativa de Microrredes

Diogo V. Jo˜ao

Relat´orio submetido `a avalia¸c˜ao da disciplina de T´opico Orientado (TO), o qual disp˜oe da discri¸c˜ao dos principais aspectos e de uma revis˜ao bibliogr´afica acerca da influˆencia de conversores eletrˆonicos no que tange aspectos de prote¸c˜ao de microrredes.

Professor Dr. Miguel Moreto

FLORIAN OPOLIS - SC´

19 de novembro de 2018

Sum´ario

  • 1 Introdu¸c˜ao
    • 1.1 Apresenta¸c˜ao dos Problemas
      • 1.1.1 Gera¸c˜ao e Armazenamento de Energia em Microrredes
      • 1.1.2 Capacidade de Fault Ride-Through - FRT
      • 1.1.3 Modos de Opera¸c˜ao
      • 1.1.4 Controle e Opera¸c˜ao dos Conversores Eletrˆonicos
      • 1.1.5 Prote¸c˜ao Adaptativa em Microrredes
        • 1.1.5.1 Comunica¸c˜ao e Protocolos para Prote¸c˜ao Adaptativa
  • 2 C´alculo de Curto-Circuito sob a Influˆencia de Conversores Eletrˆonicos
    • 2.1 M´etodos Baseados em Componentes Sim´etricas
    • 2.2 M´etodos Baseados na estrat´egia de controle DQ
    • 2.3 Outros An´alises de Curto-Circuito na Literatura
    • 2.4 Comportamento de gera¸c˜ao Tipo 3 e Tipo 4 na presen¸ca de Faltas
      • 2.4.1 An´alise de Faltas Trif´asicas
      • 2.4.2 An´alise de Faltas Desbalanceadas
  • 3 Prote¸c˜ao de Microrredes: Revis˜ao Bibliogr´afica
    • 3.1 Prote¸c˜ao Adaptativa
      • 3.1.1 Comunica¸c˜ao voltada `a Prote¸c˜ao Adaptativa
    • 3.2 Rel´e de Sobrecorrente (50/51) para Prote¸c˜ao de Microrredes
    • 3.3 Necessidade do Conhecimento da Dire¸c˜ao da corrente e o Rel´e
      • 3.3.1 Prote¸c˜ao Direcional sem Medi¸c˜oes de Tens˜ao
    • 3.4 Uso dos Rel´es de Sobretens˜ao (59) e Subtens˜ao (27)
      • 3.4.1 Mescla dos rel´es 51, 67 e 27 na Prote¸c˜ao de Microrredes
    • 3.5 Aplica¸c˜ao do Rel´e de Distˆancia (21)
    • 3.6 Rel´e Diferencial (87) em Microrredes
    • 3.7 Outras Abordagens na Prote¸c˜ao de Microrredes
    • 3.8 T´ecnicas de Coordena¸c˜ao em Microrredes
    • 3.9 Projetos Atualmente Empregados
    • 3.10 Normas e Legisla¸c˜oes Vigentes
    • 3.11 Considera¸c˜oes Finais sobre o Cap´ıtulo
    • trados na Literatura 4 Estrutura e Parˆametros dos Elementos Modelados em Microrredes Encon-
    • 4.1 Forma¸c˜ao de uma microrrede
      • 4.1.1 Estrutura das Unidade de GD
        • 4.1.1.1 Aspectos de Gera¸c˜ao Solar
        • 4.1.1.2 Aspectos de Gera¸c˜ao E´olica
        • 4.1.1.3 Aspectos de Cargas, Linhas de Transmiss˜ao e Transformadores
    • 4.2 Layout Encontrados na Literatura
  • 5 Conclus˜oes

1.1.1 Gera¸c˜ao e Armazenamento de Energia em Microrredes

Microrredes s˜ao geralmente formadas por fontes de energias renov´aveis do tipo solar e e´olica e apresentam elementos de armazenamento de energia. H´a ainda a possibilidade de utilizar fontes geot´ermicas, gera¸c˜ao combinada de calor, pequenas hidroel´etricas entre ou- tras. Agregando estas fontes renov´aveis a rede de distribui¸c˜ao do sistema el´etrico, o conceito de Gera¸c˜ao Distribu´ıda (GD) ´e formado. A utiliza¸c˜ao de Conversores Eletrˆonicos (CE) na interliga¸c˜ao da rede el´etrica com a gera¸c˜ao solar, e´olica e baterias faz surgir novos desafios relacionadosa prote¸c˜ao das redes de distribui¸c˜ao, tanto em modo ilhado quanto em modo conectado. Dependendo da forma de convers˜ao da energia e´olica, diferentes tipos de estruturas s˜ao formada. Esta diferen¸ca se baseia na tecnologia do gerador el´etrico empregado na turbina. GDs com gerador de indu¸c˜ao do tipo Gaiola e gerador de indu¸c˜ao bobinado s˜ao denominadas de GDs do Tipo 1 e do Tipo 2, respectivamente. Ao utilizar gerador de indu¸c˜ao de dupla alimenta¸c˜ao (Doubly Fed Induction Generator -DFIG ), obt´em-se a GD do Tipo 3. GD do Tipo 4 ´e formado por geradores de indu¸c˜ao, gerador de im˜a permanentes ou gerador sincrono de campo ajust´avel, por´em, sua caracter´ıstica fundamental ´e a utiliza¸c˜ao de CE em escala completa. Devido esta caracter´ıstica do Tipo 4, ´e encontrado na literatura a inclus˜ao de gera¸c˜ao fotovoltaica por apresentar a mesma caracter´ıstica [1]. A Figura 1 ilustra os Tipos de GD.

