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Apostilas de História sobre Roma antiga, Origens da cidade, Monarquia, República, Patrícios e plebeus, Invasão dos gauleses, Expansão territorial, Conquista da Itália, Expansão mediterrânea.
Tipologia: Notas de estudo
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estabeleceu em Roma um regime ditatorial. No poder, Sila fortaleceu a posição das classes altas e limitou as atribuições dos tribunos da plebe, que foram privados do direito de veto, de convocação do Senado e de apresentação de projetos de lei à assembléia sem autorização senatorial. Sila deixou voluntariamente o poder em 79 a.C., pouco antes de sua morte. Em 73 a.C. eclodiu uma rebelião de escravos liderados pelo gladiador Espártaco. Durante dois anos, um grande contingente de escravos rebeldes colocou em perigo as próprias bases da república romana, até que foram exterminados pelo exército, sob o comando de Pompeu. O mesmo cônsul conseguiu a vitória na luta contra os piratas e nas guerras do Oriente, o que lhe permitiu voltar triunfalmente a Roma. O Senado, temeroso de seu prestígio, desautorizou seu trabalho legislativo no Oriente e sua promessa de distribuir terras aos veteranos da guerra. Em represália, Pompeu se aliou a dois outros líderes poderosos, Júlio César e Marco Licínio Crasso, para enfrentar a nobreza senatorial. O primeiro triunvirato, estabelecido em 60 a.C., manteve o equilíbrio de poder durante vários anos, ao longo dos quais César promoveu a conquista das Gálias e expedições além do Reno e do canal da Mancha. O Senado procurou o apoio de Pompeu, em 52 a.C., para destruir o crescente poder de César. Eclodiu então uma guerra civil e os partidários de Pompeu foram derrotados em todas as regiões do mundo romano. César fez-se nomear ditador perpétuo e assumiu plenos poderes. Em pouco tempo, modificou a legislação romana, o censo de cidadãos e o calendário. A 15 de março de 44 a.C., foi assassinado por um grupo de senadores. O Senado tentou recuperar seu antigo poder, mas a revolta do povo romano após os funerais do ditador desencadeou novo período de lutas civis e repressão. Em 43 a.C., constituiu-se um segundo triunvirato, integrado por Marco Antônio, Marco Emílio Lépido e Caio Otávio (chamado depois Augusto), que o Senado foi obrigado a reconhecer. Os triúnviros dividiram os domínios de Roma, mas nem por isso cessaram as lutas internas. Lépido foi neutralizado, Otávio ocupou habilmente o poder no Ocidente e Marco Antônio, impopular em Roma devido a seu comportamento de déspota oriental, foi derrotado em Actium (Áccio) em 31 a.C. Com sua morte, Otávio tornou-se o único senhor de Roma. A queda de Alexandria e o suicídio da rainha Cleópatra -- aliada de Marco Antônio -- deixaram o Egito em mãos de Otávio, que o incorporou a Roma como patrimônio pessoal.
Império Otávio Augusto. Depois de um século de lutas civis, o mundo romano estava desejoso de paz. Otávio se encontrou na situação daquele que detém o poder absoluto num imenso império com suas províncias pacificadas e em cuja capital a aristocracia se encontrava exausta e debilitada. O Senado não estava em condições de opor-se aos desejos do general, detentor do poder militar. A habilidade de Augusto -- nome adotado por Otávio em 27 a.C. -- consistiu em conciliar a tradição republicana de Roma com a de monarquia divinizada dos povos orientais do império. Conhecedor do ódio ancestral dos romanos à instituição monárquica, assumiu o título de imperador, por meio do qual adquiriu o
imperium, poder moral que em Roma se atribuía não ao rei, mas ao general vitorioso. Sob a aparência de um retorno ao passado, Augusto orientou as instituições do estado romano em sentido oposto ao republicano. A burocracia se multiplicou, de forma que os senadores se tornaram insuficientes para garantir o desempenho de todos os cargos de responsabilidade. Isso facilitou o ingresso da classe dos cavaleiros na alta administração do império. Os novos administradores deviam tudo ao imperador e contribuíam para fortalecer seu poder. Pouco a pouco, o Senado -- até então domínio exclusivo das antigas grandes famílias romanas -- passou a admitir italianos e, mais tarde, representantes de todas as províncias. A cidadania romana ampliou-se lentamente e somente em 212 da era cristã o imperador Marco Aurélio Antonino, dito Caracala, reconheceu todos os súditos do império. O longo período durante o qual Augusto foi senhor dos destinos de Roma, entre 27 a.C. e 14 da era cristã, caracterizou-se pela paz interna (pax romana), pela consolidação das instituições imperiais e pelo desenvolvimento econômico. As fronteiras européias foram fixadas no Reno e no Danúbio, completou-se a dominação das regiões montanhosas dos Alpes e da península ibérica e empreendeu-se a conquista da Mauritânia. O maior problema, porém, que permaneceu sem solução definitiva, foi o da sucessão no poder. Nunca existiu uma ordem sucessória bem definida, nem dinástica nem eletiva. Depois de Augusto, revezaram-se no poder diversos membros de sua família. A história salientou as misérias pessoais e a instabilidade da maior parte dos imperadores da dinastia Júlio-Cláudia, como Caio Júlio César Germânico, dito Calígula, imperador de 37 a 41, e Nero Cláudio César, de 54 a 68. É