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Provas AP2 CEDERJ EAR, Provas de Matemática

Provas AP2 cederj análise da reta real

Tipologia: Provas

2021

Compartilhado em 04/03/2021

pedro-bcrsz
pedro-bcrsz 🇧🇷

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bg1
.
Funda¸ao Centro de Ciˆencias e Educa¸ao Sup erior a Distˆancia do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Educa¸ao Superior a Distˆancia do Estado do Rio de Janeiro
Gabarito da APX2 - EAR - 05 a 06/06/2020
Quest˜ao 1 [2,5 pontos]: Seja ]a, b[um intervalo limitado. Mostre que, se f: ]a, b[R´e uniformemente
cont´ınua, ent˜ao existem lim
xb
f(x)elim
xa+f(x).
SOLUC¸ ˜
AO: Tome uma sequˆencia qualquer (xn)nN]a, b[tal que xnb. Por resultado anterior, em
R,(xn)nNser convergente equivale a ser uma sequˆencia de Cauchy. Como f´e uniformemente cont´ınua,
(f(xn))nNtamb´em ´e sequˆencia de Cauchy; logo, (f(xn))nN´e convergente. Isso mostra que lim
xb
f(x)
existe, pelo crit´erio sequencial. Analogamente, o limite em apela direita tamb´em existe.
Quest˜ao 2 [2,5 pontos]: Considere fun¸oes cont´ınuas f, g :RR. Suponha que f(0) = 0 ef0(0) = 0.
Prove que a fun¸ao produto f·gpossui derivada nula em x0= 0.
SOLUC¸ ˜
AO: Para que a derivada de f(x)g(x)exista ´e necess´ario (e suficiente) que o limite a seguir exista:
limx0f(x)g(x)f(0)g(0)
x0. Por hip´otese, f(0) = 0; da´ı f(0)g(0) = 0. Vale tamb´em que f(0)g(x) = 0. Por
isso, subtrair f(0)g(x)no numerador ao altera a fra¸ao. Reescrevemos o limite assim:
lim
x0
f(x)g(x)f(0)g(0)
x0= lim
x0
f(x)g(x)f(0)g(x)
x0= lim
x0g(x)f(x)f(0)
x0.
O limite de g(x)em x0= 0 ´e g(0), pois g´e cont´ınua por hip´otese. Por hip´otese, f0(0) = 0 e, por
defini¸ao de derivada, o limite da fra¸ao em x0= 0 ´e f0(0). Conclu´ımos o seguinte:
lim
x0
f(x)g(x)f(0)g(0)
x0= lim
x0g(x) lim
x0
f(x)f(0)
x0=g(0)f0(0) = 0.
Quest˜ao 3 [2,0 pontos]: Considere constantes a6= 0,b6= 0 e a fun¸ao p(x) = a2x7a2x+b. Mostre
que p(x)tem pelo menos uma raiz real e use o teorema de Rolle para provar que p(x)tem o uma raiz.
SOLUC¸ ˜
AO: Para x6= 0,p(x) = x7a2a2
x6+b
x7e da´ı lim
x→∞ p(x) = −∞ elim
x→−∞ p(x)=+.
Esses limites garantem que a fun¸ao p(x)assume valores negativos mas muda de sinal e tamb´em assume
valores positivos. Como p(x)´e cont´ınua, vale o TVI, que nesse caso garante a existˆencia de x1tal que
p(x1)=0. Isso prova que p(x)tem pelo menos uma raiz, x1.
Se existisse raiz x26=x1, valeria que p(x1)=0=p(x2). Como p(x)´e deriv´avel, pelo Teorema de Rolle
existiria x0tal que p0(x0)=0; contradi¸ao, pois p0(x) = 7a2x6a2<0. Da´ı ao existe raiz x26=x1.
Quest˜ao 4 [2,5 pontos]: Considere uma fun¸ao cont´ınua f: [a, b]R. Suponha que fpossui derivada
ao-nula para todo x]a, b[. Mostre que f´e injetiva. Depois, supondo que f(a)< f (b), use o TVI para
mostrar que f(a)< f(x)< f (b)para todo x]a, b[.
SOLUC¸ ˜
AO: Se existissem x1< x2tais que f(x1) = f(x2), estar´ıamos nas condi¸oes do teorema de
Rolle, garantindo que existe x0]x1, x2[tal que f0(x0)=0, o que contrariaria a hip´otese de que a
derivada de f´e ao nula. Conclu´ımos que se x1< x2ent˜ao f(x1)6=f(x2), ou seja, f´e injetiva.
Agora, se existisse x]a, b[tal que f(a)< f(b)< f(x), pelo TVI existiria x0]a, x[tal que f(x0) = f(b),
o que seria uma contradi¸ao com o fato de que f´e injetiva (provado acima). Analogamente, se existisse
x]a, b[tal que f(x)< f(a)< f(b), pelo TVI existiria x0]x, b[tal que f(x0) = f(a). Como esses dois
casos geram contradi¸oes, necessariamente temos f(a)f(x)f(b). Note que as igualdades violam a
injetividade de f. Conclu´ımos enfim que f(a)< f (x)< f(b)para todo x]a, b[.
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pfe
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Funda¸c˜ao Centro de Ciˆencias e Educa¸c˜ao Superior a Distˆancia do Estado do Rio de Janeiro Centro de Educa¸c˜ao Superior a Distˆancia do Estado do Rio de Janeiro Gabarito da APX2 - EAR - 05 a 06/06/

Quest˜ao 1 [2,5 pontos]: Seja ]a, b[ um intervalo limitado. Mostre que, se f : ]a, b[→ R ´e uniformemente

cont´ınua, ent˜ao existem lim x→b−^

f (x) e lim x→a+^

f (x).