(a) Gera¸c˜ao Tipo 1 (b) Gera¸c˜ao Tipo 2

(c) Gera¸c˜ao Tipo 3 (d) Gera¸c˜oes Tipo 4

Figura 1: Ilustra¸c˜ao das formas de GD.[2]

GD do Tipo 1 n˜ao exige uma metodologia precisa de controle e sua opera¸c˜ao ´e simples e bem conhecida h´a tempos. A desvantagem do Tipo 1 ´e sua necessidade de absorver potˆencia reativa da rede para sua magnetiza¸c˜ao. Assim, geralmente ´e utilizado banco de capacitores para prover potˆencia reativa e operar o gerador pr´oximo ao fator de potˆencia unit´ario. Outras desvantagem deste tipo de gera¸c˜ao ´e a alta corrente inicial, fazendo com que seja necess´ario a instala¸c˜ao de equipamentos soft starter. GD do Tipo 2 tem seu controle realizado atrav´es de uma resistˆencia vari´avel incorporada

no circuito do rotor da m´aquina. Esta resistˆencia controla o escorregamento e o torque de forma mais ampla que o gerador do Tipo 1. E necess´´ ario tamb´em para o Tipo 2, banco de capacitores e dispositivos soft starter para resolver as mesmas desvantagens do Tipo 1. GD do Tipo 3 utiliza rotor bobinado semelhante ao Tipo 2, por´em n˜ao se enquadra no principio de indu¸c˜ao para a magnetiza¸c˜ao de campo. Ao inv´es disto, ´e utilizado CE para o controle do campo do rotor. O conversor faz liga¸c˜ao tanto com o rotor quanto com o estador e ´e capaz de ou absorver potˆencia ou fornecer potˆencia ao rotor dependendo do ˆangulo de chaveamento do CE. Quando a m´aquina do Tipo 3 opera com velocidade acima da velocidade s´ıncrona, potˆencia ´e absorvida do rotor pelo CE de modo similar ao que ocorre com o resistor do Tipo 2, por´em, o CE neste caso entrega a potˆencia absorvida para a rede ao inv´es de dissipa-la aumentando sua eficiˆencia. Por outro lado, quando a velocidade do rotor est´a abaixo da velocidade s´ıncrona, o conversor fornece potˆencia ao rotor no mesmo tempo em que fornece potencia ativa a rede pelo estator. Operando em velocidade iguala velocidade s´ıncrona, o conversor fornece corrente cont´ınua ao rotor, fazendo com que atue como um gerador s´ıncrono. GD do tipo 4 utiliza CE em toda a transi¸c˜ao de potˆencia entre gera¸c˜ao e rede, ou seja, toda potˆencia entregue na rede ´e derivado de conversores. Desta forma, potˆencia gerada em qualquer frequˆencia pode ser aproveitada, permitindo uma grande faixa de velocidade da turbina ou a utiliza¸c˜ao de gera¸c˜ao fotovoltaica. Assim, caixa de engrenagem pode ser eliminada do sistema se utilizar geradores com m´ultiplos polos. O Controle do Tipo 4 pode ser adaptado para fornecer ou consumir potˆencia reativa, agindo como um compensador est´atico. Em rela¸c˜ao `a gera¸c˜ao fotovoltaica, os CE permitem utilizar a t´ecnica de Maximmum Power Point Track (MPPT), dispondo de maior rendimento da convers˜ao da energia solar em el´etrica. O comportamento mediante falta das GDs do Tipo 1 e Tipo 2 s˜ao semelhantes aos con- vencionais geradores de indu¸c˜ao s´ıncrono. Por´em, os Tipos 3 e Tipo 4, devido ao emprego de CE, tem seus comportamentos relacionados com o algoritmo e a forma de controle empregado no conversor e muitos estudos s˜ao realizados na tentativa de modelar tais comportamento. Uma abordagem bastante utilizada na literatura ´e modelar o comportamento destas formas de GD atrav´es de uma fonte de corrente de sequˆencia positiva durante a falta, com valores de amplitude de corrente apenas pouco maior que seu valor nominal[2].

1.1.2 Capacidade de Fault Ride-Through - FRT

Algo a ser avaliado mediante curto-circuito ou contingˆencias na rede el´etrica, ´e a capaci- dade dos geradores se manter operando durante um certo per´ıodo de tempo sem prejudicar a estabilidade e a qualidade do servi¸co prestado pela rede. A esta capacidade se estabelece` o termo Fault Ride-Through (FRT) ou mais especificadamente Low Voltage Ride-Through (LVRT). E pratica em pequenas microrredes, a desconex˜´ ao da gera¸c˜ao na presen¸ca de uma falta e sua restitui¸c˜ao ´e realizada a partir do momento em que a falta ´e resolvida, por´em, para microrredes com capacidades maiores, a desconex˜ao da gera¸c˜ao pode provocar instabilidade na rede, assim, se estabelece a LVRT para sistemas com grande penetra¸c˜ao de GD, evitando desta maneira que ocorra trips desnecess´arios quanto a falta ´e prontamente isolada pelo sis- tema de prote¸c˜ao [2]. A Figura 2 apresenta um exemplo da curva de capacidade da LVRT, mostrando os valores de tens˜ao relacionado-os ao tempo de permanˆencia da falta. Em circunstˆancias de curto-circuito, as tens˜oes de barra tendem a diminuir, provocando

[7], [8]. Do ponto de vista dos CE, um modo particular para o carregamento das baterias ´e apresentado em [9], onde para garantir o suprimento da carga por parte dos CE, independen- temente da rede estar conectada ou ilhada, estes apresentam configura¸c˜oes bidirecionais de fluxo.

