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Resumo agentes patogenicos, Manuais, Projetos, Pesquisas de Medicina

resumo apontando todos os agentes patogenicos e a forma como nosso corpo responde. Aprendizado iniciante

Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas

2020

Compartilhado em 08/10/2020

jehjehfortes
jehjehfortes 🇧🇷

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MECANISMOS BÁSICOS DE AGRESSÃO E
DEFESA
CAPÍTULO 1 - AGENTES PATOGÊNICOS E
BIOSSEGURANÇA
Mauricio Peixoto / Vinicius Canato Santana
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Baixe Resumo agentes patogenicos e outras Manuais, Projetos, Pesquisas em PDF para Medicina, somente na Docsity!

MECANISMOS BÁSICOS DE AGRESSÃO E

DEFESA

CAPÍTULO 1 - AGENTES PATOGÊNICOS E

BIOSSEGURANÇA

Mauricio Peixoto / Vinicius Canato Santana

Introdução

Nesta unidade estudaremos os mecanismos básicos de agressão e defesa, visando compreender os aspectos da imunologia, da microbiologia e da parasitologia. Para isso, vamos explorar as principais características dos organismos patogênicos, tais como as bactérias, os fungos, os vírus e os parasitas. Você já imaginou como as áreas da imunologia, microbiologia e parasitologia podem estar relacionadas? Bactérias, vírus, fungos e parasitas, na maior parte das vezes, são vistos como organismos patogênicos capazes de provocar apenas doenças, mas você sabia que nem todos são maléficos para os seres humanos? No decorrer desta unidade você conhecerá, também, a grande diversidade de microrganismos, suas características, grupos distintos e classificação, bem como a estrutura, a morfologia, a virulência, a genética e o crescimento dos agentes infecciosos. Você irá se surpreender com a grande variedade desses agentes! Compreender a complexidade dos agentes patogênicos e de que modo a biossegurança pode impactar na vida das pessoas é de extrema importância para aqueles que desejam atuar na área da saúde. Você já se perguntou quais são os cuidados que os profissionais que atuam em ambientes onde os agentes patogênicos circulam devem tomar para evitar que sejam contaminados e contaminem terceiros? Para que você possa compreender melhor as medidas que podem auxiliar a minimizar os riscos relativos aos agentes patogênicos, nos dedicaremos aqui a estudar, sobretudo, a importância da aplicação das normas de biossegurança e de métodos químicos/físicos para controle microbiano. Vem com a gente e bons estudos!

1.1 Bactérias, vírus, fungos e parasitas: estruturas,

morfologia, virulência, genética e crescimento

Os micróbios, também chamados de microrganismos, são seres vivos tão minúsculos que, em geral, é necessário um microscópio para sua visualização. Individualmente muito pequenos para serem visualizados a olho nu, o grupo inclui bactérias, fungos (leveduras e bolores), protozoários (um tipo de parasita) e algas microscópicas. Também inclui os vírus, que entidades acelulares muitas vezes consideradas como o limite entre o vivo e o não vivo (TORTORA; FUNKE; CASE, 2016). Hoje, sabemos que os microrganismos são encontrados em quase todos os lugares e, apesar de apenas uma minoria dos microrganismos ser patogênica (causadora de doenças), o conhecimento prático sobre os micróbios é necessário para a medicina e para as ciências re- lacionadas à saúde, pois, apesar de termos a tendência de associar esses pequenos organismos apenas a infecções incômodas, a transtornos comuns, como alimentos deteriorados, ou a outras doenças mais severas, como a Aids.

A maioria dos microrganismos, na verdade, auxilia na manutenção do equilíbrio da vida no nosso meio ambiente. Microrganismos marinhos e de água doce constituem a base da cadeia alimentar em oceanos, lagos e rios. Os micróbios do solo auxiliam na degradação de resíduos e na incorporação do gás nitrogênio do ar em compostos orgânicos, reciclando, assim, elementos químicos do solo, água, organismos vivos e ar. Certos micróbios têm um papel fundamental na fotossíntese, pro- cesso gerador de oxigênio e alimento que é crucial para a vida na Terra. (TORTORA; FUNKE; CASE, 2016, p.

