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resenha - 2, Manuais, Projetos, Pesquisas de Educação Física

Resenha do livro Educação Física na escola para enriquecer a experiência da infância e da juventude

Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas

2015

Compartilhado em 01/07/2015

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eduarda-vivas-2 🇧🇷

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Não perca as partes importantes!

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Educação Física na Escola
para enriquecer a experiência da infância e da juventude
Tarcísio Mauro Vago
Educação Física na Escola: encontro “sério-lúdico” com as culturas infantil,
juvenil e adulta
O livro é uma reunião de artigos publicados e apresentados nos últimos anos, em
eventos, revistas ou livros que consiste na reflexão sobre a presença da Educação Física
na escola. Os dois primeiros textos apresentam uma singularidade sobre vestígios de
‘brincação’ na literatura brasileira, a qual (nos quais) a Educação Física aparece de
maneira apenas incidental, já o último traz algumas notas sobre a produção histórica da
Educação Física como disciplina escolar.
Um princípio que os orienta é pensar a Educação Física no domínio da
Educação, cujo lugar de realização é a Escola. Este pertencimento confere a Educação
Física uma identidade fundante (pode ser trocado por fundamental ou basilar)– sendo da
Escola, fazer o que é próprio da Escola, isto é: mediar o direito de todos os estudantes
ao conhecimento, às criações humanas, a um patrimônio cultural produzido e em
permanente (re) invenção. É também responsabilidade da Educação Física realizar uma
ação educativa com o conhecimento que lhe é próprio, orientar o seu ensino com
experiência de fruição, criação, recriação e expansão do acervo cultural de jogos,
brinquedos, brincadeiras, esportes, danças, ginástica, capoeira, todas obras da criação
humana, abertas à nossa inventividade. Considerar as práticas que interessam à
Educação Física como criações humanas inacabadas, imperfeitas e por isso mesmo
carregadas de potência para novas e ousadas criações.
A escola por acolher humanos, agir sobre eles e ainda, exigir em exercícios de
pensamento e elaboração, é um lugar de cultura e dos mais significativos na formação
das pessoas de todas as idades. Um dado significativo da educação no Brasil é de que a
cada 100 alunos, 93 estão em escolas públicas, para a imensa maioria deles a Educação
Física é sua oportunidade de realizar o direito de se apropriar do vasto acervo de
práticas corporais da cultura que constitui seu ensino, de ter uma experiência com essa
cultura. Uma experiência que se deseja acolhedora de todos, amorosa com todos, para
alegrar e enriquecer a experiência da vida que as tristezas são excessivas. A
responsabilidade de Professores de Educação Física é tão grande e tão bonita.
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Educação Física na Escola para enriquecer a experiência da infância e da juventude Tarcísio Mauro Vago

Educação Física na Escola: encontro “sério-lúdico” com as culturas infantil, juvenil e adulta

O livro é uma reunião de artigos publicados e apresentados nos últimos anos, em eventos, revistas ou livros que consiste na reflexão sobre a presença da Educação Física na escola. Os dois primeiros textos apresentam uma singularidade sobre vestígios de ‘brincação’ na literatura brasileira, a qual (nos quais) a Educação Física aparece de maneira apenas incidental, já o último traz algumas notas sobre a produção histórica da Educação Física como disciplina escolar.

Um princípio que os orienta é pensar a Educação Física no domínio da Educação, cujo lugar de realização é a Escola. Este pertencimento confere a Educação Física uma identidade fundante (pode ser trocado por fundamental ou basilar)– sendo da Escola, fazer o que é próprio da Escola, isto é: mediar o direito de todos os estudantes ao conhecimento, às criações humanas, a um patrimônio cultural produzido e em permanente (re) invenção. É também responsabilidade da Educação Física realizar uma ação educativa com o conhecimento que lhe é próprio, orientar o seu ensino com experiência de fruição, criação, recriação e expansão do acervo cultural de jogos, brinquedos, brincadeiras, esportes, danças, ginástica, capoeira, todas obras da criação humana, abertas à nossa inventividade. Considerar as práticas que interessam à Educação Física como criações humanas inacabadas, imperfeitas e por isso mesmo carregadas de potência para novas e ousadas criações.