provável que tenha havido exagero, pois as fontes históricas que chegaram aos tempos modernos são de autores que se opuseram frontalmente a tais imperadores. Mas se a corrupção e a desordem reinavam nos palácios romanos, o império, solidamente organizado, parecia em nada ressentir-se. O sistema econômico funcionava com eficácia, registrava-se uma paz relativa em quase todas as províncias e além das fronteiras não existiam inimigos capazes de enfrentar o poderio de Roma. Na Europa, Ásia e África, as cidades, bases administrativas do império, cresciam e se tornavam cada vez mais cultas e prósperas. As diferenças culturais e sociais entre as cidades e as zonas rurais que as cercavam eram enormes, mas nunca houve uma tentativa de diminuí-las. Ao primitivo panteão romano juntaram-se centenas de deuses e, na religião como no vestuário e em outras manifestações culturais, difundiram-se modismos egípcios e sírios. A partir de suas origens obscuras na Judéia, o cristianismo foi-se aos poucos propagando por todo o império, principalmente entre as classes baixas dos núcleos urbanos. Em alguns momentos, o rígido monoteísmo de judeus e cristãos se chocou com as conveniências políticas, ao opor-se à divinização, mais ritual que efetiva, do imperador. Registraram-se então perseguições, apesar da ampla tolerância religiosa de uma sociedade que não acreditava verdadeiramente em nada. O Império Romano só começou a ser rígido e intolerante em matéria religiosa depois que adotou o cristianismo como religião oficial, já no século IV.
Os imperadores Aureliano, regente de 270 a 275, e Diocleciano, de 284 a 305, conseguiram apenas conter a crise. Com grande energia, o último tentou reorganizar o império, dividindo-o em duas partes, cada uma das quais foi governada por um augusto, que associou seu governo a um césar, destinado a ser o seu sucessor. Mas o sistema da tetrarquia não deu resultados. Com a abdicação de Diocleciano, teve início uma nova guerra civil. Constantino I favoreceu o cristianismo, que gradativamente passou a ser adotado como religião oficial. A esclerose do mundo romano era tal que a antiga divisão administrativa se transformou em divisão política a partir de Teodósio I, imperador de 379 a 395, o último a exercer sua autoridade sobre todo o império. Este adotou a ortodoxia católica como religião oficial, obrigatória para todos os súditos, pelo edito de 380. Teodósio I conseguiu preservar a integridade imperial tanto ante a ameaça dos bárbaros quanto contra as usurpações. No entanto, sancionou a futura separação entre o Oriente e o Ocidente do império ao entregar o governo de Roma a seu filho Honório, e o de Constantinopla, no Oriente, ao primogênito, Arcádio. A parte oriental conservou uma maior vitalidade demográfica e econômica, enquanto que o império ocidental, no qual diversos povos bárbaros efetuavam incursões, umas vezes como atacantes outras como aliados, se decompôs com rapidez. O rei godo Alarico saqueou Roma no ano 410. As forças imperiais, somadas às dos aliados bárbaros, conseguiram entretanto uma última vitória ao derrotar Átila nos Campos Catalaúnicos, em 451. O último imperador do Ocidente foi Rômulo Augústulo, deposto por Odoacro no ano 476, data que mais tarde viria a ser vista como a do fim da antiguidade. O império oriental prolongou sua existência, com diversas vicissitudes, durante um milênio, até a conquista de Constantinopla pelos turcos, em 1453.
Legado de Roma A civilização romana foi original e criadora em vários campos: o direito romano, codificado no século VI, ao tempo do imperador Justiniano, constituiu um corpo jurídico sem igual nos tempos antigos e forneceu as bases do direito da Europa medieval, além de ter conservado sua vigência, em muitas legislações, até os tempos modernos. As estradas romanas, perfeitamente pavimentadas, uniam todas as províncias do império e continuaram a facilitar os deslocamentos por terra dos povos que se radicaram nas antigas terras imperiais ao longo dos séculos, apesar de seu estado de abandono. Conservaram-se delas grandes trechos e seu traçado foi seguido, em linhas gerais, por muitas das grandes vias modernas de comunicação. As obras públicas, tais como pontes, represas e aquedutos ainda causam impressão pelo domínio da técnica e o poderio que revelam. Muitas cidades européias mostram ainda em seu conjunto urbano os vestígios das colônias romanas que foram no passado. Se, em linhas gerais, a arte romana não foi original, Roma teve o mérito de haver sabido transmitir à posteridade os feitos dos artistas gregos. Os poucos vestígios que sobreviveram da pintura romana mostram que as tradições gregas continuavam vivas. Os temas indicam a crescente preocupação religiosa, a serviço dos imperadores divinizados; referem-se, principalmente, à imortalidade da
alma e à vida de além-túmulo. O cristianismo se valeu do Império Romano para sua expansão e organização e depois de vinte séculos de existência são evidentes as marcas por ele deixadas no mundo romano. O latim, idioma que a expansão romana tornou universal, está na origem das atuais línguas românicas, tais como o espanhol, o italiano, o português, o francês, o catalão e o romeno. Depois de quase dois mil anos, pode-se ainda falar de um mundo latino de características bem diferenciadas.