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Roma antiga Parte1, Notas de estudo de História

Apostilas de História sobre Roma antiga, Origens da cidade, Monarquia, República, Patrícios e plebeus, Invasão dos gauleses, Expansão territorial, Conquista da Itália, Expansão mediterrânea.

Tipologia: Notas de estudo

2013

Compartilhado em 22/10/2013

Andre_85
Andre_85 🇧🇷

4.5

(124)

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Roma antiga
Grande parte da organização do mundo moderno se deve ao império que Roma
foi capaz de construir há dois mil anos em torno do mar Mediterrâneo. Os idiomas
falados no sul da Europa, América Latina e outras partes do mundo constituem
uma das heranças diretas da civilização romana.
Sob o título Roma antiga estuda-se todo o dilatado período que compreende as
origens de Roma, no século VIII a.C., a fase monárquica, a república romana e o
império, até o ano 476 da era cristã, quando ocorre o fim do Império Romano do
Ocidente.
Origens da cidade
No século VIII a.C., duas grandes civilizações haviam lançado suas bases na
península itálica: nas terras onde posteriormente se localizaria a Toscana, as
avançadas cidades etruscas se aproximavam do auge de seu esplendor; no sul da
península e na Sicília, a chamada Magna Grécia implantava uma cultura
semelhante à da Hélade, em cidades como Tarento e Siracusa.
Os demais povos que habitavam a Itália, como os latinos e os samnitas, dispersos
entre aqueles dois grupos, encontravam-se num estágio pouco desenvolvido de
civilização. As aldeias que iriam formar a Roma dos reis e as outras aglomerações
rústicas do Lácio nos séculos IX e VIII a.C. partilhavam língua e costumes
religiosos e se unificaram mediante essa identidade cultural.
Na parte central da península itálica, o rio Tibre, próximo de sua
desembocadura, atravessava uma região de terras pantanosas, entre as quais se
destacavam algumas colinas cobertas de bosques. O local era estratégico para os
povos vizinhos: os latinos ali pastoreavam seus rebanhos; os sabinos
comerciavam o sal da costa e o transportavam rio acima; e os etruscos afluíam do
norte para vender seus produtos manufaturados às populações ribeirinhas, menos
desenvolvidas. Na colina do Palatino, às margens do Tibre, estabeleceu-se em
meados do século VIII um núcleo populacional composto de agricultores e
criadores de gado, entre os quais devia haver também comerciantes.
Em épocas posteriores, diversos autores recolheram e deram forma literária a
antigas lendas sobre a fundação da cidade, que teve sua data fixada
convencionalmente em 753 a.C. Segundo essas lendas, o fundador, Rômulo,
descendia do herói troiano Enéias e foi amamentado, junto com seu irmão Remo,
por uma loba, que se converteu no símbolo da cidade.
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Roma antiga

Grande parte da organização do mundo moderno se deve ao império que Roma foi capaz de construir há dois mil anos em torno do mar Mediterrâneo. Os idiomas falados no sul da Europa, América Latina e outras partes do mundo constituem uma das heranças diretas da civilização romana. Sob o título Roma antiga estuda-se todo o dilatado período que compreende as origens de Roma, no século VIII a.C., a fase monárquica, a república romana e o império, até o ano 476 da era cristã, quando ocorre o fim do Império Romano do Ocidente.

Origens da cidade No século VIII a.C., duas grandes civilizações haviam lançado suas bases na península itálica: nas terras onde posteriormente se localizaria a Toscana, as avançadas cidades etruscas se aproximavam do auge de seu esplendor; no sul da península e na Sicília, a chamada Magna Grécia implantava uma cultura semelhante à da Hélade, em cidades como Tarento e Siracusa.

Os demais povos que habitavam a Itália, como os latinos e os samnitas, dispersos entre aqueles dois grupos, encontravam-se num estágio pouco desenvolvido de civilização. As aldeias que iriam formar a Roma dos reis e as outras aglomerações rústicas do Lácio nos séculos IX e VIII a.C. partilhavam língua e costumes religiosos e se unificaram mediante essa identidade cultural.

Na parte central da península itálica, o rio Tibre, já próximo de sua desembocadura, atravessava uma região de terras pantanosas, entre as quais se destacavam algumas colinas cobertas de bosques. O local era estratégico para os povos vizinhos: os latinos ali pastoreavam seus rebanhos; os sabinos comerciavam o sal da costa e o transportavam rio acima; e os etruscos afluíam do norte para vender seus produtos manufaturados às populações ribeirinhas, menos desenvolvidas. Na colina do Palatino, às margens do Tibre, estabeleceu-se em meados do século VIII um núcleo populacional composto de agricultores e criadores de gado, entre os quais devia haver também comerciantes.