A escola por acolher humanos, agir sobre eles e ainda, exigir em exercícios de pensamento e elaboração, é um lugar de cultura e dos mais significativos na formação das pessoas de todas as idades. Um dado significativo da educação no Brasil é de que a cada 100 alunos, 93 estão em escolas públicas, para a imensa maioria deles a Educação Física é sua oportunidade de realizar o direito de se apropriar do vasto acervo de práticas corporais da cultura que constitui seu ensino, de ter uma experiência com essa cultura. Uma experiência que se deseja acolhedora de todos, amorosa com todos, para alegrar e enriquecer a experiência da vida – que as tristezas já são excessivas. A responsabilidade de Professores de Educação Física é tão grande e tão bonita.

“Raízes Crianceiras”, Histórias de “Brincação”: uma exploração de brincares em Miguilim

  1. Infância: raízes crianceiras e brincação Tarcísio estimulado por Italo Calvino argumentando “por que não ler os clássicos”, encontrou na novela de Miguilim, de João Guimarães Rosa uma fonte para pensar as “raízes crianceiras” (poesia de Manoel Barros) de um menino de oito anos em sua experiência de infância e suas histórias de “brincação”, a qual inspira um diálogo entre a Educação Física como prática da escola e os muito brincares. Miguilim é um menino do sertão de Minas Gerais, em linguagem única, poética e potente, João Guimarães Rosa escreve experiências de uma meninice, de tornar-se humano. Um universo singular, pontilhado de tristezas, também de alegrias, poucas, nem por isso alegrias menores.
  2. Nos Gerais das Minas, uma infância no sertão Miguilim menino de oito anos vive sua infância “no meio dos Campos Gerais”, no lugar chamado Mutum, com o pai Béro, violento, mãe Nhanina, irmã Chica, e os irmãos mais novos Tomezinho e Dito, que “era a pessoa melhor”, Tio Terêz e a negra Mãitina. A narrativa é tecida no ponto de vista desse menino míope, já na viagem do lugar onde nasceu para Mutum suas primeiras lembranças: “A mãe, ele e os irmãozinhos, num carro de bois com toldo de couro e esteira de buriti, cheio de trouxas, sacos, tanta coisa – ali a gente brincava de esconder.” O pai maltratava muito Miguilim, colocava de castigo, ralhava, batia, batia muito. Em um domingo o pai levou seus irmãos para pescar e deixou Miguilim de castigo em casa, o tio de bom coração ensinou-o armar urupuca. O pai também brigava com a mãe, Miguilim “arregalava um sofrimento”, e Dito seu irmão tirava-o dali para brincar, ver os patinhos nadando, brincadeiras perto do chiqueiro sempre lhes rendiam bicho-do-pé, eram eles também crianças dos pés descalços. Brincavam com os animais, cachorros e gato, nos dias de chuva de passar no arco-da-velha, quem atravessava debaixo dele menino virava menina, menina virava menino, usavam vara de pau como cavalos e brincavam

atividades inadequadas para sua idade. Sentimentos diversos invadem o menino, ele mesmo achava que não gostava mais de ninguém, estirava uma raiva quieta de todos, até mesmo de sua mãe que não o defendia, não brigava ao fim por conta dele. Além disso, suas vistas atrapalhavam e mais sofrimento lhe causou, e o Pai lhe desprezava também por isso, dizendo pra mãe que ele não prestava, que menino bom era o Dito, que Deus tinha levado para si, era muito melhor tivesse levado Miguilim. Depois de muitas surras Miguilim não temeu mais o pai, esperava o pior do pai por isso, e o pai fez coisa mais doída, soltou todos seus passarinhos e acabou com todas as gaiolas, Miguilim esperava que o pai ainda viesse lhe dar outra surra, mas não veio e ele mesmo continuou o que o pai começara, destruiu todos seus brinquedos, agora, seus brinquedos recebiam toda a sua tristeza. No meio do trabalho na roça Miguilim sentiu mal-estar, uma dor muito brava na nuca, tremura de frio e não conhecia mais quando era dia e quando era noite, diferente de sempre, o pai devoto cuidados, misturados sentimento tomaram-lhe o coração, Miguilim sorriu ao ver o pai chorando estramontado, com o tempo foi ficando melhor. Mas nem ainda estava todo bom, desgraças outras aconteceram, pai matou Luisaltino, fugiu para o mato e enforcou-se com cipó, Miguilim chorava pelo pai por todos juntos, depois ficava numa arretriste, aquela saudade sozinha. Dias depois apareceu no Mutum uma visitante a cavalo, Dr. José Lourenço, médico de Curvelo, ele detectou que Miguilim era míope e lhe ofereceu seus óculos, Miguilim ao colocar óculos não conseguia acreditar em tudo que podia ver, achou tudo lindo. O médico ofereceu levar Miguilim para a cidade para cuidar das vistas, estudar e aprender ofício, Miguilim foi, assim acaba a história no livro, e Tarcísio questiona sua escolha com a seguinte pergunta: “Ver beleza na vida?”