SOLUC¸ ˜AO: Tome uma sequˆencia qualquer (xn)n∈N ∈ ]a, b[ tal que xn → b. Por resultado anterior, em

R, (xn)n∈N ser convergente equivale a ser uma sequˆencia de Cauchy. Como f ´e uniformemente cont´ınua,

(f (xn))n∈N tamb´em ´e sequˆencia de Cauchy; logo, (f (xn))n∈N ´e convergente. Isso mostra que lim x→b−^

f (x)

existe, pelo crit´erio sequencial. Analogamente, o limite em a pela direita tamb´em existe.

Quest˜ao 2 [2,5 pontos]: Considere fun¸c˜oes cont´ınuas f, g : R → R. Suponha que f (0) = 0 e f

′ (0) = 0.

Prove que a fun¸c˜ao produto f · g possui derivada nula em x 0 = 0.

SOLUC¸ ˜AO: Para que a derivada de f (x)g(x) exista ´e necess´ario (e suficiente) que o limite a seguir exista:

limx→ 0

f (x)g(x)−f (0)g(0) x− 0

. Por hip´otese, f (0) = 0; da´ı f (0)g(0) = 0. Vale tamb´em que f (0)g(x) = 0. Por

isso, subtrair f (0)g(x) no numerador n˜ao altera a fra¸c˜ao. Reescrevemos o limite assim:

lim x→ 0

f (x)g(x) − f (0)g(0)

x − 0

= lim x→ 0

f (x)g(x) − f (0)g(x)

x − 0

= lim x→ 0

g(x)

f (x) − f (0)

x − 0

O limite de g(x) em x 0 = 0 ´e g(0), pois g ´e cont´ınua por hip´otese. Por hip´otese, f

′ (0) = 0 e, por

defini¸c˜ao de derivada, o limite da fra¸c˜ao em x 0 = 0 ´e f

′ (0). Conclu´ımos o seguinte:

lim x→ 0

f (x)g(x) − f (0)g(0)

x − 0

= lim x→ 0

g(x) lim x→ 0

f (x) − f (0)

x − 0

= g(0)f

′ (0) = 0.

Quest˜ao 3 [2,0 pontos]: Considere constantes a 6 = 0, b 6 = 0 e a fun¸c˜ao p(x) = −a

2 x

7 − a

2 x + b. Mostre

que p(x) tem pelo menos uma raiz real e use o teorema de Rolle para provar que p(x) tem s´o uma raiz.

SOLUC¸ ˜AO: Para x 6 = 0, p(x) = x

7

−a

2 −

a

2

x^6

b

x^7

e da´ı lim x→∞

p(x) = −∞ e lim x→−∞

p(x) = +∞.

Esses limites garantem que a fun¸c˜ao p(x) assume valores negativos mas muda de sinal e tamb´em assume

valores positivos. Como p(x) ´e cont´ınua, vale o TVI, que nesse caso garante a existˆencia de x 1 tal que

p(x 1 ) = 0. Isso prova que p(x) tem pelo menos uma raiz, x 1.

Se existisse raiz x 2 6 = x 1 , valeria que p(x 1 ) = 0 = p(x 2 ). Como p(x) ´e deriv´avel, pelo Teorema de Rolle

existiria x 0 tal que p

′ (x 0 ) = 0; contradi¸c˜ao, pois p

′ (x) = − 7 a

2 x

6 − a

2 < 0. Da´ı n˜ao existe raiz x 2 6 = x 1.

Quest˜ao 4 [2,5 pontos]: Considere uma fun¸c˜ao cont´ınua f : [a, b] → R. Suponha que f possui derivada

n˜ao-nula para todo x ∈ ]a, b[. Mostre que f ´e injetiva. Depois, supondo que f (a) < f (b), use o TVI para

mostrar que f (a) < f (x) < f (b) para todo x ∈ ]a, b[.

SOLUC¸ ˜AO: Se existissem x 1 < x 2 tais que f (x 1 ) = f (x 2 ), estar´ıamos nas condi¸c˜oes do teorema de

Rolle, garantindo que existe x 0 ∈ ]x 1 , x 2 [ tal que f

′ (x 0 ) = 0, o que contrariaria a hip´otese de que a

derivada de f ´e n˜ao nula. Conclu´ımos que se x 1 < x 2 ent˜ao f (x 1 ) 6 = f (x 2 ), ou seja, f ´e injetiva.

Agora, se existisse x ∈]a, b[ tal que f (a) < f (b) < f (x), pelo TVI existiria x 0 ∈]a, x[ tal que f (x 0 ) = f (b),

o que seria uma contradi¸c˜ao com o fato de que f ´e injetiva (provado acima). Analogamente, se existisse

x ∈ ]a, b[ tal que f (x) < f (a) < f (b), pelo TVI existiria x 0 ∈ ]x, b[ tal que f (x 0 ) = f (a). Como esses dois

casos geram contradi¸c˜oes, necessariamente temos f (a) ≤ f (x) ≤ f (b). Note que as igualdades violam a

injetividade de f. Conclu´ımos enfim que f (a) < f (x) < f (b) para todo x ∈ ]a, b[.

Funda¸c˜ao Centro de Ciˆencias e Educa¸c˜ao Superior a Distˆancia do Estado do Rio de Janeiro Centro de Educa¸c˜ao Superior a Distˆancia do Estado do Rio de Janeiro

AP2 – Elementos de An´alise Real – 2/

C´odigo da disciplina EAD

Nome: Matr´ıcula:

Polo:

Aten¸c˜ao!

  • Para cada folha de respostas que utilizar, antes de come¸car a resolver as quest˜oes, preencha (pintando os

respectivos espa¸cos na parte superior da folha) o n´umero do CPF, o c´odigo da disciplina (indicado acima em

negrito) e o n´umero da folha.

