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As propriedades associativa e comutativa da soma de matrizes, além de demonstrar o cálculo do produto de matrizes e exemplos de cálculos com matrizes. O documento também aborda a existência de matrizes comutativas e fornece um exemplo de matriz comutativa. Além disso, o documento discute a existência de matrizes invertíveis e fornece um exemplo de matriz invertível. Por fim, o documento aborda a existência de matrizes simétricas e fornece um exemplo de matriz simétrica.
Tipologia: Provas
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Sejam m e n naturais n˜ao nulos. Uma matriz de ordem m × n ou simplesmente matriz ´e um elemento representado na forma de arranjo retangular com m linhas e n colunas, composto por n´umeros reais ou complexos.
a 11 a 12... a 1 n a 21 a 22... a 2 n ..
....
am 1 am 2... amn
Considerando 1 ≤ i ≤ n, 1 ≤ j ≤ m, o elemento aij ´e um n´umero real ou complexo que representa o elemento localizado na posi¸c˜ao (i,j), isto ´e na i-´esima linha e j-´esima coluna, esses elementos tamb´em s˜ao chamados entradas da matriz.
Estaremos sempre tratando com matrizes com entradas reais. Os n´umeros reais tamb´em ser˜ao chamados escalares.
A matriz tamb´em ´e denotada como,
A = Am×n = [aij ]m×n.
Exemplo 1.1.
Matrizes podem representar dados de diversos tipos de problemas concretos.
Exemplo 1.2. Consideremos duas ligas de a¸co A e B, com componentes adicionais: carbono (C), Sil´ıcio (Si), Manganˆes (Mn), Cromo (Cr), N´ıquel (Ni), Molibdˆenio (Mo) que s˜ao dadas em % na tabela abaixo:
Liga % C %Si %Mn %Ni %Cr %Mo Liga A 0,85 1,50 1,50 0,50 1,30 0, Liga B 0,84 2,00 1,48 0,48 1,32 0,
estes dados podem ser representados pela matriz, [ 0 , 85 1 , 50 1 , 50 0 , 50 1 , 30 0 , 30 0 , 84 2 , 00 1 , 48 0 , 48 1 , 32 0 , 28
Exemplo 1.3. Matrizes podem ser definidas atrav´es de regras para o c´alculo de suas entradas, por exemplo:
A = [aij ] 2 × 4 , onde aij = (i − j) cos jπ, para todos i = 1, 2 e j = 1, 2 , 3 , 4;
da´ı obtemos:
A =
Defini¸c˜ao 1.4. A = [aij ] e B = [bij ] s˜ao matrizes iguais, se s˜ao da mesma ordem e,
aij = bij , para todos i, j.
1.2 Tipos de Matrizes
A 1 ×n =
a 11... a 1 n
Am× 1 =
a 11 .. . am 1
Am×m =
a 11... a 1 m .. .
am 1... amm
Exemplo 1.8. Dadas as matrizes:
(^) e B =
(^) , temos A + B =
Propriedades 1.9. Sejam matrizes A, B e C, da mesma ordem. A soma de matrizes possui as seguintes propriedades:
(a) Associativa: (A + B) + C = A + (B + C)
(b) Comutativa: A + B = B + A
(c) Matriz Nula: A + 0 = 0 + A, onde 0 ´e a matriz nula na ordem respectiva.
(d) Matriz Oposta: Para cada matriz A = [aij ] define-se a matriz oposta de A, denotada por −A, e definida como −A = [−aij ]. A matriz −A ´e a ´unica com a propriedade: A + (−A) =
Para conferir as propriedades basta ver que os elementos de posi¸c˜ao (i, j) do lado esquerdo e direito das igualdades s˜ao iguais.
Defini¸c˜ao 1.10. Dadas matrizes da mesma ordem A = [aij ] e B = [bij ], define-se a matriz diferen¸ca de A e B na forma usual, A − B = A + (−B) = [aij − bij ].
Dados uma matriz A = [aij ] de ordem m×n e um escalar k, definimos a matriz multiplica¸c˜ao por escalar de k e A como a matriz tamb´em de ordem m × n, dada por
k · A = [kaij ].
Exemplos 1.11.
− 2 ·
Propriedades 1.12. Sejam A e B matrizes da mesma ordem e k, k 1 , k 2 escalares. O produto de matriz por escalar possui as seguintes propriedades:
(a) k · (A + B) = kA + kB
(b) (k 1 + k 2 ) · A = k 1 A + k 2 A
(c) k 1 (k 2 A) = (k 1 k 2 )A
(d) 0 · A = 0
(e) 1 · A = A e − 1 · A = −A.
Novamente as demonstra¸c˜oes s˜ao simples e consistem em verificar que elementos das posi¸c˜oes (i, j) em ambos os lados das igualdades s˜ao iguais.