Vemos, assim, que os microrganismos são essenciais para a sobrevivência dos seres humanos na terra e deles também depende o seu equilíbrio.

Bactérias que têm aparência espiralada.

O formato é, portanto, um importante critério para a classificação das bactérias, uma vez que sua forma serve para diferenciá-las a partir de sua morfologia e estrutura.

A seguir, estudaremos quais são as principais estruturas que uma bactéria possui.

Figura 1 - As diferentes formas de bactérias. Além das mais comuns, temos também as formas de espiroquetas e corynebacterium (bactérias bacilares pequenas). Fonte: Sakurra, Shutterstock, 2020.

Para visualizar do que se compõe a estrutura de uma célula bacteriana, arraste os blocos e complete as lacunas, associando-as aos conceitos.

VOCÊ SABIA?

Em microbiologia o termo “bacilo” pode ser utilizado em dois sentidos. O primeiro se refere ao formato da célula, como vimos anteriormente; e o segundo quando nos referimos ao gênero de uma bactéria. Exemplos:Bacillus anthracis, Bacillus cereus e o Bacillus subtilis.

Quadro 1 - Estruturas que compõem uma bactéria Fonte: Elaborado pelo autor, baseado em MADIGAN et al., 2016.

Independentemente de sua forma, as bactérias podem ser classificadas por um tipo de coloração, desenvolvida por um médico dinamarquês, chamado Hans Christian Joachim Gram. Clique nos botões a seguir e veja que a coloração de Gram classifica as bactérias da seguinte forma:

Gram-positiva

Parede celular simples, composta principalmente por uma única macromolécula, mas com grande quantidade de peptidoglicano, em torno de 70% a 75%; quando coradas pela coloração de Gram elas adquirem coloração roxa.

Gram-negativa

Parede celular complexa, formada por uma ou poucas camadas de peptideoglicano, não ultrapassando 5% na sua composição. Quando coradas pela coloração de Gram adquirem coloração rosa.

Figura 3 - Bacillus anthracis causador do Anthrax Fonte: Kateryna Kon, Shutterstock, 2020.

O citoplasma bacteriano é limitado pela membrana plasmática e não possui organelas membranosas (como complexo de Golgi e Retículo Endoplasmático). É constituído de uma solução aquosa na qual estão dissolvidas partículas insolúveis necessárias ao metabolismo celular, como por exemplo:

Ribossomos

Os ribossomos das bactérias são responsáveis pela síntese de proteínas.

Grânulos

Os grânulos são responsáveis por compor outras estruturas celulares e servem, também, de substância de reserva.

Os estudos que relacionam genética e virulência são extremamente importantes para o profissional da área. Tendo isso em vista, vamos, a partir daqui, buscar abordar esse tema mais profundamente. O genoma bacteriano é constituído de cromossomos e plasmídeos. Os cromossomos possuem o DNA que carrega a informação genética nos genes. O cromossomo bacteriano é um DNA dupla fita circular, altamente empacotado, disperso no citoplasma (nucleoide). Já os plasmídeos são moléculas de DNA dupla fita circulares, menores que os cromossomos, que carregam informação genética não essencial à célula, mas conferem uma vantagem seletiva, sob diversas condições (TRABULSI; ALTHERTUM, 2015). As mutações e as recombinações genéticas fornecem a variabilidade genética nas bactérias. As mutações podem ser geradas de forma espontânea (geralmente ocasionadas por um erro durante a replicação do DNA), ou induzida (provocadas por um agente mutagênico físico ou químico). Já a recombinação pode ocorrer de três formas, sendo elas: Transdução : quando o material genético é transferido por um bacteriófago de uma bactéria para outra. Conjugação : quando o material genético é transferido por meio do contato entre duas células bacterianas. Transformação : quando o DNA livre é incorporado após uma lise celular. A grande variabilidade genética observada nas bactérias está diretamente ligada à aquisição e transferência dos genes que codificam os fatores de virulência.