PADR˜AO DE PREENCHIMENTO NA FOLHA DE RESPOSTAS

UM DOIS TRÊS QUATRO CINCO SEIS SETE OITO NOVE ZERO

  • Preencha o n´umero total de folhas somente quando for entregar a prova!
  • Identifique a Prova, colocando Nome, Matr´ıcula e

Polo.

  • E expressamente proibido o uso de qualquer instru-´

mento que sirva para c´alculo como tamb´em qualquer

material que sirva de consulta.

  • Devolver esta prova e as Folhas de Respostas ao apli-

cador.

  • Somente utilize caneta esferogr´afica com tinta azul ou preta

para registro das resolu¸c˜oes nas Folhas de Respostas.

  • As Folhas de Respostas ser˜ao o ´unico material considerado

para corre¸c˜ao. Quaisquer anota¸c˜oes feitas fora deste espa¸co,

mesmo que em folha de rascunho, ser˜ao ignoradas.

  • N˜ao amasse, dobre ou rasure as Folhas de Respostas, pois

isto pode inviabilizar a digitaliza¸c˜ao e a corre¸c˜ao.

Quest˜ao 1 [2,0 pontos]:

Escreva matematicamente a defini¸c˜ao do limite de uma fun¸c˜ao g : X → R num ponto de acu-

mula¸c˜ao x 0 do seu dom´ınio X ser igual a L ∈ R. Em seguida use essa defini¸c˜ao para mostrar que

lim

x → 1

(− 3 x + 5) = 2.

Solu¸c˜ao

∀ ε > 0 ∃ δ > 0 tal que se x ∈ X e 0 < | x − x 0 | < δ ent˜ao | g ( x ) − L | < ε.

Seja ε > 0. Seja δ =

ε 3

. Se x ∈ X e 0 < | x − 1 | < δ ent˜ao | x − 1 | <

ε 3

. Multiplicando por 3 e

por propriedade do valor absoluto (m´odulo) teremos o seguinte: | 3 x − 3 | < ε , que ´e equivalente a

| − 3 x + 3| = | − 3 x + 5 − 2 | < ε.

Assim para f ( x ) = − 3 x + 5 e L = 2 ficou provado o seguinte: se x ∈ X e 0 < | x − 1 | < δ =

ε 3

ent˜ao | f ( x ) − L | < ε.

Quest˜ao 2 [3,0 pontos]: Considere as fun¸c˜oes sen( x ), sen(

1 x

), e x sen(

1 x

) definidas no conjunto

dos reais positivos R

(a) [1,0 pts] Use o crit´erio sequencial para mostrar que n˜ao existe o limite lim

x →∞

sen( x ).

(b) [1,0 pts] Use o crit´erio sequencial para mostrar que n˜ao existe o limite lim

x → 0 +^

sen

(

x

)

Elementos de An´alise Real AP2 2/

(c) Pelo item anterior, | h ( x ) − h ( y )| < 1 · | x − y |, para quaisquer x e y ∈ R

+. Isso implica que^ h^ ´e

fun¸c˜ao Lipschitz em R

+ com constante^ C^ = 1.

(d) Correto. Por resultado anterior, sabemos que toda fun¸c˜ao Lipschitz ´e uniformemente cont´ınua.

Quest˜ao 4 [2,0 pontos]:

Considere uma fun¸c˜ao g : R → R decrescente, ou seja, se x 2 > x 1 ent˜ao g ( x 2 ) < g ( x 1 ).

(a) [1,0 pt] Considere x 6 = x 0. Mostre que x − x 0 tem o sinal oposto ao de g ( x ) − g ( x 0 ). Conclua

da´ı que

g ( x ) − g ( x 0 )

x − x 0

´e sempre negativo.

(b) [0,5 pts] Suponha agora que g ´e deriv´avel em todo R. Escreva a defini¸c˜ao de derivada de g num

ponto x 0 ∈ R, usando um limite.

(c) [0,5 pts] Dˆe exemplo de uma fun¸c˜ao decrescente num intervalo, cuja derivada ´e zero em algum

ponto.

Solu¸c˜ao

a) Se x − x 0 > 0 ent˜ao x > x 0 o que implica g ( x ) < g ( x 0 ) e da´ı g ( x ) − g ( x 0 ) < 0.

Se x − x 0 < 0 ent˜ao x 0 > x o que implica g ( x 0 ) < g ( x ) e da´ı 0 < g ( x ) − g ( x 0 ). Nos dois casos

os sinais de x − x 0 e g ( x ) − g ( x 0 ) s˜ao opostos. Como x 6 = x 0 , segue que o quociente

g ( x ) − g ( x 0 )

x − x 0

existe e ´e sempre negativo.

b) g

( x 0 ) = lim

xx 0

g ( x ) − g ( x 0 )

x − x 0

c) Considere a fun¸c˜ao decrescente f ( x ) = − x

3

. Temos que f

( x ) = − 3 x

2

e f

Fundac¸˜ao CECIERJ Cons´orcio CEDERJ

Funda¸c˜ao Centro de Ciˆencias e Educa¸c˜ao Superior a Distˆancia do Estado do Rio de Janeiro Centro de Educa¸c˜ao Superior a Distˆancia do Estado do Rio de Janeiro

AP2 – Elementos de An´alise Real – 1/

C´odigo da disciplina EAD

Nome: Matr´ıcula:

Polo:

Aten¸c˜ao!

  • Para cada folha de respostas que utilizar, antes de come¸car a resolver as quest˜oes, preencha (pintando os

respectivos espa¸cos na parte superior da folha) o n´umero do CPF, o c´odigo da disciplina (indicado acima em

negrito) e o n´umero da folha.