Definiremos primeiro a multiplica¸c˜ao de uma matriz linha por uma matriz coluna, para isto consideremos a matriz linha L, de ordem 1 × n e a matriz coluna C, de ordem n × 1:
a 1... an
b 1 .. . bn
definimos o produto das matrizes L e C, como o escalar.
a 1... an
b 1 .. . bn
=^ a 1 b 1 +^ a 2 b 2 +^...^ +^ anbn =
∑^ n
k=
akbk.
Exemplo 1.13.
[ 4 12 2
Consideremos uma matriz A = [aij ]m×n e usemos a nota¸c˜ao:
Li(A) =
ai 1... ain
Cj (A) =
a 1 j .. . amj
Agora, definiremos de forma geral o produto de matrizes. Sejam A = [aij ], uma matriz de ordem m × n e B = [bij ], uma matriz de ordem n × p, a matriz produto, A · B, ´e a matriz de ordem m × p definida como:
A · B = [aij ]m×n[bij ]n×p = [cij ]m×p, onde cij = Li(A) · Cj (B) =
k∑=n
k=
aikbkj ,
ou seja que cij ´e o produto da i-´esima linha de A e a j-´esima coluna de B.
No caso, A =
(^) e b =
b 1 b 2 b 3
, temos
A · b =
b 1 b 2 b 3
2 b 1 + 6b 2 − 2 b 3 0 + b 2 + 3b 3 b 1 + 2b 2 + 4b 3
2 b 1 0 b 1
6 b 2 b 2 2 b 2
− 2 b 3 3 b 3 4 b 3
= b 1
(^) + b 2
(^) + b 3
De forma similar, o produto de uma matriz linha pela matriz A ´e uma matriz linha, que escreve-se em fun¸c˜ao das linhas de A (exerc´ıcio).
Propriedades 1.18. Para matrizes A, B e C com ordens adequadas ´as opera¸c˜oes envolvidas, valem as seguintes propriedades.
A · (B + C) = A · B + A · C, Distributividade `a esquerda ,
(B + C) · A = B · A + C · A, Distributividade `a direita.
Como nos casos anteriores, para as demonstra¸c˜oes o procedimento ´e verificar as igualdades das entradas das matrizes em ambos os lados.
Mostraremos algumas propriedades do produto usuais nos n´umeros, mas que n˜ao s˜ao verdadei- ras para matrizes.
e B =
temos, A · B =
Embora existem matrizes que comutam, como A =
e B =
Um exemplo ´e o par de matrizes A =
e B =
, pois A · B = 0 , mas A 6 = 0 e B 6 = 0.
Um exemplo ´e o caso A =
e C =
, pois temos
, mas B 6 = C.
As vezes ´e conveniente particionar uma matriz, para escreve-la como uma matriz cujos elementos s˜ao submatrizes da pr´opria. Dada uma matriz A, com a introdu¸c˜ao de linhas divis´orias entre as linhas ou entre as colunas da matriz, podemos descrever A como a matriz cujos elementos s˜ao os blocos determinados, neste caso A ´e dita matriz em blocos. Por exemplo,
Com blocos de ordens adequadas podemos verificar de forma simples que o produto de duas matrizes pode-se descrever em fun¸c˜ao de seus blocos. Por exemplo, se
A =
, temos:
Exemplos 1.19. 1. Sejam A =
e B =
Os blocos de AB s˜ao:
Defini¸c˜ao 1.22. Diremos que uma matriz quadrada ´e Idempotente quando A^2 = A. A ser´a chamada Nilpotente, se existir um natural k, tal que Ak^ = 0. Exemplos:
0 , Im,
(^) , s˜ao matrizes idempotentes.
(^) s˜ao matrizes nilpotentes.
Consideremos uma matriz A = [aij ] de ordem m × n, chamamos matriz transposta de A `a matriz de ordem n × m, denotada At^ e dada por:
At^ = [bij ], onde bij = aji.
Exemplos 1.23.
t
=
t
=
Observa¸c˜oes 1.24.
(Li(A))t^ =
ai 1 .. . ain
=^ Ci(At),^ (Cj (A))t^ =^
a 1 j · · · amj
= Lj (At).
Propriedades 1.25. Sejam A, B matrizes, ent˜ao:
No seguinte exemplo algumas matrizes sim´etricas e antisim´etricas importantes.
Exemplo 1.26. 1. Se A ´e uma matriz de ordem m × n verifiquemos que AAt^ ´e sim´etrica de ordem m e AtA ´e sim´etrica de ordem n. De fato, no primeiro caso, (AAt)t^ = (At)tAt^ = AAt, analogamente para AtA.