O termo virulência se refere à capacidade de uma bactéria, vírus, fungo ou parasita, produzir a doença no hospedeiro. É, como o nome diz, determinada pelos fatores de virulência expressos nas células. São consideradas fatores de virulência bacterianos aquelas estruturas ou estratégias que permitem que a bactéria entre, replique- se, dissemine-se e sobreviva aos mecanismos de defesa do hospedeiro (BROOKS et al., 2014).

1.1.2 Crescimento

O aumento no número de bactérias é o que chamamos de crescimento bacteriano. Esse aumento se dá por meio dos processos de reprodução das células, por fissão binária ou por brotamento. A fissão binária, processo de divisão assexuado, ocorre com a geração de duas células filhas com o genoma completo, e é comumente encontrada na maioria das bactérias. Essas duas células se dividem, originam quatro células e assim ocorre sucessivamente. Podemos chamar o tempo que uma célula leva para se dividir em duas de tempo de geração. Esse tempo é variável entre as bactérias, podendo ser de 1 até 24 horas (MADIGAN et al., 2016). Para determinar o crescimento de uma bactéria experimentalmente, ela deve ser semeada em meio de cultura em estado líquido e acompanhada em condições controladas. O seu crescimento segue uma curva que pode ser dividida em quatro etapas. Explore o gráfico a seguir, clicando em cada uma de suas etapas e correlacionando os eventos ocorridos com o tempo e número de bactérias no meio:

VOCÊ QUER LER?

A autora e bióloga Alanna Collen, em seu livro “10% humano: como os micro-organismos são a chave para a saúde do corpo e da mente”, mostra as últimas pesquisas científicas sobre os microrganismos que habitam o corpo humano e a influência desses microrganismos no funcionamento do nosso sistema imunológico, como, por exemplo, sua relação com doenças como autismo, transtornos mentais, alergias, diabetes e outras. Vale a pena conferir!

Figura 5 - Esquema da estrutura de um vírus envelopado Fonte: SkyPics Studio, Shutterstock, 2020.

Os vírus envelopados são vulneráveis aos solventes orgânicos, como o éter, devido a presença de lipídeos na composição de seu envelope. As glicoproteínas, presentes na composição do envelope, são os antígenos principais dos vírus e estão associadas ao reconhecimento e ligação aos receptores celulares específicos durante o processo de infecção das células.

Em sua maioria, os vírus entram em seus hospedeiros pelas mucosas do trato gastrointestinal, ou trato respiratório. Isso ocorre, principalmente, por meio da ingestão de alimentos ou água contaminados, mas outras formas de transmissão também são possíveis, como no caso das doenças virais sexualmente transmissíveis como HIV, HPV ou pelo contato com sangue e hemoderivados contaminados.

1.1.4 Crescimento

Por serem parasitas celulares obrigatórios, é extremamente difícil acompanhar o crescimento do vírus como fazemos com as bactérias em meios de culturas. Entretanto, os vírus podem se multiplicar de duas formas: pelo ciclo lítico ou pelo ciclo lisogênico.