PADR˜AO DE PREENCHIMENTO NA FOLHA DE RESPOSTAS

UM DOIS TRÊS QUATRO CINCO SEIS SETE OITO NOVE ZERO

  • Preencha o n´umero total de folhas somente quando for entregar a prova!
  • Identifique a Prova, colocando Nome, Matr´ıcula e

Polo.

  • E expressamente proibido o uso de qualquer instru-´

mento que sirva para c´alculo como tamb´em qualquer

material que sirva de consulta.

  • Devolver esta prova e as Folhas de Respostas ao apli-

cador.

  • Somente utilize caneta esferogr´afica com tinta azul ou preta

para registro das resolu¸c˜oes nas Folhas de Respostas.

  • As Folhas de Respostas ser˜ao o ´unico material considerado

para corre¸c˜ao. Quaisquer anota¸c˜oes feitas fora deste espa¸co,

mesmo que em folha de rascunho, ser˜ao ignoradas.

  • N˜ao amasse, dobre ou rasure as Folhas de Respostas, pois

isto pode inviabilizar a digitaliza¸c˜ao e a corre¸c˜ao.

Quest˜ao 1 [3,0 pontos]:

Fa¸ca o que se pede em cada item:

(a) [0,5 pts] Seja L > 0. Mostre que, se 0 < 16 y < 16 x <

L^2

, ent˜ao

2 x +

2 y <

L

(b) [0,5 pts] Mostre que, dado qualquer L > 0 , existem y e x positivos tais que (

2 x −

2 y )

2 L

( x − y ).

(c) [1,0 pts] Considere a fun¸c˜ao g : [0 , 1] → [0 ,

2] , g ( x ) =

2 x. Usando os itens acima, mostre

que esta fun¸c˜ao g ( x ) =

2 x n˜ao ´e uma fun¸c˜ao Lipschitz.

(d) [1,0 pts] Mostre que a fun¸c˜ao g ( x ) =

2 x acima ´e uniformemente cont´ınua no intervalo [0 , 1].

Solu¸c˜ao

a) Se 0 < 16 y < 16 x <

2 L^2

ent˜ao 0 < 8 y < 8 x <

1 L^2

e portanto 0 < 2

2 y < 2

2 x <

1 L

. Segue

da´ı que 2

2 x + 2

2 y <

1 L

1 L

e portanto

2 x +

2 y <

1 L

b) Para y e x positivos vale que (2 x − 2 y ) = (

2 x −

2 y )(

2 x +

2 y ). Agora considere 0 <

16 y < 16 x <

2 L^2

. Pelo item (a) temos que

2 x +

2 y <

1 L

. Da´ı temos que (2 x − 2 y ) =

2 x −

2 y )(

2 x +

2 y ) < (

2 x −

2 y )

1 L

. Dividindo por 2 , conclu´ımos ( x − y ) < (

2 x −

2 y )

1 2 L

Elementos de An´alise Real AP1 1/

Quest˜ao 3 [1,5 pontos]:

Escreva matematicamente a defini¸c˜ao do limite de uma fun¸c˜ao g : X → R num ponto de acu-

mula¸c˜ao x 0 do seu dom´ınio X ser igual a L ∈ R. Em seguida use essa defini¸c˜ao para mostrar que

lim

x →− 2

(4 x + 9) = 1.

Solu¸c˜ao

∀ ε > 0 ∃ δ > 0 tal que se x ∈ X e 0 < | x − x 0 | < δ ent˜ao | g ( x ) − L | < ε.

Seja ε > 0. Seja δ =

ε 4

. Se x ∈ X e 0 < | x − (−2)| < δ ent˜ao | x + 2| <

ε 4

. Multiplicando por 4

e por propriedade do valor absoluto (m´odulo) teremos o seguinte: | 4 x + 8| < ε , que ´e equivalente

a | 4 x + 9 − 1 | < ε. Assim para f ( x ) = 4 x + 9 e L = 1 provamos o seguinte: se x ∈ X e

0 < | x − (−2)| < δ =

ε 4

ent˜ao | f ( x ) − L | < ε.

Quest˜ao 4 [2,5 pontos]:

Considere uma fun¸c˜ao diferenci´avel f : [ a, b ] → R que tamb´em ´e crescente, ou seja, para x 1 e x 2

pertencentes a [ a, b ], se x 2 > x 1 ent˜ao f ( x 2 ) > f ( x 1 ).

(a) [1,0 pt] Considere uma constante c > 0. Sendo f crescente e x 6 = x 0 , mostre que x − x 0 tem o

mesmo sinal que cf ( x ) − cf ( x 0 ) e conclua da´ı que

cf ( x ) − cf ( x 0 )

x − x 0

´e sempre positivo.

(b) [0,5 pts] Escreva a defini¸c˜ao de derivada de cf ( x ) num ponto x 0 ∈] a, b [ usando um limite.

(c) [1,0 pts] Usando os itens acima mostre que a derivada de uma fun¸c˜ao crescente num intervalo

´e n˜ao negativa.

Solu¸c˜ao

a) Se x − x 0 > 0 ent˜ao x > x 0 o que implica f ( x ) > f ( x 0 ) e da´ı f ( x ) − f ( x 0 ) > 0. Como c > 0 ,

vale que c ( f ( x ) − f ( x 0 )) > 0. Se x − x 0 < 0 ent˜ao x 0 > x o que implica f ( x 0 ) > f ( x ) e da´ı

0 > f ( x ) − f ( x 0 ). Como c > 0 , vale que 0 > c ( f ( x ) − f ( x 0 )). Nos dois casos os sinais de x − x 0 e

c ( f ( x ) − f ( x 0 )) s˜ao iguais. Como x 6 = x 0 , segue que o quociente

cf ( x ) − cf ( x 0 )

x − x 0

existe e ´e sempre

positivo.

b)

d

dx

[ cf ( x )]( x 0 ) = lim

xx 0

cf ( x ) − cf ( x 0 )

x − x 0

c) Considere c = 1. Pelos itens acima a derivada de f ´e o limite de um quociente que ´e positivo

para todo x 6 = x 0 e portanto este limite n˜ao pode ser negativo.