1.1.4 Controle e Opera¸c˜ao dos Conversores Eletrˆonicos

Esta se¸c˜ao se mostra necess´ario uma vez que a prote¸c˜ao de uma microrrede ´e fortemente relacionada com a metodologia empregada no controle dos Conversores Eletrˆonicos (CEs) utilizados para interligar as diferentes fontes de GD (Gera¸c˜ao Distribu´ıda) e Sistema de Ar- mazenamento de energia. De maneira geral, os CEs podem apresentar caracter´ısticas de controle estabelecendo ou perfil de potˆencia ativa e reativa constantes ou perfil de tens˜ao e frequˆencia contante. Uma terceira maneira de empregar os CEs ´e controlando-os de maneira a reproduzir as caracter´ısticas de um sistema convencional, formado por grandes geradores s´ıncronos, onde uma varia¸c˜ao no valor de potˆencia ativa altera a frequˆencia da rede e uma varia¸c˜ao no valor de potˆencia reativa altera a tens˜ao de sa´ıda. Este tipo de controle ´e chamado de droop control. Dado que uma microrrede pode operar tanto em modo conectado a rede quanto em modo ilhado, diferente controle deve ser imposto para cada modo. Quando conectadoa rede, esta imp˜oe a tens˜ao e a frequˆencia de referˆencia para a microrrede, logo, os CEs atuam como controladores de potˆencia (Controle PQ) ou atrav´es do droop control. Por outro lado, em modo ilhado, os CEs necessitam manter as caracter´ısticas de tens˜ao e frequˆencia constantes, desta forma, o controle da microrrede deve ser alterado para um modo de controle V/f. H´a duas formas gerais de se estabelecer o controle V/f em uma microrrede no modo ilhado, nomeados como Master-Slave e Peer-to-Peer [3]. Na configura¸c˜ao Master-Slave, um dos CEs da microrrede isolada ´e escolhido para realizar o controle V/f (Master ), providenciando referencias de tens˜ao e frequˆencia para os outros CEs (Slave) do sistema isolado operando como controladores PQ. Esta configura¸c˜ao de controle est´a representada na Figura 3(a). A Figura 3(b) por outro lado, representa a configura¸c˜ao Peer-to-Peer onde cada CE atua em seu pr´oprio controle de tens˜ao e frequˆencia. Nesta configura¸c˜ao, a melhor forma de controle ´e a relizada pelo droop control.

(a) Controle Master-Slave (b) Controle Peer-to-Peer

Figura 3: Formas de controle em modo ilhado.[3]

As curvas representadas na Figura 4 mostram as a¸c˜oes dos controles PQ, V/f e droop control em situa¸c˜oes de oscila¸c˜ao da microrrede. Ao que foi comentado at´e o momento sobre os controles dos CEs em microrredes refere-se

(a) Curva Controle PQ (b) Curva Controle V/f

(c) Curva Drop Control

Figura 4: Curva de a¸c˜ao dos Controles.[3]

`a malha externa, da qual serve de referˆencia para a malha interna do controlador. O principal objetivo da malha interna ´e a regula¸c˜ao da corrente injetada na microrrede. O motivo de obter um controle de corrente se centra no fato de haver a necessidade de limitar a corrente que passa pelos elementos dos CEs, evitando assim que ocorra defeito nos conversores. Justifica-se com isso, o fato dos CEs apresentarem baixo valor de corrente de curto-circuito em rela¸c˜ao aos sistemas el´etricos convencionais, inviabilizando o uso de sistemas de prote¸c˜ao convencional das redes de distribui¸c˜ao.