  • Ciclo lítico Esse ciclo é dividido em cinco etapas: adsorção, penetração, biossíntese, maturação e liberação. Iniciando pela adsorção, as partículas virais “colidem” com a célula na qual ocorre a ancoragem dessas partículas. Após a adsorção, ocorre a penetração, momento em que o vírus injeta seu material genético na célula. Quando o material genético alcança o citoplasma da célula hospedeira, ele inicia o comando para a síntese de proteínas e ácidos nucleicos “virais” e, assim, inicia-se a etapa da biossíntese. Na etapa de maturação novas partículas virais são montadas, ocorrendo o rompimento da membrana da célula hospedeira e a liberação dos vírus, que podem invadir novas células e iniciar o processo de multiplicação.
  • Ciclo lisogênico Nesse ciclo não ocorre a morte da célula hospedeira. Aqui, o vírus insere seu ácido nucleico na célula hospedeira, que continua funcionando normalmente. O material genético do vírus, então, é incorporado ao DNA da célula hospedeira que, ao realizar mitose, gera células filhas com o novo genoma viral. Assim, a célula que foi infectada transmite o material genético para todas as células filhas, que também estarão, portanto, infectadas.

CASO

Você sabia que as pessoas infectadas pelo vírus HIV são tratadas com medicamentos que chamamos de antirretrovirais? A terapia antirretroviral é uma combinação de medicamentos que impede a replicação do vírus. Se o tratamento for seguido fielmente, ele pode reduzir consideravelmente o número de vírus presente no sangue. Recentemente, foi publicado um estudo, na conceituada revista cientifica The Lancet, confirmando que o tratamento eficaz com os antirretrovirais impedia a transmissão do vírus HIV entre os casais (COHEN, 2019). Isso é possível uma vez que a pessoa infectada possui níveis indetectáveis do vírus por conta do tratamento com antirretrovirais. Temos, aqui, um exemplo da importância de se conhecer o agente infeccioso para que se possa utilizar o tratamento mais eficiente e eficaz.

Figura 6 - À esquerda, observamos a estrutura de uma célula de um fungo filamentoso. À direita, temos a estrutura de uma levedura. Fonte: Designua, Shutterstock, 2019.

  • Cogumelos : possuem uma parte do corpo crescendo abaixo do solo e uma parte aérea, com formato de chapéu. Essa parte aérea é chamada micélio reprodutivo, ou corpo de frutificação, porque é nela que ocorre a reprodução sexuada e a formação de estruturas que darão origem aos esporos, responsáveis pela reprodução assexuada.

1.1.7 Classificação e virulência

Os fungos podem ser classificados em cinco filos diferentes: Ascomicetos, Basidiomicetos, Zigomicetos, Oomicetos e Deuteromicetos. A maioria dos fungos patogênicos são pertencentes ao filo Deuteromicetos. A maior parte dos fungos saprófitos podem ser patógenos primários ou oportunistas. São denominados de primários aqueles que são capazes de penetrar em tecidos saudáveis, desenvolver-se e provocar danos no hospedeiro imunocompetente. Os fungos considerados oportunistas são aqueles que causam uma enfermidade aos seres humanos quando o sistema de defesa não está responsivo. As principais vias de transmissão são as vias aéreas ou por contato direto com objetos contaminados. Para que uma infecção por fungos se aloje, vai depender da virulência do fungo e como o sistema imunológico do hospedeiro se encontra no momento do contato. Os indivíduos imunocomprometidos são os mais atingidos pelas infecções fúngicas.

1.1.8 Crescimento

Os fungos podem se reproduzir assexuadamente ou sexuadamente. As hifas que compõem o micélio podem atingir a superfície e entrar em contato com o ar. Essas hifas podem desenvolver em suas extremidades os esporos, chamados de conídios. Os conídios são assexuados e altamente resistentes à desidratação. Existem fungos que produzem diferentes esporos sexuais. Os esporos dos bolores são originados da fusão de gametas unicelulares ou de gametângios (hifas especializadas). Já em outros tipos de fungos, temos a formação de esporos por meio da fusão de duas células haploides, após meiose e mitose, resultando em esporos individuais.