  1. Entrelaçamentos: resistir à morte, com “cheirinhos de alegria”

Guimarães Rosa construiu um universo dando voz a um menino para dizer dos sentimentos, das percepções e dos desejos humanos mais intensos, em Miguilim fez entrelaçamentos de vida e morte, a recusa do bruto, acolhimento

do belo – uma sabedoria, uma inspiração. Sempre alegre, Miguilim, nas descobertas e nos espantos, “cheiro de alegriazinha”. A experiência de infância de Miguilim no sertão ajuda a pensar nos muitos lugares habitados por outros tantos Miguilins espalhados por ruas, praças e escolas, ontem e agora. Inspira a pensar as muitas “raízes crianceiras”, alargando a compreensão sobre crianças, combatendo idealizações simplificadoras da infância como sinônimo de felicidade. Instigando nossa sensibilidade. Convida para ver tantas infâncias, para sem rodeios aproximar-se de suas experiências pontilhadas por contrastes; inspira a olhar a criança encarnada que aprende e apreende o mundo, e também o transforma, com seu potencial inventivo e transgressor, ver a criança como outro, como protagonista inventiva, produtora de sentidos, de culturas. Inspira a pensar as práticas de brincação, maneiras de ler o mundo, de apropriar-se dos espaços, dos tempos, do universo ao redor – brincadeiras e brincantes no meio da vida. Para luar contra o esquecimento desse patrimônio imaterial presente na história humana, linguagem possível de todas as idades. Inspira a pensar a escola, e nela a Educação Física: como lugar de acolher os miguilins, para enriquecer suas experiências da vida. Miguilim inspira a acreditar que a cada momento existe sempre a possibilidade de beleza.

Mais Histórias de ‘Brincação’: outras explorações de brincares na literatura brasileira

O livro Menino do engenho de José Lins do Rego e Trilhos e quintais de Carmem Lúcia Oliveira são livros que tratam sinais de infâncias vividas na primeira metade do século XX, histórias que se passam em lugares diferente, no Nordeste e nas Minas, mas tão brasileiros, que nos possibilita pensar que essas infâncias é uma maneira também de pensar suas histórias e as histórias de educação, de escolarização, evidenciando contrastes, desestabilizando representações sobre o lugar da escola na produção da infância.

professora Eugênia, formada na escola de Belo Horizonte que depois de ter vivido algum tempo na Europa mudou-se para Cupim para acompanhar o marido. A cidade não havia professora, mas tinha material escolar enviado pelo governo, assim a escola foi aberta, porém, diante de uma platéia de crianças descalças, de idades diferentes e homogeneizados pelo analfabetismo, as teorias pedagógicas de Eugenia tropeçavam. As meninas passariam os dias copiando caprichosamente rabiscos sem sentido e os meninos faltavam abusivamente às aulas e admitiam com simplicidade que tinham ido pescar piabinha no córrego ou tinham ficado com dor de barriga de tanto comer goiaba verde. Além disso não achavam que deviam a Eugenia maior obediência, visto que ela não tinha a mão vara, palmatória ou grãos de milho. No entanto, para surpresa de Eugenia, a qual tinha vindo para Cupim com propósito de resgatar as crianças do suplício da ignorância, se surpreendeu com a fluição da felicidade longe da sala de aula, compreendeu uma infância criadora, onde as crianças faziam seus próprios brinquedos. De certa maneira os folguedos atingiam objetivo supostamente que era de sua tarefa: desenvolver a percepção, a motricidade, a sociabilidade, a persistência, a imaginação e tudo mais, mas Eugenia não desistiu e se mobilizou a planejar aulas interagindo natureza e conteúdo escolar. Infelizmente tempos mais tarde as aulas foram suspensas por causa da revolução. A reflexão que se pode fazer desses trechos é que as crianças e suas experiências pareciam compreendidas sempre como despossuídas, desprovidas, sempre em falta, vivendo na incompletude, e a escola sendo proposta como possibilidade para arrancá-las dessa condição, para conduzi- las com base nas ciências disponíveis á razão, à vida moderna, idéias estas de professores, inspetores, reformadores, a qual as crianças se recusaram, rejeitaram e não se deixaram apanhar.