Fundac¸˜ao CECIERJ Cons´orcio CEDERJ

Funda¸c˜ao Centro de Ciˆencias e Educa¸c˜ao Superior a Distˆancia do Estado do Rio de Janeiro

Centro de Educa¸c˜ao Superior a Distˆancia do Estado do Rio de Janeiro

Gabarito da AP2 - EAR - 18/11/

Quest˜ao 1 [2,0 pontos] Seja f : R

∗ → R a fun¸c˜ao f (x) =

1 xn^

para n ∈ N fixo. Pede-se:

(a) [1,0 pt] Mostre, por meio da defini¸c˜ao de limite, que lim x→∞

f (x) = 0.

(b) [1,0 pt] Mostre que lim x→ 0 +^

f (x) n˜ao existe.

Prova: (a) Por hip´otese, n ∈ N. Seja  > 0, onde  ∈ R. Tome-se K = 1/

n

. Ent˜ao K > 0.

Seja x ∈ R∗^ tal que x > K. Logo tem-se x > 0. Ent˜ao

∣ ∣ ∣ ∣

xn^

xn

|xn|

|x|n^

xn^

Sendo x > K = 1/ n

 > 0, e como todos os termos dessa desigualdade s˜ao positivos, ent˜ao por

propriedades alg´ebricas de R valem as seguintes equivalˆencias:

x >

n

x

n

xn^

Da´ı, e de (?) tem-se que

xn^

∣ (^) < . Como  > 0 ´e arbitr´ario, resulta para todo x > K = 1/ n

que

xn^ −^0

∣ (^) < . Logo, por defini¸c˜ao de limite no infinito, lim x→∞

f (x) = 0. 2

(b) Por hip´otese, n ∈ N ´e fixo e f (x) =

1 xn^ para^ x^ ∈^ R.^ Ser´a mostrado por meio do crit´erio

sequencial de divergˆencia. Seja, por exemplo, (xk)k∈N tal que xk = 1/ 2

k

. Note que xk > 0 e que

lim k→∞

xk = 0. Ent˜ao f (xk) =

1 xk^

k )

n = 2

kn e, como a sequˆencia (f (xk))k∈N = ((

k )

n )k∈N ´e

divergente ( lim k→∞

k )

n ) = +∞), conclui-se que lim x→ 0 +^

f (x) n˜ao existe.

Quest˜ao 2 [2,0 pontos] Seja f : R → R uma fun¸c˜ao tal que |f (x) − f (2)| ≤ L|x

2 − 4 | para L > 0.

Mostre, por meio da defini¸c˜ao  e δ, que f ´e cont´ınua em 2.

Prova: Sejam  > 0, onde  ∈ R e δ = min{ 1 , / 5 L} > 0 tal que |x − 2 | < δ. Pela escolha de δ

resulta

|x − 2 | < δ < 1 e que |x − 2 | < δ <

5 L

. (a)

Note que |x

2 − 4 | = |x − 2 ||x + 2|. Da´ı e de (a) 1 tem-se as equivalˆencias

|x − 2 | < 1 ⇔ − 1 < x − 2 < 1 ⇔ 3 < x + 2 < 5.

Assim, |x + 2| = x + 2 < 5 e consequentemente

|x

2 − 4 | = |x − 2 ||x + 2| < 5 |x − 2 | < 5 δ

(a) 2 < 5 ·

5 L

L

Isto mostra que f ´e cont´ınua em x 0. 2

(b) Como |f (x)| ≤ x ln(x + 1) para todo x ∈ (0, ∞) ent˜ao −x ln(x + 1) ≤ f (x) ≤ x ln(x + 1) para

todo x > 0 e, consequentemente f (0) = 0. Assim, para todo x > 0, tem-se

− ln(x + 1) ≤

f (x)

x

f (x) − f (0)

x − 0

≤ ln(x + 1).

Da´ı, do Teorema do Sandu´ıche para limites e como lim x→ 0 +

[− ln(x + 1)] = 0 = lim x→ 0 +^

ln(x + 1),

lim x→ 0 +

f (x) − f (0)

x − 0

= 0 = f

′ +(0).

De onde conclui-se que f ´e deriv´avel em zero e f

′ (0) = 0.

Quest˜ao 5 [2,0 pontos] Sejam I ⊆ R um intervalo e f : I ⊆ R → R uma fun¸c˜ao deriv´avel em

I. Se α ∈ I e f ′(α) > 0 mostre que existe um δ > 0 tal que f (x) > f (α) para todo x ∈ I com

α < x < α + δ.

Sug.: Use o Teorema do Valor M´edio.

Prova: Por hip´otese f

′ (α) > 0. Ent˜ao pela defini¸c˜ao da derivada de f em α, tem-se

f

′ (α) = lim x→α

f (x) − f (α)

x − α

Da´ı e por resultado de limites, existe uma vizinhan¸ca Vδ(α) de α tal que

f (x)−f (α) x−α

0 para todo

x ∈ Vδ(α). Se x ∈ Vδ(α) ⊂ I e x > α ent˜ao f (x) − f (α) =

f (x)−f (α) x−α

(x − α) > 0. Portanto, se x ∈ I e

α < x < α + δ ent˜ao f (x) > f (α).

