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RECRIA - Inteligente, Notas de estudo de Agronomia

recria inteligente

Tipologia: Notas de estudo

2014

Compartilhado em 20/09/2014

mateus-valdir-muller-6
mateus-valdir-muller-6 🇧🇷

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Recria INTELIGENTE
Prof. Fernandes Meira
Bovinocultura de Leite
EEPROCAR – Carazinho – RS
É preciso ter atenção à fase inicial da vida dos bovinos. Além
de tudo, é mais sensato e carreto do ponto de vista econômico.
Para que se tenha melhor compreensão desta importante fase do
sistema de criação de bovinos em regime de pasto, é preciso reconhecer que
o período de recria é o que recebe menos atenção de boa parte dos
pecuaristas brasileiros. Razão pela qual tem sido considerado o elo mais fraco
da corrente, sendo o principal responsável pelo alongamento do ciclo pecuário
e pelo baixo desfrute apresentado pela bovinocultura nacional.
Após o nascimento, o crescimento do bovino pode ser comparado a uma curva
sigmóide, que representa o período de desenvolvimento dos diversos tecidos
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que com põem o seu corpo. Dentre estes tecidos, três são de fundamental
importância econômica: ossos, músculos e gordura. Inicialmente, na fase de
cria, caracterizada pela alta conversão alimentar, ocorre forte aceleração do
desempenho e o tecido em destaque é o arcabouço ósseo. Na recria, o animal
completa a formação
do tecido ósseo, mas
o que predomina é a
formação da massa
muscular que deve ser
depositada sobre um
esqueleto bem formado
e desenvolvido.
Durante a recria, os
animais ainda mantém
boa conversão
alimentar, porém com
menor aceleração, quando comparada ao período de cria e que diminui
gradativamente até completar o seu desenvolvimento total.
Completada a recria, os machos ou fêmeas, destinados ao abate,
passam para a fase de engorda ou acabamento, cujo tecido principal a ser
formado é a gordura que, por ser de baixíssima conversão alimentar, freia
fortemente a aceleração do desempenho.
Os machos e fêmeas destinados à reprodução têm seu maior ou menor
sucesso baseado também nas fases de cria e de recria, bem ou mal feitas. É
importante salientar que a arroba de menor custo é a produzida na cria,
seguida por aquela produzida na recria, sendo que a mais cara é a da fase do
acabamento. Por isso, é altamente correto e econômico investir em bovinos na
fase jovem. Apostar em animais novos é semelhante a "empurrar carro ladeira
abaixo", pois a resposta econômica é muito positiva. Infelizmente, muitos
criadores descuidam dos animais novos e passam a dar-lhes maior atenção
somente quando atingem dois anos de idade ou mais, optando por "empurrar o
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Recria INTELIGENTE

Prof. Fernandes Meira Bovinocultura de Leite EEPROCAR – Carazinho – RS

É preciso ter atenção à fase inicial da vida dos bovinos. Além

de tudo, é mais sensato e carreto do ponto de vista econômico.

Para que se tenha melhor compreensão desta importante fase do sistema de criação de bovinos em regime de pasto, é preciso reconhecer que o período de recria é o que recebe menos atenção de boa parte dos pecuaristas brasileiros. Razão pela qual tem sido considerado o elo mais fraco da corrente, sendo o principal responsável pelo alongamento do ciclo pecuário e pelo baixo desfrute apresentado pela bovinocultura nacional.

Após o nascimento, o crescimento do bovino pode ser comparado a uma curva sigmóide, que representa o período de desenvolvimento dos diversos tecidos 0 0 que com1 F põem o seu corpo. Dentre estes tecidos, três são de fundamental importância econômica: ossos, músculos e gordura. Inicialmente, na fase de cria, caracterizada pela alta conversão alimentar, ocorre forte aceleração do desempenho e o tecido em destaque é o arcabouço ósseo. Na recria, o animal completa a formação do tecido ósseo, mas o que predomina é a formação da massa muscular que deve ser depositada sobre um esqueleto bem formado e desenvolvido. Durante a recria, os animais ainda mantém boa conversão alimentar, porém com menor aceleração, quando comparada ao período de cria e que diminui gradativamente até completar o seu desenvolvimento total.