  1. O que podem nos inspirar essas crianças?

Esses registros literários de experiências singulares de ser criança é uma maneira de se pôr contra a homogeneização e o esquecimento da infância como ser de cultura, crianças constroem, desconstroem, reconstroem, fazem histórias de sua infância com os restos, com o lixo, atribuir sentidos outros ao que parece corriqueiro e banal.

Educação Física e Cultura Escolar: notas de reflexão

Educação Física e Escola: identidade como prática de Educação Como disciplina escolar, a educação física pertence ao domínio da educação: encontra-se aí sua identidade como prática da escola, organizada por professores da escola para contribuir na formação de crianças, adolescentes, jovens e adultos. Porém todos ainda se perguntam ‘a que se destina’ a Educação Física? O autor nesse capítulo arrisca a pensar na presença da Educação Física na escola na contemporaneidade, não explorar respostas várias descritas na história em mais de 150 anos nas escolas brasileiras.

  1. Educação Física: fazer na escola o que é próprio da escola Se Educação Física faz parte da escola, as aulas de Educação Física devem ser voltadas ao que é próprio da escola, mas o que é próprio da escola? O que a caracteriza como instituição inventada na modernidade? A escola é uma instituição da qual se espera uma intervenção deliberada, intencional, planejada na ‘educação’ da infância e da juventude e é responsabilidade da Educação Física participar com o que lhe é próprio dessa ‘educação’ que envolve toda a escola.
  2. A Escola como lugar da Educação Física: experimentar e (re)inventar práticas da cultura Tarcício deixa claro sobre seu posicionamento que a escola é um lugar de circulação, de crítica, de (re)interpretação, de (re)produção e de (re)invenção de cultura, pois a escola é envolvida diariamente por seres

da emancipação humana, que não há possibilidade de pensar alternativas para os graves problemas sociais sem a participação da escola pública, abrir mão da escola pública de qualidade para todos só faz perpetuar as desigualdades imensas que existem no País. No entanto, não podemos depositar na educação escolar esperanças que ela não pode realizar. É preciso, assim, não cair na armadilha da mistificação da educação, como se a escola pudesse tudo, o que leva a encobrir as causas dos problemas sociais enfrentados no Brasil

  1. Educação Física como experiência da cultura

Pensar na Educação Física na escola no plano da “cultura”, para o autor, é um grande avanço conseguido pela área na contemporaneidade, pois esse pensamento envolve e traz debates que desestabilizou certezas e discursos há muito arraigados, deslocou referências históricas e fez expandir a compreensão sobre as possibilidades da presença da Educação Física na escola, porém não significa abandonar o vínculo entre a Educação Física e saúde, que esta visceralmente presente na história desde seus começos, nem esquecer a ginástica, que primeiro constituiu sua identidade no século XIX, nem afastar do esporte, que foi inserida em seu programa e acabou por se tornar hegemônica, quase exclusiva no século XX, deve se extrair daí muitos ensinamentos e lições para inspirar o nosso trabalho na e para a Educação Física na escola. Pensar a Educação Física nesse plano exige considerar saúde, ginástica, esporte, dança, jogos, brincadeiras, a capoeira e tantas outras práticas que interessam ao seu ensino como criações humanas inacabadas, imperfeitas, portanto carregadas de potências para novas e ousadas criações. São por isso mesmo, merecedoras de nossos cuidados e atenção. Não é por falta de sustentação teórica, não é por não ter ou não saber o que fazer, não é porque não se tens bons argumentos que a Educação Física experimenta sérios problemas nas escolas brasileiras, os dramas da Educação Física na escola são os dramas da educação pública brasileira.