Funda¸c˜ao Centro de Ciˆencias e Educa¸c˜ao Superior a Distˆancia do Estado do Rio de Janeiro

Centro de Educa¸c˜ao Superior a Distˆancia do Estado do Rio de Janeiro

Gabarito da AP2 - EAR - 26/05/

Quest˜ao 1 [2,0 pontos]

(a) [1,0 pt] Mostre, por meio da defini¸c˜ao ( e δ) de limite, que 3 = lim x→ 27

3

x para x ≥ 0.

(b) [1,0 pt] Seja f : (0, +∞) → R tal que lim x→+∞

xf (x) = 0. Mostre que lim x→+∞

f (x) = 0.

Prova: (a) Sejam  > 0, onde  ∈ R, e δ > 0 tal que δ = 9.

Seja x ≥ 0 tal que 0 < |x − 27 | < δ. Sendo x − 27 =

3

x −

3

3

x

2

3

27 x +

3

2

e 27 = 3

3

ent˜ao

3

x − 3 | =

|x − 27 | √ 3 x^2 + 3 3

x + 9

|x − 27 |, pois

x^2 + 3

3

x + 9 ≥ 9 para x ≥ 0.

Da´ı,

3

x − 3 | ≤

|x − 27 | <

Assim, se 0 < |x − 27 | < δ ent˜ao | 3

x − 3 | < . Portanto, para todo  > 0 existe δ > 0 tal que, se

0 < |x − 27 | < δ ent˜ao

x − 3

∣ (^) < . Logo, pela defini¸c˜ao de limite, 3 = lim x→ 27

3

x.

Esbo¸co do procedimento alg´ebrico preliminar: para encontrar δ > 0, pela sugest˜ao tem-se

x − 27 =

3

x −

3

x

2

27 x +

3

2

. Mas o termo a ser majorado ´e |

3

x − 3 | = |

3

x −

e ent˜ao,

3

x − 3 | =

|x − 27 |

3

x^2 + 3

3

x + 9

∗ ≤

|x − 27 |

e

1 9

|x − 27 | <  ⇔ |x − 27 | < 9 . A passagem em (*) foi poss´ıvel pois as parcelas s˜ao todas ≥ 0 no

denominador, pois x ≥ 0.

(b) Como por hip´otese lim x→∞

xf (x) = 0 ent˜ao, por defini¸c˜ao,

para  > 0 fixado existe K = K() > 0 tal que |

xf (x)| <  para todo x > K, que equivale a

− <

xf (x) <  para todo x > K que, por sua vez, equivale a

x^1 /^2

< f (x) <

x^1 /^2

para todo x > K > 0.

Logo, pelo Teorema do Sandu´ıche, o lim x→∞

f (x) = 0, pois lim x→∞

1 x^1 /^2

Obs.: Uma outra maneira seria usando o crit´erio sequencial para limites no infinito:

Seja (xn)n sequˆencia em (0, +∞) tal que lim n→∞

xn = +∞ (*).

Quest˜ao 4 [2,0 pontos] Mostre que:

(a) [1,0pt] Se f : [a, b] → R ´e uma fun¸c˜ao cont´ınua e f (a) <

2 < f (b) ent˜ao existe x ∈ (a, b) tal

que f (x) =

(b) [1,0 pt] Mostre que a fun¸c˜ao

g(x) =

x

2 se x ∈ Q,

0 se x ∈ R − Q,

´e deriv´avel em x 0 = 0, determinando sua derivada em x 0 = 0 e justificando suas afirma¸c˜oes.

Prova: (a) Considere a fun¸c˜ao g : [a, b] → R definida por g(x) = f (x)−

  1. Note que g ´e cont´ınua em

[a, b]. Assim, pode-se avaliar g nos pontos a e b. Como, por hip´otese, f (a) −

2 < 0 e f (b) −

ent˜ao

g(a) = f (a) −

2 < 0 < f (b) −

2 = g(b).

Da´ı, tem-se que g ´e negativa em a e positiva em b. Portanto, pelo Teorema do Valor Intermedi´ario,

existe x ∈ (a, b) tal que g(x) = 0. Logo, pela defini¸c˜ao de g resulta que f (x) =

(b) Seja q : R

∗ → R dada por

q(x) =

g(x) − g(0)

x − 0

g(x)

x

x

2

x

= x se x ∈ Q,

0 se x ∈ R − Q,

Afirma-se que a fun¸c˜ao q tem limite igual a zero no ponto x 0 = 0. De fato, seja  ∈ R com  > 0.

Tome-se δ = . Seja x ∈ R tal que, se 0 < |x − 0 | = |x| < δ; da forma pela qual ´e definida a fun¸c˜ao

q, ´e preciso considerar os dois casos: x ∈ Q e x ∈ R − Q.

Se x ∈ Q ent˜ao

g(x) − g(0)

x − 0

= |x| < δ = .

Se x ∈ R − Q ent˜ao

g(x) − g(0)

x − 0

Assim, em qualquer caso

g(x) − g(0)

x − 0

< . Ou seja, se x ∈ R e 0 < |x| < δ ent˜ao

∣ ∣ ∣ ∣

g(x) − g(0)

x − 0

− L

< . Portanto, para todo  > 0 existe δ > 0 tal que para todo x ∈ dom g = R, se

0 < |x − 0 | < δ ent˜ao

g(x) − g(0)

x

∣ < . Logo,^ g^ ´e deriv´avel em zero e a derivada ´e zero.

Quest˜ao 5 [2,0 pontos] Sejam α > 0 e f : (α, ∞) → R dada por f (x) = ln x. Mostre que f ´e

lipschitziana em (α, ∞).

Sug.: Use o Teorema do Valor M´edio.