1.1.9 Parasitas: protozoários e helmintos

Todos os protozoários são unicelularese eucariontes. Existe uma enorme variedade de formas que podem ser de vida livre ou parasitas, que podem se reproduzir sexuadamente (com a união de gametas), ou assexuadamente (divisão celular). Dentre os protozoários que se reproduzem sexuadamente, há a formação de gametas masculinos e femininos que, após a união, formam uma célula diploide. Já os protozoários que fazem a reprodução assexuada, podem realizar a divisão binária, merogonia, esporogonia e a esquizogonia. Os protozoários se diferenciam dos fungos, pois não apresentam parede celular rígida (COURA, 2013). Inúmeros protozoários são causadores de doenças como malária, doença de Chagas, leishmanioses, toxoplasma, entre outras. Os helmintos, comumente conhecidos como vermes, são pluricelulares de vida livre ou parasitas, seus hospedeiros incluem o ser humano. Clique nas abas a seguir e veja que podemos classificar os protozoários em três filos, sendo: Platyhelminthes Vermes que possuem o corpo achatado e possuem um tubo digestivo ausente ou primitivo. São representantes desse filo: Taenia solium, Taenia saginata e Schistosoma mansoni. Nemathelminthes Vermes que possuem o corpo cilíndrico e o tubo digestivo completo. São representantes desse filo:Ascaris lumbricoides, Ancylostoma duodenale e Enterobius vermicularis. Annelida São vermes que não parasitam. Os parasitas podem apresentar ciclos de vida monóxeno ou heteróxeno. O que caracteriza o ciclo de vida monóxeno é a necessidade de apenas um hospedeiro para completar seu ciclo de vida (por exemplo,Ascaris, Enterobius, Strongyloides). Diferentemente, os parasitas que possuem o ciclo heteróxeno necessitam de dois ou mais hospedeiros para completar seu ciclo de vida (por exemplo,Taenia, Plasmodium, Trypanosoma, Leishmania ).

1.1.10 Classificação e virulência

Grande parte dos protozoários faz uso da fagocitose para englobar e ingerir partículas sólidas. Outros protozoários possuem o citostoma para “engolir” uma célula bacteriana inteira ou pequenas células eucarióticas. Os protozoários podem ser classificados pelo seu modo de locomoção (NEVES, 2016). Os Sarcodinas (amebas) são aqueles que se locomovem por movimentos ameboides.

um conjunto de ações (normas) destinadas a prevenir, controlar, mitigar ou eliminar riscos inerentes às atividades que possam interferir ou comprometer a qualidade de vida, a saúde humana e o meio ambiente. Desta forma, a biossegurança caracteriza-se como estratégica e essencial para a pesquisa e o desenvolvimento sustentável sendo de fundamental importância para avaliar e prevenir os possíveis efeitos adversos de novas tecnologias à saúde. (BRASIL, 2010 a , p. 15)

Para refletir sobre o conceito de biossegurança e como aplicá-la em situações reais, considere a situação apresentada a seguir.

Em 8 de junho de 1978, o Ministério do Trabalho aprovou as normas regulamentadoras (NRs) referentes à segurança e saúde do trabalhador. Especificamente, a NR-9 estabeleceu a obrigatoriedade do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) como medida de proteção à saúde e integridade do trabalhador. Os tipos de riscos ambientais são classificados como: riscos de acidentes; ergonômico; físico; químico e biológico. Esse último se refere aos agentes biológicos que podem causar danos à saúde do trabalhador, como, por exemplo as bactérias, vírus, fungos ou protozoários. Os agentes biológicos podem ser classificados em cinco classes de risco biológico, conforme as “Diretrizes Gerais para o Trabalho em Contenção com Material Biológico” (BRASIL, 2010 b ). São elas:

  • classe de risco I (baixo risco individual e coletivo): baixa probabilidade de o agente causar uma enfermidade. Exemplo: Lactobacillus;
  • classe de risco II (risco moderador para o individual e limitado risco para a comunidade): pode vir a causar uma infecção, porém, existem medidas terapêuticas e profiláticas. Exemplo: Schistosoma mansoni;
  • classe de risco III (alto risco individual e risco moderado para a comunidade): os agentes biológicos de classe III podem causar graves infecções em humanos e animais, mas existem tratamentos eficazes. Exemplo: Bacillus anthracis;
  • classe de risco IV (alto risco para o individual e para a comunidade): os agentes biológicos de classe IV são de fácil propagação e não existem medidas profiláticas e nem terapêuticas eficazes. São altamente patogênicos. Exemplo: vírus Ebola;
  • classe de risco V (alto risco de contaminação em animais e do meio ambiente): são os agentes