Segundo o autor devemos defender a educação pública como princípio para que possamos nos colocar ao lado dos estudantes como parceria aliada na expansão de seus direitos a essas práticas culturais, uma experiência que se deseja ser acolhedora de todos, amorosas com todos para alegrar e enriquecer a experiência da vida – que as tristezas já são excessivas.

  1. Educação Física para cultivar e expandir o humano direito ao corpo

Os corpos humanos guardam e expressam histórias de cada um, histórias partilhadas, histórias de humanidade, histórias da humanidade. O corpo não é assim, algo que possuímos “naturalmente”. Nem é somente uma construção pessoal, mas também sociocultural: ele é suporte e expressão de uma dada cultura. A infância e a juventude, especialmente aquelas marcadas pelos constrangimentos econômicos, vêm sendo expostas a contrastes variados nas práticas sociais, que aparecem também no interior das escolas, preconceitos étnicos, hierarquia de gênero, exclusões, segregações. Estudantes submetidos a experiências dolorosas, e seu corpo marcado por elas, são questões para toda a escola, e a Educação Física não pode se esquivar de cuidar de problemas como esses em seu programa. A Educação Física deve estar atenta a maneira como compreende o corpo humano, seu e de seus alunos, pois há impacto direto em seu modo de orientar e organizar o ensino que oferece Deve ser contra a tirania de um ‘corpo perfeito’, contra as imposições estéticas de índices corporais, contra padronização dos corpos, enfim contra os inúmeros constrangimentos que empobrecem nossa experiência com o que nos é mais íntimo. Deve orientar a Educação Física na escola para ser lugar e tempo de cultivar nos estudantes a compreensão sobre este que talvez seja o maior de todos os direitos: o humano direito ao corpo.

  1. Educação Física: alargar o diálogo com os sujeitos e suas culturas

Ao contribuir para a formação cultural de uma criança, de um adolescente, de um jovem, de um adulto, o professor de Educação Física está também realizando uma intervenção sobre as práticas culturais em circulação na

centro de treinamento esportivo, não é rua, nem praça, não é tempo nem ‘equipamento’ de lazer, embora possa estabelecer relação com todos esses lugares. A escola é um lugar de culturas, um lugar das culturas e um lugar entre as culturas. De culturas porque seus protagonistas são produtores de cultura e também são produzidos nas culturas em que estão envolvidos: sua condição de classe, seu pertencimento étnico, seu gênero, a escolha da sexualidade, na escola há produção de conhecimentos. Das culturas porque tem como responsabilidade realizar o humano direito a um patrimônio por todos produzido: conhecer, usufruir, fruir as diversas culturas produzidas pelo humano, o que justifica a existência da escola é a sua responsabilidade de ter que transmitir e perpetuar a experiência humana considerada cultura. Entre as culturas porque estabelecem relações com outros lugares em que os humanos produzem suas culturas – nas ruas, nas praças, nos pertencimentos religiosos, nas políticas, na tantas manifestações artísticas.

  1. Pensar os humanos que produzem a escola e a Educação Física: seres de cultura “Cultura é o recurso essencial para o viver humano. Cultura é prosaico que nos orienta o vestir, o comer, o trajeto de amor, os ritos de nascimento, de fertilidade e de morte. Cultura é o sonho cotidiano. Sua ausência nos destrói.” Pensar o humano como ser de cultura torna-se essencial quando o que está em questão é a experiência que se pode organizar e viver na escola, envolvendo crianças, adolescente, jovens, adultos. Experiência que se traduz em uma formação cultural que recobre em tempo fundamental da vida
    • 14 anos, apenas considerando a Educação Básica, onde a Educação Física está. É incontornável refletir sobre os limites e as possibilidades que a escola (e nela a Educação Física) tem de potencializar esse “recurso essencial para o viver o humano”, que é a cultura.
  2. Reconhecer professores e estudantes como “sujeitos praticantes”

