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A miocardite é a inflamação da parede muscular ( miocárdio ) das câmaras inferiores e maiores do coração ( ventrículos ) . Esta doença é potencialmente grave e , muitas vezes , fatal ( miocardite fulminante ) . As miocardites podem ter inúmeras causas : vírus , bactérias , medicamentos , doenças auto-imunes , etc? As miocardites podem ser reversíveis ou evoluírem para um quadro de miocardiopatia dilatada ( leia adiante ). Geralmente , as miocardites manifestam-se com sintomas de insuficiência ca
Tipologia: Notas de estudo
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1- O quê é são as miocardites?
A miocardite é a inflamação da parede muscular ( miocárdio ) das câmaras inferiores e maiores do coração ( ventrículos ). Esta doença é potencialmente grave e , muitas vezes , fatal ( miocardite fulminante ). As miocardites podem ter inúmeras causas : vírus , bactérias , medicamentos , doenças auto-imunes , etc… As miocardites podem ser reversíveis ou evoluírem para um quadro de miocardiopatia dilatada ( leia adiante ). Geralmente , as miocardites manifestam-se com sintomas de insuficiência cardíaca , com um início súbito.
2- O quê são as miocardiopatias?
São doenças progressivas que alteram a estrutura e comprometem a função de bomba da parede muscular ( miocárdio ) , das câmaras inferiores e maiores do coração ( ventrículos ). Existem inúmeras causas para as miocardiopatias , no entanto , alguns casos não têm uma causa identificável ( casos idiopáticos ).
3- Quais são os tipos de miocardiopatias?
Existem três tipos distintos de miocardiopatias : miocardiopatia dilatada ( MCD ) , miocardiopatia hipertrófica ( MCH ) e a miocardiopatia restritiva ( MCR ). O ecocardiograma ( exame que avalia a estrutura e a função do coração através de imagens obtidas por ultrassom ) , costuma ser o principal exame para o diagnóstico dos diversos tipos de miocardiopatias.
O termo miocardiopatia dilatada ( MCD ) indica um grupo de doenças cardíacas nas quais os ventrículos dilatam , sendo incapazes de bombear um volume de sangue suficiente para suprir as necessidades do organismo , acarretando o quadro de insuficiência cardíaca. A causa identificável mais comum da MCD é a doença arterial coronariana , caracterizada por depósitos de gordura na parede das artérias do coração. A doença arterial coronariana leva a uma irrigação sangüínea inadequada ao miocárdio , podendo causar-lhe uma lesão permanente. Como conseqüência, a parte do miocário não lesada , sofre um espessamento para compensar a perda da função de bombeamento do coração. Quando esse espessamento não compensa adequadamente , surge uma dilatação cardíaca. Uma inflamação aguda do miocárdio ( miocardite ) por uma infecção viral , pode ainda ser a causa da MCD. No Brasil , o comprometimento cardíaco pela doença de Chagas, é uma das principais causas de MCD. Alguns distúrbios hormonais crônicos , como o diabete melito , obesidade mórbida e os distúrbios da glândula tireóide, podem causar uma MCD. O problema também pode ser causado por drogas, como o álcool e a cocaína, e por medicamentos, como a doxirrubicina ( usada em quimioterapias ). Raramente, gravidez ( MCD peri-parto ) ou doenças do tecido conjuntivo, como a artrite reumatóide, podem causar a MCD.
Os primeiros sintomas da miocardiopatia dilatada ( MCD ) costumam ser a dificuldade respiratória durante os exercícios ( dispnéia ) e o cansaço fácil , decorrentes do quadro de insuficiência cardíaca. Quando a MCD é decorrente de uma infecção, os primeiros sintomas podem ser uma febre súbita e sintomas similares aos de uma virose. Qualquer que seja a causa, a freqüência cardíaca aumenta, a pressão arterial costuma ser normal ou baixa, ocorre retenção de líquido nos membros inferiores , abdômen e nos pulmões ( edema pulmonar ). A dilatação do coração faz com que as válvulas cardíacas abram e fechem inadequadamente e , aquelas que permitem a passagem do sangue aos ventrículos ( válvulas mitral e tricúspide), freqüentemente, apresentam uma insuficiência. Um fechamento valvular inadequado produz um sopro, o qual pode ser auscultado pelo médico com o auxílio de um estetoscópio. A lesão miocárdica e a dilatação podem alterar o ritmo cardíaco , acarretando as arritmias cardíacas. Essas anormalidades interferem ainda mais na função de bomba do coração. O diagnóstico é baseado nos sintomas e no exame físico. O eletrocardiograma ( exame que avalia a atividade elétrica do coração ao repouso ) pode revelar alteraçãoes decorrentes da doença. A radiografia do tórax ( veja a ilustração no canto superior esquerdo da página ) revela um aumento da área cardíaca. ecocardiograma ( exame que utiliza ondas ultrassônicas para gerar uma imagem das estruturas cardíacas) costuma ser o exame mais importante para o diagnóstico de MCD. A ressonância magnética , o caterismo cardíaco e cineangiocoronariografia e a biópsia do miocárdio , poderão ser indicados para uma melhor elucidação do quadro.
O prognóstico dos pacientes com miocardiopatia dilatada, piora à medida que as paredes cardíacas tornam-se mais dilatadas e a função cardíaca deteriora. As alterações do ritmo cardíaco também indicam um prognóstico ruim. A MCD causada pela doença arterial coronariana , também costuma ter uma pior evolução. Aproximadamente 50% das mortes são súbitas, provavelmente em razão de arritmias cardíacas. O tratamento das causas subjacentes específicas, como a cessação de ingesta alcóolica , por exemplo , poderão ajudar a prolongar a vida do paciente. No indivíduo com doença arterial coronariana, a irrigação sangüínea deficiente pode provocar angina do peito. Nestes pacientes , o uso de medicamentos , a angioplastia coronariana e a cirurgia de ponte de safena, podem melhorar o quadro de MCD. Em geral , os portadores de MCD necessitarão da utilização de vários medicamentos ( diuréticos , vasodilatadores , etc… ) , que visam melhorar os sintomas e prolongar a expectativa vida. O acúmulo de sangue no coração dilatado pode acarretar a formação de coágulos nas paredes das câmaras cardíacas. Para prevenir a sua ocorrência, poderão ser utilizadas as drogas anticoagulantes. Um marcapasso artificial e um desfibrilador automático implantável ( dispositivo que identifica e suprime uma arritmia imediatamente através de um choque elétrico ) poderão ser indicados para o tratamento de uma MCD.No entanto, a menos que a causa da MCD possa ser tratada, é provável que a insuficiência cardíaca acarrete a morte do paciente. Devido a esse prognóstico adverso , a MCD é a indicação mais comum para a realização de um transplante cardíaco.
O termo MCH indica um grupo de doenças cardíacas caracterizadas por um espessamento anormal das paredes ventriculares ( hipertrofia ). A MCH pode ser um defeito genético- hereditário. Ela também pode ocorrer em adultos com acromegalia, um distúrbio resultante do excesso de hormônio do crescimento no sangue ou em portadores de feocromocitoma, um tumor que produz adrenalina. Geralmente, qualquer espessamento das paredes musculares do coração ( hipertrofia ) , representa a uma reação a um aumento da carga de trabalho , como ocorre na hipertensão arterial ou no estreitamento da válvula aórtica ( estenose aórtica ). Estes dois distúrbios , aumentam a resistência da saída de sangue do coração. No entanto, os indivíduos com MCH não apresentam essas condições. A intensa hipertrofia dos ventrículos dificulta que estes relaxem para receber o sangue oxigenado dos pulmões.Uma das conseqüências , é um acúmulo de líquido nos pulmões ( edema pulmonar ) e, conseqüentemente, uma dificuldade respiratória ( dispnéia ).
Os sintomas típicos da miocardiopatia hipertrófica ( MCH ) são a falta de ar , dor torácica, palpitações e a sensação de desmaio ou até mesmo , o desmaio. Em decorrência dos batimentos cardíacos irregulares ( arritmias cardíacas ), pode ocorrer a morte súbita. Geralmente, o médico suspeita de uma MCH através do exame clínico. O diagnóstico é confirmado por um ecocardiograma. No caso do médico aventar a possibilidade de uma cirurgia, pode ser necessária a realização de uma cateterismo cardíaco e cineangiocoronariografia.
Anualmente, cerca de 3% das pessoas com miocardiopatia hipertrófica ( MCH ) morrem. Geralmente, a morte é súbita. A morte por insuficiência cardíaca crônica é menos comum. Pode ser necessário o aconselhamento genético para os indivíduos que apresentam esse distúrbio de natureza congênita e que desejam ter filhos. O tratamento tem como objetivo principal , reduzir a resistência cardíaca à entrada de sangue que chega oxigenado dos pulmões , entre cada batimento cardíaco. Administrados de forma isolada ou simultânea, alguns medicamentos são a base do tratamento.A cirurgia de remoção de parte do miocárdio melhora o refluxo do sangue do coração, mas essa operação é realizada apenas em indivíduos cujos sintomas são incapacitantes apesar da terapia medicamentosa. A cirurgia pode reduzir os sintomas, mas não diminui o risco de vida. O implante de um marcapaso artificial poderá ser indicada em portadores de MCH. Antes de qualquer tipo de tratamento odontológico ou qualquer procedimento cirúrgico, deverão ser administrados antibióticos para reduzir o risco de infecção do revestimento interno do coração ( endocardite infecciosa ).