Exemplo 1.27. Muitos processos de diferente natureza podem envolver uma vari´avel que muda no tempo, de forma que em cada per´ıodo de tempo esta vari´avel assume um entre um n´umero finito de estados fixos E 1 ,... , En. Suponhamos que a probabilidade de passagem do estado Ej ao estado Ei (“taxa” de passagem ou tranferˆencia) s´o depende do estado inicial Ej e n˜ao da quantidade de per´ıodos transcorridos,
onde, pij ´e a probabilidade de passagem do estado Ej ao estado Ei, chamadas probabilidades de transi¸c˜ao. Suponha que queremos determinar a probabilidade de acontecer Ei no k-´esimo per´ıodo, pk(Ei), de acordo com o diagrama:
temos,
pk(Ei) =
∑^ n
j=
pij pk−^1 (Ej ) =
pi 1... pin
pk−^1 (E 1 ) .. . pk−^1 (En)
previs˜ao a longo prazo, pois o processo modificar´a bastante a cada passo. Existem condi¸c˜oes sob as quais podemos saber se T ter´a esta propriedade ou n˜ao, mas n˜ao vamos abordar isso neste exemplo.
Defini¸c˜ao 1.28. Seja A = [aij ] uma matriz quadrada de ordem n. O tra¸co de A, denotado tr(A), ´e o n´umero real dado pela soma dos elementos da diagonal de A, ou seja:
tr(A) = a 11 +... + ann.
Por exemplo, se A =
, ent˜ao tr(A) = 1, 7.
Propriedades 1.29. Sejam A e B matrizes quadradas de ordem n e λ ∈ R, temos:
∑n i=1,j=1 a
2 ij , onde^ A^ = [aij^ ].
Demonstra¸c˜ao. Provemos 1.29-3, as outras propriedades s˜ao deixadas como exerc´ıcio:
tr(AB) =
∑^ n
i=
Li(A) · Ci(B) =
∑^ n
i=
∑^ n
k=
aikbki
∑^ n
k=
∑^ n
i=
aikbki =
∑^ n
k=
∑^ n
i=
bkiaik
∑^ n
k=
Lk(B) · Ck(A) = tr(BA)
De forma geral, n˜ao ´e verdadeiro que tr(AB) = tr(A)tr(B). Determine matrizes A e B que n˜ao verifiquem a igualdade.
Seja A uma matriz de ordem m × n.
Exemplos 1.30.
(^) ´e invert´ıvel e sua inversa ´e a matriz B =
(^). De fato,
Ou seja A ´e invert´ıvel e A−^1 = B.
, a matriz B = 1 3
´e uma inversa a esquerda de A, pois
B · A = I 2.
Seja C =
, a matriz D = (^13)
(^) ´e uma inversa a direita de C, pois
a b c d
´e invert´ıvel, se e somente se, 4 = ad − bc 6 = 0. Neste caso
d −b −c a
De fato se B =
x y z w
´e a inversa de A, ent˜ao
[ a b c d
x y z w
ax + bz ay + bw cx + dz cy + dw
Demonstra¸c˜ao. 1. Como AA−^1 = A−^1 A = I, ent˜ao A ´e inversa de A−^1.
Exemplo 1.33. Considere a matriz A =
. Mostre que A ´e invert´ıvel e resolva a
equa¸c˜ao: I + AXt^ = A^2.
A matriz A ´e invert´ıvel pois 4 = (3)(−1) − (2)(1) = − 5 6 = 0
Aplicando as propriedades das matrizes na equa¸c˜ao, temos:
I + AXt^ = A^2 ⇔ AXt^ = A^2 − I ⇔ A−^1 AXt^ = A−^1 (A^2 − I) ⇔ Xt^ = A − A−^1 ⇔ X = (A − A−^1 )t.
Sendo A−^1 =
, temos
])t
Defini¸c˜ao 1.34. Uma matriz A, quadrada de orden n ´e dita matriz ortogonal quando A ´e invert´ıvel e sua inversa ´e At, ou seja AAt^ = In = AtA.
Exemplos 1.35. 1. A identidade In ´e uma matriz ortogonal, pois InInt = In. Outras matrizes ortogonais s˜ao
, e B =
de fato,
AAt^ =
analogamente para B.
cos θ −sen θ sen θ cos θ
, s˜ao ortogonais para todo θ ∈ R.
Propriedades 1.36. Se A e B s˜ao matrizes ortogonais, ent˜ao tamb´em s˜ao ortogonais as ma- trizes: AB, At^ e A−^1.
Demonstra¸c˜ao. Usando propriedades da matriz inversa, temos que AB ´e invert´ıvel e (AB)−^1 = B−^1 A−^1 = BtAt^ = (AB)t, logo AB ´e ortogonal. E imediato mostrar que´ At^ = A−^1 tamb´em ´e ortogonal.
No cap´ıtulo 4 se¸c˜ao 4, caracterizamos as matrizes ortogonais.
1.4 Exerc´ıcios
(a) aij = 2cos (π(i 2 + j)) (b) aij = ej−^1 (c) aij =
− 5 , se i + j < 4 0 , se i + j = 4 i + j, se i + j > 4
e I a matriz identidade de ordem 2.
(a) Se existir, determine a matriz X tal que: 12 (X − A − B) = 13 (X − 2 I) (b) Se existir a matriz X, tal que 2(A − B + X) = 3(X − A)
onde A =
e B =