Professores e estudantes são “sujeitos praticantes” que ocupam lugar de centralidade na produção da escola, não são meros executores de planos formulados e impostos pelo Ministério da Educação, pelas secretarias de Educação ou pelas universidades. Sobre ser professor há uma significativa diferença entre compreendê-lo como ‘sujeito transmissor de um saber’ e entendê-lo como ‘sujeito produtor e portador de um saber’. Saber que se constrói e se (re)inventa permanentemente ao longo de sua história como pessoa, e de seu envolvimento com a prática escolar. Por isso, um saber elaborado na experiência diária de tornar-se o que se é: uma história de vida que entrelaça fontes diversas – sua formação escola (quem agora é professor, antes foi aluno); sua formação profissional (a inicial e a formação continua); seu contato com programas de ensino e com livros postos em circulação na área, que toma como referência para seu trabalho ( que são interpretados, com adesão ou recusa de suas proposições); enfim, sua própria experiência no ofício de ensinar. Tudo isso faz de alguém um professor. Professor que se forma e também se deforma diante das condições em que se realiza seu ofício. Sobre ser aluno: a etimologia da palavra – a lumini: o que não tem luz – já é uma idéia a ser combatida, torna-se aluno não é (ou não deveria ser) uma experiência de apagamento de sua identidade cultural como criança, adolescente, jovem ou adulto, ser aluno não precisa significar desqualificação de sua condição como de ser de cultura. Professores e estudantes são seres humanos não só de sonhos, de fetos, de encantos e de ação, mas também de carências, privações, exclusões, seres da vida, que assim devem seu cuidados.

  1. Pensar o humano direito ao corpo

Humanos têm corpo, são seu corpo, experimentam seu corpo, usufruem seu corpo para inventar a vida, mobilizam seu corpo em suas práticas sociais. O corpo é lugar da vida, de sua expressão, de suas alegrias e de suas dores, lugar de liberdade, lugar de censura, encontro do social e do singular.

igualdade de oportunidades, no respeito, na troca solidária, na cooperação, na partilha de afetos e deve se atentar também ao fato de que sua realização pode envolver tensões e conflitos, exclusão, discriminação e preconceitos, que podem ser convertidos em momentos de aprendizagem. O autor afirma que todas as pessoas merecem o conhecimento da Educação Física, e merecem serem respeitadas, e que precisamos não desconhecer os graves problemas sociais de nosso País, que afetam duramente a formação humana de crianças, adolescentes e jovens, e a própria condição de ser professor. Compreendê-los é condição para enfrentá- los, a ação docente é uma rica possibilidade para essa compreensão, e por fim deixa dicas:

  • Cuidado com as crianças, em sua condição de sujeito de um presente, e não de um futuro hipotético, em nome do qual muitas vezes lhes roubamos a infância.
  • Cuidado com os adolescentes, em sua rica e perturbadora transição, marcada por sentimentos diversos, confusos e instáveis, que também os tornam seres humanos adoráveis.
  • Cuidado com jovens, vivendo suas escolhas, seus conflitos, suas experiências, muito deles já no mundo do trabalho, outros tantos perdendo até a capacidade de sonhar com um futuro.
  • E cuidado com o professor. Cuidar de sua “humana docência”
  1. (^) Breve comentário a respeito do esporte da escola: direito de todos

O autor se coloca a favor do esporte na escola, mas não somente ele como conteúdo, e deve se realizar um ensino de esportes na Educação Física que não esteja aprisionado (nem asfixiado) a critérios como os de seleção, exclusão, performance, rendimento, vitória, entre outros, e isso não restringe ao esporte, as danças, a ginástica, jogos lutas, brinquedos, brincadeiras, capoeira também devem correr desses critérios perversos de organização. O desafio é ousar inventar na escola outros modos de praticar todas elas, imprimindo um caráter lúdico e solidário a elas.

(In)acabamento

O autor aposta em um projeto de Educação física como um dos tempos de realizar o humano direito a uma rica cultura de práticas corporais, não como coisa dada, mas como coisa conquistada e reconstruída, tal como a vida. Um projeto em que alunos e alunas possam praticar essa cultura, sem exclusão por nenhum motivo – porque não há motivo que seja suficiente para justificar a exclusão das aulas de Educação Física em que tenham respeitada sua corporeidade, construída em sua história de vida.

A Educação Física na cultura escolar: discutindo caminhos para a intervenção e a pesquisa

Nesse capítulo contém reflexos do Grupo de Estudo e Pesquisa em História (GPHE), vinculado ao Programa de Pós-graduação de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (FaE-UFMG), da qual o autor participa.