Em épocas posteriores, diversos autores recolheram e deram forma literária a antigas lendas sobre a fundação da cidade, que teve sua data fixada convencionalmente em 753 a.C. Segundo essas lendas, o fundador, Rômulo, descendia do herói troiano Enéias e foi amamentado, junto com seu irmão Remo, por uma loba, que se converteu no símbolo da cidade.

Monarquia

De acordo com as fontes tradicionais, sete reis governaram Roma ao longo de dois séculos e meio, período durante o qual o território dominado pelos romanos passou por uma paulatina expansão. Os quatro primeiros monarcas, Rômulo, Numa Pompílio, Tulo Hostílio e Anco Márcio, parecem ser totalmente lendários, e acredita-se que tanto seus nomes quanto seus feitos foram imaginados e narrados muitos séculos após a fundação da cidade. Os três últimos soberanos foram os etruscos Tarqüínio o Velho, Sérvio Túlio e Tarqüínio o Soberbo, de existência mais documentada, cujos governos se estenderam pela maior parte do século VI.

A monarquia etrusca coincidiu com uma época de notável progresso econômico e cultural: os romanos, povo de mentalidade prática, adotaram o alfabeto grego e o modificaram até criar o alfabeto latino, que seria posteriormente utilizado por quase todos os idiomas do mundo. Tanto os etruscos do norte quanto os gregos do sul tiveram influência significativa na formação da cultura especificamente latina. Roma, que não passava de um aglomerado de aldeias, converteu-se numa verdadeira cidade, na qual os reis etruscos executaram grandes obras públicas: saneamento, construções de templos e de locais públicos de reunião.

É provável que a expulsão dos etruscos tenha, na verdade, ocorrido vários decênios depois de 509 a.C., a data convencionalmente fixada para sua ocorrência. O último rei, Tarqüínio o Soberbo, foi deposto pelos cidadãos de Roma, que instauraram então o regime republicano.

República

Patrícios e plebeus. Nos primeiros tempos da república, só os membros das famílias mais poderosas habilitavam-se a participar do governo da cidade. Seu poder era exercido pelo Senado, uma assembléia integrada pelos chefes das principais famílias, que exerciam o cargo a título vitalício. As tensões entre patrícios e plebeus fizeram com que estes últimos recorressem, por duas vezes, a movimentos de secessão, mediante a retirada para fora dos muros de Roma e a recusa de cumprir obrigações militares. Obrigado a aceitar suas condições, o Senado acabou por autorizar a criação de assembléias de plebeus. Essas assembléias nomeavam os tribunos da plebe, os quais gozavam de imunidade e eram dotados de poderes para proteger o povo das ações arbitrárias dos magistrados.

Por volta de 450 a.C., o direito consuetudinário romano foi codificado pelos decênviros (magistrados especialmente designados para essa missão) e promulgada a Lei das Doze Tábuas, embrião do vasto corpo jurídico que Roma legou ao mundo e que haveria de constituir a base dos sistemas jurídicos modernos. A pressão dos plebeus levou a novas concessões, até que, ao obterem acesso à dignidade sacerdotal, no ano 300 a.C., tornou-se completa a igualdade jurídica entre todos os cidadãos da república.

Cidadãos romanos estabeleceram colônias, primeiro no Lácio e depois no resto da península itálica, o que contribuiu para a integração do território.

Expansão mediterrânea. Em meados do século III, Roma -- senhora da península itálica -- empreendeu a expansão que a tornaria dona do Mediterrâneo. Para isso, era inevitável o confronto com um poderoso inimigo: Cartago. A cidade norte-africana dominava um extenso império comercial que incluía, além das costas africanas, o sul da península ibérica, a Córsega, a Sardenha e a maior parte da Sicília. Todas as três ilhas caíram em poder dos romanos após a primeira guerra púnica, de 264 a 241 a.C. Mais tarde, Roma deu início à colonização do vale do Pó e se impôs aos gauleses, os quais ali se estabeleceram no século IV.

Também as costas orientais do mar Adriático caíram sob a influência romana em conseqüência das campanhas empreendidas contra os piratas que tinham suas bases no litoral de Ilíria. Uma nova guerra com Cartago -- a segunda guerra púnica -- começou em 218 a.C. Quando chegou ao fim, em 201 a.C., a cidade africana havia deixado de ser uma potência rival, e grande parte da península ibérica caiu, com suas riquezas minerais, em poder de Roma. A terceira guerra púnica, de 149 a 146 a.C., terminou com a destruição definitiva de Cartago e com a incorporação a Roma dos restos de seu império.

Ao mesmo tempo em que estabelecia seu domínio sobre o Mediterrâneo ocidental, Roma empreendeu a expansão pela zona oriental. A intervenção na Macedônia e Grécia teve início na época da segunda guerra púnica, mas a Macedônia só se tornou província romana em 148 a.C. Dois anos mais tarde, a destruição de Corinto punha fim às aspirações de independência dos gregos. Em 133 a.C., Átalo III, rei de Pérgamo, legou seu reino a Roma, com o que os domínios da cidade chegaram pela primeira vez à Ásia. Somente no início do século I a.C. Roma reiniciou sua expansão pela Anatólia, Síria e Judéia.