VAMOS PRATICAR?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que a gripe é um dos grandes desafios da saúde pública. Segundo dados da mesma organização, a cada ano estima-se que um bilhão de pessoas podem se contaminar com o vírus da gripe, conhecido como influenza. O controle da disseminação desse vírus é um grande desafio, uma vez que ele é de fácil transmissão. Situação-problema : Você já deve ter ouvido falar que criança, sobretudo quando começa a frequentar a creche, vive doente. Em ambientes fechados ou semifechados, como as creches e escolas, a propagação do vírus causador da gripe é mais elevada. As crianças são mais suscetíveis a terem complicações graves causadas pela gripe. Todo ano, nas estações mais frias, quando os locais ficam sem circulação de ar, aumentam os casos de gripe. A forma de prevenção de contaminação entre crianças e seus cuidadores já são bastantes difundidas. Baseado nessa informação, você, no cargo de diretor(a) de uma creche, tomaria quais medidas para evitar um surto da doença, caso soubesse da presença de uma criança ou adulto gripado?

  • classe de risco V (alto risco de contaminação em animais e do meio ambiente): são os agentes biológicos que não existem no país, como o Achantina fulica(caramujo-gigante-africano trazido para o Brasil). Somente em 1995, o Brasil instituiu uma lei que criou a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). A Lei n. 8.974, de 5 de janeiro de 1995, determinou os diferentes níveis de biossegurança, denominando-os de NB-1, NB-2, NB-3 e NB-4.

As NBs determinam os critérios para os níveis de segurança na manipulação de agentes biológicos. Para se determinar o nível de biossegurança, deve-se seguir alguns critérios de avaliação, como origem e virulência do agente, modo de transmissão, entre outros (CDC, 1999, tradução nossa). As principais funções das normas são garantir um ambiente seguro para quem está manipulando o agente biológico, a proteção para o meio ambiente e para a comunidade. NB-1 : aplica-se a laboratórios de ensino médio com manipulação somente de agentes de classe 1. Necessidade de se adotar boas práticas laboratoriais. NB-2 : laboratórios clínicos e hospitalares, onde ocorre manipulação de agentes de classe 2. Necessidade de se adotar boas práticas laboratoriais, instalação de barreiras físicas primárias (cabine de segurança biológica) e uso de EPI. NB-3 : laboratórios onde ocorre a manipulação de grande quantidade de agentes de classe 2 ou de classe 3. Além da estrutura requerida em um laboratório de nível 2, deve-se construir áreas de trabalho especiais. NB-4 : laboratório de contenção máxima, onde há manipulação de agentes de classe 4. Nesse laboratório, deve-se ter todos os níveis de contenções exigidos nos laboratórios anteriormente citados, e barreiras de contenções e procedimentos de segurança especiais. Especificamente para os profissionais da área de saúde, foi criada também a NR-32, que tem como finalidade “estabelecer as diretrizes básicas para a implementação de medidas de proteção à segurança e à saúde dos trabalhadores dos serviços de saúde, bem como daqueles que exercem atividades de promoção e assistência à saúde em geral (BRASIL, 2005). Além de todos as normas já elencadas, algumas outras regras são importantes para reduzir ou minimizar os riscos em um ambiente hospitalar e em laboratórios, como, por exemplo, a utilização de equipamentos de proteção individual (EPI), como luvas, jalecos, óculos e máscaras. Especificamente para os profissionais da área de saúde, foi criada também a NR-32, que tem como finalidade “estabelecer as diretrizes básicas para a implementação de medidas de proteção à segurança e à saúde dos trabalhadores dos serviços de saúde, bem como daqueles que exercem atividades de promoção e assistência à saúde em geral (BRASIL, 2005). Além de todos as normas já elencadas, algumas outras regras são importantes para reduzir ou minimizar os riscos em um ambiente hospitalar e em laboratórios, como, por exemplo, a utilização de equipamentos de proteção individual (EPI), como luvas, jalecos, óculos e máscaras.

