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Este resumo tem 13 páginas e fala das principais percepções de um dos livros mais requisitados em todos os vestibulares do país: "Alguma Poesia", de Carlos Drummond de Andrade. Inserimos também comentários dos poemas que mais caíram nas provas.
Tipologia: Resumos
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"Alguma Poesia" é o primeiro livro de poesia do renomado poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade, publicado em 1930. Esta obra inaugura a carreira literária de Drummond e apresenta os primeiros traços de sua voz poética singular, que se tornaria uma das mais influentes na literatura brasileira do século XX. O livro é composto por 50 poemas que abordam temas variados, desde reflexões filosóficas até questões cotidianas e experiências pessoais. Drummond demonstra uma habilidade notável em explorar a linguagem de forma inovadora e criativa, ao mesmo tempo em que revela uma sensibilidade aguçada para a complexidade da vida moderna e para as profundezas da condição humana. Através de sua poesia, Drummond estabelece um diálogo entre o eu lírico e o mundo ao seu redor, explorando questões existenciais, sentimentos de solidão, o efêmero da vida, a passagem do tempo e a ambiguidade das emoções. Seus versos frequentemente apresentam uma mistura de ironia, melancolia e humor, o que contribui para a riqueza e diversidade temática de "Alguma Poesia".
"O Poema das Sete Faces" é um dos poemas mais emblemáticos do livro "Alguma Poesia" de Carlos Drummond de Andrade. Neste poema, o autor explora as múltiplas camadas da identidade e da emoção humana, bem como a natureza multifacetada da vida. Através de uma linguagem concisa e reflexiva, Drummond convida o leitor a refletir sobre a complexidade e a dualidade da experiência humana. O título "O Poema das Sete Faces" sugere que o eu lírico é composto por várias facetas, ou seja, diferentes aspectos que compõem a sua personalidade e sua maneira de interagir com o mundo. A alusão ao número sete pode remeter a uma ideia de completude ou totalidade, enfatizando que as emoções e os estados de espírito do eu lírico são variados e abrangentes. O poema tem uma afirmação célebre: "Mundo mundo vasto mundo". Essa repetição da palavra "mundo" cria um senso de expansão e amplitude, destacando a vastidão da existência. Ao mesmo tempo, a repetição também sugere uma sensação de desorientação e perplexidade, como se o eu lírico estivesse se deparando com a complexidade e a imensidão do mundo.
O poema "Cantiga de viúvo" de Carlos Drummond de Andrade é uma peça curta e evocativa que retrata a experiência emocional de um viúvo após a morte de sua esposa. O eu lírico expressa a sensação de tristeza, solidão e saudade que o envolve, como se a noite tivesse caído em sua alma. Uma sombra, que é simbolicamente associada à presença da esposa falecida, se aproxima e o envolve, como se fosse um abraço. Essa sombra evoca a lembrança do ser amado que partiu há muito tempo. A presença dessa sombra, que é descrita como sendo "de meu bem", traz um momento de conforto e intimidade. Ela abraça o eu lírico com amor, beija-o e consola-o, como se estivesse presente de alguma forma após a morte física. No entanto, essa presença é breve e fugaz. A sombra, personificada como alguém que riu devagarinho, acena com um adeus silencioso e se afasta, saindo e fechando a porta. Os passos da sombra descendo a escada indicam a partida final e definitiva, e o eu lírico fica sozinho novamente, sentindo que tudo acabou. Esses versos expressam uma sensação de finalidade e encerramento da visita momentânea da memória do ser amado. A solidão do viúvo é reforçada pela imagem final do silêncio que se segue após os passos da sombra desaparecerem.
O poema "O poema que aconteceu" de Carlos Drummond de Andrade explora uma pausa momentânea no fluxo da vida e da criação artística. Através de uma atmosfera de quietude e tranquilidade, o eu lírico descreve um domingo em que não há desejos, problemas ou agitação no mundo. O ritmo usual da vida e da ação parece ter sido interrompido, e as pessoas permanecem silenciosas. O poema também destaca a própria criação poética como um ato involuntário. O eu lírico descreve que a mão que está escrevendo o poema não tem consciência do ato de escrita, sugerindo que a poesia flui de forma espontânea, quase como um processo automático e inconsciente. No entanto, também é observado que, se essa mão soubesse do ato de escrita, talvez não se importasse, sugerindo uma certa indiferença em relação ao próprio processo criativo. O domingo é descrito como sem começo ou fim, uma espécie de eternidade suspensa no tempo. Esse sentimento de suspensão se estende para o ato de escrever o poema, onde a noção de tempo e propósito parecem diluídos.
O poema "Cota zero " de Carlos Drummond de Andrade apresenta uma cena brevíssima que evoca uma sensação de paralisação e interrupção. Os versos são concisos, mas carregam uma reflexão sobre a natureza da vida e da existência em relação ao tempo e ao movimento. O poema começa com a palavra "STOP", como um sinal de trânsito que indica uma parada abrupta. Essa palavra em letras maiúsculas cria um impacto visual, como se estivesse interrompendo o fluxo da leitura e da vida. A segunda linha apresenta uma pergunta ambígua: "A vida parou / ou foi o automóvel?" A interrogação sugere uma conexão entre a parada da vida e a parada de um automóvel, criando um jogo de palavras que ressalta a dualidade entre os conceitos literal e figurativo. O poema pode ser interpretado como uma meditação sobre os momentos de pausa e interrupção que experimentamos em nossas vidas. A escolha das palavras "vida" e "automóvel" pode sugerir uma comparação entre a vida como um percurso contínuo e o automóvel como uma metáfora da mobilidade e do avanço. O poema nos faz questionar se a vida realmente parou ou se é apenas uma sensação temporária, como a parada de um automóvel que logo voltará a se mover.