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Alguma Poesia, Notas de estudo de Literatura

Apostilas de Literatura sobre "Alguma Poesia" de Carlos Drummond de Andrade, O indivíduo – "um eu todo retorcido", A família – "a família que me dei", O conhecimento amoroso – "amar-amaro", Paisagem e viagens, O social e a evolução dos tempos.

Tipologia: Notas de estudo

2013

Compartilhado em 22/10/2013

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Andre_85 🇧🇷

4.5

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Alguma Poesia
Carlos Drummond de Andrade
Publicado em 1930, o volume apresenta 49 poesias, reunindo
produções de Carlos Drummond de Andrade de 1925 a 1930, e está
dedicado ao poeta e amigo Mário de Andrade, que publica, no
mesmo período, Remate dos Males, obra que viria a dar uma nova
conformação à poética do Papa do Modernismo.
Alguma Poesia é volume escrito sob o ímpeto da modernidade de
1922, pratica o poema-piada, utiliza os coloquialismos apregoados
pela estética, cultiva a poesia do cotidiano, repudiando as tendências
parnasiano-simbolistas que dominaram a poesia até então. No
entanto, o poema-piada de Drummond é antes um desabafo de um
tímido que procura afogar (disfarçar) no humor os sentimentos que o
amarguram. No prosaísmo esconde a procura de uma expressão
poética autêntica e autônoma e, ao se voltar para o cotidiano,
transcende o tempo e o espaço em busca do perene e universal.
Dos supostos acima enunciados, pode-se traçar uma espécie de
linha temática que Drummond seguirá em Alguma Poesia e que
permanecerá durante sua trajetória poética, que, grosso modo, pode
ser identificada como se segue, a partir do que o próprio autor
sugere como condução temática de sua obra:
1. O indivíduo – "um eu todo retorcido"
Seção que investiga a formação do poeta e sua visão acerca
do mundo. Sempre lúcido, discorre com amargor, pessimismo,
ironia e humor o que ele, atento observador, capta de si
mesmo e das coisas que o rodeiam. Alguns poemas
sintetizam a visão do indivíduo, como o poema de abertura
"Poema de sete faces" em que vaticina seu destino
2. A família – "a família que me dei"
Uma das constantes temáticas de Drummond, presente desde
Alguma Poesia até seus versos finais, é a família, sua
vivência interiorana em Minas Gerais, a paisagem que marca
sua memória. Contrariando o lugar-comum, ao invés de se
referir à família como algo que lhe foi atribuído por Deus, o
poeta coloca um "que me dei" a analisa suas relações
pessoais, consciente de que se assentam na perspectiva
pessoal. De modo muito individual, retrata o escoar do tempo,
como é possível observar em "Infância", "Família", "Sesta",
alguns dos mais significativos poemas de Alguma Poesia.
3. O conhecimento amoroso – "amar-amaro"
Com o jogo de palavras amar-amaro, título emprestado de um
poema do livro Lição de Coisas, o poeta acrescenta ao
substantivo "amar" o adjetivo "amargo", sentimento recorrente
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Alguma Poesia

Carlos Drummond de Andrade

Publicado em 1930, o volume apresenta 49 poesias, reunindo produções de Carlos Drummond de Andrade de 1925 a 1930, e está dedicado ao poeta e amigo Mário de Andrade, que publica, no mesmo período, Remate dos Males , obra que viria a dar uma nova conformação à poética do Papa do Modernismo. Alguma Poesia é volume escrito sob o ímpeto da modernidade de 1922, pratica o poema-piada, utiliza os coloquialismos apregoados pela estética, cultiva a poesia do cotidiano, repudiando as tendências parnasiano-simbolistas que dominaram a poesia até então. No entanto, o poema-piada de Drummond é antes um desabafo de um tímido que procura afogar (disfarçar) no humor os sentimentos que o amarguram. No prosaísmo esconde a procura de uma expressão poética autêntica e autônoma e, ao se voltar para o cotidiano, transcende o tempo e o espaço em busca do perene e universal. Dos supostos acima enunciados, pode-se traçar uma espécie de linha temática que Drummond seguirá em Alguma Poesia e que permanecerá durante sua trajetória poética, que, grosso modo, pode ser identificada como se segue, a partir do que o próprio autor sugere como condução temática de sua obra:

1. O indivíduo – "um eu todo retorcido" Seção que investiga a formação do poeta e sua visão acerca do mundo. Sempre lúcido, discorre com amargor, pessimismo, ironia e humor o que ele, atento observador, capta de si mesmo e das coisas que o rodeiam. Alguns poemas sintetizam a visão do indivíduo, como o poema de abertura "Poema de sete faces" em que vaticina seu destino 2. A família – "a família que me dei" Uma das constantes temáticas de Drummond, presente desde Alguma Poesia até seus versos finais, é a família, sua vivência interiorana em Minas Gerais, a paisagem que marca sua memória. Contrariando o lugar-comum, ao invés de se referir à família como algo que lhe foi atribuído por Deus, o poeta coloca um "que me dei" a analisa suas relações pessoais, consciente de que se assentam na perspectiva pessoal. De modo muito individual, retrata o escoar do tempo, como é possível observar em "Infância", "Família", "Sesta", alguns dos mais significativos poemas de Alguma Poesia. 3. O conhecimento amoroso – "amar-amaro" Com o jogo de palavras amar-amaro, título emprestado de um poema do livro Lição de Coisas , o poeta acrescenta ao substantivo "amar" o adjetivo "amargo", sentimento recorrente

em alguns de seus poemas e livros escritos posteriormente. Em Alguma Poesia o tema é tratado com boas doses de humor, sátira ou pitadas de idealismo, como em "Toada do amor", "Sentimental", "Quero me casar", "Quadrilha"..

4. Paisagem e viagens Um grupo de poesias faz anotações sobre viagens, retratando paisagens vistas e vividas, mas também recuperando as influências recebidas da sempre subserviente postura brasileira ante as supercivilizações, como em "Lanterna mágica", "Europa, França e Bahia ". 5. O social e a evolução dos tempos Drummond constrói poemas em que contempla a mudança dos tempos, o progresso chegando e invadindo a antiga paisagem, como em "A rua diferente" ou "Sobrevivente".