VOCÊ QUER VER?

Não deixe de assistir o filme “Epidemia", de 1995, com direção de Wolfgang Petersen. O filme conta sobre uma possível epidemia nos EUA, provocada por um vírus semelhante ao Ebola. Nele, você poderá observar todos os níveis de biossegurança nos laboratórios, desde o nível 1 ao 4, e a importância da utilização dos equipamentos de proteção individual (EPIs).

O representante dos halogênios, comumente utilizados em hospitais e laboratórios, é a tintura de iodo. Por ter a função fungicida, bactericida e esporocida, é um potente antisséptico. O iodo em solução alcoólica de 2% tem uma ação imediata. É utilizado na prática cirúrgica. Outro exemplo desse grupo é o cloro, que ataca os grupos alfa-aminados das proteínas, afetando as funções de enzimas vitais. Os agentes de superfície ( detergentes catiônicos ) mais utilizados são: cloreto de benzalcônio, cloreto de benzetônico, cloreto de cetilpiridíneo e cetrimida. Eles têm ação sobre a permeabilidade da membrana, inibem a respiração e a glicólise das bactérias, vírus e esporos bacterianos. Dentro do grupo das biguanidas , a clorohexidine é utilizada nos centros cirúrgicos na antissepsia de pele, na lavagem das mãos e na preparação dos pacientes. Ela adsorve a parte externa dos microrganismos, ligando-se ao grupo fosfato da parede e da membrana, provocando danos e liberação do conteúdo citoplasmático. Os agentes classificados como metais pesados têm ação bacteriostática. O nitrato é comumente utilizado em soluções oftalmológicas, a 1%, como prevenção da oftalmia neonatorum. Os agentes oxidantes , como a água oxigenada, liberam o oxigênio nascente, que oxida os sistemas enzimáticos essenciais para a sobrevivência dos microrganismos. O uso comum para a água oxigenada é a lavagem de feridas e mucosas nas quais haja tecido necrosado, pois a ação da catalase facilita a limpeza da área. O óxido de etileno, representante dos esterilizantes gasosos , é utilizado na esterilização de instrumentos cirúrgicos, pois inativa enzimas cruciais para os microrganismos por meio da alquilação direta dos grupos hidroxilas, sulfidrilas e carboxilas. Os principais locais de ação dos agentes químicos são:

Parede celular e membrana: a ação dos agentes químicos afeta a permeabilidade e favorece a lise celular. Proteínas: causa desnaturação ou inativação das proteínas. Material genético (DNA ou RNA): causa degradação do material genético; pode inibir os processos de replicação e tradução.

1.2.2 Métodos físicos para controle microbiano

Os métodos físicos são aqueles que permitem a eliminação dos microrganismos por meio de técnicas que desnaturam as proteínas, oxidam, destroem o DNA, interrompem o metabolismo.

Quadro 2 - Os métodos físicos para eliminação de microrganismos podem ser divididos em cinco grupos Fonte: TRABULSI; ALTHERTUM, 2015.

No caso dos agentes físicos, o calor é um dos métodos mais utilizados em ambientes de saúde, como clínicas e hospitais. A autoclavação, utilizando calor úmido e os fornos, utilizando calor seco, estão entre os métodos mais eficientes e práticos. Por outro lado, as baixas temperaturas são utilizadas principalmente para o controle do crescimento dos microrganismos, conservando produtos médico/hospitalares.