Completada a recria, os machos ou fêmeas, destinados ao abate, passam para a fase de engorda ou acabamento, cujo tecido principal a ser formado é a gordura que, por ser de baixíssima conversão alimentar, freia fortemente a aceleração do desempenho.

Os machos e fêmeas destinados à reprodução têm seu maior ou menor sucesso baseado também nas fases de cria e de recria, bem ou mal feitas. É importante salientar que a arroba de menor custo é a produzida na cria, seguida por aquela produzida na recria, sendo que a mais cara é a da fase do acabamento. Por isso, é altamente correto e econômico investir em bovinos na fase jovem. Apostar em animais novos é semelhante a "empurrar carro ladeira abaixo", pois a resposta econômica é muito positiva. Infelizmente, muitos criadores descuidam dos animais novos e passam a dar-lhes maior atenção somente quando atingem dois anos de idade ou mais, optando por "empurrar o

0 0 carro ladeira acima", quando já podem estar compro1 F metidos a conversão alimentar e o desenvolvimento da carcaça.

A carga genética de cada animal não muda o padrão da curva de crescimento, porém diminui ou aumenta o tempo gasto em cada fase, até que o bovino complete o seu desenvolvimento e atinja a fase adulta. Obviamente, em bovinos de maior potencial genético, a precocidade permitirá o encurtamento do ciclo pecuário, com maior desfrute e, de por via de regra maior viabilidade econômica.. Animais de baixa genética ou tardios alongam o ciclo e aumentam os custos. Isso mostra o lado altamente positivo da genética adequada e negativo dos animais de pior genérica; os primeiros formam a cabeceira e os demais o fundo do rebanho.

Nesse cenário é mister que se busque em cada fazenda o "ponto de equilíbrio", ou seja, aquele capaz de permitir os melhores resultados zootécnicos e econômicos. Devemos evitar a convivência do que podemos chamar de "ociosidade genética”, que significa desperdício da capacidade zootécnica dos animais para o desempenho. Infelizmente, esse quadro, não raro, ocorre em muitas fazendas, principalmente por falta de pastagens, 0 0 mineralização, sanidade e manejo ade1 F quados aos bovinos jovens.

Feitas as considerações técnicas sobre os diversos fatores que interferem de forma positiva ou negativa, enfoca-se, agora, os pontos básicos a ser observados na busca de uma recria inteligente.

A recria deve ser precedida de uma cria e desmame racionais, explorando-se ao máximo o potencial desta "máquina biológica", durante uma fase em que os animais ainda comem pouco e fazem ótimo aproveitamento de 0 0 sua nutrição, que é converti1 F da com grande eficiência em proteínas nobres. A eficiência do desempenho aumenta com a diminuição do tamanho do lote.

Logo após o desmame racional (de baixo estresse), iniciamos a recria. 0 0 Deve1 F mos separar os machos das fêmeas, formar lotes uniformes e não muito grandes; para o pastejo contínuo, nunca acima de 200 animais por lote e, no caso de pastejo rotacionado, 600 animais em recria, no máximo. Merece consideração o fato de alguns pecuaristas colocarem animais de recria em pastos que deverão ser reformados, com o intuito de explorar ao máximo o pouco ou quase nada que resta da forragem. Isso é uma decisão completamente equivocada e que não cabe numa moderna empresa que tem por objetivo a pecuária de precisão. Normalmente, à desmama, já foram realizadas as marcações, vacinas e outros procedimentos recomendados para machos e fêmeas em idade jovem.

Os pastos destinados à recria devem ser especiais, devendo ter água abundante, de boa qualidade e de fácil acesso, além de bons cochos e muita sombra. Deve-se manter adequada pressão de pastejo para evitar falta ou sobra de pasto.

Bovinos em recria precisam receber, além do melhor pasto, mineralização correta. Os minerais, que complementam o pasto, devem estar disponíveis, pois são nutrientes fundamentais para o desenvolvimento dos animais nessa fase tão importante. Os cochos devem ser: cobertos, de boa