A partir do ano de 125 a.C., com os ataques de címbrios e teutões à recém-organizada província Gália Narbonense, atual sul da França, teve início a ocupação romana com o objetivo de estabelecer uma via de comunicação terrestre entre a Itália e os domínios ibéricos. Esses povos, procedentes da Jutlândia, desceram pela Europa central até chocar-se com as legiões romanas, que foram por elas derrotadas em Orange, no ano 105 a.C. Ante a lembrança da antiga invasão gaulesa, Roma reuniu todas as suas forças e o cônsul Caio Mário conseguiu obrigar os invasores nórdicos a retroceder, rechaçando os címbrios e teutões da Gália no período entre 105 a 101 a.C. Evolução da sociedade romana. Depois que Roma se tornou centro de um grande território, os habitantes da cidade, que nos primeiros tempos da república constituíam um povo sóbrio, guerreiro e trabalhador, começaram a desfrutar as imensas riquezas acumuladas. Desapareceu o serviço militar como direito e dever do cidadão. As legiões começaram então a ser formadas com mercenários procedentes de toda a Itália e, mais tarde, de todas as regiões dominadas, o que provocou uma grande mistura de etnias e costumes. A Grécia foi saqueada e seus tesouros artísticos enviados a Roma. As classes altas, a começar por algumas

famílias como a dos Cipiões, assimilaram a cultura helênica, que foi protegida e imitada. Os prisioneiros de guerra constituíram um imenso exército de escravos, cujo trabalho barato nas grandes propriedades e nas manufaturas arruinou os camponeses e os artesãos livres da península itálica. O sistema econômico, muito monetarizado, permitiu notável acúmulo de capital. Os grandes comerciantes e banqueiros romanos pertenciam em geral à classe dos cavaleiros (equites), intermediária entre as grandes famílias que dividiam as cadeiras do Senado e as classes baixas. O proletariado romano transformou-se numa classe ociosa que vivia miseravelmente das subvenções e distribuições de alimentos, freqüentava as termas e era entretida com jogos públicos e circo. A própria Roma tornou-se uma grande cidade parasita, que importava grande quantidade de mercadorias de luxo e especiarias orientais, trigo da Sicília e do norte da África, azeite da Espanha e escravos de todo o imenso território colonial. O velho sistema político republicano, edificado por e para uma cidadania identificada com sua cidade, era cada vez menos capaz de funcionar numa sociedade enriquecida que perdera seus ideais. Teve início assim um longo período de instabilidade interna que só cessou quando a velha república romana se transformou em império. Ditaduras e guerras civis. As últimas décadas do século II registraram lutas sociais que tiveram como protagonistas os irmãos Tibério e Caio Graco, eleitos tribunos da plebe. Já não se tratava, como no início da república, da reivindicação de igualdade de direitos por parte dos plebeus, mas do protesto do povo, reduzido à miséria, contra os ricos e, muito especialmente, contra a nobreza senatorial, proprietária da maior parte das terras da Itália. Mais tarde, generais vitoriosos como Mário, vencedor dos címbrios e teutões, e Sila, pacificador da Itália, aproveitaram o poderio de seus exércitos e sua popularidade entre o povo para tentar apoderar-se do estado romano. O Senado, temeroso de sua influência, interveio mais ou menos abertamente contra eles. As classes altas tentavam consolidar as instituições republicanas, enquanto o povo desejava, com determinação cada vez maior, um governante único. Por outro lado, as possessões orientais, cuja influência no mundo romano era considerável, careciam de tradição republicana e seus habitantes consideravam natural o fato de serem governados por autocratas divinizados. A guerra social eclodiu na Itália quando os habitantes da península exigiram a cidadania romana para terem acesso à distribuição das terras públicas. Em 91 a.C., estendeu-se pela península uma verdadeira guerra civil que só terminou quando, ao fim de três anos, foi concedida a cidadania romana a todos os italianos. No ano 88 a.C. rebentou na Anatólia uma rebelião contra o poder de Roma. O Senado confiou o comando do exército, encarregado de reprimi-la, a Lúcio Cornélio Sila, mas a plebe romana o destituiu e colocou Mário em seu lugar, o vencedor dos invasores bárbaros, que simpatizava com o partido popular. À frente das tropas expedicionárias, Sila tomou Roma, desterrou Mário e restabeleceu o poder senatorial. Quando Sila retomou o caminho da Ásia, os partidários de Mário aproveitaram-se de seu afastamento para se apoderar mais uma vez da capital. Após restabelecer a autoridade de Roma no Oriente, Sila voltou à metrópole. Os partidários de Mário foram derrotados em 82 a.C. e se