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Resumo breve sobre modelos atômicos
Tipologia: Resumos
Compartilhado em 15/12/2020
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Figura 1 - Versão elaborada dos símbolos criados por Dalton para os elementos e
seus compostos.
Fonte: Duzentos anos da teoria atômica de Dalton.
Uma das maiores, senão a maior, contribuição de Dalton foi a Lei das
Proporções múltiplas. Esta última é uma das leis base da estequiometria e descreve
que se existir mais de um composto formado por dois elementos diferentes, os
números dos átomos de cada elemento nos compostos guardam entre si uma razão
de números inteiros, ou seja, proporções diferentes de cada elemento formam
produtos diferentes.
Seu modelo atômico foi muito discutido na comunidade científica. É
caracterizado por ser um modelo atômico mais simplista em comparação com os
que vieram depois, sendo posteriormente apelidado de “modelo bola de bilhar”, já
que era simplesmente uma esfera maciça, sem vácuo e que nada continha.
2.2 Modelo de Thomson
O físico J.J Thomson, no final do século XIX, começou a fazer alguns testes
científicos com tubos de raios catódicos. Seus experimentos consistem em emitir um
feixe de partículas ao aplicar uma alta voltagem em eletrodos que estão localizados
em uma das extremidades do tubo. Isso faz com que haja o que chamamos de raio
catódico, que fluía do cátodo ao ânodo. Ao utilizar o elemento fósforo no tubo é
possível detectar o raio pelo motivo de: quando atinge o fósforo, faz com que este
último emita centelhas ou mesmo luz.
Ao testar de maneira despretensiosa as propriedades das partículas,
Thomson utilizou duas placas eletricamente carregadas (uma carregada
positivamente e outra negativamente) ao redor do raio catódico. Ao fazer isso, notou
que os raios se desviaram de sua trajetória usual e foram em direção a placa
carregada positivamente. Com o conhecimento sobre eletricidade da época já era
possível saber que cargas opostas são atraídas entre si. Dessa forma, constatou
que os raios catódicos possuíam partículas de carga negativa e que eram afetados
por um campo elétrico e/ou magnético.
Figura 1 - Modelo do experimento de tubos de raios catódicos de Thomson
. Fonte: Openstax
O físico queria saber mais sobre aquele fenômeno e questionou como o
movimento daquela partícula de carga negativa (posteriormente chamada de
elétron) ocorria através do campo elétrico. Isso só poderia ser possível se existisse
uma força que acelerasse o elétron. O conceito de força em física é demonstrado
pelo produto da massa e aceleração de algo. Relacionando a força com as cargas,
Thomson constatou que o equivalente ao produto massa-aceleração da partícula
negativa era a carga ( e ) multiplicada pelo campo elétrico ( E ). Como representado
abaixo:
y
= m. a
y
= eE
Thomson sabia também que havia energia cinética relacionada ao elétron no
átomo, pois ele certamente estava em movimento. A energia cinética que o elétron
Com isso, apesar de não ter conseguido chegar a um valor definitivo da
massa ou carga do elétron, ao descobrir essa razão, Thomson percebe que a massa
da partícula de carga negativa que descobrira era muito pequena, bem menor que a
do átomo. Isso comprova a existência de subpartículas atômicas.
A descoberta do elétron bateu de frente com o modelo atômico de Dalton, já
que ele negava a existência de subpartículas e de carga no átomo. Sendo assim,
era necessária a criação de um novo modelo atômico.
Já que o átomo era neutro, deveria existir então uma fonte de carga positiva
dentro dele que anulasse a carga dos elétrons. Thomson supôs, então, que as
partículas de carga negativa flutuavam em uma “sopa” de carga positiva dentro do
átomo. Era como se os elétrons fossem incrustados em uma grande massa de carga
positiva capaz de anulá-los, o que deixou esse modelo posteriormente conhecido
como Modelo Pudim de passas.
Figura 2 - Modelo pudim de passas
Fonte: Querobolsa.
2.3 Modelo atômico de Rutherford.
Ernest Rutherford revolucionou o que se conhecia sobre o átomo ao realizar
seu famoso experimento da folha de ouro. Este último consistiu no disparo de um
fino feixe de partículas alfa em uma folha muito fina de ouro puro. Rutherford sabia
que as partículas alfas eram liberadas em processos radioativos, então montou seu
experimento colocando um metal radioativo dentro de uma caixa de chumbo com um
pequeno orifício.