Prova: De fato, sejam x, y ∈ (α, ∞), por exemplo, com x < y. Como a fun¸c˜ao x 7 → ln x ´e deriv´avel

em (α, ∞), ent˜ao ´e deriv´avel no intervalo (x, y) e cont´ınua em [x, y]; logo, pelo TVM existe ξ ∈ (x, y)

tal que

ln(y) − ln(x) = (ln

′ (ξ))(y − x) =

ξ

(y − x). (a)

Como x, y ∈ (α, ∞) e ξ ∈ (x, y) ent˜ao 0 < α < ξ pois 0 < α < x < ξ < y. Da´ı, 1/ξ < 1 /α. De (a)

resulta ent˜ao que x → ln x ´e uma fun¸c˜ao de Lipschitz em (α, ∞), pois se L =

1 α >^ 0 ent˜ao

| ln y − ln x| =

ξ

|y − x| ≤

α

|y − x| = L|y − x| para todos x, y ∈ (α, ∞).

Quest˜ao 2 [2,0 pontos]

(a) [1 pt] Mostre usando crit´erio sequencial que a fun¸c˜ao

f (x) =

3 se x = 1,

x − 1 se x > 1 ,

n˜ao ´e cont´ınua em x = 1.

(b) [1 pt] Mostre que, se f : [a, b] → R ´e uma fun¸c˜ao cont´ınua e f (a) < 1 < f (b) ent˜ao existe

x ∈ (a, b) tal que f (x) = 1.

Prova: (a) Seja (xn)n∈N a sequˆencia definida por xn = 1 + 1/n

2

. Tem-se que 1 + 1/n

2

1 para todo

n ∈ N e (1 + 1/n

2 ) converge para 1. Mas f (1 + 1/n

2 ) = n n˜ao converge em R. Portanto, pelo crit´erio

sequencial f ´e descont´ınua em x = 1. 2

(b) Seja g : [a, b] → R a fun¸c˜ao definida por g(x) = f (x) − 1. Note que g ´e cont´ınua em [a, b]. Assim,

pode-se avaliar g nos pontos a e b. Como, por hip´otese, f (a) − 1 < 0 e f (b) − 1 > 0 ent˜ao

g(a) = f (a) − 1 < 0 < f (b) − 1 = g(b).

Da´ı, tem-se que g ´e negativa em a e positiva em b. Portanto, pelo Teorema do Valor Intermedi´ario,

existe x ∈ (a, b) tal que g(x) = 0. Logo, pela defini¸c˜ao de g resulta que f (x) = 1.

Quest˜ao 3 [2,0 pontos] Seja f : R → R uma fun¸c˜ao tal que |f (x)| ≤ x tan x para todo x ∈ (− 1 , 1).

Mostre que f ´e deriv´avel em x = 0.

Obs.: tan x =

sen x

cos x

Prova: Como |f (x)| ≤ x tan x para todo x ∈ (− 1 , 1) ent˜ao −x tan x ≤ f (x) ≤ x tan x para todo

x ∈ (− 1 , 1) e, consequentemente f (0) = 0. Assim, para todo x > 0, tem-se

− tan x =

−x tan x

x

f (x) − f (0)

x − 0

x tan x

x

= tan x.

Desta desigualdade obt´em-se

lim x→ 0 +

f (x) − f (0)

x − 0

= 0 = f

′ +(0).^ (?)

Agora, para todo x < 0 tem-se

− tan x =

−x tan x

x

[

f (x) − f (0)

x − 0

]

x tan x

x

= tan x.

Da´ı,

− lim x→ 0 −

f (x) − f (0)

x − 0

= 0 = −f

′ −(0).^ (2?)

De (?) e (2?) conclui-se que f ´e deriv´avel em zero e f

′ (0) = 0.

Quest˜ao 4 [2,0 pontos] Sejam α > 0 e f : (α, ∞) → R dada por f (x) = ln x. Mostre que f ´e uma

fun¸c˜ao do tipo Lipschitz em (α, ∞).

Prova: Sejam x, y ∈ (α, ∞). Como f (x) = ln x ´e deriv´avel em (α, ∞) ent˜ao pelo TVM existe ξ entre

x e y tal que

ln x − ln y =

ξ

(x − y). (?)

Como x, y ∈ (α, ∞) e ξ est´a entre x e y ent˜ao ξ ∈ (α, ∞). Portanto 0 <

1 ξ

1 α

. Tomando o m´odulo

em (?) e usando a ´ultima desigualdade,

| ln x − ln y| =

ξ

|x − y| ≤

α

|x − y|.

Da´ı, tomando L = 1/α, o qual ´e positivo, tem-se | ln x − ln y| ≤ L|x − y| para todo x, y ∈ (α, ∞).

Logo, f (x) = ln x ´e lipschitziana em (α, ∞).

Quest˜ao 5 [1,0 ponto] Considere a fun¸c˜ao f (x) = e

x para x ∈ R. Determine o polinˆomio de Taylor

de ordem n de f em x 0 = 0.

Prova: Como f (x) = e

x para x ∈ R e f

′ (x) = e

x , f

′′ (x) = e

x ,... , f

(n) (x) = e

x para todo n ∈ N e

x ∈ R ent˜ao, em x 0 = 0, o polinˆomio de Taylor de ordem n de f (x) = e

x ´e dado por

p(x) = 1 + x +

x

2

  • · · · +

n!

x

n .

ELEMENTOS DE AN´ALISE REAL AP2 2

Portanto, lim

n→∞

f (xn) = +∞. Assim, a sequˆencia (f (xn))n∈N ´e divergente. Logo, a fun¸c˜ao f (x) =

1 /(x − 1)

4

n˜ao tem limite em 1. 