1.1.5 Prote¸c˜ao Adaptativa em Microrredes

A radialidade presente em redes de distribui¸c˜ao convencionais, permite uma simples e determin´ıstica configura¸c˜ao de sua prote¸c˜ao. Nestas redes, s˜ao utilizados em demasia rel´es de sobrecorrente por serem simples de se configurar e por apresentarem baixos custos econˆomicos. Quando h´a inser¸c˜ao de unidades de GD na rede de distribui¸c˜ao, o sistema passa a possuir caracter´ısticas distintas de acordo com o tipo de GD, ponto de sua conex˜ao na rede e modo de opera¸c˜ao. Tais caracter´ısticas podem ser alteradas a qualquer instante devido `a intermitˆencia das fontes renov´aveis Distribu´ıdas (E´olica e Solar) e das varia¸c˜oes peri´odicas de carga, fazendo com que a dire¸c˜ao e magnitude das correntes de curto-circuito varie constantemente. Ainda mais, a topologia da rede pode ser alterada para cumprir crit´erios econˆomicos no balan¸co carga/gera¸c˜ao, minimiza¸c˜ao de perdas entre outros objetivos operacionais. Por estes motivos, redes de distribui¸c˜ao na presen¸ca de GD tem a necessidade de possuir um sistema de prote¸c˜ao com caracter´ısticas adaptativas [10]. Prote¸c˜ao adaptativa ´e definida como uma atividade online que modifica a resposta do sistema de prote¸c˜ao de acordo com as mudan¸cas das condi¸c˜oes do sistema por meio de sinais externos ou a¸c˜oes de controle [11]. Sua implementa¸c˜ao ´e alcan¸cada com a utiliza¸c˜ao de rel´es digitais, cujo os quais tem a flexibilidade de reprograma¸c˜ao local ou remotamente por vias de sistema de comunica¸c˜ao. Dependendo da distribui¸c˜ao das fun¸c˜oes, o sistema de prote¸c˜ao

positivos inteligentes possuidores de autonomia para tomar decis˜oes ao pressentir falhas na rede. Entretanto, esta ´e uma arquitetura menos convencional devido `a complexidade dos dispositivos inteligentes e do alto custo para sua implementa¸c˜ao. E necess´´ ario ainda para esta arquitetura, estabelecer protocolos de comunica¸c˜ao que permitam comunica¸c˜ao direcio- nal com os dispositivos. Em termos de protocolo padr˜ao, h´a recomenda¸c˜oes para o protocolo IEC 61850. A implanta¸c˜ao desta arquitetura precisa ainda ser estabelecida por meio de co- munica¸c˜ao de barramento ou por via de rede Ethernet, embora h´a possibilidades de utilizar redes 4G wireless ou CLP. O protocolo padr˜ao IEC 61850 ´e o mais aceito na literatura para prote¸c˜ao adaptativa, utilizando rede Ethernet comumente encontrada em tecnologias de automa¸c˜ao em redes de m´edia tens˜ao. Destaca-se entre os servi¸cos deste protocolo, o GOOSE (Generic Object Orien- ted Substation Event). Este servi¸co faz a comunica¸c˜ao direta entre os dispositivos de prote¸c˜ao da microrrede poss´ıvel. Embora a implanta¸c˜ao do protocolo IEC 61850 requisitar altos inves- timento, a opera¸c˜ao de uma microrrede n˜ao se mostra fact´ıvel sem um sistema de prote¸c˜ao adaptativa.

2 C´alculo de Curto-Circuito sob a Influˆencia de Conversores

Eletrˆonicos

A obten¸c˜ao da corrente de curto circuito em sistemas el´etricos de potˆencia se faz necess´ario para cumprir e estabelecer crit´erios em estudos de planejamento, opera¸c˜ao e prote¸c˜ao. Aos crit´erios relacionados a prote¸c˜ao se estabelece, por exemplo, as configura¸c˜ao dos rel´es e dis- juntores da rede. Procedimentos para o c´alculo da Corrente de Curto-Circuito (CCC) em redes de distribui¸c˜ao pode ser encontrado na norma internacional IEC 60909, contudo, os procedimentos para an´alise de CCC da norma n˜ao leva em considera¸c˜ao a penetra¸c˜ao de con- versores eletrˆonicos na rede. Assim, considera¸c˜oes a cerca das metodologias de CCC devem ser feitas ao considerar a influˆencia destes conversores [1]. Avalia-se que em circunstˆancias de curto-circuito, a tens˜ao terminal dos conversores di- minui, fazendo com que a continuidade de gera¸c˜ao em cada GD recaia sobre a capacidade da Low Voltage Ride-Through (LVRT). Caso as condi¸c˜oes LVRT estejam dentro dos limites estipulador, as GDs operar˜ao sobre condi¸c˜oes de falta, caso contr´ario as unidades de GD ser˜ao desconectadas da rede. Assim, apenas GDs que se mantenham em opera¸c˜ao durante a falta ´e analisada no c´alculo de curto-circuito [3]. De maneira geral, quando empregado conversores de fonte de corrente (Current Source Converters-CSC), as correntes pr´e e p´os falta s˜ao as mesmas. Em contraponto, no caso de conversores de fonte de tens˜ao (Voltage Source Converters-VSC), h´a varia¸c˜oes na corrente p´os falta que, dependendo da forma de controle, se estabelece em uma escala entre 1.1a 2 vezes a corrente nominal do conversor [12]. A representa¸c˜ao de um VSC trif´asico ´e apresentado na Figura 5.

Figura 5: Representa¸c˜ao do circuito de um SVC

Neste tipo de conversor, a tens˜ao E˙ ´e mantida constante antes e ap´os a falta e sua tens˜ao terminal, V, para cada fase, pode ser obtida de acordo com a Equa¸c˜ao 2.1, caso seja conhecido as potˆencias ativa e reativa [3], onde X e R representam a reatˆancia e a resistˆencia do filtro do conversor, respectivamente.

E˙ = V˙ + ∆V + jδV (2.1)

∆V =

P R + QX

V

δV =

P X + QR

V

Vale destacar que devido a baixa in´ercia dos conversores eletrˆonicos em conjunto com a habilidade de controle PQ constantes, o fluxo de potˆencia em regime ´e rapidamente alcan¸cado

sistema mediante falta. Na maioria dos casos, o controle dos conversores s˜ao programados para prover correntes de sequˆencia positiva sim´etricas, mesmo em situa¸c˜oes de curto-circuito assim´etrico, fazendo com que a gera¸c˜ao seja uma fonte de corrente controlada [4]. Em [4] ´e proposto um modelo como os apresentados na Figura 6(b), com correntes limitadas em am- plitude e ˆangulo de fase igual aos da corrente pr´e falta, utilizando a t´ecnica backward/forward para an´alise de um sistema de grande porte. Vale observar que dependendo do fabricante do conversor, os valores de corrente de curto circuito e as configura¸c˜oes de ˆangulo na presen¸ca de faltas s˜ao fornecidas e inclu´ıdas na modelagem. Outra abordagens de an´alise da CCC ´e encontrada em [13], onde ´e representado os con- versores por um equivalente de Norton com sua impedˆancia em paralelo considerada infinita. A Figura 7 representa esta modelagem, onde ´e considerado apenas a sequˆencia positiva para a an´alise e sua configura¸c˜ao segue as conex˜oes dos transformadores quanto ao seu aterramento. Observa-se que devido a configura¸c˜ao delta do transformador no lado do conversor, a an´alise das componentes de sequˆencia zero s˜ao descartadas.

(a) Modelo para estudos de c´alculo de curto-circuito.

(b) Rede (a) no dominio da Sequencia.[13]

Figura 7: Representa¸c˜ao na Sequˆencia de sistema com conversores eletrˆonicos.[3]

Seguindo o racioc´ınio de uma representa¸c˜ao atrav´es de uma fonte de corrente de sequˆencia positiva, [14] modela a barra pertencente `a GD com conversor como uma barra Iθ e atrav´es desta modelagem resolve o fluxo de potencia por Newton no intuito de encontrar a corrente de falta da rede. Na modelagem ´e considerado I = Im´ax, θ = 0o^ e a matriz impedˆancia ´e modificada de acordo com o ponto da falta. No algoritmo da solu¸c˜ao, ´e considerado a influˆencia das condi¸c˜oes de LVRT. Para resolver o c´alculo atrav´es dos m´etodos convencionais de solu¸c˜ao, a barra Iθ passa

por um processo de convers˜ao assumindo que a potˆencia se mant´em contante mesmo ap´os a falta. Assim, a modelagem matem´atica do problema se estabelece como a Equa¸c˜ao 2.4 [14].

UiIicosθi − PLi = Ui

ji

Uj (Gij cosδ)ij + Bij sinδij) (2.4a)

UiIisinθi − QLi = Ui

ji

Uj (Gij sinδ)ij + Bij cosδij) (2.4b)

sendo que,

IDGi =

SDGi VDGi

onde i pertence `a barra Iθ, V ´e a tens˜ao, δij ´e a diferen¸ca de fase entre as barras i e j e G e B s˜ao as partes reais e imagin´arias da matriz admitˆancia, respectivamente. Tendo m barras do tipo PQ em um total de n barras na rede, ent˜ao haver´a n − m − 1 barras Iθ. A partir da Equa¸c˜ao 2.4 ´e estabelecido o balan¸co de potˆencia para as barras Iθ e PQ, do qual ´e resolvido atrav´es do m´etodo iterativo de Newton de modo a formar um sistema com 2(n − 1) equa¸c˜oes e 2(n − 1) inc´ognitas.

2.2 M´etodos Baseados na estrat´egia de controle DQ

A estrat´egia de controle baseada na t´ecnica DQ ´e comumente utilizada em CE empregados nas microrredes. Em [15] ´e apresentado uma forma de calcular a CCC baseado na t´ecnica de controle DQ, analisando assim, a corrente de falta derivada do conversor. Para tal feito, simplifica¸c˜oes s˜ao definidas a ponto de facilitar a modelagem matem´atica, como por exemplo a desconsidera¸c˜ao da n˜ao-linearidade das chaves de comuta¸c˜ao dos conversores, considerando-as como ideais. Tamb´em ´e considerado na modelagem matem´atica que a frequˆencia do sistema corresponde `a frequˆencia central do controle PLL, sendo esta n˜ao alterada significativamente durante a falta com um afundamento devido a falta de -90o. Considera-se tamb´em que a a¸c˜ao do controlador PI tem sua raz˜ao proporcional dominante durante a falta, fazendo o controle PI modelado pela sua constante proporcional K. A Figura 8 ilustra o motivo destas simplifica¸c˜oes.

(a) An´alise do controle PLL. (b) An´alise do controlador PI

Figura 8: Representa¸c˜ao da a¸c˜ao dos controles do conversor mediante falta. [15]

estabelece igual a corrente pr´e falta como ´e abordado na literatura. Por outro lado, se KP ´e suficientemente pequeno, fazendo Ri << wLi e Ri << E 0 − Vt, obter-se-`a da Equa¸c˜ao 2. uma equa¸c˜ao que representa uma fonte convencional de gera¸c˜ao de energia. Encontra-se tamb´em uma abordagem de c´alculo da CCC baseada no controle DQ em [16], onde ´e utilizada uma t´ecnica de m´ultiplos tempo de escalas, levando em considera¸c˜ao a estrat´egia de controle e o transiente durante a falta. Neste m´etodo, a dinˆamica da falta ´e relacionada com a regula¸c˜ao dos controles de corrente AC e de tens˜ao DC. Como a banda de passagem dos controles AC e DC se encontram entre 100Hz e 10Hz, a dinˆamica do eixo-d em tempo de escala eletromagn´etica ´e estendida para o controle AC em tempo de escala menor que 50ms, e o controle DC entre 50ms e 0.5s. A abordagem de [16] pode ser visto na Figura

Figura 11: Diagrama para t´ecnica de tempo de escalas proposto em [16]

Assim, baseado na classifica¸c˜ao de m´ultiplas escala de tempo e com simplifica¸c˜oes rele- vantes, a an´alise da CCC de um conversor eletrˆonico com controles em cascata ´e realizada com a divis˜ao de dois sistemas independentes, escala de tempo do controle de corrente AC e escala de tempo de tens˜ao DC, e por fim a express˜ao final da CCC ´e obtida,

2.3 Outros An´alises de Curto-Circuito na Literatura

Em [5] e [17] s˜ao apresentadas formas de modelar redes de distribui¸c˜ao com microrredes atrav´es de componentes de sequˆencia positiva e negativa, e ent˜ao, devido a n˜ao-linearidade dos conversores, m´etodos iterativos ´e utilizado para o c´alculo da corrente de falta da rede. Ainda em uma modelagem por componentes sim´etricas positivas, uma forma de se obter a CCC atrav´es de uma an´alise do controle formado pelo m´etodo Master-Slave ´e encontrada em [18]. Na tentativa de adaptar o padr˜ao IEC-60909 as redes com conversores eletrˆonicos, [1] apresenta modifica¸c˜oes da norma, separando o c´alculo da CCC por regi˜oes da rede, ou seja, por contribui¸c˜oes do c´alculoa montante do ponto da falta e por contribui¸c˜ao da GD de acordo com seu Tipo. De modo geral, ´e corriqueiro na literatura encontrar o c´alculo da CCC por um somat´orio de todas as contribui¸c˜oes das GDs, sendo esta contribui¸c˜ao o produto entre a corrente nominal da conversor pelo seu fator de corrente m´axima (entre 1.2 `a 2). Abordagens como esta ´e encontrada em [19], [20] e [21].

2.4 Comportamento de gera¸c˜ao Tipo 3 e Tipo 4 na presen¸ca de Faltas

Praticamente todas as microrredes de grande porte utilizam tecnologias de gera¸c˜ao e´olica atrav´es de geradores de dupla alimenta¸c˜ao (DFIG) ou geradores com acoplamento a rede realizado completamente por conversores eletrˆonicos, ou seja, gera¸c˜oes e´olica do Tipo 3 e do Tipo 4 [22] [23]. Com estes sistemas de gera¸c˜ao, faz se poss´ıvel o aproveitamento de ventos com velocidades vari´aveis para gerar energia el´etrica. Gera¸c˜oes fotovoltaicas, para efeito de estudos de curto-circuitos, ´e inclu´ıda nas an´alises do Tipo 4 devidoas similaridades existentes entre estes sistemas de gera¸c˜ao. Esta inclus˜ao ´e justific´avel pelos conversores referenciados ao lado da rede (CC-CA) apresentarem topologias semelhantes de controle [24]. O sistema de excita¸c˜ao do Geradores DFIG ´e realizado no rotor por corrente alternada (CA) atrav´es de conversores eletrˆonicos capazes de variar a frequˆencia e magnitude do campo do rotor. A corrente de entrada dos conversores provem da pr´opria rede (sa´ıda do sistema de gera¸c˜ao) e gera corrente de magnitude e frequˆencia vari´avel dependendo do estado da rede el´etrica. Com o aumento da rota¸c˜ao do campo magn´etico do rotor, sendo no sentido positivo ao sentido de giro do rotor, surge um aumento na velocidade do gerador dado pela soma das velocidades mecˆanicas e do campo do rotor. Caso a rota¸c˜ao mecˆanica do rotor acelere al´em da frequˆencia da rede, os conversores reduzem a rota¸c˜ao do campo magn´etico do rotor fazendo com que a velocidade mecˆanica diminua. Verifica-se assim que o comportamento da gera¸c˜ao Tipo 3 ´e governada pela a¸c˜ao dos conversores eletrˆonicos e seus controles [23]. A contempla¸c˜ao de um sistema de gera¸c˜ao e´olica do Tipo 4, do qual satisfa¸ca al´em dos c´odigos de rede a demanda de mercado, ´e realiz´avel atrav´es de geradores s´ıncronos de im˜as permanente (Permanent Magnet Synchronous Generator - PMSG) [25]. A contribui¸c˜ao da corrente de falta deste tipo de gera¸c˜ao ´e limitada pelo controle dos conversores empregados na interconex˜ao com a rede. O sistema de conversores para a gera¸c˜ao e´olica do Tipo 4 ´e formado pela configura¸c˜ao back-to-back com um capacitor entre os conversores. Este capacitor balanceia a diferen¸ca entre potˆencia gerada pelo conversor do lado da gera¸c˜ao e o conversor do lado da rede. Durante uma falta, surge um desbalan¸co de potˆencia entre os conversores, fazendo com que a tens˜ao CC do capacitor aumente [25]. Para evitar aumentos de tens˜ao indesej´aveis, o conversor limita a corrente para proteger suas chaves de comuta¸c˜ao IGBTs. O comportamento de gera¸c˜ao com sistemas do Tipo 3 ou 4 na presen¸ca de falta ´e definido primariamente pelas caracter´ısticas de controle empregado nos conversores [22]. De tal fato, n˜ao ´e poss´ıvel modelar a an´alise de faltas pela representa¸c˜ao de uma fonte conectada a uma reatˆancia. Desta forma, um modelo gen´erico para an´alise de curto circuito n˜ao se mostra fact´ıvel para estudos de prote¸c˜ao de microrredes [23]. A contribui¸c˜ao de corrente de falta para gera¸c˜ao do Tipo 4 depende dos limites impostos pelo fabricante, podendo variar entre 1 a 2 pu de magnitude e oscilar at´e 3 pu do primeiro ao segundo ciclo p´os falta [26]. J´a a gera¸c˜ao do Tipo 3 tem seu comportamento identico ao Tipo 4a menos que a corrente de falta seja muito severa. Nesta situa¸c˜ao, a prote¸c˜ao do DFIG aciona o dispositivo de crowbar podendo levar a corrente `a patamares at´e 5 pu.