  1. Escolarização e cultura escolar: reflexões em torno do específico da escola O Grupo de Estudos e Pesquisa em História da Educação tem utilizado o termo escolarização em um duplo sentido, ambos certamente relacionados. No primeiro escolarização pretende designar o estabelecimento de processos e políticas concernentes à “organização” de uma rede, ou redes, de instituições, mais ou menos formais, responsáveis pelo ensino em seus diferentes níveis. O segundo sentido do termo escolarização diz respeito à paulatina produção de referências sócias tendo a escola, ou a “forma escolar de socialização” e de transmissão de conhecimento, como eixo articulador de seus sentidos e significados, na qual o foco recai sobre as consequências sociais, culturais e políticas da escolarização. O grupo vem tentando perceber, no tempo mais longo, os múltiplos significados e os diversos fatores intervenientes da radical mudança em nossa sociedade no que se diz respeito à escola. Eles estão atentos a para indicadores macrossociais e também consideram as práticas e as experiências como objetivo de investigação, buscando entender os sentido e os significados impressos nelas ou nelas reconhecido pelos diversos sujeitos.

O grupo GEPHE destacou como estruturas da cultura escolar um saber jurídico e político produzido específica e especialmente para a escola, uma organização física do espaço escolar, os materiais escolares, a divulgação de novos métodos de ensino e redefinição de currículos, disciplinas e tempos escolares. Partindo dessa exposição, acreditam que a noção escolar permite articular, descrever e analisar, de uma forma muito rica e complexa, os elementos ou dispositivos que compõem o fenômeno educativo.

  1. Sobre representações de Educação/Educação Física

As representações supõem para o autor um campo de concorrências, de competições, de conflitos, de tensão: são as lutas de representações, tão importantes como as lutas econômicas para compreender os mecanismos por meio dos quais um grupo impõem, ou tenta impor, a sua concepção do mundo social, os valores que são os seus, e o seu domínio.

Questões para a pesquisa em Educação Física O autor incentiva a investigar representações conformadas a respeito da Ginástica/Educação Física em sua história cultural e os conflitos entre elas, em momentos diversos: aparecimento, afirmação, permanências, legitimidade, rupturas, confrontos, desaparecimento.

  1. Sobre os tempos escolares

O tempo escolar são tempos pessoais e institucionais, individuais e coletivos, que delimitam em quadros de anos/séries, horários, relógios e campainhas que propõem múltiplas trajetórias de institucionalização. O tempo escolar se revelam e se realizam como tempos sócias, pois o tempo escolar têm conseqüências para vida não apenas das crianças, professores e diretoras, mas também para as famílias, para as práticas de trabalho, enfim, repercutem em outras práticas sociais.

Questões para a Educação Física Questionar sobre o tempo que os sujeito escolares fizeram/fazem da Educação Física. Tempo de relaxamento? De constituição de uma raça forte e enérgica? De preparação para o trabalho? De recreação, de educação motora? De formação e detecção de talentos? De cultura?

  1. Sobre os espaços escolares

O autor apresenta a opinião de outros autores que afirmam que a arquitetura escolar não é neutra, que ele é uma forma silenciosa de ensino, que objetos no espaço, na sala de aula, no pátio, nas quadras cumprem um papel educativo da maior importância. É de se problematizar o espaço escolar tanto como limite como possibilidade.

Questões para a Educação Física Em Minas Gerais a prática da Educação Física já foi prescrita na legislação do ensino para ser realizada “ao ar livre”, nas “varandas”, nos “galpões”, nas “salas de ginástica, nas “quadras esportivas, não é possível negligenciar a inexistência de espaço previsto para sua prática. Cabe agora considerar, se o espaço educa, é também o caso de perguntar como professores e alunos educam e reconstroem o espaço, e a dica do autor é a se atrever a imaginar.

  1. Sobre os sujeitos escolares (agentes escolares)

O autor incentiva a compreender os sujeitos escolares como componentes e produtores de um cultura escolar, assim enfatiza a idéia que alunos e professores, participam ativamente na construção da escola e da cultura escolar, e de si mesmo como sujeitos sociais, não apenas põem em funcionamento esta instituição. Para tanto, eles mobilizam vários procedimento, entre os quais os de recepção, apropriação, manipulação,