(b) Seja (xn)n∈N uma sequˆencia qualquer em R

= Dom f tal que xn → α quando n → ∞. Como

α ∈ R

= Dom f e f (α) = 1/α, ´e preciso mostrar que a sequˆencia de imagens (f (xn))n∈N converge

para 1 /α. Pelas propriedades de limite,

lim

n→∞

xn = α ⇒ lim

n→∞

xn

Portanto, sendo f (x) = 1/x para x ∈ R

, tem-se que lim

n→∞

f (xn) = lim

n→∞

xn

= f (α). Mostrou-

se que: para toda sequˆencia em R = Dom f que converge para α, a sequˆencia das imagens tende a

f (α) = 1/α. Logo, pelo crit´erio sequencial para continuidade, a fun¸c˜ao f ´e cont´ınua em x = α.

Quest˜ao 3 [2,0 pontos] Sejam (a, b) ⊂ R, f : (a, b) → R uma fun¸c˜ao cont´ınua em x 0 ∈ (a, b) e

tal que f (x) > 0 para todo x ∈ (a, b). Mostre que existem n´umeros reais δ > 0 e β > 0 tais que

f (x) > β para todos x ∈ (a, b) com |x − x 0 | < δ.

Prova - Por hip´otese f ´e cont´ınua em x 0. Ent˜ao, por defini¸c˜ao, para todo  > 0 dado existe

δ = δ > 0 (que depende de  e do ponto x 0 ) tal que,

para todo x ∈ (a, b) se |x − x 0 | < δ ent˜ao |f (x) − f (x 0 )| < . (∗)

Da´ı, escolhendo em particular,  = f (x 0 )/ 2 > 0 , tem-se para este  que existe δ > 0 tal que para

todo x ∈ (a, b), se |x − x 0 | < δ ent˜ao f (x 0 )/ 2 < f (x) < 3 f (x 0 )/ 2. De fato, basta usar (∗) com

 = f (x 0 )/ 2 e propriedades alg´ebricas, pois

|f (x) − f (x 0 )| < f (x 0 )/ 2 ⇔ −f (x 0 )/ 2 < f (x) − f (x 0 ) < f (x 0 )/ 2 ⇔ f (x 0 )/ 2 < f (x) < 3 f (x 0 )/ 2.

Logo, chamando β = f (x 0 )/ 2 tem-se que f (x) > β > 0 para todo x ∈ (a, b) tal que |x − x 0 | < δ.

Quest˜ao 4 [2,0 pontos] Seja f : R → R definida por

f (x) =

x sen(1/x) se x 6 = 0,

0 se x = 0.

(a) [1 pt] Para x real, x 6 = 0, justificar que f ´e deriv´avel em x e calcular a derivada neste ponto.

(b) [1 pt] Mostrar que f n˜ao ´e deriv´avel em x = 0.

Prova - (a) Para x 6 = 0 tem-se f (x) = x sen(1/x). Note que f ´e o produto de fun¸c˜oes deriv´aveis

em qualquer ponto x 6 = 0. Assim, usando regras de deriva¸c˜ao, resulta

f

(x) = sen(1/x) + x cos(1/x) · (− 1 /x

2

) = sen(1/x) −

x

cos(1/x) para todo x 6 = 0,

a qual est´a bem definida, pois x 6 = 0. Logo, f ´e deriv´avel em qualquer x 6 = 0. 

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ELEMENTOS DE AN´ALISE REAL AP2 3

(b) Para x = 0 nenhuma regra de deriva¸c˜ao pode ser aplicada, pois as regras s´o valem em pontos

onde a priori sabe-se que a fun¸c˜ao ´e deriv´avel. Assim, em x = 0 ´e necess´ario usar a defini¸c˜ao de

derivada. A saber,

lim

x→ 0

f (x) − f (0)

x − 0

= lim

x→ 0

x sen(1/x)

x

= lim

x→ 0

sen(1/x). (?)

O ´ultimo limite em (?) n˜ao existe! De fato, seja (xn)n∈N a sequˆencia definida por

xn =

se n ∈ N ´e ´ımpar,

(π/2) + nπ

se n ∈ N ´e par.

Seja f (x) = sen(1/x) para x ∈ R

. Ent˜ao, pela defini¸c˜ao de (xn)n∈N, lim xn = 0 e xn 6 = 0 para

todo n ∈ N. Note que

f (x 2 k− 1 ) = sen(2k − 1)π = 0 para todo k ∈ N,

f (x 2 k) = sen(π/2 + 2kπ) = 1 para todo k ∈ N.

Assim, (f (xn))n∈N ´e a sequˆencia (0, 1 , 0 , 1 ,.. .), a qual como se sabe n˜ao converge. Portanto, n˜ao

existe lim

x→ 0

sen(1/x). Da´ı, e de (?) conclui-se que a derivada de f em zero n˜ao existe.

Quest˜ao 5 [2,0 pontos] Seja f : I ⊆ R → R uma fun¸c˜ao deriv´avel em I. Se α ∈ I e f

ent˜ao mostre que existe um δ > 0 tal que f (x) > f (α) para todo x ∈ I com α < x < α + δ.

Prova - Como, por hip´otese, f

(α) > 0 ent˜ao pela defini¸c˜ao da derivada de f em α, tem-se

f

(α) = lim

x→α

f (x) − f (α)

x − α

Da´ı e da Proposi¸c˜ao 7.7, existe uma vizinha¸ca Vδ(α) de α tal que

f (x) − f (α)

x − α

> 0 para todo x ∈ Vδ(α).

Se x ∈ Vδ(α) ⊂ I e x > α ent˜ao

f (x) − f (α) =

f (x) − f (α)

x − α

(x − α) > 0.

Portanto, se x ∈ I e α < x < α + δ ent˜ao f (x) > f (α).

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