2.4.1 An´alise de Faltas Trif´asicas

Em rela¸c˜ao a gera¸c˜ao do Tipo 3, se uma falta trif´asica ocorre em sua proximidade quando o rotor apresenta velocidade acima da frequˆencia da rede, a tens˜ao terminal do gerador cai e o rotor deixa de transmitir potˆenciaa rede. Assim, a potˆencia ´e transferida ao capacitor

3 Prote¸c˜ao de Microrredes: Revis˜ao Bibliogr´afica

Apesar das vantagens obtidas com o desenvolvimento de microrredes, principalmente em termos relacionados aos benef´ıcios ambientais provindos da inser¸c˜ao de fontes renov´aveis de gera¸c˜ao de energia el´etrica e da ininterrup¸c˜ao da disponibilidade de energia, existem ainda preocupa¸c˜oes e desafios quanto ao controle e a prote¸c˜ao destas microrredes. Em sua maioria, estes desafios e preocupa¸c˜oes est˜ao relacionadosa conex˜ao das fontes renov´aveis a rede por meio de Conversores Eletrˆonicos (CE). Estes tem a caracter´ıstica de limitar a corrente em valores pr´oximos ao do nominal. Assim, em situa¸c˜oes de curto-circuito, a corrente de falta provinda dos conversores n˜ao exceder´a em demasia a corrente nominal, inviabilizando o uso do sistema de prote¸c˜ao comumente usado em sistemas de distribui¸c˜ao radial. Outro desafio presente na implanta¸c˜ao da prote¸c˜ao em microrredes, se diz respeito ao modo de opera¸c˜ao em que a microrrede se encontra. Em modo conectadoa rede el´etrica, a Corrente de Curto-Circuito (CCC) sofre influˆencia dos grandes geradores do sistema el´etrico, sendo assim, o valor da corrente de falta chega a ser maior que 5 vezes a nominal, possibilitando o emprego da prote¸c˜ao convencional em primeira an´alise. Por´em, este valor tamb´em sofre influˆencia das Gera¸c˜oes Distribu´ıdas (GDs) dispon´ıveis, e devido a intermitˆencia das fontes renov´aveis, esta disponibilidade tem varia¸c˜oes que faz modificar o limiar de atua¸c˜ao do sistema de prote¸c˜ao convencional. Por outro lado, em modo ilhado, uma microrrede formado apenas por CE tem sua corrente de falta limitada em valores pr´oximos aos nominais de opera¸c˜ao, fazendo com que o emprego da prote¸c˜ao tradicional em redes de distribui¸c˜ao seja inapropriado. Destaca-se ainda que a inser¸c˜ao de GD na rede de distribui¸c˜ao elimina a radialidade do sistema, de modo que a dire¸c˜ao do fluxo de potˆencia, e assim o da corrente, seja indeterminado por valores pr´e-fixados nos dispositivos de prote¸c˜ao. Ainda mais, a varia¸c˜ao da gera¸c˜ao por parte das GDs faz com que a dire¸c˜ao das correntes varie dependendo das potˆencias geradas. Consequentemente, o problema de coordena¸c˜ao da prote¸c˜ao se torna significante para a garantia da prote¸c˜ao de retaguarda da rede. Este Cap´ıtulo tem por objetivo apresentar uma revis˜ao bibliogr´afica das principais meto- dologias encontradas na literatura para a solu¸c˜ao dos problemas em prote¸c˜ao de microrredes listados acima. Para tal prop´osito, as se¸c˜oes que se seguem s˜ao organizadas de acordo com o emprego dos rel´es de prote¸c˜ao convencionais e com as t´ecnicas encontradas na literatura. Uma revis˜ao das principais normas vigentes quantoa prote¸c˜ao de microrredes e projetos pilotos atualmente existentes tamb´em s˜ao apresentados neste cap´ıtulo.

3.1 Prote¸c˜ao Adaptativa

Observa-se do exposto no incio deste cap´ıtulo que a prote¸c˜ao convencional utilizada em redes de distribui¸c˜ao n˜ao se adequ´a aos crit´erios exigidos em uma microrrede, isso devido `as varia¸c˜oes e intermitˆencias dos valores necess´arios para a configura¸c˜ao da prote¸c˜ao da rede. Faz-se necess´ario assim, o uso de uma prote¸c˜ao adaptativa capaz de seguir dinamicamente as mudan¸cas da microrrede [11]. A prote¸c˜ao adaptativa para um sistema de distribui¸c˜ao composto por GD se centra basicamente em reconfigurar os dispositivos direcionais de sobre- correntes de acordo com o estado da rede, garantindo assim que n˜ao ocorra indesej´aveis ou descoordenadas opera¸c˜oes por parte dos rel´es. A viabiliza¸c˜ao t´ecnica deste tipo de prote¸c˜ao exige a utiliza¸c˜ao de rel´es digitais, dos quais tem a capacidade de comunica¸c˜ao entre si e com

a central de gerenciamento da rede e apresentam ainda a flexibilidade de reconfigurar suas caracter´ısticas de maneira on-line. Uma abordagem recente da literatura sobre prote¸c˜ao adaptativa pode ser encontrada em [27]. Neste trabalho a prote¸c˜ao adaptativa ´e utilizada para garantir a seguran¸ca de uma microrrede realizando um processo de 3 etapas. Nas primeiras 2 etapas, uma offline e outra online, s˜ao realizados estudos da dinˆamica da microrrede, obtendo os estados de equil´ıbrio da rede e calculando as zonas de prote¸c˜ao, onde ´e criado uma regi˜ao de atra¸c˜ao. No terceiro est´agio ´e realizado a prote¸c˜ao em tempo real da microrrede a partir dos dados obtidos nos est´agios 1 e 2, monitorando as vari´aveis de estado e mapeando-os na regi˜ao de atra¸c˜ao calculado no est´agio 2. Uma vez que a trajet´oria mapeada viole as restri¸c˜oes impostas pela zona de prote¸c˜ao, ´e acionado trip nos dispositivos relacionados e a prote¸c˜ao ´e efetuada. Este processo mant´em atualizando as vari´aveis em intervalos de tempo, reprogramando a prote¸c˜ao de acordo com mudan¸cas do ponto de opera¸c˜ao da microrrede. Esquemas de prote¸c˜ao adaptativa utilizando dispositivos de sobrecorrente s˜ao os mais comuns na literatura. Exemplo de aplica¸c˜ao pode ser encontrado em [28], onde 3 camadas de processamento s˜ao realizadas e sinais de reconfigura¸c˜oes s˜ao enviados aos dispositivos de prote¸c˜ao. Neste trabalho, a camada mais baixa, chamada de camada de execu¸c˜ao composta por rel´es de sobrecorrente, faz a leitura da corrente e em alguns casos recebe valores de tens˜ao e aciona trip quando ´e detectado falta. Esta camada ´e autˆonoma e capaz de tomar decis˜oes localmente, garantindo que em caso de falha na comunica¸c˜ao da prote¸c˜ao, o rel´e n˜ao seja afetado. Esta camada se comunica com a camada de segundo n´ıvel, chamada de camada de coordena¸c˜ao, onde ´e monitorado e coordenado os dispositivos de prote¸c˜ao. A interface entre a primeira e segunda camada consiste em barramento de comunica¸c˜ao seguindo o protocolo IEC 61850. No topo das camadas se encontra a camada de gerenciamento, da qual gerencia e se comunica com a camada de coordena¸c˜ao estabelecendo uma prote¸c˜ao adaptativa aos dispositivos de prote¸c˜ao de sobrecorrente da microrrede. Sistema de prote¸c˜ao adaptativo de maneira autˆonoma pode ser encontra em [29], onde rel´es digitais s˜ao utilizados para armazenar um conjunto de configura¸c˜oes referente a v´arios estados da rede de maneira offline. Conforme a microrrede sofre modifica¸c˜oes em sua opera¸c˜ao, um sistema de comunica¸c˜ao transmite o novo estado da rede para os rel´es, busca-se assim, em sua base de dados, a configura¸c˜ao mais adequada para o estado atual da rede. Uma maneira mais robusta de se empregar prote¸c˜ao adaptativa em microrredes ´e utili- zando t´ecnicas de Inteligencia Artificial. Encontra-se em [30] uma vis˜ao baseada em redes neurais artificiais, utilizando-se de elementos direcionais de sobrecorrente adaptativos junto `a estima¸c˜ao de estados para configurar os rel´es da microrrede. De maneira geral, a prote¸c˜ao adaptativa ´e inevit´avel quanto se tratado de microrredes, independentemente do tipo de dispositivos e m´etodos que se deseja empregar. A adapta¸c˜ao das t´ecnicas de prote¸c˜ao se mostrar´a presente em todo o decorrer deste cap´ıtulo, de modo que a dinamicidade da rede possa ser acompanhada pelos dispositivos de maneira online ou com tabelas pr´e especificada de casos da microrrede.

3.1.1 Comunica¸c˜ao voltada `a Prote¸c˜ao Adaptativa

Como apresentado, uma prote¸c˜ao adaptativa pode possuir comunica¸c˜ao a partir de um gerenciamento centralizado ou descentralizado. Quando centralizado, a arquitetura de co-