Sabe-se que as partículas alfa possuem carga positiva e Rutherford esperava
que todas as partículas atravessassem a folha de ouro sem problemas pois, se a
carga positiva do átomo era distribuída por ele todo, como no modelo pudim de
passas, seu campo elétrico não seria alterado o suficiente para desviar uma
partícula alfa de sua trajetória. Entretanto, ao analisar os resultados, Rutherford
percebeu que a maioria das partículas alfa passou direto pela folha de ouro, mas
que algumas tiveram sua rota desviada em um ângulo de 90 graus.
Figura 3 - Experimento da folha de ouro
Fonte: Querobolsa.
Isto significava que, se a maioria das partículas havia passado sem
problemas, o átomo deveria conter certo espaço vazio. Além disso, Rutherford
constatou que existiam partículas de carga positiva – devido a seus desvios serem
raros e provavelmente ocasionados pela colisão (também rara) com o núcleo
atômico positivo do ouro – e que estas se localizavam em uma pequena porção do
átomo, já que muito poucas foram afetadas de maneira significativa.
Concluiu-se, então, que Thomson estava errado ao dizer que os elétrons
flutuavam em partículas positivas, tornando-se necessária a criação de um novo
modelo atômico que explicasse as inconsistências do modelo vigente até então.
Além de as partículas positivas descobertas serem posteriormente denominadas de
prótons.
Foi então que surgiu o modelo Sistema solar de Rutherford, no qual um átomo
é composto de um núcleo muito pequeno carregado positivamente que é cercado
por elétrons carregados negativamente.
solução que apoiasse a estrutura atômica “impossível” de Rutherford e tentaria
resolver a instabilidade deste modelo utilizando a teoria quântica da energia.
Para o estabelecimento do modelo atômico, Bohr definiu, através de
postulados, que a teoria clássica não poderia ser aplicada para os átomos, portanto,
seria necessária uma abordagem quântica. E, ainda, os elétrons trafegavam como
em órbitas em torno do Sol e explicou o por que estas órbitas ficam a distâncias
específicas do centro, ligando a estrutura atômica à física quântica.
2.4.1 A teoria clássica e teoria Quântica.
Até o momento da origem da teoria quântica, aceitava-se que a luz era uma
onda eletromagnética que vagava pelo espaço. De fato, a teoria eletromagnética
explicava perfeitamente os fenômenos ópticos como difração e refração. Entretanto,
esta mesma teoria não explicava um corpo aquecido emitindo luz, ou seja, a
radiação de um corpo negro.
2.4.2 Radiação de corpo negro.
Surgiram, então, tentativas de explicar esta radiação. Uma importante
descoberta foi a lei de Stefan-Boltzmann, que relacionava a potência de radiação em
relação à temperatura, onde:
ρ = σ T
4
Sendo ρ a potência de radiação, σ a constante de Stefan-Boltzmann, relativa
ao material e
a temperatura. A partir dessa lei, seria possível calcular o poder
emissor de um corpo.
A contribuição de Wilhelm Wien, formulador da Lei de Wien, se deu por
relacionar o comprimento de onda da emissão de corpo negro com a temperatura do
corpo, onde:
λ max
k
T = k
λ max
Sendo
λ o comprimento de onda,
k a constante de Wien ou a constante de
dispersão de Wien e T a temperatura do corpo.
Paralelamente, os pesquisadores Rayleigh e Jeans realizaram a tentativa de
descrever o comportamento experimental da radiação de corpo negro utilizando das
teorias clássicas do eletromagnetismo e da termodinâmica, demonstrando a
distribuição espectral de um corpo negro. Dessa forma, contribuíram com a seguinte
formula que expressa a densidade de energia de uma radiação de corpo negro de
comprimento de onda λ como:
f ( λ )= 8 πEork
λ
4
Onde λ é o comprimento de onda, T é a temperatura e k é a constante de
Boltzmann.
A contribuição de Rayleigh e Jeans tinha um problema sério. A teoria previa
uma liberação infinita de energia quando λ tendia para comprimentos estritamente
menores, não havendo nenhum modo de estancar essa liberação. Esse problema
era conhecido como a “catástrofe ultravioleta”.
Figura 5 - Relação gráfica do experimento com as leis de Wien e Rayleigh-
James
Fonte: Uttarakhand Open University.
De fato, tanto Rayleigh-Jeans quanto Wien contribuíram com a medição do
padrão de frequência da radiação de corpo negro, mas não conseguiam explica-los.
Ambas as leis eram capazes de descrever parte desse comportamento, mas não ele
todo.
Com isto, a solução deste problema veio do físico Max Planck,
contribuindo com uma equação que ia totalmente contra os conceitos da física
clássica dando assim o início à teoria quântica da energia.
Fonte: PUC-SP.
2.4.3 Efeito fotoelétrico.
Em 1887, enquanto investigava a natureza eletromagnética da luz, Heinrich
Hertz observou que ao aplicar descargas elétricas entre duas superfícies de um
metal com potenciais diferentes (isto é, diferentes DDP), gerava-se uma faísca de
luz nas proximidades dessas placas. Na sequência deste experimento, Hertz conclui
que a presença de luz poderia influenciar no fenômeno e que este dava-se apenas à
influência da luz ultravioleta. Outra contribuição para o efeito fotoelétrico veio de
Einstein após este último sugerir que a luz não era composta por uma onda, mas por
corpúsculos denominado fótons, de energia hv , sendo h a constante de Planck e v a
frequência da luz. Einstein propôs ainda que a energia de um fóton de frequência v e
energia
hv seria transferida para um elétron quando ele colidisse com uma superfície
do metal. Relacionando esta ideia com a lei da conservação de energia, tem-se:
hv = ϕ +
mv
2
Onde ϕ é a função trabalho do metal.
Se o elétron é uma partícula em movimento, é necessário relacioná-lo com a
energia cinética
m v
2
. Ao somar a energia cinética com a energia suficiente para
retirar o elétron do material, a resultante desta somatória será a própria energia de
impulso “
hv ” do fóton. Neste mesmo modelo, seria possível relacionar a energia do
fóton - em termos de frequência de luz - dado que o nível de frequência
v
0
muda
quando o valor de
ϕ também muda. Portanto, Einstein rearranjou a fórmula
escrevendo a energia do fóton em termos da energia cinética (e.v 0 ) usando a
equação de Planck:
e. v
0
= hv − ϕ
Desta maneira, definiu-se que o efeito fotoelétrico só acontece em um sistema
quantizado dependente de sua frequência e não da quantidade de fótons que incide
na placa.
2.4.4 Série de Balmer
Tentando racionalizar a emissão do átomo de hidrogênio na linha espectral,
Johann Jakob Balmer, físico suíço, formulou uma equação que tentava adequar os
dados experimentais em termos de frequência, onde:
v =
c
λ
2
n
2
λ
2
n
2
Sendo n um número inteiro positivo, com n > 2 e R sendo a constante de
Rydberg, característico do hidrogênio. Concomitantemente, o físico sueco Johannes
Rydberg generalizou a fórmula de série de Balmer para levar em conta os resultados
experimentais da emissão no espectro do hidrogênio observados de maneira geral,
onde:
λ
H
n
1
2
n
2
2
Sendo
H
a constante de Rydberg, λ o comprimento de onda e n números
inteiros com
n
2
n
1
Tabela 1 - Relação dos valores de n com a região do espectro encontrado pelos
pesquisadores.
Fonte: Rafael Mori.
mvr = nℏ
Portanto, Bohr igualou o momento angular clássico com o momento angular
quântico. Rearranjando as equações postas, Bohr percebeu que o raio do núcleo até
o elétron assume valor dependente do fator de quantização, como visto abaixo:
r =
h
2
K e
2
n ⟶ r = a
0
n
2
Onde a 0 é o conjunto de constantes denominado raio de Bohr e n fator de
quantização.
Com isto posto, a energia total da camada assume a somatória da energia
cinética como energia potencial da seguinte forma:
total
cinética
potencial
Onde:
total
m v
2
(
− Ke
2
r
)
Como
Ke
2
r
= m v
2
total
Ke
2
r
Ke
2
r
total
Ke
2
r
Como Bohr teria posto que r = a
0
n
2
, por fim, chegaria em uma fórmula que
avaliasse a energia total.
total
Ke
2
a
0
n
2
total
H
n
2
Onde
H
é a constante
K e
2
a
0
sendo substituída. Nesta proposição, Bohr
assume que a energia é proporcionalmente inversa a n
2
. Como n é fator de
quantização, a energia total adotada pela camada é quantizada. Numa situação de
variação de energia tem-se como exemplo:
Se
f
i
H
n
f
2
H
n
i
2
H
n
f
2
n
i
2
Por fim, este modelo foi capaz de deduzir a fórmula de Balmer-Rydberg e
explicar precisamente o espectro de linhas emitido pelo átomo de hidrogênio.
2.4.6. Limitações do Modelo de Bohr.
Graças às suas contribuições, Bohr foi capaz de propor um modelo que se
adequa à teoria quântica, o qual somente explicava adequadamente os espectros de
linhas do átomo de hidrogênio, deixando de fora os átomos mais complexos. Além
de não explicar as diferentes intensidades das linhas espectrais (estas quando os
átomos eram postos em um campo magnético) e linhas justapostas de emissão.
Portanto, era necessária uma nova abordagem em um novo modelo atômico.
2.4.7 Dualidade Partícula Onda.
Simultaneamente aos estudos de Sommerfeld, De Broglie levanta o
comportamento dual da matéria ao dizer que “Em virtude de os fótons terem
características ondulatórias e corpusculares, talvez todas as formas de matéria
tenham propriedades ondulatórias e corpusculares”.
Figura 7 - Demonstração propriedades de uma onda
Fonte: "A física moderna no ensino médio".
A partir da imagem acima podemos explicar como funciona o comportamento
ondulatório chamado difração. Neste último, um feixe de fótons incidentes atravessa
uma fenda e se propagam como onda no outro meio, ao passar por outras duas
fendas o mesmo ocorre. Mas, como é possível observa, as ondas se cruzam e,
quando isto acontece, nota-se dois tipos de situação:
E = mc
2
Como ambas calculam o elétron podemos igualá-las e substituir
c (velocidade
da luz) por v (velocidade do elétron)
hv
λ
= E = m v
2
Simplificando a equação chegaremos em:
h
λ
= mv
Como mv nada mais é que ‘ p ’ , ou seja, momento, a equação final de De
Broglie será:
λ =
h
p
2.4.8 Necessidade de um novo modelo atômico
Considerando as novas descobertas, surgiu à necessidade da elaboração de
um novo modelo atômico quântico, pois o modelo de Bohr não era suficiente para
explicar o comportamento dual da matéria, subcamadas eletrônicas, propriedade
magnéticas, dentre outras coisas.
2.5 O modelo Quântico - Modelo de Erwin Schrodinger
Para elaboração de um novo modelo quântico foram estabelecidas algumas
características obrigatórias, sendo elas:
1º Quantum, energia quantizada
Esta teoria é necessária pois, a teoria eletromagnética por si só é ineficiente
para explicar a natureza da radiação emitida pelo corpo sólido quando aquecido
(corpo negro).
Planck elabora, então, a seguinte hipótese: um sistema mecânico não pode
ter uma energia arbitrária. Somente Valores definidos de energia são possíveis.
E = hv
2° Princípio da incerteza
Heisenberg afirma que é impossível medir de forma precisa e ao mesmo
tempo a posição e o momento da partícula. Isto se deve ao fato de, quando há
certeza do momento, não há como saber sua posição e vice-versa. Dessa maneira,
precisa-se de um modelo que trabalha com probabilidades.
3° Dualidade partícula-onda
De Broglie afirma que o elétron não tem só o comportamento de partícula,
pois ao mesmo tempo ele é uma onda. Então seu comportamento ondulatório
também deve ser considerado.
Com essas características em mente, Schrodinger afirma ser possível
descrever o átomo através de uma função de onda.
2.5.1 Função de Onda
A função de onda nada mais é que uma representação matemática abstrata
do estado do sistema.
Ψ = Ψ ( x , y , z )
Em que ( x , y , z ) representam posição
Uma função de onda precisa conter algumas características:
1° Ser finita em todos os pontos.
2° Ter uma única solução.
3° deve ser derivável duas vezes, ou seja, ser contínua.
4° Ψ tender a zero, quando ‘x’ tender a infinito.
Max Born diz que: “A função de onda não tem nenhum significado físico, ela é
apenas uma equação matemática”. Mas, ao multiplicar a função de onda por ela
mesma, se obtém um significado físico pois, por meio do produto Ψ*Ψ (ou seja, Ψ
2
obtém-se a densidade de probabilidade de se encontrar uma partícula em uma
região do espaço, se tem uma área.
E assim nós conseguimos visualizar uma nuvem eletrônica ou densidade
eletrônica:
Figura 8 - Nuvem eletrônica