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As técnicas e materiais utilizados na restauração de dentes despolpados, com foco na importância da estrutura dental remanescente e nas opções de reconstrução coronária. Explora o uso de pinos intra-radiculares pré-fabricados, núcleos de preenchimento e núcleos fundidos, além de discutir as vantagens e desvantagens de diferentes materiais como fibra de vidro e metal. O texto também detalha o preparo do conduto e as considerações mecânicas para garantir a durabilidade da restauração, oferecendo um guia completo para estudantes e profissionais da odontologia.
Tipologia: Esquemas
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▪ Por muitos anos, acreditou-se que a perda da
vitalidade pulpar levasse a uma diminuição da
umidade dentinária, resultando na alteração da
resiliência do dente, tornando-o mais
susceptível a fraturas.
▪ Mas na verdade, observa-se que trabalhos
demonstram que um dente despolpado perde
apenas cerca de 9% da sua umidade quando
comparados aos polpados.
▪ Outros salientaram que o acesso endodôntico
reduziu a resistência de um pré-molar em
apenas 5%, sendo que a preparação oclusal
resultou na diminuição em torno de 20% e uma
cavidade MOD reduziu em 63% a resistência
do mesmo grupo de dentes.
Então, normalmente, tirando os casos de trauma, o elemento
dentário que foi encaminhado para um tratamento endodôntico já
vem muito destruído, geralmente por conta de uma cárie ou uma
fratura. O elemento já chega fragilizado e o tratamento
endodôntico na verdade é uma salvação para esse dente, é um
meio de fazer uma restauração que fique retentiva e que
recupere esse dente. Dessa forma, o tratamento endodôntico em
si não fragiliza o elemento dentário.
Portanto, o mais importante a se levar em consideração na
restauração de dentes despolpados não é o fato do tratamento
endodôntico “enfraquecer o dente”, mas sim a quantidade e a
qualidade da estrutura dental remanescente e como esta deverá
ser restaurada.
mais frágil ele será, maior será a abordagem para
restabelecer a função desse elemento dentário.
Um dente DESPOLPADO é mais frágil devido à modificação na sua
arquitetura e morfologia em função da perda de estrutura
dentária por cáries, fraturas além do acesso e instrumentação do
canal radicular.
e os retentores radiculares, muito provavelmente os
dentes seriam perdidos.
O uso do canal radicular para retenção e estabilidade da
reconstrução coronária, possibilita a manutenção de dentes
amplamente destruídos.
dado como perdido, devolvendo função e estética;
tratamento endodôntico satisfatório;
permitir uma restauração efetiva.
São elementos protéticos que permitem a reconstrução parcial ou
total da porção coronária perdida, por meio de uma ancoragem
intra-radicular.
Quando existe perda significativa de estrutura dental, o uso de
núcleos ou pinos pré-fabricados + núcleo de preenchimento é
essencial para reter a restauração.
Os retentores permitem a retenção friccional e altura de preparo
para a restauração. Sem os retentores, a restauração iria ficar
descimentando, ou provocando muita força e levando à fratura da
raiz. Essa ancoragem intrarradicular é necessário para fazer a
porção coronária e assim fazer o preparo do elemento dentário
que vai receber a coroa.
remanescente (especialmente na região cervical), a
literatura mostra que não precisaria de tratamento
endodôntico e retentor intrarradicular.
especialmente na região cervical, é indicado o tratamento
endodôntico e retentor intrarradicular. Em seguida
colocar uma coroa total fixa sobre esse elemento.
A partir de um pino intrarradicular pré-fabricado é confeccionado
um núcleo de preenchimento (porção coronária do retentor
intrarradicular).
Os retentores intrarradiculares podem ser confeccionados a
partir de um pino intrarradicular pré-fabricado e sobre ele é feito
a porção coronária. Quando se utiliza pinos pré-fabricados, há duas
etapas diferentes: uma em que apenas o pino vai para região
intrarradicular e a outra que é o preenchimento que irá
restabelecer a porção coronária. O núcleo de preenchimento é
confeccionado de resina composta no formato do preparo.
Há também os núcleos fundidos ou fresados, onde a parte de pino
intrarradicular e de núcleo de preenchimento é uma peça única:
pino intrarradicular + núcleo em uma única peça. Pode ser
confeccionado de metal fundido ou de fibra de vidro fresado.
Núcleo metálico fundido Núcleo de fibra de vidro fresado
molde do canal radicular.
Comprimento e diâmetro do pino – REGRAS:
→ Mínimo igual ao comprimento da coroa;
→ Mínimo 2/3 do comprimento total do remanescente;
→ Metade do comprimento da raíz suportada em osso
(considerar apenas o comprimento da raiz do dente que
está suportada em osso);
→ Entre 3 a 5 mm de material obturador endodôntico na
região apical;
→ 1/3 do diâmetro da raiz.
Essas regras devem ser seguidas para dar longevidade ao caso.
OBS: em um molar, utiliza-se o canal mais reto para colocar o pino
mais comprido e pode-se colocar pinos menores nos outros canais,
fazendo um grande núcleo.
OBS: para o preparo do canal, para colocar o pino, utiliza-se as
brocas do tipo Gates e Largo.
OBS: esse preparo não pode ficar fino demais, pois o pino irá ficar
descimentando e também não ser muito largo, pois irá ficar pouca
estrutura de remanescente dentário e irá acabar fraturando.
Se o pino for muito curto, haverá pouca estabilidade. Não há pino
suficiente intrarradicular para distribuir a sobrecarga
OBS: quando o dente apresenta um grau de mobilidade, deve-se
avaliar a quantidade da raiz do dente que está em osso e verificar
se essa quantidade é suficiente para colocar um retentor
intrrarradicular. Se não for suficiente, não será possível restaurar.
OBS: é necessário saber como fazer o preparo coronário para
coroa total fixa.
▪ Remanescente coronário;
▪ Condições e morfologia da raiz;
▪ Localização do dente no arco;
▪ Tratamento endodôntico;
▪ Tipo de restauração a ser realizada;
▪ Oclusão e parafunção;
▪ Determinar comprimento desejado do preparo.
OBS: quando o tratamento endodôntico não está ideal, deve-se
encaminhar para fazer um retratamento endodôntico.
OBS: quando o remanescente dentário apresenta-se muito
gengival, é necessário fazer um aumento de coroa clínica antes.
▪ Eliminar paredes delgadas, sem suporte
dentinário e já inicia o preparo desse dente
(como se ele já fosse receber uma coroa total).
▪ Determinar comprimento adequado do preparo
(avalia a radiografia e faz todas as medições),
para saber o quanto irá entrar e o quanto irá
alargar esse conduto;
▪ Utiliza instrumentos aquecidos, calcadores,
brocas gates e largo;
Essas brocas possuem numerações, então a numeração deve ser
compatível com o elemento dentário (utilizar a radiografia como
referência, para verificar o diâmetro compatível).
▪ Procurar visualizar a inclinação e o material
restaurador para evitar a trepanação;
OBS: utilizar um stop para guiar a desobturação. Utilizar isolamento
absoluto para essa etapa, evitando a contaminação do conduto.
O núcleo é fundido no laboratório, mas é necessário mandar um
guia para o técnico, quando se utiliza a técnica direta. A partir
desse “gabarito” enviado ao técnico, ele irá transformar o que foi
feito em resina acrílica em metal.
▪ Utiliza-se a resina Duraley (que é uma resina
vermelha mais estável);
▪ Tem que vaselinar o remanescente dentário e
o conduto (vaselinar muito o conduto, para não
correr o risco de a resina ficar presa lá
dentro);
▪ Coloca sobre o remanescente dentário o pó e
o líquido;
▪ Depois coloca um pinozinho dentro do conduto,
chamado de pinget;
▪ Em seguida, pela técnica de pó e líquido, se vai
dando a conformação do preparo da parte
coronária.
Deve ficar tirando e colocando até tomar presa. Após tomar
presa, faz como se fosse um núcleo de preenchimento na parte
coronária, utilizando o pó e o líquido.
OBS: também é possível manipular a resina, inseri-la no conduto ao
redor do pino quando estiver na fase plástica, modelar apenas o
conduto e confeccionar a parte coronária quando tomar presa.
▪ Então há duas formas de modelar: envolvendo
logo o pino, modelando a parte intrarradicular e
depois fazer só a parte coronária ou pode
fazer tudo de uma vez só.
OBS: os ajsutes podem ser feito com a Maxcut e alta rotação,
para tirar os excessos.
Faz o preparo como se estivesse preparando o elemento dentário
para receber a prótese fixa. O desenho final deve ser o mesmo
desenho do preparo. Depois de deixar o preparo correto, deve-se
cortar os excessos.
Sistemas de Pinos de Fibra de Vidro.
Indicada para condutos regulares, preservação de
estrutura intrarradicular e seleção de pino.
▪ Avaliar o pino de melhor adaptação e usa a
broca correspondente;
Gabarito que vem no sistema de pinos, serve para identificar o
diâmetro do pino que melhor irá se encaixar no conduto.
▪ Atenção à profundidade planejada – usar o
STOP na broca;
OBS: o preparo é parecido com o preparo realizado para o pino de
núcleo metálico fundido, mas pelo fato de o pino de fibra de vidro
ter retenção química, não há regras tão rígidas em relação ao
diâmetro (em comparação com os de núcleo metálico fundido). Mas
também é necessário colocar um pino longo, só não precisa ser
tão longo, pois ele tem adesão química. Então, basicamente, o
diâmetro será a remoção da guta percha. Pelas características do
material, esse pino possui menos chances de fratura (fratura do
remanescente dentário radicular).
▪ Lavar e secar – remover resquícios de
material obturador e raspas de dentina;
▪ Prova do pino – Raio x periapical para
confirmar;
Não deve haver guta percha nas paredes laterais ao pino (pois
isso pode atrapalhar a adesão).
OBS: quando o pino fica bem adaptado, não há necessidade de
fazer modelagem.
OBS: procurar por um pino que não seja tão curto, pois precisa de
uma porção coronária para reter o núcleo de preenchimento.
▪ Cortar o pino – 2 mm aquém do limite
incisal/oclusal;
▪ Limpeza com gaze e álcool 70% + silanização
por 1 minuto;
Silanização – o silano por ser uma molécula bifuncional, garante
uma maior adesividade entre compostos que contenham sílica
(fibra de vidro e cerâmicas) e compósitos (resinas de restauração
e cimentos resinosos).
OBS: o adesivo universal já possui o silano em sua composição. Então
pode-se utilizar só o adesivo universal no pino.
▪ Ácido fosfórico 37% por 15 segundos –
lavagem em abundância;
Essa etapa irá depender de qual sistema cimentante será utilizado.
Se for um cimento que seja autoadesivo e autocondicionante, não
é necessário condicionar o conduto. Se não for um cimento
autoadesivo e autocondicionante, é preciso aplicar adesivo no
conduto, e o ideal é que se utilize um adesivo dual.
▪ Aspirar e secar com cone absorvente – para
não atrapalhar na adesão;
▪ Aplicação do adesivo dual com pincéis finos e
longos – remoção do excesso com cone
absorvente;
▪ Fotopolimerização por 60 segundos ou mais;
▪ Manipulação da pasta base e catalisadora do
cimento dual ou autoadesivo (não condiciona
conduto);
Cimento resinoso dual.
Dual = possui presa química e por fotopolimerização.
Vantagens e limitações do cimento resinoso dual:
Vantagens e limitações do cimento resinoso dual sem amina:
de cor e polimerização química mesmo na presença de
adesivos de pH ácido.
Anusavice KJ. Materiais Dentários. 10ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Kroogan. 1998.
Cimentos resinosos autoadesivo:
OBS: cimento autoadesivo não requer preparo no elemento
dentário. Se não for um cimento autoadesivo, é necessário aplicar
ácido e adesivo. Mas o preparo do pino não muda: sempre aplicar